Portugueses,Estamos já a menos de 24 horas da abertura das urnas para as eleições europeias deste ano. Hoje, vive-se em toda a Europa o chamado “dia de reflexão”, na ressaca de uma campanha eleitoral que em Portugal fica essencialmente marcada pelos ataques pessoais entre candidatos e pelo debate de questões internas, mais do que pela discussão de temas concernentes ao âmbito de actividade do Parlamento Europeu. É o costume.
Segundo dados da Direcção-Geral da Administração Interna, para as europeias de amanhã estão recenseados 9,6 milhões de portugueses, mais 17 mil do que no último acto eleitoral realizado em Portugal, as eleições presidenciais de 2006, quando estavam inscritos 8,9 milhões de eleitores no nosso país. De acordo com a Comissão Nacional de Eleições, nessa altura a abstenção atingiu os 38,47 por cento. Uma percentagem elevada, mas que ainda assim fica bem aquém da tradicional abstenção nas europeias (27,58 por cento em 1987, 48,90 por cento em 1989, 64,46 por cento em 1994, 60,07 por cento em 1999 e 61,40 por cento em 2004).
Mais inscritos não significa, infelizmente, mais votantes, e a chuva que se adivinha para este fim-de-semana também não constitui bom prenúncio. Não acredito que algum partido consiga bater os números da abstinência no voto. Os portugueses tendem a demitir-se dos seus deveres, e a atirar à rua as oportunidades de exercer a sua cidadania, como se isso não lhes dissesse respeito. É um erro. Porque não são os políticos que constroem a qualidade da democracia. São os cidadãos, que livremente se expressam, nos momentos e nos lugares certos, quanto ao futuro do país e, neste caso, quanto ao futuro da Europa. Cabe aos portugueses decidir quem são os seus representantes no Parlamento Europeu, mas a tendência é para se pensar que a Europa é demasiado longe para ter algo a ver connosco. Erro, outra vez.
Por isso, amanhã vamos todos às urnas. Vamos ajudar a construir o Portugal que é de todos. Sem esquecer que a Europa é, cada vez mais, um elemento fundamental da afirmação de Portugal e dos portugueses no mundo. Contra a abstenção, votar, votar!
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