quarta-feira, 3 de junho de 2009

Toda a verdade sobre os genéricos

Foi no programa matinal da SIC apresentado por Merche Romero – com que me deparei num zapping e cujo nome ignoro – que assisti a uma cena digna de figurar numa qualquer listagem de “tesourinhos deprimentes da nossa televisão”. Num pretenso debate sobre medicamentos genéricos, eram convidados João Braga, Simone de Oliveira e Joana Amaral Dias. Médico, havia algum? Não. Farmacêutico, havia algum? Não. Havia uma psicóloga que ficou mais conhecida por ser uma espécie de "boazona da política", um fadista e uma actriz e cantora. Tudo isto polvilhado pela “sabedoria” de uma apresentadora de substituição. Foi neste debate, em que precisamente demorei o meu zapping, que ouvi algumas “pérolas” de pessoas que percebem tanto de medicamentos como o meu vizinho que trabalha num banco, ou como o homem que entrega os jornais na papelaria cá da rua. Ou se calhar menos. Por isso, para quem se importa com a verdade e se exaspera quase até ao colapso com tamanhas demonstrações de estupidez, e com a ousadia de meia dúzia de ignorantes em debater um tema tão importante como a saúde de todos nós, deixo-vos algumas informações sobre os genéricos, disponibilizadas por quem merece, pelo papel que desempenha, alguma credibilidade nesta matéria: a Autoridade Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed).

O QUE É UM MEDICAMENTO GENÉRICO? Um medicamento genérico é um medicamento com a mesma substância activa, forma farmacêutica e dosagem e com a mesma indicação terapêutica que o medicamento original, de marca, que serviu de referência.

COMO RECONHECER UM MEDICAMENTO GENÉRICO? Os medicamentos genéricos são identificados pela sigla (MG), inserida na embalagem exterior do medicamento.

COMO SÃO PRESCRITOS OS MEDICAMENTOS GENÉRICOS? São prescritos pela DCI das substâncias activas, seguida da dosagem e forma farmacêutica, podendo o médico acrescentar o nome do respectivo titular da AIM ou marca.

GARANTIA DE QUALIDADE, SEGURANÇA E EFICÁCIA De acordo com o Decreto-Lei n.º 176/2006, de 30 de Agosto, a AIM de medicamentos genéricos está sujeita às mesmas disposições legais dos outros medicamentos, estando dispensada a apresentação de ensaios pré-clínicos e clínicos desde que demonstrada a bioequivalência com base em estudos de biodisponibilidade ou quando estes não forem adequados, equivalência terapêutica por meio de estudos de farmacologia clínica apropriados (estes testes seguem estritamente o disposto nas normas comunitárias) ou outros a solicitar pelo Infarmed.

Quais são as vantagens dos medicamentos genéricos?

- São medicamentos cujas substâncias activas se encontram no mercado há vários anos e que, por essa razão, apresentam maior garantia de efectividade e permitem um melhor conhecimento do respectivo perfil de segurança.

- Apresentam a mesma qualidade do medicamento de referência, traduzida na demonstração de bioequivalência, através de estudos de biodisponibilidade (Decreto-Lei n.º 176/2006, de 30 de Agosto).

- São 20 ou 35% mais baratos do que o medicamento de referência, com a mesma forma farmacêutica e igual dosagem caso não exista grupo homogéneo, o que se torna uma vantagem económica, para os utentes porque estes medicamentos são substancialmente mais baratos do que o medicamento de referência, e para o SNS porque permite uma melhor gestão dos recursos disponíveis. No caso de existir grupo homogéneo, o preço de venda ao público é igual ou inferior ao preço de referência desse grupo.

- A prescrição por DCI ou por nome genérico representa uma prescrição de base mais científica e mais racional.

- Maior rapidez na obtenção de AIM, associada a uma simplificação de todo o processo (está dispensada a apresentação dos relatórios dos peritos sobre os ensaios farmacológicos, toxicológicos e clínicos e pré-clínicos (Decreto-Lei n.º 176/2006, de 30 de Agosto).

EM SUMA…
Os medicamentos genéricos têm a mesma qualidade, eficácia e segurança a um preço inferior ao do medicamento original.

1 comentário:

  1. Bom dia
    Estive a ler o seu comentário sobre o sensacional "debate" subordinado ao tema "genéricos" com a presença de Joana Amaral Dias, Simone de Oliveira e João Braga e claro com a Ex CR7 Merche Romero a moderar. Parece-me efectivamente um debate sério, em que a informação passada ao auditório nacional a essa hora (especialmente idosos e reformados e principais clientes de medicamentos) era concerteza, precisa, concisa e da maior confiança. Infelizmente é o país que temos. Desde que um tema esteja na moda, seja os namoros e "desnamoros" de verão, as fotos na Caras ou a saúde de todos nós, não interessa absolutamente nada quem está a falar no assunto ou se a mensagem que se passa é credível ou não. Concordo absolutamente consigo e parabéns por denunciar este caso que considero com um abuso à nossa inteligência.
    Cumprimentos
    Paula Oliveira

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