segunda-feira, 20 de julho de 2009

Um ano depois, só mudam as moscas…

Os jornalistas e outros trabalhadores ao serviço das publicações “O Primeiro de Janeiro” e “Motor” continuam sem receber os respectivos salários, apesar da intervenção da Autoridade para as Condições de Trabalho, a pedido do Sindicato dos Jornalistas. Trata-se de "uma situação completamente inaceitável e insustentável", refere o SJ em comunicado divulgado hoje, 20 de Julho, sublinhando que o não cumprimento dos deveres contratuais, para além de "atentatória dos elementares direitos dos trabalhadores", revela a "falta de respeito do empregador" para com os trabalhadores ao seu serviço, os quais, apesar de nada receberem, "continuam a comparecer regularmente nos seus postos de trabalho e a assegurar a produção daquelas publicações". O documento do SJ adverte ainda os jornalistas das duas publicações para o facto de a "cedência de direitos que constituem conquistas civilizacionais em nada ajudar à resolução dos problemas laborais, antes contribuir objectivamente para agravar e perpetuar situações de exploração que atentam contra a dignidade humana". É o seguinte o texto, na íntegra, do comunicado do SJ:

Jornalistas no “Janeiro” e no “Motor” ainda sem salários

1.Apesar da intervenção da Autoridade para as Condições de Trabalho, a pedido do Sindicato dos Jornalistas, os jornalistas e outros trabalhadores ao serviço das publicações “O Primeiro de Janeiro” e “Motor” continuam sem receber os respectivos salários, em dívida há três e oito meses, respectivamente, bem como os subsídios de férias e de Natal do ano passado e o subsídio de férias deste ano.

2.Trata-se de uma situação completamente inaceitável e insustentável, atentatória dos elementares direitos dos trabalhadores e que revela a falta de respeito do empregador para com o extremo sacrifício desses profissionais, os quais, apesar de nada receberem, continuam a comparecer regularmente nos seus postos de trabalho e a assegurar a produção daquelas publicações.

3.Recorda-se que, além dos profissionais ainda ao serviço do “Janeiro” e do “Motor”, três dezenas de outros jornalistas despedidos ilegalmente do “PJ” há quase um ano continuam sem receber os respectivos créditos e a reclamar os seus direitos.

4.O SJ considera urgente pôr termo a esta situação e continua a acompanhar e a apoiar os jornalistas na tomada das medidas necessárias, a fim de que o respeito pelos seus legítimos direitos seja reposto.

5.O SJ alerta uma vez mais os jornalistas para o facto de – como a realidade se tem encarregado de demonstrar – a cedência de direitos que constituem conquistas civilizacionais em nada ajudar à resolução dos problemas laborais, antes contribuir objectivamente para agravar e perpetuar situações de exploração que atentam contra a dignidade humana.

Lisboa, 20 de Julho de 2009

A Direcção

7 comentários:

  1. Eu pessoalmente se estivesse na situação dos muitos jornalistas....já lhe tinha apertado o PAPO.
    Em certos casos a maneira antiga ainda é a melhor...

    Saudações Marítimas
    José Modesto

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  2. Boa noite, Modesto!

    Um dia que aquela criatura seja encontrada de "papo apertado" em qualquer lado, acredite que os suspeitos serão muitos e os culpados difíceis de encontrar. Lá que dá vontade dá, mas a receita que sigo nestes casos é mesmo a de desprezar quem já teve de nós muito mais do que merecia... O tempo encarregar-se-á de mostrar quem são os bons e os maus nesta lamentável história!

    Obrigada pela sua amizade.
    Continue a passar por cá.

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  3. ... eu acho que até as moscas são as mesmas, porque o lugar não areja.

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  4. Poderá (ou não) dizer-se.
    Roma neste caso o execrável costa, não paga a traidores.
    Cá se faz, cá se paga.
    Cumprimentos do velho

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  5. Dediquei este artigo para os jornalistas do "Público", mas que também serve para o "Janeiro":

    #Futuro incerto na imprensa#

    A decisão dos jornalistas e demais trabalhadores de um jornal diário português em aceitarem a redução da remuneração individual abre um precedente grave, e mais importante, não resolve nada, apenas adia temporariamente uma situação inevitável. Significa que basta pressionar as redacções em forma de ameaçadores ultimatos e acenar com o despedimento colectivo mandando às malvas o código de trabalho. A crise económica mundial e o prejuízo de 4 milhões ao ano do jornal, parecem querer justificar tudo menos as mordomias das chefias que deveriam ser os primeiros a darem o exemplo e a sacrificarem-se. Administradores brilhantes que nunca ouviram falar de inovação e motivação dos seus funcionários numa comunicação social cada vez mais monopolizada. Se calhar, para estes, o importante é distribuir o jornal gratuitamente nos hipermercados do accionista.

    http://dylans.blogs.sapo.pt/

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  6. Ouvi dizer que poderá aparecer um novo Jornal diário no Porto. Será verdade?

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  7. Não só será verdade como já foi verdade. Há bem pouco tempo surgiu nas bancas o «i», que é um jornal de âmbito nacional, mas que pretende ter uma implantação forte no Norte e no Porto em particular, e logo depois o semanário «Grande Porto. Se está para aparecer mais algum desconheço...

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