Elisa Ferreira desiludiu-me. Como candidata à presidência da Câmara Municipal do Porto tem sido desastrosa, dando sucessivos tiros nos pés e pretendendo passar uma imagem de segurança que acaba por revelar fragilidade. Insiste no estatuto de independente de forma quase absurda, quando todos sabemos que cresceu e chegou onde chegou sempre apoiada no PS. Tem revelado também, e acreditem que sei do que falo, tiques muito pouco democráticos, ao pretender, por exemplo, imiscuir-se no quotidiano de empresas com as quais nada tem a ver, querendo reservar-se ao direito de decidir quem é que essas empresas podem ou não contratar. A imagem que tinha de Elisa Ferreira, alicerçada na forma sempre afável e disponível com que atendia os telefonemas dos jornalistas – e liguei-lhe bastantes vezes durante os meus 10 anos de carreira – e se dispunha a esclarecer dúvidas e responder às perguntas que estes lhe faziam, ruiu há poucos dias, de forma tão radical quanto insanável.É pena. Basicamente, porque considero que Elisa Ferreira poderia ser uma excelente presidente de câmara. É decidida, é ousada, revela grande ligação ao que faz e forte empenho no seu trabalho (pelo menos até ao momento em que decide dizer que só lá vai assinar o ponto, porque o que quer mesmo é outra coisa). Com esta candidatura, creio que o PS perdeu qualquer possibilidade de recuperar a presidência da autarquia portuense, mesmo tendo em conta que Rui Rio também não tem sido exactamente brilhante no papel de autarca. Se já tinha a ideia de que a sua “obra” se resumia ao Red Bull Air Race e às corridas de carros na Boavista, nos últimos tempos, justamente em iniciativas promovidas pela candidatura socialista (não venham com o “independente”, porque Elisa Ferreira só existe graças ao PS), fiquei a saber que a obra do PSD tem sido também bastante destrutiva para a cidade, designadamente nas áreas do Desporto e da Cultura. Isto para não falar de que à noite o Porto é um deserto, que tem perdido liderança no contexto do Norte e que está a definhar a olhos vistos.
Se Elisa Ferreira poderia resolver alguns destes problemas? Poderia. Capacidades não lhe faltam. Mas não vai ter sequer essa hipótese, porque se deixou enredar numa teia de falhanços claros e sucessivos, e de argumentos incapazes para os justificar. É certo que seria difícil, e constrangedor, para o PS encontrar um substituto a esta altura do campeonato. Mas a verdade parece evidente: a candidatura de Elisa Ferreira vai protagonizar o pior resultado de sempre do PS na cidade do Porto. Não será culpa de José Sócrates, nem do Governo, embora não vão também faltar as vozes a tentar fazer-nos acreditar nisso. A culpa será, apenas e só, da candidata. Elisa Ferreira não está à altura do desafio. Marco António Costa disse-o, ainda a “independente” era apenas uma opção, e na altura critiquei-o por desmerecer assim uma pessoa com tal currículo. Parece, no entanto, que ele tinha razão. Talvez não pelos motivos que apontou, mas tinha razão. Elisa Ferreira tornou-se uma desilusão para mim. E tenho pena.
Parabéns por este texto.
ResponderEliminarLembrar-se-á que eu sempre disse:
Duplas candidaturas...derrotas anunciadas.
Não é uma mulher de convicções.
Estou em querer que a sua carreira politica acaba com o Porto....
Saudações Maritimas
José Modesto
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarNão sei o que motivou a mudança, mas creia que tem a minha total solidariedade. Continue sempre com esse espírito.
ResponderEliminarPara completar este festival de zangas, traições e facadas nas costas, os socialistas do Porto decidiram entrar em cena, tarde e a más horas, com uns obuses contra a sua candidata à Câmara que já garantiu um bom lugarzinho em Bruxelas. O espectáculo, como se vê, é aliciante e ninguém precisa, neste sítio manhoso, pobre, cheio de larápios e cada vez mais mal frequentado, de despertador para assistir durante horas a fio ao triste desmontar da feira do PS do senhor presidente do Conselho. Um espectáculo de terceira categoria, com personagens lamentáveis. São os socialistas democráticos no seu melhor.
ResponderEliminarNão tenho uma visão tão negativa deste acontecimento. Creio, aliás, que a culpa da triste ffigura que Elisa Ferreira tem vindo a fazer é dela e apenas dela, exactamente porque insiste em dizer que é independente, quando se fez e toda a sua vida viveu às custas do PS. Não sei o que pretende fazer José Sócrates acerca disto, mas creio que, se não correr com ela, o PS não terá qualquer hipótese de ganhar a câmara. Aliás, considero que, mesmo correndo com Elisa, já é demasiado tarde. Apesar de, como aqui tenho dito, Rui Rio esteja também bem longe de ser um bom presidente para a cidade. Mas, em terra de cegos, quem tem um olho é rei...
ResponderEliminarElisa Ferreira sempre foi uma candidatada desejada... por jornalistas. Face à evidência de Rio ser um presidente de câmara sólido, aparentemente sem rabos de palha, o "povo jornalista" queria que Elisa Ferreira lhe tirasse os louros. O problema é que o PS não sabe fazer outra coisa se não autofagia. O mais dramático no meio de tudo isto é que o PS não vai aprender a lição, mais uma vez. Enfim, merecem ser castigados por isso. Registe-se que acho Rui Rio um presidente de câmara politicamente tacanho e nada ousado. Cofre cheio/cidade vazia.
ResponderEliminar