Nunca fui excessivamente patriótica, mas também nunca gostei de ouvir falar mal do meu país ou, a bem da verdade, de qualquer coisa que seja minha. No entanto, numa semana em que a minha caixa de e-mail foi literalmente invadida por links e mensagens de protesto e quase ódio contra um vídeo em que a actriz brasileira Maitê Proença satiriza Portugal e os Portugueses, há duas ou três coisas que me sinto impelida a dizer:
1) Quando a noção de humor de uma pessoa inclui disparar uma série de afirmações historicamente erradas e cuspir na fonte de um monumento nacional de outro país, acho que fica bem patente o valor moral e até a inteligência de quem assim procede. Afinal, por mais que diga qualquer um de nós, ninguém dirá senão o que é, e Maitê Proença demonstrou bem o seu nível ou, neste caso, a falta dele;
2) Por outro lado, todos os que ao longo de várias décadas endeusaram e idolatraram uma actriz de segunda categoria (baseando-se, não raras vezes, na sua alegada e sempre discutível beleza), sem conhecer o mínimo do seu carácter, merecem isto e muito mais. É para aprenderem a não valorizar excessivamente o que vem de fora, apenas porque sim;
3) O mesmo digo de um povo que se tornou conhecido pelos seus “brandos costumes”, e que aceitou, entre outros sinais de falta de amor-próprio, a conspurcação da sua língua materna com vocábulos horrendos e muito frequentemente imbecis inventados pelos brasileiros, trocando a Língua Portuguesa por uma treta de (des)acordo ortográfico que consagra os erros deles, em vez das nossas regras. Os Portugueses habituaram-se há muito tempo a ser ridicularizados pelo mundo, e é nessa medida que me causa alguma estranheza esta empolada resposta patriótica, ainda que concorde com os seus preceitos. Ainda assim, declarar Maitê Proença como persona non grata em Portugal parece-me francamente exagerado. É dar-lhe muito mais importância do que aquela que a senhora efectivamente tem. E isso é coisa que não faço.
1) Quando a noção de humor de uma pessoa inclui disparar uma série de afirmações historicamente erradas e cuspir na fonte de um monumento nacional de outro país, acho que fica bem patente o valor moral e até a inteligência de quem assim procede. Afinal, por mais que diga qualquer um de nós, ninguém dirá senão o que é, e Maitê Proença demonstrou bem o seu nível ou, neste caso, a falta dele;
2) Por outro lado, todos os que ao longo de várias décadas endeusaram e idolatraram uma actriz de segunda categoria (baseando-se, não raras vezes, na sua alegada e sempre discutível beleza), sem conhecer o mínimo do seu carácter, merecem isto e muito mais. É para aprenderem a não valorizar excessivamente o que vem de fora, apenas porque sim;
3) O mesmo digo de um povo que se tornou conhecido pelos seus “brandos costumes”, e que aceitou, entre outros sinais de falta de amor-próprio, a conspurcação da sua língua materna com vocábulos horrendos e muito frequentemente imbecis inventados pelos brasileiros, trocando a Língua Portuguesa por uma treta de (des)acordo ortográfico que consagra os erros deles, em vez das nossas regras. Os Portugueses habituaram-se há muito tempo a ser ridicularizados pelo mundo, e é nessa medida que me causa alguma estranheza esta empolada resposta patriótica, ainda que concorde com os seus preceitos. Ainda assim, declarar Maitê Proença como persona non grata em Portugal parece-me francamente exagerado. É dar-lhe muito mais importância do que aquela que a senhora efectivamente tem. E isso é coisa que não faço.
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