sábado, 19 de dezembro de 2009

Até sempre, tio Manuel!

A morte apanha-nos sempre de surpresa. Mesmo quando os pesadelos a perseguem, mesmo se alguns acontecimentos a antecipam, teimamos em ter esperança. Em pensar que não, que não é desta. Mas depois a realidade atinge-nos com uma pancada seca, as lágrimas parecem secar-nos nos olhos, e diante de nós exibe-se, incessantemente, o filme dos momentos que partilhámos com quem agora nos foge ao convívio. Não que o convívio fosse muito nos últimos anos. A última vez que o vi, curiosamente, foi num outro funeral. Tinha os cabelos brancos, como nunca lhos tinha visto, e um sorriso manchado por algum desconforto. Disse que se sentia só, abandonado, mas que continuava ali, vivo e amigo. A vontade de o ver mais vezes cruzou-me diversas vezes o espírito, e quando o soube internado quis ir vê-lo, lá longe onde estava. A gripe que me apanhou inibiu esses planos, porque não quis pô-lo em risco, frágil como estava. E hoje morreu, naquela cama de hospital, sem imaginar sequer os meus anseios de o ver, assim que a gripe passasse. Não fui a tempo, e ele morreu sem saber da minha saudade. Talvez tenha sido essa dor que secou as lágrimas que sinto cá dentro…


Até sempre!
Espera por mim no céu.

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