sábado, 23 de janeiro de 2010

Quando "único" quer dizer "dois"...

Dizem que os indivíduos que abusam do álcool vêem frequentemente a dobrar. Não sei se é assim, mas dou por certa a teoria de quem certamente tem no currículo mais bebedeiras, próprias ou emprestadas, do que eu. Já no PSD (e perdoem a má comparação), parece que há quem só veja metade do que existe, numa forma deturpada de encarar a realidade que aos poucos foi contagiando os meios de informação desta ocidental praia lusitana. Ao longo dos últimos meses, mas com particular incidência nos últimos dias, o mundo noticioso nacional voltou-se, com muito interesse mas com pouca atenção, para as questões do foro interno do PSD. Subitamente, para o núcleo duro de Manuela Ferreira Leite, que sempre tratou como mentalmente diminuídos todos aqueles que não iam à bola com o grupo, mas depois acabou por “atirar uma esmola” a Santana Lopes, cedendo-lhe terreno para se espalhar ao comprido na candidatura à Câmara Municipal de Lisboa, o outro rival da ainda presidente (alguma vez terá sido líder?) do partido passou a ser, aos olhos de Aguiar-Branco, “um bom candidato”.

Sem comprometer a sua cómoda e bem cultivada proximidade a Manuela Ferreira Leite, que lhe valeu para já a liderança do grupo parlamentar, e sem se comprometer com uma eventual candidatura própria à presidência do partido, Aguiar-Branco começa agora a emitir sinais de alguma abertura a Pedro Passos Coelho, embora sem querer pronunciar-se muito claramente a favor dele (nunca se sabe se não há-de surgir um qualquer “barão” disposto a correr o risco de um suicídio político, em troca de uns mesitos de liderança do rebanho social-democrata). Contra isso nada! Eles, que são cor de laranja, que se entendam! O que me parece estranho, e até constrangedor, é que num partido que há meses anda à deriva, sem leme nem rumo, haja quem se dê ao desplante de tão grosseiramente desrespeitar quem manifesta interesse em resgatar o PSD desse marasmo, numa atitude de falta de solidariedade que começou nos barões e logo contagiou os meios de informação. Isto tudo para dizer o quê?
Já todos sabem que Pedro Passos Coelho é candidato à presidência do PSD. Não é a primeira vez, e ele não escondeu, em momento algum, que ia voltar à carga. O problema é que, nos últimos dias (semanas, meses?), há nos jornais, nas rádios e nas televisões uma febre de PSD, com notícias atrás de notícias, entrevistas e artigos diversos, segundo os quais Passos Coelho é “o único candidato” à sucessão de Manuela Ferreira Leite, quando na verdade existem pelo menos dois candidatos já perfilados, e o outro (o que não é Passos Coelho) tem mantido uma agenda tão ou mais intensa do que o fundador da JSD, sem que algum dos media nacionais se digne a dar-lhe cobertura. Isto é indigno de um jornalismo que se diz independente e isento. Isto é indigno de um país que devia respeitar a pluralidade de opiniões e políticas, abstendo-se de comentar a realidade lusitana como se apenas existisse o Benfica e o PSD.

Não me colo a Alberto João Jardim, nem à sua definição de “bastardos, para não dizer filhos da pûta”. Que os há, sem dúvida! Mas considero indecente, para não dizer pior, que tantos jornais, tantas rádios e tantos canais de televisão se dediquem a perseguir quotidianamente Pedro Passos Coelho, Manuela Ferreira Leite, José Pedro Aguiar-Branco, Marques Mendes, Luís Filipe Menezes ou qualquer cão e gato que fale “social-democratês”, ignorando de modo quase olímpico o outro candidato: Castanheira de Barros, advogado sediado em Coimbra, é há já alguns meses, e também pela segunda vez, candidato à presidência do PSD. Da primeira vez foi claramente ostracizado pelos media, e desta vez vai pelo mesmo caminho. Poucos se interessam pelas suas ideias, pela sua agenda ou pelas suas opiniões, e até por isso gostava de o ver ganhar as eleições internas e pôr essa gente toda na linha. Revolta-me este tipo de boicotes. E pior do que ser ignorado pelos seus pares, é ser maltratado por uma Comunicação Social que se vende aos poderes instituídos em troca de muito pouco. Mas, que dizer?... That’s politics!

3 comentários:

  1. É o PSD. Palavras para quê?

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  2. Excelente artigo, Carla! Não sou um desses jornalistas, até porque nem cubro a área política, mas já reparei que tens razão nisto. Um dos candidatos é levado ao colo pelos media e do outro ninguém quer falar. É mesmo como acontece com o Benfica! Boa malha! Os meus parabéns!

    Um jornalista solidário

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  3. Parabéns Carla.

    Dizer as coisas assim, de forma frontal e desabrida, é também o meu estilo e a minha forma de denunciar.
    Continua assim.

    Um Jornalista que aplaude

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