domingo, 21 de março de 2010

Castanheira Barros rompeu silêncio...


Uma entrevista de 20 minutos não é muito tempo para dar voz a um homem que durante cerca de cinco meses de campanha foi sucessiva e ostensivamente ostracizado pelos meios de informação nacionais. Jorge Castanheira Barros, candidato à sucessão de Manuela Ferreira Leite na liderança do PSD, deu hoje uma curta entrevista a Judite de Sousa, transmitida em directo na RTP, e deixou bem claro, como ele mesmo frisou, que é o rosto da mudança no seu partido. Reconhecendo maior proximidade com Pedro Passos Coelho do que com qualquer dos outros concorrentes (Aguiar Branco e Paulo Rangel representam a linha sucessória da actual presidente social-democrata, o que equivale a continuidade), o advogado nascido no Porto e criado em Coimbra foi igual a si mesmo, ao homem que tive o grato prazer de conhecer há uns anos, em pleno congresso laranja.
Reconheceu que a recolha de assinaturas que apoiassem a sua candidatura só foi possível graças a um “esforço titânico”, mas garantiu, com a tranquilidade que lhe conheço e com a sinceridade de quem se entrega de alma e coração a um projecto, que tem algumas ideias concretas para pôr em prática, caso saia vencedor das eleições directas da próxima sexta-feira, dia 26. Conhecido pelo papel que tem desempenhado no âmbito da luta contra a co-incineração nas cimenteiras de Souselas e do Outão, Castanheira Barros avançou que dará, na sua actuação enquanto presidente do PSD, atenção especial ao Ambiente, por encarar as questões ambientais como “a grande batalha da humanidade” neste século. Contudo, é nas questões sociais, nos problemas que mais afectam as populações, que porá o enfoque da sua intervenção política.
O desemprego, o congelamento de salários e a perda do poder de compra dos portugueses serão por isso, na sua opinião, os grandes problemas a que urge dar resposta. Mas, porque não basta elencar problemas sem avançar possíveis soluções, explicou que, para combater o flagelo do desemprego, o Governo deveria apostar na promoção do emprego, na criação de mais postos de trabalho em regime de auto-emprego e na criação de mais pequenas e médias empresas, ao mesmo tempo que deveria procurar reduzir a despesa pública. Neste ponto, instou mesmo o Governo e a Presidência da República a “dar o exemplo”…

Servir o PSD
Assumidamente crítico de Manuela Ferreira Leite – numa breve conversa que mantivemos à margem do primeiro congresso após a eleição da actual líder, em Junho de 2008, em Guimarães,  fez questão de vincar a “margem muito débil” com que MFL tinha sido eleita, chegando mesmo a apontar Alberto João Jardim como o presidente ideal para o PSD naquela altura) –, Castanheira Barros acusou-a hoje de não ter sabido inspirar a confiança dos portugueses, que deixaram de ver no PSD um referencial político e uma alternativa ao Partido Socialista. Na sua óptica, o partido deverá regressar aos ideais do seu fundador, Sá Carneiro, que permitiram afirmar o PSD como um partido de “coerência, de democracia e de combate político”.
Diversamente de Manuela Ferreira Leite e dos candidatos que representam a continuidade das suas políticas, Castanheira Barros asseverou ter como principal ponto forte o facto de saber fazer-se ouvir e compreender por todos os militantes e por todos os cidadãos, ricos e pobres, criticando aqueles que falam de problemas abstractos para a generalidade das pessoas, em vez de se concentrarem nas questões que realmente afectam as suas vidas. E rematou afirmando que está na corrida à liderança do PSD “para servir o partido”, e não para se servir dele! Silenciado durante muito tempo pelos media, julgo que o candidato fez bem o trabalho de casa e soube tocar nos pontos essenciais do seu discurso, de uma forma capaz e bem concebida. Judite de Sousa também esteve bem, acutilante e profissional, como é, de resto, seu apanágio.

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