domingo, 4 de dezembro de 2011

Francisco Sá Carneiro morreu há 31 anos


Dizem-me que foi um grande homem e que teria sido também um político de elevada estatura. Se é certo que não posso confirmá-lo por experiência própria, já que tinha apenas quatro anos no dia da sua morte, ocorrida na trágica circunstância da queda de um avião em Camarate, e que durante grande parte da minha infância, vá-se lá saber porquê, atribuí sempre o seu nome ao rosto de Pinto Balsemão, outro fundador do PSD, a verdade é que só a invulgar grandeza de um homem, aliada talvez à falta de uma explicação cabal para os acontecimentos de 4 de Dezembro de 1980 – a tese de atentado parece-me a mais plausível, mas não há certeza de que não tenha sido apenas um acidente devido a negligência na manutenção do Cessna que o levaria de Lisboa ao Porto para o comício final da campanha presidencial de António Soares Carneiro –, poderá justificar que hoje, volvidos exactamente 31 anos sobre o dia da sua morte, Francisco Sá Carneiro continue a ser alvo de uma imensa admiração por parte dos que conviveram com ele e com ele fundaram o PSD.

Roubado à vida com apenas 46 anos, era na altura primeiro-ministro de Portugal, num governo de coligação PSD/CDS, e seguia a bordo daquele Cessna na companhia do democrata-cristão Adelino Amaro da Costa, ministro da Defesa, de Snu Abecassis, sua companheira, dois assessores, o piloto e o co-piloto da aeronave, todos falecidos na sequência do seu despenhamento. Foi Diogo Freitas do Amaral quem, aos microfones da RTP, anunciou ao país a morte daquelas sete pessoas. Serão muitas, por estes dias, e como tem sido tradição ao longo dos anos, as homenagens a Sá Carneiro e aos ideais que preconizou para o seu partido e para o país. Respondendo a um convite do PSD de Anadia, por exemplo, esteve ontem numa conferência realizada naquele concelho do Centro do País António Capucho, destacada figura da social-democracia portuguesa. Tendo em conta que a presença de Sá Carneiro no avião que haveria de vitimar toda a sua equipa não estava inicialmente prevista, e considerando que um atentado de tais dimensões não se prepara em escassos minutos ou horas, o orador mostrou-se convicto de que, “se houve um atentado em Camarate, não foi contra Sá Carneiro”.

Independentemente de ter sido ou não um atentado, a verdade é que sete vidas foram ceifadas de forma trágica e prematura no dia 4 de Dezembro de 1980 em Camarate, e é lamentável que, 31 anos depois desse dia, as razões da queda do avião continuem por esclarecer. Francisco Sá Carneiro – que, descobri hoje, até tem uma página no Facebook – continuará a ser lembrado com saudade pelos seus familiares, amigos e correligionários, e o enorme mistério da sua morte permanecerá na cabeça de todas as pessoas de bem deste país. Por isso aqui fica a minha singela homenagem a um homem que não tive oportunidade de conhecer verdadeiramente, mas que muitos acreditam que, ainda hoje, fará falta a Portugal.

A foto que ilustra este post foi obtida à margem do congresso do PSD realizado em Pombal em Abril de 2005 e é da autoria da fotojornalista Ângela Velhote, à data editora de Fotografia de «O Primeiro de Janeiro».