Dizem-me que foi um grande
homem e que teria sido também um político de elevada estatura. Se é certo que
não posso confirmá-lo por experiência própria, já que tinha apenas quatro anos
no dia da sua morte, ocorrida na trágica circunstância da queda de um avião em
Camarate, e que durante grande parte da minha infância, vá-se lá saber porquê, atribuí
sempre o seu nome ao rosto de Pinto Balsemão, outro fundador do PSD, a verdade
é que só a invulgar grandeza de um homem, aliada talvez à falta de uma
explicação cabal para os acontecimentos de 4 de Dezembro de 1980 – a tese de
atentado parece-me a mais plausível, mas não há certeza de que não tenha sido
apenas um acidente devido a negligência na manutenção do Cessna que o levaria
de Lisboa ao Porto para o comício final da campanha presidencial de António Soares
Carneiro –, poderá justificar que hoje, volvidos exactamente 31 anos sobre o
dia da sua morte, Francisco Sá Carneiro continue a ser alvo de uma imensa
admiração por parte dos que conviveram com ele e com ele fundaram o PSD.
Roubado à vida com apenas 46
anos, era na altura primeiro-ministro de Portugal, num governo de coligação
PSD/CDS, e seguia a bordo daquele Cessna na companhia do democrata-cristão
Adelino Amaro da Costa, ministro da Defesa, de Snu Abecassis, sua companheira,
dois assessores, o piloto e o co-piloto da aeronave, todos falecidos na
sequência do seu despenhamento. Foi Diogo Freitas do Amaral quem, aos microfones
da RTP, anunciou ao país a morte daquelas sete pessoas. Serão muitas, por estes
dias, e como tem sido tradição ao longo dos anos, as homenagens a Sá Carneiro e
aos ideais que preconizou para o seu partido e para o país. Respondendo a um
convite do PSD de Anadia, por exemplo, esteve ontem numa conferência realizada naquele
concelho do Centro do País António Capucho, destacada figura da
social-democracia portuguesa. Tendo em conta que a presença de Sá Carneiro no
avião que haveria de vitimar toda a sua equipa não estava inicialmente prevista,
e considerando que um atentado de tais dimensões não se prepara em escassos
minutos ou horas, o orador mostrou-se convicto de que, “se houve um atentado em
Camarate, não foi contra Sá Carneiro”.
Independentemente de ter sido
ou não um atentado, a verdade é que sete vidas foram ceifadas de forma trágica
e prematura no dia 4 de Dezembro de 1980 em Camarate, e é lamentável que, 31
anos depois desse dia, as razões da queda do avião continuem por esclarecer.
Francisco Sá Carneiro – que, descobri hoje, até tem uma página no Facebook –
continuará a ser lembrado com saudade pelos seus familiares, amigos e correligionários,
e o enorme mistério da sua morte permanecerá na cabeça de todas as pessoas de
bem deste país. Por isso aqui fica a minha singela homenagem a um homem que não
tive oportunidade de conhecer verdadeiramente, mas que muitos acreditam que,
ainda hoje, fará falta a Portugal.
A foto que ilustra este post
foi obtida à margem do congresso do PSD realizado em Pombal em Abril de 2005 e
é da autoria da fotojornalista Ângela Velhote, à data editora de Fotografia de
«O Primeiro de Janeiro».
