sexta-feira, 1 de junho de 2012

O dia da criança é também um pouco meu...


“Nunca ninguém conseguirá ir ao fundo de um riso de criança”.
Victor Hugo


Há qualquer coisa de mágico nas crianças. No seu olhar, cândido e sereno, mesmo quando se envolvem nas maiores tropelias; no seu sorriso, que desconhece as mágoas que a idade adulta lhe trará; na simplicidade com que nos dizem como devemos resolver os nossos problemas e combater as nossas tristezas. Há dias, numa superfície comercial onde me encontrava a fazer compras com uma das minhas irmãs, surgiu de repente uma menina, dos seus cinco ou seis anos, que começou a fazer conversa comigo. A Catarina, como disse chamar-se, tinha na mão uma bola e preparava-se para ir à piscina no dia seguinte. É quase sempre assim quando me cruzo com crianças. Talvez pressintam que gosto delas, mesmo sem as conhecer, e se abeirem de mim para trocar meia dúzia de palavras por causa disso. Sinto, muitas vezes, que a maior parte dos adultos não tem a minha paciência para dialogar com os mais pequenos. Eu tenho, e esse é um dos meus maiores orgulhos, porque, como dizia Mêncio, “o grande homem é um adulto que não perdeu o coração de criança”.

As crianças são únicas. Todas as crianças. São pequeninos pedacinhos de céu colocados na terra para que percebamos que a vida é bem menos complicada do que parece. Há algumas semanas, o filho de uma amiga minha, de apenas três anos, tentava confortar-me pela recente partida do meu pai. Dizia-me ele, do alto da sua sabedoria, que a tristeza sairia rapidamente do meu coração se eu fosse comprar um brinquedo, e que mesmo que fosse um carrinho teria de ser cor-de-rosa porque eu sou uma menina. Parece simples, não parece? Tudo é simples para as crianças, que riem com as asneiras dos adultos, que deliram com a atenção que alguns adultos lhes dão, que esquecem os erros que outros adultos cometem com eles, que têm uma facilidade imensa de perdoar quem os magoa, como se nada tivesse acontecido. As crianças são mágicas, asseguro-vos. Taine justificou o facto de não ter filhos com a alegação de que gostava demasiado deles para poder dar-lhes vida. É uma afirmação que compreendo deveras. Não é fácil, no cenário actual em que mergulhámos este mundo, resolver ter filhos. É uma tarefa árdua, por vezes inglória...

Tal como referiu um dia Pasteur, “quando vejo uma criança ela inspira-me imediatamente dois sentimentos: ternura, pelo que é, e respeito pelo que pode vir a ser”. É exactamente o que sinto por todas as crianças que comigo se cruzam e que, não raras vezes, se dão comigo à confiança que não dão a outros adultos. Acho que me vêem como uma delas. Uma criança grande, que brinca e que ri, que os compreende, que os aceita como são, que não tenta moldá-los e fazer deles adultos em ponto pequeno! E é por isso que, para mim, o dia de hoje tem algo de especial. O Dia Mundial da Criança é também um pouco meu. Porque gosto de bonecas e carrinhos, porque gosto de me sentar no chão e construir castelos de legos, porque gosto de conversar com os mais pequenos e de conhecê-los e saber o que pensam, estimulá-los a pensar mais e melhor, ensinar-lhes o que sei e aprender com eles algumas competências que me faltam. Sigo o conselho de Josh Billings: “Guie uma criança pelo caminho que ela deve seguir, e guie-se por ela de vez em quando”…  

Sem comentários:

Enviar um comentário