É absolutamente notável! Este homem, abusivamente considerado um lutador neste artigo do «Jornal de Notícias» de hoje, chama-se Ricardo Frade, mas podia muito bem chamar-se Ricardo Fraude! Então diz a criatura que vai partir numa "viagem ultra-low-cost" até Skelleftea, na Suécia, sem dinheiro e recorrendo apenas à imaginação: "Vou ser só eu e a capacidade inata do ser humano de improvisar e resolver problemas", assegura ele. Conta depois como surgiu a ideia, de uma teima com o pai, e garante que com isto quer "fazer algo pelo nosso país, por todas as pessoas que não sabem como lidar com as tremendas dificuldades que estamos a viver". Pelo meio, a julgar pelo que se escreve no antetítulo, ainda critica os que "vivem obcecados por pseudonecessidades e que podiam ser mais felizes com menos dinheiro e mais improviso".
Pois muito bem! Estava eu a ler este texto quando, no último parágrafo (o esquema da pirâmide invertida na construção de um artigo jornalístico permanece um mistério para muitos jornalistas), leio o seguinte: "A partida está programada para 6 de Fevereiro, mas carece ainda de um empurrãozinho. É preciso dinheiro para a passagem de ida (só o regresso é que será de mãos a abanar)...". Lindo, não é? Digam lá que o homem não é imaginativo! É tão imaginativo que consegue levar uma jornalista a escrever um texto em torno da alegada imaginação que torna desnecessário o dinheiro que acaba... a pedir dinheiro! Fabuloso! Este fulano não tem lata. Tem um latão!

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