quinta-feira, 13 de março de 2014

Dizem-me que sofro de um transtorno obsessivo compulsivo...


Talvez seja verdade. É verdade que gosto de arrumar as coisas à minha maneira, e que me irrito se alguém altera a ordem que estabeleci. É verdade que sou capaz de perder manhãs, tardes ou dias inteiros a arrumar uma divisão da casa ou mesmo um simples armário. É verdade que gosto de simetrias, de medir espaços para que fiquem simétricos, de arrumar coisas em caixas. Gosto de caixas. Compro muitas caixas, daquelas decoradas e bonitas, e meto tudo em caixas. Depois arrumo as caixas, por tamanhos e por cores, nos vários móveis ou em determinados recantos da casa. Arrumo os livros por tamanhos e cores, e os CD e DVD por ordem alfabética. Arrumo a roupa por tipos e por cores nas gavetas. As camisolas quentes vão para um lado, as mais frescas para outro, as de manga comprida ficam numa gaveta, as de manga curta vão, claro, para noutra, as cuecas e as meias são dispostas por cores, os tops e os soutiens em degradé...
Quando estendo a roupa também uso molas de tipos e de cores diferentes, consoante o estendal em que as utilizo e o fim para que as utilizo: no estendal interior, que tem cerdas mais grossas, uso molas maiores; no estendal exterior, porque tem corda mais fina e se cair alguma peça lá abaixo nunca mais a vemos, uso as molas mais pequeninas e mais fortes. As azuis são para a roupa do marido (quando não são suficientes uso também as verdes), as vermelhas são para a minha roupa (e se não chegarem uso depois as molas pretas), as amarelas para a roupa de casa. Estendo sempre as meias aos pares, e detesto encontrar meias solteiras, que nunca guardo nas gavetas enquanto não encontrar o par. Também organizo as coisas do marido. Peças de roupa que ele arruma "nos lugares errados", cadernos e livros que deixa espalhados na secretária ou no balcão da cozinha quando acaba de estudar, as bicicletas e os capacetes, as ferramentas e afins.
Quando saio à rua e levo carteira, toda a gente se ri da minha organização: tenho um arrumador de carteira, que permite ter sempre tudo muito arrumadinho lá dentro, e bolsas para tudo: para os óculos, para o rádio do carro (que ouço sempre no volume 19 ou 21), para o telemóvel, para os blocos de notas, porta-cartões, carteira para as notas, carteira para as moedas, bolsa para o auricular do telemóvel. Os bolsos da própria carteira têm utilizações pré-definidas: um para as chaves de casa, outro para as chaves do carro, um terceiro para o leitor de mp3, outro bolso para os elásticos e molas de cabelo, etc. e tal. E quando vamos às compras registo sempre as coisas por tipo e função (os detergentes todos juntos, os alimentos noutro grupo, cada coisa em seu saco, sem confusões nem misturas). E compro sempre sete maçãs. Nem seis, nem oito. Sete sempre. E sete tomates, sete cenouras, sete batatas... 
Gosto de constância, de tudo sempre na mesma. Não gosto de trocar as partes de trás dos brincos, mesmo que sejam exactamente iguais. Não gosto de trocar carregadores e cabos USB dos aparelhos (telemóveis, câmaras fotográficas, leitores de cartões), mesmo que sejam exactamente iguais. É a minha organização e dou-me bem com ela. É graças a este sistema organizativo que raramente esqueço de onde coloquei determinada coisa, e que mesmo de olhos fechados meto a mão na carteira e encontro em segundos aquilo de que preciso. Terei um transtorno obsessivo compulsivo? Talvez tenha. "É provável", pensam vocês. "É maluquinha", pensarão também. Sim, talvez seja. Mas sou assim e gosto. Gosto do meu esquema organizativo, gosto das minhas manias, gosto das minhas rotinas. Gosto de saber com o que conto e fico muitas vezes de pé-atrás com surpresas, mesmo que depois se revelem boas. Sou como sou. E quem não gostar da pinga... que mude de tasco! :)

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