quinta-feira, 10 de abril de 2014

Ser ou não ser (homossexual ou idiota), eis a questão!


Nunca até hoje tinha ouvido falar do estilista brasileiro Sérgio K. e, para ser muito sincera, preferia continuar assim. Infelizmente ouvi falar dele, e infelizmente não foi por uma boa razão: é que a criatura achou que tinha encontrado a maneira ideal de promover os trapos que fabrica no país e no mundo, aproveitando o facto de estar quase a realizar-se no Brasil a edição 2014 do Campeonato do Mundo de Futebol: sob o pretexto de querer ajudar a aumentar o entusiasmo dos brasileiros com a sua selecção, "criou" camisolas que dizem que o argentino Diego Maradona ou o português Cristiano Ronaldo são gays. Se era para ser um insulto, talvez tivesse sido melhor adoptar outra adjectivação, porque na realidade não vejo nada na homossexualidade de alguém, real ou inventada, que possa ser considerado insultuoso ou humilhante. Já era tempo de as pessoas pararem de tratar os homossexuais como aberrações, digo eu!

A verdade é que "mais vale cair em graça do que ser engraçado", mas isso só vale para quem consegue efectivamente ser engraçado, coisa que, acho, não aconteceu neste caso. Sérgio K. (na foto) ficou-se, no meu modesto entendimento, pela tentativa, frustrada e infeliz, de fazer piada com a homossexualidade. Ainda por cima, segundo consegui apurar na consulta de vários sites brasileiros que abordam este caso, a marca de Sérgio K. era até bastante conceituada e bem aceite pela comunidade gay brasileira, tendo inclusivamente feito algumas campanhas publicitárias com modelos homossexuais e transsexuais.

Sobre esta polémica, de acordo com informações avançadas pelo site A Capa, a marca terá declarado que foi sua intenção "criar camisetas divertidas para a Copa e não fazer qualquer tipo de discriminação. Amplamente democrática, a grife já teve em suas campanhas personalidades do universo gay como Amanda Lepore, ícone transsexual, e de forma alguma tem uma postura preconceituosa a esse respeito. Sua última campanha foi fotografada com o modelo transsexual Oliwer Mastalerz. A Sergio K é voltada para o público jovem e há quatro anos faz parceria com preservativos e distribuiu os mesmo gratuitamente em suas lojas. A marca repudia qualquer acusação de preconceito ao público gay e já manifestou por várias vezes o respeito por esse público em suas campanhas".

Pode até ser verdade, mas já diz o povo que "no melhor pano cai a nódoa", e neste caso é uma nódoa bem grande e que borrata estas camisolas e todas as outras criações do tal Sérgio K.! Eu tenho para mim que os heterossexuais seguros e bem resolvidos não têm medo dos homossexuais nem qualquer problema em lidar normalmente com eles. Denunciar a sexualidade de uma pessoa ou, pior ainda, pretender lançar um boato sobre a sexualidade de figuras públicas, visando apenas o lucro fácil sem qualquer respeito pelo seu direito à imagem e ao sossego, é infantil e lamentável. Com estas "camisetas", a marca Sérgio K. gozou abertamente com todos os homossexuais e mais directamente ainda com Maradona e Ronaldo, cujos nomes não tinham de ser para aqui chamados. Porque a homossexualidade não é uma anormalidade nem uma aberração, urge pôr fim, de uma vez por todas, à discriminação. É que não está nas nossas mãos escolher se somos gays ou não, mas está garantidamente nas nossas mãos a escolha entre sermos, ou não, idiotas...

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