Faz hoje um ano que adoptámos a Cookie. Foi por acaso que a conheci, como foi por acaso que conheci quem ma apresentou e quem me apresentou quem ma apresentou. Quando estive internada no Porto conheci a Orlanda, que depois, sabendo que me tinha mudado para Faro, me apresentou e me fez “amiga do Facebook” da Cecília, que definiu como uma “amiga dos animais”. Foi a Cecília que naquele fabuloso fim-de-tarde me pôs nas mãos a minha primogénita. “Olá, eu sou a tua mamã”, atirei eu àqueles olhos grandes e amarelos que se lançavam aos meus como flechas, indagando quem era e o que lhe queria. Li no olhar da Cecília, bondoso como ela, que tinha apreciado o carinho que pus na voz na primeira vez em que falei à minha miúda.
O amor nasceu logo ali, brotando da sementinha que, horas antes, a Cecília tinha lançado à terra através do Facebook, ao publicar o anúncio de uma gatinha para adopção. A Cookie deveria ter entre seis e oito meses. Decidimos depois, por falta de melhor informação, que aquele seria o dia em que completaria os sete meses. Era pequenina e escanzelada, tinha o pêlo eriçado e sem brilho, e toda ela era olhos. Olhos inequivocamente amarelos, que mais tarde foram esverdeando. Era linda. É linda, mas agora mais cheia de carninha, de brilho, de manifestações amorosas de graça e de uma candura que parecia impossível de atingir, tal era o medo que demonstrava de tudo e de todos. Apesar de ter dormido encostadinha a mim logo na primeira noite, ronronando com as minhas festinhas e deixando que lhe pusesse a mão por cima, em jeito de abraço, demorou meses a confiar em mim ou no papá. Em deixar-se tocar sem reagir, sem arranhar, sem tentar fugir.
A curiosidade, tão característica nos felinos, ganha na Cookie novos contornos: faz dela uma sombra de cada gesto meu, de cada movimento. Segue-me para todo o lado desde o primeiro dia, a ponto de me surpreender enquanto durmo, com gritinhos quase mudos (a Cookie nunca miou), toques ao de leve com as patinhas e até lambidelas no cabelo (esse vício nunca perdeu), quando arrumo a casa ou até no banho. É a minha sombrinha, e só deixa de o ser, por pouco tempo, quando se deixa ficar à janela, “a ver os pipius” até adormecer. Quando acorda vem sempre cumprimentar quem estiver em casa, e é cada vez mais faladora e meiga no cumprimento. Até me ralha quando saio de casa e não a levo, que é quase sempre.
Meio ano depois de adoptarmos a Cookie trouxemos para casa a Sushi. Depois de cerca de três meses a alimentá-la na rua, juntamente com outros dois gatinhos que dividiam com ela um barracão em Faro, o inesperado momento em que ela, além de comer tudo o que lhe levei naquela noite, resolveu saltar-me para o colo precipitou a adopção que nos últimos tempos equacionávamos. Tinha lido que “os gatos são mais felizes aos pares”, e mesmo sabendo que a convivência entre duas fêmeas pode ser complicada, arriscámos. A Cookie poderia ser mais feliz com uma irmã, e a Sushi vivia na rua, entregue à fome e ao frio que naquela altura, Dezembro, era cortante. Tínhamos de a trazer.
A adaptação não foi (não está a ser!) fácil, mas a cada dia que passa elas parecem entender-se e aceitar melhor a ideia de que ambas estão para lavar e durar cá em casa. E nós não podíamos estar mais certos de que fizemos a melhor escolha possível. As nossas meninas são duas gatas, e as gatas, toda a gente sabe, são as melhores pessoas do mundo! A Cookie está connosco há um ano, a Sushi há meio. E parece (juro, parece mesmo!) que sempre aqui estiveram, que sempre fizeram parte de nós. Ou somos nós que fazemos parte delas, nem sei bem. Acho que somos partes do mesmo fruto, no fundo. Amor deve ser isto! :)


Adorei o texto! Ainda mais porque sei que vem do coração de uma pessoa maravilhosa ❤❤❤
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