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Chama-se
Carlos. Não o conheço pessoalmente, não sei o seu rosto, a idade que tem, nem qualquer outra coisa da sua vida. Mas sei que gosto dele. Sabem por que razão sei que gosto do Carlos? Porque ele era um dos leitores de «O Primeiro de Janeiro» até há pouco mais de uma semana, e porque, tal como eu, ele sente-se desiludido pelo rumo que as coisas levaram, quando 35 pessoas do «PJ» e duas do «Norte Desportivo» foram alvo de um despedimento ilegal, sem direito a ter direitos. Ciente dessa realidade, o Carlos deixou de ser leitor do «Janeiro». Na sequência do que viu nas televisões, ouviu na rádio e leu nos jornais ao longo dos últimos dias, e depois de ter tomado contacto com o pasquim que usurpou o nome do nosso jornal centenário, considera que ler o novo folheto dirigido pelo senhor que recusa assistir aos Jogos Olímpicos “
perdeu todo o interesse”, já que ali são publicados “
apenas artigos oriundos de determinados pasquins, o que demonstra ter caído muito baixo”. Eu concordo.
Mas a mensagem não acaba aqui! O Carlos, que é uma pessoa solidária – ou não fosse ele presidente de uma associação de solidariedade social (não vou dizer qual, porque não quero causar problemas ao leitor amigo), ofereceu-se para promover uma recolha de assinaturas de apoio aos jornalistas e demais trabalhadores despedidos ilegalmente. “
Mantenho a certeza de que, se for necessário ajudar, poderei recolher assinaturas que ajudem a vossa luta, quer pelos vossos direitos, quer talvez pelo vosso regresso aos lugares que quiseram que perdessem. O meu número de telemóvel é o (…) e o meu endereço de e-mail é o que se encontra acima. Se puder ajudar em alguma coisa, basta dizer, e terei todo o prazer (…). Queira dispor, e coragem”.
Persistência temos. De coragem vamos precisar. E de amigos. Sobretudo de vozes amigas dos nossos leitores, que recusam pactuar com o naufrágio do nosso jornal. Obrigada, Carlos. Obrigada a todos os leitores do velho «Janeiro».
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