Poderá ser verdade? Estarei a ver bem? Eduardo Costa a falar de larápios? Não é que o senhor, que até tem carteira profissional de jornalista e tudo, assina o último artigo de pseudo-opinião do seu «Correio de Azeméis», que pomposamente, e não sei se referindo-se a si mesmo, baptiza de “postal da semana”, com uma bela prosa sobre gatunos e dificuldades sociais? Tem humor, o rapaz…
Assaltado. Assaltaram-me a residência. Rebentaram a fechadura. Remexeram gavetas, desmancharam camas. Surpresa das surpresas: não levaram nada! Estranhei! Um amigo esclareceu: eles andam só à procura de ouro e dinheiro. Não querem mais nada! Vendem-nos a quem funde estes objectos para ouro maciço. Assim percebi a razão de me deixarem computadores, relógios, aparelhagens, etc. Simpáticos. Não me estragaram nada, à excepção da fechadura. Claro que tenho um sistema de alarme. Mas, como nunca havia sido assaltado e vivo em prédio com sistemas mínimos de segurança, tinha a atitude de facilitar. Enquanto me lembre desta, vou ter mais cuidado. Depois da casa roubada, trancas à porta! Talvez também ponha um letreiro a informar aqueles que se dedicam a essa actividade: “juro por minha honra que nesta casa não vive nem mulher nem ouro e dinheiro só algumas moeditas. E os cartões de crédito andam comigo”! Assim facilitava a vida aos ditos cujos e poupava no arranjo da fechadura! A atitude simpática de não me estragarem nada, lembra-me que podemos estar a reviver um bom hábito que os larápios num passado muito distante tinham e que representava uma espécie de código de conduta: quando assaltavam carteiras, remetiam por correio os documentos pessoais! Uma coisa se percebe: talvez por uma boa atitude das forças de segurança, não são muitos os casos de assaltos, atendendo à dimensão dos problemas sociais que atravessamos. Ou talvez, com tantas soluções para sistemas de segurança, provavelmente a vida dos amigos do alheio também não esteja facilitada. Nem para estes a vida parece facilitada.Eduardo Costa
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