quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Há quem borre a cara por 10 euros!

Há quem diga que posso ir presa pelo que escrevo aqui sobre o insólito caso do despedimento ilegal de que fui vítima em finais de Julho, juntamente com outros 33 camaradas de redacção. Algumas das pessoas que dizem isso estão, curiosamente, entre esses colegas. Não obstante, e para acalmar essas mentes temerárias, convém salientar que matar é crime, roubar também, mas dizer a verdade jamais poderá ser um acto punível por qualquer Justiça digna desse nome (bem, usar os termos “Justiça” e “digna” na mesma frase, em Portugal, é coisa que poderia alimentar quilómetros e quilómetros desta sucessão de letrinhas que aqui vos deixo, mas não é isso que hoje se pretende neste despenteado espaço do nosso contentamento). A verdade é que, se gosto particularmente da expressão “dar os nomes aos bois”, neste caso… gosto ainda mais!
Vai daí que hoje vos dou conta de um novo episódio da saga «Fraudes de empresas do grupo A Folha Cultural», de que é proprietário (não sei se preto no branco, se apenas oficiosamente) o empresário-modelo condenado por fraude ao Estado mas agraciado com verbas do QREN Eduardo Oliveira Costa. A livraria online Livros.net está, desde o passado mês de Julho, devedora de um livro escolar – pelo menos um – que terá sido encomendado e pago de imediato, pelo Multibanco, por uma cliente que tão cedo não voltará a cair noutra. Refere a queixosa que “a encomenda só seria processada depois do pagamento”, pelo que o efectuou de imediato. No entanto, desde Julho que a senhora espera – já não espera, porque entretanto optou por adquirir o manual de que a filha necessitava para a escola numa livraria convencional, mas continua sem saber que fim levaram os quase 10 euros que pagou –, e da Livros.net nem sinal. “Apesar dos meus vários contactos por e-mail, que nunca são respondidos, e por telefone (quando consigo falar com alguém), ninguém me diz o que se passa com a encomenda, nem se vai ser entregue ou quando”, explica a queixosa. Juro que estou tentada a dar-lhe o número de telemóvel do Eduardo Costa…

4 comentários:

  1. Posso fazer-lhe uma pergunta?
    Considera-se uma pessoa revoltada.

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  2. Caríssimo Modesto,

    Se fosse uma pessoa revoltada, há muito teria, eu mesma, esganado o senhor Eduardo Costa. Mas não sou, felizmente, pessoa muito dada aos apelos da violência, e como tal espero que seja feita Justiça nos locais certos, ainda que esteja muito céptica em relação às reais possibilidades de isso acontecer. O que sou é uma pessoa justa, que se indigna (e se revolta, claro!) com a desfaçatez com que certos indivíduos cometem crimes e se safam de cumprir as respectivas penas. Sempre os mesmos! Do outro lado, os leais, os correctos, os justos, constantemente a serem vítimas dos desmandos de um bando de corruptos e crápulas que não olham a meios para atingir os fins, sejam eles quais forem. Não me julgue revoltada, porque não é por mim que tento manter vivo na memória dos que me lêem o «caso Janeiro». Ter sido despedida daquele antro foi uma das melhores coisas que me aconteceram em toda a vida! Como já aqui referi por diversas vezes, estava de saída, e no mesmo dia em que fui despedida aceitei o emprego que tenho hoje. Como disse também, não é por mim que me indigna toda esta situação. É por ver camaradas meus, pessoas de quem gosto, passarem necessidades porque alguém não lhes paga o que é deles, o que já trabalharam para merecer. Isso é indigno, e é revoltante. Respondo à sua pergunta com uma nuance: NÃO SOU uma pessoa revoltada, mas ESTOU revoltada com o facto de os meus amigos estarem a passar pelas dificuldades que me têm relatado diariamente. Acha que faço mal?

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  3. Partilho consigo a sua opinião. Existe uma coisa na vida que eu não fui capaz de realizar: Entrar para a faculdade tirar o meu curso, no entanto essa não entrada permitiu-me o seguinte:Começar a trabalhar muito cedo e ganhar dinheiro também muito cedo...hoje felizmente estou muito bem Graças a Deus.
    Sabe a EDUCAÇÃO deve ser a prioridade numero UM em qualquer país da Europa....em Portugal Educação é a última!! Será por aí que temos que trabalhar.

    Fica o meu elogio ao seu blogue...continue FORÇA em tudo aquilo que faz e sobretudo ACREDITE.

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  4. Se esganasses o Eduardo, não serias uma revoltada qualquer... Serias idolatrada, por teres coragem de fazer frente a um vigarista que olha a Justiça de cima e a domina.

    Se o esganasses, mesmo que o homem recuperasse e voltasse a respirar, estarias a fazer um bem a todos nós.

    Não quero incentivar-te à revolta, nem quero que coloques as mãos onde eu adoraria pôr as minhas. Mas acho que não viria o mal ao mundo se o Eduardo implorasse oxigénio por uns momentos, se lhe mostrassem que ele tem de se vergar à força da Justiça.

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