domingo, 16 de dezembro de 2012

Neste ano não há Natal...


Falta pouco mais de uma semana para a noite da consoada, e por todo o lado há Natal a saltar das montras das lojas, há gente a correr com sacos e pacotes, com fitas e laços, com listas de presentes que, apesar dos tempos difíceis, não ficarão por comprar. Todos os anos, por esta altura, costumo ser uma dessas pessoas. Por esta altura, o pinheirinho - que todos os anos costumava ser enfeitado no dia 1 de Dezembro, mas que desta vez apenas ocupou o seu lugar no passado dia 13 - tem habitualmente a seus pés alguns embrulhos e algumas caixas, de várias formas e tamanhos, coloridas e alinhadas com desvelo e carinho. Desta vez não é assim. Tardiamente colocado no seu posto, o pinheiro permanece apagado, sem presentes a acompanhá-lo nestes dias. Falta-me o espírito natalício. Falta o Nero a morder as fitas e a atirar ao chão as bolas. Falta o meu pai - o grande entusiasta desta quadra cá em casa - a abanar os presentes, a tentar adivinhar o que está dentro dos pacotes com o nome dele, a lançar as suas suspeitas e, muitas vezes, a acertar no conteúdo das prendas que lhe comprávamos. Falta-me o meu pai. E falta-me o Nero, que já fez falta no nosso Natal do ano passado. Falta-me a vontade de ver a mesa enfeitada, falta-me a inspiração para comprar presentes, falta-me a luz das ruas a dançar-me nos olhos e a música a tocar-me na alma. Falta-me o Natal, na verdade. E a pouco mais de uma semana da noite da consoada, há em mim a urgência de sentir a alegria que era usual nestes dias. Alegria que sei que não terei. Neste ano não há Natal.

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