domingo, 31 de agosto de 2008

De «O Primeiro de Janeiro» ao primeiro de Agosto e ao primeiro de Setembro...

Foi há um mês. Há exactamente um mês, a meio da tarde, Nassalete Miranda saía do seu gabinete sem luz natural e enfrentava, pela derradeira vez, uma redacção inquieta quanto ao seu futuro, com dois meses de salários em atraso e sem subsídios de férias. Escassos dias depois de ter garantido que o jornal não fecharia naquele dia, e de se ter exasperado pela descrença do grupo redactorial, a ainda directora do «Janeiro» deu o dito por não dito e confirmou o que já se esperava, mas mostrando-se ainda convicta – e são tão insondáveis os mistérios de algumas mentes – de que esta seria uma situação transitória e de que, assim que conseguisse um investidor (em Setembro ou talvez um pouco mais tarde), regressaria às bancas com o seu “projecto”, tese que manteve pelo menos até à última vez em que contactou telefonicamente um dos contestatários do despedimento colectivo ilegal. Naquele dia, porém, antes mesmo de se ter dissipado da memória das mais de 30 pessoas que a interrogavam, a garantia de que os ordenados em atraso seriam integralmente pagos, bem como os subsídios de férias, mas que as indemnizações eram para esquecer – “A empresa está falida, o que é que vocês querem?” – era apresentado no departamento comercial o “novo” «Janeiro». Estavam em curso ensaios para o novo logotipo (que acabaria por não ser usado), e uma jornalista do Norte Desportivo em férias num festival de Verão era, por telefone, promovida a editora de Cultura, e incumbida de uma reportagem de duas páginas sobre o assunto. Foi há um mês. Depois disso, foram muitas as vozes de pessoas e de entidades mais ou menos conhecidas que se ergueram na defesa dos direitos dos 34 jornalistas, da paginadora e dos três funcionários administrativos demitidos de forma vergonhosa e ilegal. Exactamente um mês depois, pouco mudou na situação e nas perspectivas de futuro da maioria dessas pessoas. Anteontem, o deputado comunista Honório Novo contactou-me para fazer um ponto da situação. Disse-lhe o que sabia. Mas a verdade é que todos sabemos muito pouco…

Segue o BALANÇO possível deste primeiro mês…

"Cada um lê o ou os jornais que lhe apetece ler, de que gosta mais, mas nunca são demais. Nem os distribuídos gratuitamente, que abrem hipóteses às pessoas sem possibilidades de lerem as notícias, não ficando pelos jornais televisivos que, em muitos casos, deturpam as notícias e as repetem vezes sem conta. O centenário Primeiro de Janeiro, que lei todas as sextas-feiras, sofreu já bastante e sobreviveu graças à dedicação de alguns do seus jornalistas. É inadmissível que pretendam fazer-lhe sentir o golpe de misericórdia através do despedimento dos que nele trabalham. O golpe será desferido antes de tudo sobre o pessoal, mas creio que também o jornal poderá desaparecer dado que perderá todo o seu valor. Conheço alguns dos que lá trabalham e sei das dificuldades que passam e de certas pretensões inaceitáveis para os jornalistas que serão atingidos. De Santa Catarina para Coelho Neto e agora para onde? Talvez simplesmente para a rua... Numa palavra. INDECENTE!" (Hermindo Simões, 1 de Agosto, PortugalDiário).

"Ao longo dos anos o PJ e os seus jornalistas e colaboradores efectuaram um trabalho sério, digno, que envergonha muitos dos jornalistas rendidos ao poder. Durante esse tempo, os jornais fingiram que o PJ não existia. Mas agora lembraram-se. Tenham vergonha na cara. Olhem para o passado e para a tentativa permanente de censurar o jornal e peçam desculpa. Por também são culpados deste estado de coisas". (Manuel Carvalho, 1 de Agosto, PortugalDiário).

"Como é possível fechar o jornal, se ainda a semana passada andaram a telefonar para Instituições de Viana do Castelo, a solicitar entrevistas para um especial sobre Viana? Como é possível? Será que receberam da publicidade solicitada e vão de férias? Sr.ª Directora, o que diz? Cheira-me a «esturro» para não dizer outra coisa". (Alguém, 1 de Agosto, Sapo Notícias).

"Mais uma do tal senhor Eduardo Costa". (Charles, 1 de Agosto, Sapo Notícias).

"Até tenho medo do que possa acontecer à União Desportiva Oliveirense, da qual este senhor já com cadastro e com uns anos passados na choça é o presidente". (Jota, 2 de Agosto, Sapo Notícias).

Toda a minha vida ouvi dizer que a união faz a força; que as diferenças deixam de existir quando alguém belisca, ou tenta beliscar, uma classe; que essa classe deve pronunciar-se em uníssono contra essas beliscaduras que doem, por vezes, mais que um golpe de espada. Há também um ditado muito antigo que diz: «Hoje tu, amanhã eu... nós!» Em todas as classes há problemas, mas os vividos pelos jornalistas do Primeiro de Janeiro são graves e devem merecer toda a atenção e o vosso cuidado. Os jornalistas têm por missão informar-nos, coisa que devemos saber agradecer-lhes, lendo-os. Ora, para os podermos ler, é preciso que os deixem trabalhar, lhes paguem justamente e não se divirtam a despedi-los. Sabemos todos que desde há anos o Janeiro vive momentos conturbados, também graças aos salários dos dirigentes e às regalias de que gozam. Sabemos todos quem colocou quase em falência o Janeiro, como sabemos quem impediu que na altura, graças à dedicação extrema de meia dúzia, foi impedida a falência e fosse decretado o fim do PJ. Por sua vez, também o Norte Desportivo andou pelas ruas da amargura, mas, unindo vontades, conseguiram que sobrevivesse conjuntamente com o Janeiro. Surgiu o Jogo que retirou muita clientela ao Norte Desportivo, mas ele lá foi sobrevivendo, sempre cheio de dificuldades, mas mantendo-se sempre fiel aos seus princípios. Seria bom que o Sindicato dos Jornalistas interviesse neste diferendo que, tudo leva a crer, enviará para o desemprego mais de trinta colegas vossos. Amanhã pode vir a tocar alguns dos que hoje põem de lado a ideia de tomar a decisão solidária que a situação deve exigir. E depois? Quem tomará a vossa defesa e se aliará, solidariamente, aos novos ameaçados pelo desemprego? Uma classe unida, is trabalhadores unidos, podem impedir situações desagradáveis e por vezes catastróficas. Por favor, unam-se”. (Contador de Histórias, 3 de Agosto, PortugalDiário).

O Janeiro regressa amanhã às bancas e está neste momento a ser feito pelos jornalistas do Norte Desportivo. Trata-se do mais aberrante despedimento colectivo, um vergonhoso atropelo aos direitos dos trabalhadores. Uma falta de respeito e de vergonha. Proponho que NINGUÉM LEIA ESTE JORNAL, como forma de solidariedade por mais de 30 jornalistas, que foram tratados como lixo. VERGONHA, VERGONHA”. (Joaquim Laginha, 3 de Agosto, Correio da Manhã).

Num gesto de grande disponibilidade, o deputado comunista Honório Novo reuniu-se com os jornalistas despedidos à porta da redacção, e definiu o que ali se passou como “uma situação inaceitável e ilegal”. Ao grupo de 18 jornalistas que recusaram baixar os braços diante da “guia de marcha” emitida pela Sedico, “sem fundamento nem explicação”, o parlamentar do PCP garantiu “não conseguir entender como é possível, num estado de direito, assistirmos a uma situação verdadeiramente inaceitável de um despedimento aparentemente ilegal”. Prontificou-se a levar o assunto à Assembleia da República, e anteontem contactou-me para saber em que pé estão as coisas. Um gesto que gratamente saudamos.

No mesmo dia, e antecipando uma visita do BE aos jornalistas reunidos na Rua Coelho Neto, também João Semedo enviou ao grupo de jornalistas uma mensagem em que se mostrava surpreendido pelo que acontecia: “Eu julgava que, nesta matéria, já tinha visto de tudo. No entanto, os acontecimentos dos últimos dias em torno do jornal «O Primeiro de Janeiro» mostraram-me como estava enganado: os jornalistas e trabalhadores de «O Primeiro de Janeiro» estão a ser vítimas de um verdadeiro e organizado "gangsterismo" laboral e político que, julgava eu, não seria possível na democracia portuguesa”.

"Mais uma vez, a corda rebenta no lado mais fraco. Não do lado dos dirigentes, e muito menos do lado dos chamados "gestores", mas do lado daqueles que vestem a camisola e que a defendem dignamente, muitas vezes à custa de sacrifícios pessoais. Más condições de trabalho, salários baixíssimos e atropelos aos seus direitos são o dia-a-dia destes profissionais. Mas mesmo assim, mantêm-se na profissão, vão atrás da notícia, tentam honrar o nome de um jornal que, pela sua História, faz parte de cidade. 32 jornalistas despedidos (ao que parece, com salários em atraso), uma redacção completa dispensada e um Jornal que continua a ir para as bancas?!! Não sei se sou só eu, mas não parece um parece um pouco estranho? Ou será que agora os jornais também já se fazem sem jornalistas?" (Susana, 4 de Agosto, PortugalDiário).

Um dia depois de Honório Novo, os jornalistas ilegalmente despedidos receberam a visita de uma delegação do BE liderada por José Soeiro, deputado à Assembleia da República pelo Círculo Eleitoral do Porto. O parlamentar ouviu os relatos e as queixas dos jornalistas, solidarizou-se com eles, escutou e recolheu testemunhos de situações muito pouco claras no passado e no presente do seu proprietário. No final, prestou declarações aos meios de informação presentes, e despediu-se com votos de "muita força".

"O que se passou agora com os jornalistas do "Primeiro de Janeiro" já se passou com outros, noutras empresas do mesmo "sr". O interessante é que ninguém lhe põe a mão. E continua a declarar falências e abrir outras empresas". (AJ, 4 de Agosto, PortugalDiário).

"E se vierem a necessitar de apoio, de assinaturas para uma eventual petição, basta enviarem-na ou dizerem onde está que de imediato terei todo o prazer, embora triste, de assinar. Comigo assinarão mais pessoas e podem crer que em pouco tempo conseguirão as necessárias para que seja movida uma sindicância e sejam apuradas as verdadeiras "verdades" que levaram a esta situação tão desagradável e falha de sentido humano e social. Por favor não esmoreçam a vossa luta e contem connosco, vossos leitores". (Contador de Histórias, 4 de Agosto, PortugalDiário).

Carlos Abreu Amorim (Partido da Nova Democracia) não visitou a redacção demitida em bloco, mas aludiu ao assunto num artigo de opinião publicado no jornal «Correio da Manhã» de 4 de Agosto: “Primeiro foi o Salgueiros que veio por aí abaixo. Depois fechou um jornal centenário, «O Comércio do Porto». Agora, o Boavista ficou praticamente com os dois pés no abismo. Quase ao mesmo tempo, encerrou – dizem que apenas provisoriamente mas eu não acredito – uma das publicações mais antigas do Norte: «O Primeiro de Janeiro». Em poucos anos, a região do Porto perdeu quatro dos seus símbolos mais representativos – se fosse preciso encontrar sinais de uma decadência consumada, estes factos chegavam e sobravam para tirar as dúvidas aos que ainda estão em estado de negação em relação ao facto do Porto estar desfalecido. Talvez esteja aqui a explicação para que esta região tenha de acarinhar o mais possível as insígnias que ainda lhe restam”.

"É vergonhosa a forma verdadeiramente indigna com que estes 32 jornalistas estão a ser tratados. Um despedimento ilegal que a Administração desse Jornal tenta mascarar de "renovação de imagem", misturado com salários em atraso e atropelos aos seus direitos básicos. A esses e a outros jornalistas na mesma situação,só me resta desejar-lhes muita sorte e...FORÇA". (Maria, 5 de Agosto, Correio da Manhã).

O que se está a passar com «O Primeiro de Janeiro» é absolutamente inqualificável. Se não representasse uma tragédia para todos aqueles que nos últimos anos deram o seu melhor enquanto jornalistas para que o jornal estivesse nas bancas quotidianamente, mesmo mal pagos ou sequer pagos a tempo e horas, seria a maior anedota do ano no âmbito da comunicação social portuguesa. Afinal para que serve a ERC? Neste momento difícil para os citados jornalistas – alguns conheço pessoalmente, outros não –, não posso deixar de lhes manifestar toda a minha solidariedade pessoal e institucional e condenar, de forma veemente, todos aqueles que em nome do “sacrossanto” mercado são capazes de proceder verdadeiros capo-mercenários. Perante este comportamento indecente por parte da "administração" de «O Primeiro de Janeiro», não há outra atitude senão que os leitores do PJ deixem de o ser e que aqueles que lá compram espaço publicitário deixem de o fazer". (Mário Nuno Neves, vereador da Câmara da Maia, no blog Intervenção Maia).

"Dois anos e meio de prisão (pena suspensa de 1 ano, fraudes... Realmente, o currículo deste "senhor" fala por si. Pena é que profissionais da comunicação social tenham de trabalhar para pessoas como esta e estejam sujeitas a atropelos sucessivos aos seus direitos". (Maria, 6 de Agosto, Correio da Manhã).

O escândalo do jornal «O Primeiro de Janeiro» é o mais recente exemplo, mas outros houve e outros haverá. Sendo escolhidos à e por medida, os jornais têm de obedecer às regras da oferta e da procura. Mais do que informar, mais do que formar, têm de vender. Vender, vender sempre mais. E quem sabe o que fazer para melhor vender não são, na maioria dos casos, os jornalistas. Os jornalistas são os montadores que, de acordo com o mercado, alinham as peças de um crime, de um comício, de um atentado ou de um buraco na rua”. Orlando Castro, jornalista do «Jornal de Notícias», 7 de Agosto, no blog Alto Hama. Caríssimo, o meu agradecimento, com um beijinho.

Desafiado pelo Mente Despenteada a tomar posição sobre o assunto, tendo em conta que a então directora do «Janeiro» é membro do Clube dos Pensadores, o seu fundador, Joaquim Jorge, iniciou um debate no blog, e foram muitas as opiniões e as declarações de apoio colhidas. A todos agradecemos.

O jornal «Avante!», órgão interno do PCP, manifestou “completa solidariedade com os profissionais que abnegadamente fazem de «O Primeiro de Janeiro» uma referência do jornalismo plural no nosso país, colocando nas bancas quotidianamente o mais antigo título diário nacional”. A eles também, obrigada!

No dia 7 deste mês, a governadora civil do Porto recebeu uma delegação do «Janeiro» e prometeu empenho na averiguação, dentro das suas competências, da situação.

No mesmo dia, o reputado advogado de Coimbra Castanheira Barros enviou ao grupo de mais de 30 profissionais uma mensagem de apoio: “Tenho acompanhado com indignação o que vos estão a fazer no jornal «O Primeiro de Janeiro». Não lhe tinha manifestado ainda a minha solidariedade devido à vida brutalmente agitada que continuo a ter, mesmo em férias judiciais (…). Receba um cordial abraço”.

Na edição de 8 de Agosto do «Jornal de Negócios», Baptista Bastos dedicou toda uma página à situação do «Janeiro», afirmando estar, ele também, nas fotografias que os media iam publicando do nosso grupo à porta da redacção. E em resposta a uma mensagem que lhe enviei disse apenas que está do nosso lado, incondicionalmente, e que devemos contar sempre com ele, para tudo o que possamos precisar. Mensagens assim emocionam. Homens assim empurram o mundo para o futuro. Obrigada, caríssimo BB!

O «Diário do Alentejo» do passado dia 8 dedicou um extenso editorial ao caso «Janeiro»: “A intenção de despedir, de uma assentada, 32 jornalistas do "Primeiro de Janeiro" por parte da Folio – Comunicação Global, Lda, a empresa proprietária do jornal é, para além de uma situação dramática para os camaradas do periódico centenário portuense, um sintomático sinal dos tempos. Constitui, desde logo, um triste sintoma da apatia que reina entre os profissionais da classe, cada vez mais submissos aos mandos e desmandos dos donos de jornais e de outros órgãos de informação. Os proprietários sabem-no muitíssimo bem e não têm pudor em tomarem medidas desta natureza. Fazem-no, em primeiro lugar, porque, não obstante poderem cometer ilegalidades – e no caso do "Primeiro de Janeiro" há fortes suspeitas de que assim seja –, o "ambiente" laboral lhes é cada vez mais favorável. Os ataques aos direitos de quem trabalha são constantes, criando um clima de grande auto-confiança nos patrões sem escrúpulos (…)”.

No mesmo dia, a deputada do PS Isabel Santos reuniu-se com os profissionais do «Janeiro», a quem expressou, em nome do PS/Porto, toda a solidariedade. Renato Sampaio, líder da distrital, haveria de reiterar o apoio expresso pela parlamentar, e no dia seguinte era Fernando Jesus quem me ligava, dando conta da intenção de enviar um comunicado. Assim o fez, defendendo o grupo ilegalmente demitido e instando as autoridades a agir na sua defesa. Obrigada a todos!

Comentário publicado no Esgravatar, do camarada Filinto Melo: “Que o PJ foi uma grande instituição, todos concordamos! Agora convenhamos que já o não é, e este upgrade vergonhoso que sofreu, com todo o respeito, fere a credível instituição a que se refere de Morte. Olhe, deixe que lhe diga que vitimas anónimas pela gestão maliciosa do Eduardo Costa há infelizmente muitas (…). O jornal que tenho visto nas bancas tem a ver com tudo menos com um título respeitável. Os valores que fizeram deste título uma instituição nunca se encontraram nem foram minimamente visíveis na gestão do Eduardo Costa, que desde que tomou conta do jornal o utilizou em benefício próprio, sem dó nem piedade, abusando de tudo e de todos, e não cultivando os valores a que tanto se refere nas suas crónicas semanais por essa imprensa regional fora. (…) Digo-lhe peremptoriamente que empresários destes não interessam a ninguém, nem dignificam nenhum projecto em que se envolvam, simplesmente porque está na massa do sangue roubar com quem eles colabora, todos os dias, esperando pouco mais do que a subsistência diária. A VERGONHA é desviar e utilizar recursos que deveriam ser para engrandecer e tornar mais competitiva a actividade das empresas, e existir meia dúzia de espertalhões que lesam e roubam o futuro de gerações inteiras (…)”.

Como jornalista que sou, pese embora estar hoje a exercer outras funções, acompanho naturalmente com preocupação a situação no Primeiro de Janeiro, um título emblemático da imprensa portuguesa. Aparentemente, trata-se de mais um caso revelador da crescente precariedade em que se encontram os profissionais da media, em termos de emprego e estatuto. A permanente evolução tecnológica e os legítimos objectivos da gestão privada dos órgãos de comunicação social têm imposto aos jornalistas, nos últimos anos, um enorme esforço de adaptação o que eles têm, com sacrifício, consentido. Mas há um limite para tudo. E ele passa, certamente, pelo respeito da dignidade de quem trabalha, como aliás as leis consagram. De há muito que defendo que sem um reforço do estatuto do jornalista, a par de medidas de auto-regulação que garantam a observância dos critérios básicos de rigor, qualidade e comportamento ético por parte dos profissionais, a liberdade do exercício da profissão tenderá a ficar cada vez mais condicionada. Nesse sentido, gostaria naturalmente que este caso fosse resolvido de forma consensual e desse ensejo a um debate na sociedade portuguesa sobre a profissão de jornalista, seus objectivos e condicionantes. Um jornalismo independente, vibrante e equilibrado do interesse geral é até condição do próprio desenvolvimento. Mas isso pressupõe a existência de direitos e o seu respeito por todos. Espero sinceramente que ainda seja possível, pelo diálogo entre as partes, chegar a uma solução para o problema”. (Carlos Fino, numa mensagem que enviou aos jornalistas despedidos, e que foi olimpicamente ignorada pelos meios de Comunicação Social para os quais fizemos seguir esta mensagem).

Artur Bacelar, director do jornal «Maia Hoje», dedicou este imenso editorial ao tema, que obviamente agradecemos.

"Que se apure as ilegalidades deste assunto, porque ao que parece não é a primeira vez que estes "patrões" tomam este tipo de atitudes". (Louro, 11 de Agosto, PortugalDiário).

A União de Sindicatos do Porto, afecta à CGTP, enviou aos jornalistas despedidos um comunicado em que repudiou a acção do “empresário-modelo” que detém a propriedade do «Janeiro», e recordou os sucessivos ataques aos direitos de cada vez mais trabalhadores portugueses.

"Prezada Carla Teixeira, (...) Possivelmente já conversamos, antes de ter acontecido ao jornal esta fantochada provocada por alguém que deveria ser bem investigado pela Polícia Judiciária e não devia poder estar na posição que ocupa. Todos sabem ser preferível fechar os olhos a determinadas situações do que enfrentá-las. Quem paga por isso? Todos nós. Uns, porque perderam o seu ganha-pão honesto, outros porque perderam prazeres de boa leitura jornalística, boas reportagens, e a cidade do Porto fica, de repente, muito mais pobre. Quando as pessoas, dirigentes, preferem alhear-se dos assuntos realmente importantes, aqueles que tocam de perto a dignidade e direitos humanos, de certeza que algo corre mal e mostra tendências para piorar. Espero, muito sinceramente, que tudo se resolva a contento, que retomem os lugares que lhes pertencem por direito próprio, considerando pertinente o velho ditado português: "Quem comeu a carne que roa os ossos", mas dando-lhe outro sentido: Quem sempre se limitou a rapar os ossos, deve ter direito a comer um bocado de carne limpa! Felicidades e contem connosco para tudo quanto for necessário. Basta contactar". (Serafim, na caixa de comentários do PortugalDiário).

Carlos, um leitor anónimo do nosso jornal, enviou-me uma mensagem: disse sentir-se desiludido pelo rumo que as coisas levaram, quando 35 pessoas do «PJ» e duas do «Norte Desportivo» foram alvo de um despedimento ilegal, sem direito a ter direitos, e diz que deixou de ser leitor do «Janeiro». Na sequência do que viu nas televisões, ouviu na rádio e leu nos jornais ao longo dos últimos dias, e depois de ter tomado contacto com o pasquim que usurpou o nome do nosso centenário, considera que ler o novo folheto dirigido pelo senhor que recusa assistir aos Jogos Olímpicos “perdeu todo o interesse”, já que ali são publicados “apenas artigos oriundos de determinados pasquins, o que demonstra ter caído muito baixo”. Eu concordo. Mas a mensagem não acaba aqui! O Carlos, que é uma pessoa solidária – ou não fosse ele presidente de uma associação de solidariedade social (não vou dizer qual, para não causar problemas ao leitor amigo), ofereceu-se para promover uma recolha de assinaturas de apoio aos trabalhadores despedidos ilegalmente. “Mantenho a certeza de que, se for necessário ajudar, poderei recolher assinaturas que ajudem a vossa luta, quer pelos vossos direitos, quer talvez pelo vosso regresso aos lugares que quiseram que perdessem. O meu número de telemóvel é o (…) e o meu endereço de e-mail é o que se encontra acima. Se puder ajudar em alguma coisa, basta dizer, e terei todo o prazer (…). Queira dispor, e coragem”. Muito obrigada, caro leitor!

A Rute voltou de férias e também recordou a sua passagem pelo «Janeiro». Está do nosso lado, e esse, já sabemos, é um apoio de peso. A amizade e a lealdade a que ela inspira, são das melhores coisas do mundo. O João, sempre de objectiva atenta, e a Natt, com o coração sempre perto da boca, também estiveram sempre do nosso lado. Obrigada.

O Super Mário, esse então, foi inexcedível. Uma lição de vida, de princípios, de carácter. O Mário devia ter uma estátua na Rua Coelho Neto, mas terá de se contentar com a nossa amizade incondicional. Pelo menos para já. Grande Mário, estás no nosso coração!

A Raquel e o Ricardo, antigos camaradas de redacção, também se insurgiram contra o que nos fez a administração do «Janeiro». Recordando os seus próprios dossiers mais problemáticos, e a forma conturbada como saíram, não calaram a voz para se dizerem do nosso lado. Obrigada também a vocês, sobretudo pelo carinho e pela amizade.

Por fim, agradeço ao presidente do Sindicato dos Oficiais de Justiça, Carlos Almeida, que num telefonema recente me deu conta de estar a acompanhar com interesse os acontecimentos disparatados de há um mês, a sua (parca) evolução, e que, na sequência disso, preferiu enviar um comunicado para o meu e-mail pessoal, certo de que eu o ajudaria a divulgar a notícia de que ali dava conta, do que encaminhá-lo para o novo pasquim. Obrigada, caríssimo! No que me for possível, estarei sempre ao dispor do SOJ.

Foi há exactamente um mês...

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