terça-feira, 27 de outubro de 2009

Credores da Sedico rejeitam recuperação

Os bens da empresa Sedico, responsável pelo pagamento dos trabalhadores demitidos de «O Primeiro de Janeiro», vão ser liquidados, depois de os credores terem hoje rejeitado o plano de recuperação apresentado. Do grupo de credores que hoje votaram contra o plano de recuperação, no Tribunal do Comércio de Gaia, fazem parte não só os trabalhadores despedidos ilegalmente em Julho de 2008 (a quem a Sedico deve mais de 840 mil euros), mas também a própria Segurança Social, cuja dívida ascende a quatro milhões de euros. As dívidas da empresa ao Estado (Segurança Social e Finanças) ultrapassam neste momento os 5,7 milhões de euros, uma quantia apenas superada pela dívida a fornecedores, estimada em quase oito milhões de euros.

Agência Lusa

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Quo vadis, PSD?

Não conheço, nem pretendo conhecer, todos os partidos políticos do mundo, mas creio que não será fácil encontrar algum que maltrate mais os seus militantes mais empenhados. O PSD é, neste contexto, caso paradigmático, e nem o difícil momento que atravessa fez alguma luz sobre o seu núcleo duro, que gravita em torno de Manuela Ferreira Leite e daqueles a quem ela recusou sempre chamar “barões”. Efectivamente, há na cúpula do partido uns quantos nomes e rostos que, apesar do contributo sempre discutível que deram para a afirmação do partido, parecem encarar-se, a eles mesmos e entre si, como insubstituíveis. Tudo o que nasce no seio desse grupo é olhado com respeito, e tudo o que chega de fora, de novo, de desalinhado, é olhado de soslaio, sem respeito e até com algum desprezo.

O fim das eleições do líder em congresso e o advento das eleições directas no seio do partido, cumprindo a máxima de “um militante, um voto” por que um grupo de pessoas lideradas por Miguel Braga clamava há vários anos, permitiram que um homem rasgasse a espessa teia dos barões e, embora apenas à segunda tentativa, alcançasse o trono da social-democracia. Esse homem, Luís Filipe Menezes, que do Norte se ergueu contra os “sulistas e elitistas”, derrotou Marques Mendes e venceu as directas, mas esbarrou, logo no momento seguinte, com a implacável oposição do núcleo duro laranja, tomado pelos tais barões. Fizeram-lhe a vida negra. O também autarca de Vila Nova de Gaia, surpreendendo todos aqueles que, como eu, pensavam ver nele um sequioso de poder, elevou-se bem alto para dizer “basta”, e saiu pelo seu próprio pé, intacto na sua dignidade, de um lugar onde não era desejado.

Sucedeu-lhe Manuela Ferreira Leite. Eleita com pouco mais de um terço dos votos, deixou para trás, no segundo lugar, o “eterno JSD” Pedro Passos Coelho (o homem já tem 45 anos, mas ainda é tratado pelo grupo afecto à actual líder como um mero debutante), e no terceiro Pedro Santana Lopes, em quem deu a entender não ter votado nas legislativas de 2005, mas que depressa se apressou a “encostar na prateleira” da Câmara de Lisboa, quiçá para não ter de o ver muitas vezes, nem de temer que este lhe fizesse frente. Manuela Ferreira Leite é, do meu ponto de vista, totalmente inábil para a política. É uma opinião, naturalmente, mas creio que comigo concordarão todos os que não são do PSD, e mesmo alguns (muitos?) que, sendo militantes do partido, esperavam mais de um líder do que a pobreza de argumentos com que a senhora presenteia o seu eleitorado e os seus adversários.

Nas últimas eleições para a presidência social-democrata, Passos Coelho obteve quase tantos votos como a líder eleita, mas foi ostracizado, como se não existisse ou não fizesse parte do partido. Nesse tempo como agora, há no PSD uma franja de pessoas que parece cultivar a ideia de que há militantes que valem mais, e outros que valem menos, ainda que nas urnas todos tenham igual importância. E é por isso que, num momento em que o partido parece ter batido no fundo, com resultados execráveis em todas as eleições a que se vem apresentando nos últimos anos (apesar de alguns insistirem em catalogá-lo como vitorioso, o resultado das últimas autárquicas é claro, a favor do PS), os “barões” repetem o erro de outrora, e voltam a fechar-se sobre si, na busca de um substituto. Ignoram Pedro Passos Coelho, como aliás têm feito sempre, e ignoram Castanheira Barros, que volta a dar conta da sua disponibilidade para avançar.

Fazem mal.
E fazem mal porque qualquer um deles tem condições para ser melhor presidente do PSD do que Manuela Ferreira Leite alguma vez foi. Fala-se, à boca pequena, da disponibilidade de Paulo Rangel, que em Junho foi eleito como cabeça-de-lista para o Parlamento Europeu, mas a sua eventual eleição, além de trair quem votou nele para Bruxelas, seria “mais do mesmo”, numa espécie de reedição de Ferreira Leite. Com Rangel ou com outro, entre os elementos mais próximos da actual líder, nenhum será melhor do que Passos Coelho ou Castanheira Barros. A proximidade à actual líder será mais um defeito do que uma virtude nesta corrida, e nesse campo tenho o grato prazer de anunciar que Castanheira Barros é, quando comparado com Passos Coelho, muito mais coerente. Desde o primeiro momento, e eu sou disso testemunha porque estava lá quando aconteceu a eleição de Ferreira Leite, o advogado de Coimbra foi claro naquela que era a sua, e também a minha posição: a eleita não era, como não foi, a pessoa indicada para o cargo.

Nas recentes campanhas eleitorais, para as europeias, legislativas e autárquicas, Castanheira Barros manteve a sua natural discrição, enquanto Pedro Passos Coelho pareceu vender – ou pelo menos emprestar – a alma ao diabo, surgindo ao lado da mulher contra quem tinha concorrido, e cujos defeitos tão acertadamente tinha apontado. Soou a hipocrisia. Pareceu um apoio de circunstância, por interesse. Não caiu bem. Bem sabemos o que pensa o povo da gente da política: que são falsos, que são vendidos, que querem é “tacho”. Eu não costumo engrossar esse coro, mas essa atitude de Passos Coelho, honestamente, não me agradou. Até porque, semanas depois de ter aparecido em alguns eventos de campanha – e na maioria foi olimpicamente ignorado pela líder a quem fazia o favor de aparecer – Passos Coelho voltou a tomar a estrada da crítica, e está novamente candidato. Não parece sério mudar tantas vezes de campo.

Castanheira Barros, por seu turno, está onde sempre esteve. Na posição de quem é e sempre foi contra, sem artifícios, sem favores, sem vícios nem mudanças de opinião extemporâneas e ao sabor do momento. Já aqui disse, e reafirmo, que tenho Castanheira Barros na conta de um amigo, mas acima de tudo vejo-o como um homem sério, íntegro, dedicado e disponível, interessado e atento ao seu partido. Na alma que emprestou ao combate à co-incineração, vi a força de carácter de um homem que luta por aquilo em que acredita, e que não teme fazer-se à estrada, mesmo que inóspita, para chegar onde quer ir. Este homem seria, com toda a certeza, um excelente presidente do PSD. Com ele, talvez o partido recuperasse o seu lugar como partido de alternância no poder. Porque eu vejo a política é como vejo o futebol: gosto que o Futebol Clube do Porto seja campeão todos os anos, mas também gosto de ver a minha equipa lutar pelos resultados e fazer por merecer esse campeonato…

Foto: Carla Teixeira
Tirada no XXXI Congresso Nacional do PSD - Guimarães, Junho de 2008

domingo, 25 de outubro de 2009

Assembleia de credores decide futuro do jornal «O Primeiro de Janeiro»

Os jornalistas despedidos do jornal «O Primeiro de Janeiro», em Julho de 2008, apelam à participação dos credores da empresa na assembleia que vai ter lugar na terça-feira, 27 de Outubro, pelas 10h30, no Tribunal de Comércio de Gaia.

O plano de recuperação da empresa Sedico (ex-O Primeiro de Janeiro, SA) apresenta diversas incongruências, dados misteriosos e insiste em situações lesivas para os trabalhadores e para a lógica empresarial.

A Sedico já passou por dois planos de recuperação, o primeiro em 1993, quando o empresário Eduardo Costa tomou conta da empresa e que levou ao despedimento de dezenas de trabalhadores a quem nunca foram pagas as indemnizações devidas. Apela-se a estes credores e todos os demais que participem na assembleia de terça-feira e rejeitem o actual plano de recuperação. Só faz sentido recuperar-se a empresa se as indemnizações dos trabalhadores forem as primeiras a liquidar, de uma só vez e na totalidade. Caso contrário, a recuperação irá assentar mais uma vez no esforço não reconhecido daqueles que durante anos trabalharam para tornar «O Primeiro de Janeiro» um título credível. Note-se que os quatro jornalistas que actualmente produzem o jornal trabalham a partir de casa, deslocando-se à redacção ao fim do dia para fazer o fecho, já que a empresa não garante o pagamento dos salários, nem os meios técnicos necessários. Apesar disso, o plano de recuperação apresentado ao tribunal afirma que a empresa dispõe dos meios humanos e técnicos necessários para produzir o jornal.

O plano é omisso quanto à actividade da empresa, insistindo em pressupostos errados. Não se compreende a sua recuperação baseada no título «O Primeiro de Janeiro», quando se sabe que este é pertença de uma empresa com sede em Ovar, a Caderno Digital, que não tem ligação à Sedico. Além do mais, o principal credor interessado na recuperação é a antiga cooperativa Folha Cultural (que mudou o nome para Editorial Cult, CRL), e cujo presidente é Eduardo Costa. O antigo administrador da Sedico já reconheceu publicamente, várias vezes, que agia como testa de ferro do empresário de Oliveira de Azeméis. Também não se compreende a actuação da Segurança Social, ao pretender viabilizar a recuperação da empresa, quando tem estado a discriminar os jornalistas despedidos em 2008, procedendo apenas a alguns a pagamentos no âmbito do Fundo de Garantia Salarial, recusando-se a justificar sequer porque paga a alguns e não a outros.

Os jornalistas despedidos em Julho de 2008

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Castanheira Barros quer liderar o PSD

Se é verdade que é sempre bom reencontrar amigos e pessoas cuja lembrança nos inspira um sorriso, é ainda melhor perceber que essas pessoas continuam activas na sua coerência e na sua militância, lutando pelo futuro daquilo em que acreditam. O advogado Jorge Castanheira Barros, de Coimbra, é uma dessas pessoas, que felizmente tenho como amigo. No momento em que acaba de anunciar a sua disponibilidade para avançar na corrida à liderança do PSD, se conseguir reunir os “apoios humanos e financeiros” suficientes para sustentar “uma forte probabilidade de vitória”, não me resta alternativa a apoiá-lo nessa pretensão, com a certeza de que a sua eleição representaria uma lufada de ar fresco num partido cuja história recente tem registado uma embaraçosa curva descendente.
Conheci o cidadão e o advogado, antes de conhecer o político. Empenhado na sua luta contra o avanço do processo de co-incineração, vi sempre nele um homem de causas, sério, certeiro, atento e dedicado. Castanheira Barros não vira a cara a um desafio, e se já em 2007 anunciou a sua disponibilidade para assumir a presidência do partido, numa candidatura minada ainda numa fase embrionária, precisamente por falta de apoios materiais para a sua concretização, é com bons olhos que o vejo agora reincidir nessa intenção. Nessa altura, enfrentaria Luís Marques Mendes e Luís Filipe Menezes, duas figuras de peso no partido. Hoje, consumando-se esta candidatura, enfrentará Manuela Ferreira Leite, uma decrépita sombra do que já foi, desgastada pelas recentes derrotas eleitorais, e Pedro Passos Coelho, o “eterno jovem” a que muitos social-democratas hesitam ainda dar o seu voto de confiança.
Para já, são estes os dois putativos candidatos à liderança do PSD. Adivinha-se um combate de titãs, disputado e interessante. Castanheira Barros afirma que, se a actual líder do partido continuar “agarrada ao poder”, será necessário “mostrar-lhe, quanto antes, a porta da saída, através da convocação de um congresso extraordinário e da consequente apresentação de uma moção de censura à actual Comissão Política Nacional”. Creio que Pedro Passos Coelho não discorda desta análise. Numa conferência de imprensa realizada há poucos dias, Castanheira Barros recordou que é “opositor de Manuela Ferreira Leite desde a primeira hora” (e eu sou testemunha disso!), garantindo que não ficará a assistir à corrida para a presidência. “As condições actuais são bem diferentes das do Verão de 2007, em que surgi como um candidato outsider posicionado entre Marques Mendes e Filipe Menezes”, explicou. Sobre aquele que é actualmente o seu único opositor, considerou que, “ao contrário daquilo que defende Pedro Passos Coelho, o PSD deve hoje procurar afirmar-se como um partido eminentemente social-democrata, e não como um partido liberal”.


Para traçar um pouco do perfil de Castanheira Barros, enquadrando no tempo algumas das suas declarações, deixo-vos duas reportagens que publiquei em Junho de 2008. A primeira, de antecipação ao congresso, foi publicada no jornal «O Primeiro de Janeiro» no dia 18, e a segunda, realizada em pleno conclave social-democrata, no dia 23. A posição do advogado é bem reveladora da sua visão política.


Castanheira Barros quer apresentar “lista de oposição” a Manuela Ferreira Leite - “FOI UMA VITÓRIA FRÁGIL”

Diz que “o Conselho Nacional é que decide quem é candidato a primeiro-ministro”, mas não esconde a convicção de que Ferreira Leite é a militante mais mal colocada para esse combate. Castanheira Barros está a recrutar elementos para uma lista de oposição à líder do partido...

Carla Teixeira
Foi adversário de Marques Mendes e de Luís Filipe Menezes na corrida à liderança do PSD no âmbito das segundas eleições directas do partido, que tiveram lugar em Outubro do ano passado, com o lema «Unir o partido, devolver o poder às bases e restaurar o espírito ganhador». A apenas três dias do XXXI Congresso Nacional do PSD, agendado para o próximo fim-de-semana no Pavilhão Multiusos, na cidade de Guimarães, Castanheira Barros recorre ao mesmo argumento – a unidade no seio da social-democracia –, para justificar o desejo de apresentar uma lista de “frontal oposição” à nova presidente do partido, a quem não reconhece “potencial eleitoral para garantir a vitória nas legislativas de 2009”. Em declarações a O PRIMEIRO DE JANEIRO, o advogado de Coimbra explicou que, para vencer as eleições em 2009 e resgatar ao PS de José Sócrates a governação do País, “é preciso capitalizar os votos da Função Pública”, e “Manuela Ferreira Leite é a militante social-democrata mais mal posicionada para conquistar esses votos, porque foi ela, enquanto estava no Governo, que pôs em causa expectativas legítimas e direitos consagrados dos funcionários públicos”.
Na opinião de Castanheira Barros, o passado político e de governação de Manuela Ferreira Leite – que foi ministra da Educação e das Finanças, tendo protagonizado, na última daquelas missões, algumas políticas de rigor que não caíram bem no seio da Função Pública e da sociedade em geral – funciona como “handicap”, tornando muito difícil a sua eleição para o cargo de primeira-ministra, ainda que o advogado concretize que “o Conselho Nacional é que decide quem é o candidato a primeiro-ministro”, e não o presidente do partido”, apesar de ser tradição ser o responsável máximo pela estrutura a assumir os combates eleitorais com os outros partidos. No entanto, Castanheira Barros recorda que Manuela Ferreira Leite não tem a “ampla representatividade partidária” necessária a quem se assume como candidato a um cargo de tal responsabilidade para o País. E diz mais: “A vitória que alcançou nas últimas eleições directas é uma vitória democrática, mas muito frágil”, posto que se a nova líder obteve cerca de 37 por cento dos votos, é também certo que quase o dobro daqueles militantes votaram num dos outros candidatos.
Por isso, o antigo candidato à presidência avisa que Manuela Ferreira Leite “tem de ter noção de que a sua vitória é muito frágil”, sendo útil a apresentação de ideias e projectos de uma ala que se assuma como oposição dentro do partido, sempre com frontalidade e no âmbito da “tradição vincadamente pluralista que é um património do PSD”. Nessa linha de pensamento, adiantou ao JANEIRO, está a desdobrar-se em contactos com “figuras proeminentes que apoiaram as outras candidaturas à presidência do partido”, tendo ontem estado reunido com delegados ao congresso da zona da Figueira da Foz, e tendo para hoje agendados “encontros importantes” para a formalização da lista que pretende apresentar em Guimarães. Reconhece que “são pessoas muito ocupadas e os contactos não são fáceis”, e acrescenta que “o tempo também é escasso”, mas avisa que “até sábado às 20 horas” é possível que apresente a relação das pessoas que o acompanham neste desafio.
Instado a comentar se, tendo os candidatos derrotados nas directas feito um apelo no sentido da unidade do partido e da união em torno da nova presidente, não será a apresentação de uma lista de oposição vista como uma afronta a Ferreira Leite, o advogado considerou que “ainda estão por eleger três órgãos nacionais do partido”, que vai muito além do seu presidente, e que a sua concepção política é “inversa” à da actual líder, que “quer recuperar o PSD a partir das cúpulas e barões”, enquanto Castanheira Barros defende a necessidade de “devolver o partido às bases. É uma pirâmide invertida”, ilustrou.
Entretanto, alguns apoiantes da candidatura de Pedro Santana Lopes reuniram-se ontem na Figueira da Foz para “um jantar seguido de uma pequena reunião”, como explicou à Agência Lusa o ex-deputado social-democrata Luís Cirilo, concretizando que “foram convidados todos os mandatários distritais, quem trabalhou na direcção de campanha e os delegados eleitos pela candidatura” do ex-autarca da localidade. Por decidir continua, pelo menos oficialmente, a possível apresentação de uma lista daquela equipa ao Conselho Nacional do PSD, que Luís Cirilo diz ser “largamente provável”.

«O Primeiro de Janeiro»
18 de Junho de 2008



Líder do Governo Regional da Madeira foi “a grande ausência em Guimarães” - JARDIM CHAMADO À LIDERANÇA

Manuela Ferreira Leite acaba de ser eleita, mas a união em torno da presidente do PSD parece ter falhado em toda a linha. Castanheira Barros instou os militantes a formar uma lista de “frontal oposição” à líder, e ontem apontou Alberto João Jardim como o líder desejado.

Carla Teixeira
Ainda Manuela Ferreira Leite não esquentou o lugar de presidente do PSD e já nos bastidores do partido se equaciona a sua sucessão, defraudando a tentada imagem de unidade que foi mais convincente nos dois primeiros dias de trabalhos do XXXI Congresso Nacional do PSD reunido em Guimarães. À baila vem, segundo afirmou a O PRIMEIRO DE JANEIRO fonte interna social-democrata, a possibilidade de, ao cabo de poucos meses, a ex-ministra decida abdicar da liderança do partido a favor de Rui Rio, seu vice-presidente, que assim será chamado ao confronto directo com José Sócrates nas legislativas de 2009, mas Castanheira de Barros, o advogado de Coimbra que tentou constituir uma lista de “frontal oposição” à nova presidente, crê que as mudanças não se ficarão por aí, e lança o nome do presidente do Governo Regional da Madeira para a sucessão de Ferreira Leite.
À margem do congresso, e em declarações ao JANEIRO, Castanheira Barros disse que vê Alberto João Jardim como “o mais vitorioso dos social-democratas”, aferindo que “só quem não conhece a Madeira não é fã de Jardim”, que tem, frisou aquele militante, “a capacidade de falar com o povo, mas também um discurso de grande erudição, que estranhamente não passa para a Comunicação Social”. Castanheira Barros acredita que o líder madeirense seria bem aceite pelas hostes nacionais do PSD, justamente por esse discurso, que não é de oposição ao Continente. “Ele é o maior concretizador de objectivos que conheço, e a Madeira tem o maior índice de desenvolvimento da Europa nas últimas décadas, e estes são sinais evidentes de progresso, quer na chamada política do cimento, quer na vertente social”.
Pela mais-valia política que Alberto João Jardim representa para o partido laranja, o militante Castanheira Barros afirmou que “houve condições para que ele avançasse para a liderança do partido – só ele saberá por que não o fez –, mas voltará a haver condições para isso no futuro”. Quanto à hipotética passagem de testemunho entre Manuela Ferreira Leite e Rui Rio, o apoiante de Santana Lopes acredita que “é um cenário possível, mas insiste que “essa ideia resulta se pensarmos na possibilidade de colocar Jardim na presidência do partido”, porque, “ao contrário do que passa na Comunicação Social, a aceitação de Jardim no seio do partido é muito ampla, como ficou demonstrado com os apoios que reuniria, se tivesse avançado nas directas de 31 de Maio para a presidência do partido”.
Castanheira Barros falhou na pretensão de constituir uma lista própria, de oposição a Manuela Ferreira Leite, de que chegou a dar conta a O PRIMEIRO DE JANEIRO dias antes do conclave de Guimarães, mas ontem, à margem dos trabalhos, fez um ponto da situação e explicou por que aceitou integrar a lista de Santana Lopes para a Mesa do Congresso. Explicou que, no dia em que aquelas declarações chegaram às bancas, recebeu, numa reunião de apoiantes de Santana Lopes, um convite do próprio ex-candidato à liderança: “Pretendia congregar numa lista única os esforços de apoiantes de Passos Coelho e Santana Lopes, num consenso alargado entre os dois grupos de militantes, mas não foi possível”. Questionado sobre o resultado dos apelos à união no partido respondeu, laconicamente, que “nem por sombras” se vê essa unidade no seio da social-democracia.

«O Primeiro de Janeiro»
23 de Junho de 2008

sábado, 17 de outubro de 2009

Pauliteiros de V. N. de Anços no Cadaval

Já falta mesmo muito pouco (é hoje, às 16 horas) para o arranque da oitava edição da Festa das Adiafas e do VIII Festival Nacional do Vinho Leve, que se prolonga até ao próximo dia 25, no recinto junto ao Campo da Feira do Cadaval, no Distrito de Lisboa, e que contará, na sua sessão inaugural, com a presença do Director Regional da Agricultura e das Pescas de Lisboa e do Vale do Tejo, José António Canha. Nestes eventos, que têm como objectivo a promoção das actividades económicas e dos produtos da região, são protagonistas a gastronomia típica e o bom vinho, mas também há exposições, a eleição da Rainha das Adiafas e, num momento ainda mais especial do programa (amanhã, pelas 17h30), a actuação do meu querido Grupo de Pauliteiros de Vila Nova de Anços, que do alto dos seus 73 anos de existência e actividade ininterrupta, promete animar a tarde dos Cadavalenses e de todos os que ali se deslocarem.
De acordo com informações avançadas pela Câmara Municipal do Cadaval, promotora desta iniciativa, a Festa das Adiafas “tem como ponto de partida a celebração anual do final das colheitas, sejam de carácter vitícola ou frutícola. Ao longo das edições, o certame expandiu o seu âmbito, e hoje constitui um autêntico espaço agregador das actividades económicas e dos produtos da região”. Contudo, e “visto que os pilares fundamentais da Festa das Adiafas continuam a ser a produção frutícola e vitivinícola, de onde sobressaem, respectivamente, a reconhecida pêra rocha (o Cadaval é um dos principais produtores e exportadores do País) e o tão apreciado Vinho Leve, de que o concelho é também um exímio representante”.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Um vídeo e muitas reacções...

Nunca fui excessivamente patriótica, mas também nunca gostei de ouvir falar mal do meu país ou, a bem da verdade, de qualquer coisa que seja minha. No entanto, numa semana em que a minha caixa de e-mail foi literalmente invadida por links e mensagens de protesto e quase ódio contra um vídeo em que a actriz brasileira Maitê Proença satiriza Portugal e os Portugueses, há duas ou três coisas que me sinto impelida a dizer:

1) Quando a noção de humor de uma pessoa inclui disparar uma série de afirmações historicamente erradas e cuspir na fonte de um monumento nacional de outro país, acho que fica bem patente o valor moral e até a inteligência de quem assim procede. Afinal, por mais que diga qualquer um de nós, ninguém dirá senão o que é, e Maitê Proença demonstrou bem o seu nível ou, neste caso, a falta dele;

2) Por outro lado, todos os que ao longo de várias décadas endeusaram e idolatraram uma actriz de segunda categoria (baseando-se, não raras vezes, na sua alegada e sempre discutível beleza), sem conhecer o mínimo do seu carácter, merecem isto e muito mais. É para aprenderem a não valorizar excessivamente o que vem de fora, apenas porque sim;

3) O mesmo digo de um povo que se tornou conhecido pelos seus “brandos costumes”, e que aceitou, entre outros sinais de falta de amor-próprio, a conspurcação da sua língua materna com vocábulos horrendos e muito frequentemente imbecis inventados pelos brasileiros, trocando a Língua Portuguesa por uma treta de (des)acordo ortográfico que consagra os erros deles, em vez das nossas regras. Os Portugueses habituaram-se há muito tempo a ser ridicularizados pelo mundo, e é nessa medida que me causa alguma estranheza esta empolada resposta patriótica, ainda que concorde com os seus preceitos. Ainda assim, declarar Maitê Proença como persona non grata em Portugal parece-me francamente exagerado. É dar-lhe muito mais importância do que aquela que a senhora efectivamente tem. E isso é coisa que não faço.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Jornalista multimédia...


De bloco de notas numa mão e de telemóvel na outra, não perdi pitada da acção de campanha da candidata socialista à Câmara Municipal de Gondomar na Freguesia de Baguim do Monte!

domingo, 4 de outubro de 2009

Quem tem dois pares de sapatos iguais?!

Quem, neste mundo, tem dois pares de sapatos iguais? Pois é… Eu. Eu tenho dois pares de sapatos exactamente iguais. E numa época atribulada, em que o volume de trabalho chega quase ao tecto cá de cada e em que mal tenho tempo para respirar, sentindo que vos tenho deixado um pouco ao abandono, eis que regresso do nada para vos dizer isto. Sim, é verdade. Tenho dois pares de sapatos exactamente iguais, no modelo e na cor, mas bem diferentes no preço. Esta é a história: comprei um par de sapatos que estavam com uma promoção fantástica, a metade do preço – um óptimo negócio, by the way, porque são confortáveis e engraçados –, mas cerca de uma semana depois arranhei um no pedal da embraiagem do carro e fiquei desolada! Felizmente, ainda que por mero acaso, logo no dia seguinte encontrei, na loja onde tinha comprado o primeiro par, uma nova promoção. Os sapatos que tinha comprado com 50 por cento de desconto custavam agora 20 por cento do preço inicial. Claro que aproveitei a oportunidade. Nesta espécie de saldos dos saldos, acabo por ter dois pares de sapatos por um preço inferior ao que custava cada um dos pares no início desta bela história. E pronto. Bem sei que isto não vos interessa nada, mas aceitem este post como sinal da minha vontade de regressar, na certeza de que, a breve trecho, estarei mais liberta para vos dar aquele “hello” diário a que vos tinha habituado nos últimos anos. I’ll be back!

NOTA: Os sapatos desta imagem não são meus...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Um bom exemplo made in Baião

O presidente da Câmara de Baião, José Luís Carneiro, que se recandidata ao cargo pelo PS, suspendeu segunda-feira o mandato para «evitar confusões» resultantes da dupla condição de autarca e candidato. A presidência da autarquia passou, a partir dessa data, a ser assegurada por Paulo Pereira, vice-presidente e vereador da Educação, Desporto, Associativismo e Juventude na Câmara de Baião. Em declarações hoje à Lusa, José Luís Carneiro explicou que decidiu meter férias até 11 de Outubro, data das eleições autárquicas, o que classificou como, «na prática se traduz numa suspensão de mandato».

Aí está um homem que não está agarrado ao poder.
Excelente exemplo.

domingo, 2 de agosto de 2009

Eduardo Oliveira Costa desmascarado!

A notícia não é exactamente nova (se calhar já nem é notícia), mas eu só hoje tomei conhecimento deste conteúdo, graças a um comentário deixado anonimamente neste blog, que muito agradeço. Fica o retrato, para quem quiser lê-lo, do homem que foi capaz de despedir mais de 30 pessoas a quem deve grande parte do que conseguiu amealhar durante anos, com salários em atraso, muita desfaçatez e pouca vergonha. Foi ilegal, é certo, mas já passou um ano e até agora, como sempre, quem se lixa é o mexilhão…


Ex-administrador da Sedico “desmascara” Eduardo Costa

José Reis diz que foi “manipulado” e usado como “bode expiatório de Eduardo Costa. Agora vem a público denunciar o empresário oliveirense. O advogado reformado garante que as dívidas que tem a seu cargo advêm da empresa Sedico, criada para gerir “O Primeiro de Janeiro”

José Reis, ex-administrador da empresa Sedico, vem a público denunciar Eduardo Costa, empresário oliveirense responsável pelo jornal Correio de Azeméis, pela Rádio Azeméis FM e pelo jornal “O Primeiro de Janeiro”. Amigo de Eduardo Costa desde cedo, José Reis tornou-se seu funcionário assim que chegou a Portugal vindo da Venezuela. Desde 1992 que a história de José Reis se confunde com a actividade profissional de Eduardo Costa. Com o objectivo de limpar a sua imagem e de desmistificar o empresário oliveirense, José Reis conta ao Mais Alerta o seu percurso desde 1992 e caracteriza Eduardo Costa, que sempre tomou por grande empresário e pessoa honesta. Neste momento, as palavras que José Reis usa para descrever o empresário oliveirense são “delinquente” e “trapaceiro”.

José Reis tem, actualmente uma dívida superior a um milhão de euros que diz resultar da actividade da empresa Sedico (empresa ligada à actividade do jornal “O Primeiro de Janeiro), da qual foi administrador. As suas contas bancárias foram congeladas e o uso do cartão de crédito interdito. José Reis diz que a finalização do processo penal pendente em que é arguido ainda pode resultar em pena de prisão. No entanto, garante que durante todo o tempo em que esteve ligado à empresa pouco soube da sua actividade, apenas assinava cheques e documentos por indicação de Eduardo Costa. “Eu fazia de tudo de olhos fechados. Ele era um homem honesto, sério e eu punha a mão no fogo por ele (Eduardo Costa)”, esclarece José Reis. “O Eduardo ia sempre para o Porto. Ele tinha lá um escritório para trabalhar e geria o Janeiro, mas as secretárias dele sabiam que ele nunca assinava e que vinha tudo para cá num envelope. Eu ia e assinava. Era assim que se fazia: eu só ia à Folha Cultural ou à Coraze assinar”, afirma José Reis.

Foi assim que José Reis assinou o despedimento de cerca de 30 jornalistas de “O Primeiro de Janeiro”. Conta que a decisão foi tomada por Eduardo Costa, mas como o empresário tinha renunciado ao cargo de presidente de “O Primeiro de Janeiro” em 1993 teria que ser José Reis a assinar como administrador da Sedico. “Ele tinha renunciado em 1993 e como não podia assinar, mandou-me assinar a mim. Fui eu que assinei. Ele estava a negociar e chamou-me para assinar, nem vi as cartas”. O advogado reformado adiantou que “ele sempre administrou o Janeiro, nada passava ao largo dele. Ele administrava e geria mas não assinava nada”.


“Ele queria-me para alguma coisa, mas eu não sabia para que era”
Mas o início da história remonta a 1992. José Reis, advogado reformado, chega a Portugal vindo da Venezuela e monta um escritório em Oliveira de Azeméis. Pelo que conta Eduardo Costa tinha instalações perto das suas e, como tinha sido seu professor, o empresário oliveirense chamou-o para trabalhar consigo. José Reis explica que foi em 1992 que se ligou profissionalmente a Eduardo Costa e começaram por trabalhar na empresa “O Primeiro de Janeiro, S.A.”. “Ele disse que ia precisar de mim para trabalhar para o Janeiro”, avança José Reis. O agora advogado reformado afirma: “O Eduardo (Costa) tinha medo do Janeiro porque era uma estrutura grandíssima, estava tudo a desmoronar-se, havia contas por pagar, dependências por limpar, coisas a guardar. Era uma grande aventura aquele negócio”. Mesmo apesar de saber que era tarefa difícil, José Reis decidiu acompanhar Eduardo Costa.

Enquanto trabalhava para Eduardo Costa, José Reis conta que fazia um pouco de tudo, “era um tarefeiro”. Mas os problemas de saúde limitaram os seus movimentos e José Reis deixou de ir para o Porto, onde estava sedeado “O Primeiro de Janeiro” e ficou em Oliveira de Azeméis. O advogado reformado conta que se manteve na cidade oliveirense, recebia um ordenado e apenas ia ao Porto de vez em quando. “Ele queria-me para alguma coisa, mas eu não sabia para que era. O Eduardo, quando dá um ordenado a uma pessoa, não investe cegamente”, explica José Reis.

“Nessa altura comecei a perceber que estava tramado”
Depois de ter alguns cuidados de saúde e de ter estado, inclusivamente, internado, José Reis é nomeado administrador da Sedico, em 2003. A Sedico é a empresa que surge para administrar “O Primeiro de Janeiro”. José Reis conta que a empresa ficou sedeada em Gondomar e explica que “isso foi uma encenação”. “No porto qualquer arrumador de carros conhece o Eduardo Costa como dono do Janeiro, qualquer pessoa o conhece, porque é sempre ele que aparece. Era uma vergonha haver dívidas ou ilícitos fiscais no Porto. Ele queria cometer ilícitos e para não os fazer no Porto (onde toda a gente o conhecia), transferiu a sede para Gondomar”, esclarece José Reis. O advogado reformado avança que apenas foi a Gondomar uma única vez. “Fui lá (Gondomar) uma vez depois de 2007”, esclarece José Reis que diz ter encontrado “um curral de cabras, chão em terra batida, cadeiras rotas”.
“Aquilo (Sedico) não era empresa nenhuma, era um depósito de cadeiras”, afirma dizendo que começou a abrir os olhos quando chegou o primeiro aviso de dívida. “Eu era administrador de direito e não de facto, ou seja, nunca administrei nada. Eu tinha a conta no meu nome, mas nem sabia informações nenhumas”, garante José Reis. Apesar de desconfiado, José Reis continuou como administrador da Sedico. O advogado reformado diz que continuava a assinar todos os cheques e documentos que vinham do Porto. É em finais de 2008 que descobre mais uma dívida da empresa sedeada em Gondomar. “Escrevi também uma carta para ele a dizer que aquilo era da responsabilidade dele. Esperei que ele pagasse, mas ele não pagou”, explica José Reis que diz: “Nessa altura comecei a perceber que estava tramado”. E foi então que resolveu começar a juntar provas para se defender e para denunciar a actividade de Eduardo Costa.

“Eu fui manipulado, fui usado como bode expiatório”
Durante toda a conversa com o Mais Alerta, José Reis sempre fez questão de reforçar que nunca questionava as decisões de Eduardo Costa. “Uma decisão de Eduardo Costa não é para contestar. O Sr. Eduardo decidia e decidia bem e ele é que sabe da sua empresa. Eu assinava sempre pensando que era para bem da empresa. Tudo o que eu assinava era para a gestão eficiente da empresa”, garante José Reis, que conclui: “Eu fui manipulado, fui usado como bode expiatório”.

Empresário oliveirense incontactávelDesde que os cerca de 30 jornalistas foram despedidos de “O Primeiro de Janeiro” que Eduardo Costa tem sido motivo para reportagens. A revista “Visão” já lhe dedicou várias páginas e outros órgãos de comunicação falam dele frequentemente. Em Agosto de 2008, o Diário de Notícias dizia que “sediado em Oliveira de Azeméis, detém cerca de 30 empresas ligadas a dez áreas de negócio distintas. Da comunicação social nacional e regional ao imobiliário e construção civil, do turismo à distribuição de livros”. Eduardo Oliveira Costa detém a Carteira Profissional de Jornalista e detém 16 títulos. Já foi julgado e condenado a uma pena de prisão de dois anos e meio, suspensa por um ano, por fraude na obtenção indevida de subsídios por parte do Estado, através do jornal Recortes da Província. Na repetição do julgamento, foi absolvido dos crimes de burla e de falsificação de documentos. O Mais Alerta tentou entrar em contacto com Eduardo Costa, mas até ao fecho de edição não foi possível ouvir qualquer comentário do empresário.


Frases
“Eu fazia de tudo de olhos fechados. Ele era um homem honesto, sério e eu punha a mão no fogo por ele (Eduardo Costa)”

“O Eduardo ia sempre para o Porto. Ele tinha lá um escritório para trabalhar e geria o Janeiro, mas as secretárias dele sabiam que ele nunca assinava e que vinha tudo para cá num envelope. Eu ia e assinava. Era assim que se fazia: eu só ia à Folha Cultural ou à Coraze assinar”

“Ele sempre administrou o Janeiro, nada passava ao largo dele. Ele administrava e geria mas não assinava nada”

“Ele queria-me para alguma coisa, mas eu não sabia para que era. O Eduardo, quando dá um ordenado a uma pessoa, não investe cegamente”

“Ele queria cometer ilícitos e para não os fazer no Porto (onde toda a gente o conhecia), transferiu a sede (da Sedico) para Gondomar”

“Aquilo (Sedico) não era empresa nenhuma, era um depósito de cadeiras”

“Eu era administrador de direito e não de facto, ou seja, nunca administrei nada. Eu tinha a conta no meu nome, mas nem sabia informações nenhumas”

“Eu assinava sempre pensando que era para bem da empresa”

“Nessa altura (finais de 2008) comecei a perceber que estava tramado”

“Eu fui manipulado, fui usado como bode expiatório”


Laura Sequeira, Mais Comunicação
4 de Junho de 2009

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Um ano depois, a história renova-se!

Os 32 jornalistas e demais trabalhadores do jornal «O Primeiro de Janeiro» ilegalmente despedidos há um ano continuam a aguardar que as entidades judiciais e estatais façam valer os seus direitos, violados de forma sistemática e inaceitável, e hoje, pelas 20h30, assinalam o primeiro aniversário do despedimento colectivo ilegal de que foram vítimas a 31 de Julho de 2008, com um jantar no Restaurante Mar do Norte (à Rua Mouzinho da Silveira, no Porto).

Serão bem-vindos todos os que, em diferentes momentos da sua história, e nos mais diversos cargos, ajudaram a construir aquele que chegou a ser tido como um jornal de referência no Jornalismo português, e designadamente do Jornalismo do Porto (é o título mais antigo da cidade, depois de também termos visto perecer, ainda que de forma um pouco menos indigna, o também centenário «O Comércio do Porto»), mas que nos últimos anos, por força dos desmandos de uma administração sem escrúpulos e sem respeito pelos direitos e pela dignidade do ser humano, viu o seu nome ser irremediavelmente conspurcado.

Para os mais desatentos, porque haverá ainda muita gente que desconhece os meandros de todo este processo, ficam alguns dos mais recentes desenvolvimentos desta arrepiante história:
Jornal de Notícias, 18 de Julho de 2009

Rádio Renascença, 20 de Julho de 2009

Jornal de Notícias, 21 de Julho de 2009

Servir o Porto – Blog de Pedro Baptista (PS/Porto)

domingo, 26 de julho de 2009

Pauliteiros de V. N. de Anços no Minho

O programa de festas despenteadas para hoje tem lugar na cidade de Monção, lá no Alto Minho, e o prato forte é, como sempre, pelo menos para mim, a actuação do Grupo de Pauliteiros de Vila Nova de Anços. Depois de ontem à noite terem encantado no XXIX Festival Nacional de Folclore de Santo António das Areias, em Marvão, distrito de Portalegre, hoje prometem impressionar a gente de uma cidade que conheci enquanto miúda, por ter um tio de lá, mas onde já não vou há séculos! Deixo-vos o programa do evento. Se estiverem lá perto, apareçam! Vale a pena. Não é todos os dias que temos a oportunidade de ver um grupo de homens dançar e bater paus…

IV Festival Folclórico «Os Amigos de Longos Vales»

Mosteiro, 15h
Grupo Folclórico «Os Amigos de Longos Vales»
Rancho Folclórico e Regional do Lavradio, Barreiro
Grupo Folclórico de Escapães, Santa Maria da Feira
Rancho Folclórico de Fornelo do Monte, Viseu
Grupo Folclórico da Casa do Povo de Lomar, Braga

Praça Deu-la-Deu Martins, 21h
Grupo de Pauliteiros de Vila Nova de Anços, Coimbra
Grupo Folclórico "Os Amigos de Longos Vales"

Pauliteiros fizeram a festa em Marvão














O dia de ontem foi um dia em cheio. O calor era mais do que muito, mas a festa não esperava por ninguém, e por isso ganhou a vontade de nos fazermos à estrada e percorrermos os cerca de 250 quilómetros que, em Vila Nova de Anços (concelho de Soure, distrito de Coimbra), nos afastavam de Santo António das Areias (freguesia do concelho de Marvão, no distrito de Portalegre). Foram algumas horas de caminho: primeiro pela A1, depois pela A23, e no troço final por estradas mais pequenas, mas sempre em grande animação. A festa foi de arromba e, como é hábito, o Grupo de Pauliteiros de Vila Nova de Anços dançou e encantou a plateia. Se é certo que nunca me definiria como uma amante do folclore, a verdade é que (apesar de a minha opinião ser suspeita) ver os espectáculos dos Pauliteiros é sempre muito agradável. E mesmo que assim não fosse, a vista do Castelo de Marvão compensava o sacrifício! Hoje, os Pauliteiros actuam em Monção, no Alto Minho!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Um ano depois, só mudam as moscas…

Os jornalistas e outros trabalhadores ao serviço das publicações “O Primeiro de Janeiro” e “Motor” continuam sem receber os respectivos salários, apesar da intervenção da Autoridade para as Condições de Trabalho, a pedido do Sindicato dos Jornalistas. Trata-se de "uma situação completamente inaceitável e insustentável", refere o SJ em comunicado divulgado hoje, 20 de Julho, sublinhando que o não cumprimento dos deveres contratuais, para além de "atentatória dos elementares direitos dos trabalhadores", revela a "falta de respeito do empregador" para com os trabalhadores ao seu serviço, os quais, apesar de nada receberem, "continuam a comparecer regularmente nos seus postos de trabalho e a assegurar a produção daquelas publicações". O documento do SJ adverte ainda os jornalistas das duas publicações para o facto de a "cedência de direitos que constituem conquistas civilizacionais em nada ajudar à resolução dos problemas laborais, antes contribuir objectivamente para agravar e perpetuar situações de exploração que atentam contra a dignidade humana". É o seguinte o texto, na íntegra, do comunicado do SJ:

Jornalistas no “Janeiro” e no “Motor” ainda sem salários

1.Apesar da intervenção da Autoridade para as Condições de Trabalho, a pedido do Sindicato dos Jornalistas, os jornalistas e outros trabalhadores ao serviço das publicações “O Primeiro de Janeiro” e “Motor” continuam sem receber os respectivos salários, em dívida há três e oito meses, respectivamente, bem como os subsídios de férias e de Natal do ano passado e o subsídio de férias deste ano.

2.Trata-se de uma situação completamente inaceitável e insustentável, atentatória dos elementares direitos dos trabalhadores e que revela a falta de respeito do empregador para com o extremo sacrifício desses profissionais, os quais, apesar de nada receberem, continuam a comparecer regularmente nos seus postos de trabalho e a assegurar a produção daquelas publicações.

3.Recorda-se que, além dos profissionais ainda ao serviço do “Janeiro” e do “Motor”, três dezenas de outros jornalistas despedidos ilegalmente do “PJ” há quase um ano continuam sem receber os respectivos créditos e a reclamar os seus direitos.

4.O SJ considera urgente pôr termo a esta situação e continua a acompanhar e a apoiar os jornalistas na tomada das medidas necessárias, a fim de que o respeito pelos seus legítimos direitos seja reposto.

5.O SJ alerta uma vez mais os jornalistas para o facto de – como a realidade se tem encarregado de demonstrar – a cedência de direitos que constituem conquistas civilizacionais em nada ajudar à resolução dos problemas laborais, antes contribuir objectivamente para agravar e perpetuar situações de exploração que atentam contra a dignidade humana.

Lisboa, 20 de Julho de 2009

A Direcção

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Uma desilusão chamada Elisa Ferreira

Elisa Ferreira desiludiu-me. Como candidata à presidência da Câmara Municipal do Porto tem sido desastrosa, dando sucessivos tiros nos pés e pretendendo passar uma imagem de segurança que acaba por revelar fragilidade. Insiste no estatuto de independente de forma quase absurda, quando todos sabemos que cresceu e chegou onde chegou sempre apoiada no PS. Tem revelado também, e acreditem que sei do que falo, tiques muito pouco democráticos, ao pretender, por exemplo, imiscuir-se no quotidiano de empresas com as quais nada tem a ver, querendo reservar-se ao direito de decidir quem é que essas empresas podem ou não contratar. A imagem que tinha de Elisa Ferreira, alicerçada na forma sempre afável e disponível com que atendia os telefonemas dos jornalistas – e liguei-lhe bastantes vezes durante os meus 10 anos de carreira – e se dispunha a esclarecer dúvidas e responder às perguntas que estes lhe faziam, ruiu há poucos dias, de forma tão radical quanto insanável.
É pena. Basicamente, porque considero que Elisa Ferreira poderia ser uma excelente presidente de câmara. É decidida, é ousada, revela grande ligação ao que faz e forte empenho no seu trabalho (pelo menos até ao momento em que decide dizer que só lá vai assinar o ponto, porque o que quer mesmo é outra coisa). Com esta candidatura, creio que o PS perdeu qualquer possibilidade de recuperar a presidência da autarquia portuense, mesmo tendo em conta que Rui Rio também não tem sido exactamente brilhante no papel de autarca. Se já tinha a ideia de que a sua “obra” se resumia ao Red Bull Air Race e às corridas de carros na Boavista, nos últimos tempos, justamente em iniciativas promovidas pela candidatura socialista (não venham com o “independente”, porque Elisa Ferreira só existe graças ao PS), fiquei a saber que a obra do PSD tem sido também bastante destrutiva para a cidade, designadamente nas áreas do Desporto e da Cultura. Isto para não falar de que à noite o Porto é um deserto, que tem perdido liderança no contexto do Norte e que está a definhar a olhos vistos.
Se Elisa Ferreira poderia resolver alguns destes problemas? Poderia. Capacidades não lhe faltam. Mas não vai ter sequer essa hipótese, porque se deixou enredar numa teia de falhanços claros e sucessivos, e de argumentos incapazes para os justificar. É certo que seria difícil, e constrangedor, para o PS encontrar um substituto a esta altura do campeonato. Mas a verdade parece evidente: a candidatura de Elisa Ferreira vai protagonizar o pior resultado de sempre do PS na cidade do Porto. Não será culpa de José Sócrates, nem do Governo, embora não vão também faltar as vozes a tentar fazer-nos acreditar nisso. A culpa será, apenas e só, da candidata. Elisa Ferreira não está à altura do desafio. Marco António Costa disse-o, ainda a “independente” era apenas uma opção, e na altura critiquei-o por desmerecer assim uma pessoa com tal currículo. Parece, no entanto, que ele tinha razão. Talvez não pelos motivos que apontou, mas tinha razão. Elisa Ferreira tornou-se uma desilusão para mim. E tenho pena.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Ao cair da noite, o Porto encontra o céu...



Fotos: Mente Despenteada

Um mágico cair da noite na minha cidade.
Há dias que terminam assim, entre cores e descobertas.
Entre olhares e silêncios e decisões anunciadas.
Há dias em que o princípio e o fim
Se confundem
Na bruma que somos nós,
Gigantes imensos, enclausurados
Na pequenez de um corpo.
Humano…

sábado, 4 de julho de 2009

Tragam daí uma babete, “faxabor”!

Durante a minha fantástica odisseia em Madrid fui agradavelmente surpreendida por mensagens de parabéns de vários amigos. Não tenho muitos, mas tenho dos bons, e ano após ano há um grupo de pessoas que nunca se esquecem da importância que o dia 26 de Junho de 1976 teve para o mundo “as we know it”… Tarde, mas não tardiamente, quero agradecer os votos de feliz aniversário a todos, e em particular à Joaninha, que protagonizou a maior surpresa do dia. Há mais de um ano que não nos vemos, e a amizade que mantemos nasceu de um contacto breve num lugar de que não quero guardar muito mais memórias. Ainda assim, por ter conhecido a Joana, e outros amigos que por lá fiz, já valeu a pena. À Joaninha agradeço este miminho que deixou no blog dela, e que descobri por acaso, já bem depois do meu regresso. A todos os outros deixo também o meu obrigada, carregadinho de beijocas!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Era bem capaz de viver em Madrid!

Madrid deixa saudades. Muitas saudades. E nem é preciso lá ter estado mais do que alguns dias! Apesar do atribulado regresso a Portugal (mais à frente talvez vos conte como é ser deixada em terra por uma companhia aérea que resolve negar o embarque a dois cidadãos portugueses e a dois brasileiros sem motivo aparente ou justificado), sei que vou lá voltar assim que houver oportunidade. Madrid é uma cidade belíssima, com um tesouro em cada edifício, uma surpresa em cada esquina, com uma vida fulgurante a todas as horas do dia e da noite. Era capaz de me habituar à ideia de viver em Madrid. Aliás, habituei-me à ideia no minuto em que cheguei ao hotel e percebi a atmosfera da cidade.
Alguns dos melhores museus do mundo, edifícios de tirar o fôlego, preços escabrosos que por pouco nos tiram a vontade de comer e de beber, e a imensa curiosidade de conhecer tudo, de parar em todo e qualquer cantinho, de trazer no bolso aquela (viva)cidade. Apaixonei-me por Madrid. Por cada dia em que percorri quilómetros e quilómetros. A pé, de autocarro, de metro, de táxi, de comboio… Pela arquitectura que nos deixa de nariz levantado e boca aberta, a olhar os majestosos edifícios, pelas lojas da Calle de Preciados, pelo reclamo luminoso na Puerta del Sol, pela lindíssima Puerta de Alcalá, pela Plaza Castilla, pelas más memórias de Atocha, pela beleza do edifício que alberga o Ministério da Agricultura, pela famosa estátua de «El Oso y el madroño», símbolo da cidade, que tanto procurei… e que encontrei logo na primeira noite. Madrid é espectacular, acreditem!

António Lobo Antunes vaticinou, num dos seus mais recentes livros, que haveria de amar uma pedra. Antes Fernando Pessoa quis guardar todas as pedras e construir um castelo. Eu amei todas as pedras de Madrid. Quero voltar, construir por lá o meu castelo. Madrid me encanta! Como ouvi da boca de uma espanhola, “Madrid que la parió”! No bom sentido, claro!