quarta-feira, 30 de abril de 2014

Parece tão fácil de entender, não parece? E no entanto...


Talvez tenha sido ingénua, ou talvez tenha vivido sempre no meio de gente esclarecida que sabe que não é o tom de pele que define o valor das pessoas. Sei que a sociedade contemporânea é má. Que ostraciza os que são diferentes: os negros, os gordos, os deficientes, os que trazem no corpo ou na mente uma qualquer diferença que se revela estupidamente impactante nos outros. 

Não sei se as pessoas não gostam de gordos por terem medo de um dia se transformarem num. Poderá ser isso. Não sei se muitas pessoas se afastam dos portadores de deficiência por acharem que não sabem lidar com eles. Também poderá ser. Não sei se escarnecem dos homossexuais por acharem que podem ser contagiados. Não sei. Não sei se ostracizam os cidadãos de outras etnias por considerarem que eles são menores, inferiores em alguma coisa. Desconheço. 
Há uma coisa que sei: a aversão que tanta gente tem pelos negros, pelos homossexuais, pelos gordos, pelos deficientes e por tantos e tantos outros actores da diferenciação social do mundo actual têm origem nessas próprias pessoas. Nasce nos seus medos, nas suas patéticas convicções, na sua falta de inteligência para se darem conta de que na diversidade é que está a riqueza do mundo, e que as pessoas diferentes, por serem diferentes, não constituem qualquer perigo ou ameaça.
O problema dos negros, dos gordos, dos deficientes, dos homossexuais... não está neles. Está somente na cabeça dos que têm medo deles, dos que os rejeitam como aberrações. A aberração, meus caros, são vocês. É a vossa cabeça! É a incapacidade de se sentirem bem sem fazerem outros sentir-se mal. É o medo que vive dentro de vós. Que vos importa se o vizinho do lado é gay?! Em que é que vos afecta o facto de se sentarem ao lado de um negro no autocarro?! Em que é que vos diminui a circunstância de terem um amigo gordo ou deficiente, afinal?!
A resposta para todas estas perguntas é uma e só uma: nada! Nada nestas pessoas vos afecta directamente. Nada no contacto com elas vos diminui, antes pelo contrário! Nada nelas é contagioso ou ameaçador para vós, pelo contrário também. A diferença é riqueza, é cultura, é ensinamento ampliado sobre o mundo. E se há coisa de que o mundo de hoje precisa é de aprender a ser diverso, a ser rico, a ser respeitador. Não falo em tolerância, porque é errado dizer-se que devemos ser tolerantes para com a diferença. Estupidez. Não é de tolerância que se trata. Devemos ser respeitadores do que é diferente e do que é igual a nós. Da mesma maneira, na mesma medida. Porque com todas as diferenças que temos, somos na verdade todos iguais em direitos e em deveres. Parece fácil de entender, não parece? E no entanto...

Moldura penal adia “barriga de aluguer"

O grupo de trabalho que estuda uma proposta de lei que regule a maternidade de substituição – “barriga de aluguer” – não aprovou o documento que será submetido à Comissão Parlamentar de Saúde e, mais tarde, à Assembleia da República.

Em causa estão dúvidas quanto à moldura penal a aplicar em situações de não cumprimento da nova lei. Segundo o deputado social-democrata Nuno Reis, que faz parte do grupo de trabalho, as dúvidas foram levantadas pelo Partido Socialista: "O documento não foi aprovado porque este é um projecto conjunto e estamos em consonância". 
As dúvidas referem-se às sansões a aplicar em caso de violação dos contratos entre o casal que não consegue ter filhos e a mulher gestante, além das situações ilícitas. O grupo de trabalho aprovou o pedido de um estudo de direito comparado com a realidade inglesa. Antes, já o grupo de trabalho tinha solicitado um parecer ao Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida, para apurar as circunstâncias da maternidade de substituição. O juiz desembargador Eurico Reis, que preside ao Conselho, afirmou ao CM que o parecer "permite ao casal escolher a mulher gestante, que pode ser fora da família".

Cristina Serra
«Correio da Manhã»

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Quando o sonho de sempre de ser mãe se desmorona…

O Parlamento poderá debater em breve a legalização das “barrigas de aluguer” em Portugal. Em condições específicas, ainda a acertar, poderá ser possível a mulheres sem útero viável a opção pela chamada “maternidade de substituição”. O Conselho de Procriação Medicamente Assistida aprova a medida, desde que não haja lugar a qualquer tipo de remuneração da gestante e que não se utilize material genético de outra mulher que não a futura mãe. Sobre este assunto, o Mente Despenteada partilha aqui o testemunho de uma mulher que poderá beneficiar da nova lei. Um testemunho que poderá lançar alguma luz para o debate que se adivinha aceso…


Durante anos sonhei ser mãe. Acho que desde sempre. Se não desde que nasci, pelo menos desde que tomei consciência de mim. De que era menina, de que seria mulher, e provavelmente mãe. Sonhei ter muitos filhos. Dizia a toda a gente que haveria de ter uma equipa de futebol. Mais tarde reduzi para oito esse sonho, e mais tarde ainda percebi que talvez me ficasse por um ou dois, com sorte três, como teve a minha mãe. Dei-lhes nomes, cores dos olhos, caracóis aos cabelos que adivinhava serem loirinhos. Imaginei-me de mil maneiras a dar ao futuro pai a notícia de que iria sê-lo. Mas nem o futuro pai foi sempre o mesmo. Houve dois, tantos quantos os companheiros que tive na minha vida afectiva adulta. Pelo meio, aos meus 22 anos, houve até um susto: um teste de farmácia que deu positivo. Era um falso positivo, e saber disso trouxe-me naquela altura um alívio que hoje talvez lamente.
Hoje sei que nunca serei mãe. Biológica, pelo menos. Há pouco mais de um ano perdi o útero no bloco operatório. Teve de ser. Aos 36 anos vi sepultado, sem apelo nem agravo, o meu sonho de ser mãe. De ter a tal equipa de futebol a correr pela casa, o repensado anseio de ter oito filhos, ou mesmo o mais modesto anseio de ter dois ou três. Um filho que fosse. Hoje sei que não terei nenhum, pelo menos que seja gerado dentro de mim e nascido de mim. Tal como eu, o futuro “pai dos meus filhos” foi também privado desse sonho que era dele como era meu. Pelo menos comigo… Somos dois, e seremos para sempre dois. Sempre acalentei o desejo de ser mãe, e tive sempre uma espécie de magia que atrai para junto de mim os mais pequenos. Eles abeiram-se de mim, fazem-me perguntas, sentam-se ao meu colo, perguntam por mim quando não estou ali ao pé. Eles gostam de mim. E eu gosto deles. Deles e delas. De todos. Mas sei que eles serão sempre eles, os filhos dos amigos e conhecidos. Deles, nunca meus.
Ao longo dos meses em que fui tomando maior noção desta realidade que é minha, e que via e sentia como sendo apenas minha, de que fatalmente perderia a capacidade de ser mãe, já de si muito diminuída por um corpo pouco colaborante, que se deixava adoecer e que me fazia sofrer física e psicologicamente, conheci outros casos de mulheres com o mesmo problema. Mulheres que lutavam pela concretização do seu sonho de serem mães, casais que se submetiam a vários tratamentos de infertilidade, alguns com sucesso, outros, talvez a maioria, com dificuldade, com problemas, com abortos sucessivos que lhes roubavam a alegria do primeiro diagnóstico. Havia também mulheres grávidas. Geralmente mais novas, muito mais novas do que eu e do que essas mulheres em dificuldades. Mulheres quase adolescentes ainda, que às vezes por mero descuido ou distracção engravidavam.
Convenci-me, e continuo convencida, de que normalmente a gravidez é tanto mais fácil quanto mais jovem é a mulher. Sem vícios anticoncepcionais de anos e anos, sem adiamentos em favor dos estudos, da profissão, do surgimento das condições ideais para ter um filho, cada vez mais impossíveis de alcançar, elas simplesmente engravidavam. Sem pressão, sem stress, sem sequer terem pensado muito nisso. Engravidavam e pronto. Tudo corria bem, porque eram mulheres jovens e saudáveis, e nove meses depois eram mães e mulheres felizes ao lado dos seus bebés e dos companheiros com quem os tinham gerado. Outras eram mães solteiras, e são, mas felizes por terem tomado nos braços aquele que será para sempre o amor maior das suas vidas. Valeu a pena “estragarem” as suas vidas com uma gravidez precoce? Valeu. De certeza.

Intuição negativa…
Às vezes penso que também eu poderia ter tido filhos. Aos 20, aos 25, aos 30. Talvez tenha tido oportunidade para isso se, ao contrário do que penso, já não fosse estéril nesse tempo. Muita gente sorria e dizia “não penses nisso” sempre que eu dizia sentir que nunca seria mãe. Parece que estava certa. Parece que a minha intuição é realmente tão forte como eu sempre pensei que fosse. Nunca serei mãe. São estas palavras que, como martelos, esburacam todos os meus fios de pensamento… Mas hoje as famílias são muito diferentes do que eram nos meus tempos de infância, em que pensava vir a ter resmas de crianças a correr à minha volta! Em Portugal as pessoas casam-se cada vez menos, divorciam-se mais e têm cada vez menos filhos. O país está a envelhecer impiedosamente. E se antes era relativamente comum ver-se grávidas com 35 ou 40 anos, hoje são cada vez menos as que engravidam nessa altura da vida. Na verdade, ainda antes dessas idades, são cada vez mais as mulheres que sentem dificuldade em engravidar e que por essa razão procuram apoio médico.
Eu fui uma dessas mulheres, e logo por volta dos meus 30 anos. Não porque quisesse engravidar (as circunstâncias da vida nunca o permitiram, apesar da imensa vontade de ser mãe desde que me lembro de ser gente), mas por sucessivos problemas de saúde que me impeliram a desconfiar, com razão, de que algo não estava bem comigo e de que dificilmente conseguiria concretizar o sonho de ser mamã. Há quem acredite que não sendo mãe uma mulher é apenas meia mulher. Incompleta. Imperfeita. Esse foi o meu maior receio quando soube que seria alvo de uma histerectomia total. A remoção do útero, um pedaço de mim que deveria ter acolhido o meu amor maior mas que, em vez disso, se deixou avariar e apodrecer, doeu-me como se fosse um dente arrancado a frio, com requintes de malvadez. Teve de ser, e reconheço que foi melhor assim. Melhor para mim, para a minha saúde. Mas… e para os meus filhos que nunca chegarei a conhecer? E para o homem que comigo sonhou ajudar a povoar a terra?
A esterilidade traz insegurança. Traz dúvidas. Traz medo. Traz desalento e tristeza. Nos dias que se seguiram à cirurgia senti-me incrivelmente frágil, incomensuravelmente sozinha, apesar dos muitos olhares atentos, sorrisos carinhosos, palavras doces e gestos de ajuda que recebi. Soube que tinha imensa gente ao meu lado, mas talvez nenhuma imaginasse aquilo que me percorria o pensamento: “nunca” é uma palavra medonha. É como uma espada que nos corta a vida a meio, que nos ceifa o pensamento e a capacidade de agir normalmente. Sempre que vejo uma criança pequena dou comigo a pensar que nunca terei uma minha. Sempre que um bebé sorri na minha direcção sinto um raio de sol a brilhar sobre mim, como se aquele sorriso me dissesse “não sou teu filho mas poderia ser, e seria certamente muito feliz por isso”. 
Penso em adoptar. No futuro, quem sabe? Será que consigo? Será que o Estado me reconhece o direito de traduzir em realidade o meu maior sonho de sempre? Sei que amarei os meus filhos adoptivos como se os tivéssemos gerado, eu e a pessoa que amo, no meu ventre. Mas, e eles? Serão capazes de me amar incondicionalmente, sem reservas e sem receios? É por esta razão que vejo com bons olhos a abertura do Parlamento para debater a legalização das barrigas de aluguer em Portugal. Porque não tenho útero, mas ainda tenho ovários. Porque tenho em mim um sonho. Porque antes mesmo de pensar que isso poderia ser legal em Portugal dei por mim a pensar em fazê-lo. Porque seria a solução para muitas mulheres como eu e muitos casais como nós. Porque eu mereço. Porque a pessoa que está comigo merece, muito, ser pai. Seria um pai maravilhoso, tenho a certeza. Tenho enorme expectativa para ver no que dá este debate. Será sempre um acto de coragem acrescida ver um filho ser gerado num corpo que não o nosso. Será em certa medida estranho não poder sentir o primeiro pontapé, todas as coisas que nos dizem que uma grávida sente. Mas valerá a pena, certamente. Oxalá a decisão pondere a necessidade de tantas mulheres como eu, e oxalá venha a tempo de lhes permitir a imensa felicidade de um dia ouvirem alguém chamar-lhes mãe… 

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Paraíso, Purgatório e Inferno nos relacionamentos amorosos


Um estudo concluído em 2013 pela brasileira Nívia Lanznaster Kuhn estabelece a existência de três fases nos relacionamentos amorosos, tendo em conta a percepção da individualidade dos envolvidos e a sua visão de conjunto em cada um desses momentos. Recorrendo ao trinómio de Dante (Paraíso/Purgatório/Inferno), o estudo defende que no namoro o “nós” prevalece sobre o “eu”, mas à medida que a relação evolui cada um dos elementos tenta resgatar o seu espaço individual, empurrando a união para a sua fase decisiva. O que não é necessariamente mau…

“Desde este encontro, não pertence mais a si mesmo. Está inteiramente possuído, assombrado por Béatrice. Aliás, ele odeia qualquer acto de pertencer que possa afastá-lo por um tempo da dominação diabólica da sua louca paixão. Ele só quer existir para Béatrice, nela, por ela, ser absorvido a todo o instante pelo seu olhar, pela sua voz, pelo seu corpo. Ele exige dela, em troca, que sacrifique tudo por ele. Tudo, e isso não é suficiente”. Roland Gori, «A lógica das paixões»

A citação acima demonstra, talvez com algum exagero, a percepção da individualidade comum na fase inicial de qualquer relacionamento amoroso: no namoro, que este estudo define como a fase de Paraíso, os amantes entregam-se totalmente um ao outro, confundindo a fronteira do subjectivo com a da pessoa amada. O “eu” é claramente substituído pelo “nós”, e por algum tempo essa é a visão que os dois envolvidos têm de uma união feliz e perfeita. Há como que uma altruística auto-diluição, em favor da construção do edifício do amor em que duas pessoas vivem como sendo uma só.

Ao fim de algum tempo, variável de caso para caso, o “eu” que tinha ficado esquecido começa a sentir-se ameaçado, ressentido. Quer reganhar o seu espaço, ser novamente dono de si, dotado de voz activa e da individualidade sacrificada em prol do conjunto. Tem então início a fase de Purgatório, cuja marca essencial é essa busca da diferenciação entre o “eu” e o objecto amado. Surge o desejo de privacidade, de um espaço individual em que cada um dos elementos do casal possa ser ele mesmo, e não apenas uma parte de um binómio. “Há a vontade de ver os amigos sem que o parceiro esteja sempre presente, de ir a eventos, jogos, enfim… tudo o que se faz de forma individual, sem que o parceiro esteja constantemente envolvido”. Nesta fase, embora os amantes ainda se amem, cada um deles “aflora o desejo de estar por vezes sozinho, para assim poder aproveitar a sua individualidade”.

A transposição da fase de Paraíso para a de Purgatório poderá não ser dialógica, ou seja, um dos parceiros poderá estar ainda na primeira, enquanto o outro se encontra já na segunda, e é por isso que este é o momento em que mais facilmente deflagra o conflito no seio do casal e até no íntimo de casa um dos elementos, pois há uma luta permanente entre o “eu” e o “nós”, entre a afirmação da individualidade e o triunfo da relação a dois. Segundo este estudo, o equilíbrio dessas batalhas será estabelecido de acordo com a dinâmica de cada relação, tendo em conta a maturidade dos envolvidos e outras variáveis externas.

A busca da liberdade, ao mesmo tempo que se tenta preservar a relação, pode levar a diversos conflitos e ao sofrimento das partes, e é então que surgem os “altos e baixos” que fazem parte de qualquer relacionamento. Os “altos” são os momentos em que os amantes tentam reviver o Paraíso, enquanto os “baixos” surgem nas alturas em que o “eu” quer emergir novamente. À luz deste estudo, esta é a fase em que será necessário maior esforço para conjugar as demandas da individualidade com as do relacionamento, e serão as ferramentas utilizadas para esse efeito a determinar o resultado desse esforço.

Citando Aldo Caratenuto, que no seu «Amar Trair», uma quase apologia da traição, afirma que existe uma necessidade de liberdade, de independência e de plenitude subjectiva que poderá mesmo levar o indivíduo a desejar trair o seu parceiro, Nívia Lanznaster Kuhn considera que será a fase de Purgatório a mais propícia a que essa traição ocorra. E é efectivamente esta fase a que determina o rumo que a relação tomará, já que o ressurgimento da consciência individual terá sempre um efeito salutar, que poderá ser benéfico (ou não) para a vida a dois. Se o casal resiste à turbulência do Purgatório mas não tomou o esperado caminho do equilíbrio, a relação “tende a ir cada vez mais para baixo, literalmente para o Inferno”.

Nesta última fase tenta-se de tudo: das promessas de mudança de comportamentos às sessões de terapia de casal, passando pelo desabafo e aconselhamento com os amigos, pelas idas ao psiquiatra ou pelo apelo à religião e à espiritualidade”. É então que se define a continuidade ou a interrupção do relacionamento, desfecho ditado por incontáveis factores, entre os quais estão obviamente as condições individuais, relacionais, sociais e culturais dos envolvidos. É nesta fase que a noção de amor se torna divergente e que muitos casais consideram ter lugar a verdadeira prova de fogo do relacionamento: alguns casais não resistem ao Inferno e separam-se; outros “dão um tempo”; outros tentam reviver a fase de Paraíso, muitas vezes enganando-se quanto à possibilidade de sucesso dessa opção. É neste momento que uns casais se arranjam e outros se desarranjam definitivamente…

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Biblioteca Municipal de Faro assinala hoje o seu 13º aniversário


A Biblioteca Municipal de Faro António Ramos Rosa, criada a 23 de Abril de 2001, assinala hoje o seu 13º aniversário com um calendário especial de eventos que arranca pelas 10 horas, com uma iniciativa de leitura destinada aos mais novos, e se prolonga até às 21h30, altura em que tem início um concerto comemorativo. À tarde haverá ainda lugar a uma mostra documental sobre a Censura no Estado Novo. Todos os momentos desta celebração têm entrada livre.

Visando a satisfação das necessidades de informação, cultura, momentos de lazer e educação da comunidade local, a Biblioteca Municipal de Faro nasceu há precisamente 13 anos. Ao longo desse tempo assumiu como sua missão a promoção de hábitos de leitura e a prestação de um conjunto de serviços gratuitos, oferecidos aos munícipes em condições de igualdade de acesso. Em dia de aniversário, a instituição propõe hoje aos cidadãos de Faro um programa especial de actividades, que arrancam pelas 10 horas, com a iniciativa «Histórias em Movimento». Trata-se de uma parceria com o Atelier do Movimento e conta com a participação especial do Centro Infantil O Despertar para proporcionar aos mais jovens diversos momentos de acção conduzidos pela leitura.
Outro ponto alto deste programa está marcado para as 15h30, altura em que serão cantados os Parabéns e sopradas as velas, num momento que não poderia faltar a uma festa de aniversário e que tem o apoio da Pastelaria Cinderela e do Bar da Biblioteca. A animação prossegue depois, pelas 21 horas, com a sessão de inauguração da Mostra Documental «Lápis Azul», que estará patente até ao próximo dia 2 de Maio e que, segundo informações avançadas no site da Câmara Municipal de Faro, faz “uma alusão ao método de censura utilizado durante o Estado Novo” em Portugal para “dar a conhecer o fundo documental existente no Arquivo Histórico Municipal”, do qual constam vários “documentos que testemunham a falta de liberdade de expressão que se viveu neste período, nomeadamente nos jornais regionais e noutras publicações”.
A quem pretender visitar esta exposição mas não puder estar presente nesta sessão inaugural, restará a possibilidade de visitar a Biblioteca Municipal num dos próximos dias, no seu normal horário de funcionamento (às segundas-feiras e aos sábados entre as 14 e as 19h30 e de terça a sexta entre as 9h30 e as 19h30). Quanto à festa de hoje, e para fechar com chave de ouro, terá lugar, a partir das 21h30, o concerto Feel Good Band, pela Associação Filarmónica de Faro. Será, com toda a certeza, um momento musical muito agradável.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Estágios estão na moda, mas não garantem emprego!


Os estágios estão na moda. Os curriculares, obviamente, fazem sentido e ainda bem que existem. Também os estágios profissionais são de louvar, quando são isso mesmo. O problema é que hoje em dia muitos dos estágios que vemos prometidos nos sites de emprego e nas páginas dos jornais não são efectivamente estágios para um emprego, mas antes manobras para ocupar alguns desempregados, iludir as estatísticas e convencer o país de que o Estado está a fazer alguma coisa por nós. Carne tenra é sempre mais fácil de mastigar, mas burro velho, às vezes, também aprende línguas...

Qualquer desempregado português sabe, infelizmente, a quantidade de ofertas de estágios profissionais com que se depara no seu quotidiano de procura de uma colocação profissional, e quanto mais tempo tem de desemprego, mais facilmente se apercebe da marosca: a verdade é que os chamados "Estágios Profissionais do Instituto do Emprego e da Formação Profissional" (designação entretanto substituída pela mais apelativa "Estágios Emprego", que na prática é mais do mesmo, mas com outro nome) são apenas manobras para nos darem a ilusão de que está a ser criado emprego em Portugal, quando efectivamente isso não acontece. As regras são claras e excluem, logo à partida, um número enorme de candidatos, entre os quais me encontro. Do alto dos meus 37 anos, que tantos julgam ser a flor da idade, o momento da vida em que tudo é possível e fantástico, esbarro frequentemente nesses estágios, e isso começa mesmo a irritar-me.

Se antes já era comum a preferência de muitos empregadores por esta prática de recrutamento, agora que a crise virou moda e presença constante em todos os discursos fica ainda mais notória! No actual cenário, em que o desemprego é crescente em todas as idades e em quase todas as profissões, fica sempre bem aos governos a criação de "medidas de incentivo ao emprego", que na verdade servem a muito poucos cidadãos mas agradam bastante às empresas, que dessa forma podem "contratar" - por períodos de 12 meses, não prorrogáveis - profissionais qualificados, com o Estado a pagar 80 a 100 por cento dos seus vencimentos. É bom, claro! Assim, diz o IEFP, "mesmo numa fase marcada por incerteza e pressão para reduzir despesas, torna-se possível continuar a contratar e contar com os recursos necessários para poder crescer". Tudo certo para as empresas, portanto.

Mas... e os candidatos? Para esses o caso muda de figura. E como muda! A estas "medidas de incentivo do emprego" podem candidatar-se pessoas desempregadas que se encontrem inscritas nos centros de emprego (até aqui tudo bem, obviamente), mas depois é que a porca torce o rabo. É que esses desempregados têm de estar numa das seguintes situações:

1. Terem entre 18 e 30 anos de idade e uma qualificação de nível 2, 3, 4, 5, 6, 7 ou 8 no Quadro Nacional de Qualificações (admito a minha ignorância nesta matéria e espero que isto sirva a muita gente jovem, ainda que o desemprego seja hoje aflitivo para muito mais gente, bem mais velha);

2. Tendo mais de 30 anos de idade, os candidatos a estágio terão de ter obtido há menos de três anos uma qualificação de nível 2 ou superior e estar então à procura de emprego (como se fosse fácil comprovar que se está à procura de emprego), não podendo ter quaisquer registos de remunerações na Segurança Social nos 12 meses anteriores à entrega da candidatura (ou seja: quem estiver desempregado há menos de um ano esqueça lá a ideia de se candidatar a um estágio, o que pode pôr em risco as candidaturas de alguns dos que cumprem o requisito de terem terminado os seus estudos ou qualificações há menos de três anos, pois se tiverem de esperar mais um para se candidatarem...

3. Serem portadores de alguma deficiência ou incapacidade;

4. Integrarem uma família monoparental ou cujos cônjuges ou pessoas com quem vivam em união de facto se encontrem igualmente desempregados e inscritos nos serviços de emprego;

5. Serem vítimas de violência doméstica.

Não cumprindo nenhum dos requisitos para poder candidatar-me a um estágio profissional, parece-me que vou ter de me queixar de violência doméstica, mesmo que cá em casa essa seja uma realidade muito, muito distante. Talvez assim consiga uma colocação, por um ano, numa qualquer empresa aqui da zona, pois tudo o que está a recrutar parece escolher esse caminho, o que até compreendo. Para os candidatos com alguma qualificação o "salário" até nem é dos piores, como podem ser aqui, mas chato mesmo é que isto não seja de facto um emprego, mas antes uma maneira de iludir os números oficiais de desemprego, pretendendo mostrar que o número de pessoas sem colocação está a descer, quando na verdade elas apenas vão rodando nas pautas de estágio disponíveis. Serei a única a pensar que este esquema, podendo ser útil às empresas (contra isso nada!), não ajuda de facto nenhum desempregado?

sábado, 19 de abril de 2014

Velejador paraplégico promove vela adaptada no Algarve


João Pinto vai velejar as 90 milhas entre Lagos e Vila Real de Santo António com paragens nos portos de Portimão, Albufeira, Vilamoura, Faro e Tavira.

O velejador paraplégico João Pinto vai percorrer a costa algarvia a bordo de uma embarcação à vela, entre hoje e domingo, para promover a prática da vela adaptada a pessoas portadoras de deficiências, adianta o «Correio da Manhã». "É um desafio que quero concretizar para sensibilizar e promover a vela adaptada a pessoas com deficiências", disse João Pinto, velejador algarvio que há dois anos ficou paraplégico devido a uma lesão medular, durante a apresentação da iniciativa em Lagos, no Algarve. A bordo de uma embarcação de vela adaptada ao seu grau de deficiência, o velejador algarvio prevê cumprir, durante os três dias, as cerca de 90 milhas do percurso entre Lagos e Vila Real de Santo António, com paragens nos portos de Portimão, Albufeira, Vilamoura, Faro e Tavira.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Faro acolhe 1º Encontro de Canoagem da Ria Formosa


Realiza-se no próximo dia 26, entre as 9h30 e as 17 horas, no Centro Náutico da Praia de Faro, o 1º Encontro de Canoagem da Ria Formosa, numa iniciativa conjunta da Câmara Municipal de Faro, da Universidade do Algarve, da Associação Regional de Canoagem do Algarve e do Clube Sport Faro e Benfica, a ter lugar num local paradisíaco que foi recentemente integrou a lista das sete maravilhas naturais de Portugal.

A prova está aberta a todos os interessados, tendo a inscrição um preço simbólico, que oscila entre os cinco e os 10 euros. Os participantes nesta iniciativa terão de escolher uma de três vertentes:

- A Prova de Maratona, que integra o Campeonato Regional de Canoagem, e é aberta a atletas do Algarve e de outras regiões de Portugal e de Espanha;

- O Passeio de Canoagem, que adopta o formato de Turismo Náutico e que visa proporcionar um dia de lazer activo e de contacto com a natureza e com a enorme beleza do Parque Natural da Ria Formosa, em que poderão participar todos os cidadãos interessados, desde que com mais de 10 anos de idade, independentemente do seu grau de experiência;

- A Prova Kids Náutico, aberta a crianças com mais de três anos. Nesta vertente proceder-se-á à iniciação náutica dos mais pequenos, havendo também espaços de animação para as famílias.

À margem do evento terá lugar uma festa-convívio, com almoço para todos os participantes, e uma Feira Náutica. Para mais informações, os interessados deverão contactar a organização do encontro, através dos números de telefone 289 870 989 e 289 870 056. 

TABELA DE PREÇOS

- Inscrição: 5€ por pessoa
- Inscrição + caiaque: 7,50€ por pessoa (primeiras 70 inscrições)
- Inscrição + caiaque: 10€ por pessoa (após as 70 inscrições)
- Almoço: 6,50€ por pessoa

Os interessados deverão efectuar o pagamento do valor da inscrição mediante transferência bancária para a conta do Sport Faro e Benfica (NIB: 0018 0003 3680 4623 0205 8 do Banco Santander Totta), confirmando a sua participação com o envio do comprovativo de pagamento para o e-mail centronauticofaro@cm-faro.pt. Nesta mensagem deverá constar o nome de todos os participantes inscritos.

Biblioteca de Faro adere ao projecto «Voluntários da Leitura»


Irá decorrer, no próximo dia 28 de Abril, pelas 17h00, na Biblioteca Municipal de Faro, uma sessão de apresentação do projecto «Voluntários da Leitura», com presença de Isabel Alçada, coordenadora-geral desta iniciativa. Promovido pelo Centro de Investigação para Tecnologias Interativas da Universidade Nova de Lisboa em parceria com a Associação para o Voluntariado da Leitura, o «Voluntários da Leitura», a que o Município de Faro aderiu através da sua Biblioteca, destina-se a potenciar o desenvolvimento de uma rede nacional de voluntariado na área da promoção da leitura, através de uma plataforma digital que estimule a adesão de voluntários e funcione como instrumento congregador de iniciativas de escolas, bibliotecas e outras organizações.
Um dos objetivos principais do projecto é o de sensibilizar a sociedade civil para o valor social do voluntariado de leitura, como forma de se atingir um maior desenvolvimento da literacia e do gosto pela leitura. Na Biblioteca Municipal de Faro já colaboram activamente dois voluntários, que realizam atividades no âmbito da «Leitura a Par» e ações destinadas às famílias, esperando-se, no entanto, que no futuro venha a acolher mais voluntários.

1.ª Feira do Queijo e do Vinho de Faro

A AmbiFaro – Agência para o Desenvolvimento Económico de Faro, EM vai realizar de 24 a 27 de Abril a 1ª Feira do Queijo e do Vinho de Faro, que decorrerá, no Jardim Manuel Bívar. Este certame vai trazer a Faro um sector ainda desconhecido por muitos, permitindo que os seus visitantes aprofundem os seus conhecimentos num sector estratégico para a economia do nosso país e que precisa de ser valorizado e promovido, reforçando a coesão territorial e a importância dos produtos endógenos na economia e na identidade portuguesa.

Para além de queijos e vinhos, esta Feira, que pretende também criar novas dinâmicas e novos elementos atractivos na cidade de Faro, irá contar com a exposição e venda de vários produtos de produção artesanal regional tais como doces, mel, licores e enchidos, a que se juntará uma tenda de gastronomia com tasquinhas. Esta iniciativa é de entrada livre e o público presente poderá também contar com algumas provas de queijo e vinho.

Adolescente romena resgatou 150 cães de rua em sete meses


É uma heroína dos tempos modernos! Ana Maria Ciulcu, uma adolescente romena de apenas 13 anos, tem trabalhado de forma incansável para resgatar das ruas de Bucareste dezenas de cães abandonados, e usa o Facebook para encontrar quem queira adoptá-los. Em apenas sete meses, esta jovem salvou a vida a cerca de 150 animais que de outro modo teriam sido abatidos ou viveriam tempos difíceis nas ruas, entregues à fome e à indiferença humana.

Ana Maria criou um pequeno abrigo no seu quintal, e é nesse espaço que acolhe os animais que vai encontrando, até que haja alguém interessado em ficar com eles. Nesse intervalo, a menina refere-se a todos eles como os seus cães, e apenas pede a quem quiser adoptá-los que o faça de forma plena, abnegada, que lhes dê carinho e os trate como membros da família: “Gosto de saber que os meus cães vão ser mimados e que poderão andar dentro de casa e sentar-se com a família no sofá”. Assim, acrescenta, “a primeira pergunta que faço às pessoas interessadas em adoptar qualquer um deles é se pretendem acorrentá-los”.
A consciência e amizade desta adolescente para com os animais de rua encontra eco na família, que paga todas as despesas inerentes à microchipagem e à administração de todas as vacinas necessárias para os animais (200 dólares, cerca de 145 euros por cada cão), uma vez que todos são entregues aos adoptantes com boletins de saúde actualizados. Às novas famílias Ana Maria pede apenas que suportem as despesas com as taxas de adopção e o transporte para as novas casas. Fluente em alemão, a menina tem encontrado novos donos para os seus cães em países como a Alemanha, a Áustria e a Bélgica, e só lamenta que no seu país a maior parte das pessoas apenas esteja interessada em adoptar cães de raça pura, ignorando estes “rafeiros”.
Tal como acontece em Portugal, muitos dos canis estatais da Roménia são de abate, o que faz com que Ana Maria não veja aquelas instituições com bons olhos. “São planos de extermínio, não uma verdadeira solução” para o grande número de animais abandonados e negligenciados que vagueiam pelas ruas, esclarece. Com o sonho de vir a ser médica, esta jovem revela para já uma enorme consciência e preocupação com o futuro dos animais, e tenta ajudar todos aqueles que vai encontrando nas ruas da sua cidade. Sem dúvida um exemplo de dignidade e de garra que merece o nosso respeito e o nosso aplauso.


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Romaria a Nossa Senhora dos Remédios em Vila Nova de Anços


A Freguesia de Vila Nova de Anços, no Concelho de Soure, Distrito de Coimbra, estará em festa no próximo fim-de-semana, com a realização da sua tradicional Romaria a Nossa Senhora dos Remédios, que ocorre anualmente por alturas da Páscoa. O cartaz comemorativo arranca no próprio domingo pascal, mas conhece o seu ponto mais alto durante a tarde de segunda-feira, com a celebração religiosa e muita animação musical. A organização do evento coube desta vez à Sociedade Filarmónica Vilanovense, que assim pretende angariar apoios para dar continuidade à obra de construção da sua nova sede.
Do cartaz deste evento constam, no dia 20, pelas 11 horas, uma Arruada pelos Gaiteiros, e às 14h40, na Casa do Povo de Vila Nova de Anços, a habitual cerimónia do Enterro do Judas. No dia seguinte, pelas 10 horas, será também a Arruada pelos Gaiteiros a abrir as celebrações, mas as iniciativas mais marcantes estão reservadas para a tarde: a recepção à Filarmónica Vilanovense, pelas 15 horas; a celebração religiosa, que tem início 15 minutos depois; a actuação em palco da colectividade responsável pela organização da festa, às 16 horas; e, a fechar, a subida ao palco do Grupo Infantil dos Pauliteiros de Vila Nova de Anços, prevista para as 16h30. No recinto da festa estará disponível um serviço de bar e petiscos.
A Sociedade Filarmónica Recreativa e Beneficente Vilanovense foi fundada no dia 10 de Março de 1878, quando tocou a sua primeira marcha na praça onde se encontra o pelourinho, símbolo heráldico de Vila Nova de Anços. Desde essa data, a colectividade mantém a sua actividade de forma ininterrupta, visando sempre o objectivo primeiro de divulgar a música e a cultura local. A sua fundação surgiu no âmbito da actividade teatral, uma vez que tentou dar resposta àquela que era uma necessidade da altura: fazer o acompanhamento musical das operetas que eram levadas à cena naquela zona do país.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Inspecção encontra portugueses explorados na Bélgica

Os serviços da inspecção do trabalho belgas encontraram 15 trabalhadores da construção civil portugueses a trabalhar num estaleiro de obras perto da estação norte de Bruxelas por cerca de 3,40 euros à hora. O valor mínimo legal por uma hora de trabalho na Bélgica é 14,23 euros, e o grupo de trabalhadores já teria dado conta daquele incumprimento às autoridades portuguesas.

No âmbito de um encontro de trabalho que na semana passada reuniu em Bruxelas inspectores do trabalho de vários países europeus (Letónia, Lituânia, Holanda, Polónia e Portugal) e que teve como objectivos a troca de experiências sobre os métodos de trabalho aplicados em cada um daqueles estados, os especialistas estrangeiros foram convidados a acompanhar os colegas belgas numa operação em que acabaram por detectar diversos casos de incumprimento da legislação laboral local.

As autoridades belgas vão agora calcular o montante das sobretaxas que a empresa responsável por aqueles trabalhadores terá de pagar até que seja atingido o valor mínimo por uma hora de trabalho naquele país, que é actualmente de 14,23 euros. Monica de Coninck, ministra do trabalho da Bélgica, informou que as autoridades portuguesas vão acompanhar a queixa agora formalizada, e verificarão se os pagamentos a que a entidade empregadora vier a ser condenada serão efectivamente realizados.

Fonte: Expatica

Das modas mais inofensivas aos jogos perigosos na internet…


Primeiro surgiram as selfies. Milhões de pessoas em todo o mundo aderiram à ideia publicaram nas redes sociais auto-retratos nas mais diversas situações, das simplesmente divertidas às mais absurdas. Mas a coisa não ficou por aqui! Como qualquer conceito que “vira” moda, também este foi sendo sucessivamente adaptado: surgiram então as felfies (auto-retratos com animais de estimação), as belfies (fotos ousadas, normalmente em frente ao espelho, que evidenciam determinados atributos físicos dos fotografados), e mais recentemente as after-sex selfies (fotos de casais depois das relações sexuais que são partilhadas no Facebook ou no Instagram). 

Mas há mais: há vídeos virais com as músicas do momento (quem não se lembra dos fenómenos «Harlem Shake» e «Gangnam Style»?) e há coisas como memes, planking, horsemannig, owling, teapotting, condom chalenge e neknominate, por exemplo. Se estas são palavras que não lhe dizem muito, este artigo é para si! Leia e descubra as manias mais ou menos imbecis, e algumas até perigosas, que vêm conquistando adeptos em todo o mundo.

Selfies
Uma selfie é um auto-retrato simples. De câmara ou smartphone na mão, qualquer um de nós pode colocar-se em pose e fotografar-se as vezes que entender até encontrar o “clique perfeito” que quer partilhar com os outros. É uma moda que surgiu há já alguns anos, antes mesmo de ter sido baptizada dessa forma, e que em princípio não encerra grandes riscos para o fotografado;

Felfies
Depois das selfies, também as felfies fizeram enorme sucesso nas redes sociais. São fotografias em que uma pessoa se fotografa na companhia do seu animal de estimação, em pose simples ou de brincadeira, e que suscitam normalmente a ternura de quem as observa;

Belfies
Numa nova adaptação do conceito de selfie, esta é uma tendência que agrada especialmente às jovens e adolescentes do sexo feminino, que se fotografam em poses supostamente sensuais, normalmente em frente a um espelho, e que visam evidenciar atributos físicos das retratadas, em especial o rabo ou a zona do peito;

After-sex selfies
E depois de ousar na evidência dos atributos físicos tidos como mais relevantes, houve quem quisesse avançar no grau de intimidade partilhada na internet, fotografando-se em casal, ainda na cama, depois das relações sexuais. Esta é uma das modas mais recentes nas redes sociais e está a fazer particular furor no Instagram;

Bico-de-pato ou esparguete
Modas transitórias nas redes sociais foram a das “fotos bico-de-pato”, em que os retratados, geralmente do sexo feminino, adoptam uma postura bocal que faz lembrar o bico do animal, ou a das fotos em que a pessoa está simplesmente a comer esparguete…

Memes
Esta moda consiste na junção de imagens e frases que reflectem a expressão facial que fazem as pessoas quando dizem essas frases, ou que evidenciam a ironia de algumas situações;

JOGOS MAIS OU MENOS PERIGOSOS

Condom Chalenge
Esta é uma moda que consiste em introduzir um preservativo pelo nariz e conseguir puxá-lo pela boca. Não será uma ideia muito usada em Portugal, mas um pouco por todo o mundo há muitos jovens a fotografar-se enquanto cumprem este desafio;

Owling
Este será um dos mais inofensivos, e porventura divertidos, jogos em voga nas redes sociais: é o simples registo fotográfico do momento em que alguém imita a pose de um mocho, e se há quem o faça sem grandes requintes, há quem leve mesmo a sério a imitação…

Teapotting
Numa variante igualmente inofensiva (mas também um bocadinho imbecil) do owling, surgiu o teapotting, que consiste, nada mais nada menos, em alguém fotografar-se no momento em que assume, com os braços, a posição de um bule de chá;

Horsemannig
Já um pouco mais trabalhosa é esta tendência, em que duas pessoas se juntam para fazer uma fotografia em que parecem ser apenas um, e decapitado…

Planking
E se no Horsemannig há quem se faça de morto, com o Planking houve mesmo mortes reais a lamentar. É que o jogo consiste em registar imagens de pessoas que se deitam, na posição mais rigidamente horizontal que conseguirem, com o rosto inexpressivo e os braços estendidos ao longo do corpo. O problema é que, querendo inovar e ousar mais, alguns dos fotografados terão ido demasiado longe, colocando-se em lugares perigosos, como varandas, de onde caíram…

Neknominate 
Este é mais um dos jogos mais absurdos e perigosos das redes sociais, mas que tem cativado milhões de jovens em todo o mundo: consiste em alguém beber grandes quantidades de álcool e realizar, ao mesmo tempo, uma qualquer proeza física, terminando a prova com um desafio a um amigo para que faça algo do género nas próximas 24 horas.

Haverá mais tendências deste género, e todos os dias nascem novas manias, mas estas têm sido as preferidas dos utilizadores das redes sociais, que muitas vezes ignoram o risco de algumas, ou que assumem correr esse risco, às vezes com consequências muito negativas. Fenómenos virais que alguns especialistas na área da Psicologia têm criticado, mas que prometem continuar a cativar muita gente por esse mundo fora…

terça-feira, 15 de abril de 2014

Cidades do Mundial de Futebol vão ter inpecção anti-dengue

pixels en vrac/Flickr

As 12 cidades-sedes do Mundial2014, que se realiza no Brasil, receberão uma inspeção anti-dengue “detalhada” antes do evento, informou na segunda-feira à Lusa Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde brasileiro. “As cidades brasileiras já possuem um controlo permanente, com 55 mil agentes, para evitar os criadouros do mosquito transmissor da dengue, mas, no período anterior à Copa, as equipas farão uma inspeção detalhada nas cidades-sedes, incluindo os estádios e o seu entorno”, afirmou Barbosa, por telefone.

A inspeção incluirá também os locais sedes das seleções estrangeiras, como a cidade de Campinas (interior de São Paulo), onde ficará Portugal, segundo o secretário de Vigilância em Saúde. As autoridades de Campinas pediram hoje ajuda ao Governo Federal brasileiro para combater um surto de dengue. De acordo com a Agência Brasil, a cidade registou 3.615 casos da doença neste ano e investiga 3.346 outros casos suspeitos. Jarbas Barbosa afirmou que serão enviados à cidade técnicos do Ministério da Saúde para analisar as ações a ser tomadas.

O secretário de Vigilância em Saúde realçou não acreditar que a dengue será um problema durante o Mundial, já que 90% dos casos da doença ocorrem no Brasil entre janeiro e maio, durante a temporada de calor e chuvas no sudeste brasileiro, clima mais propício para a proliferação da doença. Barbosa afirmou ainda que este ano apresentou uma redução de 77% dos casos de dengue em relação ao ano passado até o momento. Para os turistas que virão ao Brasil para o evento, o secretário de Vigilância em Saúde acrescentou que os hotéis costumam ter orientação constante para evitar criadouros para o mosquito transmissor da dengue.

Fonte: Agência Lusa (via ZAP)

Site agrega informação sobre direitos e deveres dos cidadãos


A idade mínima para casar, o valor a pagar por expropriações ou em que circunstâncias é legal revistar alguém são questões que, a partir de hoje, podem ser esclarecidas num portal chamado “Direitos e Deveres dos Cidadãos”.

O portal é uma criação da Fundação Francisco Manuel dos Santos e tem, para já, 900 perguntas e outras tantas respostas, arrumadas em nove temas e cem assuntos, sobre todas as áreas do direito, feitas por uma equipa coordenada por um juiz. Mariana França Gouveia, administradora da Fundação, explicou à agência Lusa que a página da internet pretende responder de forma simples a questões que todos os dias se colocam às pessoas, acrescentando que uma equipa vai acompanhar o “site” e colocar novas respostas e perguntas, sempre que justifique. A página “é mais um exemplo da ‘marca’ da Fundação, que é a de fornecer informação às pessoas“, no caso, informação jurídica. Respostas a dúvidas “assim, de uma forma tão fácil, penso que não existe” no país, disse.

A responsável pelo projecto explicou que, para aceder à página, não é necessário registo, e salientou a facilidade de buscar os assuntos, que vão do direito civil ao penal, do fiscal ao administrativo. Que valor tem um negócio celebrado por um menor? Pode uma empresa usar a gravidez como justa causa para despedimento? Uma pessoa que, para salvar a vida, causa a morte de outra é punida criminalmente? Quem mora num rés-do-chão pode exigir não pagar condomínio do elevador? É crime entrar no jardim de alguém sem o seu consentimento? As respostas estão na página, que é hoje apresentada publicamente em Lisboa.

Mariana França Gouveia disse que não está prevista qualquer publicidade ao portal e adiantou que, a partir de agora e durante mais de dois meses, a estação televisiva SIC vai transmitir diariamente programas de um minuto com uma dessas perguntas e a respetiva resposta. “Nem todos os cidadãos conhecem bem os seus direitos e deveres. A complexidade do Estado de Direito é tal que faz com que muitos possam ser prejudicados pelo desconhecimento dos seus direitos ou que nem sempre tenham um comportamento adequado e conforme aos seus deveres”, pode ler-se no portal.

A Fundação Francisco Manuel dos Santos lançou também, recentemente, o portal “Conhecer a Crise”, com os principais indicadores relativos à evolução da atividade empresarial em Portugal desde 2007, e o POP — Portal de Opinião Pública, com ensaios e projetos em várias áreas da realidade portuguesa. A Fundação é uma entidade sem fins lucrativos e de utilidade pública que pretende “promover a participação da sociedade civil na reflexão e no debate sobre todas as questões relevantes que digam respeito à comunidade nacional”.

Fonte: Agência Lusa (via ZAP)

Fábrica dos Sentidos promove Feira Vintage em Faro


Diz a sabedoria popular que “velhos são os trapos”, mas mesmo assim é bem possível que o que não passa de um trapo velho para uns possa ser afinal um tesouro para outros! É mais ou menos a pensar nisso que a Associação Fábrica dos Sentidos promove, no dia 27 deste mês, a Feira Vintage de Faro. O certame decorre nas instalações daquela entidade (nas traseiras da Escola Superior de Saúde e da Estação de Caminhos-de-Ferro de Faro). Entre as 15 e as 22 horas os visitantes poderão comprar e vender peças de roupa, livros, discos de vinil, brinquedos e artigos de decoração, e ainda participar em vários workshops e eventos de música e dança.

Inscrições: angelanciaes@hotmail.com
Informações por telefone (919 656 850) ou e-mail (info@fabricadossentidos.org).

Europeias: cada partido poderá gastar até 2,9 milhões de euros

A poucas semanas das eleições europeias deste ano, marcadas para 25 de Maio, há em Portugal 16 partidos ou coligações na corrida. Cada um poderá gastar até 2,9 milhões de euros em actos de campanha eleitoral, mas a verdade é que nos últimos anos têm sido muitas as infracções aos limites impostos pelo Tribunal Constitucional. Os maiores partidos são os mais prevaricadores, mas segundo informações divulgadas nos últimos dias nenhuma formação partidária escapa a essa realidade…

O Tribunal Constitucional fixou em pouco mais de 2,9 milhões de euros o montante a atribuir a cada partido ou coligação no âmbito da campanha para as próximas eleições europeias. O prazo para entrega das listas candidatas terminou ontem, e nos próximos dias deverão ser divulgados pelo TC os números concretos relativos aos orçamentos aprovados para cada formação política, sendo que a lei estipula um limite máximo de 300 salários mínimos mensais por cada candidato apresentado, a que equivale uma soma total de 2.964.960 euros para as listas que incluírem 21 candidatos efectivos e um máximo de oito suplentes.
Os números são claros, e serão mais claros ainda quando forem publicados no site do TC, mas a verdade é que em Portugal há uma longa história de incumprimento destes limites orçamentais, que só no que se refere às campanhas eleitorais realizadas entre 2005 e 2009 levou o Tribunal Constitucional a aplicar coimas de valor global superior a 2,26 milhões de euros. Em causa estão irregularidades nas contas apresentadas pelos diversos partidos políticos, dos maiores aos mais pequenos. PSD (420 mil euros), PS (388 mil) e CDS (344 mil) receberam as contas mais pesadas e, segundo informações avançadas nos últimos dias pelo jornal «Público», houve já partidos que solicitaram o pagamento faseado destas coimas.
O jornal fez as contas, tendo por base a consulta de vários acórdãos e outros dados fornecidos pelo Tribunal Constitucional, e concluiu que estas coimas resultam de duas realidades distintas: irregularidades detectadas pela Entidade das Contas e dos Financiamentos Políticos às contas do período compreendido entre 2005 e 2008, cujas penalizações totalizam 1,48 milhões de euros, e a falta de entrega de contas referentes aos anos de 2009, 2010 e 2011, que somam 88.5 euros. A somar a estes dados, o TC considerou haver ainda lugar ao pagamento de coimas de cerca de 700 mil euros relativos às campanhas eleitorais das legislativas de 2005 e de 2009, às europeias de 2009, às autárquicas de 2005, às autárquicas intercalares de 2006, 2007, 2008 e de Lisboa em 2007, e às eleições para as assembleias regionais da Madeira, em 2007, e dos Açores, em 2008.

Eis o mapa do incumprimento e das coimas aplicadas aos partidos:


segunda-feira, 14 de abril de 2014

Bruxas e videntes: "E você, acredita em certas coisas?"


Há uns anos, estava tranquilamente sentada numa esplanada em Madrid, quando uma mulher, vestida de negro e que parecia ter surgido do nada, me agarrou nas mãos para, disse ela, me ler a sina e ver o que o destino me reservava. Agarrou-me de tal maneira que não pude fugir, e nem adiantou dizer-lhe que não estava interessada em saber o meu futuro, que não ia pagar-lhe pelo “serviço” e que não queria que me agarrasse, porque a senhora além da extrema força de mãos parecia sofrer de surdez selectiva…

Disse-me, então, que eu tinha passado por um grande susto (é verdade que tinha estado à beira da morte pouco tempo antes, mas quem é que na vida nunca passou por um susto de qualquer tipo?!), que tinha uma amiga que tinha inveja de mim (rica amiga, não é? Ainda por cima burra! Inveja de mim por que carga de água?!) e que em breve seria mãe de uma menina (e esta sim, é uma mentira pegada). No fim ainda me exigiu 10 euros, que acabei por lhe entregar só para me ver livre dela, pois não me largava as mãos e não parava de falar um segundo que fosse. Antes de ir, deu-me uma pedra amarela e perguntou se a pessoa que estava comigo era o meu marido (sim, porque vidente que é vidente só vê coisas do além, e até àquele momento ela parecia nem ter dado conta da presença dele, sentadinho ali ao meu lado).

Alguns anos antes, por insistência de uma pessoa amiga que acreditava nessas coisas (acho que já não acredita…), fui a uma vidente. Queria essa minha amiga saber o que o futuro reservava a um dos seus filhos, que tinha deixado de ir à igreja e começado a namorar há pouco, e que não raras vezes gastava o que tinha e o que não tinha em copos, bares e noitadas com os amigos e que depois, quando bebia demasiado ou discutia com a namorada, chegava a casa mais bêbedo do que um cacho de uvas, discutia com toda a gente e partia tudo. O tal filho da minha amiga foi connosco à vidente e, mal entrou em casa da “senhora”, esta disse que não gostava de qualquer coisa no olhar dele. Deve ser comum nestas pessoas, porque sei que recentemente um turco voltou a dizer-lhe o mesmo.

A verdade é que, perante os interessantes argumentos da senhora, e das maluquices que dizia com o rosto mais sereno do mundo, não consegui nem por um segundo esconder a minha total incredulidade nos seus poderes. Eu e o filho da minha amiga, que acabámos a rir como doidos à porta da vidente, depois de ela nos ter expulsado da “sessão” para ficar apenas na companhia da mãe preocupada, a quem disse, soubemos depois, que o rapaz trazia “o diabo no corpo”. Se havia “solução” para o “problema” não sei. Desconheço o que disse e recomendou a vidente, já que a minha amiga, talvez agastada com a minha expulsão, me passou um ralhete daqueles e depois disso nunca mais me falou no assunto. Sei que o filho, hoje com quase 40 anos, continua a beber mais do que deve e a gastar o que tem e o que não tem.

Acreditar em “certas coisas”…

Há, contudo, muita gente que acredita nos poderes destas pessoas, e surpreendi-me há poucas semanas com uma amiga que me contou que tinha ido a um destes lugares para se aconselhar sobre o seu futuro, temendo que a futura sogra andasse a “fazer trabalhos” para lhe fazer a vida negra. Eu, que tirando o episódio narrado acima (e porque me pediram muito!), nunca fui além da leitura dos signos nos jornais, e mesmo assim só de vez em quando e sem confiança alguma na verdade da coisa (até porque já trabalhei em jornais e sei como são feitas aquelas previsões), fico verdadeiramente agastada com a forma como tantas pessoas se entregam a estas crenças e como se dispõem a fazer tudo ao seu alcance para garantir uma vida mais tranquila (acham elas) ou simplesmente apenas para “saber como vai ser”.

Acabo de ler na imprensa que uma senhora, empregada de limpeza em Ovar, terá entregado a uma suposta vidente as economias de uma vida inteira, além de todo o ouro que tinha em casa, para que esta a salvasse de um tumor maligno, que a própria lhe tinha “diagnosticado”, e para que lhe salvasse a filha de um acidente rodoviário fatal, coisas que lhes estariam reservadas por causa do mau-olhado dos vizinhos. Abordada à porta de um mercado, esta mulher deixou que a outra a acompanhasse até ao carro, onde a iludiu com uns truques de ilusionismo com um ovo e uma agulha, acabando depois por lhe revelar o destino negro que a esperava. Em desespero, a vítima foi a casa buscar o dinheiro (cerca de dois mil euros) e o ouro e entregou-lhe tudo.

A suposta médium e outra mulher que entretanto se tinha juntado a ela ausentaram-se então para “fazer o feitiço” que libertaria a senhora do tumor e a filha do acidente mortal, e só horas depois, quando as videntes não regressaram ao ponto de encontro marcado, é que percebeu que tinha sido burlada. “Acreditei que era mesmo alvo de mau-olhado, e quando me pediu para ir a casa buscar o dinheiro e o ouro que tinha, nem pensei e obedeci, porque só queria salvar a minha filha”, contou a vítima ao jornal «Correio da Manhã».

Pois é. Há muita gente que acredita nestas coisas, e muita gente que vive de enganar os outros e de lhes sacar tudo o que pode, tendo por base a fragilidade dessas vítimas e o seu desespero em momentos menos bons. A televisão portuguesa, que poderia ser um veículo de informação e de alerta face a estes burlões, é muitas vezes cúmplice do crime. A SIC, por exemplo, emite todas as manhãs um programa que, a meu ver, se enquadra claramente neste conceito de enganar os outros para lhes tirar dinheiro. Sucedendo naquele espaço de antena à famosa Maya, que trocou a estação de Carnaxide pela Correio da Manhã TV, “a sua conselheira espiritual e amiga”, como se define a figura que apresenta o dito programa, de seu nome Maria Helena Martins, surge no ecrã com um discurso de tal forma ensaiado que é sempre igual, e consegue levar ao desespero qualquer pessoa sensata e com dois dedos de testa que ouça o programa por mais de 30 segundos.

Revelando muitas vezes um desconhecimento profundo de matérias relevantes para responder de forma cabal às inquietações de quem a procura – e sabemos que nos tempos que correm não falta gente desesperada e a precisar de aconselhamento sério em Portugal –, a “bruxa da SIC” (é o que lhe chamamos cá em casa) manda e desmanda na vida dos outros, dá conselhos, orienta e desorienta o pensamento das pessoas, diz-lhes para largarem as empresas que criaram, como se fosse assim tão simples, os maridos e as mulheres, enfim… Quando a coisa é mais bicuda, faz a pergunta: “A minha querida acredita em certas coisas?”. A resposta é quase sempre afirmativa, e vai daí ela dispara logo: “Então vou mandar-lhe umas mezinhas, uns banhinhos para fazer em casa, e vai ver que isso desaparece tudo”. Pois… 

Claro que lhes liga no dia seguinte, porque “toda a gente que tem uma consulta comigo aqui em directo depois tem outra pelo telefone”, e claro que é nesse telefonema do dia seguinte que a “doutora Maria Helena” tenta impingir aos incautos os seus serviços, os sais, os banhos e outras coisas que tais para resolver os problemas da malta e principalmente os dela, porque não faltará quem lhe pague mundos e fundos, como se viu no exemplo da senhora de Ovar.

O descaramento é tanto que mesmo quando o problema relatado pelo espectador ao telefone é um pouco mais melindroso, como uma doença grave, por exemplo, a senhora dá o dito pelo não dito, e sem ser capaz de responder concretamente à pergunta da pessoa (se vai ou não vencer o desafio e sobreviver), diz-lhe invariavelmente que vê “cartinhas muito boas”, e que elas lhe dizem que aquela pessoa “está a ser seguida por uma boa equipa de médicos”, e que “tem de fazer o que eles lhe dizem”. Ora, conselhos desses dava eu! Se tivesse lata, descontracção e falta de carácter suficientes para extorquir dinheiro aos crentes! E há tantos…

domingo, 13 de abril de 2014

Porque hoje é Dia Internacional do Beijo...


Beijem! Beijem com vontade. Beijem com saudade. Beijem com amor, com elegância, com vigor, com alegria. Beijem o pai, a mãe, os filhos, o marido, o sogro e a sogra, os cunhados, os primos, os tios, os amigos. Beijem com a boca, mas beijem também com os olhos, com o sorriso, com a memória. Beijem. Porque beijar faz bem.

IPO de Lisboa cancelou cirurgias programadas por… falta de batas

Pelo menos três cirurgias programadas para a passada sexta-feira no Instituto Português de Oncologia de Lisboa foram canceladas devido à falta de batas esterilizadas para os médicos. Segundo uma notícia avançada pelo «Público», a administração do IPO terá garantido que se tratou de um problema pontual, que foi rapidamente resolvido, já que o armazenista terá feito a reposição do material em falta. 

Seria caricato, se não fosse profundamente triste!

A administração do IPO explicou que o problema se deveu a “questões administrativas no processo de fornecimento daquele material”, e que foi detectado logo no início do turno da manhã, o que levou à necessidade de reorganizar o planeamento das cirurgias previstas para aquele horário. Em declarações ao «Público», a mesma fonte acrescentou que apenas terão sido afectadas três pequenas cirurgias e que não tinha havido, até àquele momento, mais cancelamentos, designadamente de grandes cirurgias.

Este caso é mais um, igual a tantos outros que têm vindo a ser denunciados por vários estabelecimentos hospitalares e de saúde do país, em que a falta de material clínico tem condicionado a normal actividade daquelas unidades. O Centro Hospitalar do Algarve é um dos mais afectados por este problema: à luz de uma carta escrita por um médico e enviada ao ministro da Saúde, são frequentes no CHA os adiamentos de cirurgias programadas por falta de material cirúrgico.

Depois de anos de claro desenvolvimento e de notórias melhorias na qualidade dos cuidados de saúde prestados em Portugal, o processo parece estar agora, para tristeza de todos, a inverter-se: a somar aos aumentos das taxas moderadoras, que afastaram tantos cidadãos dos hospitais e centros de saúde nos últimos tempos, do encerramento de serviços e de dificuldades no funcionamento de ambulâncias, têm sido sucessivas as queixas e reclamações relativas ao funcionamento dos hospitais, facto a que não será certamente alheia a crise e os cortes que ela tem implicado no sector…

sábado, 12 de abril de 2014

Sexo ecológico! Porque o saber não ocupa lugar...


Dos preservativos sustentáveis aos lubrificantes vegan: 
os prós e contras do sexo ecológico

A indústria pornográfica e do sexo movimentam milhões de euros por ano. Uma boa notícia é que existem várias oportunidades para tornar a vida sexual mais ecológica. Desde vibradores alimentados a energia solar a lubrificantes vegan, as opções são muitas. Fique a conhecer algumas delas.

Orgasmos orgânicos

Quando em 2009 Nelly Furtado cantava “turn off the light” rodeada de homens seminus estava, sem o saber, a epitomar a abordagem ecológica perfeita à vida: roupas fora e luzes apagadas. Além das luzes apagadas, que ajudam a poupar os recursos do planeta, o uso de lingeries orgânicas é também uma opção. A Who Made Your Pants é uma marca de lingerie que compra restos de colecções de grandes marcas e transforma-as em outras peças de roupa interior, reduzindo assim o desperdício e dando emprego a mulheres refugiadas.

Não condene o preservativo

A maior parte dos preservativos são feitos a partir do látex que é extraído das árvores das florestas tropicais. Posteriormente, é processado e transformado num produto que não é biodegradável na água. Apesar desta vertente pouco ecológica, o preservativo desempenha um papel vital na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e de gravidezes indesejáveis. Não utilizar preservativo porque são produzidos de formas pouco sustentáveis é um erro. Contudo, para os mais acérrimos defensores do planeta, os especialistas aconselham a juntar os preservativos utilizados ao lixo doméstico e a não os deitar pela sanita, já que não se degradam na presença de água e irão poluir os rios e outros cursos de água. Existem também já marcas, como a French Letter, que fabricam preservativos a partir de látex extraído de acordo com princípios de sustentabilidade.

Cinquenta sombras de verde

Actualmente existe uma gama muito diversificada de objectos e brinquedos sexuais que podem acabar com a monotonia entre um casal. Para os que também querem ser ecológicos na cama, já há marcas que fabricam estes objectos e brinquedos segundo princípios sustentáveis e amigos do ambiente. Acessórios feitos de materiais naturais, como a borracha e a pele são preferíveis ao PVC – cuja produção liberta dioxinas carcinogénicas, que se acumulam nos tecidos gordos dos organismos vivos, refere o Guardian. Existem também vibradores que funcionam a energia solar ou que possuem baterias recarregáveis e até aqueles que podem ser reciclados.

Relações antes das paixões

O marisco e as ostras são algumas iguarias que fazem parte dos menus afrodisíacos. Porém, esta escolha não é do mais sustentável. Se é adepto dos pratos afrodisíacos opte por alimentos mais sustentáveis, como as bananas e os espargos. A escolha é variada.

Foto: je@n / Creative Commons
Fonte: Green Savers

Miguel Araújo apresenta «Crónicas da cidade grande» em Faro


Quase dois anos depois da edição de «Cinco dias e meio», o seu primeiro álbum de originais, Miguel Araújo está de regresso aos discos, e aos palcos, com «Crónicas da cidade grande», cujo single de apresentação, «Balada astral» é já um sucesso nas rádios portuguesas desde Janeiro. O lançamento nacional do novo trabalho está marcado para o próximo dia 21, mas para os fãs do cantor que vivem no Algarve a data a reter é a de 30 de Abril, pois é nesse dia que Miguel Araújo sobe ao palco do Teatro das Figuras para um concerto.
Os bilhetes, com preços que oscilam entre os 10 e os 15 euros, já estão à venda. Com início às 21h30 e duração prevista de 90 minutos, o espectáculo de Faro dará a conhecer um disco que o seu autor define como sendo composto por “cantigas simples, que contam pequenas histórias, nada de muito chique”. Miguel Araújo assegura a voz, a guitarra acústica e a guitarra eléctrica, Pedro Santos toma conta do baixo e do contrabaixo, e a cargo de Mário Costa ficam a bateria, as percussões e o Glockenspiel (uma espécie de metalofone de som agudo). O disco conta ainda com a participação de convidados como António Zambujo, Inês Viterbo, Marcelo Camelo e João Martins, responsável pelos arranjos de algumas músicas. 

Quem é?
Miguel Costa Pinheiro de Araújo Jorge nasceu em Julho de 1978, na Maia. Começou a gostar de música aos 11 anos, quando recebeu o seu primeiro baixo, e desde essa altura a música esteve sempre presente na sua vida: fez parte dos Yellow Lello (onde tocava com Marlon, seu actual companheiro na banda Azeitonas), depois dos Tsé Tsé, que chegaram a lançar um álbum com a chancela da BMG, mas acabaram por se separar quase de seguida. Tornou-se mais conhecido no projecto Azeitonas, formado em 2002. Foi neste projecto que trocou o baixo pela guitarra, para poder cantar, e começou também a compor. O álbum de estreia dos Azeitonas foi editado em 2007 pela editora Maria Records, de que é proprietário Rui Veloso.
Em Dezembro desse ano, Miguel Araújo cria o «Blogue do Mendes», e é com esse alter ego que se estreia ao vivo, em Junho de 2009. No ano seguinte começa a colaborar com João Só e lança com ele o EP «Não entres nesse comboio, amor», pela Optimus Discos. Além deste disco, Miguel participou ainda no espectáculo «Como desenhar mulheres, motas e cavalos», da autoria do humorista Nuno Markl. Em Maio de 2012 lançou-se então a solo, com «Cinco dias e meio», e foi a música «Os maridos das outras» que o catapultou para o sucesso, sensivelmente ao mesmo tempo que, com os Azeitonas, dava a conhecer o tema «Anda comigo ver os aviões». Sempre em paralelo com este projecto, Miguel Araújo abraça muitos outros e também compõe músicas para artistas como António Zambujo ou Ana Moura.

Carla Teixeira

sexta-feira, 11 de abril de 2014

O Mente Despenteada já está no Facebook!

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