sexta-feira, 18 de abril de 2014

Adolescente romena resgatou 150 cães de rua em sete meses


É uma heroína dos tempos modernos! Ana Maria Ciulcu, uma adolescente romena de apenas 13 anos, tem trabalhado de forma incansável para resgatar das ruas de Bucareste dezenas de cães abandonados, e usa o Facebook para encontrar quem queira adoptá-los. Em apenas sete meses, esta jovem salvou a vida a cerca de 150 animais que de outro modo teriam sido abatidos ou viveriam tempos difíceis nas ruas, entregues à fome e à indiferença humana.

Ana Maria criou um pequeno abrigo no seu quintal, e é nesse espaço que acolhe os animais que vai encontrando, até que haja alguém interessado em ficar com eles. Nesse intervalo, a menina refere-se a todos eles como os seus cães, e apenas pede a quem quiser adoptá-los que o faça de forma plena, abnegada, que lhes dê carinho e os trate como membros da família: “Gosto de saber que os meus cães vão ser mimados e que poderão andar dentro de casa e sentar-se com a família no sofá”. Assim, acrescenta, “a primeira pergunta que faço às pessoas interessadas em adoptar qualquer um deles é se pretendem acorrentá-los”.
A consciência e amizade desta adolescente para com os animais de rua encontra eco na família, que paga todas as despesas inerentes à microchipagem e à administração de todas as vacinas necessárias para os animais (200 dólares, cerca de 145 euros por cada cão), uma vez que todos são entregues aos adoptantes com boletins de saúde actualizados. Às novas famílias Ana Maria pede apenas que suportem as despesas com as taxas de adopção e o transporte para as novas casas. Fluente em alemão, a menina tem encontrado novos donos para os seus cães em países como a Alemanha, a Áustria e a Bélgica, e só lamenta que no seu país a maior parte das pessoas apenas esteja interessada em adoptar cães de raça pura, ignorando estes “rafeiros”.
Tal como acontece em Portugal, muitos dos canis estatais da Roménia são de abate, o que faz com que Ana Maria não veja aquelas instituições com bons olhos. “São planos de extermínio, não uma verdadeira solução” para o grande número de animais abandonados e negligenciados que vagueiam pelas ruas, esclarece. Com o sonho de vir a ser médica, esta jovem revela para já uma enorme consciência e preocupação com o futuro dos animais, e tenta ajudar todos aqueles que vai encontrando nas ruas da sua cidade. Sem dúvida um exemplo de dignidade e de garra que merece o nosso respeito e o nosso aplauso.


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Romaria a Nossa Senhora dos Remédios em Vila Nova de Anços


A Freguesia de Vila Nova de Anços, no Concelho de Soure, Distrito de Coimbra, estará em festa no próximo fim-de-semana, com a realização da sua tradicional Romaria a Nossa Senhora dos Remédios, que ocorre anualmente por alturas da Páscoa. O cartaz comemorativo arranca no próprio domingo pascal, mas conhece o seu ponto mais alto durante a tarde de segunda-feira, com a celebração religiosa e muita animação musical. A organização do evento coube desta vez à Sociedade Filarmónica Vilanovense, que assim pretende angariar apoios para dar continuidade à obra de construção da sua nova sede.
Do cartaz deste evento constam, no dia 20, pelas 11 horas, uma Arruada pelos Gaiteiros, e às 14h40, na Casa do Povo de Vila Nova de Anços, a habitual cerimónia do Enterro do Judas. No dia seguinte, pelas 10 horas, será também a Arruada pelos Gaiteiros a abrir as celebrações, mas as iniciativas mais marcantes estão reservadas para a tarde: a recepção à Filarmónica Vilanovense, pelas 15 horas; a celebração religiosa, que tem início 15 minutos depois; a actuação em palco da colectividade responsável pela organização da festa, às 16 horas; e, a fechar, a subida ao palco do Grupo Infantil dos Pauliteiros de Vila Nova de Anços, prevista para as 16h30. No recinto da festa estará disponível um serviço de bar e petiscos.
A Sociedade Filarmónica Recreativa e Beneficente Vilanovense foi fundada no dia 10 de Março de 1878, quando tocou a sua primeira marcha na praça onde se encontra o pelourinho, símbolo heráldico de Vila Nova de Anços. Desde essa data, a colectividade mantém a sua actividade de forma ininterrupta, visando sempre o objectivo primeiro de divulgar a música e a cultura local. A sua fundação surgiu no âmbito da actividade teatral, uma vez que tentou dar resposta àquela que era uma necessidade da altura: fazer o acompanhamento musical das operetas que eram levadas à cena naquela zona do país.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Inspecção encontra portugueses explorados na Bélgica

Os serviços da inspecção do trabalho belgas encontraram 15 trabalhadores da construção civil portugueses a trabalhar num estaleiro de obras perto da estação norte de Bruxelas por cerca de 3,40 euros à hora. O valor mínimo legal por uma hora de trabalho na Bélgica é 14,23 euros, e o grupo de trabalhadores já teria dado conta daquele incumprimento às autoridades portuguesas.

No âmbito de um encontro de trabalho que na semana passada reuniu em Bruxelas inspectores do trabalho de vários países europeus (Letónia, Lituânia, Holanda, Polónia e Portugal) e que teve como objectivos a troca de experiências sobre os métodos de trabalho aplicados em cada um daqueles estados, os especialistas estrangeiros foram convidados a acompanhar os colegas belgas numa operação em que acabaram por detectar diversos casos de incumprimento da legislação laboral local.

As autoridades belgas vão agora calcular o montante das sobretaxas que a empresa responsável por aqueles trabalhadores terá de pagar até que seja atingido o valor mínimo por uma hora de trabalho naquele país, que é actualmente de 14,23 euros. Monica de Coninck, ministra do trabalho da Bélgica, informou que as autoridades portuguesas vão acompanhar a queixa agora formalizada, e verificarão se os pagamentos a que a entidade empregadora vier a ser condenada serão efectivamente realizados.

Fonte: Expatica

Das modas mais inofensivas aos jogos perigosos na internet…


Primeiro surgiram as selfies. Milhões de pessoas em todo o mundo aderiram à ideia publicaram nas redes sociais auto-retratos nas mais diversas situações, das simplesmente divertidas às mais absurdas. Mas a coisa não ficou por aqui! Como qualquer conceito que “vira” moda, também este foi sendo sucessivamente adaptado: surgiram então as felfies (auto-retratos com animais de estimação), as belfies (fotos ousadas, normalmente em frente ao espelho, que evidenciam determinados atributos físicos dos fotografados), e mais recentemente as after-sex selfies (fotos de casais depois das relações sexuais que são partilhadas no Facebook ou no Instagram). 

Mas há mais: há vídeos virais com as músicas do momento (quem não se lembra dos fenómenos «Harlem Shake» e «Gangnam Style»?) e há coisas como memes, planking, horsemannig, owling, teapotting, condom chalenge e neknominate, por exemplo. Se estas são palavras que não lhe dizem muito, este artigo é para si! Leia e descubra as manias mais ou menos imbecis, e algumas até perigosas, que vêm conquistando adeptos em todo o mundo.

Selfies
Uma selfie é um auto-retrato simples. De câmara ou smartphone na mão, qualquer um de nós pode colocar-se em pose e fotografar-se as vezes que entender até encontrar o “clique perfeito” que quer partilhar com os outros. É uma moda que surgiu há já alguns anos, antes mesmo de ter sido baptizada dessa forma, e que em princípio não encerra grandes riscos para o fotografado;

Felfies
Depois das selfies, também as felfies fizeram enorme sucesso nas redes sociais. São fotografias em que uma pessoa se fotografa na companhia do seu animal de estimação, em pose simples ou de brincadeira, e que suscitam normalmente a ternura de quem as observa;

Belfies
Numa nova adaptação do conceito de selfie, esta é uma tendência que agrada especialmente às jovens e adolescentes do sexo feminino, que se fotografam em poses supostamente sensuais, normalmente em frente a um espelho, e que visam evidenciar atributos físicos das retratadas, em especial o rabo ou a zona do peito;

After-sex selfies
E depois de ousar na evidência dos atributos físicos tidos como mais relevantes, houve quem quisesse avançar no grau de intimidade partilhada na internet, fotografando-se em casal, ainda na cama, depois das relações sexuais. Esta é uma das modas mais recentes nas redes sociais e está a fazer particular furor no Instagram;

Bico-de-pato ou esparguete
Modas transitórias nas redes sociais foram a das “fotos bico-de-pato”, em que os retratados, geralmente do sexo feminino, adoptam uma postura bocal que faz lembrar o bico do animal, ou a das fotos em que a pessoa está simplesmente a comer esparguete…

Memes
Esta moda consiste na junção de imagens e frases que reflectem a expressão facial que fazem as pessoas quando dizem essas frases, ou que evidenciam a ironia de algumas situações;

JOGOS MAIS OU MENOS PERIGOSOS

Condom Chalenge
Esta é uma moda que consiste em introduzir um preservativo pelo nariz e conseguir puxá-lo pela boca. Não será uma ideia muito usada em Portugal, mas um pouco por todo o mundo há muitos jovens a fotografar-se enquanto cumprem este desafio;

Owling
Este será um dos mais inofensivos, e porventura divertidos, jogos em voga nas redes sociais: é o simples registo fotográfico do momento em que alguém imita a pose de um mocho, e se há quem o faça sem grandes requintes, há quem leve mesmo a sério a imitação…

Teapotting
Numa variante igualmente inofensiva (mas também um bocadinho imbecil) do owling, surgiu o teapotting, que consiste, nada mais nada menos, em alguém fotografar-se no momento em que assume, com os braços, a posição de um bule de chá;

Horsemannig
Já um pouco mais trabalhosa é esta tendência, em que duas pessoas se juntam para fazer uma fotografia em que parecem ser apenas um, e decapitado…

Planking
E se no Horsemannig há quem se faça de morto, com o Planking houve mesmo mortes reais a lamentar. É que o jogo consiste em registar imagens de pessoas que se deitam, na posição mais rigidamente horizontal que conseguirem, com o rosto inexpressivo e os braços estendidos ao longo do corpo. O problema é que, querendo inovar e ousar mais, alguns dos fotografados terão ido demasiado longe, colocando-se em lugares perigosos, como varandas, de onde caíram…

Neknominate 
Este é mais um dos jogos mais absurdos e perigosos das redes sociais, mas que tem cativado milhões de jovens em todo o mundo: consiste em alguém beber grandes quantidades de álcool e realizar, ao mesmo tempo, uma qualquer proeza física, terminando a prova com um desafio a um amigo para que faça algo do género nas próximas 24 horas.

Haverá mais tendências deste género, e todos os dias nascem novas manias, mas estas têm sido as preferidas dos utilizadores das redes sociais, que muitas vezes ignoram o risco de algumas, ou que assumem correr esse risco, às vezes com consequências muito negativas. Fenómenos virais que alguns especialistas na área da Psicologia têm criticado, mas que prometem continuar a cativar muita gente por esse mundo fora…

terça-feira, 15 de abril de 2014

Cidades do Mundial de Futebol vão ter inpecção anti-dengue

pixels en vrac/Flickr

As 12 cidades-sedes do Mundial2014, que se realiza no Brasil, receberão uma inspeção anti-dengue “detalhada” antes do evento, informou na segunda-feira à Lusa Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde brasileiro. “As cidades brasileiras já possuem um controlo permanente, com 55 mil agentes, para evitar os criadouros do mosquito transmissor da dengue, mas, no período anterior à Copa, as equipas farão uma inspeção detalhada nas cidades-sedes, incluindo os estádios e o seu entorno”, afirmou Barbosa, por telefone.

A inspeção incluirá também os locais sedes das seleções estrangeiras, como a cidade de Campinas (interior de São Paulo), onde ficará Portugal, segundo o secretário de Vigilância em Saúde. As autoridades de Campinas pediram hoje ajuda ao Governo Federal brasileiro para combater um surto de dengue. De acordo com a Agência Brasil, a cidade registou 3.615 casos da doença neste ano e investiga 3.346 outros casos suspeitos. Jarbas Barbosa afirmou que serão enviados à cidade técnicos do Ministério da Saúde para analisar as ações a ser tomadas.

O secretário de Vigilância em Saúde realçou não acreditar que a dengue será um problema durante o Mundial, já que 90% dos casos da doença ocorrem no Brasil entre janeiro e maio, durante a temporada de calor e chuvas no sudeste brasileiro, clima mais propício para a proliferação da doença. Barbosa afirmou ainda que este ano apresentou uma redução de 77% dos casos de dengue em relação ao ano passado até o momento. Para os turistas que virão ao Brasil para o evento, o secretário de Vigilância em Saúde acrescentou que os hotéis costumam ter orientação constante para evitar criadouros para o mosquito transmissor da dengue.

Fonte: Agência Lusa (via ZAP)

Site agrega informação sobre direitos e deveres dos cidadãos


A idade mínima para casar, o valor a pagar por expropriações ou em que circunstâncias é legal revistar alguém são questões que, a partir de hoje, podem ser esclarecidas num portal chamado “Direitos e Deveres dos Cidadãos”.

O portal é uma criação da Fundação Francisco Manuel dos Santos e tem, para já, 900 perguntas e outras tantas respostas, arrumadas em nove temas e cem assuntos, sobre todas as áreas do direito, feitas por uma equipa coordenada por um juiz. Mariana França Gouveia, administradora da Fundação, explicou à agência Lusa que a página da internet pretende responder de forma simples a questões que todos os dias se colocam às pessoas, acrescentando que uma equipa vai acompanhar o “site” e colocar novas respostas e perguntas, sempre que justifique. A página “é mais um exemplo da ‘marca’ da Fundação, que é a de fornecer informação às pessoas“, no caso, informação jurídica. Respostas a dúvidas “assim, de uma forma tão fácil, penso que não existe” no país, disse.

A responsável pelo projecto explicou que, para aceder à página, não é necessário registo, e salientou a facilidade de buscar os assuntos, que vão do direito civil ao penal, do fiscal ao administrativo. Que valor tem um negócio celebrado por um menor? Pode uma empresa usar a gravidez como justa causa para despedimento? Uma pessoa que, para salvar a vida, causa a morte de outra é punida criminalmente? Quem mora num rés-do-chão pode exigir não pagar condomínio do elevador? É crime entrar no jardim de alguém sem o seu consentimento? As respostas estão na página, que é hoje apresentada publicamente em Lisboa.

Mariana França Gouveia disse que não está prevista qualquer publicidade ao portal e adiantou que, a partir de agora e durante mais de dois meses, a estação televisiva SIC vai transmitir diariamente programas de um minuto com uma dessas perguntas e a respetiva resposta. “Nem todos os cidadãos conhecem bem os seus direitos e deveres. A complexidade do Estado de Direito é tal que faz com que muitos possam ser prejudicados pelo desconhecimento dos seus direitos ou que nem sempre tenham um comportamento adequado e conforme aos seus deveres”, pode ler-se no portal.

A Fundação Francisco Manuel dos Santos lançou também, recentemente, o portal “Conhecer a Crise”, com os principais indicadores relativos à evolução da atividade empresarial em Portugal desde 2007, e o POP — Portal de Opinião Pública, com ensaios e projetos em várias áreas da realidade portuguesa. A Fundação é uma entidade sem fins lucrativos e de utilidade pública que pretende “promover a participação da sociedade civil na reflexão e no debate sobre todas as questões relevantes que digam respeito à comunidade nacional”.

Fonte: Agência Lusa (via ZAP)

Fábrica dos Sentidos promove Feira Vintage em Faro


Diz a sabedoria popular que “velhos são os trapos”, mas mesmo assim é bem possível que o que não passa de um trapo velho para uns possa ser afinal um tesouro para outros! É mais ou menos a pensar nisso que a Associação Fábrica dos Sentidos promove, no dia 27 deste mês, a Feira Vintage de Faro. O certame decorre nas instalações daquela entidade (nas traseiras da Escola Superior de Saúde e da Estação de Caminhos-de-Ferro de Faro). Entre as 15 e as 22 horas os visitantes poderão comprar e vender peças de roupa, livros, discos de vinil, brinquedos e artigos de decoração, e ainda participar em vários workshops e eventos de música e dança.

Inscrições: angelanciaes@hotmail.com
Informações por telefone (919 656 850) ou e-mail (info@fabricadossentidos.org).

Europeias: cada partido poderá gastar até 2,9 milhões de euros

A poucas semanas das eleições europeias deste ano, marcadas para 25 de Maio, há em Portugal 16 partidos ou coligações na corrida. Cada um poderá gastar até 2,9 milhões de euros em actos de campanha eleitoral, mas a verdade é que nos últimos anos têm sido muitas as infracções aos limites impostos pelo Tribunal Constitucional. Os maiores partidos são os mais prevaricadores, mas segundo informações divulgadas nos últimos dias nenhuma formação partidária escapa a essa realidade…

O Tribunal Constitucional fixou em pouco mais de 2,9 milhões de euros o montante a atribuir a cada partido ou coligação no âmbito da campanha para as próximas eleições europeias. O prazo para entrega das listas candidatas terminou ontem, e nos próximos dias deverão ser divulgados pelo TC os números concretos relativos aos orçamentos aprovados para cada formação política, sendo que a lei estipula um limite máximo de 300 salários mínimos mensais por cada candidato apresentado, a que equivale uma soma total de 2.964.960 euros para as listas que incluírem 21 candidatos efectivos e um máximo de oito suplentes.
Os números são claros, e serão mais claros ainda quando forem publicados no site do TC, mas a verdade é que em Portugal há uma longa história de incumprimento destes limites orçamentais, que só no que se refere às campanhas eleitorais realizadas entre 2005 e 2009 levou o Tribunal Constitucional a aplicar coimas de valor global superior a 2,26 milhões de euros. Em causa estão irregularidades nas contas apresentadas pelos diversos partidos políticos, dos maiores aos mais pequenos. PSD (420 mil euros), PS (388 mil) e CDS (344 mil) receberam as contas mais pesadas e, segundo informações avançadas nos últimos dias pelo jornal «Público», houve já partidos que solicitaram o pagamento faseado destas coimas.
O jornal fez as contas, tendo por base a consulta de vários acórdãos e outros dados fornecidos pelo Tribunal Constitucional, e concluiu que estas coimas resultam de duas realidades distintas: irregularidades detectadas pela Entidade das Contas e dos Financiamentos Políticos às contas do período compreendido entre 2005 e 2008, cujas penalizações totalizam 1,48 milhões de euros, e a falta de entrega de contas referentes aos anos de 2009, 2010 e 2011, que somam 88.5 euros. A somar a estes dados, o TC considerou haver ainda lugar ao pagamento de coimas de cerca de 700 mil euros relativos às campanhas eleitorais das legislativas de 2005 e de 2009, às europeias de 2009, às autárquicas de 2005, às autárquicas intercalares de 2006, 2007, 2008 e de Lisboa em 2007, e às eleições para as assembleias regionais da Madeira, em 2007, e dos Açores, em 2008.

Eis o mapa do incumprimento e das coimas aplicadas aos partidos:


segunda-feira, 14 de abril de 2014

Bruxas e videntes: "E você, acredita em certas coisas?"


Há uns anos, estava tranquilamente sentada numa esplanada em Madrid, quando uma mulher, vestida de negro e que parecia ter surgido do nada, me agarrou nas mãos para, disse ela, me ler a sina e ver o que o destino me reservava. Agarrou-me de tal maneira que não pude fugir, e nem adiantou dizer-lhe que não estava interessada em saber o meu futuro, que não ia pagar-lhe pelo “serviço” e que não queria que me agarrasse, porque a senhora além da extrema força de mãos parecia sofrer de surdez selectiva…

Disse-me, então, que eu tinha passado por um grande susto (é verdade que tinha estado à beira da morte pouco tempo antes, mas quem é que na vida nunca passou por um susto de qualquer tipo?!), que tinha uma amiga que tinha inveja de mim (rica amiga, não é? Ainda por cima burra! Inveja de mim por que carga de água?!) e que em breve seria mãe de uma menina (e esta sim, é uma mentira pegada). No fim ainda me exigiu 10 euros, que acabei por lhe entregar só para me ver livre dela, pois não me largava as mãos e não parava de falar um segundo que fosse. Antes de ir, deu-me uma pedra amarela e perguntou se a pessoa que estava comigo era o meu marido (sim, porque vidente que é vidente só vê coisas do além, e até àquele momento ela parecia nem ter dado conta da presença dele, sentadinho ali ao meu lado).

Alguns anos antes, por insistência de uma pessoa amiga que acreditava nessas coisas (acho que já não acredita…), fui a uma vidente. Queria essa minha amiga saber o que o futuro reservava a um dos seus filhos, que tinha deixado de ir à igreja e começado a namorar há pouco, e que não raras vezes gastava o que tinha e o que não tinha em copos, bares e noitadas com os amigos e que depois, quando bebia demasiado ou discutia com a namorada, chegava a casa mais bêbedo do que um cacho de uvas, discutia com toda a gente e partia tudo. O tal filho da minha amiga foi connosco à vidente e, mal entrou em casa da “senhora”, esta disse que não gostava de qualquer coisa no olhar dele. Deve ser comum nestas pessoas, porque sei que recentemente um turco voltou a dizer-lhe o mesmo.

A verdade é que, perante os interessantes argumentos da senhora, e das maluquices que dizia com o rosto mais sereno do mundo, não consegui nem por um segundo esconder a minha total incredulidade nos seus poderes. Eu e o filho da minha amiga, que acabámos a rir como doidos à porta da vidente, depois de ela nos ter expulsado da “sessão” para ficar apenas na companhia da mãe preocupada, a quem disse, soubemos depois, que o rapaz trazia “o diabo no corpo”. Se havia “solução” para o “problema” não sei. Desconheço o que disse e recomendou a vidente, já que a minha amiga, talvez agastada com a minha expulsão, me passou um ralhete daqueles e depois disso nunca mais me falou no assunto. Sei que o filho, hoje com quase 40 anos, continua a beber mais do que deve e a gastar o que tem e o que não tem.

Acreditar em “certas coisas”…

Há, contudo, muita gente que acredita nos poderes destas pessoas, e surpreendi-me há poucas semanas com uma amiga que me contou que tinha ido a um destes lugares para se aconselhar sobre o seu futuro, temendo que a futura sogra andasse a “fazer trabalhos” para lhe fazer a vida negra. Eu, que tirando o episódio narrado acima (e porque me pediram muito!), nunca fui além da leitura dos signos nos jornais, e mesmo assim só de vez em quando e sem confiança alguma na verdade da coisa (até porque já trabalhei em jornais e sei como são feitas aquelas previsões), fico verdadeiramente agastada com a forma como tantas pessoas se entregam a estas crenças e como se dispõem a fazer tudo ao seu alcance para garantir uma vida mais tranquila (acham elas) ou simplesmente apenas para “saber como vai ser”.

Acabo de ler na imprensa que uma senhora, empregada de limpeza em Ovar, terá entregado a uma suposta vidente as economias de uma vida inteira, além de todo o ouro que tinha em casa, para que esta a salvasse de um tumor maligno, que a própria lhe tinha “diagnosticado”, e para que lhe salvasse a filha de um acidente rodoviário fatal, coisas que lhes estariam reservadas por causa do mau-olhado dos vizinhos. Abordada à porta de um mercado, esta mulher deixou que a outra a acompanhasse até ao carro, onde a iludiu com uns truques de ilusionismo com um ovo e uma agulha, acabando depois por lhe revelar o destino negro que a esperava. Em desespero, a vítima foi a casa buscar o dinheiro (cerca de dois mil euros) e o ouro e entregou-lhe tudo.

A suposta médium e outra mulher que entretanto se tinha juntado a ela ausentaram-se então para “fazer o feitiço” que libertaria a senhora do tumor e a filha do acidente mortal, e só horas depois, quando as videntes não regressaram ao ponto de encontro marcado, é que percebeu que tinha sido burlada. “Acreditei que era mesmo alvo de mau-olhado, e quando me pediu para ir a casa buscar o dinheiro e o ouro que tinha, nem pensei e obedeci, porque só queria salvar a minha filha”, contou a vítima ao jornal «Correio da Manhã».

Pois é. Há muita gente que acredita nestas coisas, e muita gente que vive de enganar os outros e de lhes sacar tudo o que pode, tendo por base a fragilidade dessas vítimas e o seu desespero em momentos menos bons. A televisão portuguesa, que poderia ser um veículo de informação e de alerta face a estes burlões, é muitas vezes cúmplice do crime. A SIC, por exemplo, emite todas as manhãs um programa que, a meu ver, se enquadra claramente neste conceito de enganar os outros para lhes tirar dinheiro. Sucedendo naquele espaço de antena à famosa Maya, que trocou a estação de Carnaxide pela Correio da Manhã TV, “a sua conselheira espiritual e amiga”, como se define a figura que apresenta o dito programa, de seu nome Maria Helena Martins, surge no ecrã com um discurso de tal forma ensaiado que é sempre igual, e consegue levar ao desespero qualquer pessoa sensata e com dois dedos de testa que ouça o programa por mais de 30 segundos.

Revelando muitas vezes um desconhecimento profundo de matérias relevantes para responder de forma cabal às inquietações de quem a procura – e sabemos que nos tempos que correm não falta gente desesperada e a precisar de aconselhamento sério em Portugal –, a “bruxa da SIC” (é o que lhe chamamos cá em casa) manda e desmanda na vida dos outros, dá conselhos, orienta e desorienta o pensamento das pessoas, diz-lhes para largarem as empresas que criaram, como se fosse assim tão simples, os maridos e as mulheres, enfim… Quando a coisa é mais bicuda, faz a pergunta: “A minha querida acredita em certas coisas?”. A resposta é quase sempre afirmativa, e vai daí ela dispara logo: “Então vou mandar-lhe umas mezinhas, uns banhinhos para fazer em casa, e vai ver que isso desaparece tudo”. Pois… 

Claro que lhes liga no dia seguinte, porque “toda a gente que tem uma consulta comigo aqui em directo depois tem outra pelo telefone”, e claro que é nesse telefonema do dia seguinte que a “doutora Maria Helena” tenta impingir aos incautos os seus serviços, os sais, os banhos e outras coisas que tais para resolver os problemas da malta e principalmente os dela, porque não faltará quem lhe pague mundos e fundos, como se viu no exemplo da senhora de Ovar.

O descaramento é tanto que mesmo quando o problema relatado pelo espectador ao telefone é um pouco mais melindroso, como uma doença grave, por exemplo, a senhora dá o dito pelo não dito, e sem ser capaz de responder concretamente à pergunta da pessoa (se vai ou não vencer o desafio e sobreviver), diz-lhe invariavelmente que vê “cartinhas muito boas”, e que elas lhe dizem que aquela pessoa “está a ser seguida por uma boa equipa de médicos”, e que “tem de fazer o que eles lhe dizem”. Ora, conselhos desses dava eu! Se tivesse lata, descontracção e falta de carácter suficientes para extorquir dinheiro aos crentes! E há tantos…

domingo, 13 de abril de 2014

Porque hoje é Dia Internacional do Beijo...


Beijem! Beijem com vontade. Beijem com saudade. Beijem com amor, com elegância, com vigor, com alegria. Beijem o pai, a mãe, os filhos, o marido, o sogro e a sogra, os cunhados, os primos, os tios, os amigos. Beijem com a boca, mas beijem também com os olhos, com o sorriso, com a memória. Beijem. Porque beijar faz bem.

IPO de Lisboa cancelou cirurgias programadas por… falta de batas

Pelo menos três cirurgias programadas para a passada sexta-feira no Instituto Português de Oncologia de Lisboa foram canceladas devido à falta de batas esterilizadas para os médicos. Segundo uma notícia avançada pelo «Público», a administração do IPO terá garantido que se tratou de um problema pontual, que foi rapidamente resolvido, já que o armazenista terá feito a reposição do material em falta. 

Seria caricato, se não fosse profundamente triste!

A administração do IPO explicou que o problema se deveu a “questões administrativas no processo de fornecimento daquele material”, e que foi detectado logo no início do turno da manhã, o que levou à necessidade de reorganizar o planeamento das cirurgias previstas para aquele horário. Em declarações ao «Público», a mesma fonte acrescentou que apenas terão sido afectadas três pequenas cirurgias e que não tinha havido, até àquele momento, mais cancelamentos, designadamente de grandes cirurgias.

Este caso é mais um, igual a tantos outros que têm vindo a ser denunciados por vários estabelecimentos hospitalares e de saúde do país, em que a falta de material clínico tem condicionado a normal actividade daquelas unidades. O Centro Hospitalar do Algarve é um dos mais afectados por este problema: à luz de uma carta escrita por um médico e enviada ao ministro da Saúde, são frequentes no CHA os adiamentos de cirurgias programadas por falta de material cirúrgico.

Depois de anos de claro desenvolvimento e de notórias melhorias na qualidade dos cuidados de saúde prestados em Portugal, o processo parece estar agora, para tristeza de todos, a inverter-se: a somar aos aumentos das taxas moderadoras, que afastaram tantos cidadãos dos hospitais e centros de saúde nos últimos tempos, do encerramento de serviços e de dificuldades no funcionamento de ambulâncias, têm sido sucessivas as queixas e reclamações relativas ao funcionamento dos hospitais, facto a que não será certamente alheia a crise e os cortes que ela tem implicado no sector…

sábado, 12 de abril de 2014

Sexo ecológico! Porque o saber não ocupa lugar...


Dos preservativos sustentáveis aos lubrificantes vegan: 
os prós e contras do sexo ecológico

A indústria pornográfica e do sexo movimentam milhões de euros por ano. Uma boa notícia é que existem várias oportunidades para tornar a vida sexual mais ecológica. Desde vibradores alimentados a energia solar a lubrificantes vegan, as opções são muitas. Fique a conhecer algumas delas.

Orgasmos orgânicos

Quando em 2009 Nelly Furtado cantava “turn off the light” rodeada de homens seminus estava, sem o saber, a epitomar a abordagem ecológica perfeita à vida: roupas fora e luzes apagadas. Além das luzes apagadas, que ajudam a poupar os recursos do planeta, o uso de lingeries orgânicas é também uma opção. A Who Made Your Pants é uma marca de lingerie que compra restos de colecções de grandes marcas e transforma-as em outras peças de roupa interior, reduzindo assim o desperdício e dando emprego a mulheres refugiadas.

Não condene o preservativo

A maior parte dos preservativos são feitos a partir do látex que é extraído das árvores das florestas tropicais. Posteriormente, é processado e transformado num produto que não é biodegradável na água. Apesar desta vertente pouco ecológica, o preservativo desempenha um papel vital na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e de gravidezes indesejáveis. Não utilizar preservativo porque são produzidos de formas pouco sustentáveis é um erro. Contudo, para os mais acérrimos defensores do planeta, os especialistas aconselham a juntar os preservativos utilizados ao lixo doméstico e a não os deitar pela sanita, já que não se degradam na presença de água e irão poluir os rios e outros cursos de água. Existem também já marcas, como a French Letter, que fabricam preservativos a partir de látex extraído de acordo com princípios de sustentabilidade.

Cinquenta sombras de verde

Actualmente existe uma gama muito diversificada de objectos e brinquedos sexuais que podem acabar com a monotonia entre um casal. Para os que também querem ser ecológicos na cama, já há marcas que fabricam estes objectos e brinquedos segundo princípios sustentáveis e amigos do ambiente. Acessórios feitos de materiais naturais, como a borracha e a pele são preferíveis ao PVC – cuja produção liberta dioxinas carcinogénicas, que se acumulam nos tecidos gordos dos organismos vivos, refere o Guardian. Existem também vibradores que funcionam a energia solar ou que possuem baterias recarregáveis e até aqueles que podem ser reciclados.

Relações antes das paixões

O marisco e as ostras são algumas iguarias que fazem parte dos menus afrodisíacos. Porém, esta escolha não é do mais sustentável. Se é adepto dos pratos afrodisíacos opte por alimentos mais sustentáveis, como as bananas e os espargos. A escolha é variada.

Foto: je@n / Creative Commons
Fonte: Green Savers

Miguel Araújo apresenta «Crónicas da cidade grande» em Faro


Quase dois anos depois da edição de «Cinco dias e meio», o seu primeiro álbum de originais, Miguel Araújo está de regresso aos discos, e aos palcos, com «Crónicas da cidade grande», cujo single de apresentação, «Balada astral» é já um sucesso nas rádios portuguesas desde Janeiro. O lançamento nacional do novo trabalho está marcado para o próximo dia 21, mas para os fãs do cantor que vivem no Algarve a data a reter é a de 30 de Abril, pois é nesse dia que Miguel Araújo sobe ao palco do Teatro das Figuras para um concerto.
Os bilhetes, com preços que oscilam entre os 10 e os 15 euros, já estão à venda. Com início às 21h30 e duração prevista de 90 minutos, o espectáculo de Faro dará a conhecer um disco que o seu autor define como sendo composto por “cantigas simples, que contam pequenas histórias, nada de muito chique”. Miguel Araújo assegura a voz, a guitarra acústica e a guitarra eléctrica, Pedro Santos toma conta do baixo e do contrabaixo, e a cargo de Mário Costa ficam a bateria, as percussões e o Glockenspiel (uma espécie de metalofone de som agudo). O disco conta ainda com a participação de convidados como António Zambujo, Inês Viterbo, Marcelo Camelo e João Martins, responsável pelos arranjos de algumas músicas. 

Quem é?
Miguel Costa Pinheiro de Araújo Jorge nasceu em Julho de 1978, na Maia. Começou a gostar de música aos 11 anos, quando recebeu o seu primeiro baixo, e desde essa altura a música esteve sempre presente na sua vida: fez parte dos Yellow Lello (onde tocava com Marlon, seu actual companheiro na banda Azeitonas), depois dos Tsé Tsé, que chegaram a lançar um álbum com a chancela da BMG, mas acabaram por se separar quase de seguida. Tornou-se mais conhecido no projecto Azeitonas, formado em 2002. Foi neste projecto que trocou o baixo pela guitarra, para poder cantar, e começou também a compor. O álbum de estreia dos Azeitonas foi editado em 2007 pela editora Maria Records, de que é proprietário Rui Veloso.
Em Dezembro desse ano, Miguel Araújo cria o «Blogue do Mendes», e é com esse alter ego que se estreia ao vivo, em Junho de 2009. No ano seguinte começa a colaborar com João Só e lança com ele o EP «Não entres nesse comboio, amor», pela Optimus Discos. Além deste disco, Miguel participou ainda no espectáculo «Como desenhar mulheres, motas e cavalos», da autoria do humorista Nuno Markl. Em Maio de 2012 lançou-se então a solo, com «Cinco dias e meio», e foi a música «Os maridos das outras» que o catapultou para o sucesso, sensivelmente ao mesmo tempo que, com os Azeitonas, dava a conhecer o tema «Anda comigo ver os aviões». Sempre em paralelo com este projecto, Miguel Araújo abraça muitos outros e também compõe músicas para artistas como António Zambujo ou Ana Moura.

Carla Teixeira

sexta-feira, 11 de abril de 2014

O Mente Despenteada já está no Facebook!

O Mente Despenteada está desde hoje muito mais próximo dos seus leitores, através da sua página de Facebook, criada há poucos minutos. Doravante, todos os artigos publicados no blog estarão também disponíveis naquela rede social. Para consultar a página e ser amigo do MD, garantindo acesso em primeira mão a todos os conteúdos publicados, basta seguir o link e clicar em "gosto".  

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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Ser ou não ser (homossexual ou idiota), eis a questão!


Nunca até hoje tinha ouvido falar do estilista brasileiro Sérgio K. e, para ser muito sincera, preferia continuar assim. Infelizmente ouvi falar dele, e infelizmente não foi por uma boa razão: é que a criatura achou que tinha encontrado a maneira ideal de promover os trapos que fabrica no país e no mundo, aproveitando o facto de estar quase a realizar-se no Brasil a edição 2014 do Campeonato do Mundo de Futebol: sob o pretexto de querer ajudar a aumentar o entusiasmo dos brasileiros com a sua selecção, "criou" camisolas que dizem que o argentino Diego Maradona ou o português Cristiano Ronaldo são gays. Se era para ser um insulto, talvez tivesse sido melhor adoptar outra adjectivação, porque na realidade não vejo nada na homossexualidade de alguém, real ou inventada, que possa ser considerado insultuoso ou humilhante. Já era tempo de as pessoas pararem de tratar os homossexuais como aberrações, digo eu!

A verdade é que "mais vale cair em graça do que ser engraçado", mas isso só vale para quem consegue efectivamente ser engraçado, coisa que, acho, não aconteceu neste caso. Sérgio K. (na foto) ficou-se, no meu modesto entendimento, pela tentativa, frustrada e infeliz, de fazer piada com a homossexualidade. Ainda por cima, segundo consegui apurar na consulta de vários sites brasileiros que abordam este caso, a marca de Sérgio K. era até bastante conceituada e bem aceite pela comunidade gay brasileira, tendo inclusivamente feito algumas campanhas publicitárias com modelos homossexuais e transsexuais.

Sobre esta polémica, de acordo com informações avançadas pelo site A Capa, a marca terá declarado que foi sua intenção "criar camisetas divertidas para a Copa e não fazer qualquer tipo de discriminação. Amplamente democrática, a grife já teve em suas campanhas personalidades do universo gay como Amanda Lepore, ícone transsexual, e de forma alguma tem uma postura preconceituosa a esse respeito. Sua última campanha foi fotografada com o modelo transsexual Oliwer Mastalerz. A Sergio K é voltada para o público jovem e há quatro anos faz parceria com preservativos e distribuiu os mesmo gratuitamente em suas lojas. A marca repudia qualquer acusação de preconceito ao público gay e já manifestou por várias vezes o respeito por esse público em suas campanhas".

Pode até ser verdade, mas já diz o povo que "no melhor pano cai a nódoa", e neste caso é uma nódoa bem grande e que borrata estas camisolas e todas as outras criações do tal Sérgio K.! Eu tenho para mim que os heterossexuais seguros e bem resolvidos não têm medo dos homossexuais nem qualquer problema em lidar normalmente com eles. Denunciar a sexualidade de uma pessoa ou, pior ainda, pretender lançar um boato sobre a sexualidade de figuras públicas, visando apenas o lucro fácil sem qualquer respeito pelo seu direito à imagem e ao sossego, é infantil e lamentável. Com estas "camisetas", a marca Sérgio K. gozou abertamente com todos os homossexuais e mais directamente ainda com Maradona e Ronaldo, cujos nomes não tinham de ser para aqui chamados. Porque a homossexualidade não é uma anormalidade nem uma aberração, urge pôr fim, de uma vez por todas, à discriminação. É que não está nas nossas mãos escolher se somos gays ou não, mas está garantidamente nas nossas mãos a escolha entre sermos, ou não, idiotas...

quinta-feira, 13 de março de 2014

Dizem-me que sofro de um transtorno obsessivo compulsivo...


Talvez seja verdade. É verdade que gosto de arrumar as coisas à minha maneira, e que me irrito se alguém altera a ordem que estabeleci. É verdade que sou capaz de perder manhãs, tardes ou dias inteiros a arrumar uma divisão da casa ou mesmo um simples armário. É verdade que gosto de simetrias, de medir espaços para que fiquem simétricos, de arrumar coisas em caixas. Gosto de caixas. Compro muitas caixas, daquelas decoradas e bonitas, e meto tudo em caixas. Depois arrumo as caixas, por tamanhos e por cores, nos vários móveis ou em determinados recantos da casa. Arrumo os livros por tamanhos e cores, e os CD e DVD por ordem alfabética. Arrumo a roupa por tipos e por cores nas gavetas. As camisolas quentes vão para um lado, as mais frescas para outro, as de manga comprida ficam numa gaveta, as de manga curta vão, claro, para noutra, as cuecas e as meias são dispostas por cores, os tops e os soutiens em degradé...
Quando estendo a roupa também uso molas de tipos e de cores diferentes, consoante o estendal em que as utilizo e o fim para que as utilizo: no estendal interior, que tem cerdas mais grossas, uso molas maiores; no estendal exterior, porque tem corda mais fina e se cair alguma peça lá abaixo nunca mais a vemos, uso as molas mais pequeninas e mais fortes. As azuis são para a roupa do marido (quando não são suficientes uso também as verdes), as vermelhas são para a minha roupa (e se não chegarem uso depois as molas pretas), as amarelas para a roupa de casa. Estendo sempre as meias aos pares, e detesto encontrar meias solteiras, que nunca guardo nas gavetas enquanto não encontrar o par. Também organizo as coisas do marido. Peças de roupa que ele arruma "nos lugares errados", cadernos e livros que deixa espalhados na secretária ou no balcão da cozinha quando acaba de estudar, as bicicletas e os capacetes, as ferramentas e afins.
Quando saio à rua e levo carteira, toda a gente se ri da minha organização: tenho um arrumador de carteira, que permite ter sempre tudo muito arrumadinho lá dentro, e bolsas para tudo: para os óculos, para o rádio do carro (que ouço sempre no volume 19 ou 21), para o telemóvel, para os blocos de notas, porta-cartões, carteira para as notas, carteira para as moedas, bolsa para o auricular do telemóvel. Os bolsos da própria carteira têm utilizações pré-definidas: um para as chaves de casa, outro para as chaves do carro, um terceiro para o leitor de mp3, outro bolso para os elásticos e molas de cabelo, etc. e tal. E quando vamos às compras registo sempre as coisas por tipo e função (os detergentes todos juntos, os alimentos noutro grupo, cada coisa em seu saco, sem confusões nem misturas). E compro sempre sete maçãs. Nem seis, nem oito. Sete sempre. E sete tomates, sete cenouras, sete batatas... 
Gosto de constância, de tudo sempre na mesma. Não gosto de trocar as partes de trás dos brincos, mesmo que sejam exactamente iguais. Não gosto de trocar carregadores e cabos USB dos aparelhos (telemóveis, câmaras fotográficas, leitores de cartões), mesmo que sejam exactamente iguais. É a minha organização e dou-me bem com ela. É graças a este sistema organizativo que raramente esqueço de onde coloquei determinada coisa, e que mesmo de olhos fechados meto a mão na carteira e encontro em segundos aquilo de que preciso. Terei um transtorno obsessivo compulsivo? Talvez tenha. "É provável", pensam vocês. "É maluquinha", pensarão também. Sim, talvez seja. Mas sou assim e gosto. Gosto do meu esquema organizativo, gosto das minhas manias, gosto das minhas rotinas. Gosto de saber com o que conto e fico muitas vezes de pé-atrás com surpresas, mesmo que depois se revelem boas. Sou como sou. E quem não gostar da pinga... que mude de tasco! :)

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Lembra-se dos últimos anos com o seu filho?



Não haverá em Portugal muita gente que nunca tenha ouvido falar no Rui Pedro. No desaparecimento de um menino, no sofrimento atroz dos seus pais, na angústia da procura, no desespero da falta de resultados dessa busca. O Rui Pedro faz hoje 27 anos. Desapareceu quando tinha 11 anos, e desde essa altura o rosto de Filomena, esta mãe-coragem, tornou-se-nos familiar. Tristemente familiar.

Não consegui ver estas imagens sem deixar rolar as lágrimas. Eu, que nem tenho filhos, revejo nos olhos desta mulher, no seu sofrimento, todas as minhas perdas, a soma dos meus desesperos. E compreendo tão bem o que ela sente! É verdade que todos sabemos o que é perder alguém. Faz parte da vida essa batalha dura e inglória com a morte. Mas perder alguém assim, porque simplesmente desapareceu, sem se saber onde está, como está, se vive, se já não está entre nós, se chora ou ri, se sabe que, mesmo na saudade de anos e anos, continua a ser amado como naquele último dia... é desumano. É imensamente cruel. 

Por isso partilho este vídeo. Porque não sou mãe mas podia ser. Porque na minha houve sofrimento e angústia, mas nunca este não saber onde está e porque não está ao meu lado a pessoa que mais amo, se vive ou se já não está entre nós. Porque há tantas crianças desaparecidas e tantas famílias desfeitas por isso. Porque estas imagens me fizeram chorar, mesmo sem nunca ter conhecido pessoalmente o Rui Pedro ou a sua mãe. Porque gostava que ele fosse encontrado. Porque gostava que todos os meninos e todas as meninas que desapareceram fossem encontrados. Porque queria que nenhuma criança tivesse de ser encontrada. Que nenhuma criança desaparecesse. 

Parabéns, Rui Pedro!
Força, Filomena e restante família! 
<3

domingo, 17 de novembro de 2013

As promessas do Grande Medium-Vidente Professor Lamine...


O Prof. Lamine deixou-me este recado na caixa do correio. Com medo de que o não visse, talvez, deixou outro preso nas escovas limpa-vidros do carro. Explica que "não há problemas sem solução", sejam de que tipo forem, e atesta que atende presencialmente ou à distância, em Português ou Francês. Fixe! Mas o melhor mesmo é dizer que resolve tudo "com rapidez total" (haverá rapidez parcial?), com "facilidade de pagamento". Vou ligar-lhe e propor que resolva rapidamente o meu problema de desemprego, e como promete facilitar o pagamento, pago quando ele me arranjar emprego. Se não arranjar, não pago. Boa ideia, né?

domingo, 20 de outubro de 2013

A Bocas viu Sócrates, cujo sucesso não lhe passa no gargalo...

A inveja é mesmo uma coisa tão feia! A Bocas esteve por baixo de José Sócrates num restaurante e não perdeu a oportunidade de mostrar que não consegue ultrapassar o facto de ele continuar a ser aplaudido, enquanto dela ninguém se lembra senão para apresentar - mal - concursos desviados do horário nobre da única estação de televisão que, qual asilo, lhe deu guarida. Vai daí, ligou-se ao Facebook e vomitou isto: 


Não tenho por hábito falar aqui da minha vida privada.Mas, desta vez, não resisto, até porque se cruza com a vida pública de todos nós. Ora, ontem , convidada para um jantar de anos de um amigo , vejam lá a surpresa quando sei que, no andar de cima do restaurante ,o anfitrião do outro jantar era Sócrates, personagem com quem nunca estive pessoalmente. Não vou dizer o nome do sítio que durante umas duas horas e tal partilhámos , só vou explicar que entre nós só havia uma longa escada, íngreme, mesmo à frente dos meus olhos , do primeiro ao ultimo degrau , que , alías, fazia um barulho estranho, algo embaraçador para quem descia , coisa que vários comensais tiveram de fazer, precisamente os convidados de Sócrates.Eram muitos, pelo barulho percebi logo isso. Ainda pensei que fosse para festejar a entrevista dada ontem ao Expresso onde falou para um Povo ingrato que não compreende a grandeza do homem que faz um mestrado em Ciências Políticas como um aluno comum do ensino pós-Bolonha. Não são todos os políticos que o fazem, nós sabemos ... e já depois de ser ministro, primeiro-ministro e em França!E qual Sorbonne!!! Merecia um jantar .Mas descobri não era bem por isto embora tivesse a ver.... por muito que eu estivesse desligada do andar de cima , ouviam-se palmas e , confesso, a minha curiosidade foi aumentando,ainda perguntei ao dono do restaurante se podia ser eu a levar os cafés...mas, não sei porquê , ele disse-me que não , nem deu para insistir. Eu bem via os empregados escada (longa)acima , escada abaixo,a levar e trazer pratos , copos e finalmente os cafés.Fui lá fora ter com amigos que estavam a fumar e tive a grata surpresa de poder ver através dos vidros que são grandes que os meus vizinhos de cima estavam a ver, projectada na parede ,uma entrevista do Herman José precisamente com José Sócrates. Pensei que estavam a recordar coisas antigas que era uma espécie de romagem de saudade.Mas não , era mesmo o programa do Herman de ontem que estavam todos a seguir numa espécie de homenagem ao Grande Líder.Foi logo a seguir que descobri quem eram os convidados, quando um a um , foram descendo as escadas ,os ministros dos seus governos. O primeiro a sair foi Mariano Gago , seguido de Rui Pereira ,cada um levava debaixo do braço um livrinho , o tal sobre a tortura que serviu de trabalho final do mestrado e que Sócrates decidiu publicar. Foi isso que serviu de pretexto ao repasto em que Sócrates se quis ver rodeado dos seus ministros. Estavam lá quase todos,quase, não vi Teixeira dos Santos, Ana Jorge, Alberto Martins , António Costa, I. Alçada Baptista,G. Canavilhas ,I.Pires de Lima, nem Luis Bernardo o seu assessor de muitos anos apesar de estarem lá outros. Luis Bernardo agora está com Seguro...De resto parecia que , de repente, tínhamos voltado atrás no tempo e eu estava a ver desfilar à minha frente os governos de Sócrates. E até Mário Lino , menos ágil nas escadas por momentos pareceu que ia aterrar na Ota , em grande estilo. Mas, meus amigos, se estão à espera de pormenores da saída do novo estudioso sobre a tortura , tirem o cavalinho da chuva. Eu também esperei um bocado , mas tenho a impressão de que por muito que esperasse , seria a mesma coisa. Ele só saiu depois de eu sair. Deve ser um cavalheiro...primeiro as senhoras! E assim , não foi desta que conheci José Sócrates, mas , pensando bem...

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Obrigada, bombeiros portugueses!

Foto: Nuno André Freire/Agência Lusa

Há no fogo uma grandeza que assusta. Que nos impele à fuga, ao instinto de sobrevivência. Que nos faz ter medo, querer salvar o que é nosso mas, sobretudo, querer salvar a nossa pele, e a pele dos que amamos. E há homens e mulheres, grandes, superiores a tudo isso, que abdicam da tranquilidade nos dias, e nas noites, para, naquele que será porventura o maior esforço solidário do mundo, assumirem, sob duras condições, a luta contra esse inimigo, poderoso e letal.

A luta é desigual, como nos mostram as notícias mais recentes e as de anos anteriores: pelas minhas contas, são já quatro os bombeiros apanhados pelas chamas nos incêndios dos últimos dias. Homens e mulheres que se entregaram a uma batalha que não era deles, para salvar bens e pessoas que não lhes eram nada, num acto heróico e acima do que é capaz o ser humano comum, muito mais apto a lutas absurdas por razões ainda mais obtusas.

Quatro pessoas perderam a vida nos incêndios dos últimos dias em Portugal. Há também feridos, mais ou menos graves, há desespero estampado nos rostos de milhares de pessoas, há perdas e danos elevados e, para as famílias destes bombeiros, perdas e danos irreparáveis. Há revolta também. E a minha vai sobretudo para os agentes causadores deste drama que ano após ano se renova no nosso país. Todos os anos, haja mais ou menos calor, mais ou menos chuva, mais ou menos justificação, há milhares de hectares de floresta que simplesmente desaparecem, arrastando na voragem das chamas os pertences de famílias inteiras e, bem mais grave do que isso, a vida e a razão de viver de muitas pessoas. 

Não tenho palavras para expressar a dor que sinto por essas vidas que se perdem, pois sei o que é perder alguém que se ama acima de tudo e de todas as coisas. Não quero entrar em polémicas sobre quem devia ter enviado as condolências às famílias e o não fez, porque as vidas que se perderam são muito mais importantes do que isso, e as pessoas que assim perderam a vida merecem muito mais respeito e atenção do que qualquer polémica colateral. Estas pessoas não tinham de morrer! Não era esta a hora delas. Estavam a ajudar outras pessoas, mereciam viver muito mais anos apenas por isso. E no entanto foram apanhadas por incêndios ateados tantas vezes por seres menores, sem escrúpulos, sem uma réstia de humanidade...

Aos bombeiros falecidos deixo o meu incomensurável respeito. Às famílias enlutadas sentidas condolências. Às corporações de bombeiros e a todas as pessoas que ao lado deles enfrentaram as chamas e tentaram minorar os danos, o meu agradecimento. Como cidadã, como ser humano, como pessoa atenta e que já esteve em cenários difíceis como os que estas pessoas enfrentaram, ainda que apenas como jornalista, sei o que sofrem, o quanto se entregam, a força que conseguem inventar nos braços e nas pernas para nunca desistirem. Não há palavras que tranquilizem agora as famílias e os amigos que os perderam para sempre. A não ser a convicção de que eram heróis e morreram como tal. Não é, nem de perto, uma consolação, mas há-de servir para que, um dia mais tarde, consigam sorrir ao pensar neles. E esse sorriso, sei-o bem, será a prova de que o amor vence todas as barreiras, mesmo a da morte, e de que quem ama ama mesmo para sempre...

Obrigada, bombeiros portugueses!

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O jardim da minha alma já não vive onde vivia...

“Se protegeres com demasiada devoção o jardim secreto da tua alma, ele pode facilmente começar a florescer de um modo excessivamente luxuriante, transbordar para além do espaço que lhe estava reservado e tomar mesmo pouco a pouco posse da tua alma de domínios que não estavam destinados a permanecer secretos. E é possível que toda a tua alma acabe por se tornar um jardim bem fechado, e que no meio de todas as suas flores e dos seus perfumes ela sucumba à sua solidão”. Arthur Schnitzler, in «Relações e Solidão»


Quando era miúda, principalmente depois do nascimento da minha primeira irmã, quando a minha mãe ficou em casa a cuidar dela e deixou de poder acompanhar-me todas as manhãs no caminho para a escola e todas as tardes no regresso a casa, costumava percorrer sozinha um longo caminho a pé. Saía do colégio, depois das aulas e de ter feito os trabalhos de casa, e partia ao encontro do meu pai, num ponto previamente definido de onde depois seguíamos juntos para casa. Chegava quase sempre antes dele, e por isso, com a experiência de fazer aquele caminho, comecei a treinar o passo e a saber onde e por quanto tempo podia parar sem correr o risco de me atrasar para lhe cair nos braços e contar como tinha sido o meu dia.

Algures nesse caminho, quase a chegar ao cruzamento onde nos encontrávamos, havia uma casa com muros altos, amarelos, e um imenso jardim, com árvores e flores, que todos os dias espreitava da rua. O jardim escondia a fachada da casa, porque eram altas as árvores, mas parecia nunca estar ninguém. E eu ficava ali, largos minutos, a contemplar em silêncio aquele jardim imenso, e a casa de fachada escondida onde não parecia haver ninguém para apreciar a beleza singular daquele quadro. Um dia, não sei se com coragem ou desmedida ousadia – é quase a mesma coisa, não é? – fiz mais do que apenas contemplar o jardim. Abri o portão e entrei, como se a casa fosse minha, naquela casa amarela de muros altos. Andei por ali, deambulando entre as flores, abraçando as árvores, falando com borboletas e outros bichos que voavam à minha volta. Não apareceu ninguém para me repreender.

Voltei no dia seguinte, e de novo entrei sem que ninguém aparecesse para me proibir ou recriminar. No dia seguinte também, e no outro dia, e no outro, e no outro… Aquele passou a ser o meu ritual diário no regresso do colégio. Nunca contei a ninguém que entrava todos os dias naquele jardim, e que ficava ali a falar com as árvores, as flores, os pássaros e as borboletas. Não sei se alguma vez alguém me viu, ou se alguém sabia daquele meu encontro vespertino com a Natureza, e talvez comigo, com a minha própria alma. Ali, naqueles minutos em que passeava por entre o verde do jardim e o amarelo dos muros altos da casa, sentia-me bem. Estava sozinha, mas era como se estivesse rodeada de amigos. Falava com eles, rodopiava entre as árvores, abraçava-as, inventava diálogos em que era uma princesa e os meus amigos imaginários eram príncipes, cavaleiros, donzelas e criadas, pessoas e animais capazes de dançar comigo, de partilhar comigo os seus devaneios, as suas crenças, os seus medos e os seus maiores sonhos.

Talvez já naquele tempo fosse louca. Talvez houvesse já dentro de mim aquela loucura em que hoje me revejo com prazer e aceitação, como se não houvesse outro remédio senão aceitar-me exactamente como sou, gostando até de ser exactamente assim. Já não danço entre flores, nem abraço árvores, e às vezes sinto falta disso. Sinto que me perdi da criança que fui, que jurei que seria sempre, no dia em que deixei de passar naquela rua, no regresso da escola, e de invadir os muros altos da casa amarela. Aquele era o meu jardim secreto, o jardim secreto da minha alma. Ali encontrava todos os dias o meu sorriso, a minha vontade de rodopiar entre as árvores, na minha dança com as borboletas. Naquele jardim, que por minutos era meu e apenas meu, sentia-me ser. Deixava-me ser, sentir, voar de dentro de mim para o mundo inteiro à minha frente…

Entretanto cresci. E às vezes tenho saudades de ser assim. De ser criança. De ser aquela criança que invadia casas de muros altos, que se permitia construir o jardim da sua alma nos jardins das casas dos outros. Há dias voltei àquela rua. Por acaso, sem premeditar. Procurei a casa amarela de muros altos, e ela lá estava. Mas os muros, que ainda são altos, já não são amarelos. São cinzentos, tristes, apagados. E o jardim já não é jardim, mas antes um enorme pátio de cimento onde há carros estacionados. A casa já não é uma casa. É a sede de uma empresa, com reclamos luminosos e amplas janelas de vidro duplo. A fachada foi alterada, e da casa não sobra qualquer magia daquele tempo em que ali construí o jardim da minha alma e rodopiei entre árvores e flores, dançando com as borboletas e falando com príncipes e princesas, cavaleiros e criadas que viviam apenas na minha imaginação.

Percebi então que o jardim da minha alma já não vivia ali. Que não há agora um espaço físico para esta magia que há dentro de mim e que me faz acreditar em príncipes e princesas, no amor e na saudade, no estar só mas sem deixar de ser feliz nessa solidão. Sei que a minha alma ainda floresce, luxuriante e rebelde como sempre foi, mesmo que não haja um lugar no mundo onde pessoas normais possam ver o meu jardim crescer. Sei que há flores dentro de mim, que há árvores que me abraçam e borboletas que esvoaçam enquanto falam comigo. Sei que mais ninguém vê o jardim que cresce à minha volta. Talvez pensem que sou doida quando me vêem falar com as plantas e os animais. Quando me vêem rir sozinha, sem perceberem que afinal não estou só. Estou comigo, no jardim da minha alma. Estou num lugar onde consigo abraçar quem amo, mesmo que já tenha partido, e em que consigo sorrir e ver a luz do sorriso das pessoas mais importantes da minha vida. Este é o jardim da minha alma. E era, até hoje, secreto. 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Porta-a-porta: das vendas ao espancamento de portas fechadas...


Antigamente, sempre que alguém tocava à campainha cá de casa, tínhamos o hábito de abrir a porta, ou de pelo menos ir ver quem era e ao que vinha. Com o tempo, porém, constatámos que na maior parte das vezes quem toca anda a pregar a fé, a vender qualquer coisa ou a pedir, para si ou para as festas anuais da freguesia. Depois de anos e anos a sofrer na pele o “privilégio” de ser alvo preferencial das acções de telemarketing de tudo o que era empresa do ramo, agora, talvez porque deixámos de ter telefone fixo, já ninguém nos telefona. Agora é no porta-a-porta que se materializa o calvário! É raro o dia em que, aqui na rua, não andam pessoas engravatadas e com pastas debaixo do braço, sorrisos mais amarelos do que a gema do ovo e exacerbados ataques de simpatia que soam a tudo menos a genuína alegria por verem quem está por detrás das portas que se vão abrindo. A nossa raramente se abre. E se vemos que é disso que se trata, vendedores e outros pregadores, mesmo que nos vejam entrar em casa, quando tocam agimos como se não estivesse ninguém. E tocam uma vez, às vezes duas, e depois desistem.

Hoje o surreal aconteceu. Vimos do terraço que andava um dos tais engravatados a bater a todas as portas e a tentar impingir a quem as abria qualquer coisa entre telefones e televisão por cabo. Ele não nos viu, e por isso viemos para dentro de casa e prontamente decidimos que não abriríamos a porta quando o tal homem tocasse. E ele tocou. Tocou uma vez, tocou duas, tocou três. Surpreendida com a insistência, pensei em ir lá abaixo dizer-lhe que não tínhamos interesse no que quer que ele estivesse a vender, mas tendo em conta que estava ocupada e que, se não abri a porta à primeira nem à segunda, não fazia sentido abri-la à terceira, continuei a fazer o que estava a fazer. Aparentemente, o fulano desistiu. Cinco minutos depois, quando já ninguém se lembrava do tal homem, da gravata, dos telefones e do sorriso da cor da gema do ovo, o som estridente da campainha fez-se ouvir de novo, e de novo por três vezes.

Entre a incredulidade perante a insistência e a raiva que começava a nascer-me cá dentro, estava prestes a vociferar qualquer coisa quando ouvi – pasme-se! – o homem a bater à porta com o punho cerrado. Como se quem não tivesse ouvido a campainha (e só um surdo de pedra conseguiria tal proeza, ainda por cima com o cão a ladrar como se viesse aí o fim do mundo) ouvisse, por artes mágicas, os nós dos dedos a bater na porta! Por fim a criatura marchou e nunca mais foi vista, mas ficou no ar a pergunta: que espécie de desespero leva um vendedor de telefones que anda de porta em porta, de rua em rua, a massacrar de tal maneira as campainhas, os batentes e os próprios nós dos dedos?! Que acham estas pessoas que têm assim de tão importante para dizer que não há, da outra parte, a possibilidade de simplesmente não haver qualquer interesse em ouvi-los? Ou, mais grave ainda, como é que não pensam que pode não estar ninguém em casa, porque tal como eles as outras pessoas também têm empregos e sítios onde estar durante a tarde?!

Foi então que me lembrei da minha curta – curtíssima – incursão no mundo das vendas porta-a-porta. Não durou mais do que uma manhã, e só me apanharam lá porque na entrevista de emprego em que tinha estado no dia anterior me disseram que o trabalho era na área da publicidade e da distribuição, e ninguém me falou no porta-a-porta. Disseram-me para me vestir bem, formal, e usar calçado confortável, e antes de sair do escritório, com o que depois soube serem dois vendedores, ninguém me disse para onde íamos. Mas adiante, que as técnicas de recrutamento actuais são o que todos já sabemos: diz-se o mínimo sobre direitos, explica-se bem os deveres, elogia-se a função que nos atribuem até que enjoemos dela, antes mesmo de começar, e depois percebemos, na prática, que nada era o que parecia ser. Aguentei uma manhã a andar de porta em porta com os tais vendedores de telefones. Um deles, o “chefe de equipa”, tecia rasgados elogios à minha “atitude”, dizia gostar muito da minha “postura”, “educada e curiosa”, talvez por eu fazer muitas perguntas a que ele nem sempre sabia dar uma resposta convincente.

Durante essa manhã eu apenas tinha de ver “como se fazia”. Não tinha de fazer ou dizer nada, apenas “aprender” com “a equipa”. Ainda assim, para não ser completamente enfadonho, passaram-me para as mãos um mapa com o nome das ruas que íamos “visitar” e os números de todas as portas a que teríamos de bater, sendo a minha missão anotar, à medida que avançávamos, e em cada um dos quadradinhos, se havia pessoas em casa, se tinham telefone fixo, quando pagavam de assinatura mensal e se estavam satisfeitas com o serviço. Caso ninguém abrisse a porta, tinha de assinalar no mapa que não estava ninguém e, nesse mesmo dia, teria de voltar a tocar à mesma campainha da parte da tarde. A missão era, portanto, andar o dia inteiro no mesmo quarteirão, a bater a todas as portas, a subir a todos os andares de todos os prédios, a falar com os velhotes que nos abriam as portas (durante o dia há muitos velhotes sozinhos em casa) como se sofresse de um qualquer problema mental que mantinha o sorriso amarelo como a gema do ovo cravado na minha cara, e a tentar impingir-lhes o telefone (e até tínhamos um, dentro de uma caixa, que o meu “colega” oferecia a todas as pessoas que abriam a porta, dizendo-lhes: “Este telefone é para si, é uma oferta” (que depois lhes tirava da mão quando as pessoas diziam que não estavam interessadas no serviço que estávamos a vender).

Para mim bastou. Se quisesse enganar velhotes tenho a certeza de que seria capaz de o fazer autonomamente, por minha conta e risco, gastando muito menos solas de sapatos e muito menos hipocrisia! Não estava interessada e disse logo à “equipa” que aquilo não era para mim. Uma vez mais o chefe elogiou a minha “atitude e postura”, por “ter ido observar antes de recusar”, por “não ter dito logo que não”. Tive a certeza de uma coisa: é preciso ser forte para ser vendedor de porta em porta. É preciso ser fisicamente possante, capaz de simular simpatia até ao infinito, mentir quando nos perguntam pelo intercomunicador o que queremos (porque ninguém abre a porta a quem diz que anda a vender telefones). Não é mesmo para qualquer um. Mas mais do que isso tudo, é preciso ter pouco amor-próprio também, e ajuda se formos uns grandes chatos. E chatos já vi muitos, no porta-a-porta e em muitos outros lugares que por todo o lado agora se transformam em pontos de venda de qualquer coisa. O que nunca tinha visto era um chato desesperado como o engravatado que hoje me bateu à porta. Tocar à campainha de uma pessoa meia dúzia de vezes em meia dúzia de minutos e depois ainda ousar bater à porta com os nós dos dedos não é coisa de gente normal…

terça-feira, 23 de julho de 2013

A toponímia e os candidatos às eleições autárquicas...

Que a política em Portugal - desconfio que no resto do mundo também - anda pelas ruas da amargura já todos sabemos, e que político que se preze é sempre muito, mas muito mentiroso também, mas vejam lá que agora virou moda os candidatos às autárquicas de Setembro próximo começarem a mentir assim que chegam junto das populações e se apresentam aos cidadãos! É que começam a mentir mal dizem o nome! Não acreditam? Então reparem nisto:

Basílio Horta é candidato pelo Partido Socialista. A que câmara é que ele concorre? Será à Câmara Municipal da Horta? Não. Basílio Horta é candidato do PS à Câmara Municipal de Sintra! 

E de Élio Maia já ouviram falar? Élio Maia é cabeça-de-lista de uma candidatura independente a uma câmara do Norte do País... Será a Câmara da Maia? Nã... Isso seria demasiado fácil. Élio Maia concorre à presidência da Câmara de Aveiro!

Herlander Mira. Dou um doce a quem acertar na câmara a que este senhor concorre. Alguém disse Mira?! Estará alguém a ler este texto desde o início?! Herlander Mira veste a camisola da coligação PSD/CDS mas não é a Câmara de Mira que ele quer. Nada disso! Ele quer mesmo é ser presidente em Mértola, que fica um bocadinho mais abaixo...

Envergando as cores do Bloco de Esquerda, Joana Mortágua é apontada como candidata do partido não a Mortágua, mas à Câmara Municipal de Almada...

E esta, hein? São uns enganadores estes candidatos. Mal chegam junto da populaça e se apresentam - "Olá, eu sou o Fulano de Tal" - já estão a falar de concelhos que não são os deles e de que não querem saber para nada, pelo menos por agora! Longe vão os tempos de políticos como Fátima Felgueiras, que ao menos mal se apresentavam diziam logo ao que vinham... :)

NB: Este texto é uma brincadeira e não visa ofender nenhum dos candidatos citados. 

domingo, 21 de julho de 2013

"Todas as relações são feitas de pedra"...

“Uma relação entre duas pessoas que se amam tem de se basear na capacidade de erigir um edifício. Pedra a pedra. Tijolo a tijolo. Poucas obras de engenharia são mais complexas do que uma relação entre duas pessoas que se amam. Nenhuma obra de engenharia é mais complexa do que uma relação entre duas pessoas que se amam. Nada é mais exigente fisicamente do que uma relação entre duas pessoas que se amam. Tem de haver uma entrega absoluta. Até à última gota. Para que cada pedra esteja no local certo. E por vezes há que caminhar quilómetros com essa pedra às costas para a colocar no local certo. Nem mais um centímetro à frente nem mais um centímetro atrás. Cada pedra que constróis também pode ser cada pedra que destrói, que faz derrubar todo o edifício. Todas as relações são feitas de pedra. Mas está na nossa mão. Está na mão dos dois constituintes de uma relação entre duas pessoas que se amam definir se a pedra serve para separar se a pedra serve para unir. Todas as relações são feitas de pedra. E é assim que construo. É assim que pela primeira vez construo. Estou a construir. Digo-te cada verdade e sei que estou a colocar as pedras que nos separavam nos locais certos. Para que o edifício cresça quando já estava quase a cair. Para que possas depois perceber se queres construir comigo ou se queres que tudo isto que somos caia de vez. Olho-te nos olhos e sei que choras. Sei que choras a cada verdade que te entrego, a cada pedra que te coloco nas mãos. Não sei se terás força para as suster, se terás força para as aguentar, para as suportar dentro de ti. Não sei se algum de nós conseguirá levar mais longe este edifício. Mas sei que me sinto enfim a ser eu em ti como tu sempre foste em mim. Todas as relações são feitas de pedra. Há que construir. Há sempre que construir”.

Pedro Chagas Freitas, no livro «In Sexus Veritas»

sábado, 6 de julho de 2013

Sou boa quando sou boa, mas quando sou má sou ainda melhor...


Há, entre os poucos que me conhecem bem, os que gostam muito de mim e os que não me suportam. Alguns gostam muito de mim por motivos que desconheço, mesmo até quando eu nem gosto muito deles. No extremo oposto, há os que me detestam, mesmo quando nada fiz que justifique tamanha ira. Em qualquer dos casos, é para o lado que durmo melhor. Gosto de quem gosto, tento inspirar nos outros o tipo de sentimento que nutro por eles. Se consigo, óptimo; se não consigo, paciência.

O que não entendo é aquele tipo de gente que se faz constantemente de vítima, que inventa ódios que nunca senti, que vê em mim uma fonte de inesgotáveis desamores. Eu até sou boa pessoa, juro. E tento ser melhor a cada dia que passa. Dou aos outros muito mais do que recebo deles, e mesmo assim, na hora de criticar e de insultar, com ou sem razão, é sobre mim que recai a escolha dessa gente, mesmo daqueles a quem já dei provas bastantes do meu afecto e da minha disponibilidade. Se a ideia é escolher um alvo preferencial, I'm the one! E sabem de uma coisa? I could care less. É verdade que podia não me importar. Afinal, sou o que sou e não aquilo que querem fazer de mim nessas tristes interpretações da realidade muito particular que só existe na cabeça dessa gente. Mas sempre me perturbou o raciocínio de quem vê sempre nos outros a culpa para os seus males.

De uma coisa eu sei: não sou perfeita. Longe disso. Sou boa quando sou boa, mas quando sou má sou ainda melhor. E quem se mete comigo fica sempre com histórias para contar. Os que amei hão-de amar-me para sempre. Os que poderia ter odiado - mas que optei por apenas ignorar - hão-de para sempre lembrar-se de mim. Felizmente, e a idade tem-me ajudado nisso, sou mais de perdoar do que de revidar. Não perco tempo com a mesquinhez alheia. Vivo melhor assim. Quando a minha paciência acaba tendo a ter mau feitio, mas para já, para meu bem e para bem de todos, opto pelo silêncio. É sempre uma boa arma. A quem me ataca, num acesso de umbiguismo sem precedentes, fica dado o recado: quem vai à guerra dá e leva, e um dia veremos quem ganhou a maior parte das batalhas. Não tenho medo desse julgamento.