quarta-feira, 24 de junho de 2009

Um desabafo que é uma mensagem

Ao longo da minha ainda curta existência, nem sempre pelos melhores motivos, descobri que sou uma pessoa marcante. Sou directa e frontal, não olho às hierarquias, tenho a tendência para dizer sempre o que penso, doa a quem doer, e até gosto de provocar alguma celeuma com as coisas que sei e que digo. Sou leal para com os meus amigos, apesar de muitos não terem merecido nem honrado essa lealdade, e dou sempre muito mais de mim do que aquilo que recebo.

Normalmente não desisto das coisas de que gosto, porque sei que estou à altura de as alcançar e manter. Agora que estou quase a entrar nos 33 anos, idade que sonhei reiteradamente (durante 12 longos anos, noite após noite) que não conseguiria atingir, encontro-me numa fase de balanço e, acredito, esse balanço é francamente positivo. Porque preferi ser dona de uma moeda do que escrava de duas. Sempre. E porque sou feliz com as escolhas que fiz.

Outra coisa que sempre soube é que, na política como em muitas outras coisas, há gente capaz de ir muito baixo. Gente capaz de se esfregar no lodo que deixou criar na pedra que tem no lugar do coração. Gente capaz de ofender e injuriar, apenas porque não consegue chegar ao mesmo nível daqueles a quem dedica tão viscerais sentimentos.
Sempre tive inimigos, e sempre gostei de os ter, porque como me disse a certa altura uma pessoa que muito prezo, ser consensual é sinónimo de ser desinteressante, incapaz de chocar, de marcar, de ser. E eu sou tudo aquilo que quis ser. A título pessoal, sou até uma das pessoas mais coerentes e honestas que conheço. Por isso faço aqui este parêntesis, e peço a vossa compreensão por isso.

Contrariamente ao que é normal em mim, que raramente desisto daquilo que quero, houve dois episódios em que o fiz: quando desisti de lutar contra a administração de «O Primeiro de Janeiro» pelos ordenados em atraso e pela indemnização a que tenho direito, por ter sido, há já quase um ano, alvo de um despedimento colectivo ilegal, e quando me demiti do emprego que tive depois, por razões estritamente pessoais, mas profundamente importantes para mim.

Desse emprego, na área da assessoria política e de imprensa, constava uma relação profissional com o presidente da Câmara Municipal de Santo Tirso, pessoa com quem aprendi muito e de quem gostei desde o primeiro instante. Castro Fernandes é uma pessoa profundamente dedicada à política, conhecedora dos dossiers e dos procedimentos, envolvida no quotidiano do seu município, divertida e disponível. No entanto, razões pessoais levaram-me à demissão, consumada no final de Março deste ano.
Curiosamente, nunca pensei que ficasse tão conhecida – e tão odiada – em Santo Tirso. Fiz amigos, é certo. Amigos de quem guardo boas recordações e alguns números de telefone e endereços de e-mail. Já lá voltei inúmeras vezes depois da demissão, para estar com alguns deles, se bem que a minha vida – que agora se divide entre as cidades do Porto, de Aveiro, Coimbra e Torres Vedras – não me tem permitido dedicar à amizade tanto tempo quanto desejaria.

Ainda assim, há quem pense que o meu fantasma ainda trabalha na Câmara de Santo Tirso e – pasme-se! – têm lançado ameaças à minha pessoa, como se me ofendessem muito por dizer que eu trabalho lá, se de facto lá trabalhasse. Fui alertada por uma amiga que trabalha lá que há comentários a circular em vários blogs, que se referem directamente a mim, que utilizam informações que disponibilizo neste blog, e que inclusivamente me ameaçam de “expor” a minha vida, e a das pessoas que gosto. Dizem que vão mostrar fotografias minhas, da minha família, do meu carro…

Enfim!
Já viram ao que isto chegou? Pormenor: eu não trabalho em Santo Tirso desde Março deste ano. E mesmo antes disso, só por artes mágicas poderia alguém saber exactamente o tipo de trabalho que ali desenvolvia, visto que não tinha directamente a ver com a Câmara, de onde nunca recebi um tostão. Não sei exactamente que medidas poderei tomar para evitar estas referências à minha pessoa em sites e blogs que desconheço, que não me ofendem, mas que se tornam descabidas e até absurdas.

Um amigo meu, advogado na Vila da Feira, assegura-me de que posso processar os blogs em questão e formalizar uma queixa contra desconhecidos. Eu acho que quem desistiu de exigir o que é seu (no caso Janeiro) não tem grande grande vontade de se ir meter em tribunais por causa disto. No entanto, não é agradável ser ameaçada por pessoas que não conheço, e que acham que publicar fotos minhas ou da minha família e do meu carro (onde as arranjariam não faço ideia) me faria parar o que quer que estivesse a fazer que as ofendia.

Nunca tive medo de nada, nem de ninguém. Espreitei os blogs em causa e, creiam, são tão deprimentes que nem vale a pena pensar mais nisso. Aliás, dá mesmo vontade de criar um e falar da vida política de Santo Tirso, mas assinando como sempre assinei tudo o que disse e escrevi. Uma coisa é certa, porém: nisto não posso decidir apenas por mim, e se alguém ofender a minha família ou os meus amigos, ou por qualquer motivo expuser a vida privada de qualquer dessas pessoas, terei necessariamente que tomar medidas.

Porque sei que as pessoas que orquestraram essa ridícula tentativa de desmascarar alguém – que julgam ser eu – lêem este blog, optei por deixar também aqui o aviso. Caso o meu nome venha a ser envolvido em qualquer polémica relacionada com os blogs de Santo Tirso, concelho que nada me diz desde o passado mês de Março, farei as necessárias diligências no sentido de processar os envolvidos. Nunca tive vocação para bode expiatório, muito menos num concelho que nem sequer é o meu. Obrigada pelo vosso tempo, e desculpem os que nada têm a ver com isto nem encontram nesta situação qualquer ponto de interesse. Eu continuo a achar que a mente humana é profundamente insondável…


Vou de férias.
Portem-se bem!

terça-feira, 23 de junho de 2009

Bom S. João para todos os despenteados!

Por cá o fumo anda no ar e há muito que o cheiro invadiu toda a rua. Cheira a sardinha, a pimento assado e a broa caseira. As conversas entre vizinhos sentam-se à volta do fogareiro, prepara-se os balões de ar quente a lançar ao céu mais logo, e as crianças correm já em busca de cabeças sobre as quais disparar as tradicionais “marteladas”. Com martelo (às vezes com o cabo) e alho-porro, já se me queixa a cabeça das batidas. Mas é S. João, e a malta não leva a mal, até porque também já tive a idade deles. Portanto, meus amigos, façam o favor de se divertir nesta noite que é de folia, mas com juízo! Bom S. João para todos, e uma beijoca especial aos “primos” da Terceira, que nos Açores a festa tem outra categoria!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Ao cair da noite, no maior dia do ano...


Fotos: Mente Despenteada

Acabou assim, à beira-mar, o meu maior dia do ano.
Chegou o Verão, e hoje notou-se bem...

domingo, 21 de junho de 2009

S. João do Deserto em todo o esplendor



Fotos: Mente Despenteada

Estava um calor infernal, e de início até parecia que não ia aparecer muita gente. Depois de muito pó engolido para lá chegar, e daqueles primeiros alguns minutos de alguma expectativa quanto ao sucesso da coisa, a actuação do Grupo de Pauliteiros de Vila Nova de Anços fez a festa, como aliás é hábito. Depois desta tarde, o lugar de S. João do Deserto, no Concelho de Penela, nunca mais será o mesmo... :)

Pauliteiros de V. N. de Anços em Penela

Arrancaram ontem, na aldeia de Espinhal, Concelho de Penela, Distrito de Coimbra, os tradicionais festejos em honra de S. João do Deserto. Num lugar famoso pelo seu miradouro, de onde, “com um bom binóculo e um pouco de imaginação”, é possível avistar seis distritos – Coimbra, Leiria, Castelo Branco, Guarda, Aveiro e Viseu – sem gastar mais do que botas, como afirmava Eugénio de Castro, sucedem-se, até amanhã, os momentos de celebração. De acordo com a junta de freguesia local, a aldeia de Espinhal tem “muitos encantos naturais”, entre os quais figuram as represas naturais da Louçainha, a bravia da Pedra da Ferida e, obviamente, o Lugar de S. João do Deserto, “uma das paisagens em que mais se comprazia o grande poeta Eugénio de Castro”. Não faltam, por isso, os ingredientes para que este seja um passeio inesquecível. Mas hoje há ainda mais uma razão para lá ir: o Grupo de Pauliteiros de Vila Nova de Anços, em que milita o meu consorte, actua hoje, a partir das 15 horas, naquelas festas, antes mesmo da tradicional garraiada. Fica o convite, a quem estiver por lá perto. Apareçam!

A Serra do Espinhal oferece aos olhos de quem passa uma paisagem inigualável. Daqui se avista a bela Vila de Penela, encimada pelo seu Castelo. Dependendo da altura do ano, a serra cobre-se de tonalidades diversas, que vão desde o verde, ao azul, passando pelo cor de rosa e pelo amarelo, dependendo da imensa variedade de plantas e árvores que aqui se pode encontrar. Na freguesia do Espinhal, para além das diversas habitações nobres, é imprescindível visitar as Piscinas Naturais da Louçainha, subir ao alto da serra de Stª Maria (onde existe um característico relógio de sol) e deslumbrar-se com as paisagens de S. João do Deserto. Um dos edifícios mais importantes da freguesia do Espinhal é a Igreja Matriz datada do séc. XVI, a qual se destaca pela sua arquitectura e pela sua escultura”. http://www.aldeiasdoxisto.pt/

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Cristiano Ronaldo no Real Madrid

Acho que nem sei ler os números relativos à transferência de Cristiano Ronaldo para o Real Madrid, pelo menos sem uma lupa e um telescópio! No entanto, acho que não tem razão de ser a indignação que tomou conta do país por causa desta transferência. O país está em crise? Estará… O mundo está em crise? Talvez. Mas, e daí? O Cristiano Ronaldo pôs-se um preço, e alguém, mesmo tendo noção da enormidade dos números, dispôs-se a pagá-lo. E agora? Deveria o homem vender-se por menos, para não chocar ninguém? Não concordo. O dinheiro que ganha é dele, seja dentro, seja fora do campo. O dinheiro que lhe pagam é pago por quem pode, e por quem não sente falta dele e o dá por bem investido. Não é por Cristiano Ronaldo custar mais ou menos que vai acabar a crise e a fome no mundo. E se foi considerado (justa ou injustamente, pouco importa) o melhor do mundo, acho bem que se faça pagar por isso. Só paga quem quer e quem pode. O resto, os comentários de quem faz deste assunto um drama, que diz que ele não vale nada, que é um arrogante, que não sei que mais, e de quem vai buscar a crise mundial para justificar a sua ira em relação a este negócio, soa-me apenas e só a inveja. Pura e dura! O homem estipulou um preço e houve alguém que o pagou. Assunto encerrado.

E acrescento um pormenor: dentro de poucos dias deslocar-me-ei à capital espanhola para uns (merecidos) dias de férias. Tenho a intenção de visitar o Santiago Barnabéu (a entrada custa 15 euros por pessoa, mas que se lixe! Faço uma pausa na crise), e de trazer uma camisola do Real Madrid já com o nome do Ronaldo.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Será do leitão ou do tinto da Bairrada?

Foto: Luís Silva

Não sabemos se será do leitão ou do tinto da Bairrada, mas a malta da Mealhada anda um pouco confusa com os sinais de trânsito! Entrar nesta rua depois de ver estes sinais é proibido ou nem por isso? E quem entrar, tem multa?

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Haverá fumo sem fogo?

Foto: Carla Teixeira/Mente Despenteada

Ao início da tarde de ontem, quando passava pelo posto de abastecimento de combustíveis da Galp junto à saída da VCI para as Antas, no Porto, era este o cenário: fumo, muito fumo que saía de uma das tampas existentes do chão do referido posto, grande alarido à volta, moradores nas habitações vizinhas à janela, na rua, ao telefone com os bombeiros…

Não sei a que se deveu o incidente, mas o que é certo é que havia vários automóveis e outros tantos automobilistas que assistiam ao desenrolar dos acontecimentos, impávidos e serenos, como se o cenário não oferecesse qualquer perigo. Eu, pelo contrário, zarpei dali assim que pude, não sem antes constatar o que já todos sabemos: os tugas são mirones por natureza, e por isso, mesmo à minha frente, atraídos pelo que acontecia ao lado, quatro condutores acabaram por protagonizar um choque em cadeia, de onde, pelo menos aparentemente, mais não resultaria do que chapa (muita chapa) amolgada.

Do fumo em si, visto que não me apercebi de que houvesse ecos na Comunicação Social, não terá resultado mais do que um pequeno susto. Ao menos isso…

Eleições europeias e memórias políticas

As eleições europeias do último domingo fizeram-me lembrar os tempos das reportagens políticas, dos congressos partidários (e eu “especializei-me” nos do PSD), o suspense que perdurava até ao último minuto de cada noite eleitoral (as muitas horas extraordinárias, não pagas, dessas noites e dos dias anteriores), o rescaldo dos resultados… Bons tempos! Às vezes (só às vezes, nos meus raros momentos de lucidez), tenho saudades do tempo em que era jornalista. Mas depois passa-me logo. O Jornalismo, tal como o conheci e pratiquei, é coisa rara e em vias de extinção nos tempos que correm. Ainda assim, apresento aqui os meus cumprimentos aos vencedores destas eleições, recordando um momento de ociosidade registado num intervalo do Congresso Nacional do PSD realizado em Pombal, em Abril de 2007. Naquele momento, tal como vos dei conta no Mente Despenteada II, eu tornava-me “a última mulher a abraçar Francisco Sá Carneiro”.


Fotografia de Ângela Velhote, fotojornalista

O PSD venceu as eleições europeias 2009.
Parabéns, e cumprimentos pela vitória.

sábado, 6 de junho de 2009

Contra a abstenção, votar, votar!

Portugueses,

Estamos já a menos de 24 horas da abertura das urnas para as eleições europeias deste ano. Hoje, vive-se em toda a Europa o chamado “dia de reflexão”, na ressaca de uma campanha eleitoral que em Portugal fica essencialmente marcada pelos ataques pessoais entre candidatos e pelo debate de questões internas, mais do que pela discussão de temas concernentes ao âmbito de actividade do Parlamento Europeu. É o costume.

Segundo dados da Direcção-Geral da Administração Interna, para as europeias de amanhã estão recenseados 9,6 milhões de portugueses, mais 17 mil do que no último acto eleitoral realizado em Portugal, as eleições presidenciais de 2006, quando estavam inscritos 8,9 milhões de eleitores no nosso país. De acordo com a Comissão Nacional de Eleições, nessa altura a abstenção atingiu os 38,47 por cento. Uma percentagem elevada, mas que ainda assim fica bem aquém da tradicional abstenção nas europeias (27,58 por cento em 1987, 48,90 por cento em 1989, 64,46 por cento em 1994, 60,07 por cento em 1999 e 61,40 por cento em 2004).

Mais inscritos não significa, infelizmente, mais votantes, e a chuva que se adivinha para este fim-de-semana também não constitui bom prenúncio. Não acredito que algum partido consiga bater os números da abstinência no voto. Os portugueses tendem a demitir-se dos seus deveres, e a atirar à rua as oportunidades de exercer a sua cidadania, como se isso não lhes dissesse respeito. É um erro. Porque não são os políticos que constroem a qualidade da democracia. São os cidadãos, que livremente se expressam, nos momentos e nos lugares certos, quanto ao futuro do país e, neste caso, quanto ao futuro da Europa. Cabe aos portugueses decidir quem são os seus representantes no Parlamento Europeu, mas a tendência é para se pensar que a Europa é demasiado longe para ter algo a ver connosco. Erro, outra vez.

Por isso, amanhã vamos todos às urnas. Vamos ajudar a construir o Portugal que é de todos. Sem esquecer que a Europa é, cada vez mais, um elemento fundamental da afirmação de Portugal e dos portugueses no mundo. Contra a abstenção, votar, votar!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Trabalhadores Consulares em greve

O Sindicato dos Trabalhadores Consulares e das Missões Diplomáticas convocou para amanhã, 4 de Junho, uma greve que deverá provocar o encerramento generalizado dos serviços consulares (embaixadas, consulados portugueses e centros culturais do Instituto Camões em todo o mundo). O pré-aviso de greve, a que o Mente Despenteada teve acesso, foi enviado ao Governo no passado dia 27 de Maio, e encontra-se disponível aqui. Em causa está, segundo um comunicado enviado aos meios de Comunicação Social, a recusa dos funcionários em ser excluídos do regime da Função Pública portuguesa e remetidos para as leis locais, sem direitos sindicais e de negociação. A nota atesta que “é grande a indignação que vem sendo transmitida pelos trabalhadores ao serviço do Estado Português em todo o mundo”, que condenam o facto de os serviços externos do MNE serem agora, de acordo com “certas leis”, designam como “periféricos”.
Falando aos sócios, a direcção do sindicato afirma que, “apesar de a greve ter sido devidamente anunciada, e de o aviso prévio legalmente previsto ter sido enviado ao senhor ministro e a outros governantes competentes, o Ministério dos Negócios Estrangeiros manteve-se surdo e mudo, as Finanças não quiseram viabilizar a devida actualização para 2009, e o Poder mostra preferir desprezar os direitos dos cidadãos, seus trabalhadores ou emigrantes, do que resolver problemas pela via democrática, inteligente e negociada”. Por esse motivo, o sindicato reforça o seu apelo à adesão à greve nesta quinta-feira, e alerta para a recusa de quaisquer tentativas de intimidação ou acção à margem da lei por parte das chefias, divulgando as normas legais pertinentes em matéria de greve.

Toda a verdade sobre os genéricos

Foi no programa matinal da SIC apresentado por Merche Romero – com que me deparei num zapping e cujo nome ignoro – que assisti a uma cena digna de figurar numa qualquer listagem de “tesourinhos deprimentes da nossa televisão”. Num pretenso debate sobre medicamentos genéricos, eram convidados João Braga, Simone de Oliveira e Joana Amaral Dias. Médico, havia algum? Não. Farmacêutico, havia algum? Não. Havia uma psicóloga que ficou mais conhecida por ser uma espécie de "boazona da política", um fadista e uma actriz e cantora. Tudo isto polvilhado pela “sabedoria” de uma apresentadora de substituição. Foi neste debate, em que precisamente demorei o meu zapping, que ouvi algumas “pérolas” de pessoas que percebem tanto de medicamentos como o meu vizinho que trabalha num banco, ou como o homem que entrega os jornais na papelaria cá da rua. Ou se calhar menos. Por isso, para quem se importa com a verdade e se exaspera quase até ao colapso com tamanhas demonstrações de estupidez, e com a ousadia de meia dúzia de ignorantes em debater um tema tão importante como a saúde de todos nós, deixo-vos algumas informações sobre os genéricos, disponibilizadas por quem merece, pelo papel que desempenha, alguma credibilidade nesta matéria: a Autoridade Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed).

O QUE É UM MEDICAMENTO GENÉRICO? Um medicamento genérico é um medicamento com a mesma substância activa, forma farmacêutica e dosagem e com a mesma indicação terapêutica que o medicamento original, de marca, que serviu de referência.

COMO RECONHECER UM MEDICAMENTO GENÉRICO? Os medicamentos genéricos são identificados pela sigla (MG), inserida na embalagem exterior do medicamento.

COMO SÃO PRESCRITOS OS MEDICAMENTOS GENÉRICOS? São prescritos pela DCI das substâncias activas, seguida da dosagem e forma farmacêutica, podendo o médico acrescentar o nome do respectivo titular da AIM ou marca.

GARANTIA DE QUALIDADE, SEGURANÇA E EFICÁCIA De acordo com o Decreto-Lei n.º 176/2006, de 30 de Agosto, a AIM de medicamentos genéricos está sujeita às mesmas disposições legais dos outros medicamentos, estando dispensada a apresentação de ensaios pré-clínicos e clínicos desde que demonstrada a bioequivalência com base em estudos de biodisponibilidade ou quando estes não forem adequados, equivalência terapêutica por meio de estudos de farmacologia clínica apropriados (estes testes seguem estritamente o disposto nas normas comunitárias) ou outros a solicitar pelo Infarmed.

Quais são as vantagens dos medicamentos genéricos?

- São medicamentos cujas substâncias activas se encontram no mercado há vários anos e que, por essa razão, apresentam maior garantia de efectividade e permitem um melhor conhecimento do respectivo perfil de segurança.

- Apresentam a mesma qualidade do medicamento de referência, traduzida na demonstração de bioequivalência, através de estudos de biodisponibilidade (Decreto-Lei n.º 176/2006, de 30 de Agosto).

- São 20 ou 35% mais baratos do que o medicamento de referência, com a mesma forma farmacêutica e igual dosagem caso não exista grupo homogéneo, o que se torna uma vantagem económica, para os utentes porque estes medicamentos são substancialmente mais baratos do que o medicamento de referência, e para o SNS porque permite uma melhor gestão dos recursos disponíveis. No caso de existir grupo homogéneo, o preço de venda ao público é igual ou inferior ao preço de referência desse grupo.

- A prescrição por DCI ou por nome genérico representa uma prescrição de base mais científica e mais racional.

- Maior rapidez na obtenção de AIM, associada a uma simplificação de todo o processo (está dispensada a apresentação dos relatórios dos peritos sobre os ensaios farmacológicos, toxicológicos e clínicos e pré-clínicos (Decreto-Lei n.º 176/2006, de 30 de Agosto).

EM SUMA…
Os medicamentos genéricos têm a mesma qualidade, eficácia e segurança a um preço inferior ao do medicamento original.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Perguntas para que não tenho respostas

Por que é que o Pato Donald tem sobrinhos, se não tem irmãos?

Por que é que as pessoas que acham que têm sempre razão são sempre os menos razoáveis?

Por que é que as pessoas que acham que sabem alguma coisa sobre outras pessoas tendem a fazer comentários dúbios e algo ameaçadores?

Por que é que passa amiúde na televisão portuguesa um anúncio absurdo que diz que, se ligarmos para um determinado número de telefone, podemos ganhar 20 mil euros, e que termina com um inolvidável “fique rico”? Alguém terá explicado àqueles senhores que 20 mil euros não chegam sequer para comprar um automóvel de gama média?

Num outro anúncio, há um fulano que nos diz “Na Agros temos o compromisso de lhe oferecer um leite de qualidade. Poderá dizer o mesmo do seu leite sem marca?”. Saberá ele que existem outras marcas de leite, ou achará realmente que, sem a Agros, só existem leites sem marca?

Por que é que os candidatos às eleições europeias falam de tudo menos de temas europeus?

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Entrevista ao investigador Hélder Maiato

Em Julho de 2007 fui convidada pela editora Edeline para participar num projecto que considerei bastante interessante: a título gracioso, um conjunto de jovens sem qualquer publicação em livro era convidado a participar na elaboração de uma obra em que se daria destaque a outros jovens que, apesar da pouca idade, se destacavam já na área da Ciência e da Inovação. Fui convidada a entrevistar o promissor investigador Hélder Maiato, do Instituto de Biologia Molecular e Celular da Universidade do Porto. Foi uma conversa muito interessante. Curiosamente, depois do texto que me competia ter sido enviado, nunca mais consegui estabelecer contacto com a editora, e até ao momento desconheço se algum dia esse livro foi publicado. Por isso, e porque acho que o texto e o meu interlocutor merecem, dois anos depois deixo-vos aqui o relato dessa entrevista. É um pouco extensa, é um facto, mas o Hélder merece, e eu também.

Numa pequena sala do andar inferior do edifício do Instituto de Biologia Molecular e Celular da Universidade do Porto há numerosos livros a forrar as paredes. Livros e volumes de enciclopédias, de lombada grossa, onde avultam expressões científicas escritas em diversas línguas. O número 13 escrito na porta desmente o adágio dos azarados: Hélder Maiato define-se como um homem de sorte. Aos 31 anos tem um currículo de mérito assombroso, reconhecido aquém e além-fronteiras, assente na determinação que o liderou na construção de um percurso académico e profissional notável: licenciou-se em Bioquímica pela Universidade do Porto, depois integrou o 6º Programa Gulbenkian de Doutoramento em Biologia e Medicina, que o conduziu à Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, onde iniciou os seus estudos sobre a divisão celular, para depois concluir um doutoramento em Ciências Biométicas no Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar, a sua grande referência, quer em termos científicos, quer em termos artísticos.
Depois de uma permanência relativamente curta em Portugal – o suficiente para ter concluído aquela formação e ter casado – rumou numa aventura transatlântica. Foi nos Estados Unidos que fez o seu trabalho de pós-doutoramento em Microcicurgia Celular no Wadsworth Center, entidade afecta ao Departamento de Saúde de Nova Iorque. Desse breve percurso registou para a posteridade diversas publicações em revistas e jornais científicos de excelência a nível internacional, de que o «Embo Journal», o «Journal of Cell Biology», a «Cell» e a «Nature Cell Biology» são alguns exemplos. Em 2005 Hélder Maiato regressou a Portugal, e desde então assume as funções de investigador no IMBC e de professor auxiliar convidado na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. No instituto lidera uma equipa de cientistas que se debruçou sobre a questão da divisão celular e da aneuploidia, e que esteve ligada ao desenvolvimento do primeiro sistema de microcirurgia laser em células vivas da Europa.
Sentado em frente ao microscópio, diz que é ali que se revela, apesar de ser entre os livros e em seminários que passa grande parte do seu tempo. Traz nos olhos a inquietude do buscador. Um brilho de quem tem tantas perguntas e se precipita na tentativa de encontrar respostas. No rosto, esculpido com a graça da juventude que ostenta também na forma descontraída de vestir – não se dá mal com as gravatas, mas prefere as T-shirts e os calções –, baila sempre um sorriso, franco mas tímido, tão discreto quanto generoso. Nascido em Matosinhos mas a viver actualmente em Gaia, brinca com a génese do nome: diz “não ter ideia” de onde vem o «Maiato», e garante que ao concelho da Maia nunca teve qualquer ligação. Ainda sem filhos, o jovem cientista afirma ser “uma pessoa de 31 anos igual às outras pessoas de 31 anos”, apontando gostos comuns aos das pessoas comuns com que se cruza nas ruas todos os dias.
Tem, como a generalidade dos jovens, gosto e aptidão para a prática desportiva. Não se deixa cativar por nada demasiado radical, porque gosta de “ter sempre os pés no chão”, mas já praticou diversas modalidades, inclusivamente na vertente de alta competição. Praticou voleibol durante vários anos, fez uma curta incursão pela escalada desportiva, e actualmente está mais familiarizado com o squach. “Adepto moderado” de futebol, é frequentador assíduo do Estádio do Dragão, e acredita que “o Futebol Clube do Porto é um emblema da cidade e do país” e “um exemplo de profissionalismo e de determinação face a um conjunto de objectivos traçados”.
Na música pauta o seu gosto por uma enorme abrangência de estilos, que vão do jazz e das “sonoridades mais calmas” ao heavy metal, apesar de reconhecer que a faceta mais dura era mais evidente na adolescência e que “parou nos Metallica”, não tendo desde então acompanhando a evolução daquelas modas do som. Em Portugal a grande referência é Carlos Paredes, que “sem dizer uma palavra soube transmitir como ninguém o que é ser português”. A Casa da Música, um “cristal de arrojo artístico” que o atrai e onde se sente bem, é um dos espaços onde gosta de usufruir da música.

A inovação...
Determinação e persistência são, para Hélder, os maiores traços do seu carácter, e no campo pessoal e profissional é à força com que se agarrou a diversos objectivos que foi traçando que atribui o sucesso alcançado. “Brincar aos cientistas será algo um pouco camuflado”, mas quando era menino “era bastante criativo. Brincava com legos, a construir e a criar”. O avô, que define como “um inventor no sentido literal da palavra”, exerceu grande influência sobre ele. “Ele tinha uma oficina onde fazia uma série de coisas, e eu ia para lá, às vezes participava, ajudava... E quando ele não estava, fazia as minhas próprias coisas. Talvez tenha nascido aí o «bichinho» do criar, e o gosto pelo desconhecido e pela investigação”, justifica. O caminho até à bioquímica não foi, no entanto, linear.
Quando frequentava o 12º ano de escolaridade estava ainda “um pouco indeciso”, porque desde criança revelara “muito gosto pelo desenho”, característica que levou sempre os professores a orientá-lo nesse sentido. No 9º ano seguiu uma “aventura” na área da Arte e do Design, mas cedo percebeu que não gostaria daquele domínio para uma carreira profissional, embora hoje se dedique a desenhar algumas peças de mobiliário, mas “apenas para uso pessoal”. A arquitectura, essa sim, uma paixão, poderia ter sido a alternativa profissional, se a ciência não tivesse falado mais alto. A bioquímica seduziu-o por ser “a licenciatura que melhor preparação oferece para a investigação”, mas estava longe de imaginar que essa escolha faria dele, volvidos poucos anos, um dos jovens investigadores de maior relevância na comunidade científica nacional.
Em 2005 Hélder Maiato fundou a sua equipa de investigação, que tem trabalhado no sentido de perceber o mecanismo de divisão das células e as implicações desse processo no desenvolvimento de doenças como o cancro ou a Trissomia 21. Saber “como é a informação genética de uma célula é transmitida às células da geração seguinte” é o grande objectivo da equipa do IMBC liderada pelo cientista. A grande inovação do trabalho desenvolvido pelos sete investigadores que lidera prende-se com o facto de, trabalhando com células vivas, terem conseguido “combinar uma série de tecnologias – não só moleculares, mas também ópticas, relacionadas com lasers – que nos permitem estudar dentro da célula, ainda viva, a importância de determinadas estruturas, genes e moléculas".
O trabalho de Hélder Maiato foi diversas vezes reconhecido internacionalmente, e a conquista de galardões, entre os quais avultam o Prémio da Sociedade Portuguesa de Genética Humana 2004, o Estímulo à Investigação da Fundação Calouste Gulbenkian ou o Prémio Crioestaminal em Investigação Boiomédica, confluem para a inequívoca confirmação do mérito das investigações que liderou. “Revelam algum reconhecimento e o reforço de que a estratégia que estabelecemos é uma estratégia válida e que poderá trazer grande informação sobre a divisão celular”. O investigador acredita que “foi também premiada a continuidade de um trabalho que chegou sempre a resultados importantes”, mas ainda assim considera “prematuro” traçar um balanço da investigação.

O caminho...
A finalização do próprio sistema-piloto de microcirurgia laser, o primeiro na Europa, é em si mesmo uma vitória, que só foi possível com os vários apoios recebidos pela sua equipa, entre os quais o recente Prémio Crioestaminal, que segundo o cientista permitiu “manter na minha equipa elementos-chave envolvidos no processo”, além da “aquisição de alguns componentes que permitem melhorar significativamente a performance do sistema”. Findo o processo mais ou menos moroso de angariação de fundos e apoios, Hélder Maiato considera ter agora todas as condições para dar início à fase de experimentação propriamente dita. Afirmando-se um optimista, diz que “com as pessoas certas tudo de consegue”, escamoteando assim o peso das dificuldades sentidas, mas já ultrapassadas.
Apesar dos seus curtos 31 anos, Hélder Maiato sabe que já colheu a admiração da comunidade científica portuguesa e internacional, mas assevera que está à procura do seu próprio caminho. “Não sei se isto é o que quero fazer para o resto da vida”, confidencia, embora considere ter neste momento “uma série de questões para as quais gostaria de ter resposta”, e que de alguma forma lhe dão energia para montar a estratégia correcta no sentido de encontrar as respostas que procura. “No fundo o que estamos a tentar fazer é encontrar respostas. Parece efémero, mas é isso que fazemos”, explica, em nome da equipa que dirige. Tendo em conta que este é “um trabalho de uma vida, e com um grau de certeza insuficiente”, o jovem cientista dá conta de uma forte convicção: a ciência é “uma área fascinante”.
Sabe que de cada resposta alcançada surgirão necessariamente novas perguntas, e esse processo contínuo de inquirir e descobrir, para voltar a inquirir, “faz parte do caminho científico”, sendo importante “ter uma liberdade e flexibilidade suficientes para nos deixarmos levar para onde os resultados nos encaminharem”. Sublinha que, no domínio científico, é massa crítica – as pessoas – que conta, mais do que os meios de que se dispõe, apesar de estes obviamente poderem castrar anseios de ir mais longe em termos de investigação. No entanto, para Hélder Maiato, “são as pessoas que fazem a diferença entre a boa e a má ciência”. “O facto de termos o melhor orçamento não serve de muito se não tivermos as pessoas certas. Sem elas jamais faremos boa ciência”, assegura.
Considerando que em Portugal a questão orçamental constitui um handicap, e que sempre que um cientista pensa em fazer um pós-doutoramento surge sempre no horizonte a necessidade de rumar aos Estados Unidos – “é lá que estão todos os recursos que permitem explorar melhor a capacidade criativa dos cientistas” –, diz que, “até por isso, é importante dotar os laboratórios nacionais das pessoas mais adequadas e com mais mérito”. Mas porque “obviamente ninguém faz omoletes sem ovos, é importante termos as pessoas, mas é preciso dar-lhes condições para que possam trabalhar”. Esse tem sido um dos factores que têm levado os cientistas portugueses para o estrangeiro, nomeadamente para os Estados Unidos. Contudo, Hélder Maiato acredita que “em Portugal têm sido tomadas as medidas certas para começar a atrair as pessoas de volta”.

O futuro...
Recusando falar de um fenómeno de «fuga de cérebros», preconiza a necessidade de pôr em prática “medidas sustentadas e de longo prazo para levar os cientistas a regressar a Portugal”, explicando que o processo poderá ser demorado, “talvez de gerações”, mas salientando sempre que “as pessoas que regressam, e a quem são dadas as condições necessárias, conseguem fazer coisas, e isso deve servir como incentivo para que outras pessoas queiram regressar, e para atrair outras pessoas”. Os portugueses têm uma razão muito própria para voltarem ao seu país, mas há a necessidade de usar argumentos diferentes para atrair, além dos nativos, também os estrangeiros. São incentivos que “passam muito pela questão do dinheiro”, reconhece, mas que não se esgotam nesse aspecto.
Quando olha em volta, no panorama científico português, em busca de cientistas da sua faixa etária, Hélder Maiato é forçado a constatar que “são muito poucos os que trabalham em Portugal”. Os que partem são, muitas vezes, investigadores de grande valia, “pessoas fantásticas que, em qualquer sítio onde lhes sejam dadas as condições de que precisam, vão de certeza ter sucesso e trazer prosperidade aos que a eles se associarem”. Admitindo que no nosso país é latente a inexistência de oportunidades – “Olho para o lado e os meus amigos estão quase todos lá fora, porque não têm oportunidades de se afirmarem por cá” –, o investigador admite alguma “preocupação” com esse aspecto, mas frisa que “também há a necessidade de um maior empreendedorismo e iniciativa por parte das pessoas para criarem o seu próprio emprego”.
A determinação volta assim ao discurso de um homem que aprendeu a depender de si, mas que admite ter tido sempre “a sorte de estar no lugar certo à hora certa”, aproveitando todas as oportunidades que se desenharam no seu destino. Aponta, porém, a necessidade de políticas concretas para alavancar a Ciência portuguesa, exortando o Estado a assumir a criação de condições para fixar os investigadores portugueses, se não houver forma de os privados absorverem o tecido científico made in Portugal. “Se tivermos determinação podemos chegar onde quisermos”, enfatiza, acrescentando que “o importante é termos ambição e não nos sentirmos limitados na nossa capacidade de realização. Podemos chegar onde quisermos. O que conseguiremos vai depender de quanto isso é importante para nós e da nossa determinação”.
Na opinião de Hélder Maiato é indiscutível que “o futuro, como o passado, pertence aos cientistas”. O investigador considera que enquanto houver ciência haverá uma esperança, designadamente no que diz respeito à área das Ciências da Saúde, diz com evidente satisfação e orgulho que, “enquanto forem investidos recursos para explorar o desconhecido, haverá sempre esperança na resolução dos problemas, nomeadamente no que diz respeito à investigação sobre doenças”. Sentado ao seu microscópio, tem também a esperança de em breve chegar a respostas para tantas perguntas que se atropelam no pensamento inquieto da ciência. Aos investigadores que trabalham em Portugal deixa uma mensagem curta, mas plena de convicção e de certeza: “Fazer ciência em Portugal “é possível”.

Carla Teixeira
As imagens foram retiradas de diversos sites

domingo, 31 de maio de 2009

São manifestações ou são comícios?

Jornal de Notícias

Os professores portugueses voltaram a manifestar-se nas ruas da capital. As notícias apontavam números entre os 50 e os 80 mil docentes, mas o «Diário de Notícias» descobriu, por exemplo, que um dos “manifestantes” era, na realidade, um técnico de holografia que estava na concentração “por causa do convívio”. “Já é a quarta manifestação a que venho”, dizia ele. Ficou assim comprovado o que há já muito tempo se sabia: os 50, 60, 80, 100 ou 120 mil professores (números claramente inflacionados por interesses políticos) que saíram à rua nas mais recentes manifestações não eram, se calhar nem em 50%, professores. Eram amigos, familiares, simples curiosos. Mas a verdade é que as “manifestações de professores” também não eram manifestações de professores. Eram comícios políticos conduzidos pelo indizível Mário Nogueira, que em vez de reflectir sobre os problemas da sua classe – classe de que já nem é legítimo representante, visto que há quase 20 anos não põe os pés numa sala de aula – preferiu lançar atoardas ao Governo, preconizando a necessidade de retirar a maioria absoluta ao PS. “Não podemos admitir que a próxima legislatura volte a funcionar num quadro de maioria absoluta”, disse o dirigente da FENPROF, considerando que “há gente como o Eng. Sócrates e a ministra Lurdes Rodrigues, que não sabem governar com maioria absoluta”.

Como disse o primeiro-ministro, “os sindicalistas têm mostrado mais interesse pelos interesses dos partidos do que pelos dos seus associados", e no caso concreto de Mário Nogueira essa constatação é flagrante. É comum vê-lo, em gritos ensandecidos, a dizer mal do Governo, e a fazer-se de forma descarada ao lugar de Carvalho da Silva, que diz que não quer. Afinal, como pode um homem que foi professor há mais de 18 anos, e que desde então vive do ordenado de sindicalista a tempo inteiro, saber o que é dar aulas hoje em dia? Sabemos que ele quer dar a ideia de que nada mudou durante esse tempo, e que a Educação é o parente pobre da actuação dos sucessivos governos nacionais. Não é. Não tem sido nos últimos anos. A meu ver, o actual governo cometeu alguns erros no que ao sector da Educação diz respeito. É verdade, e de nada serve dizer que não. Mas não é verdade que o Governo não esteja a investir empenhadamente na melhoria das condições de aprendizagem dos estudantes portugueses. E a pôr, claro está, um travão na empáfia dos professores, que tendem a considerar-se seres superiores e acima da regulação do Estado.

Os professores têm razão em algumas das suas queixas, designadamente no que à avaliação do seu desempenho diz respeito. Isso não está sequer em causa para mim. O que me parece claro é que, se continuarem a ser representados por sindicalistas profissionais (que só têm razão de existir enquanto houver problemas e mobilização), que já pouco sabem do que é dar aulas, e que procuram apenas assegurar um tacho para o futuro mais próximo, estarão sempre mal representados. Mário Nogueira é um exemplo claro do aproveitamento que muitos sindicatos fazem da crença dos seus associados em que estes estão a lutar pelos seus direitos. Na maior parte dos casos, os sindicatos estão apenas a lutar para se manterem, eles próprios, acima da linha de água. Insistem em pormenores sem grande importância e dissecam-nos até à exaustão, e até se dão ao luxo de violar acordos assinados na véspera. Mário Nogueira é um flop como sindicalista, e será um flop político, se alguém tiver a ideia de o deixar chegar a um lugar de destaque no seu partido. O que é profundamente lamentável é que um sindicato se aproveite assim, descaradamente, da ingenuidade dos professores. Eu julgava-os mais inteligentes do que isso…

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Moura Guedes faz “jornalismo reprovável”

O Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas considera reprovável o desempenho da jornalista Manuela Moura Guedes na condução do "Jornal Nacional - 6ª", na sequência da discussão que a apresentadora teve em directo com o bastonário da Ordem dos Advogados.

"Consideramos esta forma de estar no jornalismo e de fazer jornalismo reprovável", afirmou o presidente do Conselho Deontológico (CD), Orlando César, em declarações à Lusa."O Conselho Deontológico não pode deixar de reprovar o desempenho de Manuela Moura Guedes na condução do 'Jornal Nacional - 6.ª feira' e concitar a própria e a direcção da TVI ao cumprimento dos valores éticos da profissão", refere o órgão em comunicado hoje divulgado. Numa reunião realizada hoje, os membros do CD analisaram a emissão de 22 de Maio do "Jornal Nacional", em que a jornalista Manuela Moura Guedes e o bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho Pinto, tiveram uma discussão em directo. "Analisámos apenas este caso, que constitui um avolumar de situações e nos levou a tomar uma posição. Além disso, recebemos pedidos de pareceres e queixas de jornalistas e telespectadores", explicou Orlando César.
Os membros do CD analisaram, de acordo com o presidente, "questões de profissionalismo e aspectos éticos da profissão, o que deve ser a função de quem é pivot de um telejornal". "Considera-se inaceitável que, para além de outros aspectos, na apresentação das notícias, o jornalista confunda factos e opiniões e se exima da responsabilidade de comentar as notícias com honestidade", refere o comunicado, acrescentando ainda que "os pivôs devem estar claramente conscientes de qual o seu papel, se o de 'entertainer' ou o de jornalista, não devendo confundir o conflito e o espectacular com a importância das notícias". Para os membros do CD, os jornalistas que conduzem telejornais, "devem abster-se de introduzir apartes, comentários, expressões e recorrer à linguagem não oral, susceptíveis de conotarem e contaminarem o conteúdo informativo, comprometendo a própria isenção dos profissionais que, conjuntamente, trabalham naquele espaço de informação".
Na nota, o CD sublinha ainda que os jornalistas "não podem substituir a acutilância pela agressividade", e devem "permitir que os seus entrevistados expressem os seus pontos de vista com serenidade e não sejam apenas convidados a participar num espectáculo de enxovalho, em que eles são as vítimas". A Lusa tentou obter uma reacção da jornalista que apresenta o Jornal Nacional de 6ª, mas até ao momento tal não foi possível.

Notícia publicada pela Agência Lusa

sábado, 23 de maio de 2009

Vila Nova de Cerveira, lá no Alto Minho!






Vila Nova de Cerveira é uma cidade que nos conquista. Pela simplicidade, pelo arrojo estético, pela liberdade de caminhar e descobrir, pela importância atribuída à arte (são muitas as esculturas que se oferecem à fruição de quem passa) e pelo incentivo à prática do desporto, gratuito e acessível a qualquer cidadão, num qualquer jardim. Há anos que não passava por lá, mas nos últimos dias pude perceber que o que nos seduz realmente nas antigas “Terras de Cervaria” é que, se por um lado tudo parece estar sempre na mesma, por outro lado há sempre algo novo que nos faz desejar lá voltar. Era capaz de me habituar a viver por lá…

terça-feira, 19 de maio de 2009

Podem anotar: Nokia nunca mais!

É a maior empresa fabricante de telemóveis a nível mundial, e até há bem pouco tempo era líder incontestada de vendas em numerosíssimos países. No entanto, nem a finlandesa Nokia escapou à crise, e há poucas horas anunciou, uma vez mais, que, a coberto de um grandioso programa de redução de custos, se prepara para dispensar mais 490 trabalhadores, apontando como causa para esta nova onda de despedimentos a quebra de mais de 90 por cento nas vendas. É um rombo considerável nos cofres da empresa e obviamente, pensando apenas nas pessoas que hoje souberam que a breve trecho vão perder o seu emprego, lamento que tal aconteça. Por outro lado, e pensando apenas na marca, não lamento nem um pouco. A Nokia não é uma empresa séria, e percebi isso da forma mais eficaz: à minha própria conta.
Pensava ser uma cliente de luxo da Nokia, até porque só há cerca de três anos “ousei” adquirir um telemóvel de outra marca (um Sony Ericsson que nunca me qualquer problema). Sempre usei telefones da marca finlandesa, e não foram poucos. Uso-os há quase 15 anos. Todos os Nokia que tive sofreram uma ou duas intervenções, idas à fábrica, actualizações de software e afins, mas nada que não fosse possível resolver sem grandes delongas e sem demais consequências. Até há cerca de um ano. Nessa altura comprei um N73, por 189,90 euros. Não se trata de uma compra milionária, tendo em conta os aparelhos de elevada qualidade – com preços directamente proporcionais – a que estou habituada, mas nem era para mim. Era um presente para uma das minhas irmãs, e acabou por se revelar a pior ideia do milénio!

Com apenas alguns meses, o telemóvel começou a emitir mensagens de erro que davam conta de um problema que, haveríamos de descobrir depois, é recorrente naquele modelo (disse-nos uma fulana de um dos centros NoKia Care Point, no Porto, que “todos os N73 têm esse problema”). E o problema era o surgimento de uma mensagem de erro que dizia “memória cheia”, “memória quase cheia” ou “memória insuficiente para concluir a operação”. Um detalhe: a memória do telefone não tinha nada que não tivesse vindo lá instalado, e o cartão de memória adicional esteve sempre bem longe de estar cheio. Graças a esta moda, em certos momentos era impossível realizar ou atender chamadas, enviar ou receber mensagens, até desbloquear o telefone parecia uma missão tão complexa como a redacção da Bíblia. Com pouco mais de três meses, o telefone não servia para nada.

Foi enviado para a fábrica. Uma vez, duas vezes, três vezes, quatro… cinco! Cinco vezes em 10 meses! À terceira vez, no passado mês de Novembro, valendo-me da legislação vigente na área da defesa do consumidor, apresentei-me no Nokia Care Point com o telefone e uma única exigência: não queria o telefone de volta. Queria reclamar o direito de substituição que a lei me confere. Foi-me negado. O telefone foi para Lisboa e voltou, um mês depois, e em Fevereiro estava novamente com problemas. Dessa vez, enviei o telefone novamente para a fábrica, com uma extensa carta dirigida à Nokia Portugal, reclamando, já não a simples substituição do aparelho, mas a resolução do contrato, que a lei também prevê. Uma reclamação que reforcei por telefone, numa longuíssima chamada em que ainda tiveram a lata de me fazer um inquérito sobre satisfação do cliente. Conseguem adivinhar o que aconteceu? Pois… A reclamação caiu em saco roto e o telefone voltou. O mesmo! E no momento da entrega nem uma referência à carta e ao telefonema que fiz. Perguntei o que se passava, mas ainda tive de ouvir a adolescente que me atendia, com ar superior, a rir-se do “bug” que “todos os N73 têm”, e a asseverar-me que o meu “não é caso único”. Caso único deve ser a minha paciência…


Dizia-me ela que “agora já há uma solução para esse problema”. Novo detalhe: de cada vez que o telefone foi “a reparar”, e voltou exactamente na mesma, o relatório da intervenção feita dava conta de uma nova operação: mudança dos circuitos disto, dos circuitos daquilo, da memória de não sei onde, limpeza daquilo e daqueloutro, uma série de tarefas tão complexas que demoravam sempre um mês. O escárnio da miúda que me atendia fez-me saltar a tampa, e então, uma semana depois, voltei à loja e entreguei novamente o telefone, queixando-me do mesmo problema, mas fazendo algo diferente: no momento em que entreguei o aparelho, liguei para a linha de reclamações da marca e disse que o telefone ia seguir para Lisboa e que estava farta da atitude da Nokia, que ficassem com ele e me devolvessem o dinheiro, porque já tinha comprado outro, de outra marca, para oferecer à minha irmã. O discurso mudou um pouco: garantiram-me que agiriam “no sentido de minimizar o seu descontentamento”, e que dentro de dias seria contactada para acordar os moldes de substituição do aparelho. Aguardei.

(Muitos) dias depois, recebi um telefonema insólito. Do outro lado, uma senhora perguntava-me se eu estava satisfeita com o “telemóvel novo” que a Nokia me tinha dado, no seguimento da reclamação feita e do pedido de substituição do aparelho avariado. Com o queixo a tocar no chão de tanto espanto, disse à senhora que não me tinham contactado ainda e que não tinha, nem queria, qualquer telefone de substituição, porque tinha esgotado a minha paciência e queria era o dinheiro de volta. Disse-me que esta era a solução definida pela Nokia, e que fosse à loja buscar o telefone novo. Fui. Estava a almoçar na zona e fui logo nessa tarde ao Nokia Care Point. O “telefone novo” vinha numa caixa pequenina, riscada e rasurada, e era o mesmo telefone de sempre. Pasmei de novo. Garantiu-me o adolescente da praxe (a Nokia só emprega adolescentes nestas lojas, mas este era um rapaz bem mais educado que a miúda que se ri dos clientes) que “a capa é a mesma, mas a máquina é nova”, porque “é assim que a Nokia faz”. Consultei o IMEI e, de facto, não era o mesmo…
Fiquei como o tolo no meio da ponte… Que fazer? Gritar com o miúdo? Dizer que não queria o telefone nem o dinheiro? Parti-lo ali mesmo e virar costas? Mandá-los à merda? Tudo me passou pela cabeça naquele momento, mas pensei noutra coisa: trazer o telefone para casa e, dias depois, ir lá entregá-lo e queixar-me do mesmo problema. Mesmo que não o tivesse, só para ver o que diziam. Não o fiz. Efectivamente trouxe o telefone, mas não voltei lá. É certo que aquela gentalha merecia o meu mau humor durante mais umas semanas, mas não me dispus a perder mais tempo. Há uns anos, o presidente da Associação Portuguesa de Direito do Consumo, o meu bom amigo Mário Frota, disse-me que esse é exactamente o problema dos consumidores portugueses: pelo trabalho que têm para fazer valer os seus direitos, acabam por desistir deles. Lamentavelmente, foi o que me aconteceu. Só que com uma nuance: face à decisão que tomei, de nunca mais utilizar telemóveis da marca Nokia, ontem vendi o N73. NOKIA NUNCA MAIS!

Agora quero um Blackberry 9000 Bold… :)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Feliz aniversário, Lili!

zwani.com myspace graphic comments
A Lídia é uma das melhores pessoas que conheço, e tenho enorme orgulho em ser sua amiga. Esteve ao meu lado em momentos menos bons da minha vida, como eu estive sempre ao lado dela naqueles momentos em que as lágrimas teimavam em substituir os sorrisos. As amizades nascem assim, e são as amizades assim nascidas que perduram para lá do tempo, da distância e da saudade. Hoje, a Lídia está de parabéns. Faz 31 anos. Para ela, e para todos os que ela carrega no coração, votos de um dia acima do espectacular. Como ela merece!

domingo, 17 de maio de 2009

Porque vale sempre a pena passear...




Santa Maria da Feira, com o seu castelo altaneiro, é o destino que o meu coração escolhe sempre que penso num lugar para passear o corpo e descansar a mente. Uma cidade cheia de verde, de gente que aproveita o tempo livre para uma voltinha no parque, para passear o cão, namorar ou frequentar uma aula de yoga... Santa Maria da Feira is cool!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

segunda-feira, 11 de maio de 2009

"A cidade das aldeias", by Mário Mesquita

aqui vos falei do Mário. O “Super Mário”, que num dos momentos mais conturbados da vida de um grupo de pessoas que começaram por ser colegas e depois se tornaram amigas, se destacou pela generosidade de um gesto. O Mário tem patente uma nova exposição, e é em honra dele que aqui vos deixo o texto de apresentação da mesma, com a certeza – e a promessa – de que, assim que puder, também lá darei um salto. A exposição está patente no Centro Português de Fotografia (Sala Aurélio da Paz dos Reis), na cidade do Porto, até ao próximo dia 28 de Junho de 2009. Apareçam, que o autor merece! Ao grande Mário, o abraço do costume! Até breve!


“A Cidade das Aldeias
– Traços de ruralidade no Porto contemporâneo”

O presente trabalho, realizado sob a forma de reportagem fotográfica e vídeo, visa possibilitar a leitura do que subsiste dos antigos Lugares da cidade do Porto e dos caminhos entre eles, registando e divulgando o que ainda hoje se pode observar, revelador de uma forma de assentamento e formação de território, de construção e de vivência de uma outra cidade, a cidade das aldeias, que corre o sério risco de ser literalmente engolida pela velocidade desenfreada própria dos dias em que vivemos, resultado das dinâmicas de desestruturação urbana e social que, infelizmente, vão esquecendo estes espaços, as suas gentes e os conjuntos edificados.

Comparando a planta da cidade do Porto desenhada sob a direcção de Augusto Teles Ferreira e impressa no ano de 1892 com a cidade actual verificamos que, ainda hoje, subsiste uma substrutura rural que, à época, constituía uma rede de caminhos e lugares exteriores ao centro urbano em processo de consolidação. Esses lugares, aquando da delimitação administrativa da cidade ocorrida no final do século XIX, seriam integrados no perímetro urbano, ficando a Estrada de Circunvalação como linha de fronteira da nova cidade que acolhia no seu interior um conjunto de lugares e de freguesias novas, incorporava áreas de freguesias vizinhas e deixava de fora algumas parcelas de terreno, que, embora pertencentes ao concelho, sempre foram consideradas exteriores à cidade que se havia circunvalado.

Pela imagem, pretende-se tornar pública essa outra cidade que abrange, na área geográfica do concelho do Porto, núcleos como Pinheiro de Campanha, S. Pedro, Azevedo, Areias, Contumil, Pego Negro, Granja, Vila Cova, Campo, Aldeia Nova do Monte, Fojo, Águas Férreas, Outeiro do Tine, Aval de Baixo, Ramalde do Meio, Vilanova de Cima, Furamontes, Ribeirinho, Campinas, Arrábida, Olivais, entre muitos outros lugares que nos vão falando de percursos, de espaços, de construções e de gentes.

O sentimento de viver periférico, presente nos lugares visitados, poderá, um dia, vir final e felizmente a desaparecer e dar lugar a uma realidade policêntrica, assente em contínuos de território, o qual, ligado por redes e canais, será capaz de unir e esbater as sensações de dentro e fora, contribuindo para minimizar a sensação de centro e periferia, quer no plano físico quer no plano das mentalidades e sentimentos, consolidando e dando espessura ao tecido urbano. Assim, as redes vão-nos ligar os pontos e os canais vão-nos traçar as rectas e articular a sobreposição das redes, cosendo-as ao concelho ao qual pertencem e aos concelhos limítrofes, promovendo um tecido forte e coeso, permitindo que não sejam áreas conflituantes, mas sim conjugadas e convergentes num só objectivo: a ampliação da cidadania e a gestão participada do território municipal pelas populações, comprometendo todos num esforço unitário, em busca de uma estrutura onde todos tenham lugar.

Este é um trabalho de recolha e fixação de imagens e ambientes que se formalizam num documento visual unitário, contributo para que a memória do território, das construções e das pessoas que o foram fazendo, não se perca no tempo. É um registo fotográfico que permite pensar que, numa cidade equilibrada, esta diversidade de ocupação do solo ajuda a qualificar o ambiente urbano, oferecendo a leitura de várias épocas históricas, de vários tempos, de vidas que podem, trinta e cinco anos passados sobre o 25 de Abril, se todos quisermos, coexistir em harmonia, derrubando a última muralha desta cidade e pensar, quando falamos de Área Metropolitana do Porto, mais do que na metropolitanidade, na rur-urbanidade.

E é um sentimento que defino assim:


I
Sobretudo o tempo,
somente as horas,
decerto os dias não serão mais
iguais sem ti.

Na rota das imagens,
procurando no espaço,
decerto te não verei mais
para além da curva da estrada.

No entanto, à sombra dos dias que,
docemente, visitamos por aí,
por certo fica o terno e doce sentimento de amor eterno.

II
Para hoje não há poemas
possíveis. Só as letras das palavras.

Para hoje, não há poemas.
Possíveis, só as letras das palavras.

Para hoje não há. Poemas
possíveis? Só as letras das palavras.

Para hoje não. Há poemas?
Possíveis só. As letras das palavras.

Para hoje? Não! Há Poemas
possíveis? Só as letras das palavras.

E as imagens.

III
E então, da estrangulada perspectiva
do horizonte nos resta a imensidão
dessas palavras de que falávamos atrás,
dos gestos e olhares que combinavam
somente para ser dia, decerto para ser nosso.

E então, por entre as cordas da amizade,
perpassa essa luz aberta que nos faz viver
regulando contrastes
e nos conduz
e nos desvia,
e nos seduz,
sempre que pensamos cidade,
liberdade.


Mário João Mesquita
Porto, 25 de Abril de 2009

Campeões, campeões, campeões!

"Se és portista que Deus te abençoe!
Se não és que Deus te perdoe"...

sábado, 9 de maio de 2009

Obesidade infantil em debate em Anadia

O Centro de Saúde de Anadia, em colaboração com a Rede Social local e com a Câmara Municipal de Anadia, organiza na próxima quinta-feira, dia 14 de Maio, no Cine-Teatro, o Fórum Obesidade Infantil. Porque a alimentação tem uma influência determinante no desenvolvimento emocional, intelectual e social dos cidadãos, é urgente debater a forma como se alimentam os mais novos, ainda mais numa altura em que o número de obesos em todo o mundo é crescente e que a procura de consultas para este problema disparou, sem que os hospitais consigam dar resposta a tantas solicitações. No âmbito desta iniciativa, que merece o aplauso de todos os anadienses pela importância do tema em análise, passarão pelo Cine-Teatro de Anadia alguns dos especialistas que lidam mais de perto com o problema da obesidade nas crianças, em particular no concelho de Anadia, sendo também de destacar a presença do médico João Breda, em representação da Direcção-Geral de Saúde.
Numa altura em que cerca de metade da população mundial sofre já de problemas relacionados com excesso de peso e obesidade, entre as crianças portuguesas esta começa a ser também uma questão prioritária: a procura de consultas de obesidade infantil aumentou exponencialmente ao longo dos últimos anos, de tal forma que os hospitais nacionais não têm conseguido encontrar resposta para as inúmeras solicitações de tratamento que recebem. Em virtude dessa situação, muitas unidades de saúde limitam-se a aceitar os casos mais graves ou em que existem outras doenças associadas ao excesso de peso (hipertensão ou diabetes, por exemplo), declinando o atendimento aos restantes. O «Diário de Notícias» referia há dias que, no Hospital de São João, no Porto, um dos poucos que tem uma consulta organizada para crianças e adolescentes, “mais de metade dos casos referenciados não são aceites”.
Nos casos menos graves, a tendência dos hospitais parece ser a de encaminhar os doentes para os centros de saúde, onde os médicos nem sempre têm o tempo e o apoio adequados, designadamente no que diz respeito a consultas de nutrição ou psicologia. É exactamente por isso que esta iniciativa do Centro de Saúde de Anadia se reveste de enorme importância: porque mais vale prevenir do que remediar, e porque só conhecendo as normas para uma alimentação mais equilibrada e saudável, bem como os mecanismos para potenciar a luta contra a obesidade, teremos condições de ajudar as nossas crianças a evitar cair nessa situação. Segue, por isso, o programa completo do Fórum sobre Obesidade Infantil, cujo lema é «Dizem que sou gordinho. Serei?».

Quinta-feira
14 de Maio de 2009

8h45: Abertura do Secretariado

9h00: Sessão Solene de Abertura

9h30: Pandemia do Séc. XXI – Factos Mundiais, Nacionais e Locais: Abordagem sócio-económica
Prelector: Enfª Silvana Marques, Centro de Saúde de Anadia
Moderador: Professor Doutor Jorge Simões, Universidade de Aveiro

10h15: Monitorização IMC numa Escola do Concelho
Prelector: Enfª Carmen Santos, Centro de Saúde de Anadia
Moderador: Profª Alexandra Gonçalves, Agrupamento de Escolas de Vilarinho do Bairro

10h45: Intervalo para Café

11h15: Alimentação e Obesidade — Perspectiva Sociocultural
Prelector: Dr. João Breda, Direcção-Geral da Saúde
Moderador: Drª Marisa Santos, Psicóloga no Centro de Saúde de Anadia

12h15: Intervalo para Almoço

14h00: Alimentação da Criança e Comportamentos Saudáveis
Prelector: Paulo Abrantes, Dietista no Hospital José Luciano de Castro
Moderador: Dr. Mário Rui, Centro de Saúde de Anadia

14h45: Obesidade: Consequências para a Saúde
Prelector: Dra Maria João, Pediatra no Hospital José Luciano de Castro
Moderador: Dr. Mário Sousa, Centro de Saúde de Anadia

15h30: Intervalo para Café

15h45: Estratégia de Intervenção na Comunidade
Prelector: Dra Fernanda Pinto, Delegada de Saúde do Centro de Saúde de Anadia
Moderador: Enfª Silvana Marques, Centro de Saúde de Anadia

15h45: Conclusões

17h15: Sessão de Encerramento

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Liberdade ou brutalidade?

Escassos dias depois de o 25 de Abril ter completado 35 anos, e de, como há muito tempo não se ouvia, serem recorrentes as reminiscências da Revolução dos Cravos e as críticas à democracia actual, um episódio insólito ocorrido nas comemorações do 1º de Maio em Lisboa veio demonstrar que os portugueses ainda estão muito longe de saber o que é de facto a democracia, ou de estar preparados para ela. Foi num país alegadamente democrático que Vital Moreira, candidato socialista às eleições europeias de Junho, foi hoje insultado e agredido por manifestantes que participavam no desfile da CGTP, que pretendia assinalar o 1º de Maio. A delegação do PS (Vital Moreira, Vítor Ramalho e Ana Gomes), que como habitualmente se preparava para apresentar os seus cumprimentos à delegação da central sindical, foi atacada por um grupo de manifestantes, tendo o cabeça-de-lista às europeias sido cuspido, insultado e agredido com murros, na cabeça e nas costas, ao mesmo tempo que era “brindado” com gritos de “traidor” e “mentiroso”. Este é mais um episódio absurdo, que denota uma clara dificuldade de alguns portugueses em praticar essa tal democracia que proclamam, e que prevê, entre outras coisas, a liberdade de ser, estar, falar e reunir com quem muito bem se entende. Não interessa qual o motivo que levou estas pessoas a fazer isto, porque não há no mundo um só motivo que o justifique.

Mar calmo, mar revolto, mar manhã...


O mar pela manhã.
Mar calmo, tranquilidade.
Mar revolução, ondas, marés…
Desabafo, solidão, pensamento.
O mar, tanta água! Mar nos meus olhos,
mar dentro de mim. Tristeza e saudade...

Hoje sinto-me um pouco assim...