E ao terceiro dia da minha terapia com Lovenox (solução injectável que contém enoxaparina sódica, uma heparina de baixo peso molecular), encontrei esta vídeo da Sanofi-Aventis, a companhia farmacêutica que produz e comercializa o medicamento. E é um vídeo fantástico porque, além de ensinar a administrar correctamente cada injecção (ainda não tive coragem de me auto-injectar, mas tenho contado sempre com a ajuda da minha atenciosa irmã mais nova), ensina também um pouco sobre a tromboembolia pulmonar, a sua origem e os riscos que eventualmente dela podem resultar, sempre em linguagem simples e acessível. Um bom exemplo do que uma empresa pode fazer pelo bem-estar e qualidade de vida dos utilizadores dos seus produtos. Gostei de ver. Obrigada, Sanofi-Aventis!
sábado, 3 de julho de 2010
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Terá o cliente razão mesmo quando tem razão?
Pode parecer linear, e até abusiva, a máxima de que, nas relações comerciais, o cliente tem sempre razão. Eu discordo, e já vi muito cliente que merecia era ser esbofeteado em público pela forma como se dirige aos funcionários das lojas em que se apresentam com o evidente síndroma do “sou o dono do mundo”, e que sem razão alguma pretendem que aquelas pessoas lhes resolvam problemas que criaram ou que só existem nas suas cabeças. Não é o meu caso, mas – que diabo – quando tenho razão não aceito que queiram tratar-me como idiota ou, no mínimo, como analfabeta. Por isso, em jeito de desabafo, partilho convosco o que às primeiras horas de hoje parecia ser razão suficiente para me estragar o dia:
Ontem, dia 30 de Junho, desloquei-me à Farmácia Sousa Torres, no MaiaShopping (põem farmácias nos centros comerciais e depois dá nisto…), na cidade da Maia, onde pedi, entre outros medicamentos, um gel dentífrico de tratamento da marca Bexident. A funcionária que me atendeu, cujo nome não fixei, mas que soube entretanto ter como código de identificação interno o número 19), entregou-me, certamente por lapso, uma embalagem de gel gengival da mesma marca, que colocou no mesmo saco em que se encontravam já os restantes artigos comprados (três caixas de comprimidos anticoagulantes e duas caixas de injecções). Só em casa me apercebi da troca dos artigos. Não me foi vendido o gel dentífrico que solicitei, mas antes um gel gengival.
Como tal, sem abrir nem utilizar o fármaco, dirigi-me esta manhã à referida farmácia, onde me foi dito, para grande espanto meu, que não fazem devoluções. Ora, tendo em conta que não pretendia uma devolução, mas sim a troca de um produto vendido erradamente por outro, de que efectivamente necessitava, chamaram a directora técnica da farmácia, a quem expus de novo, e com toda a paciência e boa educação, o problema. A senhora, que julgo chamar-se Joana Ascenção, começou por me garantir, tal como a sua subordinada, que aquela farmácia não faz devoluções, e fez tábua rasa de todos os meus argumentos, chegando mesmo ao ponto de afirmar, com evidente arrogância, que eu é que não sabia o que queria (registe-se que pedi uma pasta dentífrica, quando queria um gel dentífrico, mas o que me deram foi um gel gengival)!
Nessa altura, diante da intransigência da senhora e dos olhares curiosos dos restantes utentes da farmácia, optei por pedir o Livro de Reclamações, onde lavrei a descrição do sucedido, que já enviei para a Ordem dos Farmacêuticos, em anexo a uma carta em que explico direitinho o sucedido. Não sei ao certo que repercussão poderá ter a missiva, ou sequer a reclamação feita no livro, mas considero intolerável a atitude das técnicas da Farmácia Sousa Torres, e mormente da sua responsável máxima, que chegou a ser mal-educada comigo, num caso em que manifestamente eu tinha razão, pois não me venderam o que pretendia. É para mim claro e evidente que qualquer pessoa de boa fé procederia à troca sem colocar entraves, mas na Farmácia Sousa Torres parece que o cliente não tem razão, mesmo quando a tem...
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Porque denunciar é preciso...
Crise obrigou-o a recorrer à reforma antecipada
Segurança Social empurra homem para a miséria e caridade de amigos
Começou a trabalhar com apenas 12 anos. Era aprendiz de serralharia. Fez carreira quase sempre na mesma empresa, onde ao longo da vida foi galgando escalões, e há uns anos, após o seu encerramento, aproveitou a indemnização para criar o seu próprio negócio. A vida corria-lhe bem, até ao dia em que a crise lhe bateu à porta. Em pouco tempo deixou de receber pelos trabalhos que ia realizando, e logo depois começou também a acumular dívidas. Hoje devem-lhe cerca de 120 mil euros, mas o empresário tem à perna o Fisco, a quem deve apenas 300. Obrigado a fechar as portas da firma, e sem direito a subsídio de desemprego (por ser patrão), pediu a reforma antecipada em Fevereiro, assim que fez 55 anos. Sofreu várias penalizações, por ser ainda muito novo. E se durante meses a fio não recebeu nada pelos trabalhos que realizou, desde que se reformou não recebeu qualquer prestação. Depois de uma vida inteira de descontos, está na miséria, e só tem ainda luz e água em casa porque tem amigos que não lhe viram a cara neste momento. Chamemos-lhe Mário, embora saibamos que poderia ter qualquer outro nome no Portugal de hoje…
Mário está desesperado. Dia após dia, concentra atenções no computador, onde consulta o extracto da conta bancária, e aguarda com impaciência a chegada do carteiro, à espera de boas notícias. Dia após dia, nada acontece. Telefona para a Segurança Social, vai até lá, e ouve sempre a mesma resposta: “Tem de ter paciência, aguardar mais uns dias, a ordem de pagamento já foi dada, mas como é a primeira vez demora”. Há semanas que é assim. E a família de Mário continua à espera. Casado e com filhos a cargo, tem contas de água, gás e electricidade para pagar. À mulher, fruto de dívidas acumuladas pela falta de liquidez da empresa, está a ser descontado um terço do vencimento. Mês após mês, a angústia toma conta destas pessoas quando chegam a casa as facturas dos serviços mínimos que mantêm activos. Têm conseguido pagá-las, sempre com atraso, graças a empréstimos de amigos e familiares e a um esforço desumano de poupança. Vivem infelizes, como se tivessem uma corda a apertar-lhes o pescoço. Permanentemente.
Há dias, Mário irrompeu num choro que surpreendeu a mulher e os filhos. Nunca o tinham visto assim, e temeram pelo pior. Na sua idade, uma angústia e um stress desta natureza podem ter maus resultados, e Mário já sofreu um enfarte. Não sabem como lidar com a situação. Estão apreensivos. A impotência dos cidadãos e das famílias face ao Estado é tremenda, e sabem que nada mais há a fazer do que esperar, mais e mais dias, quantos a Segurança Social quiser. O frigorífico está vazio. Nas contas bancárias o saldo é pouco mais do que nulo, quando não é negativo. O cartão de crédito tem ajudado a suprir algumas carências, mas a dívida é crescente, tem de ser bem vigiada. Sentem que vivem num túnel, longo e escuro, sem luz à vista. Viver assim não é viver, e esta família conhece agora uma vida de privações que nunca julgou possível. O que podem fazer, senão esperar? Pouco. Muito pouco. Depois de uma vida de trabalho e de contribuições pagas religiosamente, o que pode fazer Mário para pôr comida na mesa da sua família? Talvez nada. Talvez morra de fome e de tristeza antes de a Segurança Social dar por isso…
NOTA:Esta situação é real e verdadeiramente dramática. Para não ferir ainda mais os envolvidos, a sua identidade foi omitida. Mário é, obviamente, um nome fictício. Este caso poderia ter sido relevado aos meios de informação, mas neste momento, perante o cenário de caos em que o país está mergulhado, não teria o espaço e a dignidade que esta família merece. O Mente Despenteada está consciente de que haverá mais casos como este. Se souberem de algum, não hesitem em partilhá-lo com este espaço. Temos de denunciar estes casos, ou corremos o risco de ver morrer famílias inteiras às mãos da inépcia e da negligência do Estado Português, que tem como missão primeira impedir estes dramas, designadamente quando, como neste caso, eles não resultam da acção dos envolvidos. Esta família é vítima de um sistema que penaliza sempre os mais fracos em detrimento dos mais fortes. E até aposto, porque as conheço, que as grandes empresas que deixaram de pagar à empresa de Mário e a empurraram para a falência continuam a laborar sem grandes dificuldades. Tudo isto me enoja! Tudo isto é vergonhoso e inclassificável!
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Liberté, de Paul Eluard
Foto: Mente Despenteada
Sur mes cahiers d'écolier
Sur mon pupitre et les arbres
Sur le sable sur la neige
J'écris ton nom
Sur toutes les pages lues
Sur toutes les pages blanches
Pierre sang papier ou cendre
J'écris ton nom
Sur les images dorées
Sur les armes des guerriers
Sur la couronne des rois
J'écris ton nom
Sur la jungle et le désert
Sur les nids sur les genêts
Sur l'écho de mon enfance
J'écris ton nom
Sur les merveilles des nuits
Sur le pain blanc des journées
Sur les saisons fiancées
J'écris ton nom
Sur tous mes chiffons d'azur
Sur l'étang soleil moisi
Sur le lac lune vivante
J'écris ton nom
Sur les champs sur l'horizon
Sur les ailes des oiseaux
Et sur le moulin des ombres
J'écris ton nom
Sur chaque bouffée d'aurore
Sur la mer sur les bateaux
Sur la montagne démente
J'écris ton nom
Sur la mousse des nuages
Sur les sueurs de l'orage
Sur la pluie épaisse et fade
J'écris ton nom
Sur les formes scintillantes
Sur les cloches des couleurs
Sur la vérité physique
J'écris ton nom
Sur les sentiers éveillés
Sur les routes déployées
Sur les places qui débordent
J'écris ton nom
Sur la lampe qui s'allume
Sur la lampe qui s'éteint
Sur mes maisons réunis
J'écris ton nom
Sur le fruit coupé en deux
Dur miroir et de ma chambre
Sur mon lit coquille vide
J'écris ton nom
Sur mon chien gourmand et tendre
Sur ses oreilles dressées
Sur sa patte maladroite
J'écris ton nom
Sur le tremplin de ma porte
Sur les objets familiers
Sur le flot du feu béni
J'écris ton nom
Sur toute chair accordée
Sur le front de mes amis
Sur chaque main qui se tend
J'écris ton nom
Sur la vitre des surprises
Sur les lèvres attentives
Bien au-dessus du silence
J'écris ton nom
Sur mes refuges détruits
Sur mes phares écroulés
Sur les murs de mon ennui
J'écris ton nom
Sur l'absence sans désir
Sur la solitude nue
Sur les marches de la mort
J'écris ton nom
Sur la santé revenue
Sur le risque disparu
Sur l'espoir sans souvenir
J'écris ton nom
Et par le pouvoir d'un mot
Je recommence ma vie
Je suis né pour te connaître
Pour te nommer
Sur le sable sur la neige
J'écris ton nom
Sur toutes les pages lues
Sur toutes les pages blanches
Pierre sang papier ou cendre
J'écris ton nom
Sur les images dorées
Sur les armes des guerriers
Sur la couronne des rois
J'écris ton nom
Sur la jungle et le désert
Sur les nids sur les genêts
Sur l'écho de mon enfance
J'écris ton nom
Sur les merveilles des nuits
Sur le pain blanc des journées
Sur les saisons fiancées
J'écris ton nom
Sur tous mes chiffons d'azur
Sur l'étang soleil moisi
Sur le lac lune vivante
J'écris ton nom
Sur les champs sur l'horizon
Sur les ailes des oiseaux
Et sur le moulin des ombres
J'écris ton nom
Sur chaque bouffée d'aurore
Sur la mer sur les bateaux
Sur la montagne démente
J'écris ton nom
Sur la mousse des nuages
Sur les sueurs de l'orage
Sur la pluie épaisse et fade
J'écris ton nom
Sur les formes scintillantes
Sur les cloches des couleurs
Sur la vérité physique
J'écris ton nom
Sur les sentiers éveillés
Sur les routes déployées
Sur les places qui débordent
J'écris ton nom
Sur la lampe qui s'allume
Sur la lampe qui s'éteint
Sur mes maisons réunis
J'écris ton nom
Sur le fruit coupé en deux
Dur miroir et de ma chambre
Sur mon lit coquille vide
J'écris ton nom
Sur mon chien gourmand et tendre
Sur ses oreilles dressées
Sur sa patte maladroite
J'écris ton nom
Sur le tremplin de ma porte
Sur les objets familiers
Sur le flot du feu béni
J'écris ton nom
Sur toute chair accordée
Sur le front de mes amis
Sur chaque main qui se tend
J'écris ton nom
Sur la vitre des surprises
Sur les lèvres attentives
Bien au-dessus du silence
J'écris ton nom
Sur mes refuges détruits
Sur mes phares écroulés
Sur les murs de mon ennui
J'écris ton nom
Sur l'absence sans désir
Sur la solitude nue
Sur les marches de la mort
J'écris ton nom
Sur la santé revenue
Sur le risque disparu
Sur l'espoir sans souvenir
J'écris ton nom
Et par le pouvoir d'un mot
Je recommence ma vie
Je suis né pour te connaître
Pour te nommer
Liberté.
Paul Eluard
in «Poésies et Vérités», 1942
in «Poésies et Vérités», 1942
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Eduardo Costa acusado de fuga ao fisco
O empresário que tem gerido o jornal «O Primeiro de Janeiro» nos últimos vinte anos foi acusado, em Fevereiro, pelo Tribunal de Gondomar de fuga ao fisco. Eduardo Costa, juntamente com o administrador Pereira Reis, é acusado do crime de abuso de confiança, por retenção na fonte de importâncias de IRS e IVA, referentes aos anos de 2002 a 2008, durante a administração da empresa Sedico – Edições de Comunicação SA (antiga O Primeiro de Janeiro SA). Ao todo, não entregaram ao Estado mais de 2 milhões de euros.
O processo teve origem em 2006, quando a empresa mudou a sede para uma morada fictícia, em Gondomar. Mesmo assim, o Ministério Público do Tribunal de Gondomar demorou quatro anos a produzir acusação, deixando prescrever o crime de abuso de confiança para parte das importâncias de IRS e IVA referentes aos anos de 2002 a 2005, não encontrando prova documental para o ano de 2007. São mais de 167 mil euros que o Ministério Público considera perdidos para o Estado.
Apesar de a acusação recair sobre Eduardo Costa, o empresário de Oliveira de Azeméis não figurava na estrutura accionista da empresa, mesmo sendo reconhecido publicamente como o seu presidente. O administrador Pereira Reis, que se assumiu como “testa de ferro” de Eduardo Costa, fez diversas participações contra o seu conterrâneo na PGR, no DIAP do Porto e mesmo na secretaria do Tribunal de Comércio de Gaia, que declarou a insolvência da Sedico, ainda em 2008.
A Sedico, entretanto, tem os seus bens à venda, por propostas em carta fechada, num processo contestado pelos jornalistas despedidos ilegalmente há dois anos, que se constituíram credores da empresa. Em causa está o espólio fotográfico do jornal centenário e o arquivo das edições entre 1868 e 1990, encontrado na casa do pai de Eduardo Costa, em São Roque, Oliveira de Azeméis.
Os jornalistas contestam as avaliações do espólio fotográfico e do arquivo das edições do jornal, porque não sabem quem as fez, nem em que data. Também desconhecem quem são e o que fazem os quatro trabalhadores da Sedico, que estão no lote do activo a alienar pelo valor base de 223 mil euros.
Os jornalistas de «O Primeiro de Janeiro», ilegalmente despedidos no Verão de 2008, estranham todo este processo e pediram ao juiz do Tribunal de Comércio de Gaia que retirasse a presidência da Comissão de Credores a Eduardo Costa, estando ainda a aguardar por uma decisão. O empresário, enquanto responsável pela cooperativa Editorialcult, CRL (antiga Folha Cultural, CRL), apresentou-se como principal credor da Sedico; juntamente com a irmã, Lúcia Jesus Costa, reclamam da empresa que geriram, uma verba de cerca de 8 milhões de euros. Os créditos dos jornalistas e gráficos e outros trabalhadores ascendem a 840 mil euros.
Redacção muda para a Rua de Santa Catarina
Entretanto, «O Primeiro de Janeiro» já mudou novamente de empresa proprietária e transferiu a sede para o n.º 489, na Rua de Santa Catarina, Porto, para um edifício que alegadamente pertence a Eduardo Costa. O jornal é detido agora pela Globinóplia Unipessoal Lda (uma empresa de locação de propriedade intelectual e produtos similares, detida na totalidade pela Gadgetresult SGPS, SA) e é editado pela Cloverpress, Lda. (uma sociedade detida pela Folio Comunicação Global Lda. e pela Gadgetresult). Para trás fica a Caderno Digital, uma empresa de Ovar que foi comprada e gerida por Eduardo Costa, mas que ainda detém a propriedade do título, de acordo o registo de publicações da Entidade Reguladora para a Comunicação Social.
«O Primeiro de Janeiro» continua a ser produzido por quatro jornalistas com salários em atraso. Estes profissionais estão vinculados à Norte Press – Comunicação Social, Lda., Fólio – Comunicação Global, SA, e Sedico – Serviços de Comunicação, SA. Nenhum tem contrato com as novas empresas, Globinóplia e Cloverpress, tal como não tinham com a Caderno Digital. A Autoridade das Condições de Trabalho, por diversas vezes chamada a intervir, nunca conseguiu pôr cobro a esta situação.
Com a mudança das instalações para o edifício na Rua de Santa Catarina, teme-se que o espólio fotográfico do jornal, que ficou na Rua de Coelho Neto, e que está às ordens do Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia, esteja em risco de ser destruído ou degradado.
Porto, 12 de Abril de 2010
Os jornalistas despedidos ilegalmente do Jornal «O Primeiro de Janeiro»
quarta-feira, 24 de março de 2010
Exposição «Estado d’Alma» no Porto
Inaugura amanhã, pelas 17h30, nas instalações do Posto de Turismo da Câmara Municipal do Porto (em frente à Sé Catedral), a exposição de pintura «Estado d’Alma», com obras da minha ainda muito recente amiga Elisete Marques, que receberá os convidados. Sobre este evento, que se manterá patente no mesmo espaço até ao próximo dia 18 de Maio, afirma a artista que “a pintura percorre o caminho que vai da finalidade prática à finalidade espiritual, do objectivo ao composicional”.
Elisete Marques é empresária e vive na Freguesia de Mafamude, no Concelho de Vila Nova de Gaia. Afirma-se como “curiosa, amiga, fiel, generosa, teimosa e idiota” (só pelo facto de ter muitas ideias). Administradora/redactora do blog Divagando no Abstracto, interessa-se pela pintura, pela poesia e pela política, entre outros temas de actualidade. «Equador», de Miguel Sousa Tavares, é o livro que aponta como seu favorito, e na música aprecia “todas as dos Beatles”.
terça-feira, 23 de março de 2010
Passos Coelho visita Município de Anadia
É já amanhã que o candidato à liderança do PSD Pedro Passos Coelho visita o Concelho de Anadia. De acordo com informações avançadas pelo Gabinete de Comunicação da autarquia, o programa da visita arranca pelas 17 horas, junto ao Complexo Desportivo das Piscinas Municipais, onde o presidente da Câmara, Litério Marques, receberá a comitiva. Em seguida, e ainda de acordo com a mesma nota, Passos Coelho e o autarca anadiense visitarão diversos equipamentos públicos.
Passos Coelho é candidato à presidência do PSD, numa corrida em que defronta José Pedro Aguiar-Branco, Paulo Rangel e Jorge Castanheira de Barros. O site da candidatura do fundador da JSD vive no endereço http://www.passoscoelho-mudar.com/, onde se traça a seguinte biografia do candidato:
Pedro Passos Coelho nasceu em Coimbra, a 24 de Julho de 1964. Com cinco anos, foi viver com a sua família para Silva Porto, Angola, onde iniciou a instrução primária, que viria a completar já em Luanda. Em 1974, regressou para a terra dos seus avós, Valnogueiras, no concelho de Vila Real. Actualmente reside em Lisboa, é casado e tem três filhas. É licenciado em Economia, pela Universidade Lusíada de Lisboa. Começou a trabalhar como professor do Ensino Secundário, acabando por se dedicar ao sector empresarial, sobretudo na área do Ambiente. Ingressou em 2004 no grupo Fomentinvest, como director financeiro, sendo desde 2007, administrador executivo. Mantém essa função a par da presidência executiva de algumas empresas do grupo. Pedro Passos Coelho é também, desde 2004, Professor de Economia Aplicada e de Economia do Turismo, no curso de Turismo do Instituto Superior de Ciências Educativas, em Lisboa.
Pedro Passos Coelho ingressou cedo na vida política. Em 1978, começou a envolver-se activamente com o PSD, como membro dos órgãos locais e distritais da Juventude Social Democrata. Em 1980 integrou o Conselho Nacional da JSD e do PSD, e em 1982 foi eleito membro da Comissão Política Nacional da JSD e seu secretário-geral em 1984. Exerceu o cargo de vice-presidente desta organização de juventude desde 1986, e quatro anos mais tarde, Pedro Passos Coelho candidatou-se a presidente da JSD, função para a qual foi reeleito duas vezes e que desempenhou até Dezembro de 1995.
Em 1991 foi eleito deputado à Assembleia da República, onde foi membro da Assembleia Parlamentar da OTAN (1991-1995) e vice-presidente do Grupo Parlamentar do PSD (1996-1999). Em 1997 foi candidato a presidente da Câmara Municipal da Amadora, tendo sido eleito vereador. Foi vice-presidente do PSD, na liderança de Luís Marques Mendes (2005-2006). É presidente da Assembleia Municipal de Vila Real desde 2005. Pedro Passos Coelho é ainda fundador da Plataforma Construir Ideias e participou no livro “Juventude: que futuro em Portugal”, editado pelo Instituto Sá Carneiro, em 1981.
Texto publicado também no blog Anadia Sem Gente
Foto do site de candidatura
segunda-feira, 22 de março de 2010
Paulo Rangel reúne apoios em Anadia
A candidatura de Paulo Rangel à presidência do Partido Social-Democrata, no âmbito das eleições directas da próxima sexta-feira, dia 26, reúne já uma ampla falange de apoio em Anadia, contando com o apoio de alguns dos mais destacados responsáveis do partido no concelho. De acordo com informações avançadas numa nota de imprensa divulgada às primeiras horas de hoje pela direcção de campanha concelhia da candidatura do deputado europeu, fazem parte daquele órgão Carlos Gonçalves (médico veterinário), presidente da Mesa da Assembleia de Secção do PSD de Anadia, no papel de mandatário concelhio da candidatura; António Lopes (director financeiro), membro da Comissão Política de Secção, que assume as funções de director de campanha no concelho; e Henrique Fidalgo (gestor), presidente da Comissão Política de Secção de Anadia da JSD, mandatário da Juventude.
Segundo a mesma nota de imprensa, a que o Mente Despenteada teve acesso, do elenco da comissão nacional de honra da candidatura do eurodeputado fazem parte os militantes anadienses Lígia Seabra (advogada), Carlos Matos (economista) e João Nogueira de Almeida (assistente universitário). O PSD de Anadia congratula-se ainda por poder contar com José Manuel Ribeiro, líder da concelhia local e “número dois” de Rangel na bancada parlamentar na anterior legislatura, no cargo de mandatário financeiro nacional.
O candidato
Paulo Artur dos Santos Castro de Campos Rangel nasceu a 18 de Fevereiro de 1968 em Vila Nova de Gaia, no Distrito do Porto. Licenciado em Direito pela Universidade Católica Portuguesa, frequentou o Mestrado em Ciências Jurídico-Políticas na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e o Curso de Doutoramento em Direito Público na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, onde prepara actualmente a sua tese, em Direito Constitucional. Profissionalmente, desempenha funções de professor universitário e jurisconsulto.
Do seu percurso pessoal e político constam os cargos de deputado na X Legislatura, presidente do Grupo Parlamentar do PSD e membro da direcção da Associação Comercial do Porto e da Associação dos Amigos do Coliseu, tendo ainda sido secretário de Estado adjunto do Ministro da Justiça do XVI Governo Constitucional entre Julho de 2004 e Março de 2005, José Pedro Aguiar-Branco, curiosamente seu adversário na luta pela sucessão de Manuela Ferreira Leite. Paulo Rangel é ainda autor de diversos livros, versando temáticas políticas e no âmbito da Justiça. O site da sua candidatura à liderança do PSD está alojado no endereço http://www.paulorangel2010.com/, estando também acessível um blog de campanha, em http://libertarofuturo.blogspot.com/.
Texto publicado também no blog Anadia Sem Gente
Foto do site de campanha de Paulo Rangel
domingo, 21 de março de 2010
Castanheira Barros rompeu silêncio...
Uma entrevista de 20 minutos não é muito tempo para dar voz a um homem que durante cerca de cinco meses de campanha foi sucessiva e ostensivamente ostracizado pelos meios de informação nacionais. Jorge Castanheira Barros, candidato à sucessão de Manuela Ferreira Leite na liderança do PSD, deu hoje uma curta entrevista a Judite de Sousa, transmitida em directo na RTP, e deixou bem claro, como ele mesmo frisou, que é o rosto da mudança no seu partido. Reconhecendo maior proximidade com Pedro Passos Coelho do que com qualquer dos outros concorrentes (Aguiar Branco e Paulo Rangel representam a linha sucessória da actual presidente social-democrata, o que equivale a continuidade), o advogado nascido no Porto e criado em Coimbra foi igual a si mesmo, ao homem que tive o grato prazer de conhecer há uns anos, em pleno congresso laranja.
Reconheceu que a recolha de assinaturas que apoiassem a sua candidatura só foi possível graças a um “esforço titânico”, mas garantiu, com a tranquilidade que lhe conheço e com a sinceridade de quem se entrega de alma e coração a um projecto, que tem algumas ideias concretas para pôr em prática, caso saia vencedor das eleições directas da próxima sexta-feira, dia 26. Conhecido pelo papel que tem desempenhado no âmbito da luta contra a co-incineração nas cimenteiras de Souselas e do Outão, Castanheira Barros avançou que dará, na sua actuação enquanto presidente do PSD, atenção especial ao Ambiente, por encarar as questões ambientais como “a grande batalha da humanidade” neste século. Contudo, é nas questões sociais, nos problemas que mais afectam as populações, que porá o enfoque da sua intervenção política.
O desemprego, o congelamento de salários e a perda do poder de compra dos portugueses serão por isso, na sua opinião, os grandes problemas a que urge dar resposta. Mas, porque não basta elencar problemas sem avançar possíveis soluções, explicou que, para combater o flagelo do desemprego, o Governo deveria apostar na promoção do emprego, na criação de mais postos de trabalho em regime de auto-emprego e na criação de mais pequenas e médias empresas, ao mesmo tempo que deveria procurar reduzir a despesa pública. Neste ponto, instou mesmo o Governo e a Presidência da República a “dar o exemplo”…
Servir o PSD
Assumidamente crítico de Manuela Ferreira Leite – numa breve conversa que mantivemos à margem do primeiro congresso após a eleição da actual líder, em Junho de 2008, em Guimarães, fez questão de vincar a “margem muito débil” com que MFL tinha sido eleita, chegando mesmo a apontar Alberto João Jardim como o presidente ideal para o PSD naquela altura) –, Castanheira Barros acusou-a hoje de não ter sabido inspirar a confiança dos portugueses, que deixaram de ver no PSD um referencial político e uma alternativa ao Partido Socialista. Na sua óptica, o partido deverá regressar aos ideais do seu fundador, Sá Carneiro, que permitiram afirmar o PSD como um partido de “coerência, de democracia e de combate político”.
Diversamente de Manuela Ferreira Leite e dos candidatos que representam a continuidade das suas políticas, Castanheira Barros asseverou ter como principal ponto forte o facto de saber fazer-se ouvir e compreender por todos os militantes e por todos os cidadãos, ricos e pobres, criticando aqueles que falam de problemas abstractos para a generalidade das pessoas, em vez de se concentrarem nas questões que realmente afectam as suas vidas. E rematou afirmando que está na corrida à liderança do PSD “para servir o partido”, e não para se servir dele! Silenciado durante muito tempo pelos media, julgo que o candidato fez bem o trabalho de casa e soube tocar nos pontos essenciais do seu discurso, de uma forma capaz e bem concebida. Judite de Sousa também esteve bem, acutilante e profissional, como é, de resto, seu apanágio.
Diversamente de Manuela Ferreira Leite e dos candidatos que representam a continuidade das suas políticas, Castanheira Barros asseverou ter como principal ponto forte o facto de saber fazer-se ouvir e compreender por todos os militantes e por todos os cidadãos, ricos e pobres, criticando aqueles que falam de problemas abstractos para a generalidade das pessoas, em vez de se concentrarem nas questões que realmente afectam as suas vidas. E rematou afirmando que está na corrida à liderança do PSD “para servir o partido”, e não para se servir dele! Silenciado durante muito tempo pelos media, julgo que o candidato fez bem o trabalho de casa e soube tocar nos pontos essenciais do seu discurso, de uma forma capaz e bem concebida. Judite de Sousa também esteve bem, acutilante e profissional, como é, de resto, seu apanágio.
quarta-feira, 17 de março de 2010
Porque gosto de José Sócrates...
Há muito a desatinar com os delírios esquizofrénicos de um número incompreensível de lusitanas criaturas sobre temas como liberdade de expressão e censura, “jornalismo livre” e um certo “plano do Governo para controlar a comunicação social”, ou com as absurdas comparações entre José Sócrates e Salazar, resolvo-me hoje a escrever esta crónica, quiçá também delirante! Com uma nota prévia: sou jornalista, nasci no Portugal democrático, não gosto de Mário Crespo e não considero que Manuela Moura Guedes seja jornalista ou saiba sequer o que é dar uma notícia sem partilhar uma opinião ou um posicionamento. E sou alérgica a partidos, mas gosto, e muito, de José Sócrates! Dito isto, vamos ao que aqui me traz.
Fala-se, neste Portugal democrático em que é possível enxovalhar pública e impunemente um primeiro-ministro, chamar-lhe nomes, persegui-lo com atoardas diárias, na mais plena indiferença pelos votos que o elegeram, e reelegeram, para o cargo que ocupa, de ataques à liberdade de expressão. Falam de censura aqueles que, dia após dia, nos entram em casa pela televisão, pela rádio, pelo computador, através dos jornais, a insultar da forma mais pitoresca que se consiga imaginar o homem que os conduz nesta nau meio naufragada em que este país se tornou. Falam, esses senhores, de censuras, de perseguições, de ditadores e de mentiras. Eles, que não conseguiram provar uma só das acusações feitas, e que ainda vivem na quimera de destronar um homem que o povo quis eleger.
Não sou socialista. Aliás, sou alérgica a partidos. Não gosto de rebanhos, e se fizesse parte de um seria certamente a ovelha negra, tresmalhada. Não acredito em disciplinas de voto, não acredito em maiorias esclarecidas, e acho até que a democracia é apenas e só o menos mau dos sistemas políticos, tão longe como qualquer outro de ser a panaceia para os reais problemas do mundo. Acredito nas pessoas. No seu mérito, na sua competência, no modo como se predispõem a servir os outros, sempre insatisfeitos, sempre mal-agradecidos. Há algum tempo, tive a feliz oportunidade de, durante um curto período da minha vida, trabalhar um pouco mais de perto com José Sócrates. E se já o admirava, fruto do que lera sobre ele, do que sei que foi a sua vida e a sua meteórica ascensão política, mais passei a admirá-lo desde essa altura.
Hoje admiro-o também pela forma como tem resistido a esta mesquinha onda de atoardas que visam, única e exclusivamente, depô-lo da cadeira em que os Portugueses quiseram sentá-lo, por duas vezes. José Sócrates é o primeiro-ministro de Portugal. Foi eleito, depois reeleito, e está, de pleno direito, ao leme do nosso país. Não é um ditador. Não é alguém que tomou de assalto um país adormecido. É a plena expressão da democracia, que muitos defendem bem mais do que eu defendo. Na minha opinião, José Sócrates tem sido alvo de uma campanha vergonhosa, recheada de desrespeito, de falta de educação e de civismo, e tem resistido estoicamente. Ainda bem.
No Portugal de hoje, em que se fala amiúde de planos, de esquemas, de conluios e de outros mecanismos mais ou menos arrojados de exercício do poder, há quem se esqueça de que, há cerca de 35 anos, as pessoas eram perseguidas por pararem na rua a conversar com amigos e conhecidos. Havia livros censurados, jornais com páginas em branco, coisas que não se podia dizer ou sequer pensar. Comparar, ainda que levemente, o Portugal de hoje com o Portugal desse tempo, que felizmente apenas conheci de relatos de quem por lá passou, é pouco inteligente, falacioso e até insultuoso. Os que hoje comparam Sócrates com Salazar talvez devessem parar para ouvir os que ainda elogiam esses tempos. Talvez assim percebessem a diferença entre os que apontam a Lua e os que, nesse gesto, apenas vêem a ponta do dedo…
sábado, 30 de janeiro de 2010
Aldeia Típica de José Franco (Mafra)
Na localidade de Sobreiro, a meio caminho entre Mafra e a Ericeira, ergue-se um lugar mágico. A Aldeia Típica de José Franco (ceramista português nascido em 1920, que se tornou célebre em todo o mundo pelas suas obras de olaria e arte sacra) é hoje um pequeno museu vivo dos usos e costumes da região no início do século passado. Dentro de um pequeno espaço muralhado, mas onde as portas estão sempre abertas, de forma graciosa, a quem passa, a aldeia em miniatura recria cenas do quotidiano daquela época, com figurinhas de barro moldadas por José Franco (muitas delas movidas a água ou a electricidade), cópias fiéis das casas dos arredores de Lisboa e das actividades que então eram desenvolvidas pelos que nelas viviam: há neste conjunto a casa do oleiro, o dentista, o barbeiro, a mercearia da Ti Helena, o açougue, a adega, as casas típicas, detalhadamente decoradas no seu interior, os trabalhos no campo, a matança do porco, a pastorícia e a lida da pesca na Ericeira…
Amigo pessoal do mentor deste interessante projecto, o aclamado escritor brasileiro Jorge Amado – que decorou a sua casa com peças de José Franco – disse, a dada altura, que esta aldeia “parece uma festa, no colorido, na graça, na invenção que nasce das mãos desse homem modesto e simples que é, ao mesmo tempo, sábio de profundo conhecimento, e que traz no coração e nos dedos o dom da criação”. Já sobre o amigo, o escritor considerou que “nasceu para criar beleza, para dar de si aos demais, para tornar mais rico o património do povo português, com as suas imagens, as suas figuras de barro, os seus vasos utilitários, os seus bois de longos cornos, os peixes leves como versos, os porcos e os galos feitos de terra e lirismo”. E como dizia Fernando Pessoa, se “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”. José Franco, filho de oleiros que na altura fabricavam pequenas peças de cerâmica usadas pelos camponeses locais nas suas casas, também começou cedo a produzi-las.
Inicialmente, José Franco vendia estas peças à porta da sua olaria e nos arraiais e nas feiras da região. Contudo, por volta de 1945 ambicionou levar mais longe a sua arte, e nas horas vagas começou a construir, junto à oficina e à casa onde vivia, o que é hoje um documento vivo e histórico desse tempo. A aldeia típica, cuja visita recomendo vivamente (assim como o vinho e o famoso pão com chouriço), será, sem dúvidas, a obra de maior destaque do ceramista lusitano, que chegou a ser agraciado com o título de Comendador pelo General Ramalho Eanes, então Presidente da República, tendo ainda recebido um prémio na categoria de Arte pelo Rotary Club e a bênção do Papa João Paulo II.
José Franco
Tido a nível nacional como um dos expoentes máximos da arte de trabalhar o barro, José Franco esteve sempre ligado, directa ou indirectamente, a quase toda a vida da localidade de Sobreiro. Foi um dos fundadores da liga dos amigos da aldeia, participou na construção da igreja e do lar de terceira idade, entre outros momentos altos da povoação, que ajudou a tornar conhecida, pertenceu à Junta de Freguesia de Mafra, e durante 10 anos integrou a Conferência de S. Vicente de Paulo do Sobreiro e Achada. Foi ainda presidente do conselho fiscal da Liga dos Amigos do Sobreiro, membro da direcção do lar e do centro de dia para os idosos locais, padrinho dos ranchos folclóricos do Milharado e Florinhas do Sobreiro e integrou o júri de vários concursos de trabalhos de arte. Visto por todos como “um homem bom, que consegue atender sempre os necessitados que diariamente lhe batem à porta”, destacou-se também por permitir a entrada gratuita na sua aldeia-museu, ao contrário do que é usual neste tipo de espaços, em qualquer parte do mundo.
Aldeia Típica de José Franco
Sobreiro – EN116 (Mafra – Ericeira)
Horário: 10 às 18 horas
Fotos: Carla Teixeira
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
João Pedreira a caminho do Festival
Lembram-se do João Pedreira, que participou no concurso «Família Superstar» com o pai, o inesquecível Paulo Pedreira? Pois é, eu conheci-os há pouco mais de quatro anos, por intermédio de um dos irmãos dele, de quem já era amiga, quando passei férias em casa de uma amiga comum, no Magoito (Sintra). Sei que o João, como o pai e os irmãos Lito e Paulo Renato, são pessoas invulgares – o tipo de pessoas de que se gosta logo ao primeiro impacto – e sei também que o João vive de corpo e alma a música que faz. Por isso, quando recebi o mail do Lito a dizer que o João está na calha para uma participação no Festival da Canção, não hesitei. Já votei, já divulguei o site da votação entre os meus amigos, e agora deixo-vos aqui o link. Ouçam e façam a vossa opção! Pela parte que me toca, está decidido. Força, João!sábado, 23 de janeiro de 2010
Quando "único" quer dizer "dois"...
Dizem que os indivíduos que abusam do álcool vêem frequentemente a dobrar. Não sei se é assim, mas dou por certa a teoria de quem certamente tem no currículo mais bebedeiras, próprias ou emprestadas, do que eu. Já no PSD (e perdoem a má comparação), parece que há quem só veja metade do que existe, numa forma deturpada de encarar a realidade que aos poucos foi contagiando os meios de informação desta ocidental praia lusitana. Ao longo dos últimos meses, mas com particular incidência nos últimos dias, o mundo noticioso nacional voltou-se, com muito interesse mas com pouca atenção, para as questões do foro interno do PSD. Subitamente, para o núcleo duro de Manuela Ferreira Leite, que sempre tratou como mentalmente diminuídos todos aqueles que não iam à bola com o grupo, mas depois acabou por “atirar uma esmola” a Santana Lopes, cedendo-lhe terreno para se espalhar ao comprido na candidatura à Câmara Municipal de Lisboa, o outro rival da ainda presidente (alguma vez terá sido líder?) do partido passou a ser, aos olhos de Aguiar-Branco, “um bom candidato”.
Sem comprometer a sua cómoda e bem cultivada proximidade a Manuela Ferreira Leite, que lhe valeu para já a liderança do grupo parlamentar, e sem se comprometer com uma eventual candidatura própria à presidência do partido, Aguiar-Branco começa agora a emitir sinais de alguma abertura a Pedro Passos Coelho, embora sem querer pronunciar-se muito claramente a favor dele (nunca se sabe se não há-de surgir um qualquer “barão” disposto a correr o risco de um suicídio político, em troca de uns mesitos de liderança do rebanho social-democrata). Contra isso nada! Eles, que são cor de laranja, que se entendam! O que me parece estranho, e até constrangedor, é que num partido que há meses anda à deriva, sem leme nem rumo, haja quem se dê ao desplante de tão grosseiramente desrespeitar quem manifesta interesse em resgatar o PSD desse marasmo, numa atitude de falta de solidariedade que começou nos barões e logo contagiou os meios de informação. Isto tudo para dizer o quê?
Já todos sabem que Pedro Passos Coelho é candidato à presidência do PSD. Não é a primeira vez, e ele não escondeu, em momento algum, que ia voltar à carga. O problema é que, nos últimos dias (semanas, meses?), há nos jornais, nas rádios e nas televisões uma febre de PSD, com notícias atrás de notícias, entrevistas e artigos diversos, segundo os quais Passos Coelho é “o único candidato” à sucessão de Manuela Ferreira Leite, quando na verdade existem pelo menos dois candidatos já perfilados, e o outro (o que não é Passos Coelho) tem mantido uma agenda tão ou mais intensa do que o fundador da JSD, sem que algum dos media nacionais se digne a dar-lhe cobertura. Isto é indigno de um jornalismo que se diz independente e isento. Isto é indigno de um país que devia respeitar a pluralidade de opiniões e políticas, abstendo-se de comentar a realidade lusitana como se apenas existisse o Benfica e o PSD.
Não me colo a Alberto João Jardim, nem à sua definição de “bastardos, para não dizer filhos da pûta”. Que os há, sem dúvida! Mas considero indecente, para não dizer pior, que tantos jornais, tantas rádios e tantos canais de televisão se dediquem a perseguir quotidianamente Pedro Passos Coelho, Manuela Ferreira Leite, José Pedro Aguiar-Branco, Marques Mendes, Luís Filipe Menezes ou qualquer cão e gato que fale “social-democratês”, ignorando de modo quase olímpico o outro candidato: Castanheira de Barros, advogado sediado em Coimbra, é há já alguns meses, e também pela segunda vez, candidato à presidência do PSD. Da primeira vez foi claramente ostracizado pelos media, e desta vez vai pelo mesmo caminho. Poucos se interessam pelas suas ideias, pela sua agenda ou pelas suas opiniões, e até por isso gostava de o ver ganhar as eleições internas e pôr essa gente toda na linha. Revolta-me este tipo de boicotes. E pior do que ser ignorado pelos seus pares, é ser maltratado por uma Comunicação Social que se vende aos poderes instituídos em troca de muito pouco. Mas, que dizer?... That’s politics!
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Torres Vedras em estado de sítio!
Foto: Luís Silva
A zona ocidental do Distrito de Lisboa, e nomeadamente o Concelho de Torres Vedras, que na madrugada de ontem foi epicentro de um tornado com ventos de cerca de 200 km/hora, está em estado de sítio, e poderá estar iminente a declaração do estado de calamidade pública. O cenário é de caos completo: árvores arrancadas pela raiz caíram sobre estradas, linhas férreas e casas, há várias estradas cortadas, famílias desalojadas e a noite de consoada estragada, já que milhares de habitações poderão continuar às escuras logo à noite. Volvidas as primeiras 24 horas sobre o temporal, a última noite também não foi pacífica. Choveu muito, os ventos rosnaram de novo com grande velocidade, e a natureza em fúria voltou a dar sinais da sua enorme força, e o sol que actualmente brilha no céu parece querer fazer esquecer as últimas noites e os estragos que provocaram.
Cá em casa os danos são leves: uma janela que se partiu e abriu durante a noite fez tombar alguns objectos na cozinha, voaram algumas telhas (a arrecadação ficou “ao ar livre”), mas no geral está tudo tranquilo. Já lá fora, onde cheguei a temer pelo bem-estar do nosso carro, que está estacionado à porta, o cenário é bem mais devastador: telhados destruídos, quedas de postes eléctricos, dificuldades nas comunicações por telemóvel (ontem não havia rede entre as Caldas da Rainha e Torres Vedras, pelo menos, mas paulatinamente as operadoras foram conseguiram restabelecer o serviço). De acordo com a Protecção Civil de Torres Vedras, são muitos os danos no Parque de Campismo de Santa Cruz e na Colónia de Férias da Praia Azul. No plano concelhio, os prejuízos poderão ascender aos milhões de euros.
Cá em casa os danos são leves: uma janela que se partiu e abriu durante a noite fez tombar alguns objectos na cozinha, voaram algumas telhas (a arrecadação ficou “ao ar livre”), mas no geral está tudo tranquilo. Já lá fora, onde cheguei a temer pelo bem-estar do nosso carro, que está estacionado à porta, o cenário é bem mais devastador: telhados destruídos, quedas de postes eléctricos, dificuldades nas comunicações por telemóvel (ontem não havia rede entre as Caldas da Rainha e Torres Vedras, pelo menos, mas paulatinamente as operadoras foram conseguiram restabelecer o serviço). De acordo com a Protecção Civil de Torres Vedras, são muitos os danos no Parque de Campismo de Santa Cruz e na Colónia de Férias da Praia Azul. No plano concelhio, os prejuízos poderão ascender aos milhões de euros.
Setenta por cento do concelho ficou sem abastecimento eléctrico (cá em casa temos luz, apesar de alguns “soluços” ocasionais, mas a televisão por cabo foi-se com o tornado e ainda não voltou, pelo que estamos reduzidos aos quatro primeiros canais nacionais, apanhados com a ajuda de uma antena interior). Lembro-me, de repente, que o dia 21 de Dezembro é o dia do solstício de Inverno, e do mito de que o fim do mundo chegará nesse dia, daqui a três anos. Sem querer dramatizar o debate desse cenário, que até é objecto de um filme que está actualmente nos cinemas, acredito que a civilização esteja realmente perto do fim. As últimas noites foram disso bom exemplo cá no concelho. Torres Vedras está virada do avesso, e não há optimismo que resista às demonstrações, cada vez mais frequentes, da fúria da Natureza. Dias depois de um sismo de seis graus sentido em todo o país, um tornado assola o Oeste. Se não é o fim do mundo, é algo que, ainda assim, impõe respeito…
Foto: Mário Caldeira/Agência Lusa
Foto: Mário Caldeira/Agência Lusa
Foto: Mário Caldeira/Agência Lusa
domingo, 20 de dezembro de 2009
Nova querela política sem sentido...

Foto: «Diário de Notícias»
Questionado sobre o (não sei por que razão polémico) casamento dos homossexuais, o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, disse anteontem aos jornalistas que tem o pensamento e a atenção concentrados “noutros problemas”, como o desemprego, o endividamento do país, o desequilíbrio das contas públicas, e a falta de produtividade e de competitividade”, que considerou realmente fracturantes. E se verdade que nem sempre estive de acordo com Cavaco Silva, neste caso não poderia estar mais ao lado dele. Sem pôr em causa a importância que a união entre pessoas do mesmo sexo terá para as próprias, e considerando totalmente legítimo o seu desejo de ver legalmente reconhecidos os seus afectos e as suas ligações amorosas, a verdade é que há vários problemas bem mais prementes a que os nossos governantes deveriam dar atenção, e todos os que o chefe de Estado citou são, efectivamente, mais importantes para a generalidade dos Portugueses do que o casamento homossexual.
Totalmente descabida foi a reacção do Partido Socialista, divulgada pela voz de Sérgio Sousa Pinto, que disse que Cavaco Silva terá direito à sua opinião pessoal (e tem, de facto), mas que não deve intrometer-se na agenda dos partidos (não o vi fazer tal coisa). Responsabilizou depois o Presidente da República por estar “a contribuir inutilmente para a dramatização da vida nacional” (por favor, alguém que me explique como), e por “pôr em causa as condições de estabilidade política indispensáveis para dar resposta aos problemas que preocupam o Presidente, o PS e o Governo” (juro que dei um nó). Cereja no topo do bolo, Sérgio Sousa Pinto critica Cavaco Silva por, “ainda por cima”, estar “em coro com a oposição de direita”. Juro que não entendo tamanha crispação, pois que me parece claríssimo que qualquer dos problemas apontados por Cavaco Silva está necessariamente acima, na escala de prioridades de qualquer pessoa de bom senso, do casamento entre gays. E eu, que penso exactamente como Cavaco Silva nesta matéria, nem sequer faço parte dessa oposição de direita…
sábado, 19 de dezembro de 2009
Até sempre, tio Manuel!
A morte apanha-nos sempre de surpresa. Mesmo quando os pesadelos a perseguem, mesmo se alguns acontecimentos a antecipam, teimamos em ter esperança. Em pensar que não, que não é desta. Mas depois a realidade atinge-nos com uma pancada seca, as lágrimas parecem secar-nos nos olhos, e diante de nós exibe-se, incessantemente, o filme dos momentos que partilhámos com quem agora nos foge ao convívio. Não que o convívio fosse muito nos últimos anos. A última vez que o vi, curiosamente, foi num outro funeral. Tinha os cabelos brancos, como nunca lhos tinha visto, e um sorriso manchado por algum desconforto. Disse que se sentia só, abandonado, mas que continuava ali, vivo e amigo. A vontade de o ver mais vezes cruzou-me diversas vezes o espírito, e quando o soube internado quis ir vê-lo, lá longe onde estava. A gripe que me apanhou inibiu esses planos, porque não quis pô-lo em risco, frágil como estava. E hoje morreu, naquela cama de hospital, sem imaginar sequer os meus anseios de o ver, assim que a gripe passasse. Não fui a tempo, e ele morreu sem saber da minha saudade. Talvez tenha sido essa dor que secou as lágrimas que sinto cá dentro…
Até sempre!
Espera por mim no céu.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Reunião de amigos com sabor a chocolate
Quando era adolescente, li num daqueles livros antigos sobre os “deveres da esposa ideal” para com o marido e o lar, que as mulheres são em regra mais infantis do que os homens para poderem funcionar como intermediárias entre os adultos e as crianças. Nada sei dizer desse alegado “instinto maternal”, mas sempre achei que conseguia, como poucas pessoas, ligar-me às crianças e aos adultos, e sempre tive amigos mais novos e mais velhos, bem mais novos e bem mais velhos do que eu. Gosto de os ter. A riqueza da nossa vida está nas pessoas que temos à nossa volta, e quanto mais essas pessoas forem diferentes, mais rica é a nossa experiência.
Gosto dos meus amigos. Gosto de sentir que tenho um pouco de cada um deles, e que cada um deles tem um pouco de mim. E gosto de saber que, independentemente da idade que tinham aqueles com quem, ao longo da vida, me fui relacionando, sempre obtive o respeito de uns e de outros, e até alguma admiração, que (agrada-me pensar assim) terá sido quase sempre merecida! Não sou uma pessoa de trato fácil. Não sou simpática, nem hipócrita, sou muito exigente, comigo e com os outros, impaciente e pouco compreensiva para com os fracos de espírito, e tenho enorme dificuldade em calar a voz do diabinho que vive no meu cérebro, que me faz dar voz aos pensamentos que me invadem a alma.
Ainda assim, apesar de todos os meus defeitos, tenho tido a sorte e o talento de fazer e guardar amigos. Não são muitos, mas sempre fui daquelas pessoas que preferem a qualidade à quantidade. São poucos, mas bons. Há dias tive a feliz oportunidade de me reunir com alguns (bem, eram apenas quatro, mas do meu melhor leque) e a noite foi divertidíssima. E há minutos li, no blog da Joaninha, que não fui a única a gostar muito da nossa pequena reunião! Acho muito bem. Só tenho pena de não termos registado o momento para a posteridade, apesar de haver na mesa um fotógrafo profissional e pelo menos uma apaixonada pela arte da Fotografia (leia-se eu). Talvez na próxima vez!
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Jornalistas despedidos assinalam aniversário do «Janeiro»
JORNALISTAS DE «O PRIMEIRO DE JANEIRO»
ASSINALAM ANIVERSÁRIO DO JORNAL
Para os jornalistas e outros trabalhadores de «O Primeiro de Janeiro» ilegalmente despedidos no Verão de 2008, o dia 1 de Dezembro marca o aniversário do jornal que produziram durante anos com grande esforço e seriedade. Trata-se, no entanto, de uma realidade bastante mais distante, não só pela acentuada degradação do título, como pela longa batalha judicial a correr nos tribunais.
Decorridas que foram as assembleias de credores no Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia, ainda não foi produzida sentença judicial; no Tribunal do Trabalho do Porto, não há sequer julgamento marcado. Note-se que toda a redacção e outros funcionários foram alvo de um despedimento colectivo, em Julho do ano passado, sem que os seus direitos fossem respeitados, ficando por liquidar alguns meses de salários e subsídios de férias, além das respectivas indemnizações.
No centro de todas estas ilegalidades está o empresário Eduardo Oliveira Costa e o seu grupo de empresas. Desde que comprou «O Primeiro de Janeiro», em 1993, têm-se acentuado a degradação do título, das condições de trabalho e, inevitavelmente, da qualidade da informação, não falando no seu uso para fins contrários aos valores jornalísticos universalmente consagrados.
«O Primeiro de Janeiro» é produzido actualmente por três jornalistas e um trabalhador sem carteira profissional, todos com salários em atraso há vários meses. O jornal «Motor», outro título do universo de empresas de Eduardo Costa, está a ser produzido por um único jornalista, também com salários em atraso.
O Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia ainda não decidiu o futuro da empresa Sedico, SA (que até 2006 tinha o nome de O Primeiro de Janeiro, SA), depois da assembleia de credores do dia 27 de Outubro. Nessa reunião, em que estiveram presentes 97 por cento dos credores, os representantes do empresário de Oliveira de Azeméis, da sua irmã, e da cooperativa que presidem, A Folha Cultural, CRL (agora designada Editorialcult, CRL), rejeitaram o plano de recuperação apresentado pelo administrador de insolvência. Isto apesar de ter sido a Folha Cultural a pagar a caução, em Julho, para travar o processo, alegando a existência de bens na empresa.
Os únicos bens detectados pelo administrador de insolvência foram o arquivo fotográfico, encontrado na antiga redacção da rua Coelho Neto, e a colecção de jornais desde 1868, encontrada na casa do pai de Eduardo Costa, em Oliveira de Azeméis, na freguesia de S. Roque. Segundo o administrador de insolvência, este espólio está avaliado em 250 mil euros, apesar de não se conhecer nenhuma avaliação independente, nem o seu estado e condições de conservação.
No entanto, o valor atribuído ao alegado espólio de «O Primeiro de Janeiro» não serviria para cobrir as dívidas da Sedico aos seus trabalhadores, já que esse valor ascende a cerca de 950 mil euros. Ao Estado, Finanças e Segurança Social fica uma dívida de cerca de 6 milhões de euros; entre as dívidas a fornecedores encontram-se valores significativos de várias empresas de comunicação social do Porto e de Lisboa, apesar de não se conhecer anúncios publicitários ao jornal «O Primeiro de Janeiro».
Todavia, os principais credores da Sedico, em mais de 50 por cento dos créditos, são o próprio Eduardo Costa, através da cooperativa Folha Cultural/Editorialcult, e a sua irmã, Lúcia Jesus Costa.
Apesar da demora dos tribunais em resolver esta teia, os jornalistas e outros trabalhadores ilegalmente despedidos em 2008 não deixam de assinalar mais um aniversário de «O Primeiro de Janeiro», um título que está ligado ao último século da história do Porto e de Portugal.
Jornalistas e outros trabalhadores ilegalmente despedidos em 2008
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Os brasileiros devem estar loucos...
Encontrei hoje, num site noticioso, uma curiosíssima expressão brasileira. Num artigo sobre o apagão que deixou às escuras várias cidades do Brasil, alguém falava de “blecaute”…
Blecaute?!
Fiquei com os cabelos em pé! Será que os brasileiros, além de darem cabo da Língua Portuguesa e de, apesar disso, terem conseguido convencer Portugal a celebrar um acordo ortográfico em que se abdica de muito do essencial da nossa língua materna, vão agora partir na missão global de tentativa de destruição de todos os idiomas estrangeiros? Isto revolta-me!
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Credores da Sedico rejeitam recuperação
Os bens da empresa Sedico, responsável pelo pagamento dos trabalhadores demitidos de «O Primeiro de Janeiro», vão ser liquidados, depois de os credores terem hoje rejeitado o plano de recuperação apresentado. Do grupo de credores que hoje votaram contra o plano de recuperação, no Tribunal do Comércio de Gaia, fazem parte não só os trabalhadores despedidos ilegalmente em Julho de 2008 (a quem a Sedico deve mais de 840 mil euros), mas também a própria Segurança Social, cuja dívida ascende a quatro milhões de euros. As dívidas da empresa ao Estado (Segurança Social e Finanças) ultrapassam neste momento os 5,7 milhões de euros, uma quantia apenas superada pela dívida a fornecedores, estimada em quase oito milhões de euros.
Agência Lusa
Agência Lusa
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Quo vadis, PSD?
O fim das eleições do líder em congresso e o advento das eleições directas no seio do partido, cumprindo a máxima de “um militante, um voto” por que um grupo de pessoas lideradas por Miguel Braga clamava há vários anos, permitiram que um homem rasgasse a espessa teia dos barões e, embora apenas à segunda tentativa, alcançasse o trono da social-democracia. Esse homem, Luís Filipe Menezes, que do Norte se ergueu contra os “sulistas e elitistas”, derrotou Marques Mendes e venceu as directas, mas esbarrou, logo no momento seguinte, com a implacável oposição do núcleo duro laranja, tomado pelos tais barões. Fizeram-lhe a vida negra. O também autarca de Vila Nova de Gaia, surpreendendo todos aqueles que, como eu, pensavam ver nele um sequioso de poder, elevou-se bem alto para dizer “basta”, e saiu pelo seu próprio pé, intacto na sua dignidade, de um lugar onde não era desejado.
Sucedeu-lhe Manuela Ferreira Leite. Eleita com pouco mais de um terço dos votos, deixou para trás, no segundo lugar, o “eterno JSD” Pedro Passos Coelho (o homem já tem 45 anos, mas ainda é tratado pelo grupo afecto à actual líder como um mero debutante), e no terceiro Pedro Santana Lopes, em quem deu a entender não ter votado nas legislativas de 2005, mas que depressa se apressou a “encostar na prateleira” da Câmara de Lisboa, quiçá para não ter de o ver muitas vezes, nem de temer que este lhe fizesse frente. Manuela Ferreira Leite é, do meu ponto de vista, totalmente inábil para a política. É uma opinião, naturalmente, mas creio que comigo concordarão todos os que não são do PSD, e mesmo alguns (muitos?) que, sendo militantes do partido, esperavam mais de um líder do que a pobreza de argumentos com que a senhora presenteia o seu eleitorado e os seus adversários.
Nas últimas eleições para a presidência social-democrata, Passos Coelho obteve quase tantos votos como a líder eleita, mas foi ostracizado, como se não existisse ou não fizesse parte do partido. Nesse tempo como agora, há no PSD uma franja de pessoas que parece cultivar a ideia de que há militantes que valem mais, e outros que valem menos, ainda que nas urnas todos tenham igual importância. E é por isso que, num momento em que o partido parece ter batido no fundo, com resultados execráveis em todas as eleições a que se vem apresentando nos últimos anos (apesar de alguns insistirem em catalogá-lo como vitorioso, o resultado das últimas autárquicas é claro, a favor do PS), os “barões” repetem o erro de outrora, e voltam a fechar-se sobre si, na busca de um substituto. Ignoram Pedro Passos Coelho, como aliás têm feito sempre, e ignoram Castanheira Barros, que volta a dar conta da sua disponibilidade para avançar.
Fazem mal.
E fazem mal porque qualquer um deles tem condições para ser melhor presidente do PSD do que Manuela Ferreira Leite alguma vez foi. Fala-se, à boca pequena, da disponibilidade de Paulo Rangel, que em Junho foi eleito como cabeça-de-lista para o Parlamento Europeu, mas a sua eventual eleição, além de trair quem votou nele para Bruxelas, seria “mais do mesmo”, numa espécie de reedição de Ferreira Leite. Com Rangel ou com outro, entre os elementos mais próximos da actual líder, nenhum será melhor do que Passos Coelho ou Castanheira Barros. A proximidade à actual líder será mais um defeito do que uma virtude nesta corrida, e nesse campo tenho o grato prazer de anunciar que Castanheira Barros é, quando comparado com Passos Coelho, muito mais coerente. Desde o primeiro momento, e eu sou disso testemunha porque estava lá quando aconteceu a eleição de Ferreira Leite, o advogado de Coimbra foi claro naquela que era a sua, e também a minha posição: a eleita não era, como não foi, a pessoa indicada para o cargo.
Nas recentes campanhas eleitorais, para as europeias, legislativas e autárquicas, Castanheira Barros manteve a sua natural discrição, enquanto Pedro Passos Coelho pareceu vender – ou pelo menos emprestar – a alma ao diabo, surgindo ao lado da mulher contra quem tinha concorrido, e cujos defeitos tão acertadamente tinha apontado. Soou a hipocrisia. Pareceu um apoio de circunstância, por interesse. Não caiu bem. Bem sabemos o que pensa o povo da gente da política: que são falsos, que são vendidos, que querem é “tacho”. Eu não costumo engrossar esse coro, mas essa atitude de Passos Coelho, honestamente, não me agradou. Até porque, semanas depois de ter aparecido em alguns eventos de campanha – e na maioria foi olimpicamente ignorado pela líder a quem fazia o favor de aparecer – Passos Coelho voltou a tomar a estrada da crítica, e está novamente candidato. Não parece sério mudar tantas vezes de campo.
Castanheira Barros, por seu turno, está onde sempre esteve. Na posição de quem é e sempre foi contra, sem artifícios, sem favores, sem vícios nem mudanças de opinião extemporâneas e ao sabor do momento. Já aqui disse, e reafirmo, que tenho Castanheira Barros na conta de um amigo, mas acima de tudo vejo-o como um homem sério, íntegro, dedicado e disponível, interessado e atento ao seu partido. Na alma que emprestou ao combate à co-incineração, vi a força de carácter de um homem que luta por aquilo em que acredita, e que não teme fazer-se à estrada, mesmo que inóspita, para chegar onde quer ir. Este homem seria, com toda a certeza, um excelente presidente do PSD. Com ele, talvez o partido recuperasse o seu lugar como partido de alternância no poder. Porque eu vejo a política é como vejo o futebol: gosto que o Futebol Clube do Porto seja campeão todos os anos, mas também gosto de ver a minha equipa lutar pelos resultados e fazer por merecer esse campeonato…
Foto: Carla Teixeira
Tirada no XXXI Congresso Nacional do PSD - Guimarães, Junho de 2008
domingo, 25 de outubro de 2009
Assembleia de credores decide futuro do jornal «O Primeiro de Janeiro»
O plano de recuperação da empresa Sedico (ex-O Primeiro de Janeiro, SA) apresenta diversas incongruências, dados misteriosos e insiste em situações lesivas para os trabalhadores e para a lógica empresarial.
A Sedico já passou por dois planos de recuperação, o primeiro em 1993, quando o empresário Eduardo Costa tomou conta da empresa e que levou ao despedimento de dezenas de trabalhadores a quem nunca foram pagas as indemnizações devidas. Apela-se a estes credores e todos os demais que participem na assembleia de terça-feira e rejeitem o actual plano de recuperação. Só faz sentido recuperar-se a empresa se as indemnizações dos trabalhadores forem as primeiras a liquidar, de uma só vez e na totalidade. Caso contrário, a recuperação irá assentar mais uma vez no esforço não reconhecido daqueles que durante anos trabalharam para tornar «O Primeiro de Janeiro» um título credível. Note-se que os quatro jornalistas que actualmente produzem o jornal trabalham a partir de casa, deslocando-se à redacção ao fim do dia para fazer o fecho, já que a empresa não garante o pagamento dos salários, nem os meios técnicos necessários. Apesar disso, o plano de recuperação apresentado ao tribunal afirma que a empresa dispõe dos meios humanos e técnicos necessários para produzir o jornal.
O plano é omisso quanto à actividade da empresa, insistindo em pressupostos errados. Não se compreende a sua recuperação baseada no título «O Primeiro de Janeiro», quando se sabe que este é pertença de uma empresa com sede em Ovar, a Caderno Digital, que não tem ligação à Sedico. Além do mais, o principal credor interessado na recuperação é a antiga cooperativa Folha Cultural (que mudou o nome para Editorial Cult, CRL), e cujo presidente é Eduardo Costa. O antigo administrador da Sedico já reconheceu publicamente, várias vezes, que agia como testa de ferro do empresário de Oliveira de Azeméis. Também não se compreende a actuação da Segurança Social, ao pretender viabilizar a recuperação da empresa, quando tem estado a discriminar os jornalistas despedidos em 2008, procedendo apenas a alguns a pagamentos no âmbito do Fundo de Garantia Salarial, recusando-se a justificar sequer porque paga a alguns e não a outros.
Os jornalistas despedidos em Julho de 2008
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Castanheira Barros quer liderar o PSD
Se é verdade que é sempre bom reencontrar amigos e pessoas cuja lembrança nos inspira um sorriso, é ainda melhor perceber que essas pessoas continuam activas na sua coerência e na sua militância, lutando pelo futuro daquilo em que acreditam. O advogado Jorge Castanheira Barros, de Coimbra, é uma dessas pessoas, que felizmente tenho como amigo. No momento em que acaba de anunciar a sua disponibilidade para avançar na corrida à liderança do PSD, se conseguir reunir os “apoios humanos e financeiros” suficientes para sustentar “uma forte probabilidade de vitória”, não me resta alternativa a apoiá-lo nessa pretensão, com a certeza de que a sua eleição representaria uma lufada de ar fresco num partido cuja história recente tem registado uma embaraçosa curva descendente.Conheci o cidadão e o advogado, antes de conhecer o político. Empenhado na sua luta contra o avanço do processo de co-incineração, vi sempre nele um homem de causas, sério, certeiro, atento e dedicado. Castanheira Barros não vira a cara a um desafio, e se já em 2007 anunciou a sua disponibilidade para assumir a presidência do partido, numa candidatura minada ainda numa fase embrionária, precisamente por falta de apoios materiais para a sua concretização, é com bons olhos que o vejo agora reincidir nessa intenção. Nessa altura, enfrentaria Luís Marques Mendes e Luís Filipe Menezes, duas figuras de peso no partido. Hoje, consumando-se esta candidatura, enfrentará Manuela Ferreira Leite, uma decrépita sombra do que já foi, desgastada pelas recentes derrotas eleitorais, e Pedro Passos Coelho, o “eterno jovem” a que muitos social-democratas hesitam ainda dar o seu voto de confiança.
Para já, são estes os dois putativos candidatos à liderança do PSD. Adivinha-se um combate de titãs, disputado e interessante. Castanheira Barros afirma que, se a actual líder do partido continuar “agarrada ao poder”, será necessário “mostrar-lhe, quanto antes, a porta da saída, através da convocação de um congresso extraordinário e da consequente apresentação de uma moção de censura à actual Comissão Política Nacional”. Creio que Pedro Passos Coelho não discorda desta análise. Numa conferência de imprensa realizada há poucos dias, Castanheira Barros recordou que é “opositor de Manuela Ferreira Leite desde a primeira hora” (e eu sou testemunha disso!), garantindo que não ficará a assistir à corrida para a presidência. “As condições actuais são bem diferentes das do Verão de 2007, em que surgi como um candidato outsider posicionado entre Marques Mendes e Filipe Menezes”, explicou. Sobre aquele que é actualmente o seu único opositor, considerou que, “ao contrário daquilo que defende Pedro Passos Coelho, o PSD deve hoje procurar afirmar-se como um partido eminentemente social-democrata, e não como um partido liberal”.
Para traçar um pouco do perfil de Castanheira Barros, enquadrando no tempo algumas das suas declarações, deixo-vos duas reportagens que publiquei em Junho de 2008. A primeira, de antecipação ao congresso, foi publicada no jornal «O Primeiro de Janeiro» no dia 18, e a segunda, realizada em pleno conclave social-democrata, no dia 23. A posição do advogado é bem reveladora da sua visão política.
Castanheira Barros quer apresentar “lista de oposição” a Manuela Ferreira Leite - “FOI UMA VITÓRIA FRÁGIL”
Diz que “o Conselho Nacional é que decide quem é candidato a primeiro-ministro”, mas não esconde a convicção de que Ferreira Leite é a militante mais mal colocada para esse combate. Castanheira Barros está a recrutar elementos para uma lista de oposição à líder do partido...
Carla Teixeira
Foi adversário de Marques Mendes e de Luís Filipe Menezes na corrida à liderança do PSD no âmbito das segundas eleições directas do partido, que tiveram lugar em Outubro do ano passado, com o lema «Unir o partido, devolver o poder às bases e restaurar o espírito ganhador». A apenas três dias do XXXI Congresso Nacional do PSD, agendado para o próximo fim-de-semana no Pavilhão Multiusos, na cidade de Guimarães, Castanheira Barros recorre ao mesmo argumento – a unidade no seio da social-democracia –, para justificar o desejo de apresentar uma lista de “frontal oposição” à nova presidente do partido, a quem não reconhece “potencial eleitoral para garantir a vitória nas legislativas de 2009”. Em declarações a O PRIMEIRO DE JANEIRO, o advogado de Coimbra explicou que, para vencer as eleições em 2009 e resgatar ao PS de José Sócrates a governação do País, “é preciso capitalizar os votos da Função Pública”, e “Manuela Ferreira Leite é a militante social-democrata mais mal posicionada para conquistar esses votos, porque foi ela, enquanto estava no Governo, que pôs em causa expectativas legítimas e direitos consagrados dos funcionários públicos”.
Na opinião de Castanheira Barros, o passado político e de governação de Manuela Ferreira Leite – que foi ministra da Educação e das Finanças, tendo protagonizado, na última daquelas missões, algumas políticas de rigor que não caíram bem no seio da Função Pública e da sociedade em geral – funciona como “handicap”, tornando muito difícil a sua eleição para o cargo de primeira-ministra, ainda que o advogado concretize que “o Conselho Nacional é que decide quem é o candidato a primeiro-ministro”, e não o presidente do partido”, apesar de ser tradição ser o responsável máximo pela estrutura a assumir os combates eleitorais com os outros partidos. No entanto, Castanheira Barros recorda que Manuela Ferreira Leite não tem a “ampla representatividade partidária” necessária a quem se assume como candidato a um cargo de tal responsabilidade para o País. E diz mais: “A vitória que alcançou nas últimas eleições directas é uma vitória democrática, mas muito frágil”, posto que se a nova líder obteve cerca de 37 por cento dos votos, é também certo que quase o dobro daqueles militantes votaram num dos outros candidatos.
Por isso, o antigo candidato à presidência avisa que Manuela Ferreira Leite “tem de ter noção de que a sua vitória é muito frágil”, sendo útil a apresentação de ideias e projectos de uma ala que se assuma como oposição dentro do partido, sempre com frontalidade e no âmbito da “tradição vincadamente pluralista que é um património do PSD”. Nessa linha de pensamento, adiantou ao JANEIRO, está a desdobrar-se em contactos com “figuras proeminentes que apoiaram as outras candidaturas à presidência do partido”, tendo ontem estado reunido com delegados ao congresso da zona da Figueira da Foz, e tendo para hoje agendados “encontros importantes” para a formalização da lista que pretende apresentar em Guimarães. Reconhece que “são pessoas muito ocupadas e os contactos não são fáceis”, e acrescenta que “o tempo também é escasso”, mas avisa que “até sábado às 20 horas” é possível que apresente a relação das pessoas que o acompanham neste desafio.
Instado a comentar se, tendo os candidatos derrotados nas directas feito um apelo no sentido da unidade do partido e da união em torno da nova presidente, não será a apresentação de uma lista de oposição vista como uma afronta a Ferreira Leite, o advogado considerou que “ainda estão por eleger três órgãos nacionais do partido”, que vai muito além do seu presidente, e que a sua concepção política é “inversa” à da actual líder, que “quer recuperar o PSD a partir das cúpulas e barões”, enquanto Castanheira Barros defende a necessidade de “devolver o partido às bases. É uma pirâmide invertida”, ilustrou.
Entretanto, alguns apoiantes da candidatura de Pedro Santana Lopes reuniram-se ontem na Figueira da Foz para “um jantar seguido de uma pequena reunião”, como explicou à Agência Lusa o ex-deputado social-democrata Luís Cirilo, concretizando que “foram convidados todos os mandatários distritais, quem trabalhou na direcção de campanha e os delegados eleitos pela candidatura” do ex-autarca da localidade. Por decidir continua, pelo menos oficialmente, a possível apresentação de uma lista daquela equipa ao Conselho Nacional do PSD, que Luís Cirilo diz ser “largamente provável”.
«O Primeiro de Janeiro»
18 de Junho de 2008
Líder do Governo Regional da Madeira foi “a grande ausência em Guimarães” - JARDIM CHAMADO À LIDERANÇA
Manuela Ferreira Leite acaba de ser eleita, mas a união em torno da presidente do PSD parece ter falhado em toda a linha. Castanheira Barros instou os militantes a formar uma lista de “frontal oposição” à líder, e ontem apontou Alberto João Jardim como o líder desejado.
Carla Teixeira
Ainda Manuela Ferreira Leite não esquentou o lugar de presidente do PSD e já nos bastidores do partido se equaciona a sua sucessão, defraudando a tentada imagem de unidade que foi mais convincente nos dois primeiros dias de trabalhos do XXXI Congresso Nacional do PSD reunido em Guimarães. À baila vem, segundo afirmou a O PRIMEIRO DE JANEIRO fonte interna social-democrata, a possibilidade de, ao cabo de poucos meses, a ex-ministra decida abdicar da liderança do partido a favor de Rui Rio, seu vice-presidente, que assim será chamado ao confronto directo com José Sócrates nas legislativas de 2009, mas Castanheira de Barros, o advogado de Coimbra que tentou constituir uma lista de “frontal oposição” à nova presidente, crê que as mudanças não se ficarão por aí, e lança o nome do presidente do Governo Regional da Madeira para a sucessão de Ferreira Leite.
À margem do congresso, e em declarações ao JANEIRO, Castanheira Barros disse que vê Alberto João Jardim como “o mais vitorioso dos social-democratas”, aferindo que “só quem não conhece a Madeira não é fã de Jardim”, que tem, frisou aquele militante, “a capacidade de falar com o povo, mas também um discurso de grande erudição, que estranhamente não passa para a Comunicação Social”. Castanheira Barros acredita que o líder madeirense seria bem aceite pelas hostes nacionais do PSD, justamente por esse discurso, que não é de oposição ao Continente. “Ele é o maior concretizador de objectivos que conheço, e a Madeira tem o maior índice de desenvolvimento da Europa nas últimas décadas, e estes são sinais evidentes de progresso, quer na chamada política do cimento, quer na vertente social”.
Pela mais-valia política que Alberto João Jardim representa para o partido laranja, o militante Castanheira Barros afirmou que “houve condições para que ele avançasse para a liderança do partido – só ele saberá por que não o fez –, mas voltará a haver condições para isso no futuro”. Quanto à hipotética passagem de testemunho entre Manuela Ferreira Leite e Rui Rio, o apoiante de Santana Lopes acredita que “é um cenário possível, mas insiste que “essa ideia resulta se pensarmos na possibilidade de colocar Jardim na presidência do partido”, porque, “ao contrário do que passa na Comunicação Social, a aceitação de Jardim no seio do partido é muito ampla, como ficou demonstrado com os apoios que reuniria, se tivesse avançado nas directas de 31 de Maio para a presidência do partido”.
Castanheira Barros falhou na pretensão de constituir uma lista própria, de oposição a Manuela Ferreira Leite, de que chegou a dar conta a O PRIMEIRO DE JANEIRO dias antes do conclave de Guimarães, mas ontem, à margem dos trabalhos, fez um ponto da situação e explicou por que aceitou integrar a lista de Santana Lopes para a Mesa do Congresso. Explicou que, no dia em que aquelas declarações chegaram às bancas, recebeu, numa reunião de apoiantes de Santana Lopes, um convite do próprio ex-candidato à liderança: “Pretendia congregar numa lista única os esforços de apoiantes de Passos Coelho e Santana Lopes, num consenso alargado entre os dois grupos de militantes, mas não foi possível”. Questionado sobre o resultado dos apelos à união no partido respondeu, laconicamente, que “nem por sombras” se vê essa unidade no seio da social-democracia.
«O Primeiro de Janeiro»
23 de Junho de 2008
Castanheira Barros quer apresentar “lista de oposição” a Manuela Ferreira Leite - “FOI UMA VITÓRIA FRÁGIL”
Diz que “o Conselho Nacional é que decide quem é candidato a primeiro-ministro”, mas não esconde a convicção de que Ferreira Leite é a militante mais mal colocada para esse combate. Castanheira Barros está a recrutar elementos para uma lista de oposição à líder do partido...
Carla Teixeira
Foi adversário de Marques Mendes e de Luís Filipe Menezes na corrida à liderança do PSD no âmbito das segundas eleições directas do partido, que tiveram lugar em Outubro do ano passado, com o lema «Unir o partido, devolver o poder às bases e restaurar o espírito ganhador». A apenas três dias do XXXI Congresso Nacional do PSD, agendado para o próximo fim-de-semana no Pavilhão Multiusos, na cidade de Guimarães, Castanheira Barros recorre ao mesmo argumento – a unidade no seio da social-democracia –, para justificar o desejo de apresentar uma lista de “frontal oposição” à nova presidente do partido, a quem não reconhece “potencial eleitoral para garantir a vitória nas legislativas de 2009”. Em declarações a O PRIMEIRO DE JANEIRO, o advogado de Coimbra explicou que, para vencer as eleições em 2009 e resgatar ao PS de José Sócrates a governação do País, “é preciso capitalizar os votos da Função Pública”, e “Manuela Ferreira Leite é a militante social-democrata mais mal posicionada para conquistar esses votos, porque foi ela, enquanto estava no Governo, que pôs em causa expectativas legítimas e direitos consagrados dos funcionários públicos”.
Na opinião de Castanheira Barros, o passado político e de governação de Manuela Ferreira Leite – que foi ministra da Educação e das Finanças, tendo protagonizado, na última daquelas missões, algumas políticas de rigor que não caíram bem no seio da Função Pública e da sociedade em geral – funciona como “handicap”, tornando muito difícil a sua eleição para o cargo de primeira-ministra, ainda que o advogado concretize que “o Conselho Nacional é que decide quem é o candidato a primeiro-ministro”, e não o presidente do partido”, apesar de ser tradição ser o responsável máximo pela estrutura a assumir os combates eleitorais com os outros partidos. No entanto, Castanheira Barros recorda que Manuela Ferreira Leite não tem a “ampla representatividade partidária” necessária a quem se assume como candidato a um cargo de tal responsabilidade para o País. E diz mais: “A vitória que alcançou nas últimas eleições directas é uma vitória democrática, mas muito frágil”, posto que se a nova líder obteve cerca de 37 por cento dos votos, é também certo que quase o dobro daqueles militantes votaram num dos outros candidatos.
Por isso, o antigo candidato à presidência avisa que Manuela Ferreira Leite “tem de ter noção de que a sua vitória é muito frágil”, sendo útil a apresentação de ideias e projectos de uma ala que se assuma como oposição dentro do partido, sempre com frontalidade e no âmbito da “tradição vincadamente pluralista que é um património do PSD”. Nessa linha de pensamento, adiantou ao JANEIRO, está a desdobrar-se em contactos com “figuras proeminentes que apoiaram as outras candidaturas à presidência do partido”, tendo ontem estado reunido com delegados ao congresso da zona da Figueira da Foz, e tendo para hoje agendados “encontros importantes” para a formalização da lista que pretende apresentar em Guimarães. Reconhece que “são pessoas muito ocupadas e os contactos não são fáceis”, e acrescenta que “o tempo também é escasso”, mas avisa que “até sábado às 20 horas” é possível que apresente a relação das pessoas que o acompanham neste desafio.
Instado a comentar se, tendo os candidatos derrotados nas directas feito um apelo no sentido da unidade do partido e da união em torno da nova presidente, não será a apresentação de uma lista de oposição vista como uma afronta a Ferreira Leite, o advogado considerou que “ainda estão por eleger três órgãos nacionais do partido”, que vai muito além do seu presidente, e que a sua concepção política é “inversa” à da actual líder, que “quer recuperar o PSD a partir das cúpulas e barões”, enquanto Castanheira Barros defende a necessidade de “devolver o partido às bases. É uma pirâmide invertida”, ilustrou.
Entretanto, alguns apoiantes da candidatura de Pedro Santana Lopes reuniram-se ontem na Figueira da Foz para “um jantar seguido de uma pequena reunião”, como explicou à Agência Lusa o ex-deputado social-democrata Luís Cirilo, concretizando que “foram convidados todos os mandatários distritais, quem trabalhou na direcção de campanha e os delegados eleitos pela candidatura” do ex-autarca da localidade. Por decidir continua, pelo menos oficialmente, a possível apresentação de uma lista daquela equipa ao Conselho Nacional do PSD, que Luís Cirilo diz ser “largamente provável”.
«O Primeiro de Janeiro»
18 de Junho de 2008
Líder do Governo Regional da Madeira foi “a grande ausência em Guimarães” - JARDIM CHAMADO À LIDERANÇA
Manuela Ferreira Leite acaba de ser eleita, mas a união em torno da presidente do PSD parece ter falhado em toda a linha. Castanheira Barros instou os militantes a formar uma lista de “frontal oposição” à líder, e ontem apontou Alberto João Jardim como o líder desejado.
Carla Teixeira
Ainda Manuela Ferreira Leite não esquentou o lugar de presidente do PSD e já nos bastidores do partido se equaciona a sua sucessão, defraudando a tentada imagem de unidade que foi mais convincente nos dois primeiros dias de trabalhos do XXXI Congresso Nacional do PSD reunido em Guimarães. À baila vem, segundo afirmou a O PRIMEIRO DE JANEIRO fonte interna social-democrata, a possibilidade de, ao cabo de poucos meses, a ex-ministra decida abdicar da liderança do partido a favor de Rui Rio, seu vice-presidente, que assim será chamado ao confronto directo com José Sócrates nas legislativas de 2009, mas Castanheira de Barros, o advogado de Coimbra que tentou constituir uma lista de “frontal oposição” à nova presidente, crê que as mudanças não se ficarão por aí, e lança o nome do presidente do Governo Regional da Madeira para a sucessão de Ferreira Leite.
À margem do congresso, e em declarações ao JANEIRO, Castanheira Barros disse que vê Alberto João Jardim como “o mais vitorioso dos social-democratas”, aferindo que “só quem não conhece a Madeira não é fã de Jardim”, que tem, frisou aquele militante, “a capacidade de falar com o povo, mas também um discurso de grande erudição, que estranhamente não passa para a Comunicação Social”. Castanheira Barros acredita que o líder madeirense seria bem aceite pelas hostes nacionais do PSD, justamente por esse discurso, que não é de oposição ao Continente. “Ele é o maior concretizador de objectivos que conheço, e a Madeira tem o maior índice de desenvolvimento da Europa nas últimas décadas, e estes são sinais evidentes de progresso, quer na chamada política do cimento, quer na vertente social”.
Pela mais-valia política que Alberto João Jardim representa para o partido laranja, o militante Castanheira Barros afirmou que “houve condições para que ele avançasse para a liderança do partido – só ele saberá por que não o fez –, mas voltará a haver condições para isso no futuro”. Quanto à hipotética passagem de testemunho entre Manuela Ferreira Leite e Rui Rio, o apoiante de Santana Lopes acredita que “é um cenário possível, mas insiste que “essa ideia resulta se pensarmos na possibilidade de colocar Jardim na presidência do partido”, porque, “ao contrário do que passa na Comunicação Social, a aceitação de Jardim no seio do partido é muito ampla, como ficou demonstrado com os apoios que reuniria, se tivesse avançado nas directas de 31 de Maio para a presidência do partido”.
Castanheira Barros falhou na pretensão de constituir uma lista própria, de oposição a Manuela Ferreira Leite, de que chegou a dar conta a O PRIMEIRO DE JANEIRO dias antes do conclave de Guimarães, mas ontem, à margem dos trabalhos, fez um ponto da situação e explicou por que aceitou integrar a lista de Santana Lopes para a Mesa do Congresso. Explicou que, no dia em que aquelas declarações chegaram às bancas, recebeu, numa reunião de apoiantes de Santana Lopes, um convite do próprio ex-candidato à liderança: “Pretendia congregar numa lista única os esforços de apoiantes de Passos Coelho e Santana Lopes, num consenso alargado entre os dois grupos de militantes, mas não foi possível”. Questionado sobre o resultado dos apelos à união no partido respondeu, laconicamente, que “nem por sombras” se vê essa unidade no seio da social-democracia.
«O Primeiro de Janeiro»
23 de Junho de 2008
sábado, 17 de outubro de 2009
Pauliteiros de V. N. de Anços no Cadaval
De acordo com informações avançadas pela Câmara Municipal do Cadaval, promotora desta iniciativa, a Festa das Adiafas “tem como ponto de partida a celebração anual do final das colheitas, sejam de carácter vitícola ou frutícola. Ao longo das edições, o certame expandiu o seu âmbito, e hoje constitui um autêntico espaço agregador das actividades económicas e dos produtos da região”. Contudo, e “visto que os pilares fundamentais da Festa das Adiafas continuam a ser a produção frutícola e vitivinícola, de onde sobressaem, respectivamente, a reconhecida pêra rocha (o Cadaval é um dos principais produtores e exportadores do País) e o tão apreciado Vinho Leve, de que o concelho é também um exímio representante”.
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