domingo, 25 de janeiro de 2009

Ser jornalista...

Iniciei a minha carreira no Jornalismo no dia 1 de Março de 1999 no «Jornal de Notícias». Por lá me mantive até 2001, e exactamente na data em que tinha entrado para o JN dei entrada nos quadros de «O Primeiro de Janeiro». Pelo meio, sempre em acumulação de empregos, colaborei com um site, uma revista e vários jornais locais, tendo sido chefe de redacção de dois quinzenários. Foi uma curta, mas muito enriquecedora carreira (ainda que não no sentido financeiro do termo), e por qualquer dos lugares por onde passei tive o prazer de fazer amigos e inimigos (sim, que só os desinteressantes conseguem a proeza de serem consensuais, e essa não era a minha prioridade), e de aprender muito, muito, muito. Mas também pude ensinar algumas coisas aos mais novos, e a alguns mais velhos que comigo se cruzaram nestes cerca de 10 anos. Por duas vezes fui convidada a falar publicamente sobre o Jornalismo e sobre o que é ser jornalista.
A primeira vez aconteceu no concelho de Ovar, numa escolinha de meninos muito pequeninos, e foi uma experiência deliciosa. Comigo estavam outros colegas, de vários órgãos de informação nacionais e locais, e as crianças fizeram imensas perguntas. Quiseram saber se íamos para cenários de guerras, se no exercício da nossa profissão já tínhamos sentido medo, se ganhávamos muito dinheiro… Outro desafio interessante teve lugar em Maio de 2007. A convite da Faculdade de Psicologia e Ciências da Comunicação da Universidade do Porto, integrei um painel de oradores que procurou responder às questões de adolescentes que, chamados a escolher o seu futuro académico e/ou profissional, ainda tinham dúvidas sobre aquela que seria a escolha mais acertada. Havia quem quisesse ser professor, jornalista, médico, arquitecto, monitor de equitação, designer, etc., etc., etc..
Meses depois de ter sido vítima de um despedimento colectivo ilegal, com salários em atraso e muita coisa errada ainda por explicar, e tendo tido conhecimento, há poucos dias, de que camaradas de várias redacções da cidade do Porto, alguns meus conhecidos, outros nem por isso, seguiram também pelo caminho da rua (tirando os salários em atraso, que felizmente acho que estes não tinham), dei comigo a pensar nestas duas experiências que tive e no que disse às crianças e aos jovens que me interpelaram sobre o que é ser jornalista. Não me pesa a consciência. Fui clara e muito sincera com eles, como faço sempre questão de ser, com todos os que cruzam o meu caminho, e até comigo. Mas não lhes disse – não assim, claramente – que a profissão de jornalista está a atingir o seu ocaso, a desaparecer. Que os bons, os que sabem quanto vale o seu trabalho, e que conhecem o peso e o impacto do que escrevem, estão a ser atirados borda fora, trocados por outros que, levando menos dinheiro, produzem menos páginas, que casam com anúncios, de modo a que o produto final, apesar de mais pobre, gerar mais receitas com menos despesas. O Jornalismo está a morrer. E isso é profundamente lamentável.

Deixo-vos, por isso, a mensagem que transmiti aos meninos que no dia 18 de Maio de 2007 tiveram a paciência de me ouvir, e inquirir, e a todos os camaradas despedidos de «O Primeiro de Janeiro» e de cada uma das várias redacções do Grupo Controlinveste um enorme abraço, de muita força. A todas as pessoas que, pelas mais diversas formas, nos expressaram (a mim e a eles) a sua solidariedade, os votos sinceros de muito sucesso pessoal e profissional neste novo ano. Cá vai disto!


O que é ser jornalista
Um jornalista meu amigo costuma dizer que “não se jornalista sete ou oito horas por dia, a uns tantos contos por mês. É-se jornalista 24 horas por dia, mesmo quando se está desempregado”. Na verdade, um jornalista tem de estar atento ao que acontece à sua volta, e sabe que a qualquer momento pode perder uma folga, se acontecer alguma coisa importante. Na opinião de muitas pessoas, ser jornalista é ser uma pessoa muito culta, que lê muito, que conhece várias línguas, que viaja muito, que sabe falar sobre tudo e com toda a gente, que aparece muitas vezes na televisão, que conhece pessoas famosas e que se torna também uma pessoa famosa… Não é bem assim, e ser jornalista não é uma profissão tão “chique” como muitas pessoas pensam. É uma profissão que exige seriedade, muito rigor, humanismo, tolerância e ética, e sem isso não faz sentido. O jornalista deve dizer sempre a verdade. Nem sempre é o que escreve melhor, em Português correcto (embora na minha opinião isso seja muito importante), mas é o que está sempre atento aos acontecimentos e sabe tirar deles o que é importante para as pessoas a quem transmite a informação que recolhe.
A missão do jornalista consiste em fazer um retrato compreensível da realidade, para o transmitir aos que estão fora dessa realidade de modo a que eles possam saber o que se passou e as implicações disso no futuro. Fazem-no através da redacção de notícias, preparam reportagens e entrevistas, captam imagens fixas ou em movimento, e divulgam essa informação através dos jornais, das rádios, das televisões ou das agências noticiosas (em Portugal só temos Agência Lusa e a Agência Ecclesia, que só trata de assuntos relacionados com temas religiosos). A redacção é o sítio onde normalmente os jornalistas produzem as notícias e reportagens que depois publicam nos seus órgãos de informação. Lá estão os repórteres, os editores e os chefes de redacção, que definem o espaço a dar a cada assunto. Fora da redacção, a maioria dos meios de informação tem uma rede de correspondentes, que são jornalistas que estão nas suas terras, ou no estrangeiro, de onde mandam notícias. Quando há um acontecimento importante num qualquer local – uma guerra ou um congresso político, por exemplo, os meios de informação destacam para lá um ou vários jornalistas, que produzem a reportagem. Em algumas empresas também há jornalistas especializados, que tratam de temas específicos como Saúde, Economia, Política, Educação ou outros.

Emprego
Há uns anos houve um grande desenvolvimento do sector da Comunicação Social: apareceram novos jornais e revistas, canais privados de televisão e estações de rádio, e começaram também a aparecer os jornais na Internet, o que fez com que o mercado de emprego nesta área melhorasse muito. Foi muito positivo para os estudantes que nessa altura resolveram tirar os cursos de Jornalismo, Comunicação Social ou Ciências da Comunicação (os nomes mudam consoante as universidades), porque mais facilmente encontraram o emprego que desejavam. No entanto, o aumento dos interessados nesta profissão levou a um aumento do número de cursos existentes, que depois começaram a formar jornalistas em excesso. Ou seja, hoje não há mercado de trabalho capaz de absorver os jornalistas todos, e há um grande número de profissionais no desemprego ou a trabalhar em condições muito más.

FormaçãoO Jornalismo é uma profissão aberta. Isto significa que para se ser jornalista não é obrigatória uma habilitação académica específica, como para se ser médico, advogado ou economista, por exemplo. No entanto, os candidatos a jornalista têm de passar por um período de estágio, que varia de acordo com as habilitações que possui, e que pode ser de 12, 18 ou 24 meses. Também é útil, contudo, a existência de jornalistas que não têm o curso de Jornalismo ou de Comunicação Social, mas que optaram por áreas como o Direito, a economia, a Sociologia, História ou Relações Internacionais, por exemplo. Independentemente da formação que tenha o candidato, para ser jornalista profissional tem de obter a Carteira Profissional.

Condições de trabalho
Quem optar por esta profissão tem de contar com um mercado de trabalho diversificado, mas muito competitivo. Quem quiser desenvolver uma carreira aliciante terá de apostar fortemente na valorização profissional permanente das suas competências. Formação académica e profissional adequadas, poder de observação, curiosidade, criatividade, persistência e actualização constante de conhecimentos são trunfos para quem deseje ser jornalista.

Carla Teixeira
Faculdade de Psicologia e Ciências da Comunicação da Universidade do Porto,
18 de Maio de 2007

sábado, 17 de janeiro de 2009

Comboio colheu pessoa na Mealhada

O exagerado número de pessoas que, premeditadamente ou por acidente, se deixam apanhar, quase sempre mortalmente, por comboios em Portugal deve fazer-nos pensar. A mim faz! Se é tentativa de suicídio, e estou convencida (eu e a REFER) de que a esmagadora maioria dos casos conhecidos terá tido essa razão de ser, sinto que pouco poderemos fazer para travar este problema. Mas se não é, o problema é ainda maior. É que, se é por acidente que tanta gente é colhida por comboios no nosso país, estão estamos diante de um sinal claro de que as pessoas não prestam atenção ao meio que as envolve. Há muito tempo que sei disso. Nos tempos que passo em terras de grande ligação à ferrovia (nos distritos de Coimbra e Aveiro), são muitos os episódios contados pormenorizadamente e amiúde nas casas, nos cafés e nas ruas. As pessoas caminham pela linha de headphones nos ouvidos, muitas vezes de costas para o perigo, atravessam a linha em lugares de pouca visibilidade e sem acautelarem os riscos (passam com bicicletas, atravessam passagens de nível fechadas, saltam para a linha quando o comboio já vem ao fundo da recta, e ainda por cima reagem mal se são avisadas pelos funcionários da REFER nas estações). É um drama!

Hoje acordei com a notícia de que mais uma pessoa foi colhida por um comboio perto da Mealhada. À porta da Estação de Mogofores, onde me encontro, estão, há já largos minutos, três composições paradas: dois comboios rápidos (que já deixaram de o ser) e um comboio regional. Nunca mais estes três, e outros que porventura estejam parados nas estações próximas, recuperarão do atraso que já levam. A pessoa colhida, no entanto, nunca mais voltará a ser quem era. E isso é verdadeiramente lamentável, mas todos sabemos que este não é o primeiro caso, nem será, infelizmente, o último. Os comboios matam…

Foto: Luís Silva

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Ano novo, coisas velhas...

O ano pode ser novo, mas a vida é feita de ciclos que se repetem inexoravelmente, sem que nada os impeça de trucidar tudo à volta, na vertigem demolidora da contemporaneidade. Pode mudar a folha do calendário, o dia da semana, a posição dos ponteiros do relógio, mas todos os acontecimentos se conjugam para, reiteradamente, voltarem a ser actuais. Ciclicamente, o mundo repete-se, e as coisas, os momentos, as pessoas, voltam a ser, talvez com outros nomes, noutros cenários, aquilo que já tinham sido. Lavoisier é que tinha razão: “Nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”. O início deste ano demonstra-o claramente: não se perdeu a crise, não se criou qualquer resposta, e apenas mudaram os nomes dos intervenientes.
Mudam os nomes das empresas, mas continua a haver trabalhadores despedidos. E aos montes. Em grupo. Mudam os rostos dos que protestam, as vozes dos que defendem direitos próprios e alheios, mudam as cores das bandeiras, mas a indefinição persiste. Os gritos surdos, a revolta encapotada, o desvario de quem sabe que já não pode piorar muito. A notícia de que o Grupo Controlinveste está a proceder ao despedimento colectivo de mais de uma centena de pessoas deixou-me com os nervos em franja. Será que ninguém está a salvo? Haverá alguma empresa portuguesa que consiga manter-se de pé, firme e hirta, contra a crise? Bem sei que a Comunicação Social não é a única área afectada pela crise. Antes fosse! Bem estava o mundo se houvesse apenas jornais a fechar portas e a despedir pessoas! Mas há mais. Muito mais. E quando vemos um grupo como a Controlinveste enveredar por esse caminho, então percebemos que a situação é grave.
Nos tempos em que trabalhei no «Jornal de Notícias» era impensável que a crise tocasse, mesmo que ao de leve, aquela casa. Não havia falta de dinheiro. Havia, provavelmente, excesso de gente. Uma redacção que metia num bolso todas as que conheci depois, onde não faltavam rostos, vozes, sons, equipamentos e vontade de trabalhar. Éramos muitos, mas nunca sentíamos que alguém estivesse a mais. E quando saíamos em reportagem, não nos faltava o carro – com motorista – e o necessário fundo de maneio para o serviço. Dava gosto trabalhar assim, sem restrições de meios. As empresas que conheci depois, e foram várias as empresas em que trabalhei, em simultâneo e depois do JN, não viviam com tanta prosperidade. O dinheiro era contado, as reportagens eram feitas a pé, em viatura própria ou no carro do patrão, e às vezes faltava até dinheiro para pilhas. Era uma aventura.
No entanto, em nenhuma dessas empresas fui despedida (e naquela em que fui, aquela de que jurei não mais falar, sabeis bem as razões por que fui e sabeis bem de que lado está a razão). Hoje soube que «Jornal de Notícias», «Diário de Notícias», «24 Horas» (redacção onde ainda recentemente tive o prazer de reencontrar amigos, enquanto colaborei com o também já extinto «Tal & Qual», que era ali ao lado), «O Jogo» e TSF estão a dizer adeus a alguns dos seus funcionários. Mais de uma centena de trabalhadores, metade dos quais jornalistas. Mais cento e tal almas atiradas para o desespero de ter contas para pagar com dinheiro que não estica! Um dia depois de saber que foi declarada em tribunal a solvência da empresa que me despediu ilegalmente, em conjunto com mais de 30 camaradas, que me deve dinheiro, que finge não ter bens e que até tem morada falsa, e de saber que nada poderei exigir a quem alegadamente nada tem, recebo a notícia de que mais uns quantos vêm para a rua. Só espero que estes não experimentem o sabor amargo de quem anos a fio se deu a um ideal, e depois acabou descalço, podendo contar apenas com a sua dignidade.

Aos camaradas que hoje receberam a triste notícia de que serão despedidos quero deixar um abraço solidário, e a certeza de que mudam os anos, mas não muda mais nada. A m… é sempre a mesma, as moscas é que são diferentes.

Coragem!
Boa noite, e boa sorte!

domingo, 11 de janeiro de 2009

Despenteadamente...

Olá a todos os meus despenteados amigos! Serve a presente mensagem para vos dizer que, ainda que ausente, devido aos inúmeros afazeres que me têm mantido ocupada e quase inacessível aos vossos carinhosos olhos, continuo a andar por aí, e voltarei brevemente a deleitar-vos com as minhas interessantes e despenteadas crónicas. Não, não morri, nem planeio fechar o estaminé. Prometo que voltarei a azucrinar-vos a mioleira. Só não sei bem quando...

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Feliz Ano Novo!!!

Amigos Despenteados,

O ano que agora termina foi, para mim, um ano pleno de mudanças, de descobertas e de novidades. Nem todas foram boas. Algumas foram mesmo bastante más. A saúde abalada, o constante corrupio por hospitais, clínicas e laboratórios, o nunca mais acabar de análises, de tratamentos, de interacções e de riscos, e depois o desemprego, ainda que por apenas 10 dias, e os sucessivos embustes que, com os meus camaradas, fui descobrindo na (pouco ilustre) actividade da empresa que alimentámos dos nossos textos e da nossa alma durante anos e anos.

As surpresas continuam, e delas vos tenho dado conta neste espaço. No entanto, perder mais um minuto que seja da minha vida com a revolta e com a sombra dos erros dos outros – que não são meus, porque dei muito de mim e recebi sempre muito pouco de «O Primeiro de Janeiro» – não faz sentido para alguém que quer e que acredita que merece um futuro melhor. Por isso, o dossier «Janeiro» fecha aqui, e vai, como grande parte do ano que hoje termina, para o lixo.

Para 2009 seguem comigo apenas as boas memórias: os amigos que trouxe dos sete anos que lá passei, mas que agora são “apenas” amigos, e já não colegas, ou ex-colegas, ou o que quer que seja que tenha ligação àquele lugar. Não sei programar o cérebro para esquecer uma casa onde aprendi muito sobre o que sou e sobre o que sei fazer. Não o esquecerei nunca, sei disso. Mas não mais viverei da raiva e do ódio que, apesar de justificados, fazem mais mal a quem os sente do que a quem é alvo deles. Dentro de mim habitarão somente pensamentos positivos, os sorrisos de quem tenho por amigo, a ausência de quem nunca fez falta.

Ano Novo, vida nova.

O amor continua. É o melhor do mundo. E há novos motivos para sorrir. Novos amigos, um novo projecto profissional, um caminho muito interessante a partilhar, novas coisas para aprender e novas pessoas para ensinar. Novas mãos que se estendem ao encontro das minhas, e nomes e rostos novos com quem tive de reaprender o prazer de trabalhar e de ver reconhecido o mérito do que faço. À minha nova equipa, obrigada pelo recomeço, pela esperança renovada, pelo longo alcance da palavra e da honestidade.

A vocês, que aqui me aturaram durante meses a fio (e também nas anteriores versões do Mente Despenteada), agradeço todas as manifestações de afecto, algumas palavras mais azedas, e faço votos de que tudo de bom vos aconteça em 2009. Que todos os sonhos se materializem, que os vossos objectivos se concretizem, que tenham tudo aquilo que sempre sonharam e até o que nem tiveram tempo ou oportunidade de sonhar.

Se possível, que vos saia a Lotaria, o Totoloto ou o Euromilhões. Ou os três. Mas se não puder ser, que ao menos sorriam muito, que vivam felizes, e que continuem a passar por cá sempre que puderem. Votos sinceros de que o novo ano vos traga muitos e muitos momentos fantásticos, porque vocês merecem. Até ao futuro. E obrigada por estarem desse lado.

Feliz Ano Novo!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Mais uma à moda do «Janeiro»

Como era de prever, dado o meu historial de azar, não escapei à febre, aos enjoos, aos arrepios de calor e frio, à gripe em todo o seu esplendor. Hoje, e a muito custo, saltei da cama para uma consulta médica e, para nunca me convencer de que o meu azar tinha terminado no dia em que, com mais de 30 camaradas, fui ilegalmente despedida de «O Primeiro de Janeiro», fiquei a saber, na Segurança Social, a razão por que não tinha até agora recebido a baixa, tendo em conta que o meu internamento ocorreu em finais de Janeiro e só fui trabalhar a meio de Fevereiro. E a razão é simples. Tão simples que irrita e enoja, como tudo aquilo em que esteja envolvido o nome de Eduardo Costa, esse “empresário-modelo” agraciado com verbas do QREN. É que, à luz dos dados de que dispõe a Segurança Social, a empresa que detinha o «Janeiro» e que nos pagava os salários – a tal SEDICO que se encontrava registada numa morada falsa – não fazia qualquer desconto em meu nome desde Dezembro de 2007 (apesar de todos os meses me descontar o referido valor do recibo), e antes disso passava meses sem efectuar qualquer retenção. Ao todo, não existe desde 2001, ano em que comecei a trabalhar no «Janeiro» um único período de mais de seis meses com descontos. Quando eu pensava já ter visto de tudo, Eduardo Costa volta a cruzar-se no meu caminho! Não me surpreenderei se um dia este fulano for encontrado morto numa valeta…

sábado, 27 de dezembro de 2008

Será que consigo escapar?

Fujo dela como o Diabo foge da cruz, embora me digam que ela está por todo o lado. Veloz, prudente e antecipadamente, entupi-me de Vitamina C, afugentei os amigos mais “espirrentos” e, pela primeira vez na vida, consegui escapar incólume a um surto de gripe familiar. Todos cá em casa foram atacados e derrotados pelo vírus, e houve até quem precisasse de um ou dois dias de cama. Eu não. Eu, que costumo ser a primeira, a mais febril e a mais atormentada pelas gripes e constipações, escapei. Pensei que tinha escapado. Porque dois dias a braços com a gripe do mais-que-tudo, corridas à farmácia, chás e caldinhos, e pronto! Hoje acordei com uma sensação estranha na garganta e um projecto de dor de ouvidos, devidamente acompanhados pelo belo do pingo no nariz. Pensava eu que tinha escapado…

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Feliz Natal

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O Mente Despenteada deseja aos seus leitores e amigos um Natal com tudo a que têm direito, de rabanadas e bolo-rei a presentes de montante mais ou menos avultado, com amizade e com votos de uma breve realização de muitos dos vossos sonhos. Beijocas, e portem-se bem!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

O bom humor de «O Primeiro de Janeiro»

Chamada à primeira página: “Empresas do Norte devem salários a 7 mil pessoas – 95 milhões de euros em atraso”.

Título da notícia: “Indemnizações também por receber. Sete mil trabalhadores com salários em atraso".

Texto: O distrito do Porto é o campeão do desemprego e das dívidas das empresas aos trabalhadores. Por receber estão 95 milhões de euros. O coordenador da União de Sindicatos do Porto (USP/CGTP), João Torres, revelou ontem que sete mil trabalhadores do Norte de Portugal têm mais de 95 milhões de euros de indemnizações e salários em atraso. João Torres falava numa concentração de dezenas de trabalhadores, no Largo Tito Fontes, Porto, convocada pela CGTP para reclamar 'justiça', e 'denunciar a falta de vontade política do Governo', na regularização de processos de dívidas a trabalhadores que se arrastam em tribunal. 'Há milhões para os patrões, não há para os trabalhadores', criticaram os manifestantes, em cartazes empunhados na concentração. João Torres acusou o Governo de estar a proteger os poderosos e os banqueiros, ignorando a situação dos desempregados e dos trabalhadores com salários em atraso. O estudo feito pela USP nos seis distritos do Norte, Aveiro, Porto, Viana do Castelo, Braga, Vila Real e Bragança, indica que, em média, cada um dos sete mil trabalhadores tem créditos de 13 mil euros. 'As principais vítimas são os trabalhadores com os salários mais baixos', afirmou João Torres, salientando que o distrito do Porto é o 'campeão do desemprego, com mais de cem mil desempregados', e das dívidas das empresas aos trabalhadores.

Terá ficado por referir, nesta notícia, que uma dessas empresas que não paga salários aos actuais e aos mais de 30 trabalhadores que despediu em Julho é, precisamente, «O Primeiro de Janeiro». Mas quem precisa de salários quando tem um humor como este?!

sábado, 13 de dezembro de 2008

Crónica de umas férias despenteadas

Foram cinco belos dias. Para mim a jornada começou no Porto, no passado domingo. Viajei até Coimbra, de carro, para aí me reunir com os restantes cinco magníficos. De seguida, roubámos a noite ao sono e, em plena madrugada, rumámos a Lisboa. Pelas seis da matina, ainda repousava no seu leito o belo sol, chegámos à capital do império e fizemos o check in. Avião às 7h35, depois de cumpridas as formalidades de embarque, hora e meia de viagem (um cochilo apressado...) e aterrámos no Funchal. A partir daí, e durante quatro dias, não mais parámos. Do Funchal a Porto Moniz, da Calheta a Santana, do Pico Ruivo e do Pico das Pedras a S. Vicente, do Machico à Ponta do Sol, de Câmara de Lobos à Ribeira Brava... Primeiro de táxi, depois a pé, de carrinha alugada, de teleférico, de autocarro, de avião e de comboio, só parámos hoje, quando voltámos a entrar em casa (eles ontem, em Coimbra, eu hoje, na minha Invicta). Da Ilha da Madeira trouxemos boas recordações, e as malas mais pesadas, do vinho, da poncha e dos outros recuerdos para os amigos que cá ficaram. Mas valeu a pena! Foi uma experiência fantástica. Um hino à amizade. No fim do ano há mais! :)

Fica a reportagem fotográfica do Mente Despenteada. Enjoy!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Hoje acordei a pensar nisto...

Alguém me disse, certo dia, que só aqueles de quem gostamos podem desiludir-nos. “True”, pensei. Se gostamos de alguém, se vemos que esse objecto de afectos se perde por caminhos que não temos por adequados, sentimo-nos mal. Se um amigo insiste em percorrer trilhos inadequados, num desfile pesaroso de passos perdidos e sorrisos pouco convincentes, sentimo-nos pior. Porque um amigo caminha dentro de nós, cresce-nos na alma, enche-nos o coração. E se sentimos que esse amigo é, ele mesmo, incapaz de se dar aquele abraço, de se entender e de sorrir para si mesmo, se vive iludido com erros consequentes e consecutivos, então sentimo-nos ruir por dentro. Será possível gostarmos de alguém que não gosta de si mesmo? Ou que pensa que sim, que gosta de ser quem é? Será possível gostar de alguém que se contenta com menos do que merece, e que espera dos outros ainda menos do que aquilo que lhes dá? Terá o mundo chegado a este estado de coisas em que já nada, nem o próprio ser humano, tem valor, ou sabe dar-se valor? Não sei. E a dúvida é, frequentemente, uma tormenta.

Hoje acordei a pensar nisto.
Desculpem qualquer coisinha!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Acabadinha de chegar!

Esta será a vista do "meu" quarto nos próximos dias. Bonita, não é? Boas férias para mim! :)

Foto: Mente Despenteada

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Sou uma espécie de deus...

Se é verdade, como diz o povo, que não devemos evocar o nome de Deus em vão, tenho para mim, como verdade absoluta, que também o meu nome deverá ser preservado daquelas conversazinhas em tom de intriga que algumas pessoas gostam de manter sobre aqueles com quem se cruzam no seu quotidiano. Por isso, é sempre com renovado desprazer, e normalmente de forma involuntária, que constato que as pessoas vivem a falar dos outros e a congeminar maneiras de controlar quem as rodeia. Quando há umas semanas um amigo me contava que na empresa onde trabalhava circulavam e-mails a gozar com ele por naquele dia ter ido trabalhar de fato – presumindo-se que tinha ido de assim vestido por causa do emprego, quando na verdade a escolha se devia a uma programada ida à missa depois do expediente – não quis acreditar. Disse-lhe que não se tratava de gozo, que era uma forma bem-humorada de as pessoas comentarem o quanto estava elegante naquele dia. Mas talvez não fosse. Hoje, inadvertidamente, assisti a um pedaço de uma conversa em que o meu nome não foi directamente referido – não era eu o tema da conversa –, mas veio à baila quando se falava de uma pessoa minha conhecida. Do meu ponto de vista, a crítica a essa pessoa era injusta, mas a colagem ao meu nome, como se de um projecto de intriga se tratasse, deixou-me… como direi? Piurças!

E pronto. Era só isto!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Uma reflexão que se impõe!

Cinco anos depois dos efeitos catastróficos do «Verão Quente» de 2003, e em pleno Inverno, a Escola Superior Agrária de Coimbra acolhe, no próximo dia 11, pelas 15 horas, a sessão pública de apresentação do livro «Incêndios florestais – 5 anos após 2003». Trata-se de um estudo da responsabilidade da Liga da Protecção da Natureza. Nesta cerimónia marcará presença o Secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas, Ascenso Simões. A sessão tem entrada livre.

Este é um tema fundamental da actualidade nacional e esta é uma reflexão que se impõe. Gostaria de estar presente, mas nessa data estarei de férias na Ilha da Madeira, com um animado grupo de amigos, a celebrar mais um feliz aniversário do meu consorte. Ainda assim, deixo-vos o convite e o cartaz, que me foi enviado por Joaquim Sande Silva, activista da LPN. Apareçam! Valerá certamente a pena!

Ainda os 140 anos do «Janeiro»...

Há vários meses que a administração de O Primeiro de Janeiro prometia que a celebração dos 140 anos ia ser marcante. E foi. "Não exactamente como esperávamos", afirmou Paulo Almeida, porta-voz dos 32 jornalistas que foram despedidos em Agosto passado e anteontem à noite se juntaram num jantar no Porto para comemorar o aniversário do jornal.

"O Primeiro de Janeiro tem uma história relevante, que se confunde em parte com a história do país e é uma pena que o próprio jornal não festeje esta data", justifica Paulo Almeida. Ninguém quer falar da nova versão do jornal, que o novo director, Rui Alas Pereira, diz estar "novamente rejuvenescido, com mais fantasia e imaginação", num editorial escrito ontem a propósito dos 140 anos. Mas não escondem a tristeza de ter deixado o jornalismo. "Infelizmente ninguém conseguiu integrar outra redacção", lamenta Paulo Almeida. Mesmo assim, o tom não é de resignação. A maioria está a trabalhar, uma grande parte em assessoria de imprensa. As cerca de duas dezenas de profissionais da comunicação social presentes anteontem no jantar evitam os comentários, enquanto permanecer o litígio contra a empresa proprietária do diário (Fólio) e a empresa que lhes pagava os salários (Sédico). Querem a reintegração. O julgamento da acção proposta por um grupo de jornalistas sindicalizados está marcado para 14 de Maio do próximo ano no Tribunal de Trabalho do Porto. A reivindicação de outro grupo, não sindicalizado, está mais atrasada. A audiência de partes está marcada para o próximo dia 12, mas com poucas expectativas. É que o advogado da Sédico nem sequer compareceu à audiência com o primeiro grupo.
Em Julho, os jornalistas começaram a duvidar da viabilidade do jornal, perante os atrasos sucessivos dos salários. Mas a então directora Nassalete Miranda garantiu que o diário não fecharia. Contudo, a 31 de Julho, em reunião geral, a directora anunciou que a empresa falira e que o jornal iria ser suspenso durante um mês. A redacção seria demitida em bloco, mas quem quisesse seria contratado para fazer o novo jornal. No dia seguinte, uma secretária da admininistração avisava que afinal a empresa não falira. Os postos de trabalho seriam extintos. Três dias mais tarde, O Primeiro de Janeiro volta às bancas, com o director e a equipa de jornalistas de O Norte Desportivo. Ontem, o presidente da Câmara do Porto avaliava as últimas três décadas do diário como um "somatório de atribulações e angústias" num texto na primeira página sobre o aniversário do jornal. Sob o título de 140 anos de ideais, Rui Rio disse esperar que o Janeiro "de novo regresse aos trilhos da afirmação dos ideais em que foi moldada a sua matriz, em nome da justiça que é devida às grandes figuras que lhe deram o ser nos seus 140 anos de vida".

Mariana Oliveira, in «Público»

A Mariana foi a única jornalista no activo que marcou presença no nosso jantar, respondendo ao repto que lançámos a toda a Comunicação Social da cidade do Porto. Foi agradável a presença e foi, sem dúvida, muito importante esta nota que escreveu. Eu, que nem gosto do «Público» e que não conhecia a Mariana, gostei de privar com ela. Obrigada!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

E agora, a notícia...

Repórteres despedidos do jornal “O primeiro de Janeiro” reuniram-se este último domingo num jantar comemorativo dos 140 anos do diário portuense. Apesar de terem ficado sem emprego em Julho passado, os profissionais fizeram questão em assinalar a data em que nasceu a publicação de referência a Norte.

No dia 31 de Julho de 2008, a directora, cumprindo ordens da administração da empresa, demitiu em bloco mais de 30 jornalistas e outros funcionários administrativos - cujos processos estão ainda por resolver pela via judicial - sem uma explicação plausível, sem qualquer indemnização e com salários em atraso. Aproveitando a data, os jornalistas despedidos anunciam que a iniciativa manifesta o respeito pelos leitores, fontes e antigos trabalhadores e por todos aqueles que demonstraram solidariedade com os seus despedimentos ilegais.
Nascido numa revolta contra a política fiscal do Governo de Fontes Pereira de Melo, “O Primeiro de Janeiro” atravessou outros períodos conturbados, como a transição para a democracia, ainda que a crise mais difícil se tenha registado na década de 80, quando o seu vasto património foi desbaratado. Mais tarde, em 1990, um empresário da indústria gráfica, de Oliveira de Azeméis, comprou a empresa detentora do jornal e o título foi-se associando a um marca de prestígio. No início de 2000, o mesmo empresário alterou a constituição da empresa fundadora, registada em 1919, para Sedico – Serviços de Edição e Comunicação, SA, e transferiu a sede para Gondomar.

in «Jornal de Notícias» online

Um encontro de amigos

Não estávamos todos, mas nem todos os que faltaram fizeram falta. Algumas das almas vivas do antigo jornal «O Primeiro de Janeiro» encontraram-se ontem à noite, num restaurante da Baixa do Porto, para assinalar os 140 anos do nosso jornal e, mais do que isso, para matar saudades dos que, tendo começado por ser colegas, com o tempo se tornaram amigos. Ao lado daqueles que se mantiveram na empresa até ao fim estiveram alguns dos que tinham saído antes, mas que, pelo tanto que ali viveram, pelo tanto que deram de si a um projecto centenário, continuam a considerar-se gente da casa. E estiveram outros, consortes dos jornalistas e amigos do jornal que morreu a 31 de Julho deste ano. Paz à sua alma!
Estiveram presentes no jantar de ontem, no Restaurante Mar do Norte, e nos copos que vieram depois, no Ferrugem: Paulo Maia, Miguel Ângelo, Carla Teixeira, Luís Silva, Natacha Lima Reis, Ana Caridade, Ricardo Castelo, Carlos Machado, Lídia Cavadas, Luísa Mateus, Dora Barros, Paulo Sérgio Soares, Eduardo Coelho, Goreti Teixeira, Mário Miguel, Sílvia Soares, Paulo Almeida, Filinto Melo, Pedro Emanuel Santos e Pedro Tavares. Não fisicamente, mas através da mensagem que nos enviaram, estiveram também presentes Jorge Alves, Graça Vasconcelos e Raquel Pacheco.
Sentimos falta da Ana Sofia Rosado, do Mário Mesquita, da Filipa Leal, da Isabel Monteiro, do David Pinto, da Liliana Leandro, da Cátia Silva, da Alexandra Costa, da Cláudia Diz, do Pedro Vasco Oliveira, do Nuno Santos, da Andreia Marques Pereira, do António Larguesa, do Augusto Brito, da Cristina P. Pinto, da Eduarda Vasconcelos, da Joana Brandão, da Judite França, da Lúcia Pereira, da Marlene Maia, da Paula Almeida, do Pedro Fidalgo, do Ricardo Martins e do Victor Melo, da Rute Marinho, do Jacinto, do Sr. Veiga... Alguns não puderam estar presentes, outros não foram atempadamente contactados, mas todos estes fizeram falta. Era um encontro de amigos, e nestas coisas nunca se está a mais. A repetir!
O jornal «Público» registou a ocorrência! :)
Foto: Luís Silva, o meu consorte! :)

sábado, 29 de novembro de 2008

«O Primeiro de Janeiro» faz 140 anos

No dia 1 de Dezembro de 1868, no culminar da revolta portuense da «Janeirinha», nasceu o jornal «O Primeiro de Janeiro». Ao longo de 140 anos, o periódico foi ganhando importância, tornando-se no principal jornal de referência em Portugal, no período da ditadura salazarista. Nascido numa revolta contra a política fiscal do Governo de Fontes Pereira de Melo, «O Primeiro de Janeiro» atravessou outros períodos conturbados, como a transição para o regime democrático, acabando por se debater com a mais grave crise da sua história, na década de 1980, quando o seu vasto património foi desbaratado. O jornal foi persistindo, na década seguinte, mas já sem o seu emblemático edifício na Rua de Santa Catarina, e sem muitos dos grandes profissionais que ajudaram a consolidar o título a nível nacional.

Foi nesta altura, no início dos anos 1990, que um empresário da indústria gráfica, de Oliveira de Azeméis, comprou a empresa detentora do jornal. Associando-se a um título que era sinónimo de prestígio, o empresário foi diversificando os seus negócios para as áreas da construção civil, águas engarrafadas, passando pela organização de espectáculos e agências de viagens. Nunca realizou, no entanto, qualquer investimento na redacção de «O Primeiro de Janeiro», que se manteve, desde 1990, na Rua Coelho Neto, no Porto, num espaço sem condições. No início da presente década, o mesmo empresário alterou a constituição da empresa fundadora do jornal, registada em 1919, mudou-lhe o nome para Sedico – Serviços de Edição e Comunicação, SA, e transferiu a sede para Gondomar, para uma morada fictícia.

Já sob a direcção de Nassalete Miranda, e apesar do desinvestimento votado pelo empresário, o jornal foi conquistando espaço no panorama da imprensa regional do Norte, não tendo praticamente concorrentes. Todavia, no dia 31 de Julho de 2008, a directora, cumprindo ordens da administração da empresa, demitiu em bloco mais de 30 jornalistas e outros funcionários administrativos, sem uma justificação plausível, sem qualquer indemnização e com salários em atraso. Os jornalistas despedidos, que se viram obrigados de um momento para o outro, em pleno Verão, a lutar pela sua sobrevivência, não querem agora deixar de assinalar os 140 de existência de um dos mais importantes jornais que se publica em Portugal e para o qual contribuíram, por longos períodos, com muito esforço e dedicação.

Os jornalistas despedidos de «O Primeiro de Janeiro» reúnem-se amanhã, domingo, pelas 21 horas, num jantar comemorativo dos 140 anos do diário portuense, no Restaurante Mar Norte, na Rua Mouzinho da Silveira, na cidade do Porto. Assinalam o aniversário do jornal, manifestando respeito pelos seus leitores, pelas suas fontes, pelos antigos trabalhadores e por todos aqueles que demonstraram solidariedade com os seus despedimentos ilegais.

Estado de graça

Uma amiga é uma irmã escolhida por nós. É alguém que amamos como se fosse parte de nós, um pozinho da nossa existência, que nos diz muito num olhar, que nos toca no coração com a simplicidade de um laço de sangue, com quem partilhamos tanto da nossa vida e do nosso pensamento que de repente parece estar dentro de nós, mesmo que o ritmo a que nos movemos diariamente nos mantenha fisicamente mais longe do que desejaríamos estar. Uma amiga casada e feliz transforma-se em dois irmãos a quem queremos tanto como se fossem realmente da família. Por isso, a minha família está em estado de graça, e este é o tamanhão do meu sobrinho! :)

Esta imagem, que recebi acompanhada de um “Olá, tia. Já estou muito grande”, deixou-me de lágrimas nos olhos. É com base em sensações como esta que se constrói a felicidade. Obrigada, Raquel e Rodrigo! Estamos (todos) em estado de graça.

sábado, 22 de novembro de 2008

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Se não fosse aquele "e"...

Como eu gostava que o Oliveira (e) Costa detido fosse outro (ainda que pudessem deter também este, claro)! Mas, se fosse esse o caso, e o detido fosse aquele que vocês sabem, seria muito pouco provável que este jornal falasse no assunto...

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Os meus dois mundos

Todas as cidades deviam ter um rio. E um fim de tarde ameno, um dourado de Outono a espraiar-se nos olhos, como que a dizer adeus, na linguagem da alma, ao cansaço que se vai apoderando do corpo, mirradas as horas de sono. A circunstância de viver num permanente vai e vem entre duas cidades brinda-nos – além das dores de costas de quem anda sempre com as malas atrás e daquele espírito tão próprio de quem por vezes acorda a 130 quilómetros do emprego – com o melhor e o pior de dois mundos, numa vivência espartilhada por dois lugares diversos, mas que se ancoram no peito em recantos de similar encantamento. As minhas cidades, os meus dois mundos, são feitas de um rio e de uma cascata que se desenha nas suas margens, recortada do céu com a mestria de um artista sublime, deitando-se na memória dos olhares apaixonados que por ali deambulam. Quando se vive assim, cá e lá ao mesmo tempo, e se transporta no coração o calor da saudade, do que existe aqui e do que ficou lá, acende-se uma tocha dentro de nós. Quando temos, como eu tenho, duas cidades aos pés das quais nos deitamos – os pés molhados, a alma intensa –, duas cidades que se completam como eu e tu, aqui e aí também, nos completamos, então sabemos que a beleza existe. E eu, mais do que duas cidades, trago em mim as mais belas cidades do mundo…
PORTO (Foto: Luís Silva)
COIMBRA (Foto: Mente Despenteada)

domingo, 16 de novembro de 2008

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Esta é particularmente bonita...

Não sei se gosto mais da manchete (são sempre do melhor humor que se faz em Portugal), ou se é daquela chamadinha quase discreta à notícia daquelas 2300 PME que recorrem aos apoios do QREN, lado a lado com a dos desvios de dinheiro para o Brasil (ele há coisas...). Também não é mau aquele "adeus e... até já" do reitor da U. (?) Lisboa... Lá que isto tem piada, tem…

Feliz aniversário, Mãe!


terça-feira, 11 de novembro de 2008

Memorando de (des)entendimento

De acordo com uma notícia avançada hoje pela Agência Lusa, o secretário de Estado adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, terá afirmado que os sindicatos da Educação “perderam credibilidade como parceiros” no processo de negociação, e recordado que o memorando de entendimento assinado em Abril foi violado por aquelas estruturas, que deveriam ser representativas dos docentes. Eu conheço alguns professores, tenho amigos nessa vida, e entendo – como talvez não entenda a maioria das pessoas, para quem essa é uma realidade um pouco mais distante – algumas das críticas que fazem à avaliação de desempenho, nomeadamente ao modelo actual. Mas convenhamos… Se bem me recordo, essas violações ao acordo assinado tiveram lugar no dia seguinte, ou coisa que o valha! Aliás, estavam uns professores em São Bento a assinar o acordo com o Ministério da Educação e andavam outros a agendar protestos e paralisações para os dias seguintes. A Fenprof, pela boca do seu coordenador, Mário Nogueira, veio logo a público, poucas horas depois de ter assinado o memorando de entendimento, garantir que os protestos iam continuar. Efectivamente, que credibilidade pode ter alguém que assina um acordo e momentos depois anuncia a intenção de continuar a protestar?

sábado, 8 de novembro de 2008

Um preto na Casa Branca

Nota prévia: Barack Obama é preto. Ok, não é novidade (a não ser, talvez, para Silvio Berlusconi), mas será que foi por isso que ele ganhou as eleições? Ou terá sido porque soube apresentar o seu projecto e capitalizou o insucesso de Bush e dos republicanos? Já me cansa um pouco ouvir as pessoas dizer que o mundo mudou porque agora está um preto na Casa Branca. Caramba! Será que é mesmo assim tão importante que ele seja negro? Ou estamos a menosprezar a mais-valia de um homem, inteiro, e a resumir todo o seu potencial a uma mera contingência chamada cor de pele? Que fique claro que, se fosse americana, teria votado em Obama. Que fique claro que considero que é, de facto, histórica a sua eleição. É um sinal de que o mundo está em mudança, e está a mudar para melhor. Mas é apenas um homem que ganhou uma eleição. Num mundo justo e não racista, o tom da sua pele não teria a mínima importância…

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Presidenciais 2008


Será que lendo esta chamada à primeira página do jornal gratuito «Meia Hora», alguém se lembrará de que as eleições presidenciais não foram em Portugal, mas nos Estados Unidos? Ou será que foi para compensar o facto de em 2009 - o "ano de todas as eleições" - só não haver presidenciais no nosso cantinho?

terça-feira, 4 de novembro de 2008

E haveria localização mais adequada?

Foto: Luís Silva

Caso «Janeiro» na barra do tribunal

Volvidos exactamente três meses e cinco dias sobre o despedimento colectivo ilegal de 32 jornalistas e três funcionários de «O Primeiro de Janeiro», o Tribunal do Trabalho do Porto dá hoje início ao julgamento. Para a primeira sessão, marcada para as 10h30, foram notificados os jornalistas sindicalizados e os representantes da administração da Sedico – Serviços de Edição e Comunicação, a empresa detentora do título até poucos dias antes do encerramento, que é igualmente alvo de um pedido de insolvência apresentado no Tribunal do Comércio de Gaia por um antigo trabalhador da empresa (há processos com mais de 20 anos). A sessão do julgamento destinada a ouvir os jornalistas não sindicalizados e os demais funcionários do centenário portuense terá lugar uma semana depois.

Entretanto, o Mente Despenteada recebeu a informação de que andará a circular pelas empresas de Leça da Palmeira, no concelho de Matosinhos, um comunicado da Junta de Freguesia em que se pede a “colaboração” dos empresários locais para com aquele jornal. Fontes bem informadas disseram tratar-se de uma circular em papel timbrado da autarquia, que dá conta da alegada edição de um caderno especial sobre o tecido empresarial local, mas um elemento do Executivo explicou que “a junta apenas acedeu a um pedido de um comercial de «O Primeiro de Janeiro», que nos solicitou aquele documento. Fizemos o comunicado, mas não andamos a distribuí-lo. Quem faz isso é o jornal”. Uma resposta meio tosca que, apesar de tudo, não me extingue a dúvida: será isto legal? Até que ponto pode uma junta de freguesia dar o seu beneplácito aos interesses de uma empresa privada? Será legítimo que a autarquia emita um comunicado, em papel timbrado, a pedir publicidade para um jornal? Não creio…

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Remodelações e despedimentos

Bem sei que o tempo é de crise e de vacas magras - diria mesmo escanzeladas -, mas ainda assim atrevo-me a fazer uma sugestão aos senhores editores e livreiros deste cantinho à beira-mar plantado: para quando um dicionário de Língua Portuguesa que, fazendo justiça à realidade, faça alinhar, como sinónimos, as palavras "remodelação" e "despedimento"? Não sei se já notaram, mas cada vez mais estes dois conceitos são usados de forma indistinta, como se fossem de facto uma e a mesma coisa! E nos últimos anos, muitos empresários portugueses praticaram este novo exercício. Depois do encerramento de «A Capital» e de «O Comércio do Porto» (após tentativas falhadas de remodelação, e daquele acto de absoluta perfídia no jornal «O Primeiro de Janeiro», agora é a revista «Visão» que entra em remodelação e, a pretexto de uma fusão com a redacção do «Expresso», atira borda fora (embora neste caso, tanto quanto julgo saber, com os ordenados em dia e todos os direitos legais reconhecidos) uns quantos jornalistas. Quando é que isto acaba, afinal?

Do anedotário tirsense

Não fosse o facto de esta história ter como cenário um cemitério, e atrever-me-ia a dizer que o que se tem passado na freguesia de São Martinho do Campo, no concelho de Santo Tirso, é de morrer a rir. E o que é que se passa? A Câmara Municipal investiu largos milhares de euros nas obras de ampliação do cemitério da freguesia, e agora anda o presidente da junta de freguesia a vender as sepulturas, acto para o qual não tem legitimidade ou competência legal (ainda mais depois de ter recusado a assinatura de um protocolo que previa a transferência dessa tarefa). Não contente com o facto de estar a incorrer numa desobediência à lei, o presidente da junta ainda garante vender mais campas e capelas, para ajudar a custear empreitadas como a que a junta assumiu no mesmo espaço, e que se traduziram na colocação de uma placa à porta do cemitério e na instalação de uma cobertura na pedra onde se reza a última oração! No passado dia 31 de Outubro, deslocou-se ao cemitério com os jornalistas da cidade, e foi lá que se referiu a estas alteraçõezinhas como “a obra do século”. Depois emendou, e disse que será, afinal, a “a referência deste mandato”. Uma lápide e um coberto! Estamos conversados sobre a obra feita no mandato da junta…

Soube desta magnífica empreitada no site do Santo Tirso Digital, que começa um texto ESCRITO COM OS PÉS a dizer que esta obra foi feita “a pensar nas senhoras e até nos homens”…

Bom dia!

É só para dizer que faço minhas as palavras dele. E que continuo um bocadito afónica...

Até jazz...

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Salário mínimo, estupidez máxima!

Não sei se já repararam, mas há em Portugal muitos trabalhadores – e principalmente trabalhadoras – que não recebem mais do que o salário mínimo como contrapartida pelo trabalho que desenvolvem, diariamente, nas empresas portuguesas. Não sei se já repararam também que todos os dias, e cada vez mais, há gente que se queixa, com a legitimidade inequívoca de quem vive nesse cenário, de lhe sobrar cada vez mais mês ao fim do ordenado. Há anos que se ouve, em todo o lado, reiterados apelos e críticas ao Governo pela crise. Esta ou outra crise. A crise real ou ficcionada. Não importa! O que importa é acusar o Governo, seja este ou outro, de tudo o que acontece e que é mau. Também toda a gente sabe que há empresários que não declaram, eles próprios, mais do que o salário mínimo. Com uma nuance muito importante: se no caso dos seus funcionários os montantes declarados correspondem aos reais, no caso dos donos das empresas, obviamente não correspondem. E só não vê isso quem não quer ver, ou por não ser competente na fiscalização que lhe compete, ou por não ter interesse em que se apure a verdade.
Agora que o primeiro-ministro anunciou a intenção de aumentar o salário mínimo para os 450 euros em 2009 – medida que decorre do calendário há muito definido com os parceiros sociais –, vem o presidente da Associação Nacional das Pequenas e Médias Empresas tentar pressionar o Governo a desistir desse intento. E notem bem o tom em que este senhor falou: “Se o primeiro-ministro insistir no aumento”… Diz ele que, se a medida anunciada efectivamente se concretizar, a associação determinará junto dos seus associados a não renovação dos contratos a termo. A ameaça vale o que vale, e o homem não deve estar a ver bem com quem lida! Se há coisa que José Sócrates já deu provas de ser é determinado. E ainda bem. A Associação Nacional das Pequenas e Médias Empresas, acrescentou o seu responsável (não sei o nome do homem, mas isso agora também pouco interessa ao caso), “não se vai manifestar, mas vai determinar junto dos associados que não renovem os contratos, o que significa que o primeiro-ministro vai ter um aumento do desemprego”.
Eu corrijo. O desemprego não é do primeiro-ministro. Não é ele que vai ter mais ou menos desemprego. É o país! Somos nós. Todos nós. Diz o mesmo responsável que há em Portugal mais de 43 mil contratos a termo. Será verdade. Mas também há muitos contratos a termo que não recebem o salário mínimo. E depois há também os falsos salários mínimos: aqueles que são mínimos no recibo e que depois, em “despesas de representação”, “deslocações” e coisas que tal absorvem maquias pouco mínimas. Sei de uma empresa em que essa prática encravou a vida a muita gente (e que por isso mesmo, ou também por isso, teve de “dispensar” uns quantos funcionários. Lamento, mas não tenho pena de quem lá ficou). O que pergunto é o que farão os empresários que declaram, para si mesmos, o salário mínimo. Será que também vão despedir-se?

E agora uma provocaçãozinha: já que a ANPMES tem a lata de ameaçar o Governo com a não renovação dos contratos a termo, no caso de o primeiro-ministro “insistir” no aumento do salário mínimo, eu sugiro ao primeiro-ministro que, a partir de agora, não só insista no aumento do salário mínimo como, e bem a propósito, passe a insistir no fim dos contratos a termo, só para ver a cara deste senhor. E que ele não possa, por lei, ganhar mais do que 426 euros por mês. Isso é que era!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Dia Nacional do Chocolate

É hoje! Foi hoje... E eu nada. Nem um... Tá mal!