domingo, 31 de maio de 2009

São manifestações ou são comícios?

Jornal de Notícias

Os professores portugueses voltaram a manifestar-se nas ruas da capital. As notícias apontavam números entre os 50 e os 80 mil docentes, mas o «Diário de Notícias» descobriu, por exemplo, que um dos “manifestantes” era, na realidade, um técnico de holografia que estava na concentração “por causa do convívio”. “Já é a quarta manifestação a que venho”, dizia ele. Ficou assim comprovado o que há já muito tempo se sabia: os 50, 60, 80, 100 ou 120 mil professores (números claramente inflacionados por interesses políticos) que saíram à rua nas mais recentes manifestações não eram, se calhar nem em 50%, professores. Eram amigos, familiares, simples curiosos. Mas a verdade é que as “manifestações de professores” também não eram manifestações de professores. Eram comícios políticos conduzidos pelo indizível Mário Nogueira, que em vez de reflectir sobre os problemas da sua classe – classe de que já nem é legítimo representante, visto que há quase 20 anos não põe os pés numa sala de aula – preferiu lançar atoardas ao Governo, preconizando a necessidade de retirar a maioria absoluta ao PS. “Não podemos admitir que a próxima legislatura volte a funcionar num quadro de maioria absoluta”, disse o dirigente da FENPROF, considerando que “há gente como o Eng. Sócrates e a ministra Lurdes Rodrigues, que não sabem governar com maioria absoluta”.

Como disse o primeiro-ministro, “os sindicalistas têm mostrado mais interesse pelos interesses dos partidos do que pelos dos seus associados", e no caso concreto de Mário Nogueira essa constatação é flagrante. É comum vê-lo, em gritos ensandecidos, a dizer mal do Governo, e a fazer-se de forma descarada ao lugar de Carvalho da Silva, que diz que não quer. Afinal, como pode um homem que foi professor há mais de 18 anos, e que desde então vive do ordenado de sindicalista a tempo inteiro, saber o que é dar aulas hoje em dia? Sabemos que ele quer dar a ideia de que nada mudou durante esse tempo, e que a Educação é o parente pobre da actuação dos sucessivos governos nacionais. Não é. Não tem sido nos últimos anos. A meu ver, o actual governo cometeu alguns erros no que ao sector da Educação diz respeito. É verdade, e de nada serve dizer que não. Mas não é verdade que o Governo não esteja a investir empenhadamente na melhoria das condições de aprendizagem dos estudantes portugueses. E a pôr, claro está, um travão na empáfia dos professores, que tendem a considerar-se seres superiores e acima da regulação do Estado.

Os professores têm razão em algumas das suas queixas, designadamente no que à avaliação do seu desempenho diz respeito. Isso não está sequer em causa para mim. O que me parece claro é que, se continuarem a ser representados por sindicalistas profissionais (que só têm razão de existir enquanto houver problemas e mobilização), que já pouco sabem do que é dar aulas, e que procuram apenas assegurar um tacho para o futuro mais próximo, estarão sempre mal representados. Mário Nogueira é um exemplo claro do aproveitamento que muitos sindicatos fazem da crença dos seus associados em que estes estão a lutar pelos seus direitos. Na maior parte dos casos, os sindicatos estão apenas a lutar para se manterem, eles próprios, acima da linha de água. Insistem em pormenores sem grande importância e dissecam-nos até à exaustão, e até se dão ao luxo de violar acordos assinados na véspera. Mário Nogueira é um flop como sindicalista, e será um flop político, se alguém tiver a ideia de o deixar chegar a um lugar de destaque no seu partido. O que é profundamente lamentável é que um sindicato se aproveite assim, descaradamente, da ingenuidade dos professores. Eu julgava-os mais inteligentes do que isso…

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Moura Guedes faz “jornalismo reprovável”

O Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas considera reprovável o desempenho da jornalista Manuela Moura Guedes na condução do "Jornal Nacional - 6ª", na sequência da discussão que a apresentadora teve em directo com o bastonário da Ordem dos Advogados.

"Consideramos esta forma de estar no jornalismo e de fazer jornalismo reprovável", afirmou o presidente do Conselho Deontológico (CD), Orlando César, em declarações à Lusa."O Conselho Deontológico não pode deixar de reprovar o desempenho de Manuela Moura Guedes na condução do 'Jornal Nacional - 6.ª feira' e concitar a própria e a direcção da TVI ao cumprimento dos valores éticos da profissão", refere o órgão em comunicado hoje divulgado. Numa reunião realizada hoje, os membros do CD analisaram a emissão de 22 de Maio do "Jornal Nacional", em que a jornalista Manuela Moura Guedes e o bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho Pinto, tiveram uma discussão em directo. "Analisámos apenas este caso, que constitui um avolumar de situações e nos levou a tomar uma posição. Além disso, recebemos pedidos de pareceres e queixas de jornalistas e telespectadores", explicou Orlando César.
Os membros do CD analisaram, de acordo com o presidente, "questões de profissionalismo e aspectos éticos da profissão, o que deve ser a função de quem é pivot de um telejornal". "Considera-se inaceitável que, para além de outros aspectos, na apresentação das notícias, o jornalista confunda factos e opiniões e se exima da responsabilidade de comentar as notícias com honestidade", refere o comunicado, acrescentando ainda que "os pivôs devem estar claramente conscientes de qual o seu papel, se o de 'entertainer' ou o de jornalista, não devendo confundir o conflito e o espectacular com a importância das notícias". Para os membros do CD, os jornalistas que conduzem telejornais, "devem abster-se de introduzir apartes, comentários, expressões e recorrer à linguagem não oral, susceptíveis de conotarem e contaminarem o conteúdo informativo, comprometendo a própria isenção dos profissionais que, conjuntamente, trabalham naquele espaço de informação".
Na nota, o CD sublinha ainda que os jornalistas "não podem substituir a acutilância pela agressividade", e devem "permitir que os seus entrevistados expressem os seus pontos de vista com serenidade e não sejam apenas convidados a participar num espectáculo de enxovalho, em que eles são as vítimas". A Lusa tentou obter uma reacção da jornalista que apresenta o Jornal Nacional de 6ª, mas até ao momento tal não foi possível.

Notícia publicada pela Agência Lusa

sábado, 23 de maio de 2009

Vila Nova de Cerveira, lá no Alto Minho!






Vila Nova de Cerveira é uma cidade que nos conquista. Pela simplicidade, pelo arrojo estético, pela liberdade de caminhar e descobrir, pela importância atribuída à arte (são muitas as esculturas que se oferecem à fruição de quem passa) e pelo incentivo à prática do desporto, gratuito e acessível a qualquer cidadão, num qualquer jardim. Há anos que não passava por lá, mas nos últimos dias pude perceber que o que nos seduz realmente nas antigas “Terras de Cervaria” é que, se por um lado tudo parece estar sempre na mesma, por outro lado há sempre algo novo que nos faz desejar lá voltar. Era capaz de me habituar a viver por lá…

terça-feira, 19 de maio de 2009

Podem anotar: Nokia nunca mais!

É a maior empresa fabricante de telemóveis a nível mundial, e até há bem pouco tempo era líder incontestada de vendas em numerosíssimos países. No entanto, nem a finlandesa Nokia escapou à crise, e há poucas horas anunciou, uma vez mais, que, a coberto de um grandioso programa de redução de custos, se prepara para dispensar mais 490 trabalhadores, apontando como causa para esta nova onda de despedimentos a quebra de mais de 90 por cento nas vendas. É um rombo considerável nos cofres da empresa e obviamente, pensando apenas nas pessoas que hoje souberam que a breve trecho vão perder o seu emprego, lamento que tal aconteça. Por outro lado, e pensando apenas na marca, não lamento nem um pouco. A Nokia não é uma empresa séria, e percebi isso da forma mais eficaz: à minha própria conta.
Pensava ser uma cliente de luxo da Nokia, até porque só há cerca de três anos “ousei” adquirir um telemóvel de outra marca (um Sony Ericsson que nunca me qualquer problema). Sempre usei telefones da marca finlandesa, e não foram poucos. Uso-os há quase 15 anos. Todos os Nokia que tive sofreram uma ou duas intervenções, idas à fábrica, actualizações de software e afins, mas nada que não fosse possível resolver sem grandes delongas e sem demais consequências. Até há cerca de um ano. Nessa altura comprei um N73, por 189,90 euros. Não se trata de uma compra milionária, tendo em conta os aparelhos de elevada qualidade – com preços directamente proporcionais – a que estou habituada, mas nem era para mim. Era um presente para uma das minhas irmãs, e acabou por se revelar a pior ideia do milénio!

Com apenas alguns meses, o telemóvel começou a emitir mensagens de erro que davam conta de um problema que, haveríamos de descobrir depois, é recorrente naquele modelo (disse-nos uma fulana de um dos centros NoKia Care Point, no Porto, que “todos os N73 têm esse problema”). E o problema era o surgimento de uma mensagem de erro que dizia “memória cheia”, “memória quase cheia” ou “memória insuficiente para concluir a operação”. Um detalhe: a memória do telefone não tinha nada que não tivesse vindo lá instalado, e o cartão de memória adicional esteve sempre bem longe de estar cheio. Graças a esta moda, em certos momentos era impossível realizar ou atender chamadas, enviar ou receber mensagens, até desbloquear o telefone parecia uma missão tão complexa como a redacção da Bíblia. Com pouco mais de três meses, o telefone não servia para nada.

Foi enviado para a fábrica. Uma vez, duas vezes, três vezes, quatro… cinco! Cinco vezes em 10 meses! À terceira vez, no passado mês de Novembro, valendo-me da legislação vigente na área da defesa do consumidor, apresentei-me no Nokia Care Point com o telefone e uma única exigência: não queria o telefone de volta. Queria reclamar o direito de substituição que a lei me confere. Foi-me negado. O telefone foi para Lisboa e voltou, um mês depois, e em Fevereiro estava novamente com problemas. Dessa vez, enviei o telefone novamente para a fábrica, com uma extensa carta dirigida à Nokia Portugal, reclamando, já não a simples substituição do aparelho, mas a resolução do contrato, que a lei também prevê. Uma reclamação que reforcei por telefone, numa longuíssima chamada em que ainda tiveram a lata de me fazer um inquérito sobre satisfação do cliente. Conseguem adivinhar o que aconteceu? Pois… A reclamação caiu em saco roto e o telefone voltou. O mesmo! E no momento da entrega nem uma referência à carta e ao telefonema que fiz. Perguntei o que se passava, mas ainda tive de ouvir a adolescente que me atendia, com ar superior, a rir-se do “bug” que “todos os N73 têm”, e a asseverar-me que o meu “não é caso único”. Caso único deve ser a minha paciência…


Dizia-me ela que “agora já há uma solução para esse problema”. Novo detalhe: de cada vez que o telefone foi “a reparar”, e voltou exactamente na mesma, o relatório da intervenção feita dava conta de uma nova operação: mudança dos circuitos disto, dos circuitos daquilo, da memória de não sei onde, limpeza daquilo e daqueloutro, uma série de tarefas tão complexas que demoravam sempre um mês. O escárnio da miúda que me atendia fez-me saltar a tampa, e então, uma semana depois, voltei à loja e entreguei novamente o telefone, queixando-me do mesmo problema, mas fazendo algo diferente: no momento em que entreguei o aparelho, liguei para a linha de reclamações da marca e disse que o telefone ia seguir para Lisboa e que estava farta da atitude da Nokia, que ficassem com ele e me devolvessem o dinheiro, porque já tinha comprado outro, de outra marca, para oferecer à minha irmã. O discurso mudou um pouco: garantiram-me que agiriam “no sentido de minimizar o seu descontentamento”, e que dentro de dias seria contactada para acordar os moldes de substituição do aparelho. Aguardei.

(Muitos) dias depois, recebi um telefonema insólito. Do outro lado, uma senhora perguntava-me se eu estava satisfeita com o “telemóvel novo” que a Nokia me tinha dado, no seguimento da reclamação feita e do pedido de substituição do aparelho avariado. Com o queixo a tocar no chão de tanto espanto, disse à senhora que não me tinham contactado ainda e que não tinha, nem queria, qualquer telefone de substituição, porque tinha esgotado a minha paciência e queria era o dinheiro de volta. Disse-me que esta era a solução definida pela Nokia, e que fosse à loja buscar o telefone novo. Fui. Estava a almoçar na zona e fui logo nessa tarde ao Nokia Care Point. O “telefone novo” vinha numa caixa pequenina, riscada e rasurada, e era o mesmo telefone de sempre. Pasmei de novo. Garantiu-me o adolescente da praxe (a Nokia só emprega adolescentes nestas lojas, mas este era um rapaz bem mais educado que a miúda que se ri dos clientes) que “a capa é a mesma, mas a máquina é nova”, porque “é assim que a Nokia faz”. Consultei o IMEI e, de facto, não era o mesmo…
Fiquei como o tolo no meio da ponte… Que fazer? Gritar com o miúdo? Dizer que não queria o telefone nem o dinheiro? Parti-lo ali mesmo e virar costas? Mandá-los à merda? Tudo me passou pela cabeça naquele momento, mas pensei noutra coisa: trazer o telefone para casa e, dias depois, ir lá entregá-lo e queixar-me do mesmo problema. Mesmo que não o tivesse, só para ver o que diziam. Não o fiz. Efectivamente trouxe o telefone, mas não voltei lá. É certo que aquela gentalha merecia o meu mau humor durante mais umas semanas, mas não me dispus a perder mais tempo. Há uns anos, o presidente da Associação Portuguesa de Direito do Consumo, o meu bom amigo Mário Frota, disse-me que esse é exactamente o problema dos consumidores portugueses: pelo trabalho que têm para fazer valer os seus direitos, acabam por desistir deles. Lamentavelmente, foi o que me aconteceu. Só que com uma nuance: face à decisão que tomei, de nunca mais utilizar telemóveis da marca Nokia, ontem vendi o N73. NOKIA NUNCA MAIS!

Agora quero um Blackberry 9000 Bold… :)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Feliz aniversário, Lili!

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A Lídia é uma das melhores pessoas que conheço, e tenho enorme orgulho em ser sua amiga. Esteve ao meu lado em momentos menos bons da minha vida, como eu estive sempre ao lado dela naqueles momentos em que as lágrimas teimavam em substituir os sorrisos. As amizades nascem assim, e são as amizades assim nascidas que perduram para lá do tempo, da distância e da saudade. Hoje, a Lídia está de parabéns. Faz 31 anos. Para ela, e para todos os que ela carrega no coração, votos de um dia acima do espectacular. Como ela merece!

domingo, 17 de maio de 2009

Porque vale sempre a pena passear...




Santa Maria da Feira, com o seu castelo altaneiro, é o destino que o meu coração escolhe sempre que penso num lugar para passear o corpo e descansar a mente. Uma cidade cheia de verde, de gente que aproveita o tempo livre para uma voltinha no parque, para passear o cão, namorar ou frequentar uma aula de yoga... Santa Maria da Feira is cool!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

segunda-feira, 11 de maio de 2009

"A cidade das aldeias", by Mário Mesquita

aqui vos falei do Mário. O “Super Mário”, que num dos momentos mais conturbados da vida de um grupo de pessoas que começaram por ser colegas e depois se tornaram amigas, se destacou pela generosidade de um gesto. O Mário tem patente uma nova exposição, e é em honra dele que aqui vos deixo o texto de apresentação da mesma, com a certeza – e a promessa – de que, assim que puder, também lá darei um salto. A exposição está patente no Centro Português de Fotografia (Sala Aurélio da Paz dos Reis), na cidade do Porto, até ao próximo dia 28 de Junho de 2009. Apareçam, que o autor merece! Ao grande Mário, o abraço do costume! Até breve!


“A Cidade das Aldeias
– Traços de ruralidade no Porto contemporâneo”

O presente trabalho, realizado sob a forma de reportagem fotográfica e vídeo, visa possibilitar a leitura do que subsiste dos antigos Lugares da cidade do Porto e dos caminhos entre eles, registando e divulgando o que ainda hoje se pode observar, revelador de uma forma de assentamento e formação de território, de construção e de vivência de uma outra cidade, a cidade das aldeias, que corre o sério risco de ser literalmente engolida pela velocidade desenfreada própria dos dias em que vivemos, resultado das dinâmicas de desestruturação urbana e social que, infelizmente, vão esquecendo estes espaços, as suas gentes e os conjuntos edificados.

Comparando a planta da cidade do Porto desenhada sob a direcção de Augusto Teles Ferreira e impressa no ano de 1892 com a cidade actual verificamos que, ainda hoje, subsiste uma substrutura rural que, à época, constituía uma rede de caminhos e lugares exteriores ao centro urbano em processo de consolidação. Esses lugares, aquando da delimitação administrativa da cidade ocorrida no final do século XIX, seriam integrados no perímetro urbano, ficando a Estrada de Circunvalação como linha de fronteira da nova cidade que acolhia no seu interior um conjunto de lugares e de freguesias novas, incorporava áreas de freguesias vizinhas e deixava de fora algumas parcelas de terreno, que, embora pertencentes ao concelho, sempre foram consideradas exteriores à cidade que se havia circunvalado.

Pela imagem, pretende-se tornar pública essa outra cidade que abrange, na área geográfica do concelho do Porto, núcleos como Pinheiro de Campanha, S. Pedro, Azevedo, Areias, Contumil, Pego Negro, Granja, Vila Cova, Campo, Aldeia Nova do Monte, Fojo, Águas Férreas, Outeiro do Tine, Aval de Baixo, Ramalde do Meio, Vilanova de Cima, Furamontes, Ribeirinho, Campinas, Arrábida, Olivais, entre muitos outros lugares que nos vão falando de percursos, de espaços, de construções e de gentes.

O sentimento de viver periférico, presente nos lugares visitados, poderá, um dia, vir final e felizmente a desaparecer e dar lugar a uma realidade policêntrica, assente em contínuos de território, o qual, ligado por redes e canais, será capaz de unir e esbater as sensações de dentro e fora, contribuindo para minimizar a sensação de centro e periferia, quer no plano físico quer no plano das mentalidades e sentimentos, consolidando e dando espessura ao tecido urbano. Assim, as redes vão-nos ligar os pontos e os canais vão-nos traçar as rectas e articular a sobreposição das redes, cosendo-as ao concelho ao qual pertencem e aos concelhos limítrofes, promovendo um tecido forte e coeso, permitindo que não sejam áreas conflituantes, mas sim conjugadas e convergentes num só objectivo: a ampliação da cidadania e a gestão participada do território municipal pelas populações, comprometendo todos num esforço unitário, em busca de uma estrutura onde todos tenham lugar.

Este é um trabalho de recolha e fixação de imagens e ambientes que se formalizam num documento visual unitário, contributo para que a memória do território, das construções e das pessoas que o foram fazendo, não se perca no tempo. É um registo fotográfico que permite pensar que, numa cidade equilibrada, esta diversidade de ocupação do solo ajuda a qualificar o ambiente urbano, oferecendo a leitura de várias épocas históricas, de vários tempos, de vidas que podem, trinta e cinco anos passados sobre o 25 de Abril, se todos quisermos, coexistir em harmonia, derrubando a última muralha desta cidade e pensar, quando falamos de Área Metropolitana do Porto, mais do que na metropolitanidade, na rur-urbanidade.

E é um sentimento que defino assim:


I
Sobretudo o tempo,
somente as horas,
decerto os dias não serão mais
iguais sem ti.

Na rota das imagens,
procurando no espaço,
decerto te não verei mais
para além da curva da estrada.

No entanto, à sombra dos dias que,
docemente, visitamos por aí,
por certo fica o terno e doce sentimento de amor eterno.

II
Para hoje não há poemas
possíveis. Só as letras das palavras.

Para hoje, não há poemas.
Possíveis, só as letras das palavras.

Para hoje não há. Poemas
possíveis? Só as letras das palavras.

Para hoje não. Há poemas?
Possíveis só. As letras das palavras.

Para hoje? Não! Há Poemas
possíveis? Só as letras das palavras.

E as imagens.

III
E então, da estrangulada perspectiva
do horizonte nos resta a imensidão
dessas palavras de que falávamos atrás,
dos gestos e olhares que combinavam
somente para ser dia, decerto para ser nosso.

E então, por entre as cordas da amizade,
perpassa essa luz aberta que nos faz viver
regulando contrastes
e nos conduz
e nos desvia,
e nos seduz,
sempre que pensamos cidade,
liberdade.


Mário João Mesquita
Porto, 25 de Abril de 2009

Campeões, campeões, campeões!

"Se és portista que Deus te abençoe!
Se não és que Deus te perdoe"...

sábado, 9 de maio de 2009

Obesidade infantil em debate em Anadia

O Centro de Saúde de Anadia, em colaboração com a Rede Social local e com a Câmara Municipal de Anadia, organiza na próxima quinta-feira, dia 14 de Maio, no Cine-Teatro, o Fórum Obesidade Infantil. Porque a alimentação tem uma influência determinante no desenvolvimento emocional, intelectual e social dos cidadãos, é urgente debater a forma como se alimentam os mais novos, ainda mais numa altura em que o número de obesos em todo o mundo é crescente e que a procura de consultas para este problema disparou, sem que os hospitais consigam dar resposta a tantas solicitações. No âmbito desta iniciativa, que merece o aplauso de todos os anadienses pela importância do tema em análise, passarão pelo Cine-Teatro de Anadia alguns dos especialistas que lidam mais de perto com o problema da obesidade nas crianças, em particular no concelho de Anadia, sendo também de destacar a presença do médico João Breda, em representação da Direcção-Geral de Saúde.
Numa altura em que cerca de metade da população mundial sofre já de problemas relacionados com excesso de peso e obesidade, entre as crianças portuguesas esta começa a ser também uma questão prioritária: a procura de consultas de obesidade infantil aumentou exponencialmente ao longo dos últimos anos, de tal forma que os hospitais nacionais não têm conseguido encontrar resposta para as inúmeras solicitações de tratamento que recebem. Em virtude dessa situação, muitas unidades de saúde limitam-se a aceitar os casos mais graves ou em que existem outras doenças associadas ao excesso de peso (hipertensão ou diabetes, por exemplo), declinando o atendimento aos restantes. O «Diário de Notícias» referia há dias que, no Hospital de São João, no Porto, um dos poucos que tem uma consulta organizada para crianças e adolescentes, “mais de metade dos casos referenciados não são aceites”.
Nos casos menos graves, a tendência dos hospitais parece ser a de encaminhar os doentes para os centros de saúde, onde os médicos nem sempre têm o tempo e o apoio adequados, designadamente no que diz respeito a consultas de nutrição ou psicologia. É exactamente por isso que esta iniciativa do Centro de Saúde de Anadia se reveste de enorme importância: porque mais vale prevenir do que remediar, e porque só conhecendo as normas para uma alimentação mais equilibrada e saudável, bem como os mecanismos para potenciar a luta contra a obesidade, teremos condições de ajudar as nossas crianças a evitar cair nessa situação. Segue, por isso, o programa completo do Fórum sobre Obesidade Infantil, cujo lema é «Dizem que sou gordinho. Serei?».

Quinta-feira
14 de Maio de 2009

8h45: Abertura do Secretariado

9h00: Sessão Solene de Abertura

9h30: Pandemia do Séc. XXI – Factos Mundiais, Nacionais e Locais: Abordagem sócio-económica
Prelector: Enfª Silvana Marques, Centro de Saúde de Anadia
Moderador: Professor Doutor Jorge Simões, Universidade de Aveiro

10h15: Monitorização IMC numa Escola do Concelho
Prelector: Enfª Carmen Santos, Centro de Saúde de Anadia
Moderador: Profª Alexandra Gonçalves, Agrupamento de Escolas de Vilarinho do Bairro

10h45: Intervalo para Café

11h15: Alimentação e Obesidade — Perspectiva Sociocultural
Prelector: Dr. João Breda, Direcção-Geral da Saúde
Moderador: Drª Marisa Santos, Psicóloga no Centro de Saúde de Anadia

12h15: Intervalo para Almoço

14h00: Alimentação da Criança e Comportamentos Saudáveis
Prelector: Paulo Abrantes, Dietista no Hospital José Luciano de Castro
Moderador: Dr. Mário Rui, Centro de Saúde de Anadia

14h45: Obesidade: Consequências para a Saúde
Prelector: Dra Maria João, Pediatra no Hospital José Luciano de Castro
Moderador: Dr. Mário Sousa, Centro de Saúde de Anadia

15h30: Intervalo para Café

15h45: Estratégia de Intervenção na Comunidade
Prelector: Dra Fernanda Pinto, Delegada de Saúde do Centro de Saúde de Anadia
Moderador: Enfª Silvana Marques, Centro de Saúde de Anadia

15h45: Conclusões

17h15: Sessão de Encerramento

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Liberdade ou brutalidade?

Escassos dias depois de o 25 de Abril ter completado 35 anos, e de, como há muito tempo não se ouvia, serem recorrentes as reminiscências da Revolução dos Cravos e as críticas à democracia actual, um episódio insólito ocorrido nas comemorações do 1º de Maio em Lisboa veio demonstrar que os portugueses ainda estão muito longe de saber o que é de facto a democracia, ou de estar preparados para ela. Foi num país alegadamente democrático que Vital Moreira, candidato socialista às eleições europeias de Junho, foi hoje insultado e agredido por manifestantes que participavam no desfile da CGTP, que pretendia assinalar o 1º de Maio. A delegação do PS (Vital Moreira, Vítor Ramalho e Ana Gomes), que como habitualmente se preparava para apresentar os seus cumprimentos à delegação da central sindical, foi atacada por um grupo de manifestantes, tendo o cabeça-de-lista às europeias sido cuspido, insultado e agredido com murros, na cabeça e nas costas, ao mesmo tempo que era “brindado” com gritos de “traidor” e “mentiroso”. Este é mais um episódio absurdo, que denota uma clara dificuldade de alguns portugueses em praticar essa tal democracia que proclamam, e que prevê, entre outras coisas, a liberdade de ser, estar, falar e reunir com quem muito bem se entende. Não interessa qual o motivo que levou estas pessoas a fazer isto, porque não há no mundo um só motivo que o justifique.

Mar calmo, mar revolto, mar manhã...


O mar pela manhã.
Mar calmo, tranquilidade.
Mar revolução, ondas, marés…
Desabafo, solidão, pensamento.
O mar, tanta água! Mar nos meus olhos,
mar dentro de mim. Tristeza e saudade...

Hoje sinto-me um pouco assim...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O dia de ontem também foi muito bom!

Diz o dicionário que “tia” é a irmã do pai ou da mãe, mas no meu caso, e porque um amigo é um irmão escolhido por nós, acabo de ser tia duas vezes, porque sou “irmã” da mãe e do pai! A Raquel e o Rodrigo acabam de ser contemplados com o maior tesouro do mundo: são pais desde ontem. E eu sou, desde ontem, tia! Uma tia babada. O Henrique nasceu com 48 centímetros de altura e 2,8 quilogramas de peso. É o pequenino príncipe da família. Parabéns, Raks e Rodri. E obrigada. Sejam muito, muito felizes.

O meu dia de ontem foi muito mau…

Muitas e muitas horas nos corredores dos Hospitais da Universidade de Coimbra. Consultas, exames, perícias, longos tempos de espera, dúvidas, medos, anseios, dores, cansaço e lágrimas. Depois vieram os diagnósticos, as recomendações, os novos medicamentos e… a conta na farmácia. Elevada, para não variar! Foi um dia bastante antipático.

sábado, 18 de abril de 2009

CDU apresenta candidatos a Matosinhos

Quem me conhece sabe bem que não subscrevo, nem de perto nem de longe, a ideologia comunista, mas que tenho uma profunda admiração por Honório Novo, deputado eleito pela CDU à Assembleia da República, vereador na Câmara Municipal de Matosinhos e um dos últimos políticos realmente sérios e genuinamente empenhados nos direitos, no crescente bem-estar e na melhoria da qualidade de vida daqueles que os elegem. Por isso partilho convosco o convite que Honório Novo acaba de me enviar, na certeza de que são homens desta qualidade e com este espírito de entrega que empurram Portugal, e o mundo, para a frente.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Estas merdas revoltam-me!

Não há nos seres humanos, mesmo nos mais bondosos, um nível de lealdade e de dedicação sequer comparável com o dos animais, e em particular com o dos cães, que idolatram cada um dos elementos das famílias que os acolhem (tenho alguma dificuldade em chamar-lhes “donos”), mesmo se estes os votam ao desprezo, ou se não lhes dão a devida importância. Se os homens são capazes de “vender a própria mãe” em troca de uma qualquer vantagem que momentaneamente lhes pareça mais atractiva, traindo velhos princípios e ideais, os cães não trocam sequer o seu osso velho, e a amizade que nutrem pelas pessoas que os acolhem é sempre genuína e desinteressada.

Há quem diga que os animais não pensam.
Eu acho que, mais do que pensar, os animais amam.

É por isso que a notícia que acabo de ler na edição desta semana do «Jornal da Bairrada» me deu o que só posso definir como um ataque de raiva por uma mulher que nem sequer conheço (e que nem pretendo conhecer, porque se a conhecesse espancava-a). De acordo com o JB, uma sujeita de 24 anos residente em Oliveira do Bairro, no distrito de Aveiro, mudou há dias de casa, mas deixou o cão a morrer à fome na varanda do apartamento onde vivia. Alguns dias depois da saída da inquilina, o proprietário do imóvel foi aferir o estado em que este se encontrava, e deu de caras com o cadáver do animal, já em estado de decomposição. Segundo elementos da Equipa de Protecção da Natureza da GNR de Anadia, a “infractora”, que foi prontamente identificada pelo ex-senhorio, poderá incorrer no pagamento de uma contra-ordenação entre 500 e 3500 euros (gostava de ver isso), a instituir pela Direcção-Geral de Veterinária.

Um ser “humano” capaz de abandonar assim um animal não merece sequer viver. E a revolta, até porque este estará longe de ser um caso único (lembram-se daquele “artista” que há uns tempos quis convencer o mundo de que era arte submeter um cão escanzelado a vários dias de fome, e que agora se prepara para repetir o feito numa outra exposição?), só pode incendiar todas as pessoas decentes e realmente humanas que tomam conhecimento de episódios como estes, ainda mais depois de ver que estas “pessoas” terão como castigo, se tiverem, apenas pagamento de uma coima…

Calendário eleitoral


Os níveis de participação dos portugueses – aliás, dos europeus em geral – na generalidade dos actos eleitorais realizados ao longo dos últimos anos, sejam de que natureza forem, são vergonhosos. Um povo que assim se abstém de votar, que prefere fazer qualquer outra coisa a exercer o seu direito e dever de cidadania, não pode depois encher o peito de ar e sair às ruas em protesto contra medidas de governos que (não) elegeu. É igualmente vergonhoso, e é até indecente e imoral. Já aqui vos dei conta daquela que, pelo menos no Brasil, se revela uma medida eficaz no combate à abstenção: o voto obrigatório. O eleitor que não comparecer nas urnas em dia de eleição terá de explicar de forma cabal a sua ausência, sujeitando-se ao pagamento de uma coima. Da maneira que os portugueses são agarrados ao dinheiro, estou em crer que depressa se encheriam de vontade de votar quando a isso fossem chamados. No entanto, tenho outra sugestão, quiçá menos radical, para aumentar os níveis de participação eleitoral dos tugas. Alguém sabe por que razão as eleições se realizam sempre aos domingos, quando é tempo de descanso, de visita à família e aos amigos, de passeios de namorados e de simples preguicite? E se as eleições passassem a realizar-se em dias úteis, em pleno horário de expediente e sem qualquer desconto do tempo de ausência no emprego? Já imaginaram o que era podermos virar-nos para o patrão e dizer: "Vou num instante exercer o meu direito de voto, e se calhar na volta ainda passo pela pastelaria, a comer uma nata"? Aposto que, em menos de nada, a abstenção caía para níveis residuais! É isso ou a insónia já não me deixa pensar claramente…

Se pensarmos que me deitei às 2h11...

A insónia é a dificuldade em conciliar o sono ou permanecer adormecido, ou uma alteração no padrão do sono que, ao despertar, leva à percepção de que o sono foi insuficiente (…). Não é uma doença, mas um sintoma. Pode ser consequência de diversas perturbações emocionais e físicas e do uso de medicamentos. A dificuldade em conciliar o sono é frequente entre jovens e idosos e muitas vezes manifesta-se no decurso de alterações emocionais, como a ansiedade, o nervosismo, a depressão ou o temor. Há mesmo pessoas que têm dificuldade em conciliar o sono simplesmente porque não experimentam cansaço, nem físico nem mental”. Manual Merck

São cinco da manhã...

quarta-feira, 15 de abril de 2009

terça-feira, 14 de abril de 2009

Na sombra de uma expectativa...

Viver é um acto estranho. Surge do nada, sem uma manifestação de vontade de quem vive, e demora-se nesse mundo de dificuldades que é ser, além de apenas existir. A expectativa é um lugar também impregnado dessa estranheza do acto de viver. Surge de um sinal pequenino, de uma esperança imaterial e quiçá abusiva, cola-se a nós como uma sequiosa sanguessuga, e no fim, quando a esperança se vai e nada acontece, deixa-nos secos, caídos no solo armadilhado de uma existência inexplicável. Um beijo adiado, um convite que não chega a sê-lo, um sonho que se esvai com o cair da noite, e tudo volta a ser cinzento, depois da ameaça das cores que não chegaram a pintar-nos o coração. Talvez amanhã…

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Entre Braga e Bolonha...

Há alguns anos, tive o grato prazer de entrevistar Novais Barbosa, então reitor da Universidade do Porto, a propósito do Processo de Bolonha. Nessa altura, o “processo” era um mistério, em torno do qual pululavam mais perguntas do que respostas, e muitas, muitas opiniões. No entanto, talvez apenas hoje, em Braga, tenha realmente percebido o quanto o dito “processo” afectou a realidade do Ensino Superior em Portugal e nos restantes 44 países que entretanto aderiram àquela medida de reorganização dos cursos. No curso que frequentei, por exemplo, as mudanças foram evidentes: além do nome – que passou de “Licenciatura em Comunicação Social” para “Licenciatura em Ciências da Comunicação” –, a introdução das regras de Bolonha fez com que a estrutura curricular sofresse uma redução ainda mais notória da carga horária do que é comum noutros cursos: é que a maioria dos cursos existentes até à reformulação tinha a duração de quatro anos, enquanto o curso de Comunicação Social da Universidade do Minho tinha cinco.
No meu tempo, cada um dos primeiros quatro anos da licenciatura era composto por seis cadeiras anuais, e no quinto ano havia seis disciplinas semestrais e um estágio com a duração de um semestre. Actualmente, existem 12 cadeiras semestrais, ao longo de três anos, mas no final não há qualquer estágio. Ou seja, enquanto eu teria de obter aprovação em 24 cadeiras anuais, seis semestrais e um estágio prático em ambiente laboral, e só assim daria por completa a minha formação de nível superior (que não dei ainda, porque deixei “penduradas” duas semestrais e uma anual, os estudantes do “mesmo” curso têm agora de fazer apenas 36 cadeiras semestrais. Perdoem-me os mais entusiastas do Processo de Bolonha, mas eu acho que a coisa os favoreceu um pedaço! Têm disciplinas com menor carga horária, perdem menos tempo na Universidade (é menos tempo a pagar propinas), e no fim saem do curso sem terem sequer feito um estágio numa qualquer empresa real.
Para cúmulo, se eu quisesse terminar o meu curso neste momento, apesar de lá ter andado mais tempo do que qualquer um dos actuais estudantes, e de ter obtido aprovação a tantas ou mais disciplinas do que alguns deles, provavelmente ainda teria de lá perder uns tempos, visto que as cadeiras que me faltam simplesmente deixaram de estar contempladas no plano de estudos da nova licenciatura. Por outro lado, sei de fonte segura que as empresas preferem contratar licenciados da “velha” guarda, antes de Bolonha, apesar de – há que reconhecê-lo – o novo plano de estudos ter uma maior componente prática e uma orientação mais feliz para as áreas multimédia, cada vez mais importantes no exercício do Jornalismo, da Assessoria de Imprensa, das Relações Públicas e das áreas afins.

E é por isso que ainda não descortinei que valeu a pena saltar da cama, às 8h30 da madrugada de hoje, para rumar à magnífica cidade de Braga e perscrutar as hipóteses de, agora que estou no desemprego, dar continuidade à minha formação universitária e, numa altura em que nem sei se alguma vez voltarei a ser jornalista, concluir a minha licenciatura em Comunicação Social (ou Ciências da Comunicação, whatever...). O tempo dirá.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Onde fica o interesse dos doentes?!

Há algumas semanas fiz uma bateria de análises e exames, no âmbito das já consultas de rotina na sequência da tromboembolia pulmonar que sofri há pouco mais de um ano. Foi-me receitado, entre outras coisas, um medicamento para controlar a taxa de colesterol, que estava bastante elevada. Era um medicamento de marca, e da receita constava a indicação de que o médico não autorizava a troca do fármaco prescrito por um genérico com as mesmas indicações terapêuticas, mas, certamente por esquecimento, a receita não vinha assinada pelo clínico. Talvez por isso, e porque não tinha em stock o medicamento receitado, a farmacêutica que me atendeu optou por me entregar um genérico que, garantiu, tinha precisamente o mesmo princípio activo e as mesmíssimas indicações terapêuticas. Eu, que não estava habituada a ver os farmacêuticos usarem aquela prerrogativa, questionei a senhora sobre os efeitos da troca, ao que ela me respondeu que assim pouparia bastante dinheiro, dado que o genérico custava “menos de metade” do medicamento de marca, apesar de garantir o mesmo efeito e a mesma qualidade.
Nessa altura ainda não estava desempregada e sem qualquer fonte de rendimento, como estou hoje, mas não era, como nunca fui e como não é a maior parte dos portugueses que conheço, uma pessoa que estivesse exageradamente à vontade com o orçamento mensal que me cabia em sorte. E por isso mesmo agradeci a atenção da farmacêutica em questão. Nos últimos dias, na sequência da polémica instalada entre médicos, farmacêuticos e Ministério da Saúde, fiquei a saber que o acto de aparente generosidade daquela técnica poderá afinal implicar a recusa da comparticipação por parte da tutela. De acordo com as notícias mais recentes, a ministra da Saúde anunciou hoje que o Serviço Nacional de Saúde não pagará às farmácias a comparticipação dos fármacos que forem substituídos pelo genérico mais barato sem autorização do médico, recomendação feita pela Associação Nacional de Farmácias aos seus membros. Ana Jorge diz que essa substituição, à revelia do médico prescritor, “é ilegal” e nada tem a ver com a prática que existe nas farmácias hospitalares, que obedece a formulários específicos elaborados por uma equipa multidisciplinar.

As leis mudam-se!
Também neste argumento da ministra entronca a minha indignação. É que há muitas e muitas coisas que são ilegais e que de um momento para o outro deixam de ser, simplesmente porque as leis são alteradas (é esse mesmo o trabalho dos responsáveis políticos, eleitos por nós). Afinal, não deverá o interesse dos doentes ser superior aos interesses dos médicos, que alegadamente nada ganham com a prescrição deste ou daquele medicamento? Não deve o Estado zelar pelos interesses dos cidadãos, acautelando precisamente o seu acesso a bens essenciais, de entre os quais a Saúde será, com toda a certeza, o mais importante? Custará assim tanto mudar uma lei, se essa mudança permitir a todos os doentes deste país, poupar largas dezenas de euros ao fim de um mês? A quem interessa, afinal, que a lei se mantenha, onerando um produto do qual pode, no limite, depender uma vida? Até que ponto pode um médico resolver o montante que pode gastar o seu doente? Será isso ético? Será ético que a ministra da Saúde tome o partido dos que penalizam milhares de doentes, auscultando-se numa ilegalidade que tão facilmente pode ser eliminada? Será, porventura, mais importante que os nossos deputados, eleitos por nós, se concentrem na produção de leis sobre a despenalização do aborto ou o casamento dos homossexuais, em vez de limar as arestas mais cortantes de uma lei que diz respeito a todos, e que impede uns quantos de terem a saúde que merecem? Fica a pergunta, e este meu desabafo…

"Já limpei casas para sobreviver"...

Elsa Raposo, a quem desconheço qualquer contributo pessoal ou profissional para fazer algo de bom por ela ou por qualquer outra pessoa (é conhecida sobretudo por múltiplos affaires inconsequentes), disse numa entrevista recente que já limpou casas para sobreviver, como se limpar casas fosse algo indigno ou vergonhoso! Esta declaração valeu-lhe uma capa de revista em pose pseudo-sensual e uma referência em vários programas de fofocas da nossa TV. Ora, se há coisas que me repugnam, esta é uma delas. Quantas mulheres vivem e sobrevivem de limpar casas de outras pessoas, há anos e anos, sem verem sequer referido o seu esforço diário para sustentar os filhos e conciliar todos os exigentes momentos de uma vida moderna? E quantas dessas mulheres tentam aproveitar-se disso para serem conhecidas e faladas nos media? Quantas delas acharão que vale a pena fazer de tudo para ser capa de revista? Quantas delas foram, pelo menos uma vez na vida, elogiadas por serem quem são, no recato das suas vidas e não na praça pública para onde esta senhora tenta constantemente atirar-se, numa abominável sede de protagonismo que não se justifica em quem nunca fez nada de valoroso na vida?

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A política em todo o seu esplendor!

Ainda a campanha eleitoral para as autárquicas vai no adro e já são mais do que muitas as guerras de cartazes! Depois de a Câmara Municipal do Porto ter ordenado a recolha de vários outdoors da pré-candidatura de Elisa Ferreira àquele município, alegadamente por terem sido colocados em lugares proibidos da cidade, agora foi a vizinha Câmara Municipal de Matosinhos a tentar dar sumiço nos painéis de propaganda de Narciso Miranda. O senhor de Matosinhos, que durante 26 anos liderou os destinos do concelho e que agora quer voltar, tem do seu lado a lei, segundo disse o próprio, hoje de manhã, aos jornalistas que o acompanharam ao local de onde um dos seus outdoors tinha sido atirado ao chão, mas isso de pouco valeu na hora de os funcionários da edilidade matosinhense darem seguimento a ordens que, garantiram, tinham recebido “directamente dos eleitos locais”…

Foto: Carla Teixeira (Arquivo)

Onde é que eles moravam, onde era?

Acabo de ver no noticiário da TVI a notícia de um ataque a tiro a dois jovens de Ermesinde nesta madrugada. Ao que parece, de dentro de um carro em movimento foram disparados tiros que atingiram os dois jovens - um numa mão, o outro numa perna e num pé -, obrigando-os a receber assistência no Hospital de S. João, no Porto. Permanecem desconhecidas as razões deste ataque, e eu, como o resto da malta, não faço puto de ideia de quem eles são nem por que foram atacados, mas arrisco uma piadola inconsequente: o ataque deu-se na Rua 1º de Janeiro...

Ok, eu sei que não tem nada a ver!
Mas não resisti...

Dúvidas quase existenciais…


Por que é que os Hospitais da Universidade de Coimbra convocam os seus pacientes para a realização de exames às oito horas da manhã de uma segunda-feira se o serviço onde esses exames terão de ser realizados só dá início ao atendimento ao público depois das 8h30?

Por que é que os utentes que vão fazendo fila à porta do secretariado do referido serviço – quase todos com idade superior a 60 anos – têm de aguardar no corredor do serviço, de pé? Será esta a “prova de esforço” a que se refere a placa que pende sobre as nossas cabeças?

Por que é que, fruto dessa desinteressante antecipação de horários, uma paciente (e eu estava muito paciente hoje…) que consegue o quarto lugar na lista de espera, depois de uma hora de pé num corredor frio e povoado de doentes com muita vontade de socializar, tem de aguardar a manhã toda para realizar um mero ecocardiograma, depois de os três primeiros doentes terem sido chamados em menos de 15 minutos?

Por que é que só depois de uma hora à espera, e de ter ido a paciente a perguntar o que se passava, é que se dignaram a dar uma explicação (bastante curiosa, a propósito) para a demora em chamar os restantes doentes?

Por que é que num hospital desta envergadura, e onde tudo – mesmo tudo, da qualidade técnica dos médicos à simpatia e boa vontade dos funcionários e à funcionalidade dos serviços – me agradava tanto até ao momento, de repente se dá conta, na manhã do dia 6 de Abril, que perdeu os exames que uma doente realizou no dia 19 de Março, no momento em que a senhora já se encontra na mesa do bloco operatório, obrigando a inviabilizar a utilização do equipamento até que sejam encontrados, na memória do mesmo, os dados daquela paciente? Será que ninguém confirmou se o DVD tinha sido bem gravado antes da intervenção cirúrgica a que a senhora teve de ser submetida?!

Fotos: Carla Teixeira

domingo, 5 de abril de 2009

Já só faltam cinco semanas!

Falta pouco mais de um mês para que os meus manos do coração – Raquel e Rodrigo – façam de mim a tia mais babada do Universo. O Henrique vai nascer no início de Maio, e tem desde já garantido o mesmo amor incondicional que me liga aos pais dele. Parabéns, mana pequenina e cunhado! Vocês vão ser pais dos melhores que há no mundo! O maior desafio das vossas (nossas) vidas está agora a começar. E juntos seremos capazes de fazer do Henrique um cidadão de topo! Beijos para os três!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

terça-feira, 31 de março de 2009

Que táxis bonitos há em Anadia!

Foto: Mente Despenteada

Não são giros? Giros e um bocadinho de nada estranhos…

segunda-feira, 30 de março de 2009

Eleições Autárquicas em Anadia*

PSD/Anadia em bloco ao lado do seu presidente
José Manuel Ribeiro não pondera candidatura
independente à Câmara Municipal de Anadia

A Comissão Política de Secção do PSD de Anadia reiterou hoje, em conferência de imprensa realizada na sede da estrutura, o seu “apoio incondicional” à candidatura de José Manuel Ribeiro à Câmara Municipal nas autárquicas do próximo mês de Outubro, apesar de o nome do deputado e actual vice-presidente do grupo parlamentar social-democrata ter sido chumbado pela Comissão Política Distrital no passado dia 2. Escolhido por unanimidade no seio da CPS/PSD, o nome de José Manuel Ribeiro reuniu a esmagadora maioria (94%) dos votos da respectiva Assembleia de Secção, mas esbarrou na recusa, injustificada, da Distrital laranja. Não obstante, o deputado garantiu ao ANADIA SEM GENTE que não pondera desvincular-se do partido para poder avançar com uma candidatura independente: “Sou uma pessoa de partido”, vincou.

Num comunicado lido aos jornalistas pelo próprio José Manuel Ribeiro, a CPS/PSD de Anadia voltou a dar conta da sua “indignação” perante a actuação “ilegítima” da Distrital, e lavrou um “veemente protesto” contra o “acidente” ocorrido na reunião alargada do PSD de Aveiro, esclarecendo que “não há qualquer fundamento” válido para a recusa do nome proposto por aquela comissão política. “Não se pode recusar uma pessoa porque não se gosta dela, porque não se gosta do percurso político-partidário distrital, porque apoiou ou não certos projectos distritais e/ou nacionais, ou porque se está a cumprir ordens de alguém”, lembrou o presidente da secção, sem querer especificar a que ordens, ou de quem, estaria a referir-se. José Manuel Ribeiro deixou bem claro que “a CPS/PSD de Anadia não se demite do exercício das suas competências, antes faz delas ponto de honra da sua actuação, pois representam, não um qualquer capricho ou birra, mas o exercício livre do direito de participação partidária de um conjunto de pessoas que assumem em pleno o mandato que lhes foi conferido directamente pelos militantes”.
Na óptica dos social-democratas anadienses, quem terá extravasado o âmbito da Lei nº 169/99, que estabelece o Regime Jurídico do Funcionamento dos Órgãos das Autarquias Locais, terá sido a própria Comissão Política Distrital, que sem avançar uma qualquer razão válida para isso, resolveu indeferir a candidatura preconizada pela CPS/PSD de Anadia. Questionado sobre a “desobediência” perpetrada pela própria secção, tendo em conta a indicação deixada pela direcção nacional do partido no sentido de reconduzir como candidatos os autarcas actualmente em funções, se estes assim o desejassem, o deputado explicou que, também nesse aspecto, a realidade é clara: “A direcção nacional do partido entendeu dar o seu apoio aos actuais autarcas sempre que possível, e se estes o desejassem. Ora, no nosso entender, há motivações de várias ordens para que Litério Marques não seja candidato pelo PSD, pelo que não consideramos ter violado a indicação da direcção nacional do partido”, sublinhou José Manuel Ribeiro.
O ANADIA SEM GENTE sabe que a Comissão Política de Secção entregou à Distrital e aos órgãos de cúpula do partido um dossier que explana os factos que, para os apoiantes da candidatura autárquica do presidente da Assembleia Municipal são “suficientes” para dar como inviável a recondução no cargo do actual presidente de câmara. Por uma questão de “transparência, imagem e credibilidade”, o nome de Litério Marques deveria ter merecido a recusa do partido, tanto mais que o nome de José Manuel Ribeiro granjeia expressivo acolhimento junto dos órgãos locais do partido e, mais importante ainda, junto da população anadiense. Num paralelismo com os casos de Isaltino Morais (presidente da Câmara Municipal de Oeiras) e Valentim Loureiro (presidente da Câmara Municipal de Gondomar), a quem o partido retirou apoio por estarem envolvidos em processos judiciais, embora na altura não fossem ainda arguidos, José Manuel Ribeiro considerou que “os órgãos competentes têm noção” dos impedimentos associados ao nome de Litério Marques, mas não quis confirmar se o dossier entregue pela CPS/PSD de Anadia contém documentos que possam apontar o actual autarca como possível arguido em qualquer processo judicial.

“O Carnaval foi há pouco”…
Instado a dizer até onde estará disposto a ir para garantir a aprovação da sua candidatura à Câmara Municipal de Anadia, José Manuel Ribeiro enfatizou que “a comissão política de secção é um órgão colegial, que age em colectivo, por maioria, e não apenas com base na vontade do seu presidente”. Por isso, se a Distrital voltar a recusar a sua candidatura – a CPS/PSD de Anadia voltou a propor o seu nome, na última sexta-feira, pelo que a breve trecho haverá lugar a uma nova votação –, “a comissão política de secção terá de reunir novamente, avaliar a situação e agir em conformidade”. No entanto, o deputado garante que não lhe passa pela cabeça avançar como independente ou dissolver a actual comissão de secção: “Esta situação não pode pôr em causa a continuidade de uma equipa eleita”. No que diz respeito aos resultados da reunião alargada da Distrital que culminou no chumbo do seu nome, José Manuel Ribeiro apontou a preferência bem vincada dos órgãos intervenientes no processo (100% dos votos na CPS/PSD e 94% na Assembleia de Secção, e questionou-se sobre se “terá o nome do candidato de ser aprovado com 120% dos votos”.
O presidente dos social-democratas anadienses está convicto de que na reunião alargada do PSD de Aveiro houve “manobras” para recusar o seu nome, e diz mesmo que sabe quem são as pessoas por detrás desse esquema. “Pode a Distrital mascarar a situação com o voto secreto, mas nós sabemos, e temos plena noção do que foi feito, e a seu tempo divulgaremos essa informação. Estamos à espera de ter mais elementos para concluir e anunciar o que se passou. O Carnaval foi há pouco tempo. Eles podem até mascarar-se de índios”, ironizou José Manuel Ribeiro.

Texto de Carla Teixeira
Fotografia de Ana Jesus Ribeiro
in Anadia sem Gente

sábado, 28 de março de 2009

Aveiro by night...

Fotografia: Mente Despenteada

sexta-feira, 27 de março de 2009

Yoga do riso?!

Chego a casa e ligo a televisão. RTP1. Está a dar, naquele programa apresentado pela Dina Aguiar, um apontamento de reportagem sobre o “yoga do riso”. Pois… Um grupo de velhinhos abana-se e exala umas gargalhadas tão falsas como qualquer nota de mil euros, às ordens de um senhor de cabelos brancos que, pomposamente, se intitula “líder do riso”. A jornalista vai interrompendo a “aula” com umas perguntinhas que nem um menino de quatro anos faria, e pronto, “é divertido”…

Dá para rir, dá. Mas é de pena…

terça-feira, 24 de março de 2009

Um herói dos tempos modernos...

Um bombeiro tailandês vestiu-se na terça-feira de Homem Aranha para conseguir que um rapaz autista de oito anos abandonasse a varanda de um terceiro andar de onde parecia prestes a atirar-se, informou esta terça-feira a polícia. O episódio ocorreu numa escola especial de Banguecoque, onde um professor se deu conta que um dos alunos saíra por uma janela do terceiro piso e não fazia caso dos chamamentos para que saísse dali. A mãe informou a polícia que o filho era um grande entusiasta de super-heróis e pouco depois um bombeiro apareceu vestido de Homem Aranha na tentativa de resgatar a criança. «Parece incrível, mas o menino lançou-se-lhe nos braços assim que o viu», relatou o sargento Virat Boonsadao, explicando que o bombeiro guardava o fato de Homem Aranha no seu cacifo e utilizava-o para amenizar os intervalos dos ensaios anti-incêndios.

in Portugal Diário

Quem está a ser teimoso, afinal?

Não percebo muito bem por que razão tem o PS de contar com o entendimento (leia-se aval) do PSD para a nomeação do substituto de Nascimento Rodrigues no cargo de provedor de Justiça. Bem sei da obrigatoriedade dos dois terços, mas acho que não faz sentido que um governo de maioria absoluta tenha de depender de um partido minoritário para nomear quem quer que seja para um cargo. Mas o que ainda me custa mais a perceber é o motivo de tanto alarido social-democrata quanto ao facto de o PS insistir no nome de Jorge Miranda, quando os últimos cinco provedores de Justiça, escolhidos desde 1990, foram indicados pelo PSD…

Para que conste:

1975 – Manuel Brás, encarregou-se da instalação da Provedoria;
1976 – José Maria Magalhães Godinho, indicado pelo PS;
1981 – Eudoro Pamplona Côrte-Real, indicado pela AD;
1985 – Ângelo Vidal Ribeiro, indicado pelo PS;
1990 – Mário Ferreira Raposo, indicado pelo PSD;
1992 – Menéres Sampaio Pimentel, indicado pelo PSD;
1997 – Menéres Sampaio Pimentel, indicado pelo PSD;
2000 – Henrique Nascimento Rodrigues, indicado pelo PSD;
2004 – Henrique Nascimento Rodrigues, indicado pelo PSD.

Saliente-se que o socialista António Guterres foi o único primeiro-ministro a nomear um provedor de Justiça que não subscrevia a sua orientação política. Na verdade, dois. Curiosamente, o provedor que ainda se mantém em funções, bem como o seu antecessor, no seu segundo mandato. Está fácil de ver, portanto, quem tem a razão neste diferendo entre o PS de José Sócrates e o PSD de Manuela Ferreira Leite, embora, na minha opinião, pouco importe o partido de que é militante o senhor que venha a ser escolhido.

domingo, 22 de março de 2009

Manuela Ferreira Leite na Curia

Arrancou na passada sexta-feira e terminou há poucas horas, no Grande Hotel da Curia, aqui ao lado, a terceira edição da Universidade da Europa, uma iniciativa dinamizada pelo PSD, pelo seu grupo de eurodeputados e pela Juventude Social-Democrata que funciona como acção de formação destinada aos jovens quadros do partido laranja, e em que marcaram presença importantes figuras do partido, como Carlos Coelho (deputado europeu), Silva Peneda e Duarte Freitas (deputados nacionais), Pedro Rodrigues (presidente da JSD), João de Deus Pinheiro (vice-presidente do PPE), Ignacio Salafranca (deputado e coordenador do PPE na Comissão dos Assuntos Externos), e Manuela Ferreira Leite, que encerrou o encontro. Rubricando um discurso bastante previsível, pelo menos na tónica acusadora, a líder do PSD não foi parca nas críticas a José Sócrates e ao seu governo, que acusou de ser perdulário no que às contas da União Europeia diz respeito.
Na opinião de Manuela Ferreira Leite, foi “por incompetência” que o executivo socialista “não aproveitou os recursos e a solidariedade europeia”. Essa incompetência, acrescentou, terá sido perceptível em todos os sectores de actividade nacionais, mas atingiu com particular violência a Agricultura, que conta “milhares de agricultores, de norte a sul do país, privados de recursos a que tinham direito”. A tão propalada crise económica foi outro dos temas abordados pela líder laranja no encerramento do encontro na Curia, quando mostrou não acreditar que é agora, depois de ao longo de três anos de governação, ter demonstrado uma completa “ausência de visão clara sobre o que é estratégico para Portugal”, que o Governo vai ter essa capacidade. Parece assente, na ideia da líder do PSD, que com José Sócrates ao leme, Portugal está condenado ao naufrágio económico. Ainda em tom crítico, Manuela Ferreira Leite falou do problemático processo de escolha do nome que há-de suceder a Nascimento Rodrigues no cargo de provedor de Justiça, para dizer que os socialistas “nunca responderam” à sugestão do PSD: “Uma falta de respeito”, vincou.
“Sensata” e “construtiva” foi como a presidente social-democrata considerou a proposta de Paulo Portas, no sentido de que o processo seja retomado do seu ponto zero, defendendo a intervenção do presidente da Assembleia da República, Jaime Gama. “O que há, neste processo, é uma actuação verdadeiramente inconcebível por parte do PS. Ter tornado públicos os nomes das pessoas, o não aceitar a proposta feita pelo PSD há muitos meses, em relação à qual nem se dignou responder, e colocar as pessoas indigitadas numa posição desagradável é uma falta de respeito pela instituição da Provedoria de Justiça verdadeiramente inaceitável”, disparou, considerando ainda que Jorge Miranda (proposto pelo PS) é “um nome muito respeitável”, mas contrapondo que também merece o mesmo respeito o sugerido pelos social-democratas.
Nos dias que antecederam a realização desta terceira edição da Universidade da Europa, circulou por todo o concelho de Anadia o boato de que os militantes locais pretendiam surpreender a presidente do partido. A “espera” teria como objectivo, segundo o Mente Despenteada conseguiu apurar, fazer pressão sobre Ferreira Leite, no sentido de a convencer de que o candidato desejável à câmara local será José Manuel Ribeiro, líder da concelhia, e não Litério Marques, o actual autarca, que já mostrou vontade de se recandidatar. Dizia-se que os militantes afectos ao líder da concelhia receberiam a sua líder junto ao Grande Hotel, empunhando cartazes e faixas, capitalizando a esperada presença de jornalistas no local. É verdade que não estava junto ao hotel no nomento em que Manuela Ferreira Leite chegou, mas não dei por qualquer manifestação, e também não houve quem me falasse disso…

sábado, 21 de março de 2009

Um mini-santuário no meio da rua...


Fotos: Mente Despenteada

Numa das ruas da pacata localidade de Mogofores – freguesia do concelho de Anadia onde, por estes dias, passo grande parte do meu tempo –, há um monumento religioso em plena faixa de rodagem. O dito monumento, paredes meias com o Colégio Salesiano de S. João Bosco, onde D. Ximenes Belo, bispo de Timor, passa grandes temporadas, ocupa toda a faixa descendente da Rua Visconde de Seabra, obrigando os automóveis a manobras pouco católicas…

sexta-feira, 20 de março de 2009

O princípio do fim... aos 27!

Se algum dos meus despenteados amigos é daqueles que acreditam que começaram a ficar velhos no dia em que completaram uma determinada idade, ou quando detectaram o primeiro cabelo branco, as entradas mais largas e as articulações mais presas e dolorosas, quando precisaram de usar óculos ou quando começaram a gostar de telenovelas e de sacos de água quente à noite, desenganem-se! A velhice chega bem antes disso! Segundo uma equipa de investigadores da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, a esmagadora maioria das pessoas que conheço faz já parte do fantástico grupo a que a sociedade convencionou chamar idosos. É que, de acordo com os resultados de um estudo agora divulgado, a velhice começa aos 27 anos (?!), porque é nessa idade que as nossas capacidades mentais começam a definhar, exactamente cinco anos depois de terem estado no seu ponto mais elevado de habilidade cognitiva. Timothy Salthouse, responsável por esta investigação, afirmou que os resultados agora divulgados permitem constatar que os tratamentos desenvolvidos para controlar o envelhecimento mental devem ser iniciados muito antes de os sinais de esgotamento começarem a ser visíveis. “O declínio da capacidade cognitiva começa entre os 20 e os 30 anos, mesmo em pessoas saudáveis”, declarou o investigador. Recordo que foi nessa idade que Kurt Cobain, Janis Joplin, Jim Morrison e Jimmy Hendrix morreram. Afinal, já morreram velhos…

quinta-feira, 19 de março de 2009

Do Portugal real: a porca Joana!

Dorme no sofá da sala, só come comida cozinhada, adora um docinho e toma um banho por dia. Estas são apenas algumas das particularidades da “Joana” - uma porca com 10 meses de idade e 200 quilos de peso que o casal Ortélia Seco e Alberto Marta, da Moita, acolheu em casa, com apenas um dia de vida, já lá vai quase um ano. O insólito caso passa-se na Moita, no concelho de Anadia e deixa todos boquiabertos. É que a “Joana”, na sua cuidada higiene “animal”, usa ainda creme Nivea e toalhetes de WC. De porca, pode dizer-se, não tem nada, a não ser a espécie. A limpeza é uma constante e imagine-se, necessidades fisiológicas só são feitas no quintal da casa, ficando igualmente melindrada quando alguém lhe chama “porca”. Logo se levanta e corre até ao logradouro da casa onde, numa enorme tina em inox, lava o focinho, sendo este também o local onde toma o banho diário.
Acolhida (devido à morte da progenitora) com apenas um dia de vida, foi criada a biberão, com todos os cuidados de que um recém-nascido necessita. “Cabia no bolso de um casaco, pois era muito pequenina e branquinha. Pusemo-la a dormir num escabelo da lenha, na sala e fomos tratando dela com todo o cuidado”, recorda Ortélia Seco, reconhecendo que é um animal muito inteligente e caprichoso. “Dá pelo nome e conhece todas as pessoas da casa”, revela, admitindo que graças à sua personalidade (meiga, calma e sossegada) rapidamente ganha o afecto de todos, sobretudo dos mais pequenos. Comer, dormir e brincar com três dos cachorros da casa preenchem o seu dia-a-dia e nem os gatos escapam à diversão. Gulosa desde pequena, também não lhe foi difícil aprender a procurar lambarices em armários e no frigorífico, hoje fechados a sete chaves, por causa da atrevida “Joana”. Para o casal que negoceia em gado (suínos, caprinos e bovinos) a venda ou abate da “Joana” está fora de questão. “Faz parte da família e, por isso, aqui vai ficar até morrer de morte natural”, remata Ortélia Seco.

Catarina Cerca, in «Jornal da Bairrada»
27 de Fevereiro de 2009

Feliz dia, pai!

quarta-feira, 18 de março de 2009

Patriotismo?


Foto: Mente Despenteada

segunda-feira, 16 de março de 2009

Pronúncia social-democrata...

Depois de a presidente (líder é outra coisa!) do PSD, Manuela Ferreira Leite, ter descoberto as “piquenas e médias empresas”, surge agora o arauto da verdade e vencedor incontestado de todos os campeonatos de leitura de 300 calhamaços por semana, Marcelo Rebelo de Sousa, anunciando a descoberta de um cargo ministerial até aqui desconhecido: o “ministro do Emprego”…

domingo, 15 de março de 2009

Há coisas que me irritam...

- Pessoas que não sabem falar a sua própria língua, e que não são capazes de escrever uma frase sem um erro ou, como costuma dizer um amigo meu, contar até 12 sem descalçar os sapatos;

- Pessoas que criticam tudo e todos, esquecendo os seus próprios telhados de vidro, como se fossem os únicos seres perfeitos deste mundo, e todos os outros um monte de bosta que não merece viver;

- Pessoas que saem à rua sem nada para fazer e que vagueiam em busca de quem lhes dê dois dedos de conversa (acreditem que há pessoas assim, e que por muito que entenda que tentam combater a solidão, chateia-me ver o modo desesperado como tentam captar a atenção de quem passa);

- Pessoas que tocam à campainha do primeiro andar quando efectivamente querem falar com quem mora no rés-do-chão, que não abre a porta porque não está para as aturar;

- Pessoas que chegam sistematicamente atrasadas aos seus encontros;

- Pessoas que, ao encontrar alguém conhecido, têm como primeira frase, após o cumprimento, um implacável “estás mais gordo”, “estás mais magro” ou “essa roupa não te favorece”, que valem tanto como o “come antes uma peça de fruta, que te faz melhor”…

- Pessoas com a mania de impor aos outros o seu estilo de vida, vangloriando-se a todo o momento do que já conseguiram por serem como são e não outra coisa qualquer;

- Pessoas cujos temas de conversa favoritos são as doenças de que padecem, as idas ao médico, os gatos e as viagens de autocarro;

- Pessoas que abusam notoriamente da bebida, e que depois incomodam os outros nos cafés, nas salas de espera dos consultórios, nas ruas e em qualquer espaço público;

- Arrumadores a quem não damos a “moedinha” (no meu caso são todos os arrumadores), e que se afastam a resmungar ou respondem “obrigado na mesma”;

- Vendedores de castanhas que tentam enganar-nos no troco de uma nota de 20 euros;

and so on, and so on…
Desculpem, mas tinha mesmo de desabafar!

sábado, 14 de março de 2009