sexta-feira, 13 de março de 2009

O que é o rim assinalado?

Título de uma notícia de ontem no site da Rádio Voz de Santo Tirso

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Vender religião de porta em porta...

Passava pouco das 11 horas desta bela e muito cinzenta manhã de sábado. Tocaram à campainha e, por ter o intercomunicador avariado, sem hipótese de antecipadamente saber quem era, a minha mãe abriu a porta e foi ver quem lá vinha. Era uma senhora, “testemunha de Jeová”, disposta a questionar quem quisesse dar-lhe tempo de antena (e a minha mãe não quis) acerca das causas de todos os males do mundo, apontando às almas perdidas o caminho para o “encontro com Deus”. Se nestas coisas eu sou pouco paciente, mas diplomática, a minha mãe é bem mais decidida, e menos de meio minuto depois, já a mulher descia as escadas, convencida de que daqui não levava novos fiéis. A inoportuna visita lembrou-me um diálogo deveras participado que, numa bela tarde de Verão do ano passado, opôs alguns camaradas de redacção, em virtude de um desses camaradas andar, também ele no âmbito do seu credo, a “espalhar a mensagem divina” por portas alheias. Sempre disse, ao meu amigo e a todas essas pessoas que já cá vieram bater-nos à porta, que estou convencida de que a religião não é vendável. Não é por virem cá com revistas e palavras doces que me convencem da existência ou da supremacia do deus deles sobre os outros deuses, de tantas outras pessoas. Acho até que pouca coisa é passível de ser vendida a quem não está interessado em comprá-la, mesmo que venha “embrulhada” nas palavras do mais fantástico especialista de marketing.
Lembro-me, por exemplo, que uma das tarefas que tive de desempenhar recentemente, a título profissional, foi a de “vender” conferências de interesse duvidoso a jornalistas pouco empenhados na sua divulgação, ou em qualquer outra coisa (que o empenho é bem escasso na economia real dos dias que passam). E se acreditar num determinado produto é meio caminho andado para estabelecer alguma empatia com o interlocutor, a verdade é que, muitas das vezes, nem eu acreditava no interesse dos assuntos que tentava vender, o que, só por si, justificava o meu entendimento de que aquelas pessoas também tinham legitimidade para não querer algo que até eu achava pouco interessante. Já na área religiosa a coisa é um pouco diferente. O meu amigo que vai de porta em porta tentando vender a sua crença argumentava que muitas pessoas só têm acesso à “mensagem de Deus” se alguém for lá a casa levá-la. “São acamados, pessoas sozinhas”, dizia. E eu prontamente argumentava: “Mas isso não constitui um aproveitamento malicioso da sua solidão, e da consequente maior disponibilidade e abertura para o diálogo com estranhos?”. Ele garantia que não, e dava até o exemplo do avô, assim convertido (por ter estado acamado durante anos e a visita das “testemunhas” ser a única forma de contacto com o mundo exterior durante alguns anos). Discordo dessa técnica de vendas. Acho até que as religiões que assim procedem configuram uma espécie de agentes da Clix e do Citibank (embora esses só façam visitas telefónicas e em centros comerciais, pelo menos para já). São as ditas vendas agressivas! Oferecem um prémio – no caso das “testemunhas” são aquelas revistas manhosas que falam dos “graves problemas da masturbação” (sim, isto foi-me dito, ipsis verbis, por uma dessas visitantes há uns anos) –, mas em troca impõe-nos que os ouçamos durante largos minutos, tentando convencer-nos a comprar, não um colchão livre de ácaros, com as almofadas anatómicas de oferta, não uma semana por ano em timesharing no Algarve, mas uma religião que não pedimos, e que até aí nunca nos fez falta, e que ainda por cima exige que, no futuro, sejamos como eles: ratos de reuniões e incómodos praticantes do fastidioso porta-a-porta. Não há pachorra para estes vendedores da moderna banha da cobra. Não há quem crie uma lei que proíba isto? Ou pelo menos um autocolante como aqueles da “publicidade não endereçada aqui não”…

Apesar de surgir na imprensa com as duas grafias, optei pelo "Jeová", em vez de "Geová", em atenção ao comentário do leitor Dylan, que prontamente agradeço.

"Nem com 40 de febre"...

“Faltar à cimeira europeia nem com 40 de febre”. Disse, de José Sócrates (que se fará representar no evento pelo ministro das Finanças, para poder encerrar o Congresso do PS), a mulher que, em Maio de 2008, cancelou a última – a última – acção de campanha eleitoral para ir a Londres visitar o neto…

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Quando o jornalista também é notícia…

Quem me conhece sabe que repudio o exercício do Jornalismo daquela forma que tende a misturar o repórter com o acontecimento, como se ele próprio fosse também notícia, ou parte dela. No entanto, quando o assunto em cima da mesa é o próprio Jornalismo, com as suas vicissitudes e idiossincrasias, não haverá ninguém melhor do que os jornalistas para explicar a alma do mister, o que nos empurra, dia após dia, para uma das profissões mais maltratadas e mal entendidas do mundo, sempre com um sorriso nos lábios, e o que faz com que, como diz o camarada Orlando Castro, não sejamos jornalistas seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregados. Foi por esta razão que acedi, por sentir que era esse o meu dever, aos pedidos de duas estudantes da Licenciatura e do Mestrado em Ciências da Comunicação da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro que, no espaço de poucos dias, me contactaram a solicitar o meu contributo para trabalhos académicos que estavam a desenvolver.
A Cristina Barbosa, que não tenho o prazer de conhecer pessoalmente mas que me contactou por intermédio da Elsa Santos, uma amiga comum, lançou-me apenas – e já não foi pouco – o desafio de definir o que é ser jornalista. Enviei-lhe um texto que serviu de base à minha intervenção numa conferência promovida pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Comunicação da Universidade do Porto em Maio de 2007, que já aqui publiquei, que versava justamente essa temática e que, creio, lhe terá sido útil. Um pouco mais longe foi a Joana Vieira, que conheci no jornal «O Primeiro de Janeiro», onde ela fez o estágio da sua licenciatura há alguns meses. Justamente sobre o que é ser jornalista, mas também sobre os constrangimentos, as dificuldades e as alegrias da profissão, bem como sobre o presente e o futuro do Jornalismo em Portugal, a Joaninha pediu-me uma entrevista. Um pedido que muito me orgulhou, e ao qual dei imediatamente resposta positiva. Hoje tomei conhecimento do resultado do trabalho de edição da Joana, que aqui partilho convosco. À minha estagiária preferida (não tive muitas, mas a Joana deixou de facto muito boas recordações, pela sinceridade, pelo sorriso, pelo idealismo, pelo companheirismo e pela sede de aprender), o meu vaidoso agradecimento e os votos de que o futuro lhe traga o sucesso e o reconhecimento que merece.

Deixo-vos o link para o Pular a Cerca, o blog da Joana onde consta a versão integral da entrevista.

Que seria de Manuel Alegre sem o tabu?

A poucas horas do arranque do XVI Congresso Nacional do PS, marcado para as 19h30 na Nave Polivalente de Espinho, o recorrente e pouco interessante tabu de Manuel Alegre (se vai ou não estar presente no conclave) é o assunto que domina os noticiários. Não sou militante do PS ou de qualquer outro partido, mas acompanho com interesse a vida política do país, e tenho a convicção de que isso é coisa que pouco importa a quem, por algum motivo, vive ou aprecia a política. Aliás, desde que foi vencido por José Sócrates na corrida ao cargo de secretário-geral e que depois apresentou uma candidatura independente à Presidência da República, de que saiu igualmente derrotado, e dos consequentes laivos de autonomia e diferença que vem assumindo, sem no entanto se desvincular do partido que toda a vida o promoveu e o fez chegar onde está hoje, Manuel Alegre perdeu toda a credibilidade para se dizer socialista. Apesar de deixar bem claro (demasiadas vezes) que não se revê na actual liderança e na actual linha programática do PS, não descola do partido, e teima em manter, de cada vez que o PS vive um momento especial, um novo tabu (sem isso, quem falaria dele?). Neste congresso não poderia, obviamente, ser diferente. O que me chateia é que a Comunicação Social não tenha rasgo para ir mais longe do que isso, e continue a alimentar os devaneios de um dissidente que não tem coragem de desertar de uma vez por todas, e que vai desertando aos poucos, apostado em minar a imagem do actual líder e castrando a visão de unidade que existe em torno de José Sócrates. Manuel Alegre já não é socialista. Colado às esquerdas caviar para somar pontos e se manter visível aos olhos de um eleitorado que nem sabe quem ele é, reiteradamente cospe no prato em que comeu e demonstra claramente o seu mau perder. Até agora, e como se isso interessasse a alguém, Manuel Alegre tem alimentado o tabu da sua presença ou não no congresso de Espinho, recusando-se a fazer declarações sobre o assunto. Estou convencida de que isso só é tabu para ele, porque eu acho que ele não vai (o congresso é-lhe maioritariamente hostil, e se lá fosse teria de continuar a desancar no secretário-geral que há dias foi reeleito com mais de 96 por cento dos votos, o que, em ano de três actos eleitorais, não seria sequer inteligente), e também acho que isso pouco interessa aos que lá estarão ou, menos ainda, a qualquer um de nós. Manuel Alegre não existe sem o tabu, e é por isso que tenta manter acesa uma chama que já não queima, e que apenas os jornalistas com pouco para escrever ainda alimentam…

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Atentado(s) na Mata Nacional do Choupal

A definição do traçado do IC2 para a zona de Coimbra, que prevê a construção de uma ponte sobre o Mondego e de um viaduto sobre a Mata Nacional do Choupal, está a ser amplamente contestada por um grupo de cidadãos – a Plataforma do Choupal –, que classifica aquele projecto rodoviário como “um atentado ao património”. Em causa poderá estar, segundo o movimento cívico, a subsistência de uma mancha verde de aproximadamente 80 hectares, que bordeja o Mondego ao longo de cerca de dois quilómetros, e a que muitos conimbricenses recorrem actualmente para melhorar a sua forma física, caminhando, correndo ou andando de bicicleta. Criada em 1791, com o objectivo de quebrar a impetuosidade das cheias e travar o assoreamento do rio, a Mata Nacional do Choupal cresceu muito desde essa altura, e hoje são muitas as espécies que ali se desenvolvem. O protesto da plataforma de cidadãos faz sentido, se de facto se revelar incompatível a construção das infra-estruturas anunciadas para o local, mas a verdade é que a Mata Nacional do Choupal está bem longe de ser um espaço bem tratado. As imagens que aqui vos deixo divulgam a parte boa da Mata do Choupal, mas também a parte menos boa. É que o estado “selvagem” do parque só seria positivo, se ele fosse selvagem no bom sentido, espelhando a força da Natureza liberta da acção humana. No entanto, para quem, como eu, esperava ali encontrar algo do género do Parque da Cidade do Porto, o que vi deixou-me consternada: águas paradas, lamas e pântanos não são realidades consentâneas com um espaço que deveria ser de verde e lazer. Sim, porque verde não falta! Vejam a última fotografia, obtida a partir de uma pequena ponte de madeira em que nos debruçámos sobre o que antes era água e hoje parece um manto de cimento, verdete e mau cheiro. No Choupal o atentado é outro…

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Excêntricos todos os dias

A excentricidade está na moda, e há quem faça de tudo – qualquer coisa mesmo – para ser anormal. Os anúncios publicitários garantem que o Euromilhões está “a criar excêntricos todos os dias", mas eu acho que já não é preciso acertar numa chave para atingir o clímax da excentricidade, que não raras vezes surge aliado ao cúmulo da alarvidade. Há quem venda a mãe, o pai e um dedo da mão direita só para ser diferente, e com isso mais extravagante. Dou-vos um exemplo! Já algum dos meus despenteados amigos ouviu falar num tal de Dávid, ou num Cárdoso, que jogam no Benfica? Conheço uns senhores com nomes algo parecidos com esses: David e Cardoso, mas depois de o José Rodrigues dos Santos querer ser mais inglês que os ingleses, emprestando aquele sotaque quase australiano às palavras, o fulano da Rádio Renascença que ontem comentou o jogo de futebol que opôs Benfica e Sporting queria, à força toda, atirar para dentro do relvado um Dávid e um Cárdoso. Já por diversas vezes me vi forçada a tirar o som à televisão enquanto via determinados jogos de futebol, mas na rádio, convenhamos, tirar o som não dá jeito nenhum…

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Fica uma espécie de vazio...

Passar a um colega – ou a vários colegas – dossiers que nasceram connosco, que saíram da nossa veia e do nosso coração, nos quais depositamos o melhor da nossa escassa sabedoria, é como deixar fugir um filho. Fica uma espécie de vazio, e a vontade de gritar “ei, isso é meu, fui eu que fiz isso”. E fui. Porque muitas vezes fui além do que me pediam, criei mais do que era suposto inicialmente, e agora, na hora da despedida, vejo partir esses meus filhos, sem meios ou legitimidade para os segurar. Hoje ligo o computador e vejo circular por aí, anonimamente, muitos e muitos textos que produzi, e alguns projectos que considero muito interessantes. Serão consultados por muita gente. Lidos, assimilados ou criticados por muita gente. E essa é a beleza da coisa! Mas porque ponho sempre muito de mim em tudo o que faço, fica a expectativa: que virá a seguir? Quem dará continuidade ao que iniciei? E será exequível continuar algo que, em alguns casos, ficou tão marcado por um estilo que é só meu? Como uma mãe que vê sair de casa um filho, continuarei atenta ao percurso de tudo o que fiz nascer, desejando sempre, obviamente, o maior sucesso possível a todos os projectos, e mantendo aquela pontinha de saudade característica de todas as mães que estão longe das suas crias. Mas como diz o outro, vou andar por aí, cruzando-me insistentemente com os filhos que deixei fugir da minha mão. É deixá-los aprender a estar sem mim. Embora fique uma espécie de vazio cá dentro…

Back in business (ou então não)...

Estou de volta ao mercado de trabalho. Ou melhor, estou de volta ao mercado dos que procuram um novo emprego. Em tempos particularmente atribulados no que a novas colocações profissionais diz respeito, e ainda por cima de forma “voluntária” – por razões pessoais pedi há poucos dias demissão da empresa onde trabalhava desde Agosto, na sequência do impressionante despedimento colectivo e ilegal de que fui vítima no jornal «O Primeiro de Janeiro» – estou desempregada. Saí sem ter nada em vista, e talvez demore um pouco a concretizar qualquer nova ligação, optando por uma decisão que em tempos critiquei a outros amigos, que deixaram as empresas em que trabalhavam sem terem garantias de que estariam empregados e a receber salários no futuro próximo, e sem direito a qualquer subsídio por estarem desempregados. Eis-me agora, também eu, nessa situação. Muitos diriam que o futuro a Deus pertence. Talvez tenham a sua razão. Porém, eu acho que tenho de dar uma ajuda, e por isso estou a começar a fazer pela vida. No Jornalismo (onde insistentemente me dizem que está o meu futuro), ou fora dele, a fazer qualquer outra coisa que me dê satisfação e me torne útil à sociedade, estou novamente no mercado. Só espero que não demore muito…

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Nota de culpa e constrangimento...

Sinto que vos abandonei. Que tenho andado por aí – qual ovelha tresmalhada –, sem tempo para ter tempo de estar convosco, ou sequer de vir aqui deixar-vos as minhas tão intensas, apaixonantes e tantas vezes fúteis emoções quotidianas. Sinto que os dias têm sido curtos – demasiado curtos – para a confraternização a que já estávamos habituados, e para recuperar o tempo, e as distâncias, que nos separam, a mim de todos vós. Sobretudo, sinto a vossa falta! Não que não haja saudades. Mas tenho andado calada, taciturna até, às vezes sozinha na multidão, metida dentro de mim. E o tempo de ter tempo, esse…

Não tenho tido tempo de estar com dois dos meus melhores amigos, grávidos e felizes. Como queria dividir com eles a emoção da barriga que cresce, as dúvidas, os anseios e os medos que os assaltam, os saberes que se colecciona nestas alturas, as gargalhadas partilhadas tantas e tantas vezes naquele tempo em que ela e ele ainda não eram eles, e ela e ele eram dois e ainda não eram três! E como queria conjugar os meus tempos para ter tempo de viver a inveja que tenho deles, por trazerem ao mundo, a breve trecho, o meu sobrinho Henrique!

Não tive tempo de estar com dois outros grandes amigos quando a Maria vinha a caminho, e depois dela já nasceu a Sara, e depois também o Miguel, que ainda nem conheço, nem com outros dois, que sofreram tanto para ver chegar a Mafaldinha, que só conheci, por acaso, num corredor de um centro comercial quando ela já tinha dois anos. Portei-me mal. A ausência de um amigo é crime sem perdão, mas ainda assim sinto que eles me perdoam, porque sabem que a verdadeira amizade suporta as ausências e supera as distâncias.

Não tenho tido tempo para trocar duas palavras que seja com alguns amigos que vou encontrando, e essa solidão que me imponho – perdoem-me! – não sei explicar. O acaso fez com que por estes dias encontrasse uma amiga de uma amiga que não vejo há muito tempo. E como tenho saudades dela! E há tantas e tantas pessoas de quem sinto falta, e a quem, mesmo assim, não tenho tido tempo, nem coragem ou iniciativa de telefonar, de saber por onde andam. Guardo as saudades dentro de mim, e se me ligam tudo se ilumina no meu coração. Mas não sou capaz de lhes ligar, de ir ao seu encontro ou de perguntar onde estão.

Tornei-me mais só. Premeditada e conscientemente. Não me dou como antes às emoções, e com isso perco o tempo de ter tempo para os meus amigos. Penso neles. Tanto. Não há dia em que não pense na Raquel e no Rodrigo, na Marlene e no Pintas, na Graça e no Jorge, na Lídia e no Carlos, na Judite, na Liliana, na Sofia, na Luísa, no David, na Isabel, no Orlando e no Pedro, que há dias perderam o emprego de forma quase tão inglória como o despedimento de que fui também alvo, juntamente com mais de 30 camaradas… e tenho saudades de todos (bem, de quase todos) aqueles com quem partilhei momentos importantes da minha vida. Mas tornei-me mais solitária. Não mais infeliz, não mais preocupada, não mais sozinha no fundo. Tenho o amor da minha vida e tenho a minha família. Tenho os meus amigos, assim mesmo, na distância, mas também no quentinho do meu coração. Só que não tenho tido tempo para sair de mim e ir mais longe. Desculpem-me por isso. É o egoísmo a que tenho direito e que nunca tinha usado. Qualquer dia voltamos a falar. Combinado?

Love you all.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Hoje é o meu dia!

Porque em determinadas áreas da minha vida, a sensação que tenho é a de que tenho andado a saltar de sexta-feira 13 em sexta-feira 13...




Aos azarados de todo o mundo o meu caloroso abraço! Com a certeza de que piores dias virão!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Digam o que quiserem, mas...

Este é o meu guarda-chuva novo! É tão giro, não é?

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Dúvida existencial...

Por que é que os condutores de domingo também conduzem às quartas-feiras?

domingo, 25 de janeiro de 2009

Ser jornalista...

Iniciei a minha carreira no Jornalismo no dia 1 de Março de 1999 no «Jornal de Notícias». Por lá me mantive até 2001, e exactamente na data em que tinha entrado para o JN dei entrada nos quadros de «O Primeiro de Janeiro». Pelo meio, sempre em acumulação de empregos, colaborei com um site, uma revista e vários jornais locais, tendo sido chefe de redacção de dois quinzenários. Foi uma curta, mas muito enriquecedora carreira (ainda que não no sentido financeiro do termo), e por qualquer dos lugares por onde passei tive o prazer de fazer amigos e inimigos (sim, que só os desinteressantes conseguem a proeza de serem consensuais, e essa não era a minha prioridade), e de aprender muito, muito, muito. Mas também pude ensinar algumas coisas aos mais novos, e a alguns mais velhos que comigo se cruzaram nestes cerca de 10 anos. Por duas vezes fui convidada a falar publicamente sobre o Jornalismo e sobre o que é ser jornalista.
A primeira vez aconteceu no concelho de Ovar, numa escolinha de meninos muito pequeninos, e foi uma experiência deliciosa. Comigo estavam outros colegas, de vários órgãos de informação nacionais e locais, e as crianças fizeram imensas perguntas. Quiseram saber se íamos para cenários de guerras, se no exercício da nossa profissão já tínhamos sentido medo, se ganhávamos muito dinheiro… Outro desafio interessante teve lugar em Maio de 2007. A convite da Faculdade de Psicologia e Ciências da Comunicação da Universidade do Porto, integrei um painel de oradores que procurou responder às questões de adolescentes que, chamados a escolher o seu futuro académico e/ou profissional, ainda tinham dúvidas sobre aquela que seria a escolha mais acertada. Havia quem quisesse ser professor, jornalista, médico, arquitecto, monitor de equitação, designer, etc., etc., etc..
Meses depois de ter sido vítima de um despedimento colectivo ilegal, com salários em atraso e muita coisa errada ainda por explicar, e tendo tido conhecimento, há poucos dias, de que camaradas de várias redacções da cidade do Porto, alguns meus conhecidos, outros nem por isso, seguiram também pelo caminho da rua (tirando os salários em atraso, que felizmente acho que estes não tinham), dei comigo a pensar nestas duas experiências que tive e no que disse às crianças e aos jovens que me interpelaram sobre o que é ser jornalista. Não me pesa a consciência. Fui clara e muito sincera com eles, como faço sempre questão de ser, com todos os que cruzam o meu caminho, e até comigo. Mas não lhes disse – não assim, claramente – que a profissão de jornalista está a atingir o seu ocaso, a desaparecer. Que os bons, os que sabem quanto vale o seu trabalho, e que conhecem o peso e o impacto do que escrevem, estão a ser atirados borda fora, trocados por outros que, levando menos dinheiro, produzem menos páginas, que casam com anúncios, de modo a que o produto final, apesar de mais pobre, gerar mais receitas com menos despesas. O Jornalismo está a morrer. E isso é profundamente lamentável.

Deixo-vos, por isso, a mensagem que transmiti aos meninos que no dia 18 de Maio de 2007 tiveram a paciência de me ouvir, e inquirir, e a todos os camaradas despedidos de «O Primeiro de Janeiro» e de cada uma das várias redacções do Grupo Controlinveste um enorme abraço, de muita força. A todas as pessoas que, pelas mais diversas formas, nos expressaram (a mim e a eles) a sua solidariedade, os votos sinceros de muito sucesso pessoal e profissional neste novo ano. Cá vai disto!


O que é ser jornalista
Um jornalista meu amigo costuma dizer que “não se jornalista sete ou oito horas por dia, a uns tantos contos por mês. É-se jornalista 24 horas por dia, mesmo quando se está desempregado”. Na verdade, um jornalista tem de estar atento ao que acontece à sua volta, e sabe que a qualquer momento pode perder uma folga, se acontecer alguma coisa importante. Na opinião de muitas pessoas, ser jornalista é ser uma pessoa muito culta, que lê muito, que conhece várias línguas, que viaja muito, que sabe falar sobre tudo e com toda a gente, que aparece muitas vezes na televisão, que conhece pessoas famosas e que se torna também uma pessoa famosa… Não é bem assim, e ser jornalista não é uma profissão tão “chique” como muitas pessoas pensam. É uma profissão que exige seriedade, muito rigor, humanismo, tolerância e ética, e sem isso não faz sentido. O jornalista deve dizer sempre a verdade. Nem sempre é o que escreve melhor, em Português correcto (embora na minha opinião isso seja muito importante), mas é o que está sempre atento aos acontecimentos e sabe tirar deles o que é importante para as pessoas a quem transmite a informação que recolhe.
A missão do jornalista consiste em fazer um retrato compreensível da realidade, para o transmitir aos que estão fora dessa realidade de modo a que eles possam saber o que se passou e as implicações disso no futuro. Fazem-no através da redacção de notícias, preparam reportagens e entrevistas, captam imagens fixas ou em movimento, e divulgam essa informação através dos jornais, das rádios, das televisões ou das agências noticiosas (em Portugal só temos Agência Lusa e a Agência Ecclesia, que só trata de assuntos relacionados com temas religiosos). A redacção é o sítio onde normalmente os jornalistas produzem as notícias e reportagens que depois publicam nos seus órgãos de informação. Lá estão os repórteres, os editores e os chefes de redacção, que definem o espaço a dar a cada assunto. Fora da redacção, a maioria dos meios de informação tem uma rede de correspondentes, que são jornalistas que estão nas suas terras, ou no estrangeiro, de onde mandam notícias. Quando há um acontecimento importante num qualquer local – uma guerra ou um congresso político, por exemplo, os meios de informação destacam para lá um ou vários jornalistas, que produzem a reportagem. Em algumas empresas também há jornalistas especializados, que tratam de temas específicos como Saúde, Economia, Política, Educação ou outros.

Emprego
Há uns anos houve um grande desenvolvimento do sector da Comunicação Social: apareceram novos jornais e revistas, canais privados de televisão e estações de rádio, e começaram também a aparecer os jornais na Internet, o que fez com que o mercado de emprego nesta área melhorasse muito. Foi muito positivo para os estudantes que nessa altura resolveram tirar os cursos de Jornalismo, Comunicação Social ou Ciências da Comunicação (os nomes mudam consoante as universidades), porque mais facilmente encontraram o emprego que desejavam. No entanto, o aumento dos interessados nesta profissão levou a um aumento do número de cursos existentes, que depois começaram a formar jornalistas em excesso. Ou seja, hoje não há mercado de trabalho capaz de absorver os jornalistas todos, e há um grande número de profissionais no desemprego ou a trabalhar em condições muito más.

FormaçãoO Jornalismo é uma profissão aberta. Isto significa que para se ser jornalista não é obrigatória uma habilitação académica específica, como para se ser médico, advogado ou economista, por exemplo. No entanto, os candidatos a jornalista têm de passar por um período de estágio, que varia de acordo com as habilitações que possui, e que pode ser de 12, 18 ou 24 meses. Também é útil, contudo, a existência de jornalistas que não têm o curso de Jornalismo ou de Comunicação Social, mas que optaram por áreas como o Direito, a economia, a Sociologia, História ou Relações Internacionais, por exemplo. Independentemente da formação que tenha o candidato, para ser jornalista profissional tem de obter a Carteira Profissional.

Condições de trabalho
Quem optar por esta profissão tem de contar com um mercado de trabalho diversificado, mas muito competitivo. Quem quiser desenvolver uma carreira aliciante terá de apostar fortemente na valorização profissional permanente das suas competências. Formação académica e profissional adequadas, poder de observação, curiosidade, criatividade, persistência e actualização constante de conhecimentos são trunfos para quem deseje ser jornalista.

Carla Teixeira
Faculdade de Psicologia e Ciências da Comunicação da Universidade do Porto,
18 de Maio de 2007

sábado, 17 de janeiro de 2009

Comboio colheu pessoa na Mealhada

O exagerado número de pessoas que, premeditadamente ou por acidente, se deixam apanhar, quase sempre mortalmente, por comboios em Portugal deve fazer-nos pensar. A mim faz! Se é tentativa de suicídio, e estou convencida (eu e a REFER) de que a esmagadora maioria dos casos conhecidos terá tido essa razão de ser, sinto que pouco poderemos fazer para travar este problema. Mas se não é, o problema é ainda maior. É que, se é por acidente que tanta gente é colhida por comboios no nosso país, estão estamos diante de um sinal claro de que as pessoas não prestam atenção ao meio que as envolve. Há muito tempo que sei disso. Nos tempos que passo em terras de grande ligação à ferrovia (nos distritos de Coimbra e Aveiro), são muitos os episódios contados pormenorizadamente e amiúde nas casas, nos cafés e nas ruas. As pessoas caminham pela linha de headphones nos ouvidos, muitas vezes de costas para o perigo, atravessam a linha em lugares de pouca visibilidade e sem acautelarem os riscos (passam com bicicletas, atravessam passagens de nível fechadas, saltam para a linha quando o comboio já vem ao fundo da recta, e ainda por cima reagem mal se são avisadas pelos funcionários da REFER nas estações). É um drama!

Hoje acordei com a notícia de que mais uma pessoa foi colhida por um comboio perto da Mealhada. À porta da Estação de Mogofores, onde me encontro, estão, há já largos minutos, três composições paradas: dois comboios rápidos (que já deixaram de o ser) e um comboio regional. Nunca mais estes três, e outros que porventura estejam parados nas estações próximas, recuperarão do atraso que já levam. A pessoa colhida, no entanto, nunca mais voltará a ser quem era. E isso é verdadeiramente lamentável, mas todos sabemos que este não é o primeiro caso, nem será, infelizmente, o último. Os comboios matam…

Foto: Luís Silva

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Ano novo, coisas velhas...

O ano pode ser novo, mas a vida é feita de ciclos que se repetem inexoravelmente, sem que nada os impeça de trucidar tudo à volta, na vertigem demolidora da contemporaneidade. Pode mudar a folha do calendário, o dia da semana, a posição dos ponteiros do relógio, mas todos os acontecimentos se conjugam para, reiteradamente, voltarem a ser actuais. Ciclicamente, o mundo repete-se, e as coisas, os momentos, as pessoas, voltam a ser, talvez com outros nomes, noutros cenários, aquilo que já tinham sido. Lavoisier é que tinha razão: “Nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”. O início deste ano demonstra-o claramente: não se perdeu a crise, não se criou qualquer resposta, e apenas mudaram os nomes dos intervenientes.
Mudam os nomes das empresas, mas continua a haver trabalhadores despedidos. E aos montes. Em grupo. Mudam os rostos dos que protestam, as vozes dos que defendem direitos próprios e alheios, mudam as cores das bandeiras, mas a indefinição persiste. Os gritos surdos, a revolta encapotada, o desvario de quem sabe que já não pode piorar muito. A notícia de que o Grupo Controlinveste está a proceder ao despedimento colectivo de mais de uma centena de pessoas deixou-me com os nervos em franja. Será que ninguém está a salvo? Haverá alguma empresa portuguesa que consiga manter-se de pé, firme e hirta, contra a crise? Bem sei que a Comunicação Social não é a única área afectada pela crise. Antes fosse! Bem estava o mundo se houvesse apenas jornais a fechar portas e a despedir pessoas! Mas há mais. Muito mais. E quando vemos um grupo como a Controlinveste enveredar por esse caminho, então percebemos que a situação é grave.
Nos tempos em que trabalhei no «Jornal de Notícias» era impensável que a crise tocasse, mesmo que ao de leve, aquela casa. Não havia falta de dinheiro. Havia, provavelmente, excesso de gente. Uma redacção que metia num bolso todas as que conheci depois, onde não faltavam rostos, vozes, sons, equipamentos e vontade de trabalhar. Éramos muitos, mas nunca sentíamos que alguém estivesse a mais. E quando saíamos em reportagem, não nos faltava o carro – com motorista – e o necessário fundo de maneio para o serviço. Dava gosto trabalhar assim, sem restrições de meios. As empresas que conheci depois, e foram várias as empresas em que trabalhei, em simultâneo e depois do JN, não viviam com tanta prosperidade. O dinheiro era contado, as reportagens eram feitas a pé, em viatura própria ou no carro do patrão, e às vezes faltava até dinheiro para pilhas. Era uma aventura.
No entanto, em nenhuma dessas empresas fui despedida (e naquela em que fui, aquela de que jurei não mais falar, sabeis bem as razões por que fui e sabeis bem de que lado está a razão). Hoje soube que «Jornal de Notícias», «Diário de Notícias», «24 Horas» (redacção onde ainda recentemente tive o prazer de reencontrar amigos, enquanto colaborei com o também já extinto «Tal & Qual», que era ali ao lado), «O Jogo» e TSF estão a dizer adeus a alguns dos seus funcionários. Mais de uma centena de trabalhadores, metade dos quais jornalistas. Mais cento e tal almas atiradas para o desespero de ter contas para pagar com dinheiro que não estica! Um dia depois de saber que foi declarada em tribunal a solvência da empresa que me despediu ilegalmente, em conjunto com mais de 30 camaradas, que me deve dinheiro, que finge não ter bens e que até tem morada falsa, e de saber que nada poderei exigir a quem alegadamente nada tem, recebo a notícia de que mais uns quantos vêm para a rua. Só espero que estes não experimentem o sabor amargo de quem anos a fio se deu a um ideal, e depois acabou descalço, podendo contar apenas com a sua dignidade.

Aos camaradas que hoje receberam a triste notícia de que serão despedidos quero deixar um abraço solidário, e a certeza de que mudam os anos, mas não muda mais nada. A m… é sempre a mesma, as moscas é que são diferentes.

Coragem!
Boa noite, e boa sorte!

domingo, 11 de janeiro de 2009

Despenteadamente...

Olá a todos os meus despenteados amigos! Serve a presente mensagem para vos dizer que, ainda que ausente, devido aos inúmeros afazeres que me têm mantido ocupada e quase inacessível aos vossos carinhosos olhos, continuo a andar por aí, e voltarei brevemente a deleitar-vos com as minhas interessantes e despenteadas crónicas. Não, não morri, nem planeio fechar o estaminé. Prometo que voltarei a azucrinar-vos a mioleira. Só não sei bem quando...

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Feliz Ano Novo!!!

Amigos Despenteados,

O ano que agora termina foi, para mim, um ano pleno de mudanças, de descobertas e de novidades. Nem todas foram boas. Algumas foram mesmo bastante más. A saúde abalada, o constante corrupio por hospitais, clínicas e laboratórios, o nunca mais acabar de análises, de tratamentos, de interacções e de riscos, e depois o desemprego, ainda que por apenas 10 dias, e os sucessivos embustes que, com os meus camaradas, fui descobrindo na (pouco ilustre) actividade da empresa que alimentámos dos nossos textos e da nossa alma durante anos e anos.

As surpresas continuam, e delas vos tenho dado conta neste espaço. No entanto, perder mais um minuto que seja da minha vida com a revolta e com a sombra dos erros dos outros – que não são meus, porque dei muito de mim e recebi sempre muito pouco de «O Primeiro de Janeiro» – não faz sentido para alguém que quer e que acredita que merece um futuro melhor. Por isso, o dossier «Janeiro» fecha aqui, e vai, como grande parte do ano que hoje termina, para o lixo.

Para 2009 seguem comigo apenas as boas memórias: os amigos que trouxe dos sete anos que lá passei, mas que agora são “apenas” amigos, e já não colegas, ou ex-colegas, ou o que quer que seja que tenha ligação àquele lugar. Não sei programar o cérebro para esquecer uma casa onde aprendi muito sobre o que sou e sobre o que sei fazer. Não o esquecerei nunca, sei disso. Mas não mais viverei da raiva e do ódio que, apesar de justificados, fazem mais mal a quem os sente do que a quem é alvo deles. Dentro de mim habitarão somente pensamentos positivos, os sorrisos de quem tenho por amigo, a ausência de quem nunca fez falta.

Ano Novo, vida nova.

O amor continua. É o melhor do mundo. E há novos motivos para sorrir. Novos amigos, um novo projecto profissional, um caminho muito interessante a partilhar, novas coisas para aprender e novas pessoas para ensinar. Novas mãos que se estendem ao encontro das minhas, e nomes e rostos novos com quem tive de reaprender o prazer de trabalhar e de ver reconhecido o mérito do que faço. À minha nova equipa, obrigada pelo recomeço, pela esperança renovada, pelo longo alcance da palavra e da honestidade.

A vocês, que aqui me aturaram durante meses a fio (e também nas anteriores versões do Mente Despenteada), agradeço todas as manifestações de afecto, algumas palavras mais azedas, e faço votos de que tudo de bom vos aconteça em 2009. Que todos os sonhos se materializem, que os vossos objectivos se concretizem, que tenham tudo aquilo que sempre sonharam e até o que nem tiveram tempo ou oportunidade de sonhar.

Se possível, que vos saia a Lotaria, o Totoloto ou o Euromilhões. Ou os três. Mas se não puder ser, que ao menos sorriam muito, que vivam felizes, e que continuem a passar por cá sempre que puderem. Votos sinceros de que o novo ano vos traga muitos e muitos momentos fantásticos, porque vocês merecem. Até ao futuro. E obrigada por estarem desse lado.

Feliz Ano Novo!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Mais uma à moda do «Janeiro»

Como era de prever, dado o meu historial de azar, não escapei à febre, aos enjoos, aos arrepios de calor e frio, à gripe em todo o seu esplendor. Hoje, e a muito custo, saltei da cama para uma consulta médica e, para nunca me convencer de que o meu azar tinha terminado no dia em que, com mais de 30 camaradas, fui ilegalmente despedida de «O Primeiro de Janeiro», fiquei a saber, na Segurança Social, a razão por que não tinha até agora recebido a baixa, tendo em conta que o meu internamento ocorreu em finais de Janeiro e só fui trabalhar a meio de Fevereiro. E a razão é simples. Tão simples que irrita e enoja, como tudo aquilo em que esteja envolvido o nome de Eduardo Costa, esse “empresário-modelo” agraciado com verbas do QREN. É que, à luz dos dados de que dispõe a Segurança Social, a empresa que detinha o «Janeiro» e que nos pagava os salários – a tal SEDICO que se encontrava registada numa morada falsa – não fazia qualquer desconto em meu nome desde Dezembro de 2007 (apesar de todos os meses me descontar o referido valor do recibo), e antes disso passava meses sem efectuar qualquer retenção. Ao todo, não existe desde 2001, ano em que comecei a trabalhar no «Janeiro» um único período de mais de seis meses com descontos. Quando eu pensava já ter visto de tudo, Eduardo Costa volta a cruzar-se no meu caminho! Não me surpreenderei se um dia este fulano for encontrado morto numa valeta…

sábado, 27 de dezembro de 2008

Será que consigo escapar?

Fujo dela como o Diabo foge da cruz, embora me digam que ela está por todo o lado. Veloz, prudente e antecipadamente, entupi-me de Vitamina C, afugentei os amigos mais “espirrentos” e, pela primeira vez na vida, consegui escapar incólume a um surto de gripe familiar. Todos cá em casa foram atacados e derrotados pelo vírus, e houve até quem precisasse de um ou dois dias de cama. Eu não. Eu, que costumo ser a primeira, a mais febril e a mais atormentada pelas gripes e constipações, escapei. Pensei que tinha escapado. Porque dois dias a braços com a gripe do mais-que-tudo, corridas à farmácia, chás e caldinhos, e pronto! Hoje acordei com uma sensação estranha na garganta e um projecto de dor de ouvidos, devidamente acompanhados pelo belo do pingo no nariz. Pensava eu que tinha escapado…

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Feliz Natal

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O Mente Despenteada deseja aos seus leitores e amigos um Natal com tudo a que têm direito, de rabanadas e bolo-rei a presentes de montante mais ou menos avultado, com amizade e com votos de uma breve realização de muitos dos vossos sonhos. Beijocas, e portem-se bem!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

O bom humor de «O Primeiro de Janeiro»

Chamada à primeira página: “Empresas do Norte devem salários a 7 mil pessoas – 95 milhões de euros em atraso”.

Título da notícia: “Indemnizações também por receber. Sete mil trabalhadores com salários em atraso".

Texto: O distrito do Porto é o campeão do desemprego e das dívidas das empresas aos trabalhadores. Por receber estão 95 milhões de euros. O coordenador da União de Sindicatos do Porto (USP/CGTP), João Torres, revelou ontem que sete mil trabalhadores do Norte de Portugal têm mais de 95 milhões de euros de indemnizações e salários em atraso. João Torres falava numa concentração de dezenas de trabalhadores, no Largo Tito Fontes, Porto, convocada pela CGTP para reclamar 'justiça', e 'denunciar a falta de vontade política do Governo', na regularização de processos de dívidas a trabalhadores que se arrastam em tribunal. 'Há milhões para os patrões, não há para os trabalhadores', criticaram os manifestantes, em cartazes empunhados na concentração. João Torres acusou o Governo de estar a proteger os poderosos e os banqueiros, ignorando a situação dos desempregados e dos trabalhadores com salários em atraso. O estudo feito pela USP nos seis distritos do Norte, Aveiro, Porto, Viana do Castelo, Braga, Vila Real e Bragança, indica que, em média, cada um dos sete mil trabalhadores tem créditos de 13 mil euros. 'As principais vítimas são os trabalhadores com os salários mais baixos', afirmou João Torres, salientando que o distrito do Porto é o 'campeão do desemprego, com mais de cem mil desempregados', e das dívidas das empresas aos trabalhadores.

Terá ficado por referir, nesta notícia, que uma dessas empresas que não paga salários aos actuais e aos mais de 30 trabalhadores que despediu em Julho é, precisamente, «O Primeiro de Janeiro». Mas quem precisa de salários quando tem um humor como este?!

sábado, 13 de dezembro de 2008

Crónica de umas férias despenteadas

Foram cinco belos dias. Para mim a jornada começou no Porto, no passado domingo. Viajei até Coimbra, de carro, para aí me reunir com os restantes cinco magníficos. De seguida, roubámos a noite ao sono e, em plena madrugada, rumámos a Lisboa. Pelas seis da matina, ainda repousava no seu leito o belo sol, chegámos à capital do império e fizemos o check in. Avião às 7h35, depois de cumpridas as formalidades de embarque, hora e meia de viagem (um cochilo apressado...) e aterrámos no Funchal. A partir daí, e durante quatro dias, não mais parámos. Do Funchal a Porto Moniz, da Calheta a Santana, do Pico Ruivo e do Pico das Pedras a S. Vicente, do Machico à Ponta do Sol, de Câmara de Lobos à Ribeira Brava... Primeiro de táxi, depois a pé, de carrinha alugada, de teleférico, de autocarro, de avião e de comboio, só parámos hoje, quando voltámos a entrar em casa (eles ontem, em Coimbra, eu hoje, na minha Invicta). Da Ilha da Madeira trouxemos boas recordações, e as malas mais pesadas, do vinho, da poncha e dos outros recuerdos para os amigos que cá ficaram. Mas valeu a pena! Foi uma experiência fantástica. Um hino à amizade. No fim do ano há mais! :)

Fica a reportagem fotográfica do Mente Despenteada. Enjoy!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Hoje acordei a pensar nisto...

Alguém me disse, certo dia, que só aqueles de quem gostamos podem desiludir-nos. “True”, pensei. Se gostamos de alguém, se vemos que esse objecto de afectos se perde por caminhos que não temos por adequados, sentimo-nos mal. Se um amigo insiste em percorrer trilhos inadequados, num desfile pesaroso de passos perdidos e sorrisos pouco convincentes, sentimo-nos pior. Porque um amigo caminha dentro de nós, cresce-nos na alma, enche-nos o coração. E se sentimos que esse amigo é, ele mesmo, incapaz de se dar aquele abraço, de se entender e de sorrir para si mesmo, se vive iludido com erros consequentes e consecutivos, então sentimo-nos ruir por dentro. Será possível gostarmos de alguém que não gosta de si mesmo? Ou que pensa que sim, que gosta de ser quem é? Será possível gostar de alguém que se contenta com menos do que merece, e que espera dos outros ainda menos do que aquilo que lhes dá? Terá o mundo chegado a este estado de coisas em que já nada, nem o próprio ser humano, tem valor, ou sabe dar-se valor? Não sei. E a dúvida é, frequentemente, uma tormenta.

Hoje acordei a pensar nisto.
Desculpem qualquer coisinha!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Acabadinha de chegar!

Esta será a vista do "meu" quarto nos próximos dias. Bonita, não é? Boas férias para mim! :)

Foto: Mente Despenteada

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Sou uma espécie de deus...

Se é verdade, como diz o povo, que não devemos evocar o nome de Deus em vão, tenho para mim, como verdade absoluta, que também o meu nome deverá ser preservado daquelas conversazinhas em tom de intriga que algumas pessoas gostam de manter sobre aqueles com quem se cruzam no seu quotidiano. Por isso, é sempre com renovado desprazer, e normalmente de forma involuntária, que constato que as pessoas vivem a falar dos outros e a congeminar maneiras de controlar quem as rodeia. Quando há umas semanas um amigo me contava que na empresa onde trabalhava circulavam e-mails a gozar com ele por naquele dia ter ido trabalhar de fato – presumindo-se que tinha ido de assim vestido por causa do emprego, quando na verdade a escolha se devia a uma programada ida à missa depois do expediente – não quis acreditar. Disse-lhe que não se tratava de gozo, que era uma forma bem-humorada de as pessoas comentarem o quanto estava elegante naquele dia. Mas talvez não fosse. Hoje, inadvertidamente, assisti a um pedaço de uma conversa em que o meu nome não foi directamente referido – não era eu o tema da conversa –, mas veio à baila quando se falava de uma pessoa minha conhecida. Do meu ponto de vista, a crítica a essa pessoa era injusta, mas a colagem ao meu nome, como se de um projecto de intriga se tratasse, deixou-me… como direi? Piurças!

E pronto. Era só isto!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Uma reflexão que se impõe!

Cinco anos depois dos efeitos catastróficos do «Verão Quente» de 2003, e em pleno Inverno, a Escola Superior Agrária de Coimbra acolhe, no próximo dia 11, pelas 15 horas, a sessão pública de apresentação do livro «Incêndios florestais – 5 anos após 2003». Trata-se de um estudo da responsabilidade da Liga da Protecção da Natureza. Nesta cerimónia marcará presença o Secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas, Ascenso Simões. A sessão tem entrada livre.

Este é um tema fundamental da actualidade nacional e esta é uma reflexão que se impõe. Gostaria de estar presente, mas nessa data estarei de férias na Ilha da Madeira, com um animado grupo de amigos, a celebrar mais um feliz aniversário do meu consorte. Ainda assim, deixo-vos o convite e o cartaz, que me foi enviado por Joaquim Sande Silva, activista da LPN. Apareçam! Valerá certamente a pena!

Ainda os 140 anos do «Janeiro»...

Há vários meses que a administração de O Primeiro de Janeiro prometia que a celebração dos 140 anos ia ser marcante. E foi. "Não exactamente como esperávamos", afirmou Paulo Almeida, porta-voz dos 32 jornalistas que foram despedidos em Agosto passado e anteontem à noite se juntaram num jantar no Porto para comemorar o aniversário do jornal.

"O Primeiro de Janeiro tem uma história relevante, que se confunde em parte com a história do país e é uma pena que o próprio jornal não festeje esta data", justifica Paulo Almeida. Ninguém quer falar da nova versão do jornal, que o novo director, Rui Alas Pereira, diz estar "novamente rejuvenescido, com mais fantasia e imaginação", num editorial escrito ontem a propósito dos 140 anos. Mas não escondem a tristeza de ter deixado o jornalismo. "Infelizmente ninguém conseguiu integrar outra redacção", lamenta Paulo Almeida. Mesmo assim, o tom não é de resignação. A maioria está a trabalhar, uma grande parte em assessoria de imprensa. As cerca de duas dezenas de profissionais da comunicação social presentes anteontem no jantar evitam os comentários, enquanto permanecer o litígio contra a empresa proprietária do diário (Fólio) e a empresa que lhes pagava os salários (Sédico). Querem a reintegração. O julgamento da acção proposta por um grupo de jornalistas sindicalizados está marcado para 14 de Maio do próximo ano no Tribunal de Trabalho do Porto. A reivindicação de outro grupo, não sindicalizado, está mais atrasada. A audiência de partes está marcada para o próximo dia 12, mas com poucas expectativas. É que o advogado da Sédico nem sequer compareceu à audiência com o primeiro grupo.
Em Julho, os jornalistas começaram a duvidar da viabilidade do jornal, perante os atrasos sucessivos dos salários. Mas a então directora Nassalete Miranda garantiu que o diário não fecharia. Contudo, a 31 de Julho, em reunião geral, a directora anunciou que a empresa falira e que o jornal iria ser suspenso durante um mês. A redacção seria demitida em bloco, mas quem quisesse seria contratado para fazer o novo jornal. No dia seguinte, uma secretária da admininistração avisava que afinal a empresa não falira. Os postos de trabalho seriam extintos. Três dias mais tarde, O Primeiro de Janeiro volta às bancas, com o director e a equipa de jornalistas de O Norte Desportivo. Ontem, o presidente da Câmara do Porto avaliava as últimas três décadas do diário como um "somatório de atribulações e angústias" num texto na primeira página sobre o aniversário do jornal. Sob o título de 140 anos de ideais, Rui Rio disse esperar que o Janeiro "de novo regresse aos trilhos da afirmação dos ideais em que foi moldada a sua matriz, em nome da justiça que é devida às grandes figuras que lhe deram o ser nos seus 140 anos de vida".

Mariana Oliveira, in «Público»

A Mariana foi a única jornalista no activo que marcou presença no nosso jantar, respondendo ao repto que lançámos a toda a Comunicação Social da cidade do Porto. Foi agradável a presença e foi, sem dúvida, muito importante esta nota que escreveu. Eu, que nem gosto do «Público» e que não conhecia a Mariana, gostei de privar com ela. Obrigada!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

E agora, a notícia...

Repórteres despedidos do jornal “O primeiro de Janeiro” reuniram-se este último domingo num jantar comemorativo dos 140 anos do diário portuense. Apesar de terem ficado sem emprego em Julho passado, os profissionais fizeram questão em assinalar a data em que nasceu a publicação de referência a Norte.

No dia 31 de Julho de 2008, a directora, cumprindo ordens da administração da empresa, demitiu em bloco mais de 30 jornalistas e outros funcionários administrativos - cujos processos estão ainda por resolver pela via judicial - sem uma explicação plausível, sem qualquer indemnização e com salários em atraso. Aproveitando a data, os jornalistas despedidos anunciam que a iniciativa manifesta o respeito pelos leitores, fontes e antigos trabalhadores e por todos aqueles que demonstraram solidariedade com os seus despedimentos ilegais.
Nascido numa revolta contra a política fiscal do Governo de Fontes Pereira de Melo, “O Primeiro de Janeiro” atravessou outros períodos conturbados, como a transição para a democracia, ainda que a crise mais difícil se tenha registado na década de 80, quando o seu vasto património foi desbaratado. Mais tarde, em 1990, um empresário da indústria gráfica, de Oliveira de Azeméis, comprou a empresa detentora do jornal e o título foi-se associando a um marca de prestígio. No início de 2000, o mesmo empresário alterou a constituição da empresa fundadora, registada em 1919, para Sedico – Serviços de Edição e Comunicação, SA, e transferiu a sede para Gondomar.

in «Jornal de Notícias» online

Um encontro de amigos

Não estávamos todos, mas nem todos os que faltaram fizeram falta. Algumas das almas vivas do antigo jornal «O Primeiro de Janeiro» encontraram-se ontem à noite, num restaurante da Baixa do Porto, para assinalar os 140 anos do nosso jornal e, mais do que isso, para matar saudades dos que, tendo começado por ser colegas, com o tempo se tornaram amigos. Ao lado daqueles que se mantiveram na empresa até ao fim estiveram alguns dos que tinham saído antes, mas que, pelo tanto que ali viveram, pelo tanto que deram de si a um projecto centenário, continuam a considerar-se gente da casa. E estiveram outros, consortes dos jornalistas e amigos do jornal que morreu a 31 de Julho deste ano. Paz à sua alma!
Estiveram presentes no jantar de ontem, no Restaurante Mar do Norte, e nos copos que vieram depois, no Ferrugem: Paulo Maia, Miguel Ângelo, Carla Teixeira, Luís Silva, Natacha Lima Reis, Ana Caridade, Ricardo Castelo, Carlos Machado, Lídia Cavadas, Luísa Mateus, Dora Barros, Paulo Sérgio Soares, Eduardo Coelho, Goreti Teixeira, Mário Miguel, Sílvia Soares, Paulo Almeida, Filinto Melo, Pedro Emanuel Santos e Pedro Tavares. Não fisicamente, mas através da mensagem que nos enviaram, estiveram também presentes Jorge Alves, Graça Vasconcelos e Raquel Pacheco.
Sentimos falta da Ana Sofia Rosado, do Mário Mesquita, da Filipa Leal, da Isabel Monteiro, do David Pinto, da Liliana Leandro, da Cátia Silva, da Alexandra Costa, da Cláudia Diz, do Pedro Vasco Oliveira, do Nuno Santos, da Andreia Marques Pereira, do António Larguesa, do Augusto Brito, da Cristina P. Pinto, da Eduarda Vasconcelos, da Joana Brandão, da Judite França, da Lúcia Pereira, da Marlene Maia, da Paula Almeida, do Pedro Fidalgo, do Ricardo Martins e do Victor Melo, da Rute Marinho, do Jacinto, do Sr. Veiga... Alguns não puderam estar presentes, outros não foram atempadamente contactados, mas todos estes fizeram falta. Era um encontro de amigos, e nestas coisas nunca se está a mais. A repetir!
O jornal «Público» registou a ocorrência! :)
Foto: Luís Silva, o meu consorte! :)