quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Assim, também eu brilhava!

Pois, pois! Nada como convidar uma selecção de mancos e mandá-los pra casa com um cabaz pa dizer que somos os maiores lá da rua e que o novo seleccionador até se estreou em grande. Mas, se em vez da selecção das Ilhas Faroé, tinham convidado um clube desportivo de bairro, ou um grupo de amigos com joanetes, cabelo oleoso e pança de cerveja, então é que a nossa selecção goleava e brilhava! Ah, pois...

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Hoje almocei aqui...

Já passava das duas da tarde, e a fome, que tinha sido saciada com um solitário iogurte ainda antes das oito da madrugada, já me espancava o estômago. E teve de ser a correr, mas mesmo assim soube-me pela vida cada minutinho nesta esplanada. A repetir oportunamente, enquanto o Inverno deixa que o Verão se mascare de Primavera...

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Super Mário!

Vi-o pela primeira vez há cerca de um ano, na redacção do jornal «O Primeiro de Janeiro», entretanto extinto. Estava sentado na Paginação, a dois passos de onde me encontrava, com um ar sério e compenetrado, perscrutando quase avidamente as imagens que saltavam do ecrã do computador. Perguntei quem era, e disseram-me apenas que era “o arquitecto”. Não entendi bem o que fazia um arquitecto nas instalações de um jornal que há décadas prometia novas instalações, se não estava de papel e lápis na mão, a projectar escadarias e novas paredes, mas explicaram-me depois que o arquitecto ia afinal conceber o grafismo do novo “Artes” (era assim que chamávamos ao «Das Artes das Letras», o suplemento cultural do centenário mais tarde transformado em pasquim).
Hoje, tantos meses volvidos, o arquitecto já tem nome, e tornou-se uma referência para todos aqueles que mais directamente puderam privar com ele, um lote em que orgulhosamente me incluo. Mário João Mesquita é “o” Mário, o “arquitecto da luta”, como já foi chamado neste espaço, porque esteve connosco, ainda antes do último dia, em todos os momentos do lamentável desfile de ilegalidades que culminou na dissolução da redacção e na condenação de mais de três dezenas de pessoas ao desemprego. Ontem, o Mário lançou aos camaradas de luta um convite, e alguns aceitaram-no. Fomos, ao final da tarde de hoje, ver uma exposição de fotografia do nosso arquitecto. «De um chão nosso», assim se chama a iniciativa, estará patente até ao dia 2 de Novembro na Sala Aurélio da Paz dos Reis do Centro Português de Fotografia, no Porto.
São 80 fotografias obtidas no âmbito de “um inquérito sobre o património edificado num conjunto abrangente de aldeias que, dispersas no território duriense, formam entre si uma rede com significado, sentido e conteúdo identitário”, como explicou o Mário, que contou com a participação de Sónia Pinto Basto neste projecto. Na nota de apresentação da exposição, o Mário refere que este é um trabalho que pretende “registar e fixar em suporte fotográfico sítios, percursos, edifícios e conjuntos edificados mais ou menos anónimos, mais ou menos chãos, descendo à escala dos materiais e dos pormenores, contribuindo para a valorização dos contextos das comunidades em torno do Vale do Douro”.
Eu, que passei os olhos pelas imagens, ainda que apenas por breves instantes, ao final da tarde de hoje, posso dizer que são fabulosas. A dimensão humana conjuga-se com as pedras, o verde da Natureza, os reflexos da água dos rios, e consegue transportar-nos para o mundo mágico e sereno que apenas é possível, ainda, nas aldeias mais recônditas. O homem que dobra uma esquina na companhia do burro, os detalhes arquitectónicos da pedra que casa com a madeira e com os homens e as mulheres que ali vivem, as árvores que se reflectem nas águas (e aquelas fotos deitadas no chão dão mesmo vontade de molhar o pezito!), tudo nesta exposição é impregnado de beleza e de sensibilidade. Parabéns, Mário! Obrigada pelo convite, pelo outro convite, pela lembrança e pelo sorriso que soa sempre a um abraço. Um beijinho à esposa, que é também uma querida.
Mário João Freitas Mesquita nasceu em 1971 no Porto. Arquitecto, licenciado pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto e mestre em Planeamento e Projecto do Ambiente Urbano pela mesma instituição, exerce naquela instituição, desde então, a função de docente da Cadeira de Projecto. No âmbito dos estudos conducentes à apresentação de tese de doutoramento em Projecto e História da Cidade é autor de vários trabalhos publicados em exposições e livros.
No meio de um momento que era dele e só dele, por ser dele o talento que emprestou às imagens que nos deliciaram, e que por momentos nos fizeram esquecer as agruras dos 19 dias anteriores, o Mário falou de nós. Falou do «Janeiro» – aquele que já não existe – que era um dos apoios da iniciativa, mas falou sobretudo da indignidade do que nos fez a administração desse outrora jornal. O Mário recusou vender a alma ao Diabo (sim, interpretem isto como quiserem), e num momento que era dele, passou algum do protagonismo para os camaradas que conheceu na fétida redacção de Coelho Neto. Por tudo o que nos ensinaste, Mário, e por tudo o que mostraste ser nestes dias, sobretudo pela força de carácter e pela força, força apenas, que emana de cada sorriso teu, obrigada. Se antes valia para alguns, hoje vale para todos os “bravos”: és e serás sempre um de nós. E na aparente singeleza destas palavras reside o essencial que todos procuramos. És um amigo. E os amigos são tesouros que estão mesmo ali, à mão. Obrigada.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Saudades, ou talvez não...

Não deixa de ser irónico que tenha sido Coelho Neto, o escritor que dá nome à rua em que fica a redacção do extinto «O Primeiro de Janeiro», quem disse que “a saudade é a memória do coração”. Eis algumas das coisas de que tenho efectivamente saudades daquele espaço e daquele tempo:

- Da hora de entrada, que me deixava livres quase todas as manhãs,
- Da hora de saída, que raramente correspondia às 21 horas impostas pelo horário formal,
- Das reportagens por iniciativa própria, e dos elogios de quem dizia “salvaste mais uma edição”,
- De comprar o «Janeiro» nos dias de folga, e de o ler na internet logo à meia-noite
- Dos tempos de ociosidade enquanto os chefes iam para o café e pareciam perder-se pelo caminho,
- Das gargalhadas da Joaninha,
- Dos segredos partilhados com a Lídia,
- Do sorriso cúmplice e do altruísmo da Sofia,
- Da “rabugice” do Carlos Machado,
- Das conversas com a Luísa, a Goreti ("a menina mais bonita da redacção"), a Eduarda, o Filinto e a Caridade, a Filipa e o Mário,
- Da prepotência, apenas aparente, do David Pinto,
- Da dedicação e do empenho do David Furtado,
- Do sentido de profissionalismo do Paulo Almeida,
- De quase toda a gente, como que por instinto, me chamar Carlinha,
- Das alturas em que o Mike me chamava “Charles”...

E do que NÃO tenho saudades:

- Das gotas de "chuva" que caíam no meio da redacção,
- Das avarias constantes dos computadores, que eram velhos e nem chegavam para todos.
- Do cheiro a fossa no cantinho da Cultura,
- Dos abusos de poder de algumas pessoas,
- Da incompetência de algumas outras,
- Dos arranjos convenientes a certas e determinadas criaturas,
- Da hipocrisia de algumas dessas pessoas,
- Do veneno destilado em conversas fora daquelas paredes amarelas,
- Da falta de coragem e de carácter de outros...

Balanço: Cá fora está-se melhor!

domingo, 17 de agosto de 2008

O jornal debaixo do braço

Amarante, 12 de Maio de 2008. Nesta altura os ordenados já eram pagos fraccionadamente, muito tarde e quase sempre após muitas reclamações e expectativas. Mas mesmo assim, até nas folgas e nas viagens de lazer, era sempre com indisfarçável orgulho que o comprava e que me fazia acompanhar por ele. O «Janeiro» andava sempre debaixo do braço. A Nassalete costumava dizer que sabia que eu tinha vestido a camisola do nosso centenário. Agora o que custa mesmo é despi-la...

Novos tempos

Estas eram as instalações de «O Primeiro de Janeiro» quando eu lá trabalhava:
E este era o meu computador, que - acreditem - era dos melhores da casa:
Agora trabalho neste edifício:

E este é o meu posto de trabalho:

E sabem da maior? Na sequência do despedimento ilegal de que fui vítima, juntamente com mais de 30 colegas, consegui emprego num local melhor e mais bonito, onde é mais fácil estacionar, e um posto de trabalho com as últimas da tecnologia, a que acresce - last but not the least - um aumento de ordenado na ordem dos 60 por cento. Quase me sinto tentada a agradecer ao Costa o "pé na bunda"...

sábado, 16 de agosto de 2008

Hoje podia ter sido um bom dia...

Fotos: Mente Despenteada

O gratuito que não era para ser...

O João sacou um momento mais da hilariante história do "novo" pasquim portuense, e pergunta, com toda a legitimidade, e tendo em conta que o título não passou a ser gratuito, onde se coloca a moeda para o ler. Repara também que, não bastasse o facto de estar a ser disponibilizado num local que fica a dois passos da sede do maior jornal da região (não digo "concorrência", porque sei o que isso significa, e sei o que essa expressão não é, de todo, aplicável neste caso...), o tal posto de leitura está ATRÁS de um poste...
Foto: João Ribeiro


E aqui está ele, não muito longe da sede, na Rua Fernandes Tomás. Mais um ponto de leitura:


Foto: Ana Cláudia Teixeira

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Afinal...





Não é só o «Janeiro» que deixou de ter um site. Também o «Norte Desportivo», o «Correio de Azeméis», o grupo «A Folha Cultural» e a própria Fólio desapareceram. A Sedico nunca teve site, que eu saiba, mas tem morada falsa na conservatória. Agora está feito o pleno. Várias empresas do grupo têm moradas falsas: umas em termos físicos, outras em termos virtuais... Há muito que digo que o império há-de mudar-se todo para o Brasil, se as malhas da Justiça apertarem. Será que já foi dado o tiro de partida?

Novos tempos, novo site!

O velho site de «O Primeiro de Janeiro» não era bonito. Mas funcionava. Contudo, depois de, sem querer saber dos potenciais interesses, ou sequer da comodidade, dos leitores – admitindo que há alguns que não viraram costas ao novo pasquim e que continuariam a querer lê-lo, como liam o velho centenário portuense –, a Fólio, empresa que foi desde sempre detentora do título, mas que criou uma subsidiária-fantasma com moradas falsas para mostrar que não tem património e furtar-se ao pagamento dos ordenados em atraso e das indemnizações às mais de 30 vítimas do despedimento ilegal de 31 de Julho, prometeu um novo site. E criou-o. Só que o novo site não permitia consulta do arquivo anterior à “refundação”, não permitia os comentários, e nem sequer permitia a leitura directa dos artigos. Era preciso fazer o download de cada edição, e quem tem internet sabe que isso custa dinheiro. Ainda assim, ia dando para ler as “novas” e as recicladas do pasquim. Neste momento, no entanto, é este o aspecto do site:
É tão novo, tão novo, que nem funciona...



O «Janeiro» do cabeçalho vermelho

A Rute, que ainda não me conhece pessoalmente (eu já a conheço, porque já a vi no velho «Janeiro», de visita a amigas que lá trabalharam), mas de quem sou fã incondicional, também partilhou na blogosfera algumas memórias da sua passagem por Coelho Neto:

"As novidades sobre o fim do jornal que também já foi meu, recebi-as ao longo das férias. Informações que chegavam a um ritmo extenuante ao telemóvel de uma das minhas melhores amigas, trabalhadora até há uns dias do «Janeiro», e que esteve comigo no Algarve. Entre as tentativas de animação e de busca por soluções, não tive como fugir às recordações. Saí de lá há oito anos quando o cabeçalho com o nome do jornal ainda era tingido de vermelho. Saí depois de doze meses e meio de trabalho a receber 60 contos, justificados, primeiro com facturas, e depois com recibos verdes que baixavam a fasquia para os 48. (E não é que, mesmo assim, ainda houve quem torcesse o nariz ao chorudo valor?) Saí de lá para um meio que jamais julguei sequer tentar. Saí porque, como todos, desejava dar o passo em frente e entrar numa casa que me pagasse um vencimento mais elevado. Não seria difícil.
Saí do «Janeiro» em Junho, dias antes do casamento de um grande amigo, e depois de uma noite de copos e de saudades da despedida. Saí numa altura em que se anunciava um prometedor jornal com novo cabeçalho que iria também inscrever-se nos toldos de muitas papelarias da cidade. Saí pouco tempo depois de outro enorme amigo, o irmão da Sofia (foi por essa razão que trocámos as primeiras palavras), me confiar trabalhos maiores, como a reportagem sobre aquele programa que estava quase a surgir na televisão portuguesa. Saí no momento em que desenhava já quase de olhos fechados as maquetas das páginas de sociedade. Saí, mas não sem que antes a minha grande amiga passasse muitas vezes os olhos pelas peças que escrevi. Saí depois de tardes de anedotas à desgarrada entre o “Segundo Caderno” e o “Porto” e de assistir aos truques toscos de magia de outro amigalhaço.
Saí quando ainda havia bolo de tempos mais passados nas paredes. Saí resistente às obras no local de trabalho e às desparasitações. Saí na espuma de uma onda gigante no Algarve que nunca chegou a acontecer e pouco depois de o sol nascer em Timor Coroasse, como o outro lhe chamou. Saí, mas ainda presenciei os beijos na face que mais uma amiga tentou dar a dois mormons que passaram por lá e convivi com o humor sarcástico de outros dois que se sentavam nos computadores à frente do meu. Saí com os ouvidos cheios dos disparatados episódios da rapariga com o cabelo de mil cores que queria ser mercenária em África. Saí depois de muitas fotografias pedidas ao Sr. Veiga e de inúmeros cafés com cheirinho no tasco da frente.
Saí pouco depois de ter entrado, mas trouxe tanto comigo. Muito mais além do que tirei da gaveta. Trouxe um coração com mais inquilinos. Saí no dia em que a nova directora se dirigiu pela primeira vez aos jornalistas e, antes de se debruçar sobre o projecto, impediu outra grande amiga de acender o costumeiro cigarro na redacção. Ia ser assim, a partir dali. Com murros na mesa. O cabeçalho vermelho da primeira página deu origem ao azul que ainda hoje me chega às mãos. Fui eu quem trouxe o «Janeiro» para esta redacção quando para ela me mudei há oito anos, mas este já nem sequer folheio. Vem vazio dos meus amigos".

Obrigada, Rute!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Uma redacção de luxo*

Todos juntos. A primeira imagem no desemprego.
«O Primeiro de Janeiro», 1 de Agosto de 2008
Foto: Carlos Machado

*Diz o Carlos, e muito bem! Na verdade, é só meia redacção, mas ainda assim é de luxo. Falta aqui a Lídia, que a esta altura ainda não tinha sido despedida, o PVO (que oficialmente ainda não foi), a Sílvia e o outro Machado, camaradas do «Norte Desportivo».

terça-feira, 12 de agosto de 2008

"Figura pouco consensual", no mínimo...

Dez dias depois, os 32 jornalistas de O Primeiro de Janeiro ainda não sabem quando e se vão receber os quase dois meses de salários em atraso, o subsídio de férias e as indemnizações pelo despedimento de que foram alvo, a 31 de Julho. Até hoje continua a imperar o silêncio por parte da administração da Fólio - Comunicação Global, Lda (detentora do centenário título portuense) e da Sedico - Sociedade de Edição e Comunicação. Empresas que, garantem os jornalistas, têm como principal responsável, mesmo que indirectamente, Eduardo Oliveira Costa. É que, embora o contrato de trabalho tenha sido assinado com a Sedico, os 32 jornalistas afiançam que sempre reportaram à administração da Fólio, empresa do grupo A Folha Cultural, CRL.
Mas que grupo é este que detém o Janeiro e quem é o seu responsável? Fundado em 1985, no seu sítio na Internet A Folha Cultural diz ser um "grupo editorial e de comunicação social" que "actua na esfera da sua actividade específica, por si própria ou através de empresas participadas do seu universo". Sediado em Oliveira de Azeméis, detém cerca de 30 empresas ligadas a 10 áreas de negócio distintas. Da comunicação social nacional e regional ao imobiliário e à construção civil, do turismo à distribuição de livros. Só na comunicação social, o grupo de Eduardo Oliveira Costa - que no site da Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas surge como portador do título número 1738 - detém 16 títulos, entre eles O Primeiro de Janeiro, a Azeméis FM ou a Cávado FM.
Mas a actividade do empresário não se esgota na Folha. Entre os vários cargos públicos que desempenha contam-se a presidência do Conselho Empresarial de Entre Douro e Vouga, a vice-presidência da Associação Portuguesa da Imprensa Regional e a presidência do Conselho Fiscal da Agência de Desenvolvimento entre Douro e Vouga, além de ser o presidente da Oliveirense. Figura pouco consensual, Eduardo Oliveira Costa foi em Março condenado a uma pena de prisão de dois anos e meio, suspensa por um ano, por fraude na obtenção indevida de subsídios por parte do Estado, através do jornal Recortes da Província. Segundo os arguidos, este título registou um aumento de 7 200% das vendas efectivas entre 1988 e 1990. Na repetição do julgamento, o empresário e outros quatro arguidos foram absolvidos dos crimes de burla e de falsificação de documentos.

Hélder Robalo
«Diário de Notícias»
11 de Agosto de 2008

Em cada leitor há um amigo…

Chama-se Carlos. Não o conheço pessoalmente, não sei o seu rosto, a idade que tem, nem qualquer outra coisa da sua vida. Mas sei que gosto dele. Sabem por que razão sei que gosto do Carlos? Porque ele era um dos leitores de «O Primeiro de Janeiro» até há pouco mais de uma semana, e porque, tal como eu, ele sente-se desiludido pelo rumo que as coisas levaram, quando 35 pessoas do «PJ» e duas do «Norte Desportivo» foram alvo de um despedimento ilegal, sem direito a ter direitos. Ciente dessa realidade, o Carlos deixou de ser leitor do «Janeiro». Na sequência do que viu nas televisões, ouviu na rádio e leu nos jornais ao longo dos últimos dias, e depois de ter tomado contacto com o pasquim que usurpou o nome do nosso jornal centenário, considera que ler o novo folheto dirigido pelo senhor que recusa assistir aos Jogos Olímpicos “perdeu todo o interesse”, já que ali são publicados “apenas artigos oriundos de determinados pasquins, o que demonstra ter caído muito baixo”. Eu concordo.
Mas a mensagem não acaba aqui! O Carlos, que é uma pessoa solidária – ou não fosse ele presidente de uma associação de solidariedade social (não vou dizer qual, porque não quero causar problemas ao leitor amigo), ofereceu-se para promover uma recolha de assinaturas de apoio aos jornalistas e demais trabalhadores despedidos ilegalmente. “Mantenho a certeza de que, se for necessário ajudar, poderei recolher assinaturas que ajudem a vossa luta, quer pelos vossos direitos, quer talvez pelo vosso regresso aos lugares que quiseram que perdessem. O meu número de telemóvel é o (…) e o meu endereço de e-mail é o que se encontra acima. Se puder ajudar em alguma coisa, basta dizer, e terei todo o prazer (…). Queira dispor, e coragem”.

Persistência temos. De coragem vamos precisar. E de amigos. Sobretudo de vozes amigas dos nossos leitores, que recusam pactuar com o naufrágio do nosso jornal. Obrigada, Carlos. Obrigada a todos os leitores do velho «Janeiro».

Boicote aos Jogos Olímpicos

O pseudo-director de um certo pasquim da nossa praça escreveu um editorial em que diz que se recusa a assistir à edição deste ano dos Jogos Olímpicos em nome da causa tibetana, porque a China é má para Tibete e viola os direitos humanos e blá, blá, blá... Se graças à democracia portuguesa, um bocadinho mais velha e compreensiva do que eu, somos livres de fazer o que queremos, e assistir ou não ver os Jogos Olímpicos é coisa que cada um decidirá por si (logo, os eventuais leitores do tal pasquim nada têm a ver com isso), neste caso há a ter em conta dois aspectos:

1) O suposto jornalista é director de um jornal desportivo.

2) O suposto jornalista assumiu há pouco mais de uma semana a direcção de um jornal até aí respeitável, mas que deixou de o ser no momento em que atirou para um despedimento colectivo ilegal, sem indemnizações e com ordenados em atraso mais de 30 trabalhadores. Um homem assim nem deve saber qual é o significado da expressão “direitos humanos”.

Não há mesmo volta a dar...

Sabem o que vos digo? Estou, decididamente, de luto! «O Primeiro de Janeiro» já era, e não há indignação capaz de preencher o vazio que esta constatação me deixa no peito. O doente de que cuidei, anos a fio, chorando e rindo, com as grandes derrotas e as pequenas vitórias, foi morto à traição. Morreu. Finou-se. Não há mesmo volta a dar...

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Eduardo Herbalife Costa

E se de repente, numa entrevista de emprego, alguém vos oferecesse o “privilégio” de passar a integrar um “projecto de franchising editorial pioneiro a nível mundial”, entrando directamente para o “escalão mais elevado” dos ordenados praticados na empresa, em torno dos 1300 euros líquidos mensais – montante a que acresce um subsídio variável que ainda não está definido “por não haver historial do negócio” -, ajudas de custo, telemóvel e computador portátil, e ainda a possibilidade de carro da empresa, o que pensavam? Que era demasiado bom para ser verdade? Pois… Foi exactamente o que eu pensei. Mas – e se o diabo mora nos detalhes este é um bem sórdido –, se o empregador em causa fosse o alegadamente falido (tadinho!) Eduardo Oliveira Costa, e a empresa fosse A Folha Cultural? Dá que pensar, não dá? Tanto lucro e tão fácil? Isto até parece a Herbalife!

"Fantochada"...

Prezada Carla Teixeira,

(...) Possivelmente já conversamos, antes de ter acontecido ao jornal esta fantochada provocada por alguém que deveria ser bem investigado pela Polícia Judiciária e não devia poder estar na posição que ocupa. Todos sabem ser preferível fechar os olhos a determinadas situações do que enfrentá-las. Quem paga por isso? Todos nós. Uns, porque perderam o seu ganha-pão honesto, outros porque perderam prazeres de boa leitura jornalística, boas reportagens, e a cidade do Porto fica, de repente, muito mais pobre. Quando as pessoas, dirigentes, preferem alhear-se dos assuntos realmente importantes, aqueles que tocam de perto a dignidade e direitos humanos, de certeza que algo corre mal e mostra tendências para piorar. Espero, muito sinceramente, que tudo se resolva a contento, que retomem os lugares que lhes pertencem por direito próprio, considerando pertinente o velho ditado português: "Quem comeu a carne que roa os ossos", mas dando-lhe outro sentido: Quem sempre se limitou a rapar os ossos, deve ter direito a comer um bocado de carne limpa! Felicidades e contem connosco para tudo quanto for necessário. Basta contactar.

Serafim
(comentário no Portugal Diário)

PS pede castigo exemplar

O deputado socialista Fernando Jesus enviou uma carta aos trabalhadores de «O Primeiro de Janeiro», onde critica o «comportamento inqualificável dos proprietários do jornal na forma como conduziram o despedimento de jornalistas e trabalhadores deste centenário matutino», refere a Lusa. O parlamentar, que é o coordenador dos deputados socialistas eleitos pelo Porto, pediu às autoridades competentes, que fiscalizem a forma como os jornalistas foram despedidos.
Fernando Jesus apela «a todas as entidades públicas com responsabilidades no cumprimento da legalidade, designadamente à Inspecção-Geral do Trabalho, que não deixará de acompanhar este lamentável caso com o interesse e atenção merecidos, tomando as medidas adequadas, visando castigar exemplarmente eventuais desvios à legalidade, garantindo assim o cumprimento das obrigações e salvaguardando todos os direitos dos jornalistas e trabalhadores».
Para o deputado, é «realmente muito doloroso verificar como os proprietários dum jornal com o historial e pergaminhos deste matutino, por razões ainda não totalmente esclarecidas, têm o despudor de tratar os seus trabalhadores com atitudes que atentam contra todos os valores da dignidade humana». Segundo Fernando Jesus, os proprietários do jornal «acabam de manchar de forma indelével o nome e o prestígio que o Janeiro granjeou ao longo de mais de um século no panorama da imprensa portuguesa».

Portugal Diário

Dois empresários, duas medidas

Noticia a Agência Lusa que “um empresário decidiu suspender o trabalho de uma fábrica têxtil da Covilhã e entregar as chaves nos serviços de Finanças, em protesto contra a acção do Estado. António Lopes protesta contra o facto de a firma ser alvo de penhoras por dívidas ao fisco, mas ao mesmo tempo ter verbas bloqueadas e acesso à banca vedado devido ao atraso de decisões judiciais. O empresário reabriu a fábrica de fiação depois de a ter adquirido em Dezembro de 2005, num processo de insolvência no Tribunal da Covilhã, mas até hoje nunca houve trânsito em julgado da aquisição. A recuperação da empresa “tem sido feita com capital próprio dos gerentes, porque sem o processo concluído, não temos acesso à banca”, disse o empresário. Por outro lado, “a Fiper depende do trânsito em julgado para boa cobrança de 388 mil euros de IVA, ao passo que as dívidas ao fisco são de 36 mil euros. É fácil fazer as contas”, desabafou António Lopes” (Agência Lusa).

Este homem, que comprou uma empresa falida e investiu do seu próprio bolso para a reabilitar, conservando numerosos postos de trabalho que, de outro modo, teriam deixado de existir, é alvo de perseguição por parte do Estado. Por outro lado, e nem é assim tão longe da Covilhã, um outro empresário, que em Março deste ano até foi condenado a dois anos e meio de prisão, com pena suspensa por um, pelo facto de ter burlado o Estado em milhões de euros, e que há cerca de uma semana demitiu todos os trabalhadores de uma das suas empresas, sem dar a cara, sem lhes pagar dois meses e meio de ordenados ou qualquer tipo de indemnização, e anunciando o despedimento colectivo ilegal pela boca de uma responsável sua subordinada, é referenciado pelo Governo como um “empresário-modelo”, e até foi agraciado com verbas do QREN para uma das suas empresas, mesmo tendo uma colossal dívida às Finanças e à Segurança Social, para que arrastou quase todos os funcionários que despediu ilicitamente. Portugal é um país bestial, não é?

"Veemente repúdio"

A União dos Sindicatos do Porto manifestou hoje o seu "veemente repúdio" pela forma "inqualificável" como a administração do jornal O Primeiro de Janeiro despediu um conjunto de trabalhadores e jornalistas. Em comunicado, aquela estrutura da CGTP manifesta ainda a sua "profunda solidariedade" aos trabalhadores despedidos, considerando que a forma como foram tratados é sintomática de uma situação que se tornou "habitual nos mais variados sectores de actividade, onde a arrogância e prepotência patronais impõem as maiores arbitrariedades, insensíveis aos dramas humanos e sociais que as suas decisões provocam". "A União dos Sindicatos do Porto /CGTP-IN denuncia estes comportamentos inaceitáveis num regime democrático que se vai esvaziando lentamente porque o carácter predador do capital assim o impõe", refere o comunicado.
A USP apela aos trabalhadores do Primeiro de Janeiro "e de todas as empresas do distrito para que "resistam e lutem pelos seus empregos e direitos". A anterior directora do jornal, Nassalete Miranda, anunciou, no final de Julho, que O Primeiro de Janeiro cessaria a sua publicação durante o mês de Agosto "para modernização em termos gráficos e de conteúdo". No dia seguinte, os trabalhadores do jornal receberam cartas da administração que extinguiram os seus postos de trabalho por reestruturação da empresa detentora do título. Nesse mesmo dia, no entanto, a empresa Fólio - Comunicação Global, Lda, proprietária do jornal, colocou nas bancas uma nova edição do diário portuense produzida pelos 10 trabalhadores do Norte Desportivo, suplemento desportivo das anteriores edições do centenário jornal do Porto.

Agência Lusa
Foto de Paulo Ricca, do «Público», que também publica a notícia

"Comportamento inqualificável"

O deputado socialista Fernando Jesus pediu hoje às autoridades competentes, nomeadamente a Inspecção-Geral do Trabalho, que fiscalizem a forma como os jornalistas de O Primeiro de Janeiro foram despedidos para castigar eventuais desvios da legalidade. Numa carta enviada aos trabalhadores do jornal, e a que a Lusa teve acesso, o parlamentar, que é o coordenador dos deputados socialistas eleitos pelo Porto, critica o “comportamento inqualificável dos proprietários do jornal O Primeiro de Janeiro na forma como conduziram o despedimento de jornalistas e trabalhadores deste centenário matutino".
A anterior directora do jornal, Nassalete Miranda, anunciou, no final de Julho, que O Primeiro de Janeiro cessaria a sua publicação durante o mês de Agosto "para modernização em termos gráficos e de conteúdo". No dia seguinte, os trabalhadores do jornal receberam cartas da administração que extinguiram os seus postos de trabalho por reestruturação da empresa detentora do título. Nesse mesmo dia, no entanto, a empresa Fólio - Comunicação Global, Lda, proprietária do jornal, colocou nas bancas uma nova edição do diário portuense produzida pelos 10 trabalhadores do Norte Desportivo, suplemento desportivo das anteriores edições do centenário jornal do Porto.
Segundo Fernando Jesus, os proprietários do jornal “acabam de manchar de forma indelével o nome e o prestígio que o Janeiro granjeou ao longo de mais de um século no panorama da imprensa portuguesa". Por isso, o deputado apela “a todas as entidades públicas com responsabilidades no cumprimento da legalidade, designadamente à Inspecção-Geral do Trabalho, que não deixará de acompanhar este lamentável caso com o interesse e atenção merecidos, tomando as medidas adequadas, visando castigar exemplarmente eventuais desvios à legalidade, garantindo assim o cumprimento das obrigações e salvaguardando todos os direitos dos jornalistas e trabalhadores". Fernando Jesus considera "realmente muito doloroso verificar como os proprietários dum jornal com o historial e pergaminhos deste matutino, por razões ainda não totalmente esclarecidas, têm o despudor de tratar os seus trabalhadores com atitudes que atentam contra todos os valores da dignidade humana".

Agência Lusa

Parabéns, companheiro!

Nove anos é mais do que duram, hoje em dia, muitos casamentos. E a nossa união de facto continua sobre rodas...

CGTP apoia jornalistas despedidos


domingo, 10 de agosto de 2008

Morte em vida: o melhor do leitor

O jornal online Portugal Diário tem sido absolutamente fenomenal na cobertura do lamentável «caso Janeiro», dando eco de todas as acções dinamizadas pelo grupo de jornalistas que contestam a demissão em bloco da redacção do centenário, há pouco mais de uma semana. Há minutos, consultando o site, deparei com isto:

O MELHOR DO LEITOR
Artigo do leitor Carla Teixeira
(para quem não sabe, sou eu)

Morte em vida. «O Primeiro de Janeiro» não morreu formalmente, já que continua a sair para as bancas um pasquim com o mesmo nome, mas que pouco dignifica os 140 anos daquele que já foi um baluarte da imprensa nacional. De qualquer modo, se o jornal estivesse a mais teria simplesmente desaparecido, ou lutado por um lugar ao sol. O que aconteceu, no entanto, é inenarrável. A administração demitiu em bloco a redacção, para depois entregar a feitura do jornal a um grupo de jornalistas de desporto. Ao mesmo tempo, agiu ilegalmente e não fez sequer a tentativa de falar com os despedidos, nem lhes pagou os dois meses e meio que lhes deve. O «PJ» morreu, porque o sucedâneo que agora se apresenta nas bancas não chega sequer aos calcanhares do que era o nosso jornal. Repete notícias, faz uso de reportagens nossas mudando os nomes de quem as assina, enconsta a directora a um canto, sem que ela mesma perceba, enquanto põe outro no seu lugar, e tudo isto numa altura em que começam a ser demasiado evidentes os actos ilegais desta quadrilha. Moradas falsas? Empresas-fantasma? Há de tudo neste processo! Até um empresário-modelo, agraciado com verbas do QREN, conhecido pelos seus sucessivos trambiques e condenado há menos de meio ano por fraude que lesou o Estado em milhões de euros. Há muito mais em jogo aqui do que a morte de «O Primeiro de Janeiro». Há também a morte dos valores, da Justiça, do decoro. Este caso é vergonhoso, como será vergonhoso este país se ninguém puser cobro a estas situações. Isto é o que verdadeiramente está em causa.

Limites da Vergonha

Acabo de receber esta mensagem: "Olá, Carla Teixeira. Eu sou Alguém que trabalhou no Janeiro, que conhece aquele submundo de promiscuidade. Abri a alma e acabei por criar um blogue - o Limites da Vergonha -, para conversar comigo mesmo sobre aquela pocilga. Digo "conversar comigo mesmo" porque não sei se terei visibilidade. E se calhar o meu objectivo é apenas desabafar comigo mesmo, porque fico aliviado ao alinhar letras sobre Eduardo Costa, essa personagem inqualificável. Quero manter o anonimato (…). Prefiro ser apenas Alguém... despenteado. Recebi uma mensagem para ler o seu blogue. E cheguei até si. Convido-a a ler o meu e, se possível, a adicioná-lo aos seus. Um abraço de Alguém".
Caro amigo, seja feita a sua vontade. Vou linká-lo a nós, e passarei também pelo seu estaminé. A porta do Mente Despenteada III está aberta, seja bem-vindo sempre que entender visitar-nos. Abraço devolvido.

Mancha no nome e no prestígio do «PJ»

Fernando Jesus, deputado à Assembleia da República pelo Círculo Eleitoral do Porto, associou-se à luta dos jornalistas ilegalmente despedidos pela administração de «O Primeiro de Janeiro», e enviou-nos um comunicado de apoio, recordando que já outros deputados do partido da rosa tinham manifestado a sua solidariedade para connosco. Agradecemos do fundo do coração todos os apoios que nos têm chegado, de vários quadrantes da vida social e política deste país, na esperança de que, conseguindo manter a atenção dos mass media sobre este assunto, mais depressa possamos sair do lodo em que Eduardo Oliveira Costa e a sua equipa mergulharam toda a gente e todas as instituições com que se envolveram. Aqui vai o comunicado do deputado Fernando Jesus, com o nosso reiterado agradecimento:

Cara Carla Teixeira,

Não posso deixar de manifestar, por seu intermédio, a todos os jornalistas e trabalhadores de “O Primeiro de Janeiro” a minha sentida solidariedade pelo comportamento inqualificável dos proprietários do jornal, na forma como conduziram o despedimento de jornalistas e trabalhadores deste centenário matutino.
Na verdade, estes senhores acabam de manchar de forma indelével, o nome e o prestígio que o “Janeiro” granjeou ao longo de mais de um século, no panorama da imprensa portuguesa.
É realmente muito doloroso verificar como os proprietários dum jornal, com o historial e pergaminhos deste matutino, por razões ainda não totalmente esclarecidas, têm o despudor de tratar os seus trabalhadores com atitudes que atentam contra todos os valores da dignidade humana.
Apelo a todas as entidades públicas com responsabilidades no cumprimento da legalidade, designadamente à Inspecção Geral do Trabalho, que não deixará de acompanhar este lamentável caso com o interesse e atenção merecidos, tomando as medidas adequadas, visando castigar exemplarmente eventuais desvios à legalidade, garantindo assim o cumprimento das obrigações e salvaguardando todos os direitos dos jornalistas e trabalhadores.
O PS, pela voz do seu Presidente da Federação, Renato Sampaio e o Secretariado Distrital do PS, por intermédio da Isabel Santos, já tomaram posição sobre a vossa lamentável situação.
Na qualidade de Coordenador Distrital dos Deputados do PS, também não podia deixar de lhe enviar esta mensagem de solidariedade, solicitando-lhe que a divulgue da forma que considerar mais útil e eficaz.

Solidários cumprimentos,
Fernando Jesus - Coordenador dos Deputados do PS/Porto
Porto, 10 de Agosto de 2008

Eduardo Costa dixit...


"A solidez é a nossa atitude"

“Somos distinguidos por institutos públicos com prémios e galardões, que atestam a nossa capacidade de gestão económica financeira. Dispomos de uma estrutura sólida, moderna com técnicos bem formados e especializados na sua área e uma capacidade de investimento que a torna capaz de adaptar-se constantemente à meteórica evolução das tecnologias. Em Oliveira de Azeméis e no resto do País, somos 450 profissionais a trabalhar para si. A solidez é a nossa atitude”.

Fonte: site de A Folha Cultural, grupo presidido por Eduardo Oliveira Costa e que detém, além de outras empresas, «O Primeiro de Janeiro».

No mesmo espaço, o “presidente director-geral”, como gosta de ser chamado pelos seus vassalos, diz ainda que “a nossa imagem pessoal de sucesso, devemo-la aos nossos bons profissionais. O futuro aguarda-vos. Bem hajam”, a exactíssima mensagem com que brindou os funcionários do «PJ» num dos últimos jantares de Natal da empresa, em que até aproveitou para distribuir um livrinho que dava conta da grandeza do grupo e dos seus fantásticos proveitos financeiros. Desta vez não disse que somos todos marinheiros, nem que os lucros da empresa davam para comprar quatro Ferraris, mas deixou bem claro que não estava a sair-se nada mal. Querem ver?


Estas são outras páginas do tal livrinho, o relatório de actividades de A Folha Cultural, no mesmo tom bem-humorado:


Empresa-fantasma

Empregadora do 'Janeiro' registada em morada falsa

Suspeita. Entidade que empregava os jornalistas de 'O Primeiro de Janeiro' está registada em morada de espaço que nunca ocupou ou de que nunca foi proprietária. Na nova morada não é visto ninguém há duas semanas. Sindicato teme que acções da Autoridade das Condições de Trabalho sejam prejudicadas.

A Sedico - Sociedade de Edição e Comunicação, a empregadora dos jornalistas de O Primeiro de Janeiro, nunca ocupou nem deteve o espaço com que está registada na Conservatória Comercial do Porto. A garantia é dada pelo dono do espaço onde, outrora, funcionou um stand de automóveis e que se encontra fechado há anos. Já na nova morada indicada pela Sedico, segundo informação constante num papel afixado na porta da redacção do Janeiro, ninguém vê os funcionários há duas semanas. O caso tem contornos estranhos. Segundou apurou o DN, a Sedico encontra-se registada na Conservatória Comercial do Porto como tendo a sua sede no rés-de-chão do número 8 da Rua Caminho do Rego.
Numa das fachadas do espaço encontram-se os contactos para a venda ou aluguer do espaço. O DN telefonou e falou com Mário Pereira, o proprietário. Questionado sobre quando estivera a Sedico ali instalada, este responde que nunca. "Há uns anos, dois ou três, fui contacto por esse senhor da Sedico [José Pereira Reis] para lhe alugar o espaço", conta. Mário Pereira diz que procurou saber quem era o interessado e, perante as informações recolhidas, decidiu não aluguer o espaço. Contudo, para sua surpresa, "passado uns tempos começaram a chegar cartas para a Sedico". "Ele tinha dado a morada de lá, sem ter alugado aquilo", acrescenta Mário Pereira. Durante algum tempo, e porque não tinha o contacto de José Pereira Reis, foi devolvendo as cartas aos correios. Um dia cansou-se. "Comecei a mandar tudo para o lixo", diz. Há cerca de um ano as cartas deixaram de chegar. É nessa altura que, segundo alguns moradores, a Sedico passou a ocupar o rés-de-chão do número 715 na Rua do Taralhão, também em Gondomar. Porém, dizem, "já não se vê ninguém para aí há duas semanas. Não sei se estão de férias", diz uma vizinha. Que acrescenta que o espaço ocupado "pelos senhores de O Primeiro de Janeiro é alugado".
Esta morada é a que a Sedico indica como local para qualquer contacto, segundo um papel afixado na porta da redacção de O Primeiro de Janeiro. No escritório, junto à porta de vidro, são visíveis vários avisos de recepção de cartas. Alguns das cartas que despediram os 32 jornalistas do Janeiro e que se encontram endereçadas à Sedico, mas para a morada da Rua Caminho do Rego, número 8. Na sexta-feira, vários jornalistas de O Primeiro de Janeiro foram a esta morada para obter dos responsáveis da Sedico uma indicação sobre o pagamento de salários em atraso e indemnizações. Porém, também eles foram confrontados com as portas fechadas. Situação que tanto os trabalhadores como o Sindicato de Jornalistas condena. O DN tentou contactar a Sedico, mas não conseguiu descobrir qualquer contacto da empresa.

Hélder Robalo
«Diário de Notícias»

Uma entrevista adiada...

Rui Lança, chefe da Divisão de Desporto do Inatel
“Instituto do Desporto devia ter mais poder”

A entrevista que se segue foi escrita para ser publicada no semanário «Tal & Qual», que acabaria por ser encerrado antes de isso poder acontecer, e depois foi cedida a «O Primeiro de Janeiro», que acabaria por também não a publicar em tempo útil, ou seja, antes da sua transformação em suplemento do que era antes um suplemento seu. O Mente Despenteada III aproveita os restos (salvo seja!) e, só para desenjoar do assunto «Janeiro» – ok, e também para não ter de dar de caras com o senhor Eduardo Oliveira Costa de cada vez que abro o blog, e até mesmo porque acho que o que este rapaz, que é mouro, mas é querido, diz merece ser lido –, dá-vos a conhecer Rui Lança, chefe da Divisão de Desporto do Inatel à altura desta conversa (há dias disse-me que mudou de ramo, mas como não aprofundou a conversa, não sei em que galho salta agora...), que aponta o excesso de regulação no sector e frisa que o IDP deveria ter mais poder.

CARLA TEIXEIRA
Portugal é um dos países europeus com menor percentagem de pessoas que praticam regularmente uma actividade desportiva. Qual é, na sua opinião, a razão do alheamento dos portugueses de uma área que, como espectadores, privilegiam e acompanham assiduamente?
Destacaria alguns aspectos de âmbito social. Infelizmente a actividade desportiva no primeiro ciclo ainda não é uma realidade para todos, e existe um grande hiato depois da idade escolar, com uma quebra enorme nessa idade. Apesar do esforço e da mensagem de que a actividade desportiva proporciona inúmeros benefícios ao indivíduo a nível físico e social, não há ainda uma cultura do desporto como hábito diário ou de alguns dias por semana. No entanto, é necessário referir que estamos a evoluir nesse sentido, e que já há um grande número de desportistas informais, que fogem às estatísticas.

A Gestão do Desporto está ainda a dar os primeiros passos no nosso país, mas há já um elevado número de profissionais que trabalham neste sector nas autarquias, em clubes ou entidades desportivas. A troca de experiências e contactos entre eles é benéfica? De que forma?
A troca de experiências é importante, principalmente se soubermos distinguir a razão por que o projecto X ou Y alcançou o sucesso pretendido ou não. Defendo que deve haver um grande enfoque no processo e não tanto no resultado, ou seja, devemos perceber como chegamos aos resultados e não tanto os resultados em si, embora não queira tirar a importância ao resultado positivo ou construtivo. Pelo que tenho observado internacionalmente, os trainings e fóruns são a forma mais prática, concreta e concisa para que essa troca de informação e experiências se concretize.

Qual é a importância do movimento associativo na angariação de pessoas para a prática de desporto, mesmo que seja apenas na vertente de lazer?
O movimento associativo, juntamente com o escolar, constitui um dos principais angariadores de praticantes. Deverá constituir a nossa pirâmide de praticantes, e posteriormente os próprios atletas decidirão se querem seguir para a competição ou ter outra motivação para a prática.

Há uma lacuna na formação qualificada de técnicos que respondam às necessidades de todas essas entidades? O que é que pode ser feito no sentido de, como defende nos livros que entretanto publicou – «Animação desportiva e tempos livres: Perspectivas de organização» e «O desporto e o lazer: Uma gestão integrada», ambos pela Caminho –, adaptar a realidade às exigências dessas novas áreas?
Não é tanto a falta de técnicos, mas sim a posição que ocupam no que diz respeito à vertente estratégica e ao poder de decisão. As exigências são normais e fazem parte de um processo constante de inovação, oferta, procura e ambiente, em que qualquer pessoa está englobada. Focando o movimento desportivo, existem vários “subserviços”, e no enorme mercado que é o lazer e o tempo livre, o desporto é só mais um. As exigências são inúmeras, e o que defendo é a melhor utilização dos recursos e um remar para um mesmo objectivo, definido previamente.

No prefácio do seu último livro faz-se a apologia da redução da jornada de trabalho (começar a trabalhar mais cedo e acabar mais cedo) como elemento potenciador da prática de exercício físico. Ter mais tempo livre desencadearia maior adesão à prática desportiva? De que forma é que o tempo livre influi no desenvolvimento do sistema desportivo?
Não considero que seja taxativo, mas seria sem dúvida uma boa opção. Veja-se o que acontece no Centro e Norte da Europa… Os próprios estudos indicam que as pessoas apontam a falta de tempo como uma das razões para não fazer desporto. Ter mais tempo livre potencia a adesão das pessoas à prática, seja competitiva ou de manutenção. É importante criar a maior acessibilidade a todos os níveis (sociais, físicos, materiais e temporais).

Defendeu a dada altura, num colóquio com estudantes de gestão do desporto, que “é necessário transmitir a necessidade de uma boa gestão estar presente no dia-a-dia do desporto”, e que o Inatel tem de se adaptar às exigências da sociedade. Que exigências são essas?
São exigências próprias de um mercado cada vez mais competitivo e exigente, o que é bom, porque nos obriga a ser mais rigorosos a todos os níveis. O Inatel tem uma enorme importância na sociedade desportiva e de lazer, e tem, como todas as outras entidades, de se adaptar constantemente às necessidades dos utentes, que passam por mais qualidade, programas de curta duração, diversidade, etc…

A Carta Europeia do Desporto diz que “convém promover a organização e a gestão do desporto organizado numa base profissional, através de estruturas adequadas”, e que “os desportistas profissionais devem ter a protecção e o estatuto social apropriados, bem como de garantias éticas, colocando-os ao abrigo de qualquer forma de exploração”. É isso que acontece em Portugal?
Falta-nos uma organização “umbrella” em alguns sectores desportivos, que assuma uma primeira tomada de decisões, como já acontece em alguns países europeus, e com sucesso. Considero que além de não haver essas estruturas adequadas, em Portugal há demasiadas entidades a regular o sector e com poderes semelhantes, o que cria gaps constantes. Quanto aos desportistas de alta-competição, o Instituto do Desporto de Portugal tem regulado bem, visando uma maior transparência, mas deveria ter mais poder no que diz respeito a algumas modalidades.

O ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, disse que Portugal quer uma viragem na valorização da vertente política do desporto durante a presidência da União Europeia, preconizando “uma presidência pragmática e que resulte no reforço da cooperação”. Concorda com a ingerência do Estado na área do Desporto, ou a estrutura pública deve reduzir o seu impacto e interferência?
A cooperação é uma das formas mais céleres de atingir uma plataforma qualitativa. Considero que o Estado deve garantir a primeira experiência de prática desportiva a todos os cidadãos, assegurando depois que as pessoas escolham o local onde pretendem dar seguimento. Deve descentralizar iniciativas e actividades, sendo, na minha opinião, mais eficiente se houver formação dos clubes, agentes desportivos e entidades, para saber como se realiza um projecto desportivo, recolher fundos, gerir os sempre escassos recursos. Dar ferramentas e não receitas.

Perfil. Rui Lança nasceu em Outubro de 1977 em Lisboa. Apesar de ser ainda bastante jovem, ostenta um currículo impressionante na área do Desporto. Fez a sua licenciatura em Ciências do Desporto e tornou-se mestre em Gestão do Desporto pela Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa. Actualmente desempenha as funções de chefe da Divisão de Desporto do Instituto Nacional para Aproveitamento dos Tempos Livres dos Trabalhadores (Inatel), cargo que durante o ano de 2004 acumulou com o de gestor do Parque de Jogos 1º de Maio, localizado também na capital e detido pelo instituto. Em paralelo, Rui Lança é igualmente professor universitário na área da Gestão Desportiva e do Lazer na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, além de nos últimos anos se ter dedicado, através da frequência de inúmeros seminários e acções, em Portugal e no estrangeiro, à profissão de facilitador e trainer na Internacional Sport and Culture Association, sendo ainda membro do comité jovem do Internacional Sport and Culture Association (ISCA). No início da sua vida profissional, Rui Lança leccionou a disciplina de Educação Física e, como animador, trabalhou com jovens em projectos de reabilitação e de reinserção social. Actualmente está envolvido com programas de desenvolvimento de competências para jovens e adultos. É autor de dois livros sobre a temática da Gestão do Desporto, publicados pela Editora Caminho no âmbito da sua Colecção Desporto e Tempos Livres, estando também a preparar um “projecto inovador” na área da aprendizagem experimental/facilitação, cujo documento orientador terá a colaboração de Jorge Araújo, ex-treinador de basquetebol do Futebol Clube do Porto.

sábado, 9 de agosto de 2008

Postal da semana

Poderá ser verdade? Estarei a ver bem? Eduardo Costa a falar de larápios? Não é que o senhor, que até tem carteira profissional de jornalista e tudo, assina o último artigo de pseudo-opinião do seu «Correio de Azeméis», que pomposamente, e não sei se referindo-se a si mesmo, baptiza de “postal da semana”, com uma bela prosa sobre gatunos e dificuldades sociais? Tem humor, o rapaz…

Assaltado. Assaltaram-me a residência. Rebentaram a fechadura. Remexeram gavetas, desmancharam camas. Surpresa das surpresas: não levaram nada! Estranhei! Um amigo esclareceu: eles andam só à procura de ouro e dinheiro. Não querem mais nada! Vendem-nos a quem funde estes objectos para ouro maciço. Assim percebi a razão de me deixarem computadores, relógios, aparelhagens, etc. Simpáticos. Não me estragaram nada, à excepção da fechadura. Claro que tenho um sistema de alarme. Mas, como nunca havia sido assaltado e vivo em prédio com sistemas mínimos de segurança, tinha a atitude de facilitar. Enquanto me lembre desta, vou ter mais cuidado. Depois da casa roubada, trancas à porta! Talvez também ponha um letreiro a informar aqueles que se dedicam a essa actividade: “juro por minha honra que nesta casa não vive nem mulher nem ouro e dinheiro só algumas moeditas. E os cartões de crédito andam comigo”! Assim facilitava a vida aos ditos cujos e poupava no arranjo da fechadura! A atitude simpática de não me estragarem nada, lembra-me que podemos estar a reviver um bom hábito que os larápios num passado muito distante tinham e que representava uma espécie de código de conduta: quando assaltavam carteiras, remetiam por correio os documentos pessoais! Uma coisa se percebe: talvez por uma boa atitude das forças de segurança, não são muitos os casos de assaltos, atendendo à dimensão dos problemas sociais que atravessamos. Ou talvez, com tantas soluções para sistemas de segurança, provavelmente a vida dos amigos do alheio também não esteja facilitada. Nem para estes a vida parece facilitada.

Eduardo Costa

Muito tempo, muitas memórias...












São memórias de pequenos e grandes momentos. São memórias boas e más, com nome de gente e com amizade, com partidas e chegadas, com saudades e com atritos, com filhos, com enteados, com indigentes e mal-amados, com protegidos, com afectados, com vidrinhos de cheiro e gente sem sensibilidade alguma, com zangas e pazes, com gritos e lágrimas, com carinhos e ausências. Houve de tudo no velho «Janeiro». Até houve roubos, queixas de assédio sexual, despedimentos sumários e ódios que transbordaram para fora da redacção. Houve segredos ocultados em conjunto, uniões de conveniência, alguns amassos e tentativas de sedução. Houve mesmo de tudo no nosso «Janeiro». E o mais estranho é que, mesmo assim, a malta gostava daquilo, mesmo tendo de aguentar cenários de profunda ignomínia à moda de Eduardo Oliveira Costa. Sempre me disseram que o Jornalismo é uma profissão de paixão. O nosso «Janeiro» foi bem a prova disso!

Fotos de Tiago André e Mente Despenteada