Diz o dicionário que “tia” é a irmã do pai ou da mãe, mas no meu caso, e porque um amigo é um irmão escolhido por nós, acabo de ser tia duas vezes, porque sou “irmã” da mãe e do pai! A Raquel e o Rodrigo acabam de ser contemplados com o maior tesouro do mundo: são pais desde ontem. E eu sou, desde ontem, tia! Uma tia babada. O Henrique nasceu com 48 centímetros de altura e 2,8 quilogramas de peso. É o pequenino príncipe da família. Parabéns, Raks e Rodri. E obrigada. Sejam muito, muito felizes.quarta-feira, 22 de abril de 2009
O dia de ontem também foi muito bom!
Diz o dicionário que “tia” é a irmã do pai ou da mãe, mas no meu caso, e porque um amigo é um irmão escolhido por nós, acabo de ser tia duas vezes, porque sou “irmã” da mãe e do pai! A Raquel e o Rodrigo acabam de ser contemplados com o maior tesouro do mundo: são pais desde ontem. E eu sou, desde ontem, tia! Uma tia babada. O Henrique nasceu com 48 centímetros de altura e 2,8 quilogramas de peso. É o pequenino príncipe da família. Parabéns, Raks e Rodri. E obrigada. Sejam muito, muito felizes.O meu dia de ontem foi muito mau…
Muitas e muitas horas nos corredores dos Hospitais da Universidade de Coimbra. Consultas, exames, perícias, longos tempos de espera, dúvidas, medos, anseios, dores, cansaço e lágrimas. Depois vieram os diagnósticos, as recomendações, os novos medicamentos e… a conta na farmácia. Elevada, para não variar! Foi um dia bastante antipático.sábado, 18 de abril de 2009
CDU apresenta candidatos a Matosinhos
Quem me conhece sabe bem que não subscrevo, nem de perto nem de longe, a ideologia comunista, mas que tenho uma profunda admiração por Honório Novo, deputado eleito pela CDU à Assembleia da República, vereador na Câmara Municipal de Matosinhos e um dos últimos políticos realmente sérios e genuinamente empenhados nos direitos, no crescente bem-estar e na melhoria da qualidade de vida daqueles que os elegem. Por isso partilho convosco o convite que Honório Novo acaba de me enviar, na certeza de que são homens desta qualidade e com este espírito de entrega que empurram Portugal, e o mundo, para a frente.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Estas merdas revoltam-me!
Não há nos seres humanos, mesmo nos mais bondosos, um nível de lealdade e de dedicação sequer comparável com o dos animais, e em particular com o dos cães, que idolatram cada um dos elementos das famílias que os acolhem (tenho alguma dificuldade em chamar-lhes “donos”), mesmo se estes os votam ao desprezo, ou se não lhes dão a devida importância. Se os homens são capazes de “vender a própria mãe” em troca de uma qualquer vantagem que momentaneamente lhes pareça mais atractiva, traindo velhos princípios e ideais, os cães não trocam sequer o seu osso velho, e a amizade que nutrem pelas pessoas que os acolhem é sempre genuína e desinteressada.Há quem diga que os animais não pensam.
Eu acho que, mais do que pensar, os animais amam.
É por isso que a notícia que acabo de ler na edição desta semana do «Jornal da Bairrada» me deu o que só posso definir como um ataque de raiva por uma mulher que nem sequer conheço (e que nem pretendo conhecer, porque se a conhecesse espancava-a). De acordo com o JB, uma sujeita de 24 anos residente em Oliveira do Bairro, no distrito de Aveiro, mudou há dias de casa, mas deixou o cão a morrer à fome na varanda do apartamento onde vivia. Alguns dias depois da saída da inquilina, o proprietário do imóvel foi aferir o estado em que este se encontrava, e deu de caras com o cadáver do animal, já em estado de decomposição. Segundo elementos da Equipa de Protecção da Natureza da GNR de Anadia, a “infractora”, que foi prontamente identificada pelo ex-senhorio, poderá incorrer no pagamento de uma contra-ordenação entre 500 e 3500 euros (gostava de ver isso), a instituir pela Direcção-Geral de Veterinária.
Um ser “humano” capaz de abandonar assim um animal não merece sequer viver. E a revolta, até porque este estará longe de ser um caso único (lembram-se daquele “artista” que há uns tempos quis convencer o mundo de que era arte submeter um cão escanzelado a vários dias de fome, e que agora se prepara para repetir o feito numa outra exposição?), só pode incendiar todas as pessoas decentes e realmente humanas que tomam conhecimento de episódios como estes, ainda mais depois de ver que estas “pessoas” terão como castigo, se tiverem, apenas pagamento de uma coima…
Calendário eleitoral

Os níveis de participação dos portugueses – aliás, dos europeus em geral – na generalidade dos actos eleitorais realizados ao longo dos últimos anos, sejam de que natureza forem, são vergonhosos. Um povo que assim se abstém de votar, que prefere fazer qualquer outra coisa a exercer o seu direito e dever de cidadania, não pode depois encher o peito de ar e sair às ruas em protesto contra medidas de governos que (não) elegeu. É igualmente vergonhoso, e é até indecente e imoral. Já aqui vos dei conta daquela que, pelo menos no Brasil, se revela uma medida eficaz no combate à abstenção: o voto obrigatório. O eleitor que não comparecer nas urnas em dia de eleição terá de explicar de forma cabal a sua ausência, sujeitando-se ao pagamento de uma coima. Da maneira que os portugueses são agarrados ao dinheiro, estou em crer que depressa se encheriam de vontade de votar quando a isso fossem chamados. No entanto, tenho outra sugestão, quiçá menos radical, para aumentar os níveis de participação eleitoral dos tugas. Alguém sabe por que razão as eleições se realizam sempre aos domingos, quando é tempo de descanso, de visita à família e aos amigos, de passeios de namorados e de simples preguicite? E se as eleições passassem a realizar-se em dias úteis, em pleno horário de expediente e sem qualquer desconto do tempo de ausência no emprego? Já imaginaram o que era podermos virar-nos para o patrão e dizer: "Vou num instante exercer o meu direito de voto, e se calhar na volta ainda passo pela pastelaria, a comer uma nata"? Aposto que, em menos de nada, a abstenção caía para níveis residuais! É isso ou a insónia já não me deixa pensar claramente…
Se pensarmos que me deitei às 2h11...
“A insónia é a dificuldade em conciliar o sono ou permanecer adormecido, ou uma alteração no padrão do sono que, ao despertar, leva à percepção de que o sono foi insuficiente (…). Não é uma doença, mas um sintoma. Pode ser consequência de diversas perturbações emocionais e físicas e do uso de medicamentos. A dificuldade em conciliar o sono é frequente entre jovens e idosos e muitas vezes manifesta-se no decurso de alterações emocionais, como a ansiedade, o nervosismo, a depressão ou o temor. Há mesmo pessoas que têm dificuldade em conciliar o sono simplesmente porque não experimentam cansaço, nem físico nem mental”. Manual MerckSão cinco da manhã...
quarta-feira, 15 de abril de 2009
terça-feira, 14 de abril de 2009
Na sombra de uma expectativa...
Viver é um acto estranho. Surge do nada, sem uma manifestação de vontade de quem vive, e demora-se nesse mundo de dificuldades que é ser, além de apenas existir. A expectativa é um lugar também impregnado dessa estranheza do acto de viver. Surge de um sinal pequenino, de uma esperança imaterial e quiçá abusiva, cola-se a nós como uma sequiosa sanguessuga, e no fim, quando a esperança se vai e nada acontece, deixa-nos secos, caídos no solo armadilhado de uma existência inexplicável. Um beijo adiado, um convite que não chega a sê-lo, um sonho que se esvai com o cair da noite, e tudo volta a ser cinzento, depois da ameaça das cores que não chegaram a pintar-nos o coração. Talvez amanhã…segunda-feira, 13 de abril de 2009
Entre Braga e Bolonha...
Há alguns anos, tive o grato prazer de entrevistar Novais Barbosa, então reitor da Universidade do Porto, a propósito do Processo de Bolonha. Nessa altura, o “processo” era um mistério, em torno do qual pululavam mais perguntas do que respostas, e muitas, muitas opiniões. No entanto, talvez apenas hoje, em Braga, tenha realmente percebido o quanto o dito “processo” afectou a realidade do Ensino Superior em Portugal e nos restantes 44 países que entretanto aderiram àquela medida de reorganização dos cursos. No curso que frequentei, por exemplo, as mudanças foram evidentes: além do nome – que passou de “Licenciatura em Comunicação Social” para “Licenciatura em Ciências da Comunicação” –, a introdução das regras de Bolonha fez com que a estrutura curricular sofresse uma redução ainda mais notória da carga horária do que é comum noutros cursos: é que a maioria dos cursos existentes até à reformulação tinha a duração de quatro anos, enquanto o curso de Comunicação Social da Universidade do Minho tinha cinco.No meu tempo, cada um dos primeiros quatro anos da licenciatura era composto por seis cadeiras anuais, e no quinto ano havia seis disciplinas semestrais e um estágio com a duração de um semestre. Actualmente, existem 12 cadeiras semestrais, ao longo de três anos, mas no final não há qualquer estágio. Ou seja, enquanto eu teria de obter aprovação em 24 cadeiras anuais, seis semestrais e um estágio prático em ambiente laboral, e só assim daria por completa a minha formação de nível superior (que não dei ainda, porque deixei “penduradas” duas semestrais e uma anual, os estudantes do “mesmo” curso têm agora de fazer apenas 36 cadeiras semestrais. Perdoem-me os mais entusiastas do Processo de Bolonha, mas eu acho que a coisa os favoreceu um pedaço! Têm disciplinas com menor carga horária, perdem menos tempo na Universidade (é menos tempo a pagar propinas), e no fim saem do curso sem terem sequer feito um estágio numa qualquer empresa real.
Para cúmulo, se eu quisesse terminar o meu curso neste momento, apesar de lá ter andado mais tempo do que qualquer um dos actuais estudantes, e de ter obtido aprovação a tantas ou mais disciplinas do que alguns deles, provavelmente ainda teria de lá perder uns tempos, visto que as cadeiras que me faltam simplesmente deixaram de estar contempladas no plano de estudos da nova licenciatura. Por outro lado, sei de fonte segura que as empresas preferem contratar licenciados da “velha” guarda, antes de Bolonha, apesar de – há que reconhecê-lo – o novo plano de estudos ter uma maior componente prática e uma orientação mais feliz para as áreas multimédia, cada vez mais importantes no exercício do Jornalismo, da Assessoria de Imprensa, das Relações Públicas e das áreas afins.
E é por isso que ainda não descortinei que valeu a pena saltar da cama, às 8h30 da madrugada de hoje, para rumar à magnífica cidade de Braga e perscrutar as hipóteses de, agora que estou no desemprego, dar continuidade à minha formação universitária e, numa altura em que nem sei se alguma vez voltarei a ser jornalista, concluir a minha licenciatura em Comunicação Social (ou Ciências da Comunicação, whatever...). O tempo dirá.
terça-feira, 7 de abril de 2009
Onde fica o interesse dos doentes?!
Há algumas semanas fiz uma bateria de análises e exames, no âmbito das já consultas de rotina na sequência da tromboembolia pulmonar que sofri há pouco mais de um ano. Foi-me receitado, entre outras coisas, um medicamento para controlar a taxa de colesterol, que estava bastante elevada. Era um medicamento de marca, e da receita constava a indicação de que o médico não autorizava a troca do fármaco prescrito por um genérico com as mesmas indicações terapêuticas, mas, certamente por esquecimento, a receita não vinha assinada pelo clínico. Talvez por isso, e porque não tinha em stock o medicamento receitado, a farmacêutica que me atendeu optou por me entregar um genérico que, garantiu, tinha precisamente o mesmo princípio activo e as mesmíssimas indicações terapêuticas. Eu, que não estava habituada a ver os farmacêuticos usarem aquela prerrogativa, questionei a senhora sobre os efeitos da troca, ao que ela me respondeu que assim pouparia bastante dinheiro, dado que o genérico custava “menos de metade” do medicamento de marca, apesar de garantir o mesmo efeito e a mesma qualidade.Nessa altura ainda não estava desempregada e sem qualquer fonte de rendimento, como estou hoje, mas não era, como nunca fui e como não é a maior parte dos portugueses que conheço, uma pessoa que estivesse exageradamente à vontade com o orçamento mensal que me cabia em sorte. E por isso mesmo agradeci a atenção da farmacêutica em questão. Nos últimos dias, na sequência da polémica instalada entre médicos, farmacêuticos e Ministério da Saúde, fiquei a saber que o acto de aparente generosidade daquela técnica poderá afinal implicar a recusa da comparticipação por parte da tutela. De acordo com as notícias mais recentes, a ministra da Saúde anunciou hoje que o Serviço Nacional de Saúde não pagará às farmácias a comparticipação dos fármacos que forem substituídos pelo genérico mais barato sem autorização do médico, recomendação feita pela Associação Nacional de Farmácias aos seus membros. Ana Jorge diz que essa substituição, à revelia do médico prescritor, “é ilegal” e nada tem a ver com a prática que existe nas farmácias hospitalares, que obedece a formulários específicos elaborados por uma equipa multidisciplinar.
As leis mudam-se!
Também neste argumento da ministra entronca a minha indignação. É que há muitas e muitas coisas que são ilegais e que de um momento para o outro deixam de ser, simplesmente porque as leis são alteradas (é esse mesmo o trabalho dos responsáveis políticos, eleitos por nós). Afinal, não deverá o interesse dos doentes ser superior aos interesses dos médicos, que alegadamente nada ganham com a prescrição deste ou daquele medicamento? Não deve o Estado zelar pelos interesses dos cidadãos, acautelando precisamente o seu acesso a bens essenciais, de entre os quais a Saúde será, com toda a certeza, o mais importante? Custará assim tanto mudar uma lei, se essa mudança permitir a todos os doentes deste país, poupar largas dezenas de euros ao fim de um mês? A quem interessa, afinal, que a lei se mantenha, onerando um produto do qual pode, no limite, depender uma vida? Até que ponto pode um médico resolver o montante que pode gastar o seu doente? Será isso ético? Será ético que a ministra da Saúde tome o partido dos que penalizam milhares de doentes, auscultando-se numa ilegalidade que tão facilmente pode ser eliminada? Será, porventura, mais importante que os nossos deputados, eleitos por nós, se concentrem na produção de leis sobre a despenalização do aborto ou o casamento dos homossexuais, em vez de limar as arestas mais cortantes de uma lei que diz respeito a todos, e que impede uns quantos de terem a saúde que merecem? Fica a pergunta, e este meu desabafo…
"Já limpei casas para sobreviver"...
Elsa Raposo, a quem desconheço qualquer contributo pessoal ou profissional para fazer algo de bom por ela ou por qualquer outra pessoa (é conhecida sobretudo por múltiplos affaires inconsequentes), disse numa entrevista recente que já limpou casas para sobreviver, como se limpar casas fosse algo indigno ou vergonhoso! Esta declaração valeu-lhe uma capa de revista em pose pseudo-sensual e uma referência em vários programas de fofocas da nossa TV. Ora, se há coisas que me repugnam, esta é uma delas. Quantas mulheres vivem e sobrevivem de limpar casas de outras pessoas, há anos e anos, sem verem sequer referido o seu esforço diário para sustentar os filhos e conciliar todos os exigentes momentos de uma vida moderna? E quantas dessas mulheres tentam aproveitar-se disso para serem conhecidas e faladas nos media? Quantas delas acharão que vale a pena fazer de tudo para ser capa de revista? Quantas delas foram, pelo menos uma vez na vida, elogiadas por serem quem são, no recato das suas vidas e não na praça pública para onde esta senhora tenta constantemente atirar-se, numa abominável sede de protagonismo que não se justifica em quem nunca fez nada de valoroso na vida?
segunda-feira, 6 de abril de 2009
A política em todo o seu esplendor!
Foto: Carla Teixeira (Arquivo)
Onde é que eles moravam, onde era?
Acabo de ver no noticiário da TVI a notícia de um ataque a tiro a dois jovens de Ermesinde nesta madrugada. Ao que parece, de dentro de um carro em movimento foram disparados tiros que atingiram os dois jovens - um numa mão, o outro numa perna e num pé -, obrigando-os a receber assistência no Hospital de S. João, no Porto. Permanecem desconhecidas as razões deste ataque, e eu, como o resto da malta, não faço puto de ideia de quem eles são nem por que foram atacados, mas arrisco uma piadola inconsequente: o ataque deu-se na Rua 1º de Janeiro...
Ok, eu sei que não tem nada a ver!
Mas não resisti...
Ok, eu sei que não tem nada a ver!
Mas não resisti...
Dúvidas quase existenciais…

Por que é que os Hospitais da Universidade de Coimbra convocam os seus pacientes para a realização de exames às oito horas da manhã de uma segunda-feira se o serviço onde esses exames terão de ser realizados só dá início ao atendimento ao público depois das 8h30?Por que é que os utentes que vão fazendo fila à porta do secretariado do referido serviço – quase todos com idade superior a 60 anos – têm de aguardar no corredor do serviço, de pé? Será esta a “prova de esforço” a que se refere a placa que pende sobre as nossas cabeças?
Por que é que, fruto dessa desinteressante antecipação de horários, uma paciente (e eu estava muito paciente hoje…) que consegue o quarto lugar na lista de espera, depois de uma hora de pé num corredor frio e povoado de doentes com muita vontade de socializar, tem de aguardar a manhã toda para realizar um mero ecocardiograma, depois de os três primeiros doentes terem sido chamados em menos de 15 minutos?
Por que é que só depois de uma hora à espera, e de ter ido a paciente a perguntar o que se passava, é que se dignaram a dar uma explicação (bastante curiosa, a propósito) para a demora em chamar os restantes doentes?
Por que é que num hospital desta envergadura, e onde tudo – mesmo tudo, da qualidade técnica dos médicos à simpatia e boa vontade dos funcionários e à funcionalidade dos serviços – me agradava tanto até ao momento, de repente se dá conta, na manhã do dia 6 de Abril, que perdeu os exames que uma doente realizou no dia 19 de Março, no momento em que a senhora já se encontra na mesa do bloco operatório, obrigando a inviabilizar a utilização do equipamento até que sejam encontrados, na memória do mesmo, os dados daquela paciente? Será que ninguém confirmou se o DVD tinha sido bem gravado antes da intervenção cirúrgica a que a senhora teve de ser submetida?!
Fotos: Carla Teixeira
domingo, 5 de abril de 2009
Já só faltam cinco semanas!
Falta pouco mais de um mês para que os meus manos do coração – Raquel e Rodrigo – façam de mim a tia mais babada do Universo. O Henrique vai nascer no início de Maio, e tem desde já garantido o mesmo amor incondicional que me liga aos pais dele. Parabéns, mana pequenina e cunhado! Vocês vão ser pais dos melhores que há no mundo! O maior desafio das vossas (nossas) vidas está agora a começar. E juntos seremos capazes de fazer do Henrique um cidadão de topo! Beijos para os três!quinta-feira, 2 de abril de 2009
terça-feira, 31 de março de 2009
segunda-feira, 30 de março de 2009
Eleições Autárquicas em Anadia*
PSD/Anadia em bloco ao lado do seu presidente
José Manuel Ribeiro não pondera candidatura
José Manuel Ribeiro não pondera candidatura
independente à Câmara Municipal de Anadia
A Comissão Política de Secção do PSD de Anadia reiterou hoje, em conferência de imprensa realizada na sede da estrutura, o seu “apoio incondicional” à candidatura de José Manuel Ribeiro à Câmara Municipal nas autárquicas do próximo mês de Outubro, apesar de o nome do deputado e actual vice-presidente do grupo parlamentar social-democrata ter sido chumbado pela Comissão Política Distrital no passado dia 2. Escolhido por unanimidade no seio da CPS/PSD, o nome de José Manuel Ribeiro reuniu a esmagadora maioria (94%) dos votos da respectiva Assembleia de Secção, mas esbarrou na recusa, injustificada, da Distrital laranja. Não obstante, o deputado garantiu ao ANADIA SEM GENTE que não pondera desvincular-se do partido para poder avançar com uma candidatura independente: “Sou uma pessoa de partido”, vincou.
Num comunicado lido aos jornalistas pelo próprio José Manuel Ribeiro, a CPS/PSD de Anadia voltou a dar conta da sua “indignação” perante a actuação “ilegítima” da Distrital, e lavrou um “veemente protesto” contra o “acidente” ocorrido na reunião alargada do PSD de Aveiro, esclarecendo que “não há qualquer fundamento” válido para a recusa do nome proposto por aquela comissão política. “Não se pode recusar uma pessoa porque não se gosta dela, porque não se gosta do percurso político-partidário distrital, porque apoiou ou não certos projectos distritais e/ou nacionais, ou porque se está a cumprir ordens de alguém”, lembrou o presidente da secção, sem querer especificar a que ordens, ou de quem, estaria a referir-se. José Manuel Ribeiro deixou bem claro que “a CPS/PSD de Anadia não se demite do exercício das suas competências, antes faz delas ponto de honra da sua actuação, pois representam, não um qualquer capricho ou birra, mas o exercício livre do direito de participação partidária de um conjunto de pessoas que assumem em pleno o mandato que lhes foi conferido directamente pelos militantes”.
Na óptica dos social-democratas anadienses, quem terá extravasado o âmbito da Lei nº 169/99, que estabelece o Regime Jurídico do Funcionamento dos Órgãos das Autarquias Locais, terá sido a própria Comissão Política Distrital, que sem avançar uma qualquer razão válida para isso, resolveu indeferir a candidatura preconizada pela CPS/PSD de Anadia. Questionado sobre a “desobediência” perpetrada pela própria secção, tendo em conta a indicação deixada pela direcção nacional do partido no sentido de reconduzir como candidatos os autarcas actualmente em funções, se estes assim o desejassem, o deputado explicou que, também nesse aspecto, a realidade é clara: “A direcção nacional do partido entendeu dar o seu apoio aos actuais autarcas sempre que possível, e se estes o desejassem. Ora, no nosso entender, há motivações de várias ordens para que Litério Marques não seja candidato pelo PSD, pelo que não consideramos ter violado a indicação da direcção nacional do partido”, sublinhou José Manuel Ribeiro.
O ANADIA SEM GENTE sabe que a Comissão Política de Secção entregou à Distrital e aos órgãos de cúpula do partido um dossier que explana os factos que, para os apoiantes da candidatura autárquica do presidente da Assembleia Municipal são “suficientes” para dar como inviável a recondução no cargo do actual presidente de câmara. Por uma questão de “transparência, imagem e credibilidade”, o nome de Litério Marques deveria ter merecido a recusa do partido, tanto mais que o nome de José Manuel Ribeiro granjeia expressivo acolhimento junto dos órgãos locais do partido e, mais importante ainda, junto da população anadiense. Num paralelismo com os casos de Isaltino Morais (presidente da Câmara Municipal de Oeiras) e Valentim Loureiro (presidente da Câmara Municipal de Gondomar), a quem o partido retirou apoio por estarem envolvidos em processos judiciais, embora na altura não fossem ainda arguidos, José Manuel Ribeiro considerou que “os órgãos competentes têm noção” dos impedimentos associados ao nome de Litério Marques, mas não quis confirmar se o dossier entregue pela CPS/PSD de Anadia contém documentos que possam apontar o actual autarca como possível arguido em qualquer processo judicial.
“O Carnaval foi há pouco”…
Instado a dizer até onde estará disposto a ir para garantir a aprovação da sua candidatura à Câmara Municipal de Anadia, José Manuel Ribeiro enfatizou que “a comissão política de secção é um órgão colegial, que age em colectivo, por maioria, e não apenas com base na vontade do seu presidente”. Por isso, se a Distrital voltar a recusar a sua candidatura – a CPS/PSD de Anadia voltou a propor o seu nome, na última sexta-feira, pelo que a breve trecho haverá lugar a uma nova votação –, “a comissão política de secção terá de reunir novamente, avaliar a situação e agir em conformidade”. No entanto, o deputado garante que não lhe passa pela cabeça avançar como independente ou dissolver a actual comissão de secção: “Esta situação não pode pôr em causa a continuidade de uma equipa eleita”. No que diz respeito aos resultados da reunião alargada da Distrital que culminou no chumbo do seu nome, José Manuel Ribeiro apontou a preferência bem vincada dos órgãos intervenientes no processo (100% dos votos na CPS/PSD e 94% na Assembleia de Secção, e questionou-se sobre se “terá o nome do candidato de ser aprovado com 120% dos votos”.
O presidente dos social-democratas anadienses está convicto de que na reunião alargada do PSD de Aveiro houve “manobras” para recusar o seu nome, e diz mesmo que sabe quem são as pessoas por detrás desse esquema. “Pode a Distrital mascarar a situação com o voto secreto, mas nós sabemos, e temos plena noção do que foi feito, e a seu tempo divulgaremos essa informação. Estamos à espera de ter mais elementos para concluir e anunciar o que se passou. O Carnaval foi há pouco tempo. Eles podem até mascarar-se de índios”, ironizou José Manuel Ribeiro.
Texto de Carla Teixeira
Fotografia de Ana Jesus Ribeiro
in Anadia sem Gente
Num comunicado lido aos jornalistas pelo próprio José Manuel Ribeiro, a CPS/PSD de Anadia voltou a dar conta da sua “indignação” perante a actuação “ilegítima” da Distrital, e lavrou um “veemente protesto” contra o “acidente” ocorrido na reunião alargada do PSD de Aveiro, esclarecendo que “não há qualquer fundamento” válido para a recusa do nome proposto por aquela comissão política. “Não se pode recusar uma pessoa porque não se gosta dela, porque não se gosta do percurso político-partidário distrital, porque apoiou ou não certos projectos distritais e/ou nacionais, ou porque se está a cumprir ordens de alguém”, lembrou o presidente da secção, sem querer especificar a que ordens, ou de quem, estaria a referir-se. José Manuel Ribeiro deixou bem claro que “a CPS/PSD de Anadia não se demite do exercício das suas competências, antes faz delas ponto de honra da sua actuação, pois representam, não um qualquer capricho ou birra, mas o exercício livre do direito de participação partidária de um conjunto de pessoas que assumem em pleno o mandato que lhes foi conferido directamente pelos militantes”.
Na óptica dos social-democratas anadienses, quem terá extravasado o âmbito da Lei nº 169/99, que estabelece o Regime Jurídico do Funcionamento dos Órgãos das Autarquias Locais, terá sido a própria Comissão Política Distrital, que sem avançar uma qualquer razão válida para isso, resolveu indeferir a candidatura preconizada pela CPS/PSD de Anadia. Questionado sobre a “desobediência” perpetrada pela própria secção, tendo em conta a indicação deixada pela direcção nacional do partido no sentido de reconduzir como candidatos os autarcas actualmente em funções, se estes assim o desejassem, o deputado explicou que, também nesse aspecto, a realidade é clara: “A direcção nacional do partido entendeu dar o seu apoio aos actuais autarcas sempre que possível, e se estes o desejassem. Ora, no nosso entender, há motivações de várias ordens para que Litério Marques não seja candidato pelo PSD, pelo que não consideramos ter violado a indicação da direcção nacional do partido”, sublinhou José Manuel Ribeiro.
O ANADIA SEM GENTE sabe que a Comissão Política de Secção entregou à Distrital e aos órgãos de cúpula do partido um dossier que explana os factos que, para os apoiantes da candidatura autárquica do presidente da Assembleia Municipal são “suficientes” para dar como inviável a recondução no cargo do actual presidente de câmara. Por uma questão de “transparência, imagem e credibilidade”, o nome de Litério Marques deveria ter merecido a recusa do partido, tanto mais que o nome de José Manuel Ribeiro granjeia expressivo acolhimento junto dos órgãos locais do partido e, mais importante ainda, junto da população anadiense. Num paralelismo com os casos de Isaltino Morais (presidente da Câmara Municipal de Oeiras) e Valentim Loureiro (presidente da Câmara Municipal de Gondomar), a quem o partido retirou apoio por estarem envolvidos em processos judiciais, embora na altura não fossem ainda arguidos, José Manuel Ribeiro considerou que “os órgãos competentes têm noção” dos impedimentos associados ao nome de Litério Marques, mas não quis confirmar se o dossier entregue pela CPS/PSD de Anadia contém documentos que possam apontar o actual autarca como possível arguido em qualquer processo judicial.
“O Carnaval foi há pouco”…
Instado a dizer até onde estará disposto a ir para garantir a aprovação da sua candidatura à Câmara Municipal de Anadia, José Manuel Ribeiro enfatizou que “a comissão política de secção é um órgão colegial, que age em colectivo, por maioria, e não apenas com base na vontade do seu presidente”. Por isso, se a Distrital voltar a recusar a sua candidatura – a CPS/PSD de Anadia voltou a propor o seu nome, na última sexta-feira, pelo que a breve trecho haverá lugar a uma nova votação –, “a comissão política de secção terá de reunir novamente, avaliar a situação e agir em conformidade”. No entanto, o deputado garante que não lhe passa pela cabeça avançar como independente ou dissolver a actual comissão de secção: “Esta situação não pode pôr em causa a continuidade de uma equipa eleita”. No que diz respeito aos resultados da reunião alargada da Distrital que culminou no chumbo do seu nome, José Manuel Ribeiro apontou a preferência bem vincada dos órgãos intervenientes no processo (100% dos votos na CPS/PSD e 94% na Assembleia de Secção, e questionou-se sobre se “terá o nome do candidato de ser aprovado com 120% dos votos”.
O presidente dos social-democratas anadienses está convicto de que na reunião alargada do PSD de Aveiro houve “manobras” para recusar o seu nome, e diz mesmo que sabe quem são as pessoas por detrás desse esquema. “Pode a Distrital mascarar a situação com o voto secreto, mas nós sabemos, e temos plena noção do que foi feito, e a seu tempo divulgaremos essa informação. Estamos à espera de ter mais elementos para concluir e anunciar o que se passou. O Carnaval foi há pouco tempo. Eles podem até mascarar-se de índios”, ironizou José Manuel Ribeiro.
Texto de Carla Teixeira
Fotografia de Ana Jesus Ribeiro
in Anadia sem Gente
sábado, 28 de março de 2009
sexta-feira, 27 de março de 2009
Yoga do riso?!
Chego a casa e ligo a televisão. RTP1. Está a dar, naquele programa apresentado pela Dina Aguiar, um apontamento de reportagem sobre o “yoga do riso”. Pois… Um grupo de velhinhos abana-se e exala umas gargalhadas tão falsas como qualquer nota de mil euros, às ordens de um senhor de cabelos brancos que, pomposamente, se intitula “líder do riso”. A jornalista vai interrompendo a “aula” com umas perguntinhas que nem um menino de quatro anos faria, e pronto, “é divertido”…
Dá para rir, dá. Mas é de pena…
Dá para rir, dá. Mas é de pena…
terça-feira, 24 de março de 2009
Um herói dos tempos modernos...
Um bombeiro tailandês vestiu-se na terça-feira de Homem Aranha para conseguir que um rapaz autista de oito anos abandonasse a varanda de um terceiro andar de onde parecia prestes a atirar-se, informou esta terça-feira a polícia. O episódio ocorreu numa escola especial de Banguecoque, onde um professor se deu conta que um dos alunos saíra por uma janela do terceiro piso e não fazia caso dos chamamentos para que saísse dali. A mãe informou a polícia que o filho era um grande entusiasta de super-heróis e pouco depois um bombeiro apareceu vestido de Homem Aranha na tentativa de resgatar a criança. «Parece incrível, mas o menino lançou-se-lhe nos braços assim que o viu», relatou o sargento Virat Boonsadao, explicando que o bombeiro guardava o fato de Homem Aranha no seu cacifo e utilizava-o para amenizar os intervalos dos ensaios anti-incêndios.
in Portugal Diário
in Portugal Diário
Quem está a ser teimoso, afinal?
Não percebo muito bem por que razão tem o PS de contar com o entendimento (leia-se aval) do PSD para a nomeação do substituto de Nascimento Rodrigues no cargo de provedor de Justiça. Bem sei da obrigatoriedade dos dois terços, mas acho que não faz sentido que um governo de maioria absoluta tenha de depender de um partido minoritário para nomear quem quer que seja para um cargo. Mas o que ainda me custa mais a perceber é o motivo de tanto alarido social-democrata quanto ao facto de o PS insistir no nome de Jorge Miranda, quando os últimos cinco provedores de Justiça, escolhidos desde 1990, foram indicados pelo PSD…Para que conste:
1975 – Manuel Brás, encarregou-se da instalação da Provedoria;
1976 – José Maria Magalhães Godinho, indicado pelo PS;
1981 – Eudoro Pamplona Côrte-Real, indicado pela AD;
1985 – Ângelo Vidal Ribeiro, indicado pelo PS;
1990 – Mário Ferreira Raposo, indicado pelo PSD;
1992 – Menéres Sampaio Pimentel, indicado pelo PSD;
1997 – Menéres Sampaio Pimentel, indicado pelo PSD;
2000 – Henrique Nascimento Rodrigues, indicado pelo PSD;
2004 – Henrique Nascimento Rodrigues, indicado pelo PSD.
Saliente-se que o socialista António Guterres foi o único primeiro-ministro a nomear um provedor de Justiça que não subscrevia a sua orientação política. Na verdade, dois. Curiosamente, o provedor que ainda se mantém em funções, bem como o seu antecessor, no seu segundo mandato. Está fácil de ver, portanto, quem tem a razão neste diferendo entre o PS de José Sócrates e o PSD de Manuela Ferreira Leite, embora, na minha opinião, pouco importe o partido de que é militante o senhor que venha a ser escolhido.
domingo, 22 de março de 2009
Manuela Ferreira Leite na Curia
Arrancou na passada sexta-feira e terminou há poucas horas, no Grande Hotel da Curia, aqui ao lado, a terceira edição da Universidade da Europa, uma iniciativa dinamizada pelo PSD, pelo seu grupo de eurodeputados e pela Juventude Social-Democrata que funciona como acção de formação destinada aos jovens quadros do partido laranja, e em que marcaram presença importantes figuras do partido, como Carlos Coelho (deputado europeu), Silva Peneda e Duarte Freitas (deputados nacionais), Pedro Rodrigues (presidente da JSD), João de Deus Pinheiro (vice-presidente do PPE), Ignacio Salafranca (deputado e coordenador do PPE na Comissão dos Assuntos Externos), e Manuela Ferreira Leite, que encerrou o encontro. Rubricando um discurso bastante previsível, pelo menos na tónica acusadora, a líder do PSD não foi parca nas críticas a José Sócrates e ao seu governo, que acusou de ser perdulário no que às contas da União Europeia diz respeito.
Na opinião de Manuela Ferreira Leite, foi “por incompetência” que o executivo socialista “não aproveitou os recursos e a solidariedade europeia”. Essa incompetência, acrescentou, terá sido perceptível em todos os sectores de actividade nacionais, mas atingiu com particular violência a Agricultura, que conta “milhares de agricultores, de norte a sul do país, privados de recursos a que tinham direito”. A tão propalada crise económica foi outro dos temas abordados pela líder laranja no encerramento do encontro na Curia, quando mostrou não acreditar que é agora, depois de ao longo de três anos de governação, ter demonstrado uma completa “ausência de visão clara sobre o que é estratégico para Portugal”, que o Governo vai ter essa capacidade. Parece assente, na ideia da líder do PSD, que com José Sócrates ao leme, Portugal está condenado ao naufrágio económico. Ainda em tom crítico, Manuela Ferreira Leite falou do problemático processo de escolha do nome que há-de suceder a Nascimento Rodrigues no cargo de provedor de Justiça, para dizer que os socialistas “nunca responderam” à sugestão do PSD: “Uma falta de respeito”, vincou.
“Sensata” e “construtiva” foi como a presidente social-democrata considerou a proposta de Paulo Portas, no sentido de que o processo seja retomado do seu ponto zero, defendendo a intervenção do presidente da Assembleia da República, Jaime Gama. “O que há, neste processo, é uma actuação verdadeiramente inconcebível por parte do PS. Ter tornado públicos os nomes das pessoas, o não aceitar a proposta feita pelo PSD há muitos meses, em relação à qual nem se dignou responder, e colocar as pessoas indigitadas numa posição desagradável é uma falta de respeito pela instituição da Provedoria de Justiça verdadeiramente inaceitável”, disparou, considerando ainda que Jorge Miranda (proposto pelo PS) é “um nome muito respeitável”, mas contrapondo que também merece o mesmo respeito o sugerido pelos social-democratas.
Nos dias que antecederam a realização desta terceira edição da Universidade da Europa, circulou por todo o concelho de Anadia o boato de que os militantes locais pretendiam surpreender a presidente do partido. A “espera” teria como objectivo, segundo o Mente Despenteada conseguiu apurar, fazer pressão sobre Ferreira Leite, no sentido de a convencer de que o candidato desejável à câmara local será José Manuel Ribeiro, líder da concelhia, e não Litério Marques, o actual autarca, que já mostrou vontade de se recandidatar. Dizia-se que os militantes afectos ao líder da concelhia receberiam a sua líder junto ao Grande Hotel, empunhando cartazes e faixas, capitalizando a esperada presença de jornalistas no local. É verdade que não estava junto ao hotel no nomento em que Manuela Ferreira Leite chegou, mas não dei por qualquer manifestação, e também não houve quem me falasse disso…
Na opinião de Manuela Ferreira Leite, foi “por incompetência” que o executivo socialista “não aproveitou os recursos e a solidariedade europeia”. Essa incompetência, acrescentou, terá sido perceptível em todos os sectores de actividade nacionais, mas atingiu com particular violência a Agricultura, que conta “milhares de agricultores, de norte a sul do país, privados de recursos a que tinham direito”. A tão propalada crise económica foi outro dos temas abordados pela líder laranja no encerramento do encontro na Curia, quando mostrou não acreditar que é agora, depois de ao longo de três anos de governação, ter demonstrado uma completa “ausência de visão clara sobre o que é estratégico para Portugal”, que o Governo vai ter essa capacidade. Parece assente, na ideia da líder do PSD, que com José Sócrates ao leme, Portugal está condenado ao naufrágio económico. Ainda em tom crítico, Manuela Ferreira Leite falou do problemático processo de escolha do nome que há-de suceder a Nascimento Rodrigues no cargo de provedor de Justiça, para dizer que os socialistas “nunca responderam” à sugestão do PSD: “Uma falta de respeito”, vincou.
“Sensata” e “construtiva” foi como a presidente social-democrata considerou a proposta de Paulo Portas, no sentido de que o processo seja retomado do seu ponto zero, defendendo a intervenção do presidente da Assembleia da República, Jaime Gama. “O que há, neste processo, é uma actuação verdadeiramente inconcebível por parte do PS. Ter tornado públicos os nomes das pessoas, o não aceitar a proposta feita pelo PSD há muitos meses, em relação à qual nem se dignou responder, e colocar as pessoas indigitadas numa posição desagradável é uma falta de respeito pela instituição da Provedoria de Justiça verdadeiramente inaceitável”, disparou, considerando ainda que Jorge Miranda (proposto pelo PS) é “um nome muito respeitável”, mas contrapondo que também merece o mesmo respeito o sugerido pelos social-democratas.
Nos dias que antecederam a realização desta terceira edição da Universidade da Europa, circulou por todo o concelho de Anadia o boato de que os militantes locais pretendiam surpreender a presidente do partido. A “espera” teria como objectivo, segundo o Mente Despenteada conseguiu apurar, fazer pressão sobre Ferreira Leite, no sentido de a convencer de que o candidato desejável à câmara local será José Manuel Ribeiro, líder da concelhia, e não Litério Marques, o actual autarca, que já mostrou vontade de se recandidatar. Dizia-se que os militantes afectos ao líder da concelhia receberiam a sua líder junto ao Grande Hotel, empunhando cartazes e faixas, capitalizando a esperada presença de jornalistas no local. É verdade que não estava junto ao hotel no nomento em que Manuela Ferreira Leite chegou, mas não dei por qualquer manifestação, e também não houve quem me falasse disso…
sábado, 21 de março de 2009
Um mini-santuário no meio da rua...
Numa das ruas da pacata localidade de Mogofores – freguesia do concelho de Anadia onde, por estes dias, passo grande parte do meu tempo –, há um monumento religioso em plena faixa de rodagem. O dito monumento, paredes meias com o Colégio Salesiano de S. João Bosco, onde D. Ximenes Belo, bispo de Timor, passa grandes temporadas, ocupa toda a faixa descendente da Rua Visconde de Seabra, obrigando os automóveis a manobras pouco católicas…
sexta-feira, 20 de março de 2009
O princípio do fim... aos 27!
Se algum dos meus despenteados amigos é daqueles que acreditam que começaram a ficar velhos no dia em que completaram uma determinada idade, ou quando detectaram o primeiro cabelo branco, as entradas mais largas e as articulações mais presas e dolorosas, quando precisaram de usar óculos ou quando começaram a gostar de telenovelas e de sacos de água quente à noite, desenganem-se! A velhice chega bem antes disso! Segundo uma equipa de investigadores da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, a esmagadora maioria das pessoas que conheço faz já parte do fantástico grupo a que a sociedade convencionou chamar idosos. É que, de acordo com os resultados de um estudo agora divulgado, a velhice começa aos 27 anos (?!), porque é nessa idade que as nossas capacidades mentais começam a definhar, exactamente cinco anos depois de terem estado no seu ponto mais elevado de habilidade cognitiva. Timothy Salthouse, responsável por esta investigação, afirmou que os resultados agora divulgados permitem constatar que os tratamentos desenvolvidos para controlar o envelhecimento mental devem ser iniciados muito antes de os sinais de esgotamento começarem a ser visíveis. “O declínio da capacidade cognitiva começa entre os 20 e os 30 anos, mesmo em pessoas saudáveis”, declarou o investigador. Recordo que foi nessa idade que Kurt Cobain, Janis Joplin, Jim Morrison e Jimmy Hendrix morreram. Afinal, já morreram velhos…quinta-feira, 19 de março de 2009
Do Portugal real: a porca Joana!
Dorme no sofá da sala, só come comida cozinhada, adora um docinho e toma um banho por dia. Estas são apenas algumas das particularidades da “Joana” - uma porca com 10 meses de idade e 200 quilos de peso que o casal Ortélia Seco e Alberto Marta, da Moita, acolheu em casa, com apenas um dia de vida, já lá vai quase um ano. O insólito caso passa-se na Moita, no concelho de Anadia e deixa todos boquiabertos. É que a “Joana”, na sua cuidada higiene “animal”, usa ainda creme Nivea e toalhetes de WC. De porca, pode dizer-se, não tem nada, a não ser a espécie. A limpeza é uma constante e imagine-se, necessidades fisiológicas só são feitas no quintal da casa, ficando igualmente melindrada quando alguém lhe chama “porca”. Logo se levanta e corre até ao logradouro da casa onde, numa enorme tina em inox, lava o focinho, sendo este também o local onde toma o banho diário.
Acolhida (devido à morte da progenitora) com apenas um dia de vida, foi criada a biberão, com todos os cuidados de que um recém-nascido necessita. “Cabia no bolso de um casaco, pois era muito pequenina e branquinha. Pusemo-la a dormir num escabelo da lenha, na sala e fomos tratando dela com todo o cuidado”, recorda Ortélia Seco, reconhecendo que é um animal muito inteligente e caprichoso. “Dá pelo nome e conhece todas as pessoas da casa”, revela, admitindo que graças à sua personalidade (meiga, calma e sossegada) rapidamente ganha o afecto de todos, sobretudo dos mais pequenos. Comer, dormir e brincar com três dos cachorros da casa preenchem o seu dia-a-dia e nem os gatos escapam à diversão. Gulosa desde pequena, também não lhe foi difícil aprender a procurar lambarices em armários e no frigorífico, hoje fechados a sete chaves, por causa da atrevida “Joana”. Para o casal que negoceia em gado (suínos, caprinos e bovinos) a venda ou abate da “Joana” está fora de questão. “Faz parte da família e, por isso, aqui vai ficar até morrer de morte natural”, remata Ortélia Seco.
Catarina Cerca, in «Jornal da Bairrada»
27 de Fevereiro de 2009
Acolhida (devido à morte da progenitora) com apenas um dia de vida, foi criada a biberão, com todos os cuidados de que um recém-nascido necessita. “Cabia no bolso de um casaco, pois era muito pequenina e branquinha. Pusemo-la a dormir num escabelo da lenha, na sala e fomos tratando dela com todo o cuidado”, recorda Ortélia Seco, reconhecendo que é um animal muito inteligente e caprichoso. “Dá pelo nome e conhece todas as pessoas da casa”, revela, admitindo que graças à sua personalidade (meiga, calma e sossegada) rapidamente ganha o afecto de todos, sobretudo dos mais pequenos. Comer, dormir e brincar com três dos cachorros da casa preenchem o seu dia-a-dia e nem os gatos escapam à diversão. Gulosa desde pequena, também não lhe foi difícil aprender a procurar lambarices em armários e no frigorífico, hoje fechados a sete chaves, por causa da atrevida “Joana”. Para o casal que negoceia em gado (suínos, caprinos e bovinos) a venda ou abate da “Joana” está fora de questão. “Faz parte da família e, por isso, aqui vai ficar até morrer de morte natural”, remata Ortélia Seco.
Catarina Cerca, in «Jornal da Bairrada»
27 de Fevereiro de 2009
quarta-feira, 18 de março de 2009
segunda-feira, 16 de março de 2009
Pronúncia social-democrata...
Depois de a presidente (líder é outra coisa!) do PSD, Manuela Ferreira Leite, ter descoberto as “piquenas e médias empresas”, surge agora o arauto da verdade e vencedor incontestado de todos os campeonatos de leitura de 300 calhamaços por semana, Marcelo Rebelo de Sousa, anunciando a descoberta de um cargo ministerial até aqui desconhecido: o “ministro do Emprego”…
domingo, 15 de março de 2009
Há coisas que me irritam...
- Pessoas que não sabem falar a sua própria língua, e que não são capazes de escrever uma frase sem um erro ou, como costuma dizer um amigo meu, contar até 12 sem descalçar os sapatos;
- Pessoas que criticam tudo e todos, esquecendo os seus próprios telhados de vidro, como se fossem os únicos seres perfeitos deste mundo, e todos os outros um monte de bosta que não merece viver;
- Pessoas que saem à rua sem nada para fazer e que vagueiam em busca de quem lhes dê dois dedos de conversa (acreditem que há pessoas assim, e que por muito que entenda que tentam combater a solidão, chateia-me ver o modo desesperado como tentam captar a atenção de quem passa);
- Pessoas que tocam à campainha do primeiro andar quando efectivamente querem falar com quem mora no rés-do-chão, que não abre a porta porque não está para as aturar;
- Pessoas que chegam sistematicamente atrasadas aos seus encontros;
- Pessoas que, ao encontrar alguém conhecido, têm como primeira frase, após o cumprimento, um implacável “estás mais gordo”, “estás mais magro” ou “essa roupa não te favorece”, que valem tanto como o “come antes uma peça de fruta, que te faz melhor”…
- Pessoas com a mania de impor aos outros o seu estilo de vida, vangloriando-se a todo o momento do que já conseguiram por serem como são e não outra coisa qualquer;
- Pessoas cujos temas de conversa favoritos são as doenças de que padecem, as idas ao médico, os gatos e as viagens de autocarro;
- Pessoas que abusam notoriamente da bebida, e que depois incomodam os outros nos cafés, nas salas de espera dos consultórios, nas ruas e em qualquer espaço público;
- Arrumadores a quem não damos a “moedinha” (no meu caso são todos os arrumadores), e que se afastam a resmungar ou respondem “obrigado na mesma”;
- Vendedores de castanhas que tentam enganar-nos no troco de uma nota de 20 euros;
and so on, and so on…
- Pessoas que criticam tudo e todos, esquecendo os seus próprios telhados de vidro, como se fossem os únicos seres perfeitos deste mundo, e todos os outros um monte de bosta que não merece viver;
- Pessoas que saem à rua sem nada para fazer e que vagueiam em busca de quem lhes dê dois dedos de conversa (acreditem que há pessoas assim, e que por muito que entenda que tentam combater a solidão, chateia-me ver o modo desesperado como tentam captar a atenção de quem passa);
- Pessoas que tocam à campainha do primeiro andar quando efectivamente querem falar com quem mora no rés-do-chão, que não abre a porta porque não está para as aturar;
- Pessoas que chegam sistematicamente atrasadas aos seus encontros;
- Pessoas que, ao encontrar alguém conhecido, têm como primeira frase, após o cumprimento, um implacável “estás mais gordo”, “estás mais magro” ou “essa roupa não te favorece”, que valem tanto como o “come antes uma peça de fruta, que te faz melhor”…
- Pessoas com a mania de impor aos outros o seu estilo de vida, vangloriando-se a todo o momento do que já conseguiram por serem como são e não outra coisa qualquer;
- Pessoas cujos temas de conversa favoritos são as doenças de que padecem, as idas ao médico, os gatos e as viagens de autocarro;
- Pessoas que abusam notoriamente da bebida, e que depois incomodam os outros nos cafés, nas salas de espera dos consultórios, nas ruas e em qualquer espaço público;
- Arrumadores a quem não damos a “moedinha” (no meu caso são todos os arrumadores), e que se afastam a resmungar ou respondem “obrigado na mesma”;
- Vendedores de castanhas que tentam enganar-nos no troco de uma nota de 20 euros;
and so on, and so on…
Desculpem, mas tinha mesmo de desabafar!
sábado, 14 de março de 2009
sexta-feira, 13 de março de 2009
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Vender religião de porta em porta...
Passava pouco das 11 horas desta bela e muito cinzenta manhã de sábado. Tocaram à campainha e, por ter o intercomunicador avariado, sem hipótese de antecipadamente saber quem era, a minha mãe abriu a porta e foi ver quem lá vinha. Era uma senhora, “testemunha de Jeová”, disposta a questionar quem quisesse dar-lhe tempo de antena (e a minha mãe não quis) acerca das causas de todos os males do mundo, apontando às almas perdidas o caminho para o “encontro com Deus”. Se nestas coisas eu sou pouco paciente, mas diplomática, a minha mãe é bem mais decidida, e menos de meio minuto depois, já a mulher descia as escadas, convencida de que daqui não levava novos fiéis. A inoportuna visita lembrou-me um diálogo deveras participado que, numa bela tarde de Verão do ano passado, opôs alguns camaradas de redacção, em virtude de um desses camaradas andar, também ele no âmbito do seu credo, a “espalhar a mensagem divina” por portas alheias. Sempre disse, ao meu amigo e a todas essas pessoas que já cá vieram bater-nos à porta, que estou convencida de que a religião não é vendável. Não é por virem cá com revistas e palavras doces que me convencem da existência ou da supremacia do deus deles sobre os outros deuses, de tantas outras pessoas. Acho até que pouca coisa é passível de ser vendida a quem não está interessado em comprá-la, mesmo que venha “embrulhada” nas palavras do mais fantástico especialista de marketing.Lembro-me, por exemplo, que uma das tarefas que tive de desempenhar recentemente, a título profissional, foi a de “vender” conferências de interesse duvidoso a jornalistas pouco empenhados na sua divulgação, ou em qualquer outra coisa (que o empenho é bem escasso na economia real dos dias que passam). E se acreditar num determinado produto é meio caminho andado para estabelecer alguma empatia com o interlocutor, a verdade é que, muitas das vezes, nem eu acreditava no interesse dos assuntos que tentava vender, o que, só por si, justificava o meu entendimento de que aquelas pessoas também tinham legitimidade para não querer algo que até eu achava pouco interessante. Já na área religiosa a coisa é um pouco diferente. O meu amigo que vai de porta em porta tentando vender a sua crença argumentava que muitas pessoas só têm acesso à “mensagem de Deus” se alguém for lá a casa levá-la. “São acamados, pessoas sozinhas”, dizia. E eu prontamente argumentava: “Mas isso não constitui um aproveitamento malicioso da sua solidão, e da consequente maior disponibilidade e abertura para o diálogo com estranhos?”. Ele garantia que não, e dava até o exemplo do avô, assim convertido (por ter estado acamado durante anos e a visita das “testemunhas” ser a única forma de contacto com o mundo exterior durante alguns anos). Discordo dessa técnica de vendas. Acho até que as religiões que assim procedem configuram uma espécie de agentes da Clix e do Citibank (embora esses só façam visitas telefónicas e em centros comerciais, pelo menos para já). São as ditas vendas agressivas! Oferecem um prémio – no caso das “testemunhas” são aquelas revistas manhosas que falam dos “graves problemas da masturbação” (sim, isto foi-me dito, ipsis verbis, por uma dessas visitantes há uns anos) –, mas em troca impõe-nos que os ouçamos durante largos minutos, tentando convencer-nos a comprar, não um colchão livre de ácaros, com as almofadas anatómicas de oferta, não uma semana por ano em timesharing no Algarve, mas uma religião que não pedimos, e que até aí nunca nos fez falta, e que ainda por cima exige que, no futuro, sejamos como eles: ratos de reuniões e incómodos praticantes do fastidioso porta-a-porta. Não há pachorra para estes vendedores da moderna banha da cobra. Não há quem crie uma lei que proíba isto? Ou pelo menos um autocolante como aqueles da “publicidade não endereçada aqui não”…
Apesar de surgir na imprensa com as duas grafias, optei pelo "Jeová", em vez de "Geová", em atenção ao comentário do leitor Dylan, que prontamente agradeço.
"Nem com 40 de febre"...
“Faltar à cimeira europeia nem com 40 de febre”. Disse, de José Sócrates (que se fará representar no evento pelo ministro das Finanças, para poder encerrar o Congresso do PS), a mulher que, em Maio de 2008, cancelou a última – a última – acção de campanha eleitoral para ir a Londres visitar o neto…
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Quando o jornalista também é notícia…
Quem me conhece sabe que repudio o exercício do Jornalismo daquela forma que tende a misturar o repórter com o acontecimento, como se ele próprio fosse também notícia, ou parte dela. No entanto, quando o assunto em cima da mesa é o próprio Jornalismo, com as suas vicissitudes e idiossincrasias, não haverá ninguém melhor do que os jornalistas para explicar a alma do mister, o que nos empurra, dia após dia, para uma das profissões mais maltratadas e mal entendidas do mundo, sempre com um sorriso nos lábios, e o que faz com que, como diz o camarada Orlando Castro, não sejamos jornalistas seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregados. Foi por esta razão que acedi, por sentir que era esse o meu dever, aos pedidos de duas estudantes da Licenciatura e do Mestrado em Ciências da Comunicação da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro que, no espaço de poucos dias, me contactaram a solicitar o meu contributo para trabalhos académicos que estavam a desenvolver.A Cristina Barbosa, que não tenho o prazer de conhecer pessoalmente mas que me contactou por intermédio da Elsa Santos, uma amiga comum, lançou-me apenas – e já não foi pouco – o desafio de definir o que é ser jornalista. Enviei-lhe um texto que serviu de base à minha intervenção numa conferência promovida pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Comunicação da Universidade do Porto em Maio de 2007, que já aqui publiquei, que versava justamente essa temática e que, creio, lhe terá sido útil. Um pouco mais longe foi a Joana Vieira, que conheci no jornal «O Primeiro de Janeiro», onde ela fez o estágio da sua licenciatura há alguns meses. Justamente sobre o que é ser jornalista, mas também sobre os constrangimentos, as dificuldades e as alegrias da profissão, bem como sobre o presente e o futuro do Jornalismo em Portugal, a Joaninha pediu-me uma entrevista. Um pedido que muito me orgulhou, e ao qual dei imediatamente resposta positiva. Hoje tomei conhecimento do resultado do trabalho de edição da Joana, que aqui partilho convosco. À minha estagiária preferida (não tive muitas, mas a Joana deixou de facto muito boas recordações, pela sinceridade, pelo sorriso, pelo idealismo, pelo companheirismo e pela sede de aprender), o meu vaidoso agradecimento e os votos de que o futuro lhe traga o sucesso e o reconhecimento que merece.
Deixo-vos o link para o Pular a Cerca, o blog da Joana onde consta a versão integral da entrevista.
Que seria de Manuel Alegre sem o tabu?
A poucas horas do arranque do XVI Congresso Nacional do PS, marcado para as 19h30 na Nave Polivalente de Espinho, o recorrente e pouco interessante tabu de Manuel Alegre (se vai ou não estar presente no conclave) é o assunto que domina os noticiários. Não sou militante do PS ou de qualquer outro partido, mas acompanho com interesse a vida política do país, e tenho a convicção de que isso é coisa que pouco importa a quem, por algum motivo, vive ou aprecia a política. Aliás, desde que foi vencido por José Sócrates na corrida ao cargo de secretário-geral e que depois apresentou uma candidatura independente à Presidência da República, de que saiu igualmente derrotado, e dos consequentes laivos de autonomia e diferença que vem assumindo, sem no entanto se desvincular do partido que toda a vida o promoveu e o fez chegar onde está hoje, Manuel Alegre perdeu toda a credibilidade para se dizer socialista. Apesar de deixar bem claro (demasiadas vezes) que não se revê na actual liderança e na actual linha programática do PS, não descola do partido, e teima em manter, de cada vez que o PS vive um momento especial, um novo tabu (sem isso, quem falaria dele?). Neste congresso não poderia, obviamente, ser diferente. O que me chateia é que a Comunicação Social não tenha rasgo para ir mais longe do que isso, e continue a alimentar os devaneios de um dissidente que não tem coragem de desertar de uma vez por todas, e que vai desertando aos poucos, apostado em minar a imagem do actual líder e castrando a visão de unidade que existe em torno de José Sócrates. Manuel Alegre já não é socialista. Colado às esquerdas caviar para somar pontos e se manter visível aos olhos de um eleitorado que nem sabe quem ele é, reiteradamente cospe no prato em que comeu e demonstra claramente o seu mau perder. Até agora, e como se isso interessasse a alguém, Manuel Alegre tem alimentado o tabu da sua presença ou não no congresso de Espinho, recusando-se a fazer declarações sobre o assunto. Estou convencida de que isso só é tabu para ele, porque eu acho que ele não vai (o congresso é-lhe maioritariamente hostil, e se lá fosse teria de continuar a desancar no secretário-geral que há dias foi reeleito com mais de 96 por cento dos votos, o que, em ano de três actos eleitorais, não seria sequer inteligente), e também acho que isso pouco interessa aos que lá estarão ou, menos ainda, a qualquer um de nós. Manuel Alegre não existe sem o tabu, e é por isso que tenta manter acesa uma chama que já não queima, e que apenas os jornalistas com pouco para escrever ainda alimentam…segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Atentado(s) na Mata Nacional do Choupal
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Excêntricos todos os dias
A excentricidade está na moda, e há quem faça de tudo – qualquer coisa mesmo – para ser anormal. Os anúncios publicitários garantem que o Euromilhões está “a criar excêntricos todos os dias", mas eu acho que já não é preciso acertar numa chave para atingir o clímax da excentricidade, que não raras vezes surge aliado ao cúmulo da alarvidade. Há quem venda a mãe, o pai e um dedo da mão direita só para ser diferente, e com isso mais extravagante. Dou-vos um exemplo! Já algum dos meus despenteados amigos ouviu falar num tal de Dávid, ou num Cárdoso, que jogam no Benfica? Conheço uns senhores com nomes algo parecidos com esses: David e Cardoso, mas depois de o José Rodrigues dos Santos querer ser mais inglês que os ingleses, emprestando aquele sotaque quase australiano às palavras, o fulano da Rádio Renascença que ontem comentou o jogo de futebol que opôs Benfica e Sporting queria, à força toda, atirar para dentro do relvado um Dávid e um Cárdoso. Já por diversas vezes me vi forçada a tirar o som à televisão enquanto via determinados jogos de futebol, mas na rádio, convenhamos, tirar o som não dá jeito nenhum…sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Fica uma espécie de vazio...
Passar a um colega – ou a vários colegas – dossiers que nasceram connosco, que saíram da nossa veia e do nosso coração, nos quais depositamos o melhor da nossa escassa sabedoria, é como deixar fugir um filho. Fica uma espécie de vazio, e a vontade de gritar “ei, isso é meu, fui eu que fiz isso”. E fui. Porque muitas vezes fui além do que me pediam, criei mais do que era suposto inicialmente, e agora, na hora da despedida, vejo partir esses meus filhos, sem meios ou legitimidade para os segurar. Hoje ligo o computador e vejo circular por aí, anonimamente, muitos e muitos textos que produzi, e alguns projectos que considero muito interessantes. Serão consultados por muita gente. Lidos, assimilados ou criticados por muita gente. E essa é a beleza da coisa! Mas porque ponho sempre muito de mim em tudo o que faço, fica a expectativa: que virá a seguir? Quem dará continuidade ao que iniciei? E será exequível continuar algo que, em alguns casos, ficou tão marcado por um estilo que é só meu? Como uma mãe que vê sair de casa um filho, continuarei atenta ao percurso de tudo o que fiz nascer, desejando sempre, obviamente, o maior sucesso possível a todos os projectos, e mantendo aquela pontinha de saudade característica de todas as mães que estão longe das suas crias. Mas como diz o outro, vou andar por aí, cruzando-me insistentemente com os filhos que deixei fugir da minha mão. É deixá-los aprender a estar sem mim. Embora fique uma espécie de vazio cá dentro…Back in business (ou então não)...
Estou de volta ao mercado de trabalho. Ou melhor, estou de volta ao mercado dos que procuram um novo emprego. Em tempos particularmente atribulados no que a novas colocações profissionais diz respeito, e ainda por cima de forma “voluntária” – por razões pessoais pedi há poucos dias demissão da empresa onde trabalhava desde Agosto, na sequência do impressionante despedimento colectivo e ilegal de que fui vítima no jornal «O Primeiro de Janeiro» – estou desempregada. Saí sem ter nada em vista, e talvez demore um pouco a concretizar qualquer nova ligação, optando por uma decisão que em tempos critiquei a outros amigos, que deixaram as empresas em que trabalhavam sem terem garantias de que estariam empregados e a receber salários no futuro próximo, e sem direito a qualquer subsídio por estarem desempregados. Eis-me agora, também eu, nessa situação. Muitos diriam que o futuro a Deus pertence. Talvez tenham a sua razão. Porém, eu acho que tenho de dar uma ajuda, e por isso estou a começar a fazer pela vida. No Jornalismo (onde insistentemente me dizem que está o meu futuro), ou fora dele, a fazer qualquer outra coisa que me dê satisfação e me torne útil à sociedade, estou novamente no mercado. Só espero que não demore muito…terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Nota de culpa e constrangimento...
Sinto que vos abandonei. Que tenho andado por aí – qual ovelha tresmalhada –, sem tempo para ter tempo de estar convosco, ou sequer de vir aqui deixar-vos as minhas tão intensas, apaixonantes e tantas vezes fúteis emoções quotidianas. Sinto que os dias têm sido curtos – demasiado curtos – para a confraternização a que já estávamos habituados, e para recuperar o tempo, e as distâncias, que nos separam, a mim de todos vós. Sobretudo, sinto a vossa falta! Não que não haja saudades. Mas tenho andado calada, taciturna até, às vezes sozinha na multidão, metida dentro de mim. E o tempo de ter tempo, esse…
Não tenho tido tempo de estar com dois dos meus melhores amigos, grávidos e felizes. Como queria dividir com eles a emoção da barriga que cresce, as dúvidas, os anseios e os medos que os assaltam, os saberes que se colecciona nestas alturas, as gargalhadas partilhadas tantas e tantas vezes naquele tempo em que ela e ele ainda não eram eles, e ela e ele eram dois e ainda não eram três! E como queria conjugar os meus tempos para ter tempo de viver a inveja que tenho deles, por trazerem ao mundo, a breve trecho, o meu sobrinho Henrique!
Não tive tempo de estar com dois outros grandes amigos quando a Maria vinha a caminho, e depois dela já nasceu a Sara, e depois também o Miguel, que ainda nem conheço, nem com outros dois, que sofreram tanto para ver chegar a Mafaldinha, que só conheci, por acaso, num corredor de um centro comercial quando ela já tinha dois anos. Portei-me mal. A ausência de um amigo é crime sem perdão, mas ainda assim sinto que eles me perdoam, porque sabem que a verdadeira amizade suporta as ausências e supera as distâncias.
Não tenho tido tempo para trocar duas palavras que seja com alguns amigos que vou encontrando, e essa solidão que me imponho – perdoem-me! – não sei explicar. O acaso fez com que por estes dias encontrasse uma amiga de uma amiga que não vejo há muito tempo. E como tenho saudades dela! E há tantas e tantas pessoas de quem sinto falta, e a quem, mesmo assim, não tenho tido tempo, nem coragem ou iniciativa de telefonar, de saber por onde andam. Guardo as saudades dentro de mim, e se me ligam tudo se ilumina no meu coração. Mas não sou capaz de lhes ligar, de ir ao seu encontro ou de perguntar onde estão.
Tornei-me mais só. Premeditada e conscientemente. Não me dou como antes às emoções, e com isso perco o tempo de ter tempo para os meus amigos. Penso neles. Tanto. Não há dia em que não pense na Raquel e no Rodrigo, na Marlene e no Pintas, na Graça e no Jorge, na Lídia e no Carlos, na Judite, na Liliana, na Sofia, na Luísa, no David, na Isabel, no Orlando e no Pedro, que há dias perderam o emprego de forma quase tão inglória como o despedimento de que fui também alvo, juntamente com mais de 30 camaradas… e tenho saudades de todos (bem, de quase todos) aqueles com quem partilhei momentos importantes da minha vida. Mas tornei-me mais solitária. Não mais infeliz, não mais preocupada, não mais sozinha no fundo. Tenho o amor da minha vida e tenho a minha família. Tenho os meus amigos, assim mesmo, na distância, mas também no quentinho do meu coração. Só que não tenho tido tempo para sair de mim e ir mais longe. Desculpem-me por isso. É o egoísmo a que tenho direito e que nunca tinha usado. Qualquer dia voltamos a falar. Combinado?
Love you all.
Não tenho tido tempo de estar com dois dos meus melhores amigos, grávidos e felizes. Como queria dividir com eles a emoção da barriga que cresce, as dúvidas, os anseios e os medos que os assaltam, os saberes que se colecciona nestas alturas, as gargalhadas partilhadas tantas e tantas vezes naquele tempo em que ela e ele ainda não eram eles, e ela e ele eram dois e ainda não eram três! E como queria conjugar os meus tempos para ter tempo de viver a inveja que tenho deles, por trazerem ao mundo, a breve trecho, o meu sobrinho Henrique!
Não tive tempo de estar com dois outros grandes amigos quando a Maria vinha a caminho, e depois dela já nasceu a Sara, e depois também o Miguel, que ainda nem conheço, nem com outros dois, que sofreram tanto para ver chegar a Mafaldinha, que só conheci, por acaso, num corredor de um centro comercial quando ela já tinha dois anos. Portei-me mal. A ausência de um amigo é crime sem perdão, mas ainda assim sinto que eles me perdoam, porque sabem que a verdadeira amizade suporta as ausências e supera as distâncias.
Não tenho tido tempo para trocar duas palavras que seja com alguns amigos que vou encontrando, e essa solidão que me imponho – perdoem-me! – não sei explicar. O acaso fez com que por estes dias encontrasse uma amiga de uma amiga que não vejo há muito tempo. E como tenho saudades dela! E há tantas e tantas pessoas de quem sinto falta, e a quem, mesmo assim, não tenho tido tempo, nem coragem ou iniciativa de telefonar, de saber por onde andam. Guardo as saudades dentro de mim, e se me ligam tudo se ilumina no meu coração. Mas não sou capaz de lhes ligar, de ir ao seu encontro ou de perguntar onde estão.
Tornei-me mais só. Premeditada e conscientemente. Não me dou como antes às emoções, e com isso perco o tempo de ter tempo para os meus amigos. Penso neles. Tanto. Não há dia em que não pense na Raquel e no Rodrigo, na Marlene e no Pintas, na Graça e no Jorge, na Lídia e no Carlos, na Judite, na Liliana, na Sofia, na Luísa, no David, na Isabel, no Orlando e no Pedro, que há dias perderam o emprego de forma quase tão inglória como o despedimento de que fui também alvo, juntamente com mais de 30 camaradas… e tenho saudades de todos (bem, de quase todos) aqueles com quem partilhei momentos importantes da minha vida. Mas tornei-me mais solitária. Não mais infeliz, não mais preocupada, não mais sozinha no fundo. Tenho o amor da minha vida e tenho a minha família. Tenho os meus amigos, assim mesmo, na distância, mas também no quentinho do meu coração. Só que não tenho tido tempo para sair de mim e ir mais longe. Desculpem-me por isso. É o egoísmo a que tenho direito e que nunca tinha usado. Qualquer dia voltamos a falar. Combinado?
Love you all.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Hoje é o meu dia!
Porque em determinadas áreas da minha vida, a sensação que tenho é a de que tenho andado a saltar de sexta-feira 13 em sexta-feira 13...
Aos azarados de todo o mundo o meu caloroso abraço! Com a certeza de que piores dias virão!
Aos azarados de todo o mundo o meu caloroso abraço! Com a certeza de que piores dias virão!
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
domingo, 25 de janeiro de 2009
Ser jornalista...
Iniciei a minha carreira no Jornalismo no dia 1 de Março de 1999 no «Jornal de Notícias». Por lá me mantive até 2001, e exactamente na data em que tinha entrado para o JN dei entrada nos quadros de «O Primeiro de Janeiro». Pelo meio, sempre em acumulação de empregos, colaborei com um site, uma revista e vários jornais locais, tendo sido chefe de redacção de dois quinzenários. Foi uma curta, mas muito enriquecedora carreira (ainda que não no sentido financeiro do termo), e por qualquer dos lugares por onde passei tive o prazer de fazer amigos e inimigos (sim, que só os desinteressantes conseguem a proeza de serem consensuais, e essa não era a minha prioridade), e de aprender muito, muito, muito. Mas também pude ensinar algumas coisas aos mais novos, e a alguns mais velhos que comigo se cruzaram nestes cerca de 10 anos. Por duas vezes fui convidada a falar publicamente sobre o Jornalismo e sobre o que é ser jornalista.A primeira vez aconteceu no concelho de Ovar, numa escolinha de meninos muito pequeninos, e foi uma experiência deliciosa. Comigo estavam outros colegas, de vários órgãos de informação nacionais e locais, e as crianças fizeram imensas perguntas. Quiseram saber se íamos para cenários de guerras, se no exercício da nossa profissão já tínhamos sentido medo, se ganhávamos muito dinheiro… Outro desafio interessante teve lugar em Maio de 2007. A convite da Faculdade de Psicologia e Ciências da Comunicação da Universidade do Porto, integrei um painel de oradores que procurou responder às questões de adolescentes que, chamados a escolher o seu futuro académico e/ou profissional, ainda tinham dúvidas sobre aquela que seria a escolha mais acertada. Havia quem quisesse ser professor, jornalista, médico, arquitecto, monitor de equitação, designer, etc., etc., etc..
Meses depois de ter sido vítima de um despedimento colectivo ilegal, com salários em atraso e muita coisa errada ainda por explicar, e tendo tido conhecimento, há poucos dias, de que camaradas de várias redacções da cidade do Porto, alguns meus conhecidos, outros nem por isso, seguiram também pelo caminho da rua (tirando os salários em atraso, que felizmente acho que estes não tinham), dei comigo a pensar nestas duas experiências que tive e no que disse às crianças e aos jovens que me interpelaram sobre o que é ser jornalista. Não me pesa a consciência. Fui clara e muito sincera com eles, como faço sempre questão de ser, com todos os que cruzam o meu caminho, e até comigo. Mas não lhes disse – não assim, claramente – que a profissão de jornalista está a atingir o seu ocaso, a desaparecer. Que os bons, os que sabem quanto vale o seu trabalho, e que conhecem o peso e o impacto do que escrevem, estão a ser atirados borda fora, trocados por outros que, levando menos dinheiro, produzem menos páginas, que casam com anúncios, de modo a que o produto final, apesar de mais pobre, gerar mais receitas com menos despesas. O Jornalismo está a morrer. E isso é profundamente lamentável.
Deixo-vos, por isso, a mensagem que transmiti aos meninos que no dia 18 de Maio de 2007 tiveram a paciência de me ouvir, e inquirir, e a todos os camaradas despedidos de «O Primeiro de Janeiro» e de cada uma das várias redacções do Grupo Controlinveste um enorme abraço, de muita força. A todas as pessoas que, pelas mais diversas formas, nos expressaram (a mim e a eles) a sua solidariedade, os votos sinceros de muito sucesso pessoal e profissional neste novo ano. Cá vai disto!
O que é ser jornalista
Um jornalista meu amigo costuma dizer que “não se jornalista sete ou oito horas por dia, a uns tantos contos por mês. É-se jornalista 24 horas por dia, mesmo quando se está desempregado”. Na verdade, um jornalista tem de estar atento ao que acontece à sua volta, e sabe que a qualquer momento pode perder uma folga, se acontecer alguma coisa importante. Na opinião de muitas pessoas, ser jornalista é ser uma pessoa muito culta, que lê muito, que conhece várias línguas, que viaja muito, que sabe falar sobre tudo e com toda a gente, que aparece muitas vezes na televisão, que conhece pessoas famosas e que se torna também uma pessoa famosa… Não é bem assim, e ser jornalista não é uma profissão tão “chique” como muitas pessoas pensam. É uma profissão que exige seriedade, muito rigor, humanismo, tolerância e ética, e sem isso não faz sentido. O jornalista deve dizer sempre a verdade. Nem sempre é o que escreve melhor, em Português correcto (embora na minha opinião isso seja muito importante), mas é o que está sempre atento aos acontecimentos e sabe tirar deles o que é importante para as pessoas a quem transmite a informação que recolhe.
A missão do jornalista consiste em fazer um retrato compreensível da realidade, para o transmitir aos que estão fora dessa realidade de modo a que eles possam saber o que se passou e as implicações disso no futuro. Fazem-no através da redacção de notícias, preparam reportagens e entrevistas, captam imagens fixas ou em movimento, e divulgam essa informação através dos jornais, das rádios, das televisões ou das agências noticiosas (em Portugal só temos Agência Lusa e a Agência Ecclesia, que só trata de assuntos relacionados com temas religiosos). A redacção é o sítio onde normalmente os jornalistas produzem as notícias e reportagens que depois publicam nos seus órgãos de informação. Lá estão os repórteres, os editores e os chefes de redacção, que definem o espaço a dar a cada assunto. Fora da redacção, a maioria dos meios de informação tem uma rede de correspondentes, que são jornalistas que estão nas suas terras, ou no estrangeiro, de onde mandam notícias. Quando há um acontecimento importante num qualquer local – uma guerra ou um congresso político, por exemplo, os meios de informação destacam para lá um ou vários jornalistas, que produzem a reportagem. Em algumas empresas também há jornalistas especializados, que tratam de temas específicos como Saúde, Economia, Política, Educação ou outros.
Emprego
Há uns anos houve um grande desenvolvimento do sector da Comunicação Social: apareceram novos jornais e revistas, canais privados de televisão e estações de rádio, e começaram também a aparecer os jornais na Internet, o que fez com que o mercado de emprego nesta área melhorasse muito. Foi muito positivo para os estudantes que nessa altura resolveram tirar os cursos de Jornalismo, Comunicação Social ou Ciências da Comunicação (os nomes mudam consoante as universidades), porque mais facilmente encontraram o emprego que desejavam. No entanto, o aumento dos interessados nesta profissão levou a um aumento do número de cursos existentes, que depois começaram a formar jornalistas em excesso. Ou seja, hoje não há mercado de trabalho capaz de absorver os jornalistas todos, e há um grande número de profissionais no desemprego ou a trabalhar em condições muito más.
FormaçãoO Jornalismo é uma profissão aberta. Isto significa que para se ser jornalista não é obrigatória uma habilitação académica específica, como para se ser médico, advogado ou economista, por exemplo. No entanto, os candidatos a jornalista têm de passar por um período de estágio, que varia de acordo com as habilitações que possui, e que pode ser de 12, 18 ou 24 meses. Também é útil, contudo, a existência de jornalistas que não têm o curso de Jornalismo ou de Comunicação Social, mas que optaram por áreas como o Direito, a economia, a Sociologia, História ou Relações Internacionais, por exemplo. Independentemente da formação que tenha o candidato, para ser jornalista profissional tem de obter a Carteira Profissional.
Condições de trabalho
Quem optar por esta profissão tem de contar com um mercado de trabalho diversificado, mas muito competitivo. Quem quiser desenvolver uma carreira aliciante terá de apostar fortemente na valorização profissional permanente das suas competências. Formação académica e profissional adequadas, poder de observação, curiosidade, criatividade, persistência e actualização constante de conhecimentos são trunfos para quem deseje ser jornalista.
Carla Teixeira
Faculdade de Psicologia e Ciências da Comunicação da Universidade do Porto, 18 de Maio de 2007
Um jornalista meu amigo costuma dizer que “não se jornalista sete ou oito horas por dia, a uns tantos contos por mês. É-se jornalista 24 horas por dia, mesmo quando se está desempregado”. Na verdade, um jornalista tem de estar atento ao que acontece à sua volta, e sabe que a qualquer momento pode perder uma folga, se acontecer alguma coisa importante. Na opinião de muitas pessoas, ser jornalista é ser uma pessoa muito culta, que lê muito, que conhece várias línguas, que viaja muito, que sabe falar sobre tudo e com toda a gente, que aparece muitas vezes na televisão, que conhece pessoas famosas e que se torna também uma pessoa famosa… Não é bem assim, e ser jornalista não é uma profissão tão “chique” como muitas pessoas pensam. É uma profissão que exige seriedade, muito rigor, humanismo, tolerância e ética, e sem isso não faz sentido. O jornalista deve dizer sempre a verdade. Nem sempre é o que escreve melhor, em Português correcto (embora na minha opinião isso seja muito importante), mas é o que está sempre atento aos acontecimentos e sabe tirar deles o que é importante para as pessoas a quem transmite a informação que recolhe.
A missão do jornalista consiste em fazer um retrato compreensível da realidade, para o transmitir aos que estão fora dessa realidade de modo a que eles possam saber o que se passou e as implicações disso no futuro. Fazem-no através da redacção de notícias, preparam reportagens e entrevistas, captam imagens fixas ou em movimento, e divulgam essa informação através dos jornais, das rádios, das televisões ou das agências noticiosas (em Portugal só temos Agência Lusa e a Agência Ecclesia, que só trata de assuntos relacionados com temas religiosos). A redacção é o sítio onde normalmente os jornalistas produzem as notícias e reportagens que depois publicam nos seus órgãos de informação. Lá estão os repórteres, os editores e os chefes de redacção, que definem o espaço a dar a cada assunto. Fora da redacção, a maioria dos meios de informação tem uma rede de correspondentes, que são jornalistas que estão nas suas terras, ou no estrangeiro, de onde mandam notícias. Quando há um acontecimento importante num qualquer local – uma guerra ou um congresso político, por exemplo, os meios de informação destacam para lá um ou vários jornalistas, que produzem a reportagem. Em algumas empresas também há jornalistas especializados, que tratam de temas específicos como Saúde, Economia, Política, Educação ou outros.
Emprego
Há uns anos houve um grande desenvolvimento do sector da Comunicação Social: apareceram novos jornais e revistas, canais privados de televisão e estações de rádio, e começaram também a aparecer os jornais na Internet, o que fez com que o mercado de emprego nesta área melhorasse muito. Foi muito positivo para os estudantes que nessa altura resolveram tirar os cursos de Jornalismo, Comunicação Social ou Ciências da Comunicação (os nomes mudam consoante as universidades), porque mais facilmente encontraram o emprego que desejavam. No entanto, o aumento dos interessados nesta profissão levou a um aumento do número de cursos existentes, que depois começaram a formar jornalistas em excesso. Ou seja, hoje não há mercado de trabalho capaz de absorver os jornalistas todos, e há um grande número de profissionais no desemprego ou a trabalhar em condições muito más.
FormaçãoO Jornalismo é uma profissão aberta. Isto significa que para se ser jornalista não é obrigatória uma habilitação académica específica, como para se ser médico, advogado ou economista, por exemplo. No entanto, os candidatos a jornalista têm de passar por um período de estágio, que varia de acordo com as habilitações que possui, e que pode ser de 12, 18 ou 24 meses. Também é útil, contudo, a existência de jornalistas que não têm o curso de Jornalismo ou de Comunicação Social, mas que optaram por áreas como o Direito, a economia, a Sociologia, História ou Relações Internacionais, por exemplo. Independentemente da formação que tenha o candidato, para ser jornalista profissional tem de obter a Carteira Profissional.
Condições de trabalho
Quem optar por esta profissão tem de contar com um mercado de trabalho diversificado, mas muito competitivo. Quem quiser desenvolver uma carreira aliciante terá de apostar fortemente na valorização profissional permanente das suas competências. Formação académica e profissional adequadas, poder de observação, curiosidade, criatividade, persistência e actualização constante de conhecimentos são trunfos para quem deseje ser jornalista.
Carla Teixeira
Faculdade de Psicologia e Ciências da Comunicação da Universidade do Porto, 18 de Maio de 2007
sábado, 17 de janeiro de 2009
Comboio colheu pessoa na Mealhada
O exagerado número de pessoas que, premeditadamente ou por acidente, se deixam apanhar, quase sempre mortalmente, por comboios em Portugal deve fazer-nos pensar. A mim faz! Se é tentativa de suicídio, e estou convencida (eu e a REFER) de que a esmagadora maioria dos casos conhecidos terá tido essa razão de ser, sinto que pouco poderemos fazer para travar este problema. Mas se não é, o problema é ainda maior. É que, se é por acidente que tanta gente é colhida por comboios no nosso país, estão estamos diante de um sinal claro de que as pessoas não prestam atenção ao meio que as envolve. Há muito tempo que sei disso. Nos tempos que passo em terras de grande ligação à ferrovia (nos distritos de Coimbra e Aveiro), são muitos os episódios contados pormenorizadamente e amiúde nas casas, nos cafés e nas ruas. As pessoas caminham pela linha de headphones nos ouvidos, muitas vezes de costas para o perigo, atravessam a linha em lugares de pouca visibilidade e sem acautelarem os riscos (passam com bicicletas, atravessam passagens de nível fechadas, saltam para a linha quando o comboio já vem ao fundo da recta, e ainda por cima reagem mal se são avisadas pelos funcionários da REFER nas estações). É um drama!
Hoje acordei com a notícia de que mais uma pessoa foi colhida por um comboio perto da Mealhada. À porta da Estação de Mogofores, onde me encontro, estão, há já largos minutos, três composições paradas: dois comboios rápidos (que já deixaram de o ser) e um comboio regional. Nunca mais estes três, e outros que porventura estejam parados nas estações próximas, recuperarão do atraso que já levam. A pessoa colhida, no entanto, nunca mais voltará a ser quem era. E isso é verdadeiramente lamentável, mas todos sabemos que este não é o primeiro caso, nem será, infelizmente, o último. Os comboios matam…
Foto: Luís Silva
Hoje acordei com a notícia de que mais uma pessoa foi colhida por um comboio perto da Mealhada. À porta da Estação de Mogofores, onde me encontro, estão, há já largos minutos, três composições paradas: dois comboios rápidos (que já deixaram de o ser) e um comboio regional. Nunca mais estes três, e outros que porventura estejam parados nas estações próximas, recuperarão do atraso que já levam. A pessoa colhida, no entanto, nunca mais voltará a ser quem era. E isso é verdadeiramente lamentável, mas todos sabemos que este não é o primeiro caso, nem será, infelizmente, o último. Os comboios matam…
Foto: Luís Silva
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Ano novo, coisas velhas...
O ano pode ser novo, mas a vida é feita de ciclos que se repetem inexoravelmente, sem que nada os impeça de trucidar tudo à volta, na vertigem demolidora da contemporaneidade. Pode mudar a folha do calendário, o dia da semana, a posição dos ponteiros do relógio, mas todos os acontecimentos se conjugam para, reiteradamente, voltarem a ser actuais. Ciclicamente, o mundo repete-se, e as coisas, os momentos, as pessoas, voltam a ser, talvez com outros nomes, noutros cenários, aquilo que já tinham sido. Lavoisier é que tinha razão: “Nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”. O início deste ano demonstra-o claramente: não se perdeu a crise, não se criou qualquer resposta, e apenas mudaram os nomes dos intervenientes.Mudam os nomes das empresas, mas continua a haver trabalhadores despedidos. E aos montes. Em grupo. Mudam os rostos dos que protestam, as vozes dos que defendem direitos próprios e alheios, mudam as cores das bandeiras, mas a indefinição persiste. Os gritos surdos, a revolta encapotada, o desvario de quem sabe que já não pode piorar muito. A notícia de que o Grupo Controlinveste está a proceder ao despedimento colectivo de mais de uma centena de pessoas deixou-me com os nervos em franja. Será que ninguém está a salvo? Haverá alguma empresa portuguesa que consiga manter-se de pé, firme e hirta, contra a crise? Bem sei que a Comunicação Social não é a única área afectada pela crise. Antes fosse! Bem estava o mundo se houvesse apenas jornais a fechar portas e a despedir pessoas! Mas há mais. Muito mais. E quando vemos um grupo como a Controlinveste enveredar por esse caminho, então percebemos que a situação é grave.
Nos tempos em que trabalhei no «Jornal de Notícias» era impensável que a crise tocasse, mesmo que ao de leve, aquela casa. Não havia falta de dinheiro. Havia, provavelmente, excesso de gente. Uma redacção que metia num bolso todas as que conheci depois, onde não faltavam rostos, vozes, sons, equipamentos e vontade de trabalhar. Éramos muitos, mas nunca sentíamos que alguém estivesse a mais. E quando saíamos em reportagem, não nos faltava o carro – com motorista – e o necessário fundo de maneio para o serviço. Dava gosto trabalhar assim, sem restrições de meios. As empresas que conheci depois, e foram várias as empresas em que trabalhei, em simultâneo e depois do JN, não viviam com tanta prosperidade. O dinheiro era contado, as reportagens eram feitas a pé, em viatura própria ou no carro do patrão, e às vezes faltava até dinheiro para pilhas. Era uma aventura.
No entanto, em nenhuma dessas empresas fui despedida (e naquela em que fui, aquela de que jurei não mais falar, sabeis bem as razões por que fui e sabeis bem de que lado está a razão). Hoje soube que «Jornal de Notícias», «Diário de Notícias», «24 Horas» (redacção onde ainda recentemente tive o prazer de reencontrar amigos, enquanto colaborei com o também já extinto «Tal & Qual», que era ali ao lado), «O Jogo» e TSF estão a dizer adeus a alguns dos seus funcionários. Mais de uma centena de trabalhadores, metade dos quais jornalistas. Mais cento e tal almas atiradas para o desespero de ter contas para pagar com dinheiro que não estica! Um dia depois de saber que foi declarada em tribunal a solvência da empresa que me despediu ilegalmente, em conjunto com mais de 30 camaradas, que me deve dinheiro, que finge não ter bens e que até tem morada falsa, e de saber que nada poderei exigir a quem alegadamente nada tem, recebo a notícia de que mais uns quantos vêm para a rua. Só espero que estes não experimentem o sabor amargo de quem anos a fio se deu a um ideal, e depois acabou descalço, podendo contar apenas com a sua dignidade.
Aos camaradas que hoje receberam a triste notícia de que serão despedidos quero deixar um abraço solidário, e a certeza de que mudam os anos, mas não muda mais nada. A m… é sempre a mesma, as moscas é que são diferentes.
Coragem!
Boa noite, e boa sorte!
Subscrever:
Mensagens (Atom)







