domingo, 26 de outubro de 2008

À espera de Godot...

O presidente do PS/Porto foi, no passado fim-de-semana, reeleito no cargo, com mais de 85 por cento dos votos, cilindrando por completo a suposta concorrência. Renato Sampaio foi esmagador, e Pedro Baptista e Eduardo Saraiva ficaram a anos-luz de uma vitória. No almoço de apresentação da sua recandidatura, a 13 de Setembro, Sampaio deixou já claro que a “sua” candidata à Câmara Municipal do Porto, pelo PS, era Elisa Ferreira.

Agora, em entrevista ao «Diário de Notícias» e à TSF, o secretário-geral do PS veio dizer que a independente “seria uma grande candidata para o PS” à presidência da câmara do Porto nas eleições autárquicas de 2009. José Sócrates “gostaria muito que ela se candidatasse”, porque “ela honraria o PS”, e porque “uma candidatura da Elisa Ferreira seria uma candidatura à altura daquilo que é uma disputa no Porto”.

Só falta estender a passadeira vermelha…
Para quando o anúncio por que todos esperamos?

Em silêncio...

Completamente afónica. É assim que estou desde sábado, e a piorar. A voz perdeu-se, nos braços de um ventinho que deixou no seu lugar uma irritação da garganta que já irrita também a mente. Abro a boca e não sai nada. Nem um som. Ou então uma lamúria arrastada, quase imperceptível. O silêncio tomou conta de mim. Resta-me o gesto, o suspiro e a escrita...

Até já.

sábado, 25 de outubro de 2008

Eu era tão paciente...

Todas as manhãs, quando vou a caminho do emprego, ouço diversas vezes um anúncio que me dá vontade de escaqueirar o auto-rádio. Não fixei todos os pormenores do tal espaço publicitário, mas sei que se refere a um stand, creio que da Suzuki. E o que neste anúncio me causa profunda irritação é o atestado de estupidez que tenta passar ao incauto ouvinte, que tem de levar com os intervalos da música e das notícias. É que o fulano começa por anunciar “um carro novinho, mas mesmo novinho em folha”, para depois se sair com a oferta de viaturas semi-novas. Anda tudo doido, ou isto é mesmo uma estupidez de todo o tamanho?

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

E depois do último post...

Era impossível não me lembrar disto!

Era strip, bowling ou lotaria?!

“Durante um espectáculo de striptease no clube Booby Trap, em Pompano Beach, na Florida, Charles Privette, de 35 anos de idade, foi atingido com um sapato de uma das bailarinas. O calçado além de atingir o cliente, partiu um espelho, que se quebrou sobre a mesma vítima. Segundo escreve o site de informação brasileiro Globo, o cliente processou o clube e quer 15 mil dólares de indemnização” (in PortugalDiário).

Se este senhor conseguir levar a dele avante, prometam que me levam a uma casa de strip e me atiram com qualquer coisa! Desde que não seja nada muito pesado, ok? Eu prometo que divido os lucros!

Cirurgia de ambulatório

A todos os interessados e a alguns jornalistas em particular: a palavra “ambulatório” designa a qualidade do que não é fixo, do que deambula, do que não tem sede permanente. No contexto médico, a chamada “cirurgia de ambulatório” é aquela que não obriga o doente a qualquer tempo de internamento. Por essa razão, dizer, como li há uns dias num jornal da nossa praça, que o Ministério da Saúde pretende que, já em 2009, metade das cirurgias de ambulatório não necessitem de internamento é errado, redundante e absurdo (não necessariamente por esta ordem). O que foi dito há dias por Fernando Araújo, representante da Comissão Nacional para o Desenvolvimento da Cirurgia de Ambulatório, foi que a taxa de intervenções cirúrgicas naquele regime tem sofrido um aumento exponencial, e que se prevê que, já no próximo ano, metade das operações possa ser feita sem ter de se sujeitar o doente ao internamento hospitalar. A afirmação do senhor foi no sentido de prever que metade das cirurgias programadas a realizar em 2009 possa ser feita em regime de ambulatório, ou seja, sem necessidade de internamento. E pronto. Cumpri a minha boa acção do dia! Até já.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Sem comentários...

in «Jornal de Notícias» de hoje

Home sweet home!

Não foi preciso esperar muito para que os acontecimentos em torno do encerramento do jornal centenário «O Primeiro de Janeiro» viessem, uma vez mais, dar razão aos cerca de 35 funcionários vítimas do despedimento ilegal e aviltante consumado no dia 31 de Julho deste ano. A reiterar a prova, já tantas vezes dada, de que não houve uma extinção dos postos de trabalho, visto que a produção do agora pasquim continua a processar-se a um ritmo (quase) diário, embora o que salta para as bancas seja apenas um molhinho de páginas muito coloridas, parcas em publicidade e ainda mais pobres em qualidade informativa, os funcionários redacção, do departamento comercial e da administração regressaram ao decrépito edifício da Rua de Coelho Neto, deixando para trás o luxo (dizem que o havia) das instalações do Freixieiro e de Santa Catarina.

Hoje também, soube que a morada oficial da Folio é falsa (tal como a da Sedico, estão recordados?), e que, em desespero de causa, o Departamento de Publicidade do novo pasquim anda a enviar mensagens de e-mails e fax para várias empresas, a comunicar a mudança para as “novas” instalações, com uma indicação expressa dos contactos da pessoa responsável pelo departamento (nome, telefone, telemóvel e e-mail). Quando tarda a consumar-se a profecia de encerramento, tal como tardam a cair nas contas do grupo de pessoas que mantém aquilo a funcionar qualquer coisa que se pareça com um ordenado, o desespero parece estar a tomar conta da administração, que trocou (certamente, não de boa vontade) o luxo de Santa Catarina pelo rés-do-chão de Coelho Neto (onde cheira a fossa e o risco de curto-circuito é crescente). Aqui há gato, meus amigos…

Mas estes não são os únicos desenvolvimentos nesta história.
Fiquem por aí, que eu volto já…

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Mas afinal o que é isto?

"HERANÇA VERSUS HERDEIRO.!QUEM SOUBER COMO SE PROCESSA APÓS TODOS TRÂMITES LEGAIS TEREM SIDO VEREFICADO NUM RIGOR EM QUE CHEGO TER DE ENTREGAR TODOS OS DOC.DE REQUESITO PARA OFICIAL AVERIGUAÇÃO DA JUSTEZA DO QUE ME CABIA NESSA HERANÇA QUE É 1860.EUR A E ORDEM E DEPÓSITO A PRAZO APROXIMADA DE 32 MIL E TAL EUR.TODA A INFO.QUE ME SEGUIU AO ESCLARECIMENTO AO QUE IA A AGENCIA E O SEU FUNC.ACONPANHADO POR UM COLEGA MAIS ANTIGO ERA NO SENTIDO DE OBRIGAREM DE ENTREGAR PARA A POSSE DO BANCO OS ORIGINAIS DA HABILITAÇÃO DE HERDEIROS QUE COMO SABEM TIVE DE OS PAGAR NAS RESPECTIVAS INSTÃNCIAS PARA O EFEITO,SEGUINDO-SE A JUSTIFICAÇÃO DE NORMAS INTERNAS DE CONFERÊNCIA DAS RESPECTIVAS PAPELADAS EM VERSÃO ORIGINAL E QUE ME FICARIA CARO OBTER AS FÓTOCOPIAS DAS MESMAS.COM EFEITO TERIA QUE ESPERAR PELAS RESPECTIVAS AVERIGUAÇÕES NUM PRAZO ENTRE UMA A DUAS SEMANAS DE DIAS ÚTEIS E A NÃO HAVER QUALQUER RAZÃO SERIA ENTÃO DADO SEGUIMENTO AS MINHAS INTENÇOES DE TRANSFERÊNCIA PARA A MINHA CONTA QUE ESTÁ SEDIADA NA C.G.D. CONSEDIRADA SEDE TENDO PARA ISSO PREENCHIDO UNS MODELOS DA CAIXA EM 16 DE SETEMBRO DE 2008 TENDO ATÉ A DATA SENDO INFOR. QUE ESTA TUDO EM CONFORMIDADE E QUALQUER MOMENTO A TRNSF. PODE SE EFECTUAR.A MINHA INDIGNAÇÃO É QUE ATÉ A DATA PRESENTE E JÁ PASSOU UM MÊS E ....A EFECIÊNCIA RIGOR DA GÊRENCIA ALÉM DE ME TER FICADO COM OS ORGINAIS QUE ME TIVERAM UM CUSTO NÃO SE VÊ NEM TRANSFÊRENCIA NEM DATA CONCLUSIVA DE DIA EM QUE COMPROMETA COM A MESMA SEM SE EXPLICAR O PORQUE?ALGUÈM MAIS SAPIENTE ME PODERÁ SE ISTO É NORMAL?"

E perguntam vocês: “O que é isto?”. Uma sopa de letras? Um quebra-cabeças sobre Gramática? Um avião? O Super-Homem? Não... Isto é apenas e só a transcrição ipsis verbis de uma reclamação apresentada no site do Livro Amarelo! Detalhe: a reclamação refere no título uma tal de Dona Olívia que, tanto quanto consegui apurar neste emaranhado de letras, não é referida em qualquer ponto do texto…

Voto obrigatório, contra a abstenção!

Soube há poucos dias, por intermédio de uma amiga brasileira, que no Brasil, mais do que um direito ou um dever, o voto é uma verdadeira obrigação. Quem não exercer o seu voto num qualquer acto eleitoral naquele país tem de o justificar plenamente, sob pena de incorrer numa contra-ordenação sujeita ao pagamento de uma coima que, de acordo com essa minha amiga, rondará os 25 a 30 euros. Analisando o fenómeno da abstenção que tem manchado os últimos actos eleitorais realizados em Portugal, e tendo em conta os resultados das regionais deste fim-de-semana nos Açores (em que a taxa de eleitores açorianos que optaram por não votar ultrapassou os 50 por cento), dou por mim a pensar, insistentemente, na mais-valia da legislação brasileira. Sendo certo que o povo nem sempre faz a melhor escolha, e sendo também praticamente certo que, seja qual for a opção, acabará sempre por haver descontentes e revoltados, ao menos com este sistema de voto obrigatório quem quiser reclama fá-lo-á em pleno uso de um direito de que abdicaram todos os que optaram por não votar. E esses, claro está, terão de se remeter ao silêncio.

O funcionário público info-excluído

Com tanto funcionário público lentinho a trabalhar nas diversas repartições de Finanças deste país, logo tinha de me calhar o mais info-excluído da nossa praça. Bem sei que foi com substancial atraso – cerca de dois meses – que hoje me desloquei à repartição de Finanças de Santo Tirso (podia ter sido outra qualquer, mas por motivos profissionais é em Santo Tirso que me encontro durante todo o dia de hoje), a fim de pagar o Imposto Único de Circulação. Primeiro contratempo: à hora do almoço, a referida repartição estava fechada. Abriria às 14 horas, para encerrar às 16 horas (“Quem quer bons empregos arranja-os”, pensei). Quando o relógio anunciou as duas da tarde, lá fui eu. Estavam oito pessoas à minha frente e dois balcões a funcionar. Num deles, o funcionário olhava demoradamente para um cheque apresentado por um contribuinte, tentando resolver o facto de a validade do dito documento ter expirado em Julho passado. Nada havia a fazer – o cheque não valia nada! –, mas o funcionário, o contribuinte e a mulher deste tentaram, durante longos minutos, e necessariamente de forma infrutífera, resolver o problema, até que desistiram, para gáudio da assistência, que então era já bastante mais volumosa. Entretanto abria um terceiro balcão, e eu, tendo por base o ar menos saloio do funcionário que acabava de chegar, rezava para ser atendida por ele. Mas não… Calhou-me, que nestas coisas sou muito azarada, o senhor que não sabia o que fazer ao cheque sem validade do casal que por ali se mantinha, encostado ao balcão. A coisa era simples: eu queria pagar o imposto, a multa, os juros de mora e ir trabalhar. Quaisquer dois minutos seriam suficientes, mas o senhor levou cerca de meia hora a atender-me, enquanto nos balcões ao lado eram aviadas nove (nove!) pessoas! E por que razão se demorava? Porque queria entrar numa secção do site das Finanças e sempre que digitava a password recebia uma mensagem de erro que lhe dizia “já efectuou o login noutra janela”. Ele franzia o sobrolho e, sem indagar que janela seria essa, entre as tantas que tinha abertas, voltava a digitar a password e a receber a mesma mensagem de erro. Novamente o sobrolho franzido, o meu suspiro, uma certa gargalhada interior… Isto passou-se umas cinco ou seis vezes. Até que me subiu a mostarda ao nariz e não aguentei. Disse-lhe que fechasse todas as janelas, e que tentasse de novo. E não é que resultou? Meia hora depois, e com os impressos na mão, saí da repartição. À espera de serem atendidos estavam já mais de 20 contribuintes. Lancei um sorriso a um deles, que aguardava junto à porta, e desejei-lhe boa sorte. De certeza que ele, como todos os outros, ia precisar dela…

Olha o 34!

Olhem o que eu encontrei logo pela manhã...


Não conheço o condutor - um senhor já "entradote" que nunca trabalhou no jornal «O Primeiro de Janeiro», mas que parece trabalhar no pasquim com o mesmo nome, e que hoje se pavoneava ao volante daquele que já foi um dos "nossos" carros. Quando não estava na oficina, onde já era também bastante conhecido...

sábado, 18 de outubro de 2008

Descubra as diferenças!

Um desempenhou variadíssimos cargos de liderança política e não só, não concluiu a maior parte dos mandatos e não deixou obra feita em quase nenhum dos locais por onde passou. Numa das câmaras a que presidiu foi acusado de usar meios públicos para fins pessoais; na outra teve um cheque retido durante quatro anos, que visava custear alegadas despesas pessoais que tinha feito com dinheiros do município. Em suma, não fez nada de jeito! No seio do partido a que pertence, foi recentemente a votos e, entre três concorrentes, ficou em terceiro. Perdeu. Agora foi escolhido pela sua adversária nessas eleições internas e aclamado pelos correligionários para ser candidato à Câmara Municipal de Lisboa. Chama-se Pedro Santana Lopes e é do PSD.

O outro foi presidente de câmara durante quase toda a sua vida política. Esteve sempre no mesmo concelho, onde é idolatrado por grande parte dos cidadãos, e que só deixou para rumar ao Governo, a convite dos então responsáveis máximos pelo partido. Definido como autarca-modelo por muitos desses camaradas e por uma série de outros agentes políticos, incluindo os que actualmente têm a missão de escolher os candidatos às autárquicas do próximo ano, quer ser o candidato oficial do seu partido, mas não o deixam. Foi preterido por aquele que durante largos anos foi o seu número dois. Chama Narciso Miranda e é do PS.

Que conclusão tiro eu disto? Fácil. Na primeira situação há um partido fragmentado e com uma clara falta de opções, que se sujeita a escolher, para a maior câmara do país, alguém que, além de ser um cromo repetido, não tem força política para destronar António Costa. O actual edil lisboeta deixou o segundo posto do Governo para assegurar a câmara da capital, e não vai “largar o osso” facilmente. Aliás, estou convencida de que, a ser candidato, António Costa vai conseguir um resultado inequívoco e cilindrar Santana Lopes. No segundo caso, é tudo diferente. Um mesmo partido tem de escolher, e já escolheu, um de dois nomes potencialmente ganhadores. Um com uma larga ligação ao município e com o afecto dos matosinhenses, o outro com alguma obra feita nos últimos anos. Serão duas boas apostas, que tornarão de certeza interessante a campanha no concelho. Pena é que sejam ambos do mesmo partido, e que de amigos e camaradas tenham de passar a adversários numa guerra em que apenas um poderá triunfar. Que ganhe o melhor!

Deve ser a crise!

in «O Primeiro de Janeiro»

Sabemos que a crise chegou quando até as carteiras se põem em fuga…

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Esta imagem é linda!

Foto: Daniel Karmann/EPA/Lusa

É ou não é uma ternura? É a Susi, é alemã e tem apenas dois anos. Tá toda contentinha nesta imagem, e só de ver a alegria dela fico logo mais bem disposta. Para partilhar convosco, cá vai ela! Bom dia para todos!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

O famoso nevoeiro matinal


Acordar todos os dias com as galinhas (salvo seja!) dá nisto. Faço-me à estrada ainda antes do nascer do sol, e quando nas ruas paira ainda o famoso nevoeiro matinal que desde criança ouvia ser anunciado nos boletins meteorológicos. É verdade que normalmente chego ao meu local de trabalho, em Matosinhos, por volta das 8h45. É verdade que só entro às 9h30. Mas assim fujo ao trânsito, e sempre me dá para um pequeno-almoço descansado e uma caminhada logo pela fresca. Nem tudo é mau! Afinal, é de manhã que começa o dia!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Vou ali e já venho*

Este senhor deve estar doido! Ele diz que sou eu, e mais uns quantos amigos dele, que estamos doidos, porque o elogiamos, mas eu acho que é mesmo ele. Será uma doideira boa, deliciosa até! Mas doideira, ainda assim. Se não acreditam, vejam a forma como o meu caríssimo amigo Orlando Castro fala da minha pessoa. Cliquem aqui. Quem disse que o exagero é uma coisa má?! Nem sempre, tá visto! Ehehe! Muito, muito obrigada!

*Fui comprar uma babete…

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Algo vai mal no reino social-democrata...

Luís Filipe Menezes assina no «Jornal de Notícias» do último sábado um artigo de opinião em que, fazendo eco do que já muitas vezes tem afirmado publicamente, descarrega sobre Manuela Ferreira Leite e a sua equipa toda a ira. Mas com números! Socorrendo-se dos resultados da última sondagem realizada pela Universidade Católica no que diz respeito à popularidade dos líderes partidários, recentemente publicada no mesmo jornal, o ex-presidente do PSD prova, por A + B, como se costuma dizer, que era mais popular do que é hoje Manuela Ferreira Leite, mas mesmo assim foi alvo de uma demolidora campanha interna, que culminou na sua saída e na posterior eleição da actual líder, com pouco mais de um terço dos votos. Na mesma linha de pensamento, Menezes defendeu a necessidade de o PSD chegar a um consenso quanto a uma nova direcção e a um candidato a primeiro-ministro, vincando que Ferreira Leite “não ganhará eleições a quem quer que seja”. Eu concordo, e acrescento: se até na votação interna ela ganhou por poucos, poderão os social-democratas conceber uma vitória em 2009, ainda por cima contra um homem que, depois de ter tomado tantas medidas impopulares, ainda se encontra no limiar de uma nova maioria absoluta? Nunca pensei dizer isto, mas Luís Filipe Menezes está coberto de razão! Lamentavelmente, o PSD vai de mal a pior, a caminho de um lugar sem sol. E isso é mau para a política portuguesa.

Para memória futura...

Desde que foi criado, em finais de Julho deste ano, o Mente Despenteada III não divulgou uma só mentira. Minha, pelo menos. Porque das verdades dos outros, no que afirmam e de que aqui possa ter dado eco, saberão eles e apenas eles! Aberto ao debate, ao confronto de posições, à diferença de opiniões e até a um ou outro laivo de estupidez, este blog é o espelho do que me vai na alma, e procura traduzir por palavras sensações e memórias que são tantas e tantas vezes quase indescritíveis. Os desencontros que facilmente seriam evitados em presença serão, neste contexto, à distância, mais prováveis e mais perigosos. De qualquer modo, para memória futura fica a garantia de que o Mente Despenteada III não pretende fomentar ódios ou rancores, porque não é nem nunca foi essa a minha forma de estar na vida. Há, obviamente, pessoas que não gostam de mim. Ainda bem, porque o consenso está fora de moda! E também há, talvez em menor número, confesso, pessoas de quem eu não gosto. Mas essas sabem, porque não sou de guardar segredos desses. Portanto, se quiserem atacar-me, força! Se quiserem chamar-me nomes, bora lá! Mas sem anonimatos nem cobardias, pode ser? Obrigada. Até já.

sábado, 11 de outubro de 2008

Cultura, inteligência e excelência

É tão comum como irritante a confusão que muitas pessoas fazem entre os conceitos de “cultura”, “inteligência” e “excelência”, como se fossem uma e a mesma coisa, e como se o facto de qualquer humano ter um canudo fizesse dele um ser acima da média. Uma das pessoas mais cultas que tive o prazer e a honra de conhecer foi o meu avô paterno. Não teria mais do que três ou quatro anos de escolaridade, como era usual no tempo dele, e era, na minha infância, chefe dos inspectores da STCP. Nunca foi doutor, engenheiro, arquitecto ou coisa que o valha, mas fazia das leituras o hábito da sua vida e investigar era a sua paixão. Tinha uma biblioteca imensa, com livros de todos os temas, feitios, cores e tamanhos, quase todos com anotações e actualizações feitas a lápis, e sempre que se discutia um assunto ele puxava de um deles para justificar as suas posições. Não havia muitas (não recordo uma só) perguntas que o meu avô deixasse sem resposta, e lembro-me de como me ajudou, tantas vezes, em trabalhos para a escola. Quando entrei na universidade (fui a primeira na minha família), o meu avô não cabia em si de contente. Levou-me, e ao meu pai, para a matrícula, em Braga (naquele tempo não havia Comunicação Social ou curso similar na Universidade do Porto, e as universidades privadas não me interessavam), e nesse dia estipulou uma mesada para me ajudar nos estudos. No primeiro dia de cada mês, ligava-me a saber quando podia ir lá a casa buscar o dinheiro. Infelizmente, o meu avô não viveu o suficiente para me ver iniciar uma carreira no Jornalismo (e a acabá-la da forma como sabem já os meus despenteados amigos). O segundo de dois enfartes que sofreu no espaço de pouco mais de seis anos levou-mo na altura em que começávamos a conhecer-nos melhor.
Tenho saudades do meu avô! Mas sei que herdei esse gene que nos predispõe para a busca do saber. A curiosidade que nos empurra para o conhecimento. Nunca serei alguém tão acima da média como ele foi no seu tempo, mas sei que, onde está agora, terá orgulho em saber que procuro seguir-lhe os passos e deixar neste mundo, quando me for, uma marca em quem me conhecer. Senão pela cultura, pelo conhecimento, pela agilidade de raciocínio, ao menos pela sede de aprender, pela abertura a novos ensinamentos, pela vontade de investigar. Por isso me causa algum mal-estar a forma como as pessoas de hoje vêem a inteligência. Para a maioria, é culto e inteligente apenas quem tirou um curso superior, mesmo que saiba apenas falar disso e não acrescente nada ao quotidiano daqueles com quem priva. Mesmo que dê erros quando usa a língua materna, mesmo que não saiba quem foi o primeiro rei de Portugal – ou o sétimo –, e que não seja capaz de sair com rapidez e graciosidade de um qualquer problema do quotidiano. Também por isso me aborrece a importância que dão certas pessoas aos títulos de doutor (só é doutor quem tem um doutoramento, muito menos gente do que a que abusivamente usa o epíteto), engenheiro, arquitecto ou palhaço (estes são mais vulgares)… O caso mais mediático dos últimos tempos terá a ver com o nosso primeiro-ministro. É ou não é José Sócrates engenheiro? Mas será engenheiro de facto, ou apenas engenheiro técnico? E o que é que isso importa a quem só deve interessar o contributo que este homem terá para dar ao país?! Será que só tendo um curso é que as pessoas têm valor? Será que só nessa situação poderão ajudar na construção de um futuro melhor para os seus semelhantes? Pensei que, mais importante do que tudo isso fosse o genuíno empenho no que se faz, a vontade de empurrar o país para a frente, essa sede de saber e os meios para agir. O meu avô teria sido um excelente chefe de Governo, acreditem ou não!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Há quem borre a cara por 10 euros!

Há quem diga que posso ir presa pelo que escrevo aqui sobre o insólito caso do despedimento ilegal de que fui vítima em finais de Julho, juntamente com outros 33 camaradas de redacção. Algumas das pessoas que dizem isso estão, curiosamente, entre esses colegas. Não obstante, e para acalmar essas mentes temerárias, convém salientar que matar é crime, roubar também, mas dizer a verdade jamais poderá ser um acto punível por qualquer Justiça digna desse nome (bem, usar os termos “Justiça” e “digna” na mesma frase, em Portugal, é coisa que poderia alimentar quilómetros e quilómetros desta sucessão de letrinhas que aqui vos deixo, mas não é isso que hoje se pretende neste despenteado espaço do nosso contentamento). A verdade é que, se gosto particularmente da expressão “dar os nomes aos bois”, neste caso… gosto ainda mais!
Vai daí que hoje vos dou conta de um novo episódio da saga «Fraudes de empresas do grupo A Folha Cultural», de que é proprietário (não sei se preto no branco, se apenas oficiosamente) o empresário-modelo condenado por fraude ao Estado mas agraciado com verbas do QREN Eduardo Oliveira Costa. A livraria online Livros.net está, desde o passado mês de Julho, devedora de um livro escolar – pelo menos um – que terá sido encomendado e pago de imediato, pelo Multibanco, por uma cliente que tão cedo não voltará a cair noutra. Refere a queixosa que “a encomenda só seria processada depois do pagamento”, pelo que o efectuou de imediato. No entanto, desde Julho que a senhora espera – já não espera, porque entretanto optou por adquirir o manual de que a filha necessitava para a escola numa livraria convencional, mas continua sem saber que fim levaram os quase 10 euros que pagou –, e da Livros.net nem sinal. “Apesar dos meus vários contactos por e-mail, que nunca são respondidos, e por telefone (quando consigo falar com alguém), ninguém me diz o que se passa com a encomenda, nem se vai ser entregue ou quando”, explica a queixosa. Juro que estou tentada a dar-lhe o número de telemóvel do Eduardo Costa…

Sobre a preguicite aguda...

Os jornalistas que mantêm em funcionamento o pasquim que usurpou o nome de «O Primeiro de Janeiro» estão actualmente como em finais de Julho estavam os mais de 30 que foram despedidos com uma mão na frente e outra atrás. Com uma variante: mais depressa do que os primeiros, os de agora cansaram-se de adiantar dinheiro para trabalhar e fizeram greve aos serviços de reportagem no exterior. Até aí, nada contra. Aliás, acho muito louvável a decisão, até porque ela não abona muito a favor da sobrevivência do dito pasquim. No entanto – juro que resisti durante todo o dia de ontem a trazer aqui este assunto –, não seria preciso grande fundo de maneio para que um dos jornalistas de «O Norte Desportivo» convertidos em repórteres generalistas do «Janeiro» se tivesse deslocado ontem à Estação de Metro do Campo 24 de Agosto para fazer a cobertura da notícia que abriu vários noticiários durante a manhã, quando parte do tecto daquela estação aluiu e a gare de embarque foi desactivada, levando à suspensão da circulação durante algumas horas. Quando ouvi a notícia, pensei em vir cá mandar o meu bitaite, e quem sabe lançar uma apostazita sobre se seria ou não feita essa cobertura noticiosa. Mas depois pensei: “Que raios! É ali ao lado! É claro que eles vão lá mandar uma equipa de reportagem. Nem teria cabimento que assim não fosse”… No entanto, teve cabimento, e assim não foi. Quando hoje, expectante, abri o pasquim, deparei-me com o texto: uma bela página, é verdade! Uma fotografia de um elemento da redacção, suspeito. Não o conheço, mas o nome tem aparecido várias vezes no jornal depois da “remodelação” da redacção. Mas… e escriba? Disso parece que não havia no pasquim ontem. Optou-se por publicar a notícia difundida pela Agência Lusa, que curiosamente surge misturada com outras sobre o mau tempo que ontem assolou o Norte. Não é tão ridículo como meter numa caixa de um texto sobre a PSP a notícia da disponibilidade de Elisa Ferreira para uma eventual candidatura à Câmara do Porto, é um facto! Mas é igualmente disparatado! Ainda mais quando «O Primeiro de Janeiro» é, para o bem e para o mal, o único pequeno jornal da cidade que se mantém activo…

Foto: João Abreu Miranda/Agência Lusa

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Sarna para se coçar!

A forma como cada um de nós responde aos desafios que quotidianamente se nos colocam releva muito do nosso carácter, e este homem - decididamente! - gosta de enfrentar os adversários e de lhes mostrar que é ele quem está no comando, e por que razão. Não é à toa que, diante do actual cenário de crise que o país e o mundo atravessam, o Governo que José Sócrates lidera continua a colher a preferência da maioria do eleitorado nacional, ainda que a confiança absoluta expressa nas anteriores eleições legislativas pareça ter-se perdido, pelo menos para já. Não obstante - e essa é uma das características que mais aprecio no temperamento do nosso primeiro-ministro -, ele não foge às polémicas e aos temas complexos, e escolheu, para o debate quinzenal com a oposição, a crise internacional. Ele sabe que não é bem disso que se vai falar. E sabe também que os deputados vão querer trazer para dentro de portas a discussão. Sabe que foi buscar sarna para se coçar. Mas não fugiu. Não se escondeu atrás de um temazinho de discussão mais soft, mais consensual, que não beliscasse tanto a sua popularidade. Ele é do contra, e é disso que mais gosto nele!

domingo, 5 de outubro de 2008

A casa do sem-abrigo

Por definição, um sem-abrigo é uma pessoa que não tem casa, e que por isso vive à mercê do tempo, vive à chuva e ao frio, dorme enrolado em papelões e folhas de jornal, e entrega-se à caridade dos outros. No entanto, o «Jornal de Notícias» conseguiu descobrir um sem-abrigo fora do comum, que até tinha casa e tudo. Chato mesmo foi o incêndio! Agora, o senhor de quem se fala nesta reportagem passa a ser um sem-abrigo em full-time. Sem mordomias...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

COMUNICADO Ensino especial na Suíça

O Mente Despenteada III recebeu, das mãos do ex-conselheiro da Comunidade Portuguesa na Suíça, Manuel de Melo, um comunicado à imprensa cujo teor passamos a transmitir:

Ensino especial: Auditoria da PriceWaterhouseCoopers arrasa por completo o sistema de ensino especial no cantão suíço de Genebra

O relatório final da auditoria realizada aos serviços do ensino especializado do cantão de Genebra pela consultora PriceWaterhouseCoopers (PWC), com data de 23 de Setembro último, é profundamente demolidor e preconiza uma reforma drástica de todo o sistema. A auditoria da PWC põe a nu um sistema de gestão e funcionamento artesanal e de outro tempo. Dentre as inúmeras falhas apontadas, a PWC refere que: a indicação dos alunos susceptíveis de serem colocados no ensino especial não é acompanhada de uma avaliação médica ou psicológica; as decisões são mal documentadas; os dossiers não estão informatizados nem centralizados; as previsões estatísticas são inexistentes; o papel dos serviços envolvidos está mal definido; o ensino especializado depende de duas direcções de serviços diferentes cujos interesses e objectivos raramente convergem; os critérios de colocação dos alunos no ensino especial não são conhecidos de todo. O ministro da educação de Genebra, Charles Beer, já reagiu publicamente informando que o Departamento de Instrução Pública (DIP) vai acolher todas as recomendações feitas pela PWC, garantindo que ainda este ano, todo o processo de entrada e saída do ensino especial será alterado. Segundo Charles Beer, todos os alunos -- deficientes ou com dificuldades de escolarização -- serão inscritos no ensino regular. A integração passa assim a ser a palavra de ordem e o envio sistemático de alunos para o ensino especializado será erradicado.

A PWC confirma o que já venho denunciando há anos. Um dos principais problemas dos portugueses na Suíça tem a ver com o excessivo número de crianças e jovens que frequentam as designadas “Classes Especiais” ou “Classes Especializadas” do ensino helvético. Na sua larga maioria são crianças e jovens com capacidades normais que foram colocadas indevidamente nessas classes do ensino especial suíço, donde dificilmente conseguem sair para integrar o ensino regular ou para fazer uma formação profissional. Há longos anos que tenho vindo a denunciar a existência desta situação anómala, atentatória dos direitos das nossas crianças. Recordo que em Junho de 2001, eu e outros portugueses entregamos uma petição (apoiada por 1500 assinaturas) no parlamento de Genebra –- tendo posteriormente sido ouvidos pela Comissão de Educação – solicitando que se pusesse fim às práticas abusivas do DIP e se acabasse com o envio indiscriminado de alunos para o ensino especial. A referida petição acabou por ser chumbada pelo parlamento, com base num relatório escabroso da Comissão de Educação, que branqueou por completo os “disfuncionamentos” dos serviços do ensino especializado. Ironia do destino, o relator do referido relatório chamava-se Charles Beers, à época deputado e que agora desempenha as altas funções de ministro da educação do cantão de Genebra. Como diz o ditado “só os burros é que não mudam” e “mais vale tarde do que nunca”.

Genebra, 1 de Outubro de 2008.
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MANUEL DE MELO
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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Crónica de um dia feliz!

Há coisas que se sentem cá dentro, e hoje, logo ao acordar, senti que teria um dia feliz. Quando, ainda ensonada, bati a porta de casa e senti o beijo quente do sol lá fora, tive a primeira confirmação. O carro que pegou à primeira (nunca me deixou ficar mal, mas ultimamente anda a fazer-se esquisito), as ruas quase sem trânsito, o estacionamento fácil junto ao escritório, tudo indiciava um dia tranquilo, de uma paz imperturbável até pelo ritmo da labuta. A meio da manhã, uma boa notícia: um amigo que, como eu, foi atirado borda fora de um barco meio naufragado, vinha à tona num outro mar, e hoje estreava-se num novo emprego. Na verdade, em dois. Um sorriso. Largo, partilhado na alegria genuína pelo sucesso de alguém de cujas qualidades profissionais, do empenho e da competência nunca duvidei. Durante o intervalo para almoço, que aproveitei para pôr um dia alguns afazeres (afinal eram tantos que quase não tive tempo de comer), a voz de uma amiga voltou a alegrar-me. Ainda não conseguiu o emprego que procura e, como o namorado, continua a questionar o futuro. Mas estão juntos, amam-se, e hoje pude matar saudades deles, dar-lhes alento, saber as novidades. Lembrar o que já sabia: que tenho todas as razões do mundo para gostar deles como gosto. Novo sorriso. Apesar de tudo o que passámos, valeu a pena cada minuto dos anos que perdi naquele lugar, porque de lá trouxe o coração cheio de gente boa. A tarde de trabalho correu bem, e à noite nova boa notícia: posso ter ajudado outra amiga a conseguir emprego. Há a esperança, pelo menos, porque lhe consegui uma entrevista. Ouvir, do outro lado da linha, a voz e o entusiasmo de alguém de quem gosto, e que sei ter sido talhada para um emprego como aquele para que a propus, fez-me sentir muito, muito bem! Mais um sorriso, e outro, e outro! Logo depois, novo telefonema, para outra amiga, infelizmente também desempregada (somos mais de 30, se bem se lembram…). A generosidade desta minha querida amiga, a quem devo muito do que tenho hoje, desperta por si só um sorriso, e o facto de haver pessoas assim eleva a minha satisfação por tê-la pertinho, no coração. Hoje o dia correu-me bem. Pelo meio destes encontros telefónicos, houve mensagens e mais telefonemas, houve e-mails e respostas, sorrisos e desejos de boa sorte. Sinto que o dia de hoje valeu realmente a pena. Vou certamente adormecer feliz.

Notícia e opinião: descobre as diferenças!

Alguém devia dar umas lições aos directores dos "credíveis" jornais regionais sobre as diferenças entre uma notícia e um texto de opinião, porque isto não diz em lado algum que seja opinião, mas notícia não é, de certeza...

PS: Depois de ter escrito este post, o site foi actualizado, e diz agora que se trata de um texto crítico.

Vozes de burro não chegam ao céu...

"Cá para nós que ninguém nos houve"...

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Choque e pavor!

Não sei se me choca mais a pobreza dos argumentos utilizados por Manuela Ferreira Leite para criticar José Sócrates e o Governo, se o facto de ainda haver alguns iluminados que consideram que a senhora tem talento para a oratória!

À Rute e ao Mário!

Na era da imagem e do som, ouvi hoje, pela primeira vez, a voz (ainda que afónica) de alguém com que nunca me cruzei fisicamente, mas que desde há longos meses – não demasiado longos, que estas coisas não têm tempo nem duração – incluo na minha galeria de amizades, ou pelo menos das pessoas que admiro. Desde logo pelo seu inegável bom humor. Aquele humor inteligente e camaleónico, que vai do quase óbvio ao verdadeiramente genial em menos de três segundos. E deve ser contagioso, porque o marido desta minha amiga é também uma das boas memórias que me hão-de ficar das andanças pelo Jornalismo, pela internet, pelos blogs e afins. A Rute e o seu Sniper figuram já, com todo o mérito, na colecçãozinha de pessoas que admiro (que é restrita, o que torna ainda mais especiais estes dois). Gosto mais deles do que de muitas pessoas com quem tive já o (des)prazer de conviver. Por isso, sejam sempre bem-vindos a este meu humilde estabelecimento. Até já tenho saudades vossas! :)

Há um (novo) prenúncio de morte...

Primeiro veio o anúncio, o alarme, a crispação generalizada. Depois o silêncio, o quase esquecimento, e a tentativa vã de camuflar o que não mais se conseguirá esconder. A morte travestida em renascimento, o desejo de continuar, o ridículo que veio depois. Há dias, instalou-se o burburinho naquele espaço que já foi nosso. Já não é, nem há-de voltar a ser aquele o nosso lugar. Agora é o lugar do burburinho, do medo, da ânsia, do desconforto. Um lugar que deixa um travo amargo na boca, que também conhecemos, e afinal a certeza de que não houve, por ninguém, o respeito merecido e desejado. Renasce a certeza do inevitável desfecho. Estamos, de novo, perto do fim. Sento-me confortavelmente e espero. Não posso negar que trago no peito um estranho sorriso, misturado com a tristeza de saber que mais uns poucos foram enganados. Deixaram-se enganar, creio. Estou, como eles, à espera do fim. Mas desta vez como espectadora de quem há-de trilhar caminhos inóspitos que já percorri.

Há um prenúncio de morte lá do fundo, de onde eu venho…

domingo, 28 de setembro de 2008

Persistir na persistência

A três dias de completar dois meses sobre o despedimento ilegal de mais de 30 jornalistas e demais funcionários de «O Primeiro de Janeiro», e quando o assunto já parece ter caído no esquecimento dos meios de informação e da sociedade em geral, são ainda muito poucos os camaradas que conseguiram recomeçar. Alguns deles, que lançaram âncora a um velho e cobarde subterfúgio chamado silêncio, adiantaram-se no marcador dos recebimentos, e graças à recusa de lutarem pelos seus direitos (agora começam a pensar nisso, segundo apurou o Mente Despenteada junto de fontes bem informadas) contam já no bolso com os dois salários que estavam em atraso naquele dia em que o «Janeiro» ia fechar, mas acabaria por reabrir escassas horas depois, com um grupo de jornalistas do suplemento desportivo a tomar conta do barco. Dois meses depois, o balanço é francamente negativo, se pensarmos que engrossam as fileiras do desemprego cerca de 30 pessoas que, na maioria dos casos, carregam nos ombros a proeza de ter mantido vivo o «Janeiro», antes da reviravolta que o transformou no lixo que é hoje. A atitude da administração foi inclassificável, para dizer o mínimo, e ainda mais hedionda para com o grupo que tinha sido “dispensado” cerca de um mês antes de nós, já que os três jornalistas continuam sem receber nem um cêntimo referente aos ordenados de Junho e Julho (a nós pagaram uma parte de Junho). Para esses meus amigos, que tanto deram àquela casa e que continuam sem nada, deixo aqui os votos sinceros de que, como eu consegui, como outros conseguiram, em breve se levantem de novo e recomecem a sua vida profissional, em espaços novos, amplos, limpos de ar e de vícios, com boa gente, com camaradagem e com boas práticas. Até lá, persistam! Vão ao fundo de vós encontrar a força, a garra e a coragem necessárias. Persistam na persistência. Estarei sempre a torcer por vós. Um abraço a todos.

Sobre os jornais do Porto...

O «Público» de hoje dá à estampa um texto assinado por Alice Barcellos que diz o seguinte: Dos três jornais nascidos no Porto, apenas um está numa situação sustentável: o Jornal de Notícias. Esta é uma das conclusões da tese de doutoramento da professora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) Helena Lima, intitulada Os Diários Portuenses e os Desafios da Actualidade na Imprensa: Tradição e rupturas. O estudo, que estabelece uma ligação entre os acontecimentos históricos do país com os jornais portuenses, tenta explicar o fim de O Comércio do Porto e a crise n'O Primeiro de Janeiro, que quase levou ao seu encerramento em Agosto. O final da ditadura, o 25 de Abril e o período revolucionário, a imprensa estatizada, a reprivatização das empresas jornalísticas e a formação de grupos de media são os factos que guiam a investigação.
Helena Lima defende que O Primeiro de Janeiro "só continua com o mesmo nome", uma vez que a linha editorial inicial do jornal já se perdeu. "O jornal passou de generalista para um projecto de jornalismo regional", explica a professora, completando que este diário "tenta sobreviver há mais de uma década". As "fórmulas administrativas" e "as orientações editoriais" adoptadas pelos jornais são os principais motivos de crise ou sucesso, refere o estudo. Durante os anos 80 e 90 do século XX a imprensa nacional passa por uma fase de privatizações e reestruturações. Depois do 25 de Abril grande parte dos diários nacionais ficam nas mãos do Estado - durante a ditadura pertenciam a bancos.

"Símbolos das cidades"
O aparecimento de projectos inovadores, como o PÚBLICO, a formação de grandes grupos de media e a modernização das redacções acarretaram novos desafios. O Comércio do Porto acaba por não resistir à concorrência. Depois de pertencer ao Grupo Lusomundo, é, em 2001, vendido ao espanhol Prensa Ibérica. Em 2005, acaba por ser encerrado por questões financeiras. Helena Lima frisa que nesta altura o "Comércio já se tinha transformado num jornal de âmbito local, embora tenha tentado investir em melhores projectos editoriais ". No Janeiro, a crise começa em 1979, com a morte de Pinto de Azevedo, proprietário do jornal. "Ao longo de uma década, o jornal foi perdendo muitas características. Não havia uma linha editorial e aconteciam mudanças constantes de directores", justifica a professora. A sede do jornal, na Rua de Santa Catarina, acaba por ser vendida, o que mostrou a "fragilidade" do diário portuense fundado em 1868.
Enquanto O Comércio do Porto e O Primeiro de Janeiro reflectem aquilo a que Helena Lima chama "deriva editorial", o Jornal de Notícias conseguiu afirmar-se junto do público. Seguindo uma linha "mais popular" do que os jornais de referência, o JN soube tirar partido da inserção num grupo de media. "Apostou na informação generalista, mas continuou a dar as notícias locais", analisa a investigadora. Segundo a professora da FLUP, o encerramento de um jornal centenário "é penoso para quem estuda os jornais". "Mais do que jornais, podem ser vistos como símbolos da cultura de uma cidade", garante Helena Lima. O Comércio do Porto, fundado em 1854, "era um símbolo do Porto". Com o seu encerramento, "um pouco da cidade também desapareceu", lamenta a investigadora. Helena Lima indica que a imprensa nacional é dominada por jornais de cariz generalista. Mas, a nível mundial, "as empresas de media estão a perceber que precisam de investir no local", afirma. "O jornalismo regional está a ressurgir", diz a investigadora, realçando que o jornalismo de âmbito local está cada vez mais presente "no meio on-line".

Acordo tripartido: eu e estes dois!

Creio que é a primeira vez que tal me acontece, mas estou de acordo com Marques Mendes quando ele diz que os partidos políticos portugueses se dedicam a discutir assuntos que pouco interessam. Se é certo que a questão dos casamentos entre homossexuais é importante para eles, e isso devemos respeitar, também é certo que, como diz o ex-presidente do PSD, há coisas bem mais urgentes a discutir nos dias que correm. O casamento entre pessoas do mesmo sexo parece ser uma prioridade para os partidos de esquerda, mas não está na agenda do Governo, como já fez saber há dias o primeiro-ministro, e Marques Mendes alinha pela mesma bitola. Eu concordo. Primeiro há que resolver os problemas que são de todos, e só depois devemos concentrar forças na resolução dos problemas que são apenas de alguns. Isto é política!

Não dá para fintar a revolta!

Quando lemos relatos como este, e sabemos que a pessoa que passa por esta situação - um amigo que, como tantos outros, e como eu mesma, foi vítima de um despedimento ilegal, com salários em atraso (que continuam em atraso, apesar de outros funcionários da mesma empresa, também despedidos, já os terem recebido, enquanto os que continuam a trabalhar continuam sem receber a tempo e horas), há uma estranha revolta que toma conta de nós. De mim, pelo menos. E saber que a criatura que causou tudo isto, que faz passar por necessidades amigos meus, continua por aí a pavonear-se no papel de presidente de um clube desportivo e ao volante de um Porche, ou de outro dos seus vários automóveis, dá-me ganas de partir para a ignorância. Acreditem...

sábado, 27 de setembro de 2008

Um protesto sem sentido!

A DECO está a promover, durante todo o dia de hoje, um boicote ao abastecimento de combustíveis, numa acção que tem como lema «Não esqueça, não abasteça». Eu não me esqueci, e provavelmente não abastecerei, mas não por indicação da associação de consumidores. É que este protesto, a meu ver, não faz qualquer sentido. Se é verdade que Portugal atravessa um momento de crise e de grande instabilidade no que toca à fixação dos preços da gasolina e do gasóleo, também é verdade que hoje, no dia que a DECO escolheu para a efectivação do boicote às gasolineiras, os preços em vigor são os mais baixos de que há memória na história recente do país (tenho encontrado gasolina de 95 octanas a 1,24 euros num posto Esso perto de casa, que mesmo durante a fase mais negra desta escalada de preços nunca ultrapassou os 1,46 euros).
Por outro lado, qualquer protesto se esvazia de sentido quando não há poder de quem protesta para de facto penalizar quem, a seu ver, é alvo de crítica. Porque neste caso, como noutros, o que acontece (no máximo!) é uma “deslocação” do dia de abastecer, que é antecipado ou adiado consoante der jeito. Ontem de manhã, quando abastecia o meu carro, abeirou-se de mim um homem que abastecia na bomba ao lado, indagando de eu pretendia “aderir ao protesto”. Respondi-lhe que a minha vontade era aderir ao protesto todos os dias, mas sem protesto. Ou seja, o ideal era não ter de abastecer tantas vezes. Uma vez por ano, ou coisa que o valha, era o ideal, mesmo que fosse uns 50 euros! Sem pensar muito na minha resposta, o homem prontificou-se a dizer que ia aderir ao boicote de hoje, que isto assim não pode ser, e patati patatá! A cereja no topo do bolo foi quando ele me disse, em tom algo gabarola: “Temos de dar uma lição a estes gajos das gasolineiras! Eu vou aderir. Hoje meto 50 euros, que é para amanhã não precisar de meter mais gasóleo”. Rico boicote…

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Uma irritação profunda!

Há várias coisas que me irritam profundamente. Uma é a idiotice. Mas há mais! Muito mais! Quase no topo da lista surgem aqueles anúncios parvos que, recorrentemente, passam nas estações de rádio e nos canais de televisão do nosso cantinho à beira-mar plantado. E irritam-me de tal modo que, além de desligar o aparelho em que tais coisas estejam a ser emitidas, ainda fico a barafustar (quase sempre sozinha), de boca aberta e queixo a tocar o chão, de espanto! Um desses anúncios, que tenho apanhado todas as manhãs a caminho do emprego, é patrocinado pelo Automóvel Club de Portugal, e entronca num dos meus outros ódios de estimação: a subalternização da inteligência e da capacidade de improviso das mulheres. Muitas das pessoas mais desembaraçadas que conheço, que raramente esbarram em pequenos obstáculos e que não se deixam tomar pelo desespero diante das dificuldades, são do sexo feminino. E eu, que até sou a mulher mais “machista” que conheço (detesto as palermices típicas do feminismo e das feministas, e exaspera-me a atitude daquelas “loiras por dentro”, que não dizem nada que se aproveite), fico pior do que estragada diante de mulheres que acham que ser feminina é ser imprestável.

Certa vez, uma amiga contava-me que, apesar de saber cozinhar e limpar e arrumar a casa, e de o fazer regularmente, nunca admitia esse saber na presença de pessoas do sexo masculino, porque dizia que não queria ser vista como uma “matrona”, mas antes como uma “mulher de carreira”, seja lá isso o que for, e que só as “saloias” tinham em tão boa conta a capacidade de administrar uma casa e uma família. Ora bolas!, pensei, diante de tão estapafúdio argumento. Mas a verdade é que tenho encontrado muitas mulheres assim: há aquelas que genuinamente não sabem fazer nada nem servem para nada, e depois há as que se gabam – ainda que não por palavras – de serem uma nulidade nas lides domésticas ou em coisas com menos glamour do quotidiano. Mudar um pneu é, para essas mulheres, a acção menos feminina que lhes podem pedir, e não hão-de nunca aprender a fazer tal coisa. Se forem na estrada, o mais certo é que nem dêem conta do furo, mas se derem fazem de conta e seguem o seu caminho, ou então pedem a um “senhor simpático” que as ajude. Ora, eu tenho uma visão diferente das coisas.

No meu mundo, que não é o mundo das feministas que clamam por igualdade face aos homens, cada um, independentemente do sexo que lhe foi destinado, deverá, dentro do possível e do razoável, safar-se sozinho dos problemas que lhe surgem. E mudar um pneu é um dos menores da minha lista. Não é agradável, não. Muito menos se chover. E agora que, ao fim de 31 anos a prevaricar, consegui deixar de roer as unhas, não é com entusiasmo que encaro a possibilidade de as partir ao pegar em tão pesado donut de borracha. Mas eu sei mudar pneus. Já mudei vários, sempre sozinha (até porque, de todas as vezes em que tive furos, viajava sozinha), já comprei pneus, sozinha também, e já ajudei pelo menos duas pessoas – uma mulher e um homem – a fazer o mesmo. A mudança de um pneu, bem como os mais elementares procedimentos de Mecânica, deviam, a meu ver, fazer parte das lições de condução. Se assim fosse, acabavam de vez os anúncios ridículos como o do Automóvel Club de Portugal em que uma senhora se congratula por o ACP lhe ter levado o filho à escola, depois de ela ter tido um furo. Ou seja, porque teve um furo viu-se obrigada a chamar assistência e a parar o automóvel que conduzia. Para avolumar ainda mais a minha úlcera péptica, o anúncio termina com a criatura a garantir que “uma mulher que tem o ACP tem tudo”. E eu, que me estico para desligar o rádio assim que a senhora começa a falar, penso que é por estas e por outras que as mulheres viveram séculos debaixo do jugo dos homens, num mundo comandado por eles. É que, por mais que barafustem, que se declarem independentes e emancipadas, demitem-se dessa emancipação sempre que precisam de mudar um pneu, atarrachar uma lâmpada ou consertar uma avaria num candeeiro…

O último dos masoquistas

Há gente que gosta mesmo de levar a chamada “porrada no lombo”. Só pode! E se há pessoas assim, Pedro Santana Lopes é, decididamente, uma dessas pessoas. O antigo primeiro-ministro, ex-presidente do PSD, antigo líder da bancada parlamentar social-democrata, ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa e da congénere da Figueira da Foz e ex-presidente do Sporting está, novamente, “disponível” para se candidatar à liderança da autarquia da capital em 2009, para tentar roubar o trono ao socialista António Costa. Santana Lopes diz que “é difícil dizer não a Lisboa”, mas cá para mim o que será mesmo, mesmo difícil é que Lisboa volte a dizer-lhe sim…

Prédio ameaça ruir em Matosinhos

Não conheço ainda o suficiente da cidade de Matosinhos para me atrever a dar nomes às muitas ruas por onde passo nas minhas caminhadas matinais e da hora de almoço, mas há uma circunstância que, reiteradamente, me tem chamado a atenção, e que uma pequena pesquisa me ajudou a esclarecer, ainda que me tenha lançado num novo mar de dúvidas. Junto à chamada rotunda da fonte luminosa (que liga as avenidas D. Afonso Henriques, Menéres e Vila Garcia de Arosa), há um prédio de cinco andares em risco de ruir. Foi no passado mês de Julho que o medo tomou conta de 13 pessoas que viviam no referido imóvel, que fica na convergência da Avenida Vila Garcia de Arosa com a dita rotunda, quando um pilar de sustentação do edifício, que terá cerca de 40 anos, ruiu, pondo em causa a permanência das famílias nas habitações. Por questões de segurança, e de acordo com o que pude ler na imprensa da altura, os moradores (na sua maior parte idosos) foram prontamente evacuados e estarão, desde então, a viver em casas de familiares e amigos, com garantias de segurança. O que me causa estranheza, no entanto, é que, apesar de o trânsito no local ter sido condicionado, com a rua em frente ao prédio a ser encerrada pela câmara com recurso a barreiras metálicas, todos os dias há dezenas de automóveis estacionados junto ao edifício, indiferentes ao possível desmoronamento do imóvel. Eu, que atravesso sempre a rua (não que isso me adiantasse de muito no caso de aquilo vir tudo abaixo), não posso deixar de gabar a coragem de quem assim expõe a sua bela viatura a tal perigo…

Fotos: Mente Despenteada

sábado, 20 de setembro de 2008

Onda rosa em Guimarães

Se dúvidas houvesse – e eu não as tenho – de que José Sócrates é o melhor primeiro-ministro da história da democracia portuguesa, e de que a sua popularidade continua em alta, mesmo diante do cenário de profunda crise que assola o país, o comício desta tarde em Guimarães depressa as faria dissipar. O homem que nas eleições legislativas de 2005 conquistou a primeira maioria absoluta socialista, e que caminha a bom passo para repetir o feito em 2009, subiu a um imenso palco montado no Pavilhão Multiusos de Guimarães, o local em que foi entronizado no cargo de secretário-geral do PS, e que hoje dividiu com cerca de 400 pessoas, entre as quais pontificavam alguns destacados militantes do partido, e explicou por que é chefe do Governo. Prestou contas sobre a obra feita – reclamou a paternidade da reforma do Parlamento, da Lei da Paridade, da imposição de limites ao número de mandatos nas autarquias, do fim das subvenções vitalícias para os políticos e da obrigatoriedade da abertura de concursos para chefias na Administração Pública – e criticou a oposição, da política do silêncio e de queixa da democracia (numa clara alusão ao PSD de Manuela Ferreira Leite) ao alarido de uma esquerda que, segundo afirmou Sócrates, há muito deixou de se opor à direita para se concentrar nos ataques ao PS e ao Governo. O pavilhão estava cheio. Lotado! E não foi preciso usar subterfúgios para dissimular clareiras e enganar as câmaras das estações de televisão. Não havia clareiras. E havia gente lá fora, à espreita, a tentar ver o ouvir o que se passava dentro de portas. José Sócrates foi aclamado. De pé. Diversas vezes. Foi a verdadeira apoteose! E contra factos não há argumentos. Fico à espera de poder assistir a um comício do PSD e de Manuela Ferreira Leite…

Fotos: Mente Despenteada

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Uma imagem de solidão

Era um homem já velho, pequenino e curvado sobre si pelo peso dos anos, talvez das preocupações. Trazia no rosto uma espécie de cansaço desenhado naquele fim de tarde e num estranho esgar dos olhos, de cor indefinida. Esquecido na vertigem dos carros que voavam pertinho dos pés, não ousava sequer um passo para atravessar a movimentada estrada. Notei, ao passar por ele, que ninguém mais parecia notar a sua presença. Ele ali, parado num tempo em que tudo corria à sua volta, bem pertinho de quem passava, captou um momento da minha atenção, voando eu também num ansiado regresso a casa. Pensei, naquele momento, que não mais recordaria o rosto daquele desconhecido. Enganei-me. Sem saber por que razão, recordo-o ainda, agora e aqui, tão longe já daquele momento e daquele lugar. Percorre-me o cérebro uma luz difusa, e entre os seus raios a imagem de solidão daquele homem velho, pequenino e curvado sobre si, à espera de poder atravessar a movimentada estrada ao fim da tarde. Paciente, sozinho, só. Solidão sem palavras, num olhar cansado e sem arrogância. A simpatia por aquele velhinho nasceu assim, repentina e inexplicada, projectada talvez na velhinha que hei-de ser também. Talvez por isso tenha gostado dele…

sábado, 13 de setembro de 2008

Assim vai o Jornalismo no Porto...

Foi num almoço realizado no Pavilhão Académico, no Porto, que o presidente da maior federação socialista do país apresentou, há poucas horas, a sua recandidatura ao lugar. Renato Sampaio mobilizou mais de 800 pessoas, entre as quais, como referiu o próprio aos jornalistas presentes, vários elementos da comissão política nacional do partido da rosa, presidentes de câmara, junta de freguesia e assembleia municipal. No arranque formal da sua campanha, um momento importante para a vida política da cidade e do distrito, o presidente do PS/Porto respondeu às perguntas da Agência Lusa, da RTP, da TVI, do jornal «Público», da revista «Visão» e do site GrandePortoTV. Uma presença de órgãos de informação muito fraca, e que visou sobretudo aferir a posição de Renato Sampaio em relação à putativa candidatura de Elisa Ferreira à Câmara Municipal do Porto e, ao mesmo tempo, a posição desta diante da aproximação das eleições para a distrital. Elisa não esteve presente, por dificuldades de agenda (está ausente do país), mas o líder socialista deixou claro o seu apoio à eurodeputada na Invicta. Estranha foi a pouca adesão dos jornalistas ao lançamento da candidatura. A SIC achou que não fazia lá falta. das rádios, nem falar. Noutros tempos – há bem pouco tempo! –, «O Primeiro de Janeiro» teria, de certeza absoluta, comparecido à chamada. O pasquim não esteve. O «Jornal de Notícias», por seu turno, deu razão àqueles que dizem que está a trocar o Porto por Lisboa: não apareceu, e logo depois decidiu publicar no seu site o texto da Agência Lusa. Quanto ao Jornalismo no Porto, estamos conversados...

"O maior partido da oposição"

É assim que eles se intitulam, usando estas exactas palavras. E parece que nos últimos anos se afeiçoaram a essa ideia de tal forma que já não querem fazer outra coisa. Eles querem ser e fazer oposição. E a vontade de se oporem é tanta, que até já a usam uns contra os outros, mesmo dentro do partido, e perdem mais tempo com questõezinhas internas do que com os assuntos do país e da sua governação. O PSD anda à deriva e, por este andar, corre sérios riscos de deixar de ser “o maior partido da oposição”, mas não por deixar de ser oposição, entenda-se!
Não sou exactamente fã de Luís Filipe Menezes, mas considero que aquilo que fizeram ao homem enquanto era presidente do PSD foi indigno de um partido que anseia ser, e que se afirma como tal, alternativa de governo, mesmo em Portugal. Bocas foleiras nos bastidores da social-democracia, uns bitaites maldosos, espalhados com a ajuda de um grupinho de diligentes assessores e de uns lambe-botas à espera de um tacho, a par de umas entrevistas com vista a lançar para o ar umas candidaturas à liderança que nunca haveriam de se concretizar, foi uma estratégia quase infantil, imprópria portanto do tal partido que se diz grande, mas cujas últimas lideranças têm sido demasiado pequenas para o resgatar do marasmo que lhe custou uns quantos milhares de votos nas últimas votações a que se apresentou.
Luís Filipe Menezes surpreendeu o mundo – ou então foi só a mim, mas confesso que a surpresa foi grande – quando se demitiu do cargo que há tanto tempo ambicionava ter e desligou o interruptor que alimentava a má-língua no seio do partido laranja. Foi um “basta!” literal, que marcou uma viragem na forma como passei a ver Menezes. É que, por muito que um gajo queira uma coisa, ser achincalhado por aqueles deveriam ser os primeiros a respeitá-lo (porque ele era seu presidente, e estava num lugar para o qual nenhum dos seus delatores tinha ousado candidatar-se, tentando genuinamente fazer algo que salvasse o PSD do estado comatoso em que se encontra há largos anos), deixa qualquer um com vontade de mandar tudo à fava. E Menezes mandou.
O erro dele veio depois. Primeiro, porque nunca se deve dizer nunca. Segundo, porque nunca é demasiado tempo. Portanto, quando disse que não ia falar, errou. E portanto, a promessa – que não tinha pernas para andar – foi quebrada, e o autarca de Gaia fez o que há muito se sabia que ele faria: falar. E falou para criticar a actual líder, a tal que parece gozar de imunidade no seio do partido, defendida por um trabalhador grupo de acossados pseudo-barões, que se atiram como cães aos críticos da senhora. Menezes é o ex, o passado, o último cromo da colecção, e como tal – pensam os senhores a quem se convencionou chamar “aparelho” – já não interessa. Na edição de hoje de um jornal gratuito da nossa praça, Menezes foi literalmente convidado a calar-se. Primeiro com uma pseudo-notícia que dava conta de que o PSD começaria a estar farto do autarca, e depois com um artigo de opinião assinado pelo director (que afinal escreve um cadito melhor do que fala, já que da última vez que o vi falar em público não foi sequer capaz de articular uma única frase com sentido), e que chega mesmo ao ponto de aconselhar o social-democrata a trocar a cadeira da política pelo divã do psiquiatra (a liberdade de imprensa NÃO é isto!).
Diz a referida nota que qualquer dia é o PSD que diz “basta” a Menezes. Estou ansiosa. Talvez seja mais um a bandear-se para o partido dos cidadãos independentes. E depois vai ser bonito: já temos a abstenção a sair vencedora de qualquer acto eleitoral que se realize neste país, agora só faltava termos o “partido dos independentes” a conquistar mais câmaras e deputados do que “o maior partido da oposição”…

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Só o cheiro é que é diferente…

Um sindicato têxtil pediu hoje a intervenção da Autoridade para as Condições de Trabalho na fábrica de confecções Grantex, de Lousada, que acusa de proceder a um despedimento colectivo "encapotado e ilegal" de 20 trabalhadoras. De acordo com fonte do Sindicato Nacional dos Profissionais da Indústria e Comércio de Vestuários e Artigos Têxteis, as trabalhadoras foram impedidas de entrar ao serviço segunda-feira, após férias forçadas, com a alegação de que não havia serviço para elas. Cumprem agora o seu horário de trabalho à porta da empresa. Considerando que "esta situação configura um despedimento colectivo e ilegal", a estrutura sindical anunciou que já solicitou a "intervenção urgente" dos serviços em Penafiel da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT). O sindicato anunciou ainda que agendou uma reunião com responsáveis no Porto da Direcção-Geral das Relações Colectivas do Trabalho, a fim de analisar o assunto. A empresa emprega três centenas de trabalhadores. Contactada pela Lusa, fonte da gerência da Grantex, que não quis ser identificado, disse apenas que "quer ver se segura" os postos de trabalho que ainda mantém e afirmou que o sindicato pode, "se quiser, recorrer às vias legais" (Agência Lusa).

A m… é a mesma! Só o cheiro é que é diferente!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Mogofores on fire 2!

Lembram-se, os meus despenteados amigos, de aqui vos ter dado conta, há escassos dias, de um pequeno foco de incêndio ocorrido num comboio de mercadorias que se encontrava estacionado na estação de caminhos-de-ferro de Mogofores, no concelho de Anadia? Pois bem, eu que passo lá - felizmente - alguns dos meus dias, naquele exacto local, lamentei que quando isso acontece não haja naquele lugar nada digno de registo, e fui prontamente criticada pela minha querida amiga Rute. Mas hoje tenho uma novidade para vocês: não estava lá eu, mas estava lá ele! O meu repórter intrépido preferido, que registou o momento em que, da ponte que se lá ao fundo, sobre a linha, os bombeiros observavam o veículo, já depois de o fogo ter sido extinto. Fica a obra do artista.


Foto: Luís Silva

“O jornal que fazíamos antigamente”

Ditou a sorte, ou talvez tenha sido apenas o acaso, que hoje, por tarefas inerentes ao meu novo emprego, tivesse de contactar a redacção da versão segunda de «O Primeiro de Janeiro». Obviamente não me identifiquei como uma daquelas 32 pessoas descartáveis do lamentável episódio do fatídico dia 31 de Julho, como também não maltratei qualquer das pessoas com quem falei, e foram várias, até chegar à fala com o jornalista que tinha de contactar. Foi simpático, e disponibilizou-se de imediato para uma futura conversa, a fim de agilizarmos a prossecução de um objectivo comum: a divulgação de um evento. Foi apenas no momento da troca de endereços electrónicos – sabendo eu exactamente com quem falava, e não tendo ele a mínima ideia de que do outro lado da linha tinha uma ex-colega (as redacções do «PJ» e de «O Norte Desportivo» não eram exactamente contíguas, e por isso não tínhamos, no rés-do-chão, um nível de familiaridade com os colegas do primeiro andar que nos permitisse identificar as suas vozes ao telefone) –, que ele me explicou que o final do e-mail que me fornecia (...@onortedesportivo.com) fazia alusão ao que definiu como “um jornal que fazíamos antigamente”. Nessa altura não contive um sorriso, amarelo, algo tristonho até, mas em jeito de uma gargalhada para dentro de mim. Foi há pouco mais de um mês que correram connosco, mas aquele “antigamente” fez cair, com um baque na minha cabeça, a crueza da coisa: eles tomaram o nosso lugar, e nós passámos à história! Já somos do "antigamente"...

Só pode ser piada!

A primeira é da edição de ontem, a segunda da edição de hoje do pasquim. São duas páginas que demonstram, com requintes de malvadez, a falta de vergonha da administração de uma empresa que há pouco mais de um mês despediu, sumária e ilicitamente, mais de 35 funcionários com dois meses de salários em atraso, sem subsídios de férias nem indemnizações, mas que, ainda assim, não se coíbe de publicar, pela mão de uma dezena de trabalhadores amordaçados pelo medo, eles próprios com salários em atraso, notícias relativas à situação difícil de outras empresas, onde, no entanto, ninguém foi tratado como lixo e atirado borda-fora...

Só pode ser piada!

Passa a tarde a pensar, depois dá nisto!

Despenteados amigos,

Antecipo aqui e agora, neste meu/vosso espaço que é um must da blogosfera nacional, mais uma provável cena de vómito daqueles dois ou três leitores que restam ao fraco pasquim que há coisa de mês e meio tomou de assalto o nome, outrora respeitável, do centenário portuense «O Primeiro de Janeiro». A primeira página da edição do PJ desta quarta-feira é mais uma obra-prima (para não dizer mesmo um escarro) do mestre do gráfico-parolismo lusitano, que, segundo relatos de fontes próximas do dito cujo, passa as tardes inteiras a pensar (há coisas fantásticas, não há?) naquilo que fará a “capa” do dia (ainda ninguém lhe explicou que se chama “primeira página”), para depois produzir – frequentemente entre ataques de histeria, asseguram as mesmas fontes – aquilo que tem sido a “montra” do pasquim nos postos de venda (e de leitura, que também os há, como sabemos). Preparados? Txarã…
Estão a ver bem isto? Como dizia alguém há uns tempos (perdoem-me o esquecimento de nomes e contextos, que a idade e a decrepitude caminham de braço dado, e eu até tenho tido muito em que pensar), o pasquim parece estar a concorrer para o Livro dos Recordes na categoria “o jornal que chama à primeira página todas as notícias que tem no interior”. Recorde-se que o “novo” PJ não tem tido muito mais do que uma vintena de páginas, das quais pelo menos oito são sempre consagradas ao «Norte Desportivo» (afinal, são eles, os do Desporto, que estão no comando da nau…). Quantos textos será possível meter nas páginas que sobram, além dos que já figuram na “capa”?

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Tarde ou ainda mais tarde?

Os finalistas do curso de Medicina da Universidade de Coimbra apresentaram-se hoje vestidos de preto no exame final do 6º ano, alegando o luto pela obrigatoriedade da realização de uma prova que consideraram desnecessária e prejudicial para os alunos. Falaram em “luto pelo futuro hipotecado”, e defenderam a teoria de que, num ano de carácter eminentemente prático, não tinha cabimento (vá-se lá saber por que razão!) uma prova teórica. Depois puxaram de palavras caras – seria giro que lhes pedissem os seus significados – para afirmar que o exame é “desnecessário”, “redundante” e, claro, “prejudicial e extemporâneo”. Na ideia destes estudantes, nesta altura “deviam estar concentrados no exame geral, a realizar a 20 de Novembro, que dá acesso ao internato médico de especialidade e que vai decidir as suas vidas”. E é aqui que eu pergunto: se daqui a aproximadamente dois meses vão ter de se sujeitar a um exame geral, haverá maneira melhor de se prepararem para esse exame do que uma prova que permita fazer um ponto da situação actual, em termos da sua aferição de conhecimentos? De que forma é que estudar agora poderá ser penalizador para quem tem de se submeter a um exame tão rigoroso em Novembro? Fica a pergunta…