terça-feira, 4 de outubro de 2011

Marinho e Pinto chama os bois pelos nomes...

Não é segredo para ninguém que admiro - e admirar é amar com o cérebro - o advogado António Marinho e Pinto. De tal forma que sempre que ele intervém publicamente sobre um tema que me toca particularmente, e ele fá-lo amiúde, envio-lhe um SMS de agradecimento. Não estou, obviamente, sempre em sintonia com ele, mas isso nunca me impediu de lhe reconhecer a genialidade que o torna único, e que ele tão bem sabe usar, sempre de forma frontal, aberta, sincera e incorruptível. Gostava de o ver em Belém, mas enquanto isso não acontece, partilho mais um dos seus muitos artigos de opinião que confirmam a minha admiração pelo actual bastonário da Ordem dos Advogados. Mais uma vez, obrigada, Marinho e Pinto! 

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domingo, 4 de setembro de 2011

Parabéns, mana!

Nadador-salvador ou nem por isso...



Se o trabalho fosse uma coisa muito boa, certamente não seria preciso que nos pagassem para, todos os dias, nos apresentarmos ao serviço. Pois bem, parece que há quem não saiba disso e pense que trabalhar é o mesmo que aparecer no local de trabalho, mesmo que, depois, se faça tudo menos aquilo para que se foi contratado... O meu amigo Laurentino Barros registou, há uns tempos, esta imagem. Passou-se na Praia da Madalena, em Vila Nova de Gaia, e, tanto quanto sei, já lhe valeu algumas ameaças de um dos senhores aqui fotografados, bem como a retirada da foto, à sua revelia, do Facebook, onde a tinha postado e alguns amigos tinham comentado. É, de facto, curioso que um nadador-salvador, pago para vigiar uma praia, antecipar e resolver situações de perigo para os banhistas (não, a missão deles não é apenas tirar do mar pessoas que se afogam), esteja, em pleno horário de trabalho, nestes preparos com a sua (presumível) namorada, enquanto o colega, com as mesmas obrigações, tira uma bela de uma soneca. Deve ser isto que aprendem nas séries juvenis que enchem as nossas televisões, onde se vê o mercado laboral como uma imensa feira popular, mas não é este, de todo, o exemplo que deve dar uma pessoa contratada para vigiar as praias e agir em conformidade com isso. Esperemos que, se um dia alguém se afogar na Madalena, não nos apareça um destes cromos a dizer que fez de tudo para evitar o trágico desfecho...

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Carla no País dos doutores e engenheiros...

Irrita-me um bocado - para não dizer pior - a mania que muita gente tem, e em Portugal são mesmo muitos os que assim pensam, de valorizar as outras pessoas pelos títulos académicos ou pela falta deles. Para essa gente, um médico, um engenheiro ou um arquitecto serão sempre gente fina, "culta" (como se a cultura viesse com o diploma), a quem estendem a passadeira vermelha do graxismo e da admiração idiota, enquanto um serralheiro, um mecânico, um pedreiro ou uma mulher de limpeza serão sempre uma espécie de seres inferiores e decadentes. Irrita-me o facto de as pessoas não conseguirem ver além dos títulos, conseguidos muitas vezes quase sem se saber como, e desvalorizem sistemática e vergonhosamente, pessoas de enorme valor humano, simplesmente porque nunca puseram os pés numa universidade.

Para que conste, eu andei na universidade. Cinco longos anos. Não acabei o curso, porém (embora me falte apenas uma cadeira anual e duas semestrais), pelo que não sou - mesmo que o acabasse nunca seria - doutora. Não me causa esse aspecto grande mossa, porque sei que, com curso ou sem ele, há gente melhor e pior do que eu, independentemente de ser mais ou menos letrada do que eu. Aprendi a ler e a escrever com quatro anos e também não foi isso que me convenceu de que sou um génio. Sou, apenas, uma pessoa que tem facilidade em aprender, mas que a vida levou por um caminho diferente na fase final da licenciatura. Contudo, vejo todos os dias pessoas que, sem nunca terem frequentado uma universidade, valorizam nas outras pessoas essa frequência como se de um upgrade de qualidade humana se tratasse! E conheço tanta gente que, tendo torrado anos e anos no Ensino Superior, não dá uma para a caixa...

Vem isto a propósito de, há bocadinho, ter esbarrado num comentário no Facebook que falava de Lula da Silva, o ex-presidente do Brasil que teve o honroso mérito de lançar a economia brasileira para um nível muito acima daquele que tinha quando tomou posse, como "um serralheiro". Como se ser serralheiro, ou ter sido serralheiro, fosse um estado embaraçoso ou uma doença contagiosa! Não vejo a relevância do facto de Lula ter sido serralheiro para o que ali se debatia, mas enfim... há pessoas que, quando alguém aponta para a Lua, insistem em ver apenas um dedo...

sexta-feira, 1 de abril de 2011

«Óbidos Pinholando» - Fotografia estenopeica


O meu amigo António Campos Leal inaugura, no próximo dia 15 de Abril, no Centro de Design de Interiores de Óbidos, a exposição fotográfica «Óbidos Pinholando», que estará patente naquele espaço desde o dia seguinte até 15 de Maio. Trata-se de uma iniciativa que congrega a instalação, a exposição de fotografia estenopeica e a mostra de câmaras e oficina, e que promete momentos deliciosos a todos os apaixonados pela imagem em geral e pela fotografia estenopeica em particular. Dono de uma personalidade forte e vincada, de uma assinalável cultura geral e de uma voz sonante e crítica, António Campos Leal é um verdadeiro apaixonado pela luz que irradia da fotografia. Dinamizador do blog Buraco de Agulha, participa também de uma extensa lista de outros espaços virtuais dedicados a esta área, onde partilha interesses, paixões e conhecimentos.

De acordo com a Wikipédia, “uma câmara pinhole é uma máquina fotográfica sem lente”, sendo a sua designação proveniente da expressão britânica “pin hole”, que significa precisamente “buraco de agulha”. A fotografia estenopeica parte, portanto, da utilização de uma caixa em que a luz não penetra senão por um pequenino orifício, através do qual se obtém uma imagem real invertida, que é projectada para a parede oposta ao pin hole. “Para produzir uma imagem razoavelmente nítida, a abertura tem de ser um furo pequeno, na ordem dos 0,5 mm, ou menos. O obturador da câmera pinhole consiste geralmente numa mão espalmada ou num qualquer material à prova de luz que cobre e descobre o furo. Estas câmaras requerem maior tempo de exposição do que as câmaras convencionais (entre cinco segundos e mais de uma hora).

quarta-feira, 23 de março de 2011

Aos que celebram a "queda" do Governo...



Quem me conhece relativamente bem sabe que adoro política, mas que não sou de alinhar em rebanhos e carneirismos. Não gosto de partidos. Aprecio as pessoas que pensam pelas suas cabeças e orgulho-me de, para o bem e para o mal, ser uma dessas pessoas. Mas quem me conhece sabe o que penso de José Sócrates: acho que o actual secretário-geral do PS foi, no seu primeiro mandato em S. Bento, o melhor primeiro-ministro que Portugal já conheceu, e que no segundo mandato meteu, e muito, os pés pelas mãos.

O governo foi apanhado na curva pela complexa conjuntura internacional e não soube dar-lhe a volta, e quando se viu na iminência de ter de cortar, cortou em quase tudo aquilo em que não devia ter mexido, deixando intacto quase tudo o que deveria ter sido cortado. E aí cavou a sua própria sepultura. José Sócrates apresentou a sua demissão. Não caiu, ao contrário do que vaticinavam alguns arautos da desgraça. Atirou-se do barco abaixo, e a meu ver teve razões para o fazer. Se tinha o quarto PEC como algo essencial para a sua continuidade em funções, obviamente não poderia continuar a governar sem ele.

Mas desenganem-se os que acreditam que a demissão do actual primeiro-ministro abre a porta à resolução dos problemas do país. Pelo contrário! A porta aberta hoje serve apenas para deixar entrar – e com convite de toda a oposição – a mão severa do FMI e da Europa. O novo PEC agora chumbado no Parlamento será executado, quiçá até em moldes mais exigentes, pelos senhores do dinheiro na União Europeia. Se andavam “nervosos”, os mercados vão agora explodir de ansiedade e desconfiança, e a economia portuguesa vai sofrer com isso mais do que tem sofrido até agora.

A dita “alternativa” de governo (leia-se o PSD, porque espero que, finalmente e de uma vez por todas, o oportunista CDS de Paulo Portas leve o pontapé que merece) não é alternativa alguma. É mais do mesmo, sem tirar nem pôr. Desde logo porque tenho fortes dúvidas de que Pedro Passos Coelho consiga segurar a presidência do partido até ao dia das próximas eleições legislativas. São muitos os abutres que sobrevoam a sua cadeira. Além disso, se por um acaso o actual líder social-democrata lá chegar, duvido de que seja capaz de fazer melhor do que fez José Sócrates. Não por incapacidade pessoal, obviamente, mas porque a conjuntura é cada vez mais negra.

Acredito que haja muita gente a bater palmas. A celebrar com espumante e champanhe a demissão de Sócrates. Só gostava de poder perguntar-lhes o que esperam do futuro mais próximo, e de que forma acreditam que a crise política agora criada poderá ajudar Portugal. E espero que daqui a três ou seis meses não estejam a chorar.

As "dificuldades financeiras" da REFER...


Ouvir dizer que há em Portugal empresas de transportes que estão a passar por enormes dificuldades e que, na iminência do caos, temem deixar de ter dinheiro para pagar salários a curto prazo, é algo que me causa alguma urticária, nomeadamente porque uma dessas empresas é a REFER, a que, por questões familiares, estou ligada.

Desconheço a situação da empresa do Metro em Lisboa, e sobre a CP não sei também muito, mas na REFER posso garantir que há muita coisa a funcionar mal e que, se a empresa dá prejuízo, isso nada tem a ver com a acção dos seus trabalhadores, pelo menos dos que não ocupam cargos de gestão e chefia. No entanto, garantida e lamentavelmente, serão esses os primeiros a ser chamados para pagar a factura!

Separadas há pouco mais de uma década, a REFER e a CP podem agora voltar a juntar-se numa só entidade pública, segundo me garantem fontes bem informadas. Claro que isso atirará para o desemprego algumas centenas de pessoas, invariavelmente dos índices remuneratórios mais baixos, já que os gestores e seus apaniguados facilmente encontrarão pouso num outro ramo da enorme árvore que é o Estado. Para esses, todos sabemos, não há razões de alarme. Pior estão os outros, claro!

Diante da clara necessidade de cortar nas despesas, fala-se da “dificuldade em pagar salários”. Não se fala dos desperdícios nem dos abusos cometidos por alguns funcionários da gama alta. Não se fala dos horários mal feitos, das horas extraordinárias perfeitamente desnecessárias ou das pernoitas sem sentido pagas a alguns funcionários impedidos de voltar a casa pela inexistência de comboios nas horas em que precisam deles. Não se fala também do abandono a que estão votadas algumas linhas, sem oferta de transportes digna desse nome e onde uma greve que dura desde Fevereiro – que todos os dias, a todas as horas, se repercute nas vidas de centenas ou milhares de pessoas – não é sequer alvo de notícia ou do interesse dos media, porque, segundo me disseram também, “não convém falar nesse assunto”.

Não se fala igualmente das despesas absurdas com festas e almoços medíocres pagos a peso de ouro (como a célebre festa de Natal realizada há uns anos na Feira Internacional de Lisboa, que terá representado um custo de aproximadamente 80 euros por funcionário ou familiar presente, apesar do menu perfeitamente miserável que foi servido).

Não se fala ainda de adjudicações a empresas externas de serviços perfeitamente banais a preços que envergonham o comum dos mortais: sei que há uns anos, numa estação da Linha do Norte foi adjudicada a uma empresa externa uma “empreitada” que consistia na mudança de uma lâmpada, e que custou aos cofres da empresa quase 100 euros, da mesma forma que, num arranjo necessário na escadaria automática da Estação de Aveiro, foi chamada uma equipa de intervenção em que um funcionário trabalhava e outros cinco observavam o seu desempenho! Isto diante de centenas de passageiros que por ali passavam, atónitos com o espectáculo!

De nada disto se fala quando se fala da REFER. Da mesma forma que também não se fala dos ordenados perfeitamente obscenos auferidos pela meia dúzia de cabeças pensantes responsáveis por este triste cenário. Fala-se, obviamente, de despedir gente. Gente que é gente, que tem família para sustentar, que cumpre o seu dever, que está disponível para o trabalho no seu horário e, muitas vezes, nas suas folgas (sim, é verdade), sistematicamente cortadas no interesse da empresa. Disto ninguém fala! E até aposto que, na hora de decidir quem serão os “premiados” com o despedimento, a entrega e o desempenho exemplar de alguns funcionários será critério pouco relevante. Isso é que me deixa realmente furiosa!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Algumas pessoas são homossexuais. E depois?

Sempre me fez alguma confusão a necessidade que certas pessoas sentem de catalogar os homossexuais. No mundo, tal como o vejo, há homens e mulheres. Há homens que gostam de mulheres e mulheres que gostam de homens, e há quem defenda que isso é que é "normal". Mas depois há homens que amam homens e mulheres que amam mulheres, e os "normais" sentem-se como que ofendidos por essa "subversão" da "normalidade". Insultam-nos. Chamam-lhes "maricas", "larilas" ou "sapatões", e acham que estas pessoas são responsáveis por todos os males do mundo! Quando é que acaba o preconceito? Quando é que as pessoas passam a olhar as pessoas pelo que elas são, pelo seu carácter, pela sua inteligência, pela sua generosidade e pela sua consciência? Algumas pessoas são homossexuais. E depois? Ultrapassem isso! Já vai sendo tempo...

O (des)acordo ortográfico e o servilismo lusitano...

Quando andávamos na escola primária e tínhamos de fazer os famosos ditados, se por acaso escrevêssemos palavras como "ação", "ator", "tato", "fatura" ou "reação", entre outras, ganhávamos uns símbolos vermelhos nos cadernos e umas quantas reguadas nas mãos. Hoje, graças a um alegado acordo, com o qual eu, pelo menos, não estou de acordo, temos de ser nós, os “donos” da língua, a adaptá-la aos do outro lado do Atlântico, numa demonstração de servilismo nunca vista em nenhuma das línguas oriundas do Latim, que sempre mantiveram as consoantes mudas dos vocábulos originais. Ora, se a origem do Português é a Europa, por que carga de água têm os portugueses, europeus, de imitar os do outro lado do mundo nesta questão? Fica a pergunta, à espera de respostas.

domingo, 30 de janeiro de 2011

«Narrativas Brasileiras» no CPF

Eis outra exposição patente no Centro Português de Fotografia a cuja inauguração assisti ontem e que, como no caso do trabalho do Mário Mesquita, recomendo vivamente! Para ver até 27 de Fevereiro!

Mário Mesquita expõe «Terras de Sol e de Dor»

Tive ontem o grato prazer de reencontrar o meu querido amigo Mário Mesquita (de quem já vos falei aqui e aqui) no Centro Português de Fotografia, onde ontem à tarde ele inaugurou a sua mais recente exposição, «Por Terras de Sol e de Dor». Acedendo ao seu convite, que muito me honrou, encontrei-o com o mesmo ar despenteado e o mesmo sorriso quase envergonhado que lhe conhecia de outros tempos, e deixei-me perder, uma vez mais, pelo maravilhoso conjunto de fotos que, segundo me disse, reuniu ao longo de cerca de ano e meio, em viagens sucessivas ao longo das margens do Douro, do Porto até Freixo-de-Espada-à-Cinta.

Esta exposição, que estará patente no Centro Português de Fotografia até 22 de Maio, é o resultado de uma longa reportagem fotográfica que levou o Mário a deliciosos recantos do Vale do Douro, percorrendo as mais pequeninas localidades de concelhos como Porto, Vila Nova de Gaia, Gondomar, Valongo, Paredes, Penafiel, Marco de Canaveses, Baião, Vila da Feira, Castelo de Paiva, Cinfães, Resende, Mesão Frio, Santa Marta de Penaguião, Peso de Régua, Sabrosa, Alijó, Carrazeda de Ansiães, Torre de Moncorvo, Freixo-de-Espada-à-Cinta, Lamego, Armamar, São João da Pesqueira, Meda, Vila Nova de Foz Côa, Figueira de Castelo Rodrigo. Insere-se, como refere o catálogo, “no âmbito de um projecto de recolha visual de uma área de Portugal muito martirizada nos últimos anos pela fúria galopante da litorização, que lhe foi tirando gente e desestruturando as suas comunidades”, e constitui “um registo documental sobre o Vale do Douro, região construída por quem lá habitou e pelos poucos que lá ficaram”.

No seu discurso de inauguração da exposição, Mário Mesquita informou-nos de que não há neste trabalho qualquer preocupação de embelezamento do objecto retratado. Esta é a realidade que ali se vive, filtrada apenas pela interpretação de um homem, munido da sua câmara fotográfica e de um olhar atento a todas as pequenas coisas – a mostra vive muito de pormenores que passariam ao lado de muitos dos visitantes destes lugares, mas que nas fotografias do Mário ganham vida própria e nos captam os sentidos. Este é, por isso, “um trabalho de matriz realista, através do qual se dá nota do que ainda hoje pode ler-se da expressão tectónica, territorial e social do sistema de lugares ao longo deste território, unido por traços de identidade comuns muito fortes, mas diverso pelas suas múltiplas texturas. Realizado a partir do estudo da invenção da imagem das aldeias que o compõem, traça-nos o retrato de um processo declarado de abandono e perda cultural gritante que urge inverter”.

Pela parte que me toca, resta-me dizer apenas que adorei a exposição, que me identifiquei com muitas das imagens, apesar de nunca ter estado na esmagadora maioria dos lugares retratados. Em diversas fotografias, alinhadas em mais de 200 painéis que povoam quatro salas do piso térreo do histórico e lindíssimo edifício do CPF, senti uma afinidade tal com o olhar do Mário que comentei com a Lídia e o Carlos, dois amigos que me acompanharam no evento, que se lá tivesse estado, com a minha máquina fotográfica na mão, teria, muito provavelmente, guardado para a posteridade aqueles mesmos lugares, aqueles mesmos enquadramentos. Certamente não com a mesma qualidade, com o mesmo respeito pela técnica que para mim é ainda desconhecida, mas com a mesma paixão pela descoberta de lugares tão preciosos em recantos tão escondidos.
Ao Mário, resta-me agradecer o convite, a partilha e o sorriso e das memórias partilhadas na curta conversa que tivemos. E o desejo de que continue a surpreender-nos com o seu magnífico trabalho. Porque quero estar também nas próximas exposições! Até lá!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Uma mentira chamada «O Primeiro de Janeiro»


Uma mentira em forma de capa de jornal. Na verdade, «O Primeiro de Janeiro», aquele que em tempos foi um grande jornal, com grandes profissionais, fechou as portas no dia 31 de Julho de 2008, com o despedimento colectivo e ilegal de toda a sua redacção (com salários em atraso e sem qualquer indemnização ou aviso prévio). O pasquim que abriu dois dias depois, usurpando o nome da publicação centenária, tem na verdade dois anos e meio, e nada mais do que isso! A pouca-vergonha continua!

sábado, 3 de julho de 2010

Um bom serviço aos utentes do Lovenox



E ao terceiro dia da minha terapia com Lovenox (solução injectável que contém enoxaparina sódica, uma heparina de baixo peso molecular), encontrei esta vídeo da Sanofi-Aventis, a companhia farmacêutica que produz e comercializa o medicamento. E é um vídeo fantástico porque, além de ensinar a administrar correctamente cada injecção (ainda não tive coragem de me auto-injectar, mas tenho contado sempre com a ajuda da minha atenciosa irmã mais nova), ensina também um pouco sobre a tromboembolia pulmonar, a sua origem e os riscos que eventualmente dela podem resultar, sempre em linguagem simples e acessível. Um bom exemplo do que uma empresa pode fazer pelo bem-estar e qualidade de vida dos utilizadores dos seus produtos. Gostei de ver. Obrigada, Sanofi-Aventis!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Terá o cliente razão mesmo quando tem razão?


Pode parecer linear, e até abusiva, a máxima de que, nas relações comerciais, o cliente tem sempre razão. Eu discordo, e já vi muito cliente que merecia era ser esbofeteado em público pela forma como se dirige aos funcionários das lojas em que se apresentam com o evidente síndroma do “sou o dono do mundo”, e que sem razão alguma pretendem que aquelas pessoas lhes resolvam problemas que criaram ou que só existem nas suas cabeças. Não é o meu caso, mas – que diabo – quando tenho razão não aceito que queiram tratar-me como idiota ou, no mínimo, como analfabeta. Por isso, em jeito de desabafo, partilho convosco o que às primeiras horas de hoje parecia ser razão suficiente para me estragar o dia:

Ontem, dia 30 de Junho, desloquei-me à Farmácia Sousa Torres, no MaiaShopping (põem farmácias nos centros comerciais e depois dá nisto…), na cidade da Maia, onde pedi, entre outros medicamentos, um gel dentífrico de tratamento da marca Bexident. A funcionária que me atendeu, cujo nome não fixei, mas que soube entretanto ter como código de identificação interno o número 19), entregou-me, certamente por lapso, uma embalagem de gel gengival da mesma marca, que colocou no mesmo saco em que se encontravam já os restantes artigos comprados (três caixas de comprimidos anticoagulantes e duas caixas de injecções). Só em casa me apercebi da troca dos artigos. Não me foi vendido o gel dentífrico que solicitei, mas antes um gel gengival.

Como tal, sem abrir nem utilizar o fármaco, dirigi-me esta manhã à referida farmácia, onde me foi dito, para grande espanto meu, que não fazem devoluções. Ora, tendo em conta que não pretendia uma devolução, mas sim a troca de um produto vendido erradamente por outro, de que efectivamente necessitava, chamaram a directora técnica da farmácia, a quem expus de novo, e com toda a paciência e boa educação, o problema. A senhora, que julgo chamar-se Joana Ascenção, começou por me garantir, tal como a sua subordinada, que aquela farmácia não faz devoluções, e fez tábua rasa de todos os meus argumentos, chegando mesmo ao ponto de afirmar, com evidente arrogância, que eu é que não sabia o que queria (registe-se que pedi uma pasta dentífrica, quando queria um gel dentífrico, mas o que me deram foi um gel gengival)!

Nessa altura, diante da intransigência da senhora e dos olhares curiosos dos restantes utentes da farmácia, optei por pedir o Livro de Reclamações, onde lavrei a descrição do sucedido, que já enviei para a Ordem dos Farmacêuticos, em anexo a uma carta em que explico direitinho o sucedido. Não sei ao certo que repercussão poderá ter a missiva, ou sequer a reclamação feita no livro, mas considero intolerável a atitude das técnicas da Farmácia Sousa Torres, e mormente da sua responsável máxima, que chegou a ser mal-educada comigo, num caso em que manifestamente eu tinha razão, pois não me venderam o que pretendia. É para mim claro e evidente que qualquer pessoa de boa fé procederia à troca sem colocar entraves, mas na Farmácia Sousa Torres parece que o cliente não tem razão, mesmo quando a tem...

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Porque denunciar é preciso...

Crise obrigou-o a recorrer à reforma antecipada
Segurança Social empurra homem para a miséria e caridade de amigos

Começou a trabalhar com apenas 12 anos. Era aprendiz de serralharia. Fez carreira quase sempre na mesma empresa, onde ao longo da vida foi galgando escalões, e há uns anos, após o seu encerramento, aproveitou a indemnização para criar o seu próprio negócio. A vida corria-lhe bem, até ao dia em que a crise lhe bateu à porta. Em pouco tempo deixou de receber pelos trabalhos que ia realizando, e logo depois começou também a acumular dívidas. Hoje devem-lhe cerca de 120 mil euros, mas o empresário tem à perna o Fisco, a quem deve apenas 300. Obrigado a fechar as portas da firma, e sem direito a subsídio de desemprego (por ser patrão), pediu a reforma antecipada em Fevereiro, assim que fez 55 anos. Sofreu várias penalizações, por ser ainda muito novo. E se durante meses a fio não recebeu nada pelos trabalhos que realizou, desde que se reformou não recebeu qualquer prestação. Depois de uma vida inteira de descontos, está na miséria, e só tem ainda luz e água em casa porque tem amigos que não lhe viram a cara neste momento. Chamemos-lhe Mário, embora saibamos que poderia ter qualquer outro nome no Portugal de hoje…

Mário está desesperado. Dia após dia, concentra atenções no computador, onde consulta o extracto da conta bancária, e aguarda com impaciência a chegada do carteiro, à espera de boas notícias. Dia após dia, nada acontece. Telefona para a Segurança Social, vai até lá, e ouve sempre a mesma resposta: “Tem de ter paciência, aguardar mais uns dias, a ordem de pagamento já foi dada, mas como é a primeira vez demora”. Há semanas que é assim. E a família de Mário continua à espera. Casado e com filhos a cargo, tem contas de água, gás e electricidade para pagar. À mulher, fruto de dívidas acumuladas pela falta de liquidez da empresa, está a ser descontado um terço do vencimento. Mês após mês, a angústia toma conta destas pessoas quando chegam a casa as facturas dos serviços mínimos que mantêm activos. Têm conseguido pagá-las, sempre com atraso, graças a empréstimos de amigos e familiares e a um esforço desumano de poupança. Vivem infelizes, como se tivessem uma corda a apertar-lhes o pescoço. Permanentemente.

Há dias, Mário irrompeu num choro que surpreendeu a mulher e os filhos. Nunca o tinham visto assim, e temeram pelo pior. Na sua idade, uma angústia e um stress desta natureza podem ter maus resultados, e Mário já sofreu um enfarte. Não sabem como lidar com a situação. Estão apreensivos. A impotência dos cidadãos e das famílias face ao Estado é tremenda, e sabem que nada mais há a fazer do que esperar, mais e mais dias, quantos a Segurança Social quiser. O frigorífico está vazio. Nas contas bancárias o saldo é pouco mais do que nulo, quando não é negativo. O cartão de crédito tem ajudado a suprir algumas carências, mas a dívida é crescente, tem de ser bem vigiada. Sentem que vivem num túnel, longo e escuro, sem luz à vista. Viver assim não é viver, e esta família conhece agora uma vida de privações que nunca julgou possível. O que podem fazer, senão esperar? Pouco. Muito pouco. Depois de uma vida de trabalho e de contribuições pagas religiosamente, o que pode fazer Mário para pôr comida na mesa da sua família? Talvez nada. Talvez morra de fome e de tristeza antes de a Segurança Social dar por isso…

NOTA:Esta situação é real e verdadeiramente dramática. Para não ferir ainda mais os envolvidos, a sua identidade foi omitida. Mário é, obviamente, um nome fictício. Este caso poderia ter sido relevado aos meios de informação, mas neste momento, perante o cenário de caos em que o país está mergulhado, não teria o espaço e a dignidade que esta família merece. O Mente Despenteada está consciente de que haverá mais casos como este. Se souberem de algum, não hesitem em partilhá-lo com este espaço. Temos de denunciar estes casos, ou corremos o risco de ver morrer famílias inteiras às mãos da inépcia e da negligência do Estado Português, que tem como missão primeira impedir estes dramas, designadamente quando, como neste caso, eles não resultam da acção dos envolvidos. Esta família é vítima de um sistema que penaliza sempre os mais fracos em detrimento dos mais fortes. E até aposto, porque as conheço, que as grandes empresas que deixaram de pagar à empresa de Mário e a empurraram para a falência continuam a laborar sem grandes dificuldades. Tudo isto me enoja! Tudo isto é vergonhoso e inclassificável!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Liberté, de Paul Eluard

Foto: Mente Despenteada


Sur mes cahiers d'écolier
Sur mon pupitre et les arbres
Sur le sable sur la neige
J'écris ton nom

Sur toutes les pages lues
Sur toutes les pages blanches
Pierre sang papier ou cendre
J'écris ton nom

Sur les images dorées
Sur les armes des guerriers
Sur la couronne des rois
J'écris ton nom

Sur la jungle et le désert
Sur les nids sur les genêts
Sur l'écho de mon enfance
J'écris ton nom

Sur les merveilles des nuits
Sur le pain blanc des journées
Sur les saisons fiancées
J'écris ton nom

Sur tous mes chiffons d'azur
Sur l'étang soleil moisi
Sur le lac lune vivante
J'écris ton nom

Sur les champs sur l'horizon
Sur les ailes des oiseaux
Et sur le moulin des ombres
J'écris ton nom

Sur chaque bouffée d'aurore
Sur la mer sur les bateaux
Sur la montagne démente
J'écris ton nom

Sur la mousse des nuages
Sur les sueurs de l'orage
Sur la pluie épaisse et fade
J'écris ton nom

Sur les formes scintillantes
Sur les cloches des couleurs
Sur la vérité physique
J'écris ton nom

Sur les sentiers éveillés
Sur les routes déployées
Sur les places qui débordent
J'écris ton nom

Sur la lampe qui s'allume
Sur la lampe qui s'éteint
Sur mes maisons réunis
J'écris ton nom

Sur le fruit coupé en deux
Dur miroir et de ma chambre
Sur mon lit coquille vide
J'écris ton nom

Sur mon chien gourmand et tendre
Sur ses oreilles dressées
Sur sa patte maladroite
J'écris ton nom

Sur le tremplin de ma porte
Sur les objets familiers
Sur le flot du feu béni
J'écris ton nom

Sur toute chair accordée
Sur le front de mes amis
Sur chaque main qui se tend
J'écris ton nom

Sur la vitre des surprises
Sur les lèvres attentives
Bien au-dessus du silence
J'écris ton nom

Sur mes refuges détruits
Sur mes phares écroulés
Sur les murs de mon ennui
J'écris ton nom

Sur l'absence sans désir
Sur la solitude nue
Sur les marches de la mort
J'écris ton nom

Sur la santé revenue
Sur le risque disparu
Sur l'espoir sans souvenir
J'écris ton nom

Et par le pouvoir d'un mot
Je recommence ma vie
Je suis né pour te connaître
Pour te nommer
Liberté.
Paul Eluard
in «Poésies et Vérités», 1942

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Eduardo Costa acusado de fuga ao fisco

O empresário que tem gerido o jornal «O Primeiro de Janeiro» nos últimos vinte anos foi acusado, em Fevereiro, pelo Tribunal de Gondomar de fuga ao fisco. Eduardo Costa, juntamente com o administrador Pereira Reis, é acusado do crime de abuso de confiança, por retenção na fonte de importâncias de IRS e IVA, referentes aos anos de 2002 a 2008, durante a administração da empresa Sedico – Edições de Comunicação SA (antiga O Primeiro de Janeiro SA). Ao todo, não entregaram ao Estado mais de 2 milhões de euros.

O processo teve origem em 2006, quando a empresa mudou a sede para uma morada fictícia, em Gondomar. Mesmo assim, o Ministério Público do Tribunal de Gondomar demorou quatro anos a produzir acusação, deixando prescrever o crime de abuso de confiança para parte das importâncias de IRS e IVA referentes aos anos de 2002 a 2005, não encontrando prova documental para o ano de 2007. São mais de 167 mil euros que o Ministério Público considera perdidos para o Estado.

Apesar de a acusação recair sobre Eduardo Costa, o empresário de Oliveira de Azeméis não figurava na estrutura accionista da empresa, mesmo sendo reconhecido publicamente como o seu presidente. O administrador Pereira Reis, que se assumiu como “testa de ferro” de Eduardo Costa, fez diversas participações contra o seu conterrâneo na PGR, no DIAP do Porto e mesmo na secretaria do Tribunal de Comércio de Gaia, que declarou a insolvência da Sedico, ainda em 2008.

A Sedico, entretanto, tem os seus bens à venda, por propostas em carta fechada, num processo contestado pelos jornalistas despedidos ilegalmente há dois anos, que se constituíram credores da empresa. Em causa está o espólio fotográfico do jornal centenário e o arquivo das edições entre 1868 e 1990, encontrado na casa do pai de Eduardo Costa, em São Roque, Oliveira de Azeméis.

Os jornalistas contestam as avaliações do espólio fotográfico e do arquivo das edições do jornal, porque não sabem quem as fez, nem em que data. Também desconhecem quem são e o que fazem os quatro trabalhadores da Sedico, que estão no lote do activo a alienar pelo valor base de 223 mil euros.

Os jornalistas de «O Primeiro de Janeiro», ilegalmente despedidos no Verão de 2008, estranham todo este processo e pediram ao juiz do Tribunal de Comércio de Gaia que retirasse a presidência da Comissão de Credores a Eduardo Costa, estando ainda a aguardar por uma decisão. O empresário, enquanto responsável pela cooperativa Editorialcult, CRL (antiga Folha Cultural, CRL), apresentou-se como principal credor da Sedico; juntamente com a irmã, Lúcia Jesus Costa, reclamam da empresa que geriram, uma verba de cerca de 8 milhões de euros. Os créditos dos jornalistas e gráficos e outros trabalhadores ascendem a 840 mil euros.

Redacção muda para a Rua de Santa Catarina

Entretanto, «O Primeiro de Janeiro» já mudou novamente de empresa proprietária e transferiu a sede para o n.º 489, na Rua de Santa Catarina, Porto, para um edifício que alegadamente pertence a Eduardo Costa. O jornal é detido agora pela Globinóplia Unipessoal Lda (uma empresa de locação de propriedade intelectual e produtos similares, detida na totalidade pela Gadgetresult SGPS, SA) e é editado pela Cloverpress, Lda. (uma sociedade detida pela Folio Comunicação Global Lda. e pela Gadgetresult). Para trás fica a Caderno Digital, uma empresa de Ovar que foi comprada e gerida por Eduardo Costa, mas que ainda detém a propriedade do título, de acordo o registo de publicações da Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

«O Primeiro de Janeiro» continua a ser produzido por quatro jornalistas com salários em atraso. Estes profissionais estão vinculados à Norte Press – Comunicação Social, Lda., Fólio – Comunicação Global, SA, e Sedico – Serviços de Comunicação, SA. Nenhum tem contrato com as novas empresas, Globinóplia e Cloverpress, tal como não tinham com a Caderno Digital. A Autoridade das Condições de Trabalho, por diversas vezes chamada a intervir, nunca conseguiu pôr cobro a esta situação.

Com a mudança das instalações para o edifício na Rua de Santa Catarina, teme-se que o espólio fotográfico do jornal, que ficou na Rua de Coelho Neto, e que está às ordens do Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia, esteja em risco de ser destruído ou degradado.

Porto, 12 de Abril de 2010
Os jornalistas despedidos ilegalmente do Jornal «O Primeiro de Janeiro»

quarta-feira, 24 de março de 2010

Exposição «Estado d’Alma» no Porto

Inaugura amanhã, pelas 17h30, nas instalações do Posto de Turismo da Câmara Municipal do Porto (em frente à Sé Catedral), a exposição de pintura «Estado d’Alma», com obras da minha ainda muito recente amiga Elisete Marques, que receberá os convidados. Sobre este evento, que se manterá patente no mesmo espaço até ao próximo dia 18 de Maio, afirma a artista que “a pintura percorre o caminho que vai da finalidade prática à finalidade espiritual, do objectivo ao composicional”.

Elisete Marques é empresária e vive na Freguesia de Mafamude, no Concelho de Vila Nova de Gaia. Afirma-se como “curiosa, amiga, fiel, generosa, teimosa e idiota” (só pelo facto de ter muitas ideias). Administradora/redactora do blog Divagando no Abstracto, interessa-se pela pintura, pela poesia e pela política, entre outros temas de actualidade. «Equador», de Miguel Sousa Tavares, é o livro que aponta como seu favorito, e na música aprecia “todas as dos Beatles”.

terça-feira, 23 de março de 2010

Passos Coelho visita Município de Anadia

É já amanhã que o candidato à liderança do PSD Pedro Passos Coelho visita o Concelho de Anadia. De acordo com informações avançadas pelo Gabinete de Comunicação da autarquia, o programa da visita arranca pelas 17 horas, junto ao Complexo Desportivo das Piscinas Municipais, onde o presidente da Câmara, Litério Marques, receberá a comitiva. Em seguida, e ainda de acordo com a mesma nota, Passos Coelho e o autarca anadiense visitarão diversos equipamentos públicos.

Passos Coelho é candidato à presidência do PSD, numa corrida em que defronta José Pedro Aguiar-Branco, Paulo Rangel e Jorge Castanheira de Barros. O site da candidatura do fundador da JSD vive no endereço http://www.passoscoelho-mudar.com/, onde se traça a seguinte biografia do candidato:

Pedro Passos Coelho nasceu em Coimbra, a 24 de Julho de 1964. Com cinco anos, foi viver com a sua família para Silva Porto, Angola, onde iniciou a instrução primária, que viria a completar já em Luanda. Em 1974, regressou para a terra dos seus avós, Valnogueiras, no concelho de Vila Real. Actualmente reside em Lisboa, é casado e tem três filhas. É licenciado em Economia, pela Universidade Lusíada de Lisboa. Começou a trabalhar como professor do Ensino Secundário, acabando por se dedicar ao sector empresarial, sobretudo na área do Ambiente. Ingressou em 2004 no grupo Fomentinvest, como director financeiro, sendo desde 2007, administrador executivo. Mantém essa função a par da presidência executiva de algumas empresas do grupo. Pedro Passos Coelho é também, desde 2004, Professor de Economia Aplicada e de Economia do Turismo, no curso de Turismo do Instituto Superior de Ciências Educativas, em Lisboa.

Pedro Passos Coelho ingressou cedo na vida política. Em 1978, começou a envolver-se activamente com o PSD, como membro dos órgãos locais e distritais da Juventude Social Democrata. Em 1980 integrou o Conselho Nacional da JSD e do PSD, e em 1982 foi eleito membro da Comissão Política Nacional da JSD e seu secretário-geral em 1984. Exerceu o cargo de vice-presidente desta organização de juventude desde 1986, e quatro anos mais tarde, Pedro Passos Coelho candidatou-se a presidente da JSD, função para a qual foi reeleito duas vezes e que desempenhou até Dezembro de 1995.

Em 1991 foi eleito deputado à Assembleia da República, onde foi membro da Assembleia Parlamentar da OTAN (1991-1995) e vice-presidente do Grupo Parlamentar do PSD (1996-1999). Em 1997 foi candidato a presidente da Câmara Municipal da Amadora, tendo sido eleito vereador. Foi vice-presidente do PSD, na liderança de Luís Marques Mendes (2005-2006). É presidente da Assembleia Municipal de Vila Real desde 2005. Pedro Passos Coelho é ainda fundador da Plataforma Construir Ideias e participou no livro “Juventude: que futuro em Portugal”, editado pelo Instituto Sá Carneiro, em 1981.

Texto publicado também no blog Anadia Sem Gente 
Foto do site de candidatura

segunda-feira, 22 de março de 2010

Paulo Rangel reúne apoios em Anadia

A candidatura de Paulo Rangel à presidência do Partido Social-Democrata, no âmbito das eleições directas da próxima sexta-feira, dia 26, reúne já uma ampla falange de apoio em Anadia, contando com o apoio de alguns dos mais destacados responsáveis do partido no concelho. De acordo com informações avançadas numa nota de imprensa divulgada às primeiras horas de hoje pela direcção de campanha concelhia da candidatura do deputado europeu, fazem parte daquele órgão Carlos Gonçalves (médico veterinário), presidente da Mesa da Assembleia de Secção do PSD de Anadia, no papel de mandatário concelhio da candidatura; António Lopes (director financeiro), membro da Comissão Política de Secção, que assume as funções de director de campanha no concelho; e Henrique Fidalgo (gestor), presidente da Comissão Política de Secção de Anadia da JSD, mandatário da Juventude.

Segundo a mesma nota de imprensa, a que o Mente Despenteada teve acesso, do elenco da comissão nacional de honra da candidatura do eurodeputado fazem parte os militantes anadienses Lígia Seabra (advogada), Carlos Matos (economista) e João Nogueira de Almeida (assistente universitário). O PSD de Anadia congratula-se ainda por poder contar com José Manuel Ribeiro, líder da concelhia local e “número dois” de Rangel na bancada parlamentar na anterior legislatura, no cargo de mandatário financeiro nacional.

O candidato

Paulo Artur dos Santos Castro de Campos Rangel nasceu a 18 de Fevereiro de 1968 em Vila Nova de Gaia, no Distrito do Porto. Licenciado em Direito pela Universidade Católica Portuguesa, frequentou o Mestrado em Ciências Jurídico-Políticas na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e o Curso de Doutoramento em Direito Público na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, onde prepara actualmente a sua tese, em Direito Constitucional. Profissionalmente, desempenha funções de professor universitário e jurisconsulto.

Do seu percurso pessoal e político constam os cargos de deputado na X Legislatura, presidente do Grupo Parlamentar do PSD e membro da direcção da Associação Comercial do Porto e da Associação dos Amigos do Coliseu, tendo ainda sido secretário de Estado adjunto do Ministro da Justiça do XVI Governo Constitucional entre Julho de 2004 e Março de 2005, José Pedro Aguiar-Branco, curiosamente seu adversário na luta pela sucessão de Manuela Ferreira Leite. Paulo Rangel é ainda autor de diversos livros, versando temáticas políticas e no âmbito da Justiça. O site da sua candidatura à liderança do PSD está alojado no endereço http://www.paulorangel2010.com/, estando também acessível um blog de campanha, em http://libertarofuturo.blogspot.com/.

Texto publicado também no blog Anadia Sem Gente
Foto do site de campanha de Paulo Rangel

domingo, 21 de março de 2010

Castanheira Barros rompeu silêncio...


Uma entrevista de 20 minutos não é muito tempo para dar voz a um homem que durante cerca de cinco meses de campanha foi sucessiva e ostensivamente ostracizado pelos meios de informação nacionais. Jorge Castanheira Barros, candidato à sucessão de Manuela Ferreira Leite na liderança do PSD, deu hoje uma curta entrevista a Judite de Sousa, transmitida em directo na RTP, e deixou bem claro, como ele mesmo frisou, que é o rosto da mudança no seu partido. Reconhecendo maior proximidade com Pedro Passos Coelho do que com qualquer dos outros concorrentes (Aguiar Branco e Paulo Rangel representam a linha sucessória da actual presidente social-democrata, o que equivale a continuidade), o advogado nascido no Porto e criado em Coimbra foi igual a si mesmo, ao homem que tive o grato prazer de conhecer há uns anos, em pleno congresso laranja.
Reconheceu que a recolha de assinaturas que apoiassem a sua candidatura só foi possível graças a um “esforço titânico”, mas garantiu, com a tranquilidade que lhe conheço e com a sinceridade de quem se entrega de alma e coração a um projecto, que tem algumas ideias concretas para pôr em prática, caso saia vencedor das eleições directas da próxima sexta-feira, dia 26. Conhecido pelo papel que tem desempenhado no âmbito da luta contra a co-incineração nas cimenteiras de Souselas e do Outão, Castanheira Barros avançou que dará, na sua actuação enquanto presidente do PSD, atenção especial ao Ambiente, por encarar as questões ambientais como “a grande batalha da humanidade” neste século. Contudo, é nas questões sociais, nos problemas que mais afectam as populações, que porá o enfoque da sua intervenção política.
O desemprego, o congelamento de salários e a perda do poder de compra dos portugueses serão por isso, na sua opinião, os grandes problemas a que urge dar resposta. Mas, porque não basta elencar problemas sem avançar possíveis soluções, explicou que, para combater o flagelo do desemprego, o Governo deveria apostar na promoção do emprego, na criação de mais postos de trabalho em regime de auto-emprego e na criação de mais pequenas e médias empresas, ao mesmo tempo que deveria procurar reduzir a despesa pública. Neste ponto, instou mesmo o Governo e a Presidência da República a “dar o exemplo”…

Servir o PSD
Assumidamente crítico de Manuela Ferreira Leite – numa breve conversa que mantivemos à margem do primeiro congresso após a eleição da actual líder, em Junho de 2008, em Guimarães,  fez questão de vincar a “margem muito débil” com que MFL tinha sido eleita, chegando mesmo a apontar Alberto João Jardim como o presidente ideal para o PSD naquela altura) –, Castanheira Barros acusou-a hoje de não ter sabido inspirar a confiança dos portugueses, que deixaram de ver no PSD um referencial político e uma alternativa ao Partido Socialista. Na sua óptica, o partido deverá regressar aos ideais do seu fundador, Sá Carneiro, que permitiram afirmar o PSD como um partido de “coerência, de democracia e de combate político”.
Diversamente de Manuela Ferreira Leite e dos candidatos que representam a continuidade das suas políticas, Castanheira Barros asseverou ter como principal ponto forte o facto de saber fazer-se ouvir e compreender por todos os militantes e por todos os cidadãos, ricos e pobres, criticando aqueles que falam de problemas abstractos para a generalidade das pessoas, em vez de se concentrarem nas questões que realmente afectam as suas vidas. E rematou afirmando que está na corrida à liderança do PSD “para servir o partido”, e não para se servir dele! Silenciado durante muito tempo pelos media, julgo que o candidato fez bem o trabalho de casa e soube tocar nos pontos essenciais do seu discurso, de uma forma capaz e bem concebida. Judite de Sousa também esteve bem, acutilante e profissional, como é, de resto, seu apanágio.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Porque gosto de José Sócrates...

Há muito a desatinar com os delírios esquizofrénicos de um número incompreensível de lusitanas criaturas sobre temas como liberdade de expressão e censura, “jornalismo livre” e um certo “plano do Governo para controlar a comunicação social”, ou com as absurdas comparações entre José Sócrates e Salazar, resolvo-me hoje a escrever esta crónica, quiçá também delirante! Com uma nota prévia: sou jornalista, nasci no Portugal democrático, não gosto de Mário Crespo e não considero que Manuela Moura Guedes seja jornalista ou saiba sequer o que é dar uma notícia sem partilhar uma opinião ou um posicionamento. E sou alérgica a partidos, mas gosto, e muito, de José Sócrates! Dito isto, vamos ao que aqui me traz.

Fala-se, neste Portugal democrático em que é possível enxovalhar pública e impunemente um primeiro-ministro, chamar-lhe nomes, persegui-lo com atoardas diárias, na mais plena indiferença pelos votos que o elegeram, e reelegeram, para o cargo que ocupa, de ataques à liberdade de expressão. Falam de censura aqueles que, dia após dia, nos entram em casa pela televisão, pela rádio, pelo computador, através dos jornais, a insultar da forma mais pitoresca que se consiga imaginar o homem que os conduz nesta nau meio naufragada em que este país se tornou. Falam, esses senhores, de censuras, de perseguições, de ditadores e de mentiras. Eles, que não conseguiram provar uma só das acusações feitas, e que ainda vivem na quimera de destronar um homem que o povo quis eleger.

Não sou socialista. Aliás, sou alérgica a partidos. Não gosto de rebanhos, e se fizesse parte de um seria certamente a ovelha negra, tresmalhada. Não acredito em disciplinas de voto, não acredito em maiorias esclarecidas, e acho até que a democracia é apenas e só o menos mau dos sistemas políticos, tão longe como qualquer outro de ser a panaceia para os reais problemas do mundo. Acredito nas pessoas. No seu mérito, na sua competência, no modo como se predispõem a servir os outros, sempre insatisfeitos, sempre mal-agradecidos. Há algum tempo, tive a feliz oportunidade de, durante um curto período da minha vida, trabalhar um pouco mais de perto com José Sócrates. E se já o admirava, fruto do que lera sobre ele, do que sei que foi a sua vida e a sua meteórica ascensão política, mais passei a admirá-lo desde essa altura.

Hoje admiro-o também pela forma como tem resistido a esta mesquinha onda de atoardas que visam, única e exclusivamente, depô-lo da cadeira em que os Portugueses quiseram sentá-lo, por duas vezes. José Sócrates é o primeiro-ministro de Portugal. Foi eleito, depois reeleito, e está, de pleno direito, ao leme do nosso país. Não é um ditador. Não é alguém que tomou de assalto um país adormecido. É a plena expressão da democracia, que muitos defendem bem mais do que eu defendo. Na minha opinião, José Sócrates tem sido alvo de uma campanha vergonhosa, recheada de desrespeito, de falta de educação e de civismo, e tem resistido estoicamente. Ainda bem.

No Portugal de hoje, em que se fala amiúde de planos, de esquemas, de conluios e de outros mecanismos mais ou menos arrojados de exercício do poder, há quem se esqueça de que, há cerca de 35 anos, as pessoas eram perseguidas por pararem na rua a conversar com amigos e conhecidos. Havia livros censurados, jornais com páginas em branco, coisas que não se podia dizer ou sequer pensar. Comparar, ainda que levemente, o Portugal de hoje com o Portugal desse tempo, que felizmente apenas conheci de relatos de quem por lá passou, é pouco inteligente, falacioso e até insultuoso. Os que hoje comparam Sócrates com Salazar talvez devessem parar para ouvir os que ainda elogiam esses tempos. Talvez assim percebessem a diferença entre os que apontam a Lua e os que, nesse gesto, apenas vêem a ponta do dedo…

sábado, 30 de janeiro de 2010

Aldeia Típica de José Franco (Mafra)

Na localidade de Sobreiro, a meio caminho entre Mafra e a Ericeira, ergue-se um lugar mágico. A Aldeia Típica de José Franco (ceramista português nascido em 1920, que se tornou célebre em todo o mundo pelas suas obras de olaria e arte sacra) é hoje um pequeno museu vivo dos usos e costumes da região no início do século passado. Dentro de um pequeno espaço muralhado, mas onde as portas estão sempre abertas, de forma graciosa, a quem passa, a aldeia em miniatura recria cenas do quotidiano daquela época, com figurinhas de barro moldadas por José Franco (muitas delas movidas a água ou a electricidade), cópias fiéis das casas dos arredores de Lisboa e das actividades que então eram desenvolvidas pelos que nelas viviam: há neste conjunto a casa do oleiro, o dentista, o barbeiro, a mercearia da Ti Helena, o açougue, a adega, as casas típicas, detalhadamente decoradas no seu interior, os trabalhos no campo, a matança do porco, a pastorícia e a lida da pesca na Ericeira…
Amigo pessoal do mentor deste interessante projecto, o aclamado escritor brasileiro Jorge Amado – que decorou a sua casa com peças de José Franco – disse, a dada altura, que esta aldeia “parece uma festa, no colorido, na graça, na invenção que nasce das mãos desse homem modesto e simples que é, ao mesmo tempo, sábio de profundo conhecimento, e que traz no coração e nos dedos o dom da criação”. Já sobre o amigo, o escritor considerou que “nasceu para criar beleza, para dar de si aos demais, para tornar mais rico o património do povo português, com as suas imagens, as suas figuras de barro, os seus vasos utilitários, os seus bois de longos cornos, os peixes leves como versos, os porcos e os galos feitos de terra e lirismo”. E como dizia Fernando Pessoa, se “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”. José Franco, filho de oleiros que na altura fabricavam pequenas peças de cerâmica usadas pelos camponeses locais nas suas casas, também começou cedo a produzi-las.
Inicialmente, José Franco vendia estas peças à porta da sua olaria e nos arraiais e nas feiras da região. Contudo, por volta de 1945 ambicionou levar mais longe a sua arte, e nas horas vagas começou a construir, junto à oficina e à casa onde vivia, o que é hoje um documento vivo e histórico desse tempo. A aldeia típica, cuja visita recomendo vivamente (assim como o vinho e o famoso pão com chouriço), será, sem dúvidas, a obra de maior destaque do ceramista lusitano, que chegou a ser agraciado com o título de Comendador pelo General Ramalho Eanes, então Presidente da República, tendo ainda recebido um prémio na categoria de Arte pelo Rotary Club e a bênção do Papa João Paulo II.

José Franco
Tido a nível nacional como um dos expoentes máximos da arte de trabalhar o barro, José Franco esteve sempre ligado, directa ou indirectamente, a quase toda a vida da localidade de Sobreiro. Foi um dos fundadores da liga dos amigos da aldeia, participou na construção da igreja e do lar de terceira idade, entre outros momentos altos da povoação, que ajudou a tornar conhecida, pertenceu à Junta de Freguesia de Mafra, e durante 10 anos integrou a Conferência de S. Vicente de Paulo do Sobreiro e Achada. Foi ainda presidente do conselho fiscal da Liga dos Amigos do Sobreiro, membro da direcção do lar e do centro de dia para os idosos locais, padrinho dos ranchos folclóricos do Milharado e Florinhas do Sobreiro e integrou o júri de vários concursos de trabalhos de arte. Visto por todos como “um homem bom, que consegue atender sempre os necessitados que diariamente lhe batem à porta”, destacou-se também por permitir a entrada gratuita na sua aldeia-museu, ao contrário do que é usual neste tipo de espaços, em qualquer parte do mundo.

Aldeia Típica de José Franco
Sobreiro – EN116 (Mafra – Ericeira)
Horário: 10 às 18 horas

Fotos: Carla Teixeira

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

João Pedreira a caminho do Festival

Lembram-se do João Pedreira, que participou no concurso «Família Superstar» com o pai, o inesquecível Paulo Pedreira? Pois é, eu conheci-os há pouco mais de quatro anos, por intermédio de um dos irmãos dele, de quem já era amiga, quando passei férias em casa de uma amiga comum, no Magoito (Sintra). Sei que o João, como o pai e os irmãos Lito e Paulo Renato, são pessoas invulgares – o tipo de pessoas de que se gosta logo ao primeiro impacto – e sei também que o João vive de corpo e alma a música que faz. Por isso, quando recebi o mail do Lito a dizer que o João está na calha para uma participação no Festival da Canção, não hesitei. Já votei, já divulguei o site da votação entre os meus amigos, e agora deixo-vos aqui o link. Ouçam e façam a vossa opção! Pela parte que me toca, está decidido. Força, João!

sábado, 23 de janeiro de 2010

Quando "único" quer dizer "dois"...

Dizem que os indivíduos que abusam do álcool vêem frequentemente a dobrar. Não sei se é assim, mas dou por certa a teoria de quem certamente tem no currículo mais bebedeiras, próprias ou emprestadas, do que eu. Já no PSD (e perdoem a má comparação), parece que há quem só veja metade do que existe, numa forma deturpada de encarar a realidade que aos poucos foi contagiando os meios de informação desta ocidental praia lusitana. Ao longo dos últimos meses, mas com particular incidência nos últimos dias, o mundo noticioso nacional voltou-se, com muito interesse mas com pouca atenção, para as questões do foro interno do PSD. Subitamente, para o núcleo duro de Manuela Ferreira Leite, que sempre tratou como mentalmente diminuídos todos aqueles que não iam à bola com o grupo, mas depois acabou por “atirar uma esmola” a Santana Lopes, cedendo-lhe terreno para se espalhar ao comprido na candidatura à Câmara Municipal de Lisboa, o outro rival da ainda presidente (alguma vez terá sido líder?) do partido passou a ser, aos olhos de Aguiar-Branco, “um bom candidato”.

Sem comprometer a sua cómoda e bem cultivada proximidade a Manuela Ferreira Leite, que lhe valeu para já a liderança do grupo parlamentar, e sem se comprometer com uma eventual candidatura própria à presidência do partido, Aguiar-Branco começa agora a emitir sinais de alguma abertura a Pedro Passos Coelho, embora sem querer pronunciar-se muito claramente a favor dele (nunca se sabe se não há-de surgir um qualquer “barão” disposto a correr o risco de um suicídio político, em troca de uns mesitos de liderança do rebanho social-democrata). Contra isso nada! Eles, que são cor de laranja, que se entendam! O que me parece estranho, e até constrangedor, é que num partido que há meses anda à deriva, sem leme nem rumo, haja quem se dê ao desplante de tão grosseiramente desrespeitar quem manifesta interesse em resgatar o PSD desse marasmo, numa atitude de falta de solidariedade que começou nos barões e logo contagiou os meios de informação. Isto tudo para dizer o quê?
Já todos sabem que Pedro Passos Coelho é candidato à presidência do PSD. Não é a primeira vez, e ele não escondeu, em momento algum, que ia voltar à carga. O problema é que, nos últimos dias (semanas, meses?), há nos jornais, nas rádios e nas televisões uma febre de PSD, com notícias atrás de notícias, entrevistas e artigos diversos, segundo os quais Passos Coelho é “o único candidato” à sucessão de Manuela Ferreira Leite, quando na verdade existem pelo menos dois candidatos já perfilados, e o outro (o que não é Passos Coelho) tem mantido uma agenda tão ou mais intensa do que o fundador da JSD, sem que algum dos media nacionais se digne a dar-lhe cobertura. Isto é indigno de um jornalismo que se diz independente e isento. Isto é indigno de um país que devia respeitar a pluralidade de opiniões e políticas, abstendo-se de comentar a realidade lusitana como se apenas existisse o Benfica e o PSD.

Não me colo a Alberto João Jardim, nem à sua definição de “bastardos, para não dizer filhos da pûta”. Que os há, sem dúvida! Mas considero indecente, para não dizer pior, que tantos jornais, tantas rádios e tantos canais de televisão se dediquem a perseguir quotidianamente Pedro Passos Coelho, Manuela Ferreira Leite, José Pedro Aguiar-Branco, Marques Mendes, Luís Filipe Menezes ou qualquer cão e gato que fale “social-democratês”, ignorando de modo quase olímpico o outro candidato: Castanheira de Barros, advogado sediado em Coimbra, é há já alguns meses, e também pela segunda vez, candidato à presidência do PSD. Da primeira vez foi claramente ostracizado pelos media, e desta vez vai pelo mesmo caminho. Poucos se interessam pelas suas ideias, pela sua agenda ou pelas suas opiniões, e até por isso gostava de o ver ganhar as eleições internas e pôr essa gente toda na linha. Revolta-me este tipo de boicotes. E pior do que ser ignorado pelos seus pares, é ser maltratado por uma Comunicação Social que se vende aos poderes instituídos em troca de muito pouco. Mas, que dizer?... That’s politics!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Torres Vedras em estado de sítio!

Foto: Luís Silva

Foto: Luís Silva

A zona ocidental do Distrito de Lisboa, e nomeadamente o Concelho de Torres Vedras, que na madrugada de ontem foi epicentro de um tornado com ventos de cerca de 200 km/hora, está em estado de sítio, e poderá estar iminente a declaração do estado de calamidade pública. O cenário é de caos completo: árvores arrancadas pela raiz caíram sobre estradas, linhas férreas e casas, há várias estradas cortadas, famílias desalojadas e a noite de consoada estragada, já que milhares de habitações poderão continuar às escuras logo à noite. Volvidas as primeiras 24 horas sobre o temporal, a última noite também não foi pacífica. Choveu muito, os ventos rosnaram de novo com grande velocidade, e a natureza em fúria voltou a dar sinais da sua enorme força, e o sol que actualmente brilha no céu parece querer fazer esquecer as últimas noites e os estragos que provocaram.
Cá em casa os danos são leves: uma janela que se partiu e abriu durante a noite fez tombar alguns objectos na cozinha, voaram algumas telhas (a arrecadação ficou “ao ar livre”), mas no geral está tudo tranquilo. Já lá fora, onde cheguei a temer pelo bem-estar do nosso carro, que está estacionado à porta, o cenário é bem mais devastador: telhados destruídos, quedas de postes eléctricos, dificuldades nas comunicações por telemóvel (ontem não havia rede entre as Caldas da Rainha e Torres Vedras, pelo menos, mas paulatinamente as operadoras foram conseguiram restabelecer o serviço). De acordo com a Protecção Civil de Torres Vedras, são muitos os danos no Parque de Campismo de Santa Cruz e na Colónia de Férias da Praia Azul. No plano concelhio, os prejuízos poderão ascender aos milhões de euros.
Setenta por cento do concelho ficou sem abastecimento eléctrico (cá em casa temos luz, apesar de alguns “soluços” ocasionais, mas a televisão por cabo foi-se com o tornado e ainda não voltou, pelo que estamos reduzidos aos quatro primeiros canais nacionais, apanhados com a ajuda de uma antena interior). Lembro-me, de repente, que o dia 21 de Dezembro é o dia do solstício de Inverno, e do mito de que o fim do mundo chegará nesse dia, daqui a três anos. Sem querer dramatizar o debate desse cenário, que até é objecto de um filme que está actualmente nos cinemas, acredito que a civilização esteja realmente perto do fim. As últimas noites foram disso bom exemplo cá no concelho. Torres Vedras está virada do avesso, e não há optimismo que resista às demonstrações, cada vez mais frequentes, da fúria da Natureza. Dias depois de um sismo de seis graus sentido em todo o país, um tornado assola o Oeste. Se não é o fim do mundo, é algo que, ainda assim, impõe respeito…

Foto: Mário Caldeira/Agência Lusa

Foto: Mário Caldeira/Agência Lusa

Foto: Mário Caldeira/Agência Lusa

domingo, 20 de dezembro de 2009

Nova querela política sem sentido...


Foto: «Diário de Notícias»

Questionado sobre o (não sei por que razão polémico) casamento dos homossexuais, o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, disse anteontem aos jornalistas que tem o pensamento e a atenção concentrados “noutros problemas”, como o desemprego, o endividamento do país, o desequilíbrio das contas públicas, e a falta de produtividade e de competitividade”, que considerou realmente fracturantes. E se verdade que nem sempre estive de acordo com Cavaco Silva, neste caso não poderia estar mais ao lado dele. Sem pôr em causa a importância que a união entre pessoas do mesmo sexo terá para as próprias, e considerando totalmente legítimo o seu desejo de ver legalmente reconhecidos os seus afectos e as suas ligações amorosas, a verdade é que há vários problemas bem mais prementes a que os nossos governantes deveriam dar atenção, e todos os que o chefe de Estado citou são, efectivamente, mais importantes para a generalidade dos Portugueses do que o casamento homossexual.
Totalmente descabida foi a reacção do Partido Socialista, divulgada pela voz de Sérgio Sousa Pinto, que disse que Cavaco Silva terá direito à sua opinião pessoal (e tem, de facto), mas que não deve intrometer-se na agenda dos partidos (não o vi fazer tal coisa). Responsabilizou depois o Presidente da República por estar “a contribuir inutilmente para a dramatização da vida nacional” (por favor, alguém que me explique como), e por “pôr em causa as condições de estabilidade política indispensáveis para dar resposta aos problemas que preocupam o Presidente, o PS e o Governo” (juro que dei um nó). Cereja no topo do bolo, Sérgio Sousa Pinto critica Cavaco Silva por, “ainda por cima”, estar “em coro com a oposição de direita”. Juro que não entendo tamanha crispação, pois que me parece claríssimo que qualquer dos problemas apontados por Cavaco Silva está necessariamente acima, na escala de prioridades de qualquer pessoa de bom senso, do casamento entre gays. E eu, que penso exactamente como Cavaco Silva nesta matéria, nem sequer faço parte dessa oposição de direita…

sábado, 19 de dezembro de 2009

Até sempre, tio Manuel!

A morte apanha-nos sempre de surpresa. Mesmo quando os pesadelos a perseguem, mesmo se alguns acontecimentos a antecipam, teimamos em ter esperança. Em pensar que não, que não é desta. Mas depois a realidade atinge-nos com uma pancada seca, as lágrimas parecem secar-nos nos olhos, e diante de nós exibe-se, incessantemente, o filme dos momentos que partilhámos com quem agora nos foge ao convívio. Não que o convívio fosse muito nos últimos anos. A última vez que o vi, curiosamente, foi num outro funeral. Tinha os cabelos brancos, como nunca lhos tinha visto, e um sorriso manchado por algum desconforto. Disse que se sentia só, abandonado, mas que continuava ali, vivo e amigo. A vontade de o ver mais vezes cruzou-me diversas vezes o espírito, e quando o soube internado quis ir vê-lo, lá longe onde estava. A gripe que me apanhou inibiu esses planos, porque não quis pô-lo em risco, frágil como estava. E hoje morreu, naquela cama de hospital, sem imaginar sequer os meus anseios de o ver, assim que a gripe passasse. Não fui a tempo, e ele morreu sem saber da minha saudade. Talvez tenha sido essa dor que secou as lágrimas que sinto cá dentro…


Até sempre!
Espera por mim no céu.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Reunião de amigos com sabor a chocolate

Quando era adolescente, li num daqueles livros antigos sobre os “deveres da esposa ideal” para com o marido e o lar, que as mulheres são em regra mais infantis do que os homens para poderem funcionar como intermediárias entre os adultos e as crianças. Nada sei dizer desse alegado “instinto maternal”, mas sempre achei que conseguia, como poucas pessoas, ligar-me às crianças e aos adultos, e sempre tive amigos mais novos e mais velhos, bem mais novos e bem mais velhos do que eu. Gosto de os ter. A riqueza da nossa vida está nas pessoas que temos à nossa volta, e quanto mais essas pessoas forem diferentes, mais rica é a nossa experiência.
Gosto dos meus amigos. Gosto de sentir que tenho um pouco de cada um deles, e que cada um deles tem um pouco de mim. E gosto de saber que, independentemente da idade que tinham aqueles com quem, ao longo da vida, me fui relacionando, sempre obtive o respeito de uns e de outros, e até alguma admiração, que (agrada-me pensar assim) terá sido quase sempre merecida! Não sou uma pessoa de trato fácil. Não sou simpática, nem hipócrita, sou muito exigente, comigo e com os outros, impaciente e pouco compreensiva para com os fracos de espírito, e tenho enorme dificuldade em calar a voz do diabinho que vive no meu cérebro, que me faz dar voz aos pensamentos que me invadem a alma.
Ainda assim, apesar de todos os meus defeitos, tenho tido a sorte e o talento de fazer e guardar amigos. Não são muitos, mas sempre fui daquelas pessoas que preferem a qualidade à quantidade. São poucos, mas bons. Há dias tive a feliz oportunidade de me reunir com alguns (bem, eram apenas quatro, mas do meu melhor leque) e a noite foi divertidíssima. E há minutos li, no blog da Joaninha, que não fui a única a gostar muito da nossa pequena reunião! Acho muito bem. Só tenho pena de não termos registado o momento para a posteridade, apesar de haver na mesa um fotógrafo profissional e pelo menos uma apaixonada pela arte da Fotografia (leia-se eu). Talvez na próxima vez!