terça-feira, 9 de setembro de 2008

Mogofores on fire!

A circulação na Linha do Norte foi interrompida em Mogofores, Anadia, às 18h05, "por razões de segurança", devido ao início de combustão de estilha de madeira, num comboio estacionado naquela estação. De acordo com fonte da CP, foi detectado o início de combustão num vagão de um comboio que se encontrava parado sob a catenária naquela estação, e por razões de segurança houve necessidade de desligar a energia para encher o vagão de água. A interrupção da circulação deverá demorar cerca de 20 minutos. Segundo uma fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro de Aveiro, a situação foi detectada às 17h06, tendo comparecido na estação de Mogofores os bombeiros de Anadia, com seis viaturas e 18 homens” (Agência Lusa).

Por que é que quando eu lá estou nunca acontece nada?!







Fotos: Mente Despenteada

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Dois sorrisos de esperança...

Hoje tive a oportunidade de rever dois amigos, e de ajudar a desenhar nos seus rostos dois fabulosos sorrisos de esperança no futuro. Um futuro que há bem pouco tempo se deixou tolher por uma imensa nuvem negra, e que hoje, naquele reencontro, voltou a iluminar-se diante de uma luz diferente, tão diferente dessa escuridão a que estavam votados. E a esperança é, felizmente, contagiosa. Quando se apodera de um amigo, ela cresce também dentro de nós, e os sorrisos que vemos desenham-se, quase por magia, num semblante até aí carregado de sombras. A esperança renasceu neles, e brotou em mim nesta tarde cálida que se deitou à espera do Outono. Que seja breve a esperança, e logo se transforme em certeza. E que a amizade possa crescer, naquele espaço onde a escuridão não entra, porque a força da luz se desenha na mão estendida e no sorriso de quem a alcança. Boa sorte para os dois.

domingo, 7 de setembro de 2008

Porque arranca agora o ano lectivo...

As pessoas gostam de ter problemas, e quando não os têm inventam-nos. Já tenho há muito tempo, e bem arreigada, esta convicção, e a confirmá-la acabo de ler os títulos (sim, apenas os títulos) de várias notícias da Agência Lusa relativas ao sector educativo, agora que arranca o ano lectivo 2008/2009. Bem sei que muitas vezes nos apelidam de saudosistas, nós que nascemos na década de 1970 e começámos a estudar na década seguinte, mas a verdade é que nesse tempo, pelo menos do que conheci, eram menos e bem menores os “problemas” dos estudantes, e os pais, professores, psicólogos e outros que tais tinham mais em que pensar. Ora vejamos:

No ano lectivo que agora começa haverá menos professores por cada turma, com vista a facilitar a adaptação das crianças ao segundo ciclo. Quando entrei para o então chamado ciclo preparatório, com pouco mais de 10 anos, não houve um só dia em que me custasse a adaptação a mais de 10 professores (já agora, os professoresd remanescentes, como se já houvesse poucos no desemprego, farão o quê?), quando na primária tinha tido uma só docente. Achei o máximo a variedade, achei porreiro mudar de sala segundo o tipo de disciplina que tínhamos, achei espectacular ter aulas de Educação Visual, Educação Musical, Educação Física, e achei sobretudo que essa nova fase marcava um momento de crescimento e de maturidade para mim e para os restantes colegas. Saliente-se que na passagem do 4º para o 5º ano perdi contacto com todos os colegas da primária, já que nenhum deles ficou na mesma turma que eu, e tive de começar de novo, sozinha, o processo de sociabilização e adaptação às novas regras. Não tive qualquer problema.

No novo ano lectivo, as escolas alentejanas vão passar a ter “aulas” de Hip-Hop e canto alentejano na sua oferta extracurricular (isto nem me merece comentários! Se fosse de facto mais aulas, vinham logo a público os pais e os psicólogos dizer que era excesso de carga horária, mas para cantar a dançar já está tudo bem. Deve ser para alimentar a tal febre muito comum entre os miúdos de hoje, que querem todos ser cantores e actores ou modelos).

Deve ser dos mesmos psicólogos – que noutros contextos argumentam que as crianças vêem demasiada televisão e passam demasiado tempo em frente ao computador – a ideia de que “os alunos do primeiro ciclo deviam ter jogos de playstation nas escolas, e a convicção de que “as aulas de substituição não deixam espaço para a socialização”. É a opinião dos “especialistas”, pelo menos. Contudo, há “especialistas” que defendem a inclusão do Inglês no plano curricular do 1º ano (sim, quando as crianças, que têm 5 ou 6 anos, gostam mesmo é de brincar, e nem Português correcto sabem falar), de modo a evitar as desigualdades (?!). Ou seja, as crianças portuguesas deveriam ter, na rede de escolas portuguesas, tantos anos de Inglês como de Português. Já agora, e por que não propor também o Francês, o Alemão e o Espanhol? Assim, os putos teriam ainda menos tempo para brincar e ver televisão, jogavam playstation na escola e quando chegassem a casa, às tantas, vinham já tão cansados que só tinham de jantar e dormir. Já agora, podiam ainda inventar uma disciplina onde ensinassem aos miúdos os nomes dos pais e dos irmãos, aquelas pessoas que eles só veriam uns minutinhos à mesa e antes de deitar. Não sou “especialista”, mas deixo a sugestão.

Momento de fragilidade

Quando a morte se cruza connosco e invade o quotidiano de pessoas que conhecemos, mesmo que não tenhamos com elas muito em comum – porque são de outro tempo e defendem outras ideologias –, há sempre uma onda de tristeza que se apodera de nós. Há um momento de fragilidade que toma conta das nossas lágrimas, que as espalha ao vento, quando vemos chorar compulsivamente alguém que fica só, irremediavelmente só, numa altura da vida em que a idade já tornava mais caseira a existência, e que o companheiro de mais de meio século era a figura mais presente e mais querida. Nesse momento, sentimos forçosamente que não somos imortais, e quando parte alguém de quem gostamos, o mundo se transforma, subitamente, num lugar mais cinzento. Deixo à D. Belarmina, que nos últimos dias viu partir o seu marido, os meus sentimentos.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O cúmulo da pinderiquice!

Está decidido! No Natal vou oferecer ao José Cid um espelho! O popular (?) cantor português, que até é meu vizinho aos fins-de-semana (já nos cruzámos algumas vezes na média superfície lá da zona), é doido varrido ou está mesmo completamente maluco (as opções são muitas, já viram?). Numa – como direi? Indescritível? – entrevista-relâmpago concedida ao também inigualável Cristiano Pereira (mas este por razões bem diferentes: a par de Manuel António Pina, é uma das pessoas que me fazem ter algumas saudades dos tempos em que trabalhei no «Jornal de Notícias»), José Cid confessou que gostava de partilhar um palheiro (?!) com a rainha da pop, e não se coibiu de soltar pérolas como “(Madonna) não tem capacidade vocal para cantar ao meu lado” ou “eu gosto dos meus pelos. Sou peludo. Seria incapaz de me depilar a não ser à volta do meu pénis. Isso de muitos pelos à volta do pénis torna-se incómodo”, ou ainda “gosto dos pelos do meu corpo, e há quem adore”…

É só impressão minha ou um cantor devia ser falado nos jornais por saber cantar?

Um homem, uma palavra, um exemplo!

Poderá soar a hipocrisia isto que agora me preparo para vos dizer, mas não é. É antes a constatação, feliz, de que ainda há pessoas de bem, empenhadas em agir com rectidão e com seriedade, que não se limitam a fazer figura de corpo presente apenas quando a ocasião favorece uma posterior recolha de dividendos. Honório Novo é deputado, pelo círculo do Porto, à Assembleia da República. Manteve, durante anos, estreita relação com «O Primeiro de Janeiro», chegou a visitar as instalações da redacção e a reunir-se ali com alguns camaradas meus, e cruzou-se milhares de vezes com alguns de nós, em serviço de reportagem, quando o acompanhávamos nas visitas que fazia aos bairros e a outros cenários sociais, quer no Porto, quer em Matosinhos, cidade em que detém o cargo de vereador.
Ideologias à parte, que a dele é a dele e as nossas são as nossas, Honório Novo é uma pessoa que inspira confiança. Nunca se furtou a comentar temas polémicos, quando a isso o desafiávamos (mesmo por telefone), e defendeu sempre a sua perspectiva das coisas com uma seriedade inabalável. Nos primeiros dias após o despedimento ilegal de mais de 30 pessoas no «Janeiro», Honório Novo interrompeu as férias e foi saber o que se passava, de viva voz, no local. Reuniu-se connosco, e prometeu acompanhar a situação e diligenciar, dentro das suas competências enquanto representante da nação e da cidade, no sentido de defender os direitos e os interesses dos despedidos. No dia seguinte, retomou as suas férias, e ninguém ousaria censurá-lo por isso. Já tinha feito mais do que muitos, com mais obrigações, em ter dado a cara por nós, ao nosso lado à porta de uma redacção trancada a sete chaves.
No entanto, Honório Novo não se ficou por aí, nessa promessa de empenho e de acção que, à falta de continuidade, poderia parecer um mero pro forma. Não! Assim que veio de férias, o deputado contactou-me para saber em que pé andavam as coisas, dizendo que pretendia inteirar-se de tudo para melhor poder preparar os requerimentos e as perguntas que pretendia endereçar ao Governo, mal reabrisse o Parlamento. E assim fez. A edição de hoje do «Público» – com uma “primeira” um nadinha mais vestida do que a de ontem –, relata que os requerimentos do deputado do PCP deram entrada na Assembleia da República, e desvenda um pouco do seu conteúdo. Hoje, novamente, o parlamentar comunista contactou-me, alertando para a notícia do «Público» e dando conta da sua disponibilidade para enviar ao grupo de jornalistas alvo de despedimento ilegal os dois requerimentos que apresentou. Aí está um homem que cumpre a palavra dada. Um homem que não se esquece, como nós também não esqueceremos. Receba, caro Honório, um cordial abraço! Obrigada.

Salários continuam por pagar

O deputado do PCP Honório Novo quer saber o que vão a Autoridade para as Condições de Trabalho e a Inspecção-Geral do Trabalho fazer para repor a legalidade no diário O Primeiro de Janeiro, cujos trabalhadores foram despedidos no final de Julho. Considerando que este "despedimento colectivo" não tem suporte na lei, o deputado apresentou esta semana no Parlamento uma pergunta ao Ministério do Trabalho questionando "que tipo de decisões, contra-ordenacionais e/ou criminais", foram adoptadas contra o grupo empresarial detentor do título e se foi feita alguma coisa para garantir o pagamento dos salários em atraso devidos aos trabalhadores despedidos.
Os funcionários do jornal continuam sem receber os ordenados de Junho e Julho, bem como os subsídios de Natal e de férias, e ontem, em comunicado, recordam não terem ainda obtido nenhum compromisso quanto a este pagamento, uma vez que, tendo tentado falar com administração da empresa, apenas conseguiram contactar uma secretária, segundo a qual a regularização das dívidas deverá começar esta semana ou na próxima. Honório Novo questionou ainda o Ministério do Ambiente sobre os fundos comunitários que a empresa detentora d'O Primeiro de Janeiro terá recebido ao longo dos últimos anos, perguntando se os respectivos contratos têm sido honrados, "nomeadamente quanto ao cumprimento das obrigações fiscais e à Segurança Social", por parte das diferentes empresas que integram o grupo Folha Cultural/Sedico.

Jorge Marmelo
Jornal «Público»

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Ninguém faz 23 anos!

Devia ser proibido, eu sei, mas de facto é nessa provecta idade que acaba de aterrar a minha irmã do meio! Por isso, e também porque agora está na capicua dos meus 32 anos (espero que isso não te sirva de desculpa para andares sempre ao contrário de mim, sua mau feitio!), PARABÉNS! Votos de um dia muito feliz – um Super Dia –, na companhia dos que te querem bem. Love you, siss!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Não acredito em bruxas, mas que as há…

Naqueles dias em que me lembro de saltar da cama e ligar a bola de cristal à corrente, até consigo ser uma pessoa dada a adivinhações. Vai daí, há uns dias deixei aos meus despenteados amigos um post intitulado «Anda mesmo tudo doido», que ilustrei com uma capa meio manhosa do «Público». Já todos sabem que não gosto desse jornal que muita gente teima em classificar como “de referência”. De facto, se pensarmos que há nesse conceito também a hipótese de ser uma referência do que deve ser evitado, até me sinto tentada a concordar. A capa da edição de hoje cobre-me de razão. Querem saber por que razão?
Deve ser por coisas deste género que frequentemente – muito frequentemente até – me engano a escrever «Público», e cito-o muitas vezes como «Púbico»…

Depois do silêncio...

O empresário Eduardo Costa, proprietário do jornal O Primeiro de Janeiro, afirmou hoje, em comunicado enviado à Lusa, que a continuidade daquele matutino portuense, publicado há 140 anos, "não está em causa". "A minha intervenção em 1992 salvou O Primeiro de Janeiro da falência", afirma aquele empresário, que sublinha ter pessoalmente investido muito naquele diário, o que tenciona continuar a fazer, "para manter e elevar este centenário matutino". Estas são as primeiras declarações que Eduardo Costa faz desde que o Primeiro de Janeiro suspendeu a sua publicação em 01 de Agosto, após o despedimento colectivo de toda a redacção (34 jornalistas e três administrativos), regressando às bancas três dias depois pela mão de Rui Alas, ex-director do suplemento desportivo do jornal, e quatro jornalistas do mesmo suplemento.
A anterior directora do jornal, Nassalete Miranda, tinha anunciado em 31 de Julho que O Primeiro de Janeiro cessaria a sua publicação durante o mês de Agosto "para modernização em termos gráficos e de conteúdo". Um mês depois de terem sido despedidos, cerca de 20 trabalhadores de O Primeiro de Janeiro juntaram-se hoje de novo frente à administração para exigir respostas quanto aos salários em atraso. "O assunto está a ser tratado e irá ser dado seguimento aos pagamentos logo que possível", afirmou a secretária da administração do jornal, que recebeu, esta tarde, os trabalhadores. No comunicado enviado à Lusa, após sucessivos pedidos de entrevista a que nunca acedeu, Eduardo Costa argumenta que as dificuldades que atravessa actualmente toda a imprensa escrita e o passivo que o Primeiro de Janeiro acumula desde meados dos anos 80 estão na origem da actual situação. "Tendo conhecimento de que a velha empresa não tinha dinheiro para pagar os salários nomeadamente da sua redacção e que não tinha outra solução e rescindir com os trabalhadores, a proprietária do título viu-se obrigada a rescindir os acordos que vinha mantendo com a centenária empresa e retirar-lhe a exploração do título", afirma Eduardo Costa.
Acrescenta que agora, "noutro modelo, imposto pelas circunstâncias", tem "um projecto de desenvolvimento" para o qual procura parceiros e uma nova solução empresarial que faça crescer o jornal, "beneficiando do valioso património que representa". "Lembramos que demos ao Porto, ao Norte e ao País durante 15 anos um valioso diário, que foi cumprindo sempre a sua missão e pagando aos seus trabalhadores, porque é do conhecimento que a estes está por regularizar pouco mais de um mês de salário", afirma, sem dizer quando será saldada esta dívida. Paulo Almeida, jornalista despedido e porta-voz da redacção, disse à Lusa desconhecer "totalmente o novo projecto", aguardando que desta vez a administração cumpra com o prazo de duas semanas para os pagamentos devidos.

Agência Lusa
Foto: Mente Despenteada

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Um paralelismo simples...

Está situada no concelho de Santo Tirso e é a única fábrica de pneus a operar em solo português. Setenta por cento da produção da CAMAC destina-se ao mercado britânico, mas por causa da desvalorização da libra esterlina está a passar por dificuldades que afectam sobretudo os 290 trabalhadores da empresa, que desde Junho não recebem os seus salários. Hoje, tomaram uma posição e interromperam a produção. Para breve planeiam uma manifestação à porta da câmara municipal, para exigir a intervenção do autarca local, Castro Fernandes.

«O Primeiro de Janeiro» nasceu em 1868, e foi, durante largos anos, um dos baluartes da imprensa nacional, graças à sua isenção e à aposta feita no noticiário internacional. Há uns meses deixou de pagar os salários a tempo e horas, começou a fraccioná-los, e depois acabou mesmo por deixar de os pagar. A redacção foi demitida, ilegalmente e em bloco, e prontamente substituída por um grupo de jornalistas de Desporto, que no dia 1 de Setembro, ontem portanto, receberam a segunda metade do salário de Julho. Continuam, obviamente, a trabalhar. Não ponderaram fazer greve, como os da versão primeira do «Janeiro» não pensaram, até ao momento em que já era demasiado tarde para isso.

Em ambos os casos há salários em atraso desde Junho. Em ambos os casos há muitos trabalhadores cujos direitos foram violados, que sobrevivem com muitas dificuldades. No primeiro caso há uma explicação (ao menos isso!) para o que aconteceu, e ninguém foi chutado pela porta fora, sem dó nem piedade. No segundo, há um empresário que acaba de ser condenado por fraude contra o Estado, mas que também, mesmo assim, foi agraciado com verbas do QREN, e há um grupo de jornalistas que, sem saber que o presente de uns há-de ser o futuro deles mesmos, continua, serenamente, a produzir trabalho sem a justa contrapartida. Dá que pensar, não dá?

Toma lá, que é artístico!

Quando pensava que já tinha visto tudo – nomeadamente no que ao conceito de “arte” diz respeito – com a deposição daquela colcha horrorosa no tabuleiro superior da Ponte D. Luís, no Porto, eis que se me atira para os olhos esta notícia:

Gene Hathorn, que está no corredor da morte desde 1985, deu o seu consentimento ao artista Marco Evaristti, o «bad boy» da arte dinamarquesa, para usar o seu corpo como uma peça de arte, de acordo com o jornal The Guardian. «O meu objectivo é primeiro congelar o corpo de Gene e depois fazer comida para os peixes. Os visitantes da minha exposição poderão alimentar peixinhos amarelos com o corpo de Gene», explicou Evaristti ao jornal Art Newspaper”.

Alguém me explica, como se eu tivesse quatro anos, como é que congelar um corpo pode ser arte? Mas a notícia prossegue:

Não é a primeira vez que o artista que ganhou notoriedade em 2000, depois de ter colocado peixinhos amarelos em liquidificadoras, e convidou as pessoas para assistiram enquanto este ligava as máquinas”.

What?! Triturar peixinhos também é arte?! Será por serem amarelos? Mas há mais! O “artista” também já foi à Gronelândia em 2004 e pintou de vermelho um iceberg, tendo em 2007 sido preso enquanto se preparava para fazer o mesmo ao Mont Blanc! No jornal onde trabalhei durante os últimos sete anos costumava dizer-se que o que não era mais nada era Sociedade, a “minha” secção. Fico tentada a dizer, depois destes exemplos, que o que não for nada, passa a ser “arte”…

Sem papas na língua!

Quem recusa o convívio com as bases nunca será líder no PSD, ainda que seja temporariamente seu presidente” (Castanheira Barros, no «Jornal de Notícias» de hoje).

Valeu a pena!

Se não tivesse valido para mais nada, e a verdade é que aprendi muito, a vários níveis, durante os mais de sete anos em que fiz parte da redacção de «O Primeiro de Janeiro», a experiência teria, ainda assim, valido a pena, pelas pessoas que conheci. No dia 31 de Julho deste ano, quando nos empurraram porta fora e mudaram a fechadura daquele espaço que durante anos também foi nosso – apesar das incompetências, das palavras azedas de quem vive na inveja, das inundações, dos curto-circuitos, da falta de meios, do cheiro a fossa de alguns dias, da lata de algumas pessoas, dos comentários trocados em surdina na “sala de chuto” no meio da rua, da maldadezinha soletrada aos ouvidos, que fingiam acreditar na sinceridade dos argumentos –, saímos de mãos a abanar, com meses de ordenados em atraso, palavras vazias de sentido e de sentimento, mentiras, promessas fora de prazo e silêncio, muito silêncio. Houve pessoas que nunca mais vi, e sobre essas também aprendi algumas coisas (de algumas já esperava essa atitude, mas houve outras cuja colagem confrangedora ao lado errado da barricada me deixou um sabor amargo na boca). Mas a verdade é que não saí de lá de mãos a abanar. Trouxe amigos. Trouxe memórias, cheiros (nem todos bons, é certo), trouxe olhares, alguns momentos dourados. Trouxe as lágrimas e os sorrisos partilhados com grandes amigas que ficarão para sempre. Trouxe a calma de uns, a exaltação de outros, a coragem e o medo, os ensinamentos, as atrapalhações, a elevação de carácter, a falta dele. Tudo. E tudo valeu a pena. Porque não há dinheiro no mundo que pague os amigos que fiz, os sonhos que partilhei, as vitórias que dividi e as derrotas que ajudei a carregar. Não há dinheiro que pague a amizade, o carácter e a força de quem hoje, fora daquelas quatro paredes amarelas, continua dentro do meu coração. Apenas por isso, que é tanto, teria sempre valido a pena.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O medo mora comigo!

Uma pulsação acima dos 70 batimentos por minuto (bpm) aumenta em 39 por cento o risco de enfartes nos doentes coronários, indica um estudo apresentado hoje no Congresso Europeu de Cardiologia, a decorrer em Munique. A investigação envolveu cerca de 11 mil doentes coronários de 33 países, entre os quais 60 portugueses, e segundo o coordenador do estudo em Portugal, Ricardo Seabra Gomes, "nunca se tinha mostrado, de modo prospectivo, que a frequência cardíaca influencia as complicações da doença coronária". Com a pulsação acima dos 70 bpm, estes pacientes têm um risco acrescido em 34 por cento de morte cardiovascular, 46 por cento de enfarte do miocárdio, 56 por cento de insuficiência cardíaca e 38 por cento de ter de fazer uma revascularização. A revascularização passa pela dilatação das artérias através de angioplastia ou cirurgia e acontece quando persistem queixas mesmo depois do doente estar medicado. "O esforço faz o coração trabalhar mais e se as artérias estão doentes haverá consequências", resumiu o médico especialista (Agência Lusa).

Imaginem como bate na mente de alguém que foi internado de urgência com 170 pulsações por minuto (quase em repouso), e que, meio ano depois, nas medições diárias dos batimentos cardíacos ainda regista, quase sempre, mais de 90…

domingo, 31 de agosto de 2008

De «O Primeiro de Janeiro» ao primeiro de Agosto e ao primeiro de Setembro...

Foi há um mês. Há exactamente um mês, a meio da tarde, Nassalete Miranda saía do seu gabinete sem luz natural e enfrentava, pela derradeira vez, uma redacção inquieta quanto ao seu futuro, com dois meses de salários em atraso e sem subsídios de férias. Escassos dias depois de ter garantido que o jornal não fecharia naquele dia, e de se ter exasperado pela descrença do grupo redactorial, a ainda directora do «Janeiro» deu o dito por não dito e confirmou o que já se esperava, mas mostrando-se ainda convicta – e são tão insondáveis os mistérios de algumas mentes – de que esta seria uma situação transitória e de que, assim que conseguisse um investidor (em Setembro ou talvez um pouco mais tarde), regressaria às bancas com o seu “projecto”, tese que manteve pelo menos até à última vez em que contactou telefonicamente um dos contestatários do despedimento colectivo ilegal. Naquele dia, porém, antes mesmo de se ter dissipado da memória das mais de 30 pessoas que a interrogavam, a garantia de que os ordenados em atraso seriam integralmente pagos, bem como os subsídios de férias, mas que as indemnizações eram para esquecer – “A empresa está falida, o que é que vocês querem?” – era apresentado no departamento comercial o “novo” «Janeiro». Estavam em curso ensaios para o novo logotipo (que acabaria por não ser usado), e uma jornalista do Norte Desportivo em férias num festival de Verão era, por telefone, promovida a editora de Cultura, e incumbida de uma reportagem de duas páginas sobre o assunto. Foi há um mês. Depois disso, foram muitas as vozes de pessoas e de entidades mais ou menos conhecidas que se ergueram na defesa dos direitos dos 34 jornalistas, da paginadora e dos três funcionários administrativos demitidos de forma vergonhosa e ilegal. Exactamente um mês depois, pouco mudou na situação e nas perspectivas de futuro da maioria dessas pessoas. Anteontem, o deputado comunista Honório Novo contactou-me para fazer um ponto da situação. Disse-lhe o que sabia. Mas a verdade é que todos sabemos muito pouco…

Segue o BALANÇO possível deste primeiro mês…

"Cada um lê o ou os jornais que lhe apetece ler, de que gosta mais, mas nunca são demais. Nem os distribuídos gratuitamente, que abrem hipóteses às pessoas sem possibilidades de lerem as notícias, não ficando pelos jornais televisivos que, em muitos casos, deturpam as notícias e as repetem vezes sem conta. O centenário Primeiro de Janeiro, que lei todas as sextas-feiras, sofreu já bastante e sobreviveu graças à dedicação de alguns do seus jornalistas. É inadmissível que pretendam fazer-lhe sentir o golpe de misericórdia através do despedimento dos que nele trabalham. O golpe será desferido antes de tudo sobre o pessoal, mas creio que também o jornal poderá desaparecer dado que perderá todo o seu valor. Conheço alguns dos que lá trabalham e sei das dificuldades que passam e de certas pretensões inaceitáveis para os jornalistas que serão atingidos. De Santa Catarina para Coelho Neto e agora para onde? Talvez simplesmente para a rua... Numa palavra. INDECENTE!" (Hermindo Simões, 1 de Agosto, PortugalDiário).

"Ao longo dos anos o PJ e os seus jornalistas e colaboradores efectuaram um trabalho sério, digno, que envergonha muitos dos jornalistas rendidos ao poder. Durante esse tempo, os jornais fingiram que o PJ não existia. Mas agora lembraram-se. Tenham vergonha na cara. Olhem para o passado e para a tentativa permanente de censurar o jornal e peçam desculpa. Por também são culpados deste estado de coisas". (Manuel Carvalho, 1 de Agosto, PortugalDiário).

"Como é possível fechar o jornal, se ainda a semana passada andaram a telefonar para Instituições de Viana do Castelo, a solicitar entrevistas para um especial sobre Viana? Como é possível? Será que receberam da publicidade solicitada e vão de férias? Sr.ª Directora, o que diz? Cheira-me a «esturro» para não dizer outra coisa". (Alguém, 1 de Agosto, Sapo Notícias).

"Mais uma do tal senhor Eduardo Costa". (Charles, 1 de Agosto, Sapo Notícias).

"Até tenho medo do que possa acontecer à União Desportiva Oliveirense, da qual este senhor já com cadastro e com uns anos passados na choça é o presidente". (Jota, 2 de Agosto, Sapo Notícias).

Toda a minha vida ouvi dizer que a união faz a força; que as diferenças deixam de existir quando alguém belisca, ou tenta beliscar, uma classe; que essa classe deve pronunciar-se em uníssono contra essas beliscaduras que doem, por vezes, mais que um golpe de espada. Há também um ditado muito antigo que diz: «Hoje tu, amanhã eu... nós!» Em todas as classes há problemas, mas os vividos pelos jornalistas do Primeiro de Janeiro são graves e devem merecer toda a atenção e o vosso cuidado. Os jornalistas têm por missão informar-nos, coisa que devemos saber agradecer-lhes, lendo-os. Ora, para os podermos ler, é preciso que os deixem trabalhar, lhes paguem justamente e não se divirtam a despedi-los. Sabemos todos que desde há anos o Janeiro vive momentos conturbados, também graças aos salários dos dirigentes e às regalias de que gozam. Sabemos todos quem colocou quase em falência o Janeiro, como sabemos quem impediu que na altura, graças à dedicação extrema de meia dúzia, foi impedida a falência e fosse decretado o fim do PJ. Por sua vez, também o Norte Desportivo andou pelas ruas da amargura, mas, unindo vontades, conseguiram que sobrevivesse conjuntamente com o Janeiro. Surgiu o Jogo que retirou muita clientela ao Norte Desportivo, mas ele lá foi sobrevivendo, sempre cheio de dificuldades, mas mantendo-se sempre fiel aos seus princípios. Seria bom que o Sindicato dos Jornalistas interviesse neste diferendo que, tudo leva a crer, enviará para o desemprego mais de trinta colegas vossos. Amanhã pode vir a tocar alguns dos que hoje põem de lado a ideia de tomar a decisão solidária que a situação deve exigir. E depois? Quem tomará a vossa defesa e se aliará, solidariamente, aos novos ameaçados pelo desemprego? Uma classe unida, is trabalhadores unidos, podem impedir situações desagradáveis e por vezes catastróficas. Por favor, unam-se”. (Contador de Histórias, 3 de Agosto, PortugalDiário).

O Janeiro regressa amanhã às bancas e está neste momento a ser feito pelos jornalistas do Norte Desportivo. Trata-se do mais aberrante despedimento colectivo, um vergonhoso atropelo aos direitos dos trabalhadores. Uma falta de respeito e de vergonha. Proponho que NINGUÉM LEIA ESTE JORNAL, como forma de solidariedade por mais de 30 jornalistas, que foram tratados como lixo. VERGONHA, VERGONHA”. (Joaquim Laginha, 3 de Agosto, Correio da Manhã).

Num gesto de grande disponibilidade, o deputado comunista Honório Novo reuniu-se com os jornalistas despedidos à porta da redacção, e definiu o que ali se passou como “uma situação inaceitável e ilegal”. Ao grupo de 18 jornalistas que recusaram baixar os braços diante da “guia de marcha” emitida pela Sedico, “sem fundamento nem explicação”, o parlamentar do PCP garantiu “não conseguir entender como é possível, num estado de direito, assistirmos a uma situação verdadeiramente inaceitável de um despedimento aparentemente ilegal”. Prontificou-se a levar o assunto à Assembleia da República, e anteontem contactou-me para saber em que pé estão as coisas. Um gesto que gratamente saudamos.

No mesmo dia, e antecipando uma visita do BE aos jornalistas reunidos na Rua Coelho Neto, também João Semedo enviou ao grupo de jornalistas uma mensagem em que se mostrava surpreendido pelo que acontecia: “Eu julgava que, nesta matéria, já tinha visto de tudo. No entanto, os acontecimentos dos últimos dias em torno do jornal «O Primeiro de Janeiro» mostraram-me como estava enganado: os jornalistas e trabalhadores de «O Primeiro de Janeiro» estão a ser vítimas de um verdadeiro e organizado "gangsterismo" laboral e político que, julgava eu, não seria possível na democracia portuguesa”.

"Mais uma vez, a corda rebenta no lado mais fraco. Não do lado dos dirigentes, e muito menos do lado dos chamados "gestores", mas do lado daqueles que vestem a camisola e que a defendem dignamente, muitas vezes à custa de sacrifícios pessoais. Más condições de trabalho, salários baixíssimos e atropelos aos seus direitos são o dia-a-dia destes profissionais. Mas mesmo assim, mantêm-se na profissão, vão atrás da notícia, tentam honrar o nome de um jornal que, pela sua História, faz parte de cidade. 32 jornalistas despedidos (ao que parece, com salários em atraso), uma redacção completa dispensada e um Jornal que continua a ir para as bancas?!! Não sei se sou só eu, mas não parece um parece um pouco estranho? Ou será que agora os jornais também já se fazem sem jornalistas?" (Susana, 4 de Agosto, PortugalDiário).

Um dia depois de Honório Novo, os jornalistas ilegalmente despedidos receberam a visita de uma delegação do BE liderada por José Soeiro, deputado à Assembleia da República pelo Círculo Eleitoral do Porto. O parlamentar ouviu os relatos e as queixas dos jornalistas, solidarizou-se com eles, escutou e recolheu testemunhos de situações muito pouco claras no passado e no presente do seu proprietário. No final, prestou declarações aos meios de informação presentes, e despediu-se com votos de "muita força".

"O que se passou agora com os jornalistas do "Primeiro de Janeiro" já se passou com outros, noutras empresas do mesmo "sr". O interessante é que ninguém lhe põe a mão. E continua a declarar falências e abrir outras empresas". (AJ, 4 de Agosto, PortugalDiário).

"E se vierem a necessitar de apoio, de assinaturas para uma eventual petição, basta enviarem-na ou dizerem onde está que de imediato terei todo o prazer, embora triste, de assinar. Comigo assinarão mais pessoas e podem crer que em pouco tempo conseguirão as necessárias para que seja movida uma sindicância e sejam apuradas as verdadeiras "verdades" que levaram a esta situação tão desagradável e falha de sentido humano e social. Por favor não esmoreçam a vossa luta e contem connosco, vossos leitores". (Contador de Histórias, 4 de Agosto, PortugalDiário).

Carlos Abreu Amorim (Partido da Nova Democracia) não visitou a redacção demitida em bloco, mas aludiu ao assunto num artigo de opinião publicado no jornal «Correio da Manhã» de 4 de Agosto: “Primeiro foi o Salgueiros que veio por aí abaixo. Depois fechou um jornal centenário, «O Comércio do Porto». Agora, o Boavista ficou praticamente com os dois pés no abismo. Quase ao mesmo tempo, encerrou – dizem que apenas provisoriamente mas eu não acredito – uma das publicações mais antigas do Norte: «O Primeiro de Janeiro». Em poucos anos, a região do Porto perdeu quatro dos seus símbolos mais representativos – se fosse preciso encontrar sinais de uma decadência consumada, estes factos chegavam e sobravam para tirar as dúvidas aos que ainda estão em estado de negação em relação ao facto do Porto estar desfalecido. Talvez esteja aqui a explicação para que esta região tenha de acarinhar o mais possível as insígnias que ainda lhe restam”.

"É vergonhosa a forma verdadeiramente indigna com que estes 32 jornalistas estão a ser tratados. Um despedimento ilegal que a Administração desse Jornal tenta mascarar de "renovação de imagem", misturado com salários em atraso e atropelos aos seus direitos básicos. A esses e a outros jornalistas na mesma situação,só me resta desejar-lhes muita sorte e...FORÇA". (Maria, 5 de Agosto, Correio da Manhã).

O que se está a passar com «O Primeiro de Janeiro» é absolutamente inqualificável. Se não representasse uma tragédia para todos aqueles que nos últimos anos deram o seu melhor enquanto jornalistas para que o jornal estivesse nas bancas quotidianamente, mesmo mal pagos ou sequer pagos a tempo e horas, seria a maior anedota do ano no âmbito da comunicação social portuguesa. Afinal para que serve a ERC? Neste momento difícil para os citados jornalistas – alguns conheço pessoalmente, outros não –, não posso deixar de lhes manifestar toda a minha solidariedade pessoal e institucional e condenar, de forma veemente, todos aqueles que em nome do “sacrossanto” mercado são capazes de proceder verdadeiros capo-mercenários. Perante este comportamento indecente por parte da "administração" de «O Primeiro de Janeiro», não há outra atitude senão que os leitores do PJ deixem de o ser e que aqueles que lá compram espaço publicitário deixem de o fazer". (Mário Nuno Neves, vereador da Câmara da Maia, no blog Intervenção Maia).

"Dois anos e meio de prisão (pena suspensa de 1 ano, fraudes... Realmente, o currículo deste "senhor" fala por si. Pena é que profissionais da comunicação social tenham de trabalhar para pessoas como esta e estejam sujeitas a atropelos sucessivos aos seus direitos". (Maria, 6 de Agosto, Correio da Manhã).

O escândalo do jornal «O Primeiro de Janeiro» é o mais recente exemplo, mas outros houve e outros haverá. Sendo escolhidos à e por medida, os jornais têm de obedecer às regras da oferta e da procura. Mais do que informar, mais do que formar, têm de vender. Vender, vender sempre mais. E quem sabe o que fazer para melhor vender não são, na maioria dos casos, os jornalistas. Os jornalistas são os montadores que, de acordo com o mercado, alinham as peças de um crime, de um comício, de um atentado ou de um buraco na rua”. Orlando Castro, jornalista do «Jornal de Notícias», 7 de Agosto, no blog Alto Hama. Caríssimo, o meu agradecimento, com um beijinho.

Desafiado pelo Mente Despenteada a tomar posição sobre o assunto, tendo em conta que a então directora do «Janeiro» é membro do Clube dos Pensadores, o seu fundador, Joaquim Jorge, iniciou um debate no blog, e foram muitas as opiniões e as declarações de apoio colhidas. A todos agradecemos.

O jornal «Avante!», órgão interno do PCP, manifestou “completa solidariedade com os profissionais que abnegadamente fazem de «O Primeiro de Janeiro» uma referência do jornalismo plural no nosso país, colocando nas bancas quotidianamente o mais antigo título diário nacional”. A eles também, obrigada!

No dia 7 deste mês, a governadora civil do Porto recebeu uma delegação do «Janeiro» e prometeu empenho na averiguação, dentro das suas competências, da situação.

No mesmo dia, o reputado advogado de Coimbra Castanheira Barros enviou ao grupo de mais de 30 profissionais uma mensagem de apoio: “Tenho acompanhado com indignação o que vos estão a fazer no jornal «O Primeiro de Janeiro». Não lhe tinha manifestado ainda a minha solidariedade devido à vida brutalmente agitada que continuo a ter, mesmo em férias judiciais (…). Receba um cordial abraço”.

Na edição de 8 de Agosto do «Jornal de Negócios», Baptista Bastos dedicou toda uma página à situação do «Janeiro», afirmando estar, ele também, nas fotografias que os media iam publicando do nosso grupo à porta da redacção. E em resposta a uma mensagem que lhe enviei disse apenas que está do nosso lado, incondicionalmente, e que devemos contar sempre com ele, para tudo o que possamos precisar. Mensagens assim emocionam. Homens assim empurram o mundo para o futuro. Obrigada, caríssimo BB!

O «Diário do Alentejo» do passado dia 8 dedicou um extenso editorial ao caso «Janeiro»: “A intenção de despedir, de uma assentada, 32 jornalistas do "Primeiro de Janeiro" por parte da Folio – Comunicação Global, Lda, a empresa proprietária do jornal é, para além de uma situação dramática para os camaradas do periódico centenário portuense, um sintomático sinal dos tempos. Constitui, desde logo, um triste sintoma da apatia que reina entre os profissionais da classe, cada vez mais submissos aos mandos e desmandos dos donos de jornais e de outros órgãos de informação. Os proprietários sabem-no muitíssimo bem e não têm pudor em tomarem medidas desta natureza. Fazem-no, em primeiro lugar, porque, não obstante poderem cometer ilegalidades – e no caso do "Primeiro de Janeiro" há fortes suspeitas de que assim seja –, o "ambiente" laboral lhes é cada vez mais favorável. Os ataques aos direitos de quem trabalha são constantes, criando um clima de grande auto-confiança nos patrões sem escrúpulos (…)”.

No mesmo dia, a deputada do PS Isabel Santos reuniu-se com os profissionais do «Janeiro», a quem expressou, em nome do PS/Porto, toda a solidariedade. Renato Sampaio, líder da distrital, haveria de reiterar o apoio expresso pela parlamentar, e no dia seguinte era Fernando Jesus quem me ligava, dando conta da intenção de enviar um comunicado. Assim o fez, defendendo o grupo ilegalmente demitido e instando as autoridades a agir na sua defesa. Obrigada a todos!

Comentário publicado no Esgravatar, do camarada Filinto Melo: “Que o PJ foi uma grande instituição, todos concordamos! Agora convenhamos que já o não é, e este upgrade vergonhoso que sofreu, com todo o respeito, fere a credível instituição a que se refere de Morte. Olhe, deixe que lhe diga que vitimas anónimas pela gestão maliciosa do Eduardo Costa há infelizmente muitas (…). O jornal que tenho visto nas bancas tem a ver com tudo menos com um título respeitável. Os valores que fizeram deste título uma instituição nunca se encontraram nem foram minimamente visíveis na gestão do Eduardo Costa, que desde que tomou conta do jornal o utilizou em benefício próprio, sem dó nem piedade, abusando de tudo e de todos, e não cultivando os valores a que tanto se refere nas suas crónicas semanais por essa imprensa regional fora. (…) Digo-lhe peremptoriamente que empresários destes não interessam a ninguém, nem dignificam nenhum projecto em que se envolvam, simplesmente porque está na massa do sangue roubar com quem eles colabora, todos os dias, esperando pouco mais do que a subsistência diária. A VERGONHA é desviar e utilizar recursos que deveriam ser para engrandecer e tornar mais competitiva a actividade das empresas, e existir meia dúzia de espertalhões que lesam e roubam o futuro de gerações inteiras (…)”.

Como jornalista que sou, pese embora estar hoje a exercer outras funções, acompanho naturalmente com preocupação a situação no Primeiro de Janeiro, um título emblemático da imprensa portuguesa. Aparentemente, trata-se de mais um caso revelador da crescente precariedade em que se encontram os profissionais da media, em termos de emprego e estatuto. A permanente evolução tecnológica e os legítimos objectivos da gestão privada dos órgãos de comunicação social têm imposto aos jornalistas, nos últimos anos, um enorme esforço de adaptação o que eles têm, com sacrifício, consentido. Mas há um limite para tudo. E ele passa, certamente, pelo respeito da dignidade de quem trabalha, como aliás as leis consagram. De há muito que defendo que sem um reforço do estatuto do jornalista, a par de medidas de auto-regulação que garantam a observância dos critérios básicos de rigor, qualidade e comportamento ético por parte dos profissionais, a liberdade do exercício da profissão tenderá a ficar cada vez mais condicionada. Nesse sentido, gostaria naturalmente que este caso fosse resolvido de forma consensual e desse ensejo a um debate na sociedade portuguesa sobre a profissão de jornalista, seus objectivos e condicionantes. Um jornalismo independente, vibrante e equilibrado do interesse geral é até condição do próprio desenvolvimento. Mas isso pressupõe a existência de direitos e o seu respeito por todos. Espero sinceramente que ainda seja possível, pelo diálogo entre as partes, chegar a uma solução para o problema”. (Carlos Fino, numa mensagem que enviou aos jornalistas despedidos, e que foi olimpicamente ignorada pelos meios de Comunicação Social para os quais fizemos seguir esta mensagem).

Artur Bacelar, director do jornal «Maia Hoje», dedicou este imenso editorial ao tema, que obviamente agradecemos.

"Que se apure as ilegalidades deste assunto, porque ao que parece não é a primeira vez que estes "patrões" tomam este tipo de atitudes". (Louro, 11 de Agosto, PortugalDiário).

A União de Sindicatos do Porto, afecta à CGTP, enviou aos jornalistas despedidos um comunicado em que repudiou a acção do “empresário-modelo” que detém a propriedade do «Janeiro», e recordou os sucessivos ataques aos direitos de cada vez mais trabalhadores portugueses.

"Prezada Carla Teixeira, (...) Possivelmente já conversamos, antes de ter acontecido ao jornal esta fantochada provocada por alguém que deveria ser bem investigado pela Polícia Judiciária e não devia poder estar na posição que ocupa. Todos sabem ser preferível fechar os olhos a determinadas situações do que enfrentá-las. Quem paga por isso? Todos nós. Uns, porque perderam o seu ganha-pão honesto, outros porque perderam prazeres de boa leitura jornalística, boas reportagens, e a cidade do Porto fica, de repente, muito mais pobre. Quando as pessoas, dirigentes, preferem alhear-se dos assuntos realmente importantes, aqueles que tocam de perto a dignidade e direitos humanos, de certeza que algo corre mal e mostra tendências para piorar. Espero, muito sinceramente, que tudo se resolva a contento, que retomem os lugares que lhes pertencem por direito próprio, considerando pertinente o velho ditado português: "Quem comeu a carne que roa os ossos", mas dando-lhe outro sentido: Quem sempre se limitou a rapar os ossos, deve ter direito a comer um bocado de carne limpa! Felicidades e contem connosco para tudo quanto for necessário. Basta contactar". (Serafim, na caixa de comentários do PortugalDiário).

Carlos, um leitor anónimo do nosso jornal, enviou-me uma mensagem: disse sentir-se desiludido pelo rumo que as coisas levaram, quando 35 pessoas do «PJ» e duas do «Norte Desportivo» foram alvo de um despedimento ilegal, sem direito a ter direitos, e diz que deixou de ser leitor do «Janeiro». Na sequência do que viu nas televisões, ouviu na rádio e leu nos jornais ao longo dos últimos dias, e depois de ter tomado contacto com o pasquim que usurpou o nome do nosso centenário, considera que ler o novo folheto dirigido pelo senhor que recusa assistir aos Jogos Olímpicos “perdeu todo o interesse”, já que ali são publicados “apenas artigos oriundos de determinados pasquins, o que demonstra ter caído muito baixo”. Eu concordo. Mas a mensagem não acaba aqui! O Carlos, que é uma pessoa solidária – ou não fosse ele presidente de uma associação de solidariedade social (não vou dizer qual, para não causar problemas ao leitor amigo), ofereceu-se para promover uma recolha de assinaturas de apoio aos trabalhadores despedidos ilegalmente. “Mantenho a certeza de que, se for necessário ajudar, poderei recolher assinaturas que ajudem a vossa luta, quer pelos vossos direitos, quer talvez pelo vosso regresso aos lugares que quiseram que perdessem. O meu número de telemóvel é o (…) e o meu endereço de e-mail é o que se encontra acima. Se puder ajudar em alguma coisa, basta dizer, e terei todo o prazer (…). Queira dispor, e coragem”. Muito obrigada, caro leitor!

A Rute voltou de férias e também recordou a sua passagem pelo «Janeiro». Está do nosso lado, e esse, já sabemos, é um apoio de peso. A amizade e a lealdade a que ela inspira, são das melhores coisas do mundo. O João, sempre de objectiva atenta, e a Natt, com o coração sempre perto da boca, também estiveram sempre do nosso lado. Obrigada.

O Super Mário, esse então, foi inexcedível. Uma lição de vida, de princípios, de carácter. O Mário devia ter uma estátua na Rua Coelho Neto, mas terá de se contentar com a nossa amizade incondicional. Pelo menos para já. Grande Mário, estás no nosso coração!

A Raquel e o Ricardo, antigos camaradas de redacção, também se insurgiram contra o que nos fez a administração do «Janeiro». Recordando os seus próprios dossiers mais problemáticos, e a forma conturbada como saíram, não calaram a voz para se dizerem do nosso lado. Obrigada também a vocês, sobretudo pelo carinho e pela amizade.

Por fim, agradeço ao presidente do Sindicato dos Oficiais de Justiça, Carlos Almeida, que num telefonema recente me deu conta de estar a acompanhar com interesse os acontecimentos disparatados de há um mês, a sua (parca) evolução, e que, na sequência disso, preferiu enviar um comunicado para o meu e-mail pessoal, certo de que eu o ajudaria a divulgar a notícia de que ali dava conta, do que encaminhá-lo para o novo pasquim. Obrigada, caríssimo! No que me for possível, estarei sempre ao dispor do SOJ.

Foi há exactamente um mês...

Os jornalistas e as fontes

Uma das coisas boas que ficam de uma década de Jornalismo diário é o contacto com as fontes. E são muitas as pessoas e entidades que um jornalista contacta e conhece ao longo de 10 anos de trabalho. Anteontem ligou-me o presidente do Sindicato dos Oficiais de Justiça, Carlos Almeida, e disse-me que sabia "mais ou menos" o que se tinha passado no «Janeiro» e que, pelo facto de há várias semanas não ler nada meu no novo pasquim, tinha assumido que eu já lá não estaria. Foi um bom pressuposto, esse de que partiu o Carlos. De facto já lá não estou. Ciente disso, o Carlos Almeida, que tinha um comunicado do SOJ para divulgar, entendeu que não queria enviá-lo aos meus colegas do novo «Janeiro». Eu, pela simpatia que me merecem os oficiais de Justiça, e uma fonte que tão boas dicas de trabalho me foi fornecendo ao longo dos últimos anos, entendi que era meu dever ajudar na divulgação desse comunicado. Assim sendo, e sem prejuízo de prontamente o reencaminhar para as entidades competentes, aqui vos deixo o comunicado do Sindicato dos Oficiais de Justiça:

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Também acho estranho!

Todas as queixas apresentadas em 2007 por pessoas deficientes a quem foi recusado ou agravado um seguro de vida – obrigatório para conseguir crédito para comprar casa – foram arquivadas, anunciou hoje a Associação Portuguesa de Deficientes. "Estranho" é a palavra usada pela Associação Portuguesa de Deficientes (APD) para tentar explicar o facto de "todas as queixas terem sido arquivadas"...
Agência Lusa

De mal a pior...

Não tenho saudades de trabalhar n’ «O Primeiro de Janeiro». Às vezes dou comigo a pensar, diante dos acontecimentos do meu quotidiano, ou de contactos das minhas antigas fontes, que “isto até dava uma reportagem interessante”, mas nessas alturas encaminho as informações para colegas no activo, e sei que as coisas serão tratadas. Na minha nova actividade profissional, tenho feito algumas descobertas e tenho tido algumas boas surpresas, e por isso as saudades do Jornalismo vão sendo atenuadas e não causam, para já, danos graves e irreversíveis à minha despenteada mente. E se vontade tivesse ainda de ver o meu nome publicado no centenário entretanto extinto, estas facilmente se dissipariam no “novo” «Janeiro». Se não me tivessem despedido, já eu tinha abandonado a redacção, como fez o meu querido colega Ricardo, antigo paginador do nosso jornal, que do alto dos seus tenros 21 anos se demitiu no dia em que soube que a sua secção passaria a ser liderada por Rui Alas Pereira. Sim, o tal pseudo-jornalista que dirigia o «Norte Desportivo» e que agora dirige o «Janeiro», o tal que quis fechar à chave a porta da redacção para não deixar entrar os inspectores do trabalho, o tal que depois lhes disse que o extintor da redacção, o único e que estava há anos fora de prazo, só servia para segurar a porta, o tal que dirige um jornal desportivo mas boicota os Jogos Olímpicos em nome da causa tibetana…
O Ricardo bateu com a porta nesse dia, e eu, se não me tivessem empurrado porta fora, com mais de 30 colegas, naquela fatídica quinta-feira, também já teria saído, orgulhosamente, pelo meu próprio pé, sem qualquer dúvida. E explico por que razão já o teria feito. Em primeiro lugar, basta olhar para as primeiras páginas do «Janeiro» desde o primeiro dia destes “novos tempos”. Quem, no seu perfeito juízo, levaria aquilo para casa ao fim do dia, para ser lido por pais e irmãos? Mas há mais! O nosso «Janeiro» tinha 40 páginas. Invariavelmente. Às quais se somavam os cadernos dos Concelhos – Porto, Gaia, Matosinhos, Maia, Vila do Conde e Entre o Douro e Vouga – e os cadernos temáticos – «Se7e», «Justiça & Cidadania» e «Das Artes das Letras» – e alguns cadernos especiais (publicidade). Ultimamente, o novo pasquim não vai além das 24 páginas, e hoje tem apenas 20. Ora, para quem já achava o antigo «Janeiro» “fininho”, para este não há palavras. Depois, há que dizer o seguinte: das 20 páginas de hoje, oito fazem parte do «Norte Desportivo» e quatro são “especiais” (um caderno sobre Nutracêutica). Pormenor de relevância: não há um único anúncio no corpo do jornal, à excepção destas quatro páginas e dos editoriais no final, que são obrigatórios para as câmaras e empresas.
A abrir as restantes oito (oito!) dedicadas ao noticiário do país e do mundo, há duas de “grande plano”, assinadas por um jornalista que não é do «Janeiro», mas do «Notícias da Manhã», e um texto assinado pelo editor do Local, Joaquim Sousa, com Lusa. By the way, as declarações constantes no texto são, na íntegra, repescadas da notícia da Lusa, e não há nada no artigo que indicie trabalho próprio do jornalista do «Janeiro» (que até é editor, e por isso devia saber que não é correcto assinar textos apenas porque se deu uma volta às frases do take da agência). O texto fala de um investigador do Instituto Superior de Engenharia do Porto que foi premiado, e é um facto que o ISEP não era muito longe, mas mesmo assim foi lá alguém colher o testemunho do cientista? No nosso tempo teria ido. De certeza. Mas no novo «PJ» ninguém levanta o rabo da cadeira. Muito menos um editor que assina textos da Lusa. Era o que faltava! No «Norte Desportivo» há textos assinados. Vários. De três colegas que conhecemos. E o Desporto é, de facto, a área de actuação deles, pelo que sabem mexer-se no meio e produzir notícias, em vez de se limitarem ao bem mais cómodo “copy e paste” dos takes da Lusa. O blog Os Limites da Vergonha atesta que “todas as palavras foram ditas”, mas eu deixo aqui mais um monte delas. Porque quem tem alma não tem calma, e este pasquim começa mesmo a dar-me nos nervos!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Isto é que não se percebe...

“Criado por decreto-lei no final de 2007, o Gabinete de Investigação de Segurança e de Acidentes Ferroviários (GISAF) ainda não tem director nomeado. A constituição do GISAF, um órgão independente dos operadores ferroviários, resulta de uma directiva comunitária transposta no final do ano passado. Mas até agora este gabinete não tem corpo técnico definido, nem sequer um número de telefone público que possa ser contactado. Da mesma forma não é conhecido qualquer relatório ou investigação deste organismo, apesar de este ano terem já ocorrido três acidentes só na Linha do Tua (…)”.

Ana Suspiro
«Diário de Notícias»

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Quem é que disse isto?

Há um tipo de consumo, como o de roupa, medicamentos ou água, que se destina a cobrir necessidades, mas há outro, o de determinados objectos decorativos, que não tem qualquer sentido nem utilidade prática”.

Não imaginam quem disse isto?

Não mesmo?

Mas será que não têm sequer uma ideia?

Pequenina…

Uma ideiazinha?

Não?

Não sabem quem disse isto?

De certeza que não?

Ok, eu digo quem foi…

‘Tão a ver a cena? Objectos decorativos sem qualquer utilidade?

Pois…

Quem disse isto foi…

ESTA SENHORA:

E quem é ela? Ela chama-se Joana Vasconcelos, e não é mais nem menos do que uma mulher que pôs largas dezenas de outras mulheres a costurar uma colcha, durante mais de meio ano, e que depois a pendurou na Ponte D. Luís, no Porto. Muito útil a colcha na ponte! Entre outras coisas, esta “artista” também produziu um sapato gigante feito de panelas e de tachos e um candeeiro feito de tampões… Cheguei a falar dela no Mente Despenteada II, na altura em que a descobri nas páginas dos jornais e de algumas revistas. Curiosamente, foi numa dessas revistas, de há umas semanas, que hoje apanhei à pressa de cima de uma mesa do escritório à hora de almoço, que encontrei esta citação, retirada de uma entrevista da senhora ao jornal espanhol «El Pais». De facto, contra os bibelots sem qualquer utilidade prática marchar, marchar. E ela sabe o que diz…

Até o Barack abana...

E o homem ainda nem foi eleito! Por outro lado, se os americanos aguentaram tantos anos George W. Bush, devem mesmo estar loucos...

Gigantes tombados

Não é raro, nas nossas vias rápidas, ver veículos pesados a circular em notório excesso de velocidade. Nos últimos tempos, também não tem sido raro ver camiões tombados nas auto-estradas e nos acessos ou saídas daqueles troços. Ainda sou do tempo em que se discutia estes excessos de velocidade, que se tentava explicar com a sobrecarga horária dos camionistas, que de tão cansados por vezes adormeciam ao volante e levavam uns quantos automóveis ligeiros de arrasto à sua frente, abalroando tudo e todos. Hoje, mais do que isso, impõe-se saber por que tombam estes gigantes do asfalto, e diligenciar no sentido de resolver de vez o assunto. Há poucos dias, e apenas no espaço de meia hora, foram dois os camiões tombados na A29 (Vila Nova de Gaia-Estarreja). Um deles caiu para a berma e causou apenas alguma demora na fluidez do trânsito. O outro, porém, atravessou-se na auto-estrada, a toda a largura da faixa de rodagem, e por longas horas bloqueou todo o trânsito no sentido Sul-Norte (passava um ligeiro, se fosse dos mais estreitinhos). Dias antes, outro camião tinha tombado na rotunda de acesso à A1 em Estarreja, que marca justamente o final da A29, e ontem outro pesado despistou-se no extremo oposto daquela via, derramando ácido clorídrico, e obrigando por isso ao encerramento da estrada por cerca de 12 horas. Às primeiras horas de hoje, segundo ouvi na rádio ainda antes das 8h30, um camião tombou na Rotunda do Rotary Internacional, no Porto.

Já vai sendo tempo de acabar com isto, não?

Foto: Adriano Miranda/Público

Ouvido no café...

"As armas não são como os bichos, que se fazem e depois se progridem. As armas só são feitas se eles quiserem"...

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Errada me confesso...

É muito difícil não errar. É complicado agir sem magoar, e é difícil pôr em marcha, sem pó na engrenagem, um qualquer mecanismo mental. Mas se errar é humano, então é fácil ser humano, porque todos erramos. O que causa verdadeira estranheza nesta que aqui se assina é que um erro – o mesmíssimo erro – ganhe dimensões diversas à luz de quem o comete e do eixo temporal em que isso acontece, mesmo que a ideia tenha sido, neste caso, apenas a de ajudar, enquanto noutros, ainda recentes, foi outra, bem diferente, a intenção de quem errou. Hoje cometi um erro. Bem, não sei se foi bem um erro ou se foi apenas uma inexactidão que feriu algumas (ok, muitas) susceptibilidades à minha volta. Parece que o tomaram como tal, sem querer sequer olhar às minhas intenções que, asseguro-vos, eram as melhores. Errei, reconheci o erro e de imediato pedi desculpa. Mas isso não bastou, e então, depois da reacção primeira, de reparo, de alerta, veio a dureza da crítica, o sarcasmo, o ataque puro e duro. Voltei a pedir perdão e, na boleia, pedi também respeito e alguma compreensão. Foi então que chegou o silêncio…

Nem de propósito...

Eu sou demais!

Quando espreito para dentro de mim é uma multidão que vejo. Uma multidão doida, em fúria, gritando. Eu grito demais. Choro demais, desespero demais, vivo e revolto-me demais. Sofro demais. Tudo o que quero é para ontem. Esperar é um verbo que desconheço, que ultrapasso na ânsia dos dias. Dou-me demais, exijo demais dos que me tomam as horas, e sinto tudo à flor da pele. Demais. Penso demais, preocupo-me demais, pergunto demais, amo demais. Ponho-me, por inteiro, em tudo o que faço, e quando me dou é sem medida, intensa e desesperadamente. Vivo demais, e há quem me sinta definhar. Sonho demais, e há quem me sinta desperta e atenta. Dou demais, e há sempre quem ouse exigir o que não dei. Quando me magoo, magoo demais. E se me magoam, dói demais. Em tempos perdoei demais, esqueci demais, sorri demais. E hoje penso que fui benevolente demais. Que houve quem não merecesse um sorriso meu e tivesse levado cabazes deles. Que houve nuvens negras que atravessei sem me sentir fraquejar, e sem largar da mão os que me seguiam, inquietos pelo avanço das ondas de um mar em turbilhão. Fui fiel demais, leal demais. E depois, em virtude dessa forma de ser e de estar, fui traída demais, enganada, defraudada demais. Hoje sou feliz (e não é demais), porque já penei demais. Já dei demais, sem pedir nada em troca. Já chorei demais, sem retorno das lágrimas largadas ao vento e na sombra. Hoje mereço ser quem sou, e tenho orgulho em mim. Terei defeitos, por certo. Demais! Mas sei que onde passo tenho amigos – e inimigos, que ser consensual é pouco estimulante – e sei que onde mexo deixo marca. Sou tudo e sou nada, sou o vento e sou a árvore que ele atira ao chão. Sou o fogo que queima e a água que apaga as chamas. Sou a liberdade, sem aguilhões que me prendam, sem mordaças que me silenciem. Mas sou também o silêncio, a solidão e o pensamento. Sou mente despenteada. Demais…

domingo, 24 de agosto de 2008

A palavra é de prata, o silêncio de ouro...

O presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e ex-líder do PSD, Luís Filipe Menezes, escreveu há dias um longo artigo de opinião publicado no «Jornal de Notícias» em que criticou duramente a sua sucessora na presidência do partido, Manuela Ferreira Leite, por não abrir a boca para comentar diversos acontecimentos problemáticos da vida política e social do nosso país. Sem dar cavaco à picadela do autarca (detesto dizer isto, mas o homem tinha a sua razão, e a tia Nelinha não tem ar de quem vai durar muito no trono social-democrata…), Ferreira Leite manteve o seu silêncio, e resolveu depois quebrá-lo para criticar José Sócrates, imagine-se, por estar em silêncio diante de tudo o que tem acontecido em Portugal, e que tem o aumento da criminalidade à cabeça. No meio disto tudo, o Mente Despenteada – que nunca foi de silêncios – pergunta: por que é que eles perdem tempo com estas coisas?!

Premonição...

Se os meus despenteados amigos clicarem aqui, vão ter acesso imediato a uma mini-entrevista a Nassalete Miranda, directora do jornal «O Primeiro de Janeiro» até à data da sua extinção e usurpação por uma mini-equipa de jornalistas de Desporto liderados por um “empresário-modelo” do QREN e por um pseudo-jornalista, no passado dia 1 de Agosto. A referida entrevista foi realizada em Novembro do ano passado, no final dos trabalhos da primeira mesa das Jornadas «Pensar a Comunicação», que tiveram lugar na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Da curta conversa da então directora do «Janeiro» com Joana Vieira, uma aprendiz do mister de informar que colaborava no jornal académico e mais tarde acabaria por estagiar na nossa redacção (com grande empenho e mérito reconhecido por grande parte dos que com ela tiveram oportunidade de privar, e eu, felizmente, pude), retenho algumas das ideias defendidas pela Nassalete: "O Jornalismo é uma profissão de grande exigência", "os jornais são empresas que têm de ter resultados ao fim do mês e ao fim do ano, para se manter os postos de trabalho" e "tudo tem um passado". Seria uma premonição?

Gastronomia fora de horas

Não é comum, mas desta vez, em vez de rumar a Coimbra, como há largos meses vem sendo hábito nos meus fins-de-semana, fiquei pelo Porto. E aproveitando essa circunstância, sabendo que estava a funcionar, desde o passado dia 18, a VIII Feira de Gastronomia de Vila do Conde, a dois passos daqui, pensei: “E se fosse lá almoçar?”. Fiz-me ao caminho, mas ao chegar lá tive uma surpresa. Eram exactamente 14 horas, e não me deixaram entrar. Disse-me um rapaz de cabelo amarelo encaracolado que segurava a porta – uma grade de obras – que a feira fechava das 14 às 15 horas. Foi aí que pensei que me tinha enganado, e fui consultar o letreiro afixado, que confirmava a minha crença: era, de facto, a Feira de Gastronomia, mas estava encerrada à hora de almoço. Lá dentro, no entanto, havia centenas de pessoas a almoçar tranquilamente. E por que razão? Porque tinham entrado antes das 14 horas, momento a partir do qual passava a ser proibido entrar.
A Câmara de Vila do Conde anuncia o certame, a decorrer nos jardins da Avenida Júlio Graça entre os dias 18 e 27 deste mês, como “uma oportunidade a não perder para saborear o melhor da cozinha tradicional portuguesa”. Uma oportunidade que eu, infelizmente ou não, perdi. Porque me recuso a voltar lá, e porque me recusei a aguardar uma hora para poder entrar e almoçar naquele espaço. Mas a história não acaba aqui, e foi pior a emenda do que o soneto: impedida de entrar na feira, fui a uma esplanada ali perto, onde fui prontamente atendida para o almoço, mas depois esperei mais de meia hora pela sobremesa e pelo café, de que acabei por desistir, e pela conta, que optei por pagar ao balcão. Pelo meio, acenei umas quantas vezes ao empregado, que me fez sinal de que viria em seguida, mas que continuou, impávido e sereno, encostado ao balcão, a fazer contas ou simplesmente a olhar para um horizonte qualquer que mais ninguém via. Meia hora nisto! Findo esse tempo, fui pagar ao balcão e pedi para ir à casa de banho. Um cubículo onde mal cabia uma pessoa, que não tinha papel e onde o autoclismo não funcionava. A limpeza também não era o forte daquele espaço. Despenteados amigos, queiram perdoar este meu desabafo, e entendam a minha revolta interior. Nem sou gaja de feiras e certames gastronómicos, mas em Vila do Conde, é certo, não me apanham mais. E tenho dito.

Itália elege «Miss Freira»...

Um padre católico italiano lançou um concurso na internet para eleger a freira mais bonita de Itália, com o intuito de acabar com os preconceitos que tornam as freiras menos atraentes. «Miss Freira» é o nome do concurso de beleza idealizado pelo teólogo Antonio Rungi. As religiosas que queiram participar não têm de desfilar numa passerelle, bastando enviar uma fotografia que será depois publicada num site. Neste certame só poderão participar freiras com idades compreendidas entre os 18 e os 40 anos, com "fotos bonitas e expressivas, que mostrem a beleza tanto no plano estético como no plano espiritual", segundo o sacerdote. Depois de publicadas as fotos, a escolha da vencedora ficará a cargo dos internautas. "A imagem que se tem hoje das freiras é a de mulheres tristes, desiludidas com a vida e não realizadas", explicou o sacerdote, que aspira realizar um verdadeiro concurso de beleza para freiras, no qual os prémios revertam a favor de iniciativas humanitárias (Agência Lusa).

A verdade é que a religião não se afigura como o palco mais adequado para mulheres bonitas. E se pensarmos que as freiras usam véu porque alguém pensou que deveriam esconder o cabelo, por este ser um elemento potencialmente sedutor, entendemos a razão por que lhes será ainda mais difícil – a não ser que sejam realmente dotadas de uma beleza excepcionalmente estonteante – fazer notar todo o seu vigor. Mas não deixa de ser curioso que tenha sido um padre a lembrar-se disto…

sábado, 23 de agosto de 2008

Pauliteiros no Algarve

O Grupo de Pauliteiros de Vila Nova de Anços, instituição que conta já 73 anos de vida no concelho de Soure, distrito de Coimbra, participa, a partir das 22 horas de hoje, no Festival Internacional de Folclore de Santa Catarina, iniciativa que se integra no calendário de um fim-de-semana que recheia a cidade algarvia de danças e cantares, já que, a par deste festival, agendado para o lugar de Fonte do Bispo, decorrerá também, e em simultâneo, o XXXI Festival Internacional de Folclore da Luz de Tavira, que contará com a participação de outros grupos tradicionais, no Largo da República.

No passado dia 15, os Pauliteiros de Vila Nova de Anços completaram 73 anos sobre a data da sua formação. São, por isso, um dos grupos de folclore mais antigos do nosso país, e mantiveram desde sempre a chama da regularidade. Conhecidos e prestigiados aquém e além fronteiras, tais são as solicitações para actuar nos mais diversos pontos do país e até lá fora, os Pauliteiros de Vila Nova de Anços têm dificuldade em escapar à comparação com os de Miranda do Douro – a maioria dos portugueses desconhece até a existência de outros grupos de pauliteiros, de outras proveniências –, mas frisam que têm características muito próprias. Desde logo o traje, mais sóbrio e menos garrido do que o do grupo transmontano. Também os paus com que se apresentam em palco nos espectáculos, mais curtos do que os utilizados pelos dançarinos mirandeses (medem apenas 60 centímetros de comprimento e cerca de três de diâmetro), são pintados de branco, com listas vermelhas, e nas extremidades têm o azul e o amarelo (as cores da freguesia), enquanto no topo ostentam duas fitas em cruz, com as cores de Portugal.

Foto: Mente Despenteada

Do silêncio ao disparate pegado!

Alguém disse que é subtil a diferença entre pescar e ficar horas à beira de um rio a fazer figura de idiota. Do mesmo modo, é também muito curta a distância que vai do estar calado ao dizer asneiras. Depois de terem vindo a público várias ao silêncio da presidente do PSD sobre alguns dos problemas do país (e que diria ela de novo?), a comissão permanente do partido laranja apressou-se a emitir um comunicado em que toma (a mais disparatada) posição relativamente ao aumento da criminalidade no país, exigindo a demissão do ministro da Administração Interna, como se tivesse sido ele a cometer os assaltos. “O PSD recusa pactuar com a tentativa enganosa do primeiro-ministro em transmitir aos portugueses uma ideia de normalidade em matéria de segurança, e exige a substituição do ministro da Administração Interna, bem como o esclarecimento das medidas que serão postas em prática, de forma a ultrapassar o aumento da criminalidade violenta”, lia-se no comunicado. Atrevo-me a inquirir os social-democratas também sobre o seguinte: por termos em Portugal muitos pobres e mandriões a viver à custa do Rendimento social de Inserção, mas que nunca se inserem, devemos demitir o ministro da Segurança Social? Por termos igualmente muitos desempregados devemos demitir o ministro do Trabalho? E por termos doentes, devemos demitir a ministra da Saúde? E por termos este governo, devemos demitir-nos todos, PSD incluído, por termos votado no PS? Não deve o PSD demitir-se também, e começar de novo, depois de há anos vir deixando cair os números dos seus resultados eleitorais para marcas nunca antes vistas? Bem sei que há na Oposição, e por isso se chama assim, a vontade exasperada de opor. Mas há limites para tudo. Até para aquela estupidez fundamentalista que grassa entre os políticos deste país.

A resposta dos touros

Não sei o que era, onde era, e não quero saber. Repugna-me esse tipo de espectáculos, e a única explicação para ter visto aquelas imagens foi o facto de passar, em má hora, por uma televisão que não era minha e sobre a qual não tinha qualquer controlo. Falo da tourada em que um ou vários animais, depois de picados, ensanguentados e violentados nos seus direitos por um grupo de homens que ganham a vida com essa barbárie – e acham graça, e acham que isso é cultura e história de um povo –, passaram, eles próprios, ao ataque, e derrubaram tudo e todos os que ousaram fazer-lhes frente. Regozijei. Tenho consciência de que nada de muito relevante acontecerá a esses senhores, ditos forcados. Talvez uns arranhões, umas cornadas em sítios incómodos, e os 15 minutos de fama a que todos parecemos ter de facto direito nos dias de hoje, quase sempre por razões muito discutíveis. Hoje, logo pela manhã, dou de caras com uma pseudo-notícia em que o deputado europeu e antigo presidente do CDS José Ribeiro e Castro manifesta o seu repúdio pela decisão judicial que proibiu a transmissão, em directo na RTP, da 44.ª Corrida RTP, que se realiza às 17 horas de amanhã em Santarém.
Diz ele que “a imposição judicial de restringir a transmissão de touradas na RTP é um sinal lamentável de activismo judiciário, uma decisão irresponsável que insulta gratuitamente todo o mundo taurino e que ofende uma componente importante da cultura portuguesa e de outros povos”. A minha modesta opinião, que não passa disso mesmo e vale o que vale, a tourada é um acto de selvajaria, esse sim gratuito, em que um punhado de homens desfere golpes brutais em animais que nada lhes fizeram, e faz espectáculo das suas inglórias tentativas de defesa. O que aqueles touros fizeram ontem era o que deviam fazer os touros todos, todos os dias, quando são submetidos a tais atrocidades. Lamentavelmente, sabemos que apenas os touros sofrerão as consequências do que aconteceu, e serão abatidos por terem sido "maus". A violência de imagens como as de ontem – e que me recuso reproduzir aqui –, a acontecer, devia ter sujeitos e complementos invertidos, partindo dos touros para os que os maltratam. Cornos pelo corpo dentro e sangue derramado, nunca o dos animais, que nada fizeram para participar num espectáculo deplorável que, liminarmente, recuso associar aos conceitos de cultura e de História de Portugal. Porque se assim fosse, efectivamente, teria vergonha de ser portuguesa!

Digam o que disserem...



Eu gosto dele, e pronto!

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Porque a fotografia é o momento...

O croata Zoran Primorac, captado pela objectiva de um dos muitos milhares de fotógrafos que asseguram a cobertura jornalística dos Jogos Olímpicos de Pequim, na China, num momento dos quartos-de-final de ping-pong.
Foto: Dennis M. Sabangan (EPA/Lusa)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Voltar ao que já foi...

Lembro-me, como se fosse hoje, do dia 27 de Janeiro deste ano. Ao início da tarde, e na sequência de queixas de taquicardia, dificuldade em respirar, cansado extremo ao mínimo movimento e pressão arterial anormalmente elevada, que já tinham motivado um episódio de urgência no Hospital de São João, no Porto – onde, como então relatei no Mente Despenteada II, me foi diagnosticada uma taquicardia sinusal resultante de um vulgar caso de ansiedade, e me mandaram embora com uma receita de Valium –, dei entrada de urgência nos Hospitais da Universidade de Coimbra. Entrei pelo meu próprio pé, é um facto, mas mergulhada num pranto que parecia o Douro, e amparada no abraço do homem que, como a pescada que antes de o ser já o era, carregava com ele a minha vida. Cada passo da longuíssima caminhada – uns 100 metros, talvez – era pensado como o último, antes do suspiro desmaiado que haveria de tomar-me conta do peito. Nesse dia, senti que ia morrer. Duas vezes. E ia. De acordo com os médicos, o estado em que me encontrava, e de que eles se aperceberam depois de sete horas de exames e de um desmaio, era de tal forma grave que aquele seria provavelmente, se ali não me tivesse deslocado, o meu último dia de vida.
Subitamente, vi-me deitada numa maca que não senti aproximar-se, e sem saber como tinha ido ali parar, vislumbrei umas cinco ou seis batas brancas, que inclinavam sobre mim outros tantos rostos interrogativos. Foi nessa altura que, como se viesse do tubo de oxigénio que tinha enfiado no nariz, ou dos cabos eléctricos que pendiam de várias máquinas à minha volta e se colavam a mim com adesivos e agulhas, que o medo veio de novo para junto de mim. As perguntas eram tantas, e as respostas escassas! Sei que a noite se dividiu em suores, lágrimas, sangue e fome, vómitos e solidão, atormentada pelo filme da minha vida que insistia em ocupar a tela dos meus olhos, todas as janelas da mente. Mas não foi desta que a morte me venceu, e hoje, meio ano depois de todo o sofrimento, voltei aos HUC, para a primeira consulta de acompanhamento. Primeira de muitas, pois há que conhecer as sequelas da tromboembolia pulmonar que fez de mim a doente mais jovem de sempre da UCIC daquela unidade hospitalar, e saber de que modo hei-de lidar com elas, para que apenas minimamente afectem a minha vida.
É assim que, a partir de hoje, além da Consulta de Hipocoagulação e das análises de controlo da dosagem da medicação, num laboratório privado do Porto, passo também a contar com páginas da minha agenda para as consultas de Hipertensão Pulmonar e para as baterias de análises e exames, mais ou menos invasivos, que me prometeram, nos Hospitais da Universidade de Coimbra. Foi por isso que hoje voltei ao hospital. Ver de novo os corredores por onde saí, ainda de pantufas calçadas – pois à entrada nos HUC, deitada, sedada e a soro, nada vi senão as tonturas de quem percorreu metros e metros numa cama arrastada por gente de batas brancas que falava de mim como se eu lá não estivesse (e estaria?) –, foi uma experiência nova, simultaneamente aterradora e gratificante. Afinal, a morte passou por mim e perdeu o combate. Vai ela, fico eu, para mais umas décadas. E isso é o que sobre da tarde de hoje. O sentimento de que venci a mais dura das minhas batalhas. A todos os que me apoiaram, devo um sincero agradecimento. Aos que continuam desse lado, mesmo quando este espaço se despenteia ainda mais e começa a cair para o egocentrismo, obrigada também! Até já…

Moral e dignidade, os meios e os fins


Aconselho vivamente a leitura da edição desta semana da revista «Visão», particularmente nas páginas 32 e seguintes. Garanto que são 2,80 euros bem gastos! Num artigo de seis páginas, o jornalista Miguel Carvalho explana de forma intensiva - e divertida - o carácter e as habilidades deste senhor, o "empresário-modelo" do QREN. Vale a pena ler também o que diz dele Monteiro de Freitas, o fundador do PPD que se identifica como "um pai adoptivo" de Eduardo Costa, sobre quem tece o seguinte comentário: "Tentei ensinar-lhe valores morais e dignificantes, mas ele não olha a meios para atingir os fins. Anda sempre com o nariz espetado como um perdigueiro, a ver onde pode ir buscar poder e dinheiro". E se o homem que diz tê-lo visto como um filho fala dele assim...