sábado, 9 de agosto de 2008

O que se passa no «Janeiro»?

O que se passa no “Janeiro”? Quem fala verdade? Estas e outras perguntas são parte de um lote de interrogações que os jornalistas “despedidos” do jornal “O Primeiro de Janeiro” e o público em geral gostariam de ver respondidas. A informação ainda é um pouco confusa, com muitas contradições. Para já envolve entidade patronal, chefias, jornalistas, sindicato, inspecção do trabalho, já chegou ao ministério e à ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social). Certas são poucas as coisas, entre as quais, que o diário Portuense está de volta às bancas. Eduardo Oliveira Costa, actual proprietário, mantém a Carteira Profissional de Jornalista activa o que tem causado algum mal-estar entre a classe.
Foi com editorial intitulado “até para a semana” que a “bomba” estoirou no meio jornalístico português. Depois do Comércio do Porto, rumores davam conta do encerramento do centenário diário Portuense “O Primeiro de Janeiro” (PJ), mas o “até para a semana” do editorial de sexta-feira passada concretizou-se, não sob a direcção da autora Nassalete Miranda, ex-directora, mas pela mão do jornalista Rui Alas Pereira, que anteriormente assumia as mesmas funções no Norte Desportivo, publicação do mesmo grupo. Nessa mesma sexta-feira, os trabalhadores tomavam conhecimento verbal de uma eventual extinção de posto de trabalho, alargada a toda a redacção com mais de 30 jornalistas. Eventualmente sem jornalistas na redacção, ouvia-se “O Janeiro vai fechar”, mas o editorial de Nassalete Miranda prometendo um “até para a semana” e a conversa que terá tido com os jornalistas, indicavam uma paragem no mês de Agosto para um aparecimento em Setembro, com novo grafismo e novas “armas”.
A “extinção do posto de trabalho”, comunicava aos jornalistas a directora, «presumia o não pagamento dos direitos, uma vez que a Sedico, eventual proprietária, estava em situação de insolvência», dizem. Durante todo o fim-de-semana, temendo o pior, ou uma acusação de abandono dos postos de trabalho, os jornalistas concentravam-se à porta da redacção que, segundo dizem, tinha os computadores bloqueados e telefones desligados. Na segunda-feira de manhã, lá estava o “Janeiro” de novo nas bancas, com reestruturação gráfica e novos nomes, quer na direcção, quer na redacção, 40 paginas, das quais 8 publicitárias. Para o novo director vão «erguer um novo Porto de abrigo, sem nunca esquecer o que de importante vai fazendo história no resto do País. Desta enorme vontade, dos muitos milhares de leitores e amigos, e deste rumo prometemos não desviar atenções e concentrar esforços no sentido de preservarmos, com orgulho e estoicismo, a nossa história e a nossa cultura, que se (con)funde com o progresso da cidade Invicta e de toda a região Norte», escreveu em editorial.
Nos dias seguintes e até à altura em que fechamos esta edição, o jornal estabilizou nas 32 páginas e nos 30.000 exemplares prometidos, que revela um aumento de 50% face à habitual anterior tiragem. Na última edição de Julho, a propriedade pertencia à empresa “Fólio - Comunicação Global Lda” que tinha como accionistas, com mais de 10% de capital, o empresário Eduardo de Oliveira Costa e a empresa líder do grupo de que é presidente intitulada “A folha Cultural, CRL”. Segundo nos contaram alguns jornalistas algo de errado se passa, pois quem pagava os salários era uma empresa de nome “Sedico – Serviços de Edição e Comunicação SA” e nenhuma outra das empresas ou pessoas mencionadas. Durante a semana, começaram a ser recebidas na residência de quase todos os jornalistas a “temida” carta de despedimento.
Para Paulo Almeida, jornalista bem conhecido dos maiatos pela sua participação no caderno “Maia”, agora representante dos jornalistas «a situação está a ser analisada, mas não nos parece que haja extinção de postos de trabalho, mas sim um claro despedimento colectivo», disse, acrescentando que tem recebido muitas mensagens de apoio de todo o lado e que contam com a colaboração dos serviços jurídicos do Sindicato dos Jornalistas». Outros jornalistas chamaram à atenção que, no site de “A Folha Cultural” (o grupo que integra o “Janeiro”) onde se lê que «O grupo é proprietário deste título de referência da Imprensa portuguesa que se publica todos os dias desde 1868. Ainda hoje é o Diário de Maior Assinatura, e tem na sua cultura e das suas bases editorais de privilégio. O suplemento Das Artes e Das Letras é outra referência declarado interesse cultural pelo Ministério da Cultura.
O centenário matutino é dirigido pela veterana jornalista Nassalette Miranda com uma equipa de 10 editores, 36 jornalistas profissionais, 8 colaboradores permanentes que garantem uma qualidade e rigor jornalístico que orgulha os pergaminhos de “O Primeiro de Janeiro”. A edição on-line de “O Primeiro de Janeiro”, actualizada diariamente à meia-noite, construída numa base que permite acesso ao arquivo de consulta rápida e fácil, tem sido um sucesso no número de visitas, estudo mais ou menos de forma regular no motor de busca SAPO», bem como uma mensagem do presidente, Eduardo de Oliveira Costa, que declara «A nossa imagem pessoal de sucesso, devemo-la aos nossos bons profissionais. O futuro aguarda-vos. Bem hajam», levando os jornalistas a questionar «onde estão actualmente os 10 editores, 36 jornalistas profissionais, 8 colaboradores permanentes que garantem uma qualidade e rigor jornalístico e que dizer da mensagem do presidente que afirma que a imagem de sucesso devem-na aos bons profissionais», questionaram.
O Sindicato dos jornalistas em comunicado sobre a nova edição refere que «esta atitude é reveladora da falta de valores que norteiam a “Folio – Comunicação Global, Lda” e deve ser um alerta para os profissionais que estão a ser instrumentalizados para substituir os trabalhadores que a empresa pretende despedir ilicitamente», alertando para uma intervenção da “Autoridade para as Condições de Trabalho”. Outra situação que está a causar algum mal-estar entre a classe jornalística é que alegadamente Eduardo Oliveira Costa, proprietário do jornal e do grupo editorial, terá renovado a sua carteira profissional de jornalista que tem o número 1738. A concretizar-se esta situação, os jornalistas defendem haver clara violação do art.º 1.º n.º 2 do Estatuto do Jornalista que diz que «Deixa de ser considerada actividade jornalística o exercício das funções jornalísticas quando desempenhadas ao serviço de publicações que visem predominantemente promover actividades, produtos, serviços ou entidades de natureza comercial ou industrial», bem como do art.º 3.º n.º 2 do Estatuto do Jornalista que refere ser «igualmente considerada actividade publicitária incompatível com o exercício do jornalismo a participação em iniciativas que visem divulgar produtos, serviços ou entidades através da notoriedade pessoal ou institucional do jornalista, quando aquelas não sejam determinadas por critérios exclusivamente editoriais».
Na passada quarta-feira o DN (Diário de Notícias), um dos muitos órgãos de comunicação social que acompanham a situação, dava conta que o Conselho Regulador da ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) reuniu-se na passada quarta-feira e que poderá ter analisado a situação do matutino portuense, sendo que o director daquela entidade «até agora não foi chamada a intervir», disse em declarações ao DN. No mesmo periódico o ministro dos Assuntos Parlamentares, que detém a pasta da Comunicação Social, Augusto Santos Silva, dizia ao jornalista do DN que estava a «acompanhar a situação com preocupação» acrescentando que «a empresa proprietária do título deve esclarecer o que se está a passar». Entretanto, segundo avançou o DN, os compromissos publicitários já contratualizados pela empresa proprietária, para o mês de Agosto, terão estado na origem do regresso de PJ às bancas três dias após o anúncio da suspensão da publicação. Suspensão que alegadamente deveria ter durado todo o mês de Agosto.
A decisão da empresa do empresário Eduardo Costa terá apanhado de surpresa os próprios responsáveis editoriais do PJ, Nassalete Miranda, e do Norte Desportivo, e actual director do PJ, Rui Alas Pereira, que, na segunda-feira, referia à RTP ter ficado a saber no sábado que «tinha este projecto (o Janeiro) nas mãos», diz o artigo do DN. Mário Nuno Neves, Vereador da Cultura da Câmara Municipal da Maia, em artigo pessoal publicado na passada segunda-feira no Blog intervenção Maia titulado “O Primeiro de Janeiro - O boicote que se impõe!” apela a que «os leitores do PJ deixem de o ser e que aqueles que lá compram espaço publicitário o deixem de fazer», escreve, acrescentando que «O que se está a passar com “O Primeiro de Janeiro” é absolutamente inqualificável. Se não representasse uma tragédia para todos aqueles que nos últimos anos deram o seu melhor enquanto jornalistas para que o jornal estivesse nas bancas quotidianamente, mesmo mal pagos ou sequer pagos a tempo e horas, seria a maior anedota do ano no âmbito da comunicação social portuguesa».
O Vereador questiona também «Afinal para que serve a ERC?», deixando uma mensagem «pessoal e institucional» de solidariedade aos jornalistas «e condenar, de forma veemente, todos aqueles que em nome do “sacrossanto” mercado são capazes de proceder verdadeiros capo-mercenários». A situação ao que tudo indica apenas irá terminar na justiça, com ambas as partes a argumentar perante as muitas contradições do processo. Aos leitores e público interessado, como em qualquer caso jurídico, resta saber quem fala verdade e quem tem razão.

Artur Bacelar
Editorial no «Maia hoje»

Uma empresa sobre rodas?

Os jornalistas de «O Primeiro de Janeiro» foram, esta sexta-feira, à procura da sede da empresa que executou o despedimento colectivo da redacção do jornal e descobriram que a morada da Sedico, empresa subsidiária do grupo Fólio, era um stand de automóveis fechado há mais de dois anos, informação confirmada pelos vizinhos. O jornalista Paulo Almeida, que integrava a delegação de trabalhadores de «O Primeiro de Janeiro» explicou ao Portugal Diário que, para além de visitarem a sede da Sedico, na Rua Caminho do Rego nº 8 em Gondomar, se deslocaram à morada que estava afixada na porta do jornal onde era suposto as pessoas dirigirem-se para esclarecer algum assunto.
Na Rua do Taralhão nº 715 também em Gondomar os jornalistas encontraram um escritório fechado há cerca de duas semanas. Os ex-trabalhadores de «O Primeiro de Janeiro» conseguiram ver o interior do espaço e constataram que os avisos de recepção das cartas de despedimento com o nome de muitos jornalistas estavam no chão do escritório. «Não havia lá ninguém e soubemos pela vizinhança que se encontra fechada há algum tempo», disse Paulo Almeida. Os jornalistas destacaram também o facto de o empresário Eduardo Costa, tal como o grupo Fólio e a sua subsidiária Sedico, terem «um historial de práticas ilegais».

Ana Isabel Silva
«Portugal Diário»

"Há um limite para tudo"

“Como jornalista que sou, pese embora estar hoje a exercer outras funções, acompanho naturalmente com preocupação a situação no Primeiro de Janeiro, um título emblemático da imprensa portuguesa. Aparentemente, trata-se de mais um caso revelador da crescente precariedade em que se encontram os profissionais da media, em termos de emprego e estatuto. A permanente evolução tecnológica e os legítimos objectivos da gestão privada dos órgãos de comunicação social têm imposto aos jornalistas, nos últimos anos, um enorme esforço de adaptação o que eles têm, com sacrifício, consentido. Mas há um limite para tudo. E ele passa, certamente, pelo respeito da dignidade de quem trabalha, como aliás as leis consagram.
De há muito que defendo que sem um reforço do estatuto do jornalista, a par de medidas de auto-regulação que garantam a observância dos critérios básicos de rigor, qualidade e comportamento ético por parte dos profissionais, a liberdade do exercício da profissão tenderá a ficar cada vez mais condicionada. Nesse sentido, gostaria naturalmente que este caso fosse resolvido de forma consensual e desse ensejo a um debate na sociedade portuguesa sobre a profissão de jornalista, seus objectivos e condicionantes. Um jornalismo independente, vibrante e equilibrado do interesse geral é até condição do próprio desenvolvimento. Mas isso pressupõe a existência de direitos e o seu respeito por todos. Espero sinceramente que ainda seja possível, pelo diálogo entre as partes, chegar a uma solução para o problema”.

Carlos Fino

"Empresários destes não interessam"

Comentário no Esgravatar: "Que o PJ foi uma grande instituição, todos concordamos! Agora convenhamos que já o não é, e este upgrade vergonhoso que sofreu, com todo o respeito, fere a credível instituição a que se refere de Morte. Olhe, deixe que lhe diga que vitimas anónimas pela gestão maliciosa do Eduardo Costa há infelizmente muitas (…). O jornal que tenho visto nas bancas tem a ver com tudo menos com um título respeitável. Os valores que fizeram deste título uma instituição nunca se encontraram nem foram minimamente visíveis na gestão do Eduardo Costa, que desde que tomou conta do jornal o utilizou em benefício próprio, sem dó nem piedade, abusando de tudo e de todos, e não cultivando os valores a que tanto se refere nas suas crónicas semanais por essa imprensa regional fora. (…) Digo-lhe peremptoriamente que empresários destes não interessam a ninguém, nem dignificam nenhum projecto em que se envolvam, simplesmente porque está na massa do sangue roubar com quem eles colabora, todos os dias, esperando pouco mais do que a subsistência diária. A VERGONHA é desviar e utilizar recursos que deveriam ser para engrandecer e tornar mais competitiva a actividade das empresas, e existir meia dúzia de espertalhões que lesam e roubam o futuro de gerações inteiras (…)".

Governo acompanha a situação

O Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social está a acompanhar de perto a situação dos 32 jornalistas de O Primeiro de Janeiro. Segundo soube o DN, o ministério está a analisar atentamente o caso e a tentar perceber não só se existe uma situação de lock out, mas também se se está perante uma situação de despedimento colectivo, tendo em conta que toda a redacção do Janeiro foi despedida, ou se se trata de uma extinção dos postos de trabalho.
O porta-voz dos jornalistas do PJ, Paulo Almeida, procura esclarecer tal situação. "Para ser um despedimento colectivo tínhamos de ter recebido um aviso com pelo menos dois meses de antecedência, o que não sucedeu", explica. Paulo Almeida relembra que os trabalhadores foram avisados no dia 31 de Julho que seriam despedidos no dia seguinte. A 1 de Agosto, último dia em que conseguiram entrar na redacção, uma secretária da administração tentou entregar-lhes "uma carta de despedimento com base na extinção do posto de trabalho". Documento que os 32 jornalistas não assinaram e que, na segunda-feira seguinte, começou a chegar a casa de cada trabalhador.
Para o Sindicato dos Jornalistas, relembra a vice-presidente Ilídia Pinto, "o despedimento é ilegal, pois a empresa deveria ter comunicado previamente a intenção de proceder ao despedimento colectivo e abrir o respectivo processo, com uma negociação arbitrada pelo Ministério do Trabalho". Assim, e no entender do SJ, os trabalhadores, além da indemnização e das remunerações ainda em atraso, "têm direito a receber o salário correspondente a todos os meses até que haja uma decisão". Para o SJ, "o posto de trabalho existe e está ocupado". Os jornalistas do PJ foram ontem recebidos pela socialista Isabel Santos, da Federação Distrital do Porto, para exporem a actual situação. Segundo explicou à comitiva, Isabel Santos, que é bisneta de um antigo revisor do Janeiro, tem vindo a acompanhar a situação e tem, ainda, estado em contacto com o secretário de Estado do Trabalho.

Hélder Robalo
«Diário de Notícias»

Vergonha na cara?

Dizia a Agência Lusa, há escassos minutos, que «O Primeiro de Janeiro» ainda não deu hoje as caras nas bancas e nos postos de leitura em que tem estado disponível desde o início do mês. "O jornal, que tem o site em actualização, atravessou recentemente grande turbulência devido ao despedimento do seu quadro redactorial, substituído pelos colaboradores que faziam o seu suplemento desportivo", acrescenta a mesma fonte. O que estará a passar-se? Será que a nova equipa-maravilha, capaz de produzir edições de 32 e 24 páginas, mas nunca as 40 a que os leitores estavam habituados, "deu de frosques" diante de mais um palavrão do "director"? Ou foi a gráfica de Eduardo Oliveira Costa que não aguentou a alegada tiragem de 30 mil exemplares diários do pasquim? Ou terá sido vergonha na cara pelos crimes cometidos? Nã... Isso não foi, de certeza!
O que se passa é que Rui Alas Pereira e companhia limitada pretendem fazer um jornal, mas em horário comercial. Abre de domingo a quinta, para estar nas bancas de segunda a sexta, como se de um escritório se tratasse. Resta saber se os jornalistas também cumprem o horário das nove às cinco, e se as notícias surgidas depois dessa hora ficam para a edição do dia seguinte...

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

E o espectáculo continua...

Para quem pensa que já viu tudo, eis os mais recentes pormenores do «Caso Janeiro»: a morada oficial da Sedico, a empresa que até há bem pouco tempo detinha/explorava o título centenário, é a morada de um stand de automóveis desactivado há cerca de dois anos, segundo testemunhou o porta-voz dos jornalistas ilegalmente despedidos, Paulo Almeida, durante a tarde de hoje. Quem quiser comprovar, é favor dirigir-se ao número 8 da Rua Caminho do Rego, em Gondomar. Mas se depois disso pensar que já viu mesmo tudo, rume também à morada que a administração indica no aviso afixado à porta das instalações da redacção de Coelho Neto, na Rua do Taralhão, número 715, também em Gondomar. Se o facto de ninguém atender o telefone (figura no mesmo aviso o número 224661200) já levantava suspeitas, a ida até lá comprovou que a referida casa está fechada há semanas, e no chão, do lado de dentro da porta de vidro, pode ver-se, espalhados pelo chão, os avisos de recepção das cartas de despedimento enviadas aos jornalistas despedidos. Quando pensamos que já vimos tudo, o empresário-modelo supera-se! Isto é demasiado podre, até para Eduardo Oliveira Costa! Que mais faltará acontecer neste processo?

"Toda a solidariedade do PS"

A deputada socialista Isabel Santos garantiu hoje, em nome da Federação Distrital Socialista do Porto, "toda a solidariedade do PS" aos trabalhadores despedidos do jornal O Primeiro de Janeiro. Isabel Santos falava à agência Lusa após ter recebido, na sede da "Distrital" socialista do Porto, uma delegação dos trabalhadores despedidos daquele jornal, que ali foram expor a situação que reputam de "ilegal", na sequência do encerramento e posterior reactivação de O Primeiro de Janeiro. "Pessoalmente, penso que esta situação configura pelo menos algumas irregularidades", afirmou aquela deputada, que referiu não estar em condições de se pronunciar sobre se aquele processo configura ou não um caso de "lock out", proibido pela Constituição.
Isabel Santos frisou que todas as estruturas governamentais com tutela sobre esta situação estão a seguir o caso e a actuar, nomeadamente a Autoridade para as Condições de Trabalho. "Trata-se de uma situação que nos preocupa e que vamos continuar a seguir com toda a atenção", afirmou Isabel Santos. A deputada considerou que "cabe agora aos trabalhadores dar os próximos passos, nomeadamente desencadeando todas as acções legais com vista a proteger os seus direitos". O jornalista Paulo Almeida, que integrava a delegação recebida na "Distrital" do PS/Porto, referiu que hoje mesmo os trabalhadores se deslocaram à sede da Sedico, empresa subsidiária do grupo Folio, do empresário Eduardo Costa, encarregada da administração do pessoal de O Primeiro de Janeiro. "Não havia lá ninguém e soubemos pela vizinhança que se encontra fechada há algum tempo", disse Paulo Almeida.
Para os jornalistas despedidos, todo este processo "constitui o culminar de uma situação escandalosa que deveria ser inadmissível num Estado de Direito". Os trabalhadores salientam que o empresário Eduardo Costa, tal como o grupo Fólio e a sua subsidiária Sedico, têm "um historial de práticas ilegais". Estas práticas vão "desde a ausência de seguros para os trabalhadores à prática de troca de facturas por salários, passando pelo não pagamento de Julho e dos subsídios de férias, bem como o pagamento de Junho apenas pelo valor do salário mínimo nacional". Consideram que o processo envolve a prática de "lock out", já comprovado pelas autoridades competentes e recordam que "Eduardo Costa foi condenado por fraude ao Estado na obtenção de subsídios, o que não impediu que bem recentemente fosse de novo contemplado com fundos do Quadro de Referência Estratégica Nacional - os fundos comunitários para 2007/2013)".
Os trabalhadores estão em luta contra os despedimentos de que foram alvo a 01 de Agosto, quando foi declarado pela administração o encerramento daquele matutino. O jornal viria a reabrir segunda-feira, com novo director, sendo a sua nova versão produzida pelos jornalistas de O Norte Desportivo, em colaboração com o Diário XXI e o Notícias da Manhã, pertencentes ao mesmo grupo empresarial. Os trabalhadores têm comparecido esta semana diariamente à porta da redacção do jornal, apresentando-se ao serviço, atitude que foram aconselhados a seguir pelo Sindicato dos Jornalistas (SJ). A empresa Fólio - Comunicação Global, Lda, proprietária de O Primeiro de Janeiro, colocou segunda-feira nas bancas uma nova edição do diário portuense, produzida pelos dez trabalhadores do Norte Desportivo, suplemento desportivo das anteriores edições do centenário jornal do Porto.

Agência Lusa

PS/Porto recebeu jornalistas do «Janeiro»

A deputada Isabel Santos do PS/Porto recebeu esta sexta-feira o grupo de ex-trabalhadores do jornal centenário «O Primeiro de Janeiro» e confirmou estar já em negociações com o Ministério do Trabalho para solucionar os despedimentos que considera «ilegais». Paulo Almeida, porta-voz da redacção de «O Primeiro de Janeiro» demitida colectivamente na passada semana, disse ao Portugal Diário que a representante da distrital PS/Porto se mostrou disponível para ajudar os jornalistas. «A deputada explicou que já esteve a falar com o Ministério do Trabalho e que estão a analisar a situação de despedimento ilegal», referiu. De acordo com o jornalista ainda não estão definidos quais serão os próximos passos. «A situação não é fácil», desabafou. O representante da redacção confirmou também que a empresa que detém o jornal «O Primeiro de Janeiro», a Fólio - Comunicação Global, Lda, foi multada pela Autoridade para as Condições do Trabalho. «A empresa foi autuada por não pagamento de salários», referiu.
PS, PCP e BE já se mostraram solidários com a situação dos jornalistas demitidos e prometeram não deixar cair no esquecimento a questão dos despedimentos ilegais que colocaram na rua 30 jornalistas portuenses. Um manifesto foi também entregue à governadora civil do Porto, Isabel Oneto, que chama a atenção para a ilegalidade do encerramento e reabertura daquele jornal. Os jornalistas demitidos continuam à espera do resultado da queixa que deu entrada no Departamento de Investigação e Acção Penal do Porto (DIAP), na qual os funcionários alegaram serem vítimas de «lock out» [i.e. os trabalhadores foram impedidos de entrar na empresa], com recurso à mudança da fechadura. Os trabalhadores continuam em luta contra os despedimentos de que foram alvo quando foi declarado pela administração o encerramento do matutino. Quatro dias depois o jornal viria a reabrir com novo director, sendo a sua nova versão produzida pelos jornalistas de O Norte Desportivo, em colaboração com o Diário XXI e o Notícias da Manhã, pertencentes ao mesmo grupo empresarial.

Ana Isabel Silva
PortugalDiário

Pagar ou não pagar, eis a questão!

Não acredito (mesmo!) que, por um só instante, o empresário-modelo corrupto que foi agraciado com verbas do QREN Eduardo Oliveira Costa tenha pensado em pagar o que deve às mais de 35 pessoas que despediu ilegalmente do jornal «O Primeiro de Janeiro». Desde logo porque o senhor tem mau feitio e mau carácter, mas sobretudo porque, se é verdade que pagando os dois meses e o subsídio de férias em dívida poderia gozar de algum silenciamento da nossa parte (uma atitude que não seria correcta, mas seria sempre possível que o dinheiro serenasse um pouco a luta), um eventual pagamento poderia servir para "financiar" novas acções de protesto e reivindicação dos bravos de Coelho Neto. O homem pensa em tudo, e é prova disso o facto de, não obstante a vida criminosa que leva há vários anos, não ter ainda sido preso. Os tribunais andam constantemente à procura dele, mas o sujeito tem boas fontes e vários apartamentos que lhe permitem fintar os funcionários judiciais que, dias a fio, se plantam à porta da sua morada oficial.

Cenas de um beijoqueiro

Já chega a dizer que é "o seu parceiro preferido", e depois, sem mais nem menos, desata a beijar o colega que já lá estava, sem perguntar nada...

O mais curioso, reparem, é que tinha todo o espaço do mundo à frente. Foi mesmo vontade de beijocar o leãozinho...
Fotos: Ana Cláudia Teixeira

Solidariedade entre colegas

O «Diário do Alentejo» dedica um editorial ao caso «Janeiro»:
A intenção de despedir, de uma assentada, 32 jornalistas do "Primeiro de Janeiro" por parte da Folio – Comunicação Global, Lda, a empresa proprietária do jornal é, para além de uma situação dramática para os camaradas do periódico centenário portuense, um sintomático sinal dos tempos. Constitui, desde logo, um triste sintoma da apatia que reina entre os profissionais da classe, cada vez mais submissos aos mandos e desmandos dos donos de jornais e de outros órgãos de informação. Os proprietários sabem-no muitíssimo bem e não têm pudor em tomarem medidas desta natureza. Fazem-no, em primeiro lugar, porque, não obstante poderem cometer ilegalidades – e no caso do "Primeiro de Janeiro" há fortes suspeitas de que assim seja –, o "ambiente" laboral lhes é cada vez mais favorável. Os ataques aos direitos de quem trabalha são constantes, criando um clima de grande auto-confiança nos patrões sem escrúpulos. Cada vez que o actual e os anteriores governos elaboram um diploma a vida dos trabalhadores fica mais difícil. Há muito que é assim, o mundo dos jornalistas não tem sido excepção. Em segundo lugar, e como consequência do primeiro, os profissionais no activo sentem os seus postos diariamente ameaçados, tornando-se presa fácil de quem os manipula e explora. Precariedade laboral, formação académica e, sobretudo, profissional pouco cuidadas, geram trabalhadores alienados, reféns da luta desenfreada por um lugarzinho ao sol. Em terceiro lugar, e mais uma vez decorrente do que atrás ficou enunciado, o rigor profissional é pouco, a ética (quase) inexistente.
O resultado é a produção de jornais, de programas de rádio, de televisão, ou de matéria informativa em qualquer outro suporte ir baixando de qualidade, passando a misturar-se entretenimento com reportagem, propaganda com notícia, negócio com informação. A deterioração da qualidade jornalística é, assim, secundarizada, desde que o negócio seja lucrativo. Por isso, para alguns tanto faz ter bons como maus jornalistas, o que interessa é haver quem produza "conteúdos", sejam notícias ou "histórias da carochinha". A curto prazo, e do ponto de vista empresarial, tudo correrá às mil maravilhas, de melhor ou pior qualidade, o que importa é "vender". A médio e longo prazo é que a coisa é pior e não é para as empresas deste tipo, que podem, num abrir e fechar de olhos, despedir toda gente, vender os títulos e mudar de ramo, passando a negociar em sabonetes, especular na bolsa ou fundar uma universidade num lugar qualquer. Quem, a médio e longo prazo, acabará por sofrer são os portugueses. Privados de bons jornais, estações de rádios sérias, televisões com princípios, deixarão de andar bem informados, perderão capacidade crítica, serão mais facilmente manipulados, ficando, afinal, à mercê de quem os quer despedir sumariamente e de quem permite que isso seja feito. Ser solidário e defender os jornalistas do "Primeiro de Janeiro" que o proprietário quer despedir não é apenas uma questão de classe profissional, nem de classe social, é uma questão de preocupação com o futuro da sociedade portuguesa.

Só pára quem está morto. A luta não pára!

"Um beco sem saída é apenas um bom lugar para dar a volta"...

Sedico autuada por salários em atraso

Na edição de hoje do jornal «Público», noticia-se que a Sedico foi autuada por insalubridade das instalações e por ter salários em atraso. A Sedico, recorde-se, é aquela empresa que, de acordo com informações avançadas por Nassalete Miranda na célebre reunião em que anunciou que o «Janeiro» faria uma paragem durante uns tempos - não era apenas o mês de Agosto, mas o que fosse necessário até conseguir um investidor que permitisse viabilizar o "projecto" -, tinha falido e não tinha dinheiro para pagar indemnizações, mas que garantia o pagamento dos honorários em dívida. Até hoje, nada caiu na minha conta, nem nas dos meus colegas. Até hoje, a Sedico não deu entrada em tribunal algum do pedido de falência. Mentira em cima de mentira, e agora uma multa. Será preciso muito mais para que as autoridades nos dêem finalmente razão e comecem a prender pessoas?

"É uma indignidade"

Acabo de comprar o «Jornal de Negócios» de hoje e de ler a página que Baptista Bastos dedicou à situação por que passam 32 jornalistas e três funcionários administrativos do velho «Janeiro». O camarada, como gosta de ser chamado, foi, como é sempre, brilhante! A solidariedade inequívoca dos grandes é um aspecto que deve envaidecer aqueles que estão na rua, à porta da redacção, à espera que seja feita justiça. Nós, que sempre admirámos Baptista Bastos, não podemos deixar de sentir um arrepio ao ler o que escreveu sobre nós, e sobre o que nos fizeram. "A morte de um jornal é, sempre e sempre, um empobrecimento do diálogo, o desaparecimento da voz do outro. No caso de «O Primeiro de Janeiro», é uma indignidade", diz ele. Baptista Bastos é um grande homem, um grande jornalista, um grande pensador, e é também uma pessoa cuja verticalidade nos emociona. É um enorme apoio à nossa causa, e vou agradecer-lhe pessoalmente, porque ele merece todo o carinho do mundo.

Jornalistas entregam manifesto

Uma delegação de trabalhadores de «O Primeiro de Janeiro» entregou esta quinta-feira à governadora civil do Porto, Isabel Oneto, um manifesto em que chamam a atenção para a ilegalidade do encerramento e reabertura daquele jornal, noticia a agência Lusa. «Este acto infame constitui o culminar de uma situação escandalosa que deveria ser inadmissível num Estado de Direito», afirmam os trabalhadores no referido manifesto. No manifesto, os trabalhadores salientam que o empresário Eduardo Costa (tal como a empresa Fólio e a sua subsidiária Sedico, proprietárias de «O Primeiro de Janeiro») tem «um historial de práticas ilegais». Estas práticas vão «desde a ausência de seguros para os trabalhadores à prática de troca de facturas por salários, passando pelo não pagamento de Julho e dos subsídios de férias, bem como o pagamento de Junho apenas pelo valor do salário mínimo nacional».
Consideram que o processo envolve a prática de «lock out», já comprovado pelas autoridades competentes e recordam que «Eduardo Costa foi condenado por fraude ao Estado na obtenção de subsídios, o que não impediu que bem recentemente fosse de novo contemplado com fundos do Quadro de Referência Estratégico Nacional - os fundos comunitários para 2007/2013)». Os trabalhadores estão em luta contra os despedimentos de que foram alvo sexta-feira, quando foi declarado pela administração o encerramento daquele matutino. O jornal viria a reabrir segunda-feira, com novo director, sendo a sua nova versão produzida pelos jornalistas de «O Norte Desportivo», em colaboração com o «Diário XXI» e o «Notícias da Manhã», pertencentes ao mesmo grupo empresarial. Os trabalhadores têm comparecido esta semana diariamente à porta da redacção do jornal, apresentando-se ao serviço, atitude que foram aconselhados a seguir pelo Sindicato dos Jornalistas (SJ).
Entretanto, alguns dos 32 jornalistas de «O Primeiro de Janeiro» começaram a receber as cartas de despedimento da empresa, que alega uma «reestruturação» por força de uma «redução anormal da contratação de publicidade e das vendas das publicações», o que, sustenta aquela empresa, terá provocado um «desequilíbrio económico e financeiro». Juntamente com a carta, os trabalhadores receberam a declaração necessária para o subsídio de desemprego. O Sindicato está a apoiar os jornalistas demitidos colectivamente e apelou, em comunicado, à «solidariedade activa da classe» com os trabalhadores do matutino portuense que desde a passada sexta-feira se encontram impedidos de ocupar os seus postos de trabalho.
Para o Sindicato, o silêncio e atitude da administração «é reveladora da falta de valores que norteiam a Folio - Comunicação Global, Lda. e deve ser um alerta para os profissionais que estão a ser instrumentalizados para substituir os trabalhadores que a empresa pretende despedir ilicitamente». A empresa Fólio - Comunicação Global, Lda, proprietária de «O Primeiro de Janeiro», colocou nas bancas uma nova edição do diário portuense, produzida pelos dez trabalhadores do «Norte Desportivo», suplemento desportivo das anteriores edições do centenário jornal do Porto.
Judite França

Jornalistas apresentam queixa-crime

A impossibilidade de os 32 jornalistas de O Primeiro de Janeiro (PJ) acederem às instalações do jornal desde sábado passado levou, esta semana, à apresentação, no Departamento de Investigação e Acção Penal do Porto, de uma queixa-crime contra a empresa por lock out. A Constituição da República, no número 4 do seu artigo 57.º, proíbe o lock out.
A situação dos 32 trabalhadores continua a despertar a solidariedade dos vários quadrantes políticos. Depois do Bloco de Esquerda e do PCP, coube ontem ao socialista Pedro Baptista, candidato à distrital do Porto, visitar os jornalistas, que continuam a comparecer na porta da redacção. Lamentando a forma como estão a ser tratados pela entidade empregadora, que não se mostra disponível para pagar indemnizações e salários em atraso, Pedro Baptista recordou que o proprietário do PJ é o mesmo que recentemente foi distinguido numa cerimónia pública referentes a candidaturas a verbas do QREN. À Lusa, Renato Sampaio, actual líder da distrital do PS, manifestou "total solidariedade" com os trabalhadores e disponibilizou-se para "tudo fazer" para que os seus direitos sejam "devidamente assegurados".
Ontem, ao final da tarde, os jornalistas foram recebidos pela governadora civil do Porto, Isabel Oneto, entregando-lhe um manifesto alertando para o seu problema. Em especial que a Fólio, proprietária do PJ, "tem um historial de práticas ilegais que vão desde a ausência de seguros para os trabalhadores à prática da troca de facturas por salários". No texto é ainda referido que "os responsáveis das duas empresas [Fólio e Sedico] mentiram sem qualquer pudor para se descartar dos jornalistas ao seu pudor". Simultaneamente, afirmam ainda que, no dia 4 de Agosto, também uma jornalista do Norte Desportivo foi ilegalmente dispensada.
Texto de Hélder Robalo, foto de Amin Chaar, no DN

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Um testemunho de dentro do coração

Porque nem só más memórias sobraram do velho «Janeiro», reproduzo aqui o desabafo de um miúdo espectacular que conheci por lá. O Ricardo, que durante algum tempo paginou os nossos textos, saiu de livre vontade quando achou que já tinha que sobrasse de desaforos. Fez ele bem! Mas o Ricardo tem o que não têm muitos dos que por lá ficaram: carácter. Leal às amizades que ali construiu, esteve sempre atento àqueles de quem gostava e nunca deixou de ter uma palavra carinhosa, mesmo quando também ele precisava de um incentivo. O Ricardo é cinco estrelas, e é por isso que o que ele escreve merece ser lido. Cá vai disto!
Jamais poderei esquecer aquele 21 de Julho de 2003. Foi o dia em que entrei na redacção do «PJ», ainda mal tinha entrado, e já estavam a mandar para casa metade da produção, ora sobrava eu e mais 3 ou 4, até ficarmos apenas 3 a fazer uma carrada de jornais e a receber uma mísera quantia em troca, eu nem vou dizer que é para ninguém se rir. Mas independentemente de tudo aquilo que a direcção fazia aos seus funcionários, havia um sentimento estranho não só comigo mas com toda a gente, aquelas paredes parece que nos sugavam e não nos deixavam sair, o ambiente era tão pesado que mal dava para respirar decentemente e então quando chegava o verão, amigos, nem queiram sentir aquele inferno, pois era realmente muito mau, mas acima de tudo acho que não só eu, mas toda a gente sentia amor pela casa, era o único sentimento que podia haver por, até porque nem os ordenados justificavam a nossa presença durante tanto tempo.
Infelizmente sempre fui da opinião que a administração era exploradora e não posso esquecer frases do género: "Se vocês não estão bem, saiam, não falta quem queira estar no vosso lugar", era uma espécie de ditadura laboral, mas sinceramente nunca se levou muito a sério a ditadura, porque no fundo todos nós faziamos aquilo que mais gostávamos. Realmente com o passar dos tempos chegámos à conclusão de que aquelas paredes são mágicas. Não me posso esquecer das pessoas fantásticas que lá dentro conheci e que ainda hoje tenho um sentimento especial por todas elas, afinal foi a minha casa durante mais de dois anos. A Madame Teixeira*, Raquel, Lídia, o Maia, o Miguel, o grande Nuno Santos (Búbú), o mestre Jacinto, Filinto, Cátia, Liliana, Goreti, Dora, PVO, Tiago, Pedro Tavares, Álvaro, Pedro, a Zizi, Ana Caridade, a Eduarda, o Paulo Francisco, Isabel, entre muitos outros que garanto que não esqueci. É com saudade que recordo todas as pessoas, de vez enquando ainda falo com uma ou com outra, mas existem pessoas com quem já não falo desde que saí, no dia 12 de Novembro de 2005.
Parece muito tempo, mas a mim parece-me que foi ontem. Mas como tudo tem o seu tempo, o meu tempo naquela casa estava a acabar, não dava para continuar mais, até porque eu tinha que começar a abrir novos caminhos para um futuro melhor e aquela casa por muito mágica que fosse não me podia segurar. Para mim o Primeiro de Janeiro morreu na sexta-feira, o que existe agora é uma falsidade liderada por falsos, corruptos e «mamões». Nunca mais gastarei dinheiro naquele jornal, e sempre que tiver oportunidade irei transmitir a imagem verdadeira do PJ às pessoas, para que elas tenham a ideia certa daquele jornal, por muitas belas palavras que usem para limpar o vosso nome, nós estaremos aqui para vos calcar de novo. Levem-nos para tribunal, espalhem por todo o país aquilo que vos fizeram, destruam a imagem do maior capitalista que conheço. Estou convosco.
Abraços e beijinhos e Adeus «PJ»
*A "madame Teixeira" sou eu. Só para que conste! A imagem, suspeito, é da autoria do Ricardo.

Eu levo-lhe tabaco ao xelindró!

O relógio marcava 12h45, ia eu a caminho do almoço, quando o telefone tocou. Perscrutei, dentro da mala, qual das três máquinas me chamava, e lá estava, no visor do 91, um número de telefone da rede fixa, de Lisboa, que de imediato me pareceu ser conhecido, apesar de não estar registado na memória do aparelho. Atendi, e do outro lado falou-me Fernando Jesus, deputado socialista à Assembleia da República eleito pelo círculo do Porto. Queria solidarizar-se, também ele, com os jornalistas ilegalmente despedidos pela administração de «O Primeiro de Janeiro» e também ter uma noção mais exacta de alguns contornos deste maquiavélico processo. Dentro do possível, tentei expor a situação, e Fernando Jesus perguntou como poderia ajudar a redacção demitida em bloco, tendo sugerido a emissão de um comunicado. Horas depois, leio no «Jornal de Notícias» que o PS/Porto assumiu publicamente o seu apoio aos 32 trabalhadores dispensados pela empresa de Eduardo Costa e penso que são cada vez mais as vozes de apoio à nossa causa. Pena é que os tribunais não sejam tão inteligentes como as pessoas, e demorem anos a encarcerar um corrupto que todos já querem ver atrás das grades. Eu prometo levar-lhe o tabaco ao xelindró, só pelo prazer de o ver a ver o sol aos quadradinhos.

Um abraço solidário

Castanheira Barros é um conhecido advogado de Coimbra, que há alguns meses contactava, em representação de «O Primeiro de Janeiro». Graças a ele, pude escrever várias reportagens para o nosso jornal, quer na vertente política, quer no que diz respeito à intensa luta que, enquanto advogado e cidadão, vem travando, desde há longos anos, contra a co-incineração de resíduos industriais perigosos nas cimenteiras da Cimpor, em Souselas, e da Secil, no Outão. Tive o prazer de o conhecer pessoalmente, depois de vários contactos telefónicos, no último congresso do PSD, partido de que é militante (foi candidato à presidência social-democrata, tendo saído derrotado por Luís Filipe Menezes), que se realizou em Guimarães. Hoje enviou-me uma pequena, mas muito importante mensagem de apoio, que desde já agradeço, e que aqui reproduzo:
***
Prezada Carla Teixeira,

Tenho acompanhado com indignação o que vos estão a fazer no jornal «O Primeiro de Janeiro». Não lhe tinha manifestado ainda a minha solidariedade devido à vida brutalmente agitada que continuo a ter, mesmo em férias judiciais (…).
Receba um cordial abraço.
Castanheira Barros

«Janeiro» no Governo Civil do Porto

Uma delegação de trabalhadores de «O Primeiro de Janeiro» entregou hoje à governadora civil do Porto, Isabel Oneto, um manifesto em que chama a atenção para a ilegalidade do encerramento e reabertura daquele jornal. "Este acto infame constitui o culminar de uma situação escandalosa, que deveria ser inadmissível num Estado de Direito", afirmam os trabalhadores no referido manifesto. No manifesto, os trabalhadores salientam que o empresário Eduardo Costa (tal como a empresa Fólio e a subsidiária Sedico, proprietárias de «O Primeiro de Janeiro») têm "um historial de práticas ilegais". Estas práticas vão "desde a ausência de seguros para os trabalhadores à prática de troca de facturas por salários, passando pelo não pagamento de Julho e dos subsídios de férias, bem como o pagamento de Junho apenas pelo valor do salário mínimo nacional".
Os jornalistas consideram que o processo envolve a prática de lock out, já comprovado pelas autoridades competentes, e recordam que "Eduardo Costa foi condenado por fraude ao Estado na obtenção de subsídios, o que não impediu que bem recentemente fosse de novo contemplado com fundos do Quadro de Referência Estratégico Nacional - os fundos comunitários para 2007/2013)". Os trabalhadores estão em luta contra os despedimentos de que foram alvo na sexta-feira, quando foi declarado pela administração o encerramento do matutino, que viria a reabrir na segunda-feira com novo director, sendo a nova versão produzida pelos jornalistas de «O Norte Desportivo», em colaboração com o «Diário XXI» e o «Notícias da Manhã», títulos pertencentes ao mesmo grupo empresarial.
Os trabalhadores têm comparecido diariamente à porta da redacção do jornal, apresentando-se ao serviço, atitude que foram aconselhados a seguir pelo Sindicato dos Jornalistas. Entretanto, alguns dos 32 jornalistas do «Janeiro» começaram a receber as cartas de despedimento da empresa, que alega uma "reestruturação" por força de uma "redução anormal da contratação de publicidade e das vendas das publicações", o que, sustenta aquela empresa, terá provocado um "desequilíbrio económico e financeiro". Juntamente com a carta, os trabalhadores receberam a declaração necessária para o subsídio de desemprego.
O Sindicato está a apoiar os jornalistas demitidos colectivamente, e apelou, em comunicado, à "solidariedade activa da classe" com os trabalhadores do matutino portuense, que desde a passada sexta-feira se encontram impedidos de ocupar os seus postos de trabalho. Para o sindicato, o silêncio e a atitude da administração "são reveladores da falta de valores que norteiam a Folio - Comunicação Global, Lda., e devem funcionar como um alerta para os profissionais que estão a ser instrumentalizados para substituir os trabalhadores que a empresa pretende despedir ilicitamente". A Fólio, proprietária de «O Primeiro de Janeiro», colocou hoje nas bancas uma nova edição do diário, produzida pelos 10 trabalhadores de «O Norte Desportivo», suplemento desportivo das anteriores edições do centenário.
Agência Lusa

Vou virar o mundo ao contrário...

Foto: Mente Despenteada

Avante, camaradas!

O PCP manifestou «completa solidariedade com os profissionais que abnegadamente fazem do Primeiro de Janeiro uma referência do jornalismo plural no nosso país, colocando nas bancas quotidianamente, o mais antigo título diário nacional». Numa nota emitida na sequência do encontro, no dia anterior, com os trabalhadores, concentrados à porta das instalações do jornal, a Direcção da Organização Regional do Porto do Partido expressou «repulsa por métodos vergonhosos, ameaças, chantagens e mentiras usadas para descartar estes profissionais». «Profundo espanto» causou o facto de «tal processo ímpio ser da responsabilidade de um empresário reconhecido como um exemplo de civismo e activismo associativo, detentor de várias empresas, algumas das quais recentemente beneficiadas com fundos do QREN, sendo que surgem agora também, em função de apuramentos da IGT, notícias de irregularidades no preenchimento de mapas fiscais».
Os comunistas mostram «profunda preocupação com o futuro do jornal que assegura maior cobertura jornalística à região, particularmente após o encerramento do Comércio do Porto e o ataque centralizador do Governo PS à RTP Porto». Assumindo o compromisso de «questionar a tutela sobre este processo», a DORP «apela às organizações e associações cívicas, populares e sociais, que se associem à defesa do Primeiro de Janeiro, do património que o seu título activamente representa e dos profissionais que diariamente se empenham num jornalismo à altura desta história». Na segunda-feira, a União dos Sindicatos do Porto emitiu um comunicado repudiando o comportamento da administração da Sedico, notando que o sucedido no jornal «é o que se tornou habitual nos mais variados sectores de actividade, onde a arrogância e prepotência patronais impõem as maiores arbitrariedades», e denunciando «estes comportamentos inaceitáveis num regime democrático que se vai esvaziando.
Lentamente, porque o carácter predador do capital assim o impõe».O Sindicato dos Jornalistas repudiou o encerramento ilegal do jornal e o despedimento abusivo de mais de três dezenas de profissionais, verbalmente comunicados pela directora do Primeiro de Janeiro, na quinta-feira, e pela administração da Sedico, no dia seguinte. Os trabalhadores seguiram o apelo do sindicato e continuaram a comparecer no local de trabalho, apesar de terem sido mudadas as fechaduras e não poderem entrar nas instalações. O grupo Folha Cultural, detentor do título (através da empresa Folio) e da empresa empregadora, «pretende descartar-se imoralmente dos jornalistas que explorou, até agora, em condições de trabalho extremamente desfavoráveis», acusou o SJ. A publicação foi retomada segunda-feira, com outro director e produzida por jornalistas que antes faziam o suplemento Norte Desportivo. Aquele grupo é presidido por Eduardo Costa, que ocupa altos cargos no Conselho Empresarial entre Douro e Vouga, na Associação Empresarial de Oliveira de Azeméis, na Associação Portuguesa da Imprensa Regional, na Associação Museu de Imprensa e na Agência de Desenvolvimento entre Douro e Vouga.

Clube dos Pensadores

Desafiei o biólogo Joaquim Jorge, mentor do Clube dos Pensadores - um movimento de cidadania cujas reuniões «O Primeiro de Janeiro» acompanhou desde sempre, e de que a ex-directora do nosso jornal, Nassalete Miranda, também faz parte - a lançar na sua página online o debate sobre o despedimento ilegal de 32 jornalistas e três funcionários administrativos do centenário. Sem se fazer rogado, Joaquim Jorge acedeu ao meu pedido, pelo que está a decorrer naquele espaço uma interessante troca de opiniões sobre o assunto. Não deixem de visitar o blog do clube. Porque não há-de ser fácil calar a voz do genuíno «O Primeiro de Janeiro».

Operários montadores de peças escritas

Com a devida vénia, ao autor e ao duo-maravilha da informática (o copy-paste), aqui reproduzo a homenagem de Orlando Castro, jornalista 24 horas por dia, sete dias por semana, que também por lá andou, aos colegas de «O Primeiro de Janeiro». Com um "obrigada" e um beijinho.


Operários montadores de peças escritas
(homenagem aos bravos da Coelho Neto)

Os jornais (é claro que também as rádios e as televisões) não são um produto feito à medida dos jornalistas e/ou dos consumidores mas, isso sim, dos empresários. São, cada vez mais, um negócio ou, melhor, uma forma de comércio. São apenas mais um produto em que os seus fazedores (na circunstância catalogados de jornalistas) são escolhidos à e por medida.
Esta é uma realidade que interessa aos empresários (mais a uns do que a outros) e, é claro, aos governos (mais a uns do que a outros). O escândalo do jornal “O Primeiro de Janeiro” é o mais recente exemplo, mas outros houve e outros haverá.Sendo escolhidos à e por medida, têm de obedecer às regras da oferta e da procura. Mais do que informar, mais do que formar, têm de vender. Vender, vender sempre mais. E quem sabe o que fazer para melhor vender não são, na maioria dos casos, os jornalistas.Os jornalistas são os montadores que, de acordo com o mercado, alinham as peças de um crime, de um comício, de um atentado ou de um buraco na rua. Se o que vende é dar uma ajuda ao partido do Governo para que este ganhe as próximas eleições, são essas as peças que têm de montar, nada contando a teoria da isenção que é tão do nosso teórico agrado.Se o que vende é divulgar as supostas boas acções do PS, do PSD ou do MPLA, são essas as peças que têm de montar, passando por cima do facto de esses partidos serem responsáveis por todas as nossas desgraças.Se o que vende é dar cobertura às ditaduras (sejam as de Robert Mugabe, Hugo Chávez ou José Eduardo dos Santos), são essas peças que têm de montar, calibrando-as da forma a parecerem dos melhores exemplos democráticos.Pouco importa tudo o resto.Assim sendo, as linhas de montagem (veja-se o exemplo de “O Primeiro de Janeiro”) não precisam de jornalistas 24 horas por dia, basta-lhes as sete horas. E aos jornalistas basta-lhes, ao que parece, uns tantos euros por mês...
Tudo o resto são cantigas, tenha a classe uma Ordem ou apenas, como agora, um Sindicato, uma Caixa dos Jornalistas, uma Entidade Reguladora, um ministro tutelar chamado Augusto Santos Silva, ou coisa nenhuma...

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Mário Nuno Neves comenta...

"O que se está a passar com «O Primeiro de Janeiro» é absolutamente inqualificável. Se não representasse uma tragédia para todos aqueles que nos últimos anos deram o seu melhor enquanto jornalistas para que o jornal estivesse nas bancas quotidianamente, mesmo mal pagos ou sequer pagos a tempo e horas, seria a maior anedota do ano no âmbito da comunicação social portuguesa. Afinal para que serve a ERC? Neste momento difícil para os citados jornalistas – alguns conheço pessoalmente, outros não –, não posso deixar de lhes manifestar toda a minha solidariedade pessoal e institucional e condenar, de forma veemente, todos aqueles que em nome do “sacrossanto” mercado são capazes de proceder verdadeiros capo-mercenários. Perante este comportamento indecente por parte da "administração" de «O Primeiro de Janeiro», não há outra atitude senão que os leitores do PJ deixem de o ser e que aqueles que lá compram espaço publicitário deixem de o fazer" (Mário Nuno Neves, vereador da Câmara da Maia).

Homenagem aos bravos de Coelho Neto

Um jornal faz-se de história, ainda mais quando consegue a proeza de se manter nas bancas, de forma ininterrupta, durante quase 140 anos. «O Primeiro de Janeiro», escola de grande parte dos jornalistas que hoje exercem funções no nosso país, designadamente na região Norte, é feito também de rostos, de pessoas que se entregaram de corpo e alma a um projecto que chegou a ser referência nacional. Diz-se muitas vezes que dos fracos não reza a história. Eu discordo. Neste caso, são os fracos que ditam a história: as ilegalidades, a ignomínia, a falta de respeito e de valores que tanto se afirmavam - os afectos, o companheirismo, a lealdade - castraram os sonhos de um grupo de pessoas fantásticas, profissionais exemplares, pessoas de carácter que, no fim da aventura, ousaram permanecer juntos e lutar por aquilo a que têm direito. Para mim, são esses os bravos do «Janeiro», e têm nomes: Miguel Ângelo, Paulo Maia, Filinto Melo, Paulo Almeida, Isabel Monteiro, Eduarda Vasconcelos, Ana Caridade, Dora Barros, Carla Teixeira, David Furtado, Ana Sofia Rosado, Goreti Teixeira, Filipa Leal, Luísa Mateus, Paulo Sérgio Soares, Carlos Machado, Lídia Cavadas, Pedro Tavares, Alexandra Costa, o queridíssimo senhor Veiga, que dedicou mais de 60 anos ao nosso «Janeiro», Pedro Rodrigues, Tiago André, Álvaro C. Pereira, Victor Melo e Mário Mesquita, o arquitecto que, embora não fazendo parte dos quadros da redacção, esteve connosco desde a primeira hora, em todos os actos públicos e reuniões, sempre, também ele, de máquina fotográfica em punho. Sem margem para equívocos, são estes os "meus" bravos. Os outros são os fracos de que esta história reza (excepção feita, obviamente, aos que já saíram, mas continuam connosco neste momento inacreditável das nossas vidas).

Eis o homem de quem se fala...

As jornalistas Isabel Faria e Liliana Rodrigues, do jornal «Correio da Manhã», assinam, na edição de hoje, o texto que se segue, a que, deliberadamente, não tecerei comentários. Os factos falam por si...
Eduardo Costa, o proprietário do jornal ‘O Primeiro de Janeiro’, é um empresário conhecido no Norte, assumindo vários cargos públicos em diversas associações. No início dos anos 90, quando adquiriu o jornal, era presença assídua na redacção do matutino, mas desde há vários anos que "deixou de aparecer", contaram ao CM os jornalistas agora despedidos. Mas o seu currículo fala por si. Ligado ao desporto e à imprensa regional, Eduardo Oliveira Costa foi condenado, em Fevereiro último, a dois anos e meio de prisão, pena suspensa por um ano, pelo Tribunal de Oliveira de Azeméis, por fraude na obtenção indevida de subsídios do Estado com o jornal ‘Recortes de Província’.
Segundo notícia publicada no site maiscomunicação, o caso remonta a 1991, mas só em 1998 chegou a tribunal. Eduardo Costa, um funcionário dos CTT e três responsáveis do jornal foram acusados de comunicar dados fictícios à Direcção-Geral da Comunicação Social, entidade que tinha a responsabilidade de atribuir o apoio às publicações de informação geral e o apoio de porte pago, que dispensava, assim, de pagar aos CTT o porte dos jornais. Actual presidente da Direcção da União Desportiva Oliveirense, de Oliveira de Azeméis, Eduardo Costa é também dono de vários órgãos de comunicação regional, nomeadamente o até agora diário ‘O Primeiro de Janeiro’ e os semanários ‘Correio de Azeméis’ e ‘Praça Pública’, de Ovar, e ‘Caima’, as rádios Azeméis FM e Voz do Caima e a gráfica Coraze, que imprime a grande maioria dos jornais regionais do Norte. Ao que o CM apurou, terá ainda ligações ao sector metalúrgico e negócios no Brasil e na Bulgária.
Na semana passada, a ex-directora, Nassalete Miranda, anunciou o fecho do matutino durante o mês de Agosto, para remodelação, e na sexta-feira os 32 funcionários receberam as cartas de despedimento. Continuam impedidos de entrar na redacção. Eduardo Costa, natural e residente em Oliveira de Azeméis, detém vários títulos de jornais regionais e locais e diversas rádios. É ainda vice-presidente da Associação Portuguesa da Imprensa Regional.

O novo «Janeiro»...

Já está nas bancas a edição de hoje do "renovado" jornal «O Primeiro de Janeiro». Parafraseando o jornalista Joaquim Fidalgo, que há dias fazia a revista de imprensa num canal de televisão, "não vou comentar o conteúdo, porque é incomentável", mas vou dizer o que sei da preparação desta edição. O "director", Rui Alas Pereira, mimou os seus jornalistas com um palavrão que aqui, e pela minha boa educação, recuso reproduzir, quando estes lhe disseram que tinham preparado 32 páginas, e não as 40 que o jornal tinha normalmente (sim, também acho que era pouco), a que ainda se somavam os cadernos dos concelhos, o «Das Artes das Letras», o «Justiça & Cidadania», o «Se7e» e outros que tais. O nosso jornal era "pequeno", diziam. Este, de 32 páginas, só pode ser uma anedota! Ainda por cima, os jornalistas do «Norte Dersportivo» que "abraçaram" a missão de editar o «Janeiro» (diante do facto consumado, não tiveram outra hipótese), têm de levar com o "bom feitio" do novo director, que os insulta por serem capazes de, num dia, prepararem o triplo das páginas a que estavam habituados, mas que, ainda assim, fica bem aquém do número de páginas que fazíamos nós. Assim é o novo «Janeiro»...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

“Ilegalidade e desrespeito”

Ao longo dos últimos dias tenho repetido, por diversas vezes, em conversas com os amigos e colegas que invariavelmente caem para o tema «O Primeiro de Janeiro», que não tenho mais para onde abrir a boca, visto que o queixo, de tanto espanto somado, está já a tocar o chão, arrastando a minha perplexidade da mesma forma que o nome do nosso jornal tem sido enxovalhado e arrastado pela lama. Merecia melhor um jornal com quase 140 anos! Merecia muito mais, e toda a gente entende isso, à excepção de quem devia entendê-lo melhor do que ninguém, e zelar por dar à cidade e ao país a imagem do «Janeiro» que o «Janeiro» merece. No entanto, e para gáudio de quem investiu naquela redacção fétida os seus anos mais dourados, «O Primeiro de Janeiro» é um título respeitável e respeitado por quase todos, e só quem lá manda parece não saber disso.
Ao início da tarde de hoje, e à semelhança do que tinha acontecido ontem com o PCP, uma delegação do BE liderada pelo deputado José Soeiro encontrou-se com os jornalistas que continuam a contestar o seu despedimento à porta da redacção. Em frente às instalações, agora encerradas, e depois de ouvir as queixas de todos os trabalhadores dispensados, o parlamentar eleito pelo círculo do Porto questionou o Governo relativamente à actuação do Ministério do Trabalho neste caso, e referiu os “contornos de ilegalidade e de desrespeito” que a administração da empresa tem deixado bem patente em relação aos jornalistas dispensados, desde que fechou as portas e nunca mais deu as caras. Postos na rua, sem explicações ou fundamento, os cerca de 20 profissionais que ali se têm reunido diariamente estão a ser alvo da mais ignóbil manobra de despedimento colectivo de que há memória, de que são coniventes os colegas que têm mantido o silêncio.
Reunido com os jornalistas despedidos, José Soeiro garantiu ainda que pretende interpelar a tutela, através de um requerimento a ser entregue nos próximos dias na Assembleia da República. Nesse documento, o deputado tenciona questionar o PS e o Governo sobre o facto de Eduardo Oliveira Costa, “um empresário que trata os seus trabalhadores assim, e que actua de forma aparentemente ilegal, depois de ter sido condenado por fraude na utilização de fundos do Estado”, ter sido apresentado na cerimónia de atribuição de verbas do QREN, que teve lugar em Abril passado no Porto, como um empresário-modelo. É que, precisamente no mês anterior, Eduardo Oliveira Costa tinha sido condenado por fraude, reiterando a sentença proferida em Abril de 2003, quando foi dado como provado que tinha forjado uma publicação e burlado o Estado, em vários milhares de euros, com o porte-pago.
Sentenciado com uma pena de dois anos e meio de prisão, suspensa por um ano, o “empresário” de Oliveira de Azeméis, que parece movimentar-se entre altas esferas políticas e ter as costas bem quentes, por fraude na obtenção indevida de subsídios estatais, continua a pavonear-se por aí, livre, leve e solto, e a lançar projectos e a receber fundos como se não devesse nada a ninguém. Visivelmente surpreendido (can you blame him?) por todas as revelações que lhe foram feitas junto ao número 63 da Rua Coelho Neto, na Invicta, José Soeiro acusou Eduardo Oliveira Costa de “não ter qualquer respeito pelas pessoas”, enveredando por uma atitude “totalmente condenável”, e rematou afirmando que, “se esta não for uma situação ilegal, é com toda a certeza uma situação ilegítima, de total desrespeito pelas pessoas”. O Mente Despenteada III não podia estar mais de acordo.

Fotos: Mente Despenteada

Janeiro em Agosto

Mais uma ficha, mais uma viagem. Cinco dias depois de terem sido "dispensados", os jornalistas de «O Primeiro de Janeiro» voltaram às ruas e os colegas dos outros meios de informação foram, uma vez mais, excepcionais na cobertura que deram à situação. O grupo dos 18 trabalhadores do jornal que se opõem ao despedimento cresceu, e hoje eram já 24. Depois de Honório Novo (PCP), receberam uma delegação do BE liderada por José Soeiro, deputado à Assembleia da República pelo Círculo Eleitoral do Porto. Soeiro ouviu os jornalistas, solidarizou-se com eles, escutou todas as queixas e recolheu os testemunhos de situações muito pouco claras no passado e no presente do seu proprietário. No final, o deputado prestou declarações aos meios de informação presentes, e despediu-se com votos de "muita força".
Mas nem só a delegação do BE prestou solidariedade aos jornalistas que se mantêm firmes na defesa dos seus postos de trabalho, que não foram extintos, mas antes reocupados, como bem lembraram no encontro desta tarde com o deputado do Bloco. Surgiu também um comunicado de antigos trabalhadores da empresa, que não pouparam argumentos para questionar o carácter de quem trata desta forma pessoas que, durante anos, deram tanto de si ao «Janeiro», lembrando sempre que nem só os jornalistas saem a perder neste processo. O título, que é centenário e tem prestígio na região, anda por estes dias nas bocas do povo, e pelos piores motivos...

Também um antigo trabalhador do «Janeiro» compareceu no piquete à porta da redacção, para dar a conhecer o seu apoio aos jornalistas que ali se mantinham. Se a administração está, como afirma, de boa fé, por que razão estarão todos os ex-trabalhadores e todas as forças vivas da cidade e da região convencidas do contrário? Dá que pensar, não dá?

Fotos: Mente Despenteada

"Um jornal pequenino"

Para todos aqueles que pensam que «O Primeiro de Janeiro» era simplesmente um "pasquim" ou "um jornal pequenino", que não justificava os 32 jornalistas que na passada quinta-feira foram ilegalmente despedidos, aqui fica a imagem das diversas publicações que esses 32 asseguravam. Tenham em conta que, neste momento, os 10 colegas do «Norte Desportivo» estão a assegurar, apenas e só, UMA PARTE do caderno principal do «Janeiro», a meias com os jornalistas de outros meios de informação detidos por Eduardo Oliveira Costa. Tudo o resto se encontra em stand by, talvez à espera do tal "projecto" de Nassalete Miranda.
O futuro dirá o que quiser do «Janeiro» e desse tal "projecto" misterioso. Eu, que conheço os que nele estarão envolvidos, tenho para mim que, se a Nassalete conta com aqueles jornalistas que só levantavam o rabo da cadeira para ir fumar ou tomar café, nos intervalos dos jogos de cartas no computador, e cujo nome raramente surgia nas páginas do jornal, o futuro não dirá grande coisa.
Foto: Mente Despenteada

"Gangsterismo laboral e político"

Segue o prometido depoimento de João Semedo, deputado do BE eleito pelo círculo do Porto, a propósito do já chamado «Caso Janeiro»:

"Nos últimos anos, os portugueses têm asssitido à selvajaria como muitas empresas são encerradas pelos respectivos patrões e à frieza e brutalidade com que estes tratam os trabalhadores, "despachando-os" de qualquer maneira. Eu julgava que, nesta matéria, já tinha visto de tudo. No entanto, os acontecimentos dos últimos dias em torno do jornal "Primeiro de Janeiro" mostraram-me como eu estava enganado: os jornalistas e trabalhadores do Primeiro de Janeiro estão a ser vítimas de um verdadeiro e organizado "gangsterismo" laboral e político que, julgava eu, não seria possível na democracia portuguesa.
E se os acontecimentos nos chocam, mais chocantes são o silêncio e passividade - numa palavra, a cumplicidade - revelados por diversos organismos públicos, cujas competências são flagrantemente questionadas e postas à prova pelo comportamento e decisões da direcção,da administração e dos proprietários do Primeiro de Janeiro, que parecem beneficiar de uma estranha impunidade. Para que serve a inspecção geral do trabalho e a entidade reguladora para a comunicação social mas, também, o próprio ministério público e até as finanças ? De que estão à espera para actuar e pôr termo a um caso que, de facto, também é um verdadeiro "caso de polícia"?
Quem trata o nome e a história do Primeiro de Janeiro desta forma, quem diz uma coisa hoje e faz outra amanhã, quem espezinha os direitos de quem trabalha, não pode deixar de responder pelos seus actos, não pode ficar sem castigo. Por último, aos trabalhadores e jornalistas do Primeiro de Janeiro, manifesto a minha empenhada solidariedade, pessoal e política, na luta que travam contra a prepotência e a arbitrariedade, em defesa dos seus direitos e em nome de uma imprensa plural e democrática."

Amigáveis cumprimentos.
João Semedo (deputado do BE, eleito pelo círculo do Porto)

Deputado João Semedo solidário

No dia em que está previsto o encontro de uma delegação do BE com os jornalistas do centenário «O Primeiro de Janeiro» ilegalmente despedidos na passada semana, e que desde sexta-feira se concentram diariamente junto à redacção, e depois de também o PCP se ter reunido com os 18 profissionais que recusam baixar os braços a uma ordem de despedimento arbitrário, ferida de várias irregularidades e sem fundamento, João Semedo associou-se à luta dos trabalhadores. O deputado à Assembleia da República eleito pelo círculo do Porto em representação do BE desabafou, numa mensagem de correio electrónico que me enviou (infelizmente não posso ainda reproduzir aqui o seu conteúdo, porque o hotmail emitiu uma mensagem de erro e desapareceu com a mensagem, obrigando-me a solicitar o seu reenvio), a sua perplexidade diante da situação dos 32 jornalistas que foram dispensados, e em particular dos 18 elementos que diariamente têm marcado presença junto às instalações do diário. João Semedo disse que “pensava já ter visto de tudo”, mas atestou que os “últimos acontecimentos” em torno do «Janeiro» constituem o que definiu como “um acto de gangsterismo”. O deputado, um velho amigo do nosso jornal, condenou veementemente a actuação da administração, pela forma como tem gerido este processo, e questionou o desempenho de entidades oficiais como a Inspecção Geral do Trabalho, os ministérios do Trabalho e das Finanças e a Entidade Reguladora da Comunicação Social. Pelas 14 horas de hoje, o BE desloca-se à redacção do «Janeiro», onde dará conta da sua solidariedade aos jornalistas que ali se mantêm. Lá estaremos. Apareçam também!

Bebés com pulseiras

Noticia o jornal «Público» na sua edição de hoje que os hospitais portugueses vão ser obrigados a colocar pulseiras electrónicas em todos os recém-nascidos, a fim de evitar o rapto de crianças das maternidades. As novas regras deverão entrar em vigor já no próximo ano e, na minha opinião, pecam por tardias. Há uns meses, um amigo meu que está a ser acompanhado na Consulta de Andrologia da Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, contava-me, visivelmente agastado, que a possibilidade de subtracção de bebés naquele espaço seria muito elevada, pelo simples facto de que, à entrada, apenas era verificada a identidade dos visitantes do sexo feminino, que numa maternidade se supõe serem os "clientes", mas que, no caso dele, não correspondia à verdade. Sempre que entrava acompanhado pela mulher, porque iam sempre juntos à consulta, era o nome dela que ficava registado, enquanto a ele atribuíam um cartão de visitante, sem mais pormenores. O meu amigo denunciou o caso no Livro de Reclamações da MAC, e sei que chegou a receber uma resposta, inconclusiva, das autoridades competentes. E ficou tudo na mesma! Foi nessa altura que me pediu que, como jornalista, tentasse denunciar a situação e aferir a posição dos responsáveis da maternidade. Tentei. Em vão. Da maternidade pediram-me que enviasse o pedido por escrito, e até agora nada... Hoje, a ser verdade o que diz o «Público», há finalmente uma tomada de posição oficial sobre esta matéria, sendo também anunciado que os acessos àqueles estabelecimentos terão de estar equipados com sistemas de videovigilância com monitorização contínua e gravação de imagens em alta-definição. Espero que venha a tempo.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

A triste classe dos jornalistas*

Invejosos, hipócritas, falsos, bajuladores, vendidos, corruptos, cobardes, traidores, aldrabões, eis alguns dos epítetos que já ouvi ao longo da vida servir de brinde para os jornalistas. Naturalmente que em todas as classes profissionais existem os sérios e os desonestos, os camaradas e os falsos amigos. Na classe de jornalistas vi de tudo. Por um lado, os melhores seres humanos do mundo, por outro os maiores crápulas batraquianos. Os que mais me impressionaram foram os jornalistas que pouco ou nada tendo, a não ser a sua cultura universalista e a sua exímia forma de escrever, tirarem a camisa para não deixar um companheiro cair na lama. Pela negativa, aqueles que por inveja da carreira exemplar do colega do lado, lhe espetaram facas nas costas até à morte profissional.
A classe dos jornalistas não é solidária, não é unida, não é consciente das suas responsabilidades, não cumpre a ética e a deontologia, em suma, não tem carácter. É um montão de homens e mulheres que tenta ser elitista sem ter a formação indispensável para saber o que é um serviço em prol da comunidade e não do seu interesse egoista.Hoje, no Porto, assistimos a mais um exemplo da vergonhosa acção de certos jornalistas. Um exemplo vivo do que representa a classe dos jornalistas. A administração do jornal 'O Primeiro de Janeiro' fez uma golpada e deixou 32 jornalistas no desemprego sem lhes dar cavaco. Anunciou que o jornal estava falido. No dia seguinte já existia outra sociedade proprietária.
Ao lado, prontos para o ataque, outros jornalistas abutres prontificaram-se a produzir um "novo" 'O Primeiro de Janeiro'. E a vergonha é tanta que até anunciaram esta manhã na rádio que estava nas bancas um jornal com uma "nova e moderna imagem". Um horror de grafismo. A tal "nova" imagem é verdadeiramente a vergonha daqueles que traíram os colegas e que aceitaram a golpada, só possível num país onde a lei é só para ser cumprida pelos desgraçados da sorte.

APELO: Que ninguém compre esse pasquim que hoje saiu para as ruas abusivamente com o nome 'O Primeiro de Janeiro'. Por solidariedade aos jornalistas sérios.
*Texto publicado nos blogs Pau para toda a Obra e Alto Hama

Mobilizar a região

Os jornalistas do centenário «O Primeiro de Janeiro» que na passada quinta-feira foram alvo de despedimento ilegal, e que, desde essa altura, se têm apresentado diariamente na redacção, para reivindicar a manutenção dos postos de trabalho e a integração na empresa, continuam a somar apoios junto das forças vivas da região. Depois de a Câmara Municipal de Gaia ter emitido um comunicado em que se associava à luta daqueles profissionais, também a Câmara Municipal da Maia decidiu não celebrar qualquer contrato publicitário com as empresas do grupo liderado pelo empresário de Oliveira de Azeméis Eduardo Oliveira Costa. No mesmo dia, a CGTP associou-se ao protesto do grupo, manifestando a sua solidariedade aos trabalhadores despedidos e o seu “veemente repúdio” pelo comportamento da administração do jornal.


Se é verdade que na luta constam apenas 18 dos 32 jornalistas atirados borda fora pela administração, a mesma que prontamente (e aparentemente sem que ela tenha percebido) se livrou também da directora do «Janeiro», a verdade é que têm sido muitas as manifestações de apoio e de carinho da cidade e da região Norte pelo título do (até aqui) jornal diário, que já foi referência na imprensa portuense e nacional.
Hoje, uma delegação do PCP liderada por Honório Novo, deputado à Assembleia da República eleito pelo círculo do Porto e um velho amigo do nosso «Janeiro», foi ao encontro dos jornalistas em luta, a quem expressou a sua solidariedade face aos últimos acontecimentos e ao comportamento da administração, salientando o rol de ilegalidades cometidas por Eduardo Oliveira Costa e dando conta da sua importante disponibilidade para levar o assunto ao Parlamento, denunciando o que classificou como “uma situação inaceitável e ilegal”. Ao grupo de 18 jornalistas que recusaram baixar os braços diante da “guia de marcha” emitida pela Sedico, “sem fundamento nem explicação”, Honório Novo garantiu “não conseguir entender como é possível, num estado de direito, assistirmos a uma situação verdadeiramente inaceitável de um despedimento aparentemente ilegal”.
Aproveitou, contudo, para criticar o desempenho da Inspecção-Geral do Trabalho, que considerou ser de “inércia” e de “silêncio”, já que, apesar de ter acompanhado o processo ao longo dos últimos dias, e de ter confirmado a presença no piquete de ontem junto às instalações, acabou por não comparecer, optando por mandar os jornalistas para casa. “Estamos perante uma empresa que conta com 32 jornalistas que durante anos lhe deram o que tinham e o que não tinham. Não é aceitável que estas pessoas sejam despedidas desta forma indigna, sem indemnizações, direitos ou justificações”, frisou o deputado, em declarações aos jornalistas que cobriram o encontro dos comunistas com os profissionais do «Janeiro». No final, visivelmente surpreendido pelo que ouviu e leu, já que teve acesso às “cartas de despedimento” enviadas aos 32 funcionários dispensados, Honório Novo prometeu levar o caso ao conhecimento dos responsáveis pelos ministérios do Trabalho, das Finanças e do Desenvolvimento Regional.
Fotos: Mente Despenteada

Não sei o que me espanta mais...

O homem que mais trambiques cometeu nos últimos anos em Portugal, e que foi condenado por lesar o Estado em milhares de contos (e que mesmo assim ainda recebe chorudos subsídios e até verbas do QREN), faliu uma empresa que afinal não faliu e extinguiu um jornal que afinal não foi extinto e que mais logo regressa às bancas, com novas cores, e feito por jornalistas desportivos (suponho que a ganhar os mesmos ordenados - ou mesmo sem ganhart nenhum, já que ele não paga nada a ninguém desde Junho -, mas a fazer dois jornais).

O homem que há dias quis fechar à chave a porta da redacção do «Norte Desportivo», para não deixar entrar os responsáveis da Inspecção Geral do Trabalho que pretendiam visitar as duas redacções, é o novo director do "novo" jornal «O Primeiro de Janeiro».

A senhora que durante oito anos desempenhou o cargo de directora do "antigo" «Janeiro» ainda afirma, peremptória, que tem um projecto, e diz que este, dirigido pelo senhor que quis fechar a porta à Inspecção Geral do Trabalho, é só para um engodo para "escoar a publicidade", porque o seu projecto arranca em Setembro. Diz-se ainda muito ofendida - e desiludida - com os 14 que foram "despedidos", porque estes lhe tinham dito que sem ordenados não podiam trabalhar, e agora se apresentam diariamente na redacção.

Um grupo de jornalistas expulsos da redacção do «Janeiro» de forma mais aviltante e ilegal que se possa imaginar escuda-se no silêncio para conseguir um tacho no jornal que há-de abrir, o tal do projecto...

domingo, 3 de agosto de 2008

Em 2008...

"Os jornalistas de O Primeiro de Janeiro depararam-se ontem com a redacção fechada à chave, quando se preparavam para ocupar o seu posto de trabalho. Os 32 jornalistas continuam a considerar ilegal a comunicação de despedimento efectuada na quinta-feira pela directora Nassalete Miranda e, por isso, prometem que vão continuar a apresentar-se diariamente na redacção. Ao fim do dia, a administração da Folio anunciou, em comunicado, que o diário regressa amanhã às bancas, com uma tiragem superior a 30 mil exemplares, sem se referir aos despedimentos.
Ontem, por volta das 14.00, os jornalistas começaram a chegar à redacção do PJ para ocupar, normalmente, o posto de trabalho. Contudo, e como já esperavam depois de as fechaduras da redacção terem sido mudadas quinta-feira à tarde, a mesma encontrava-se trancada. Depois de tocarem várias vezes à campainha e não obterem qualquer resposta, os jornalistas decidiram chamar a PSP, de modo a dar conta da impossibilidade de aceder ao posto de trabalho.A polícia esteve no local e tomou conta da ocorrência, que pode configurar uma situação de lock-out, proibida no Código de Trabalho e na própria Constituição da República Portuguesa.
Para já, os trabalhadores garantem que vão continuar a comparecer diariamente na redacção, para defenderem o seu posto de trabalho. "Nós somos a redacção de O Primeiro de Janeiro", defendem os 32 trabalhadores, enquanto aguardam para ver se o PJ sairá novamente para as bancas já amanhã. A administração da Folio (empresa proprietária) confirmou isso em comunicado, assegurando que o jornal "vai estar nas bancas a partir da próxima segunda-feira com nova imagem: um novo grafismo adaptado às actuais e futuras preferências dos leitores, renovando a sua linha editorial". Nem uma palavra sobre os despedimentos".

Publicado no jornal «O Diário de Notícias» de hoje.
Foto de Hernâni Pereira.

Em 1991...

"Eduardo Oliveira Costa é director do «Recortes da Província», um pequeno jornal de Oliveira de Azeméis que, no espaço de três anos, aumentou 72 vezes as suas vendas efectivas. Este prodígio valeu-lhe o mais alto subsídio de difusão concedido à imprensa regional portuguesa e a quinta parte do subsídio de porte pago total. Investigações recentes realizadas pelo serviço de inspecção dos CTT concluem que o Estado foi ludibriado em 130 mil contos a favor daquela empresa pública. Tudo indica que vários funcionários dos correios de Oliveira de Azeméis assinaram notas de expedição de jornais que nunca foram enviados. Oliveira Costa recebeu, no ano passado, mais de nove mil contos por jornais que não publicou".

"Quanto ao corpo redactorial, o cargo de chefe de redacção é assegurado por Jacinto Borges, indivíduo que desde há seis anos não mantém contactos profissionais com o director e que só há pouco tempo teve conhecimento de que o seu nome era referido na ficha técnica do «Recortes». O redactor, Nelson Ferreira, é um antigo sapateiro, cunhado de Eduardo Costa".

"As suspeitas começaram a esboçar-se em 1988, quando o «Recortes da Província» divulga um aumento do número de vendas efectivas de 96 mil para um milhão e 200 mil exemplares. Se até 87, o periódico de Oliveira de Azeméis recebia um subsídio de difusão de cerca de 450 contos, em 88 passa a ter direito a um subsídio superior a dois mil contos. É igualmente estranho que os documentos enviados ao Governo pela empresa Oliveira Costa & Santos, Lda., proprietária do jornal, referentes ao ano de 88, indiquem que o milhão e 200 mil exemplares dizem respeito a 92 edições de periodicidade trissemanal. Ora, a ser editado três vezes por semana, o «Recortes da Província» devia apresentar 156 edições".

"Em 1990, o jornal apresenta uma tiragem anual superior a oito milhões de exemplares, com sobras na ordem dos 100 mil, o que lhe vale um subsídio de difusão de nove mil e 200 contos. Isto quer dizer que no prazo de três anos o «Recortes da Província» aumentou 72 vezes o número de vendas efectivas, beneficiando de um subsídio de difusão que aumentou 20 vezes. Saliente-se, no entanto, que a gráfica que imprime o jornal não tem capacidade técnica para tiragens deste calibre. De acordo com fontes próximas do processo, aquela gráfica, para garantir tal tiragem, necessitaria de um avanço de quatro dias relativamente à publicação do jornal".

"O «Recortes da Província» é, inacreditavelmente, a publicação regional que beneficia de maior subsidio estatal, referente às vendas efectivas que diz realizar. Não obstante outra publicação, o «Correio de Azeméis» - que Eduardo Costa também administra - referir que se trata do "jornal de maior circulação da imprensa regional portuguesa". Em que ficamos? Isto enquanto o «Jornal do Fundão» apresenta perto de um milhão de exemplares vendidos (o que equivale a mil e 300 contos de subsídio de difusão, e o «Diário de Coimbra» cerca de dois mil e 200, tendo-lhe sido atribuído um subsídio de quase três mil contos. Saliente-se, contudo, que a importância e o prestígio do «Recortes» não pode ser comparável ao daqueles jornais, conhecidos em todo o País e nos núcleos de emigrantes espalhados por todo o mundo".

"Mas Eduardo Oliveira Costa foi muito mais longe. Alegando que o «Recortes da Província» se vendia quase exclusivamente por assinatura, beneficiou de um subsídio de porte pago que em 1987 rondava os sete mil e quinhentos contos, em 88 cerca de nove mil contos e que em 89 ascendia aos 130 mil, o que equivale à quinta parte do subsídio total atribuído pelo Estado à imprensa regional. Isto quando se comentava entre a concorrência que o jornal não tinha, sequer, lista de assinantes. Mesmo assim, a Direcção Geral de Comunicação Social não pôde deixar de pagar a factura de 130 mil contos aos CTT, para compensar os gastos com a expedição dos exemplares do «Recortes»".

"As habilitações de Oliveira Costa não vão além do antigo quinto ano do liceu. Incompleto. Eduardo Costa começou a sua carreira jornalística há 12 anos, com o envio de um texto de sua autoria para o «Correio de Azeméis». A peça, que se debruçava sobre problemas ecológicos, parece ter agradado ao então director da publicação, que mais tarde o veio a convidar para dirigir o jornal. Mas o seu nome só se tornou conhecido quando o Estado resolveu apadrinhar a imprensa regional. Desde então, o antigo empregado de escritório de uma sapataria passou a ostentar sinais inequívocos de riqueza. Ultimamente tem sido visto ao volante de diferentes automóveis de luxo. Entre as suas mais recentes aquisições, contam-se um Citroen XM, um Audi 80 e um Volkswagem Golf descapotável".

Publicado no jornal «O Independente», de 3 de Maio de 1991, com o título «O grande burlão». Sintomático?

Ilegalidade


Clube de Jornalistas (era difícil dizer isto melhor)

Outras páginas

Nos últimos dias, mediante o desenrolar de todo este processo aviltante, os meios de informação nacionais não têm deixado de dar conta, ainda que com algumas imprecisões, daquilo que se vai passando e da forma como os jornalistas e demais trabalhadores do «Janeiro» foram enganados. No seu Esgravatar, o Filinto tem feito a compilação das notícias publicadas, que obviamente agradecemos e saudamos. «O Primeiro de Janeiro» está agora a ser escrito noutras páginas...

Notas à margem de um processo kafkiano

No dia 31 de Julho, em reunião com toda a redacção, a directora de «O Primeiro de Janeiro», Nassalete Miranda, disse-nos que a empresa que suporta o título "faliu", e que "não há dinheiro" para pagar indemnizações às pessoas, que estavam todas despedidas, e que, durante o mês de Agosto, ela continuaria em busca de investidores que pudessem viabilizar o ressurgimento do título, que a acontecer daria, "naturalmente", preferência aos jornalistas agora dispensados que quisessem continuar. Sem garantias, no entanto, de que esse regresso se consumasse ou de que viesse a acontecer já em Setembro. No dia seguinte, na edição que essas pessoas asseguraram, com um profissionalismo inquestionável, foi este o editorial publicado:


sábado, 2 de agosto de 2008

Vocês sabem quem são e quem eles são

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Porque comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo e tu não.

Porque os outros são os tumultos caiados
Onde germina calada a podridão
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos
Porque os outros calculam mas tu não.


Sophia de Mello Breyner Andresen

sexta-feira, 1 de agosto de 2008